POSTAIS ILUSTRADOS
POSTAIS ILUSTRADOS
SOB O SIGNO DA IRREVOGABILIDADE
Carta Aberta ao SR. VICE-PRIMEIRO MINISTRO

Excelência,
Há muitas coisas que não compreendo por ultrapassarem a minha parca inteligência. E custa-me a aceitar.
Não compreendo a subserviência… a vários níveis.
Começo pela subserviência da Comunicação Social e dos Órgãos do Estado (com excepção de um Tribunal onde um Juiz ordenou que o português continuasse a ser o português e não brasilês), como dizia, a subserviência ao cumprimento do antipatriótico acordo ortográfico (lesa-pátria da Língua Portuguesa) quando ainda nem entrou em vigor e com a recusa de países do eixo da lusitanidade que ainda nem sequer o subscreveram!
Eu nisso sou irrevogável. Escrevo como a Professora Vitorina, minha professora da escola primária me ensinou e a quem deixo a minha homenagem, apesar de já não estar entre nós.
Não compreendo a subserviência aos protectores que nos vêm dar ordens, já que na gíria política estamos sob protectorado.
Apesar de os protectores se portarem de uma forma arrogantemente técnica e insensível, ultrapassando os cânones exigidos à nossa sobrevivência nacional.
A má gestão dos Governos que até agora conduziram Portugal foi a causa de perdermos a independência nacional.
Sinto uma revolta e uma mágoa profunda por ver estrangeiros a dar ordens no meu país para protegerem (afinal fazem parte de um protectorado), exclusivamente, os interesses deles, legítimos, mas, de consequências trágicas. Em Portugal aumentou a fome.
Eu nisso sou irrevogável. Espero que se vão embora o mais depressa possível, mas, que não fiquemos catalogados como caloteiros.
A negociação é uma questão de inteligência e firmeza!
Espero que o Senhor Vice-Primeiro Ministro consiga sentar-se à mesa das negociações e tenha força e coragem para fazer frente às exigências. Nisso espero que seja irrevogável!
Não condeno Vossa Excelência por ter deixado cair a sua irrevogabilidade porque compreendi e aceitei a sua irrevogável decisão, por estarem em jogo interesses mais altos do que as birras de gabinete. Já escrevi e repito que, quanto a mim, o Senhor teve razão, até já afirmei que, além de o compreender, eu não teria aceitado a situação por que passou, durante tanto tempo.
Quando lhe peço firmeza e coragem frente aos interesses da Tróica, não lhe estou a dizer que seja defensor de facilidades para continuarmos na senda da irresponsabilidade e irmos para aquela situação da mentalidade bem portuguesa de isto é para ir pagando, não é para pagar.
Não! Eu, como português, exijo disciplina. E a disciplina está na reforma da Administração Pública. É nas gorduras do Estado-Monstro que o Senhor tem de operar, usando um bisturi eficiente e eficaz.
Mas, não vá à procura de grandes técnicos e grandes inteligências nas empresas de consultadoria a quem terá de pagar principescamente, internamente, tem desse material nos servidores do Estado e só terá de lhes pagar o vencimento ao fim do mês.
Afinal, agora até já têm 40 horas de trabalho semanal!
Andam por aí montes de sugestões na internet que se mandar estudar, terá ideias sérias e exequíveis, algumas até fazem muito sentido. Outras há que são radicalidades impossíveis de consumar.
O Senhor Vice-Primeiro Ministro está sujeito a uma grande responsabilidade. Até algumas vozes andam a dizer que o novo governo, pelas responsabilidades que lhe foram atribuídas a si, já não representa o voto expresso nas urnas há dois anos, ou seja, que foi o CDS que ganhou na secretaria e o PSD, nas urnas.
Sou um defensor do liberalismo económico, mas, de um liberalismo económico com qualidades humanas e não a esta selvajaria a que assistimos.
Estas minhas palavras pretendem ser os mais simples possíveis para que possam ser entendidas por todos aqueles que as lêem.
Na reforma da futura Administração Pública, o Senhor terá que assumir e consciencializar os seus pares para que estas sejam compreendidas e aceites, se os exemplos vierem de cima e haja uma clara visão do que fazer com as mordomias, algumas delas, escandalosas e aviltantes.
Por exemplo, foi promessa eleitoral de que os governos passariam a ser mais pequenos. Não é o que se vê. Cada gabinete de ministro representa uma série de carros, de motoristas, de secretárias, de adjuntas e adjuntos, de assessores e assessoras, etc…
Onde é que está o exemplo de austeridade na formação dos governos? Faz-me lembrar as teorias das leis das bases e da superestrutura que, certamente, o Doutor leu.
Dinheiro gera dinheiro, é verdade. Mas, ganhar dinheiro com a desculpa do funcionamento das Leis de Mercado é pura demagogia. As Leis são feitas por seres humanos, por isso falíveis e alteráveis, adaptáveis à realidade dos tempos.
O dinheiro tem de ser um ganho com honra e moderação. Aproveitar uma espórtula que se olha com desdém e se usa para tirar o maior partido da miséria é uma iniquidade social.
Portugal não merece esta indignidade.
Sou um sonhador? Pois sou. Mas, é o sonho que comanda a vida.
Cumpre a Vossa Excelência demonstrar que a revogabilidade da sua irrevogabilidade vai colocar o País na senda dos países mais cumpridores e que se tivemos cá estrangeiros a ditar a nossa política, isso terá um fim; até porque se tivéssemos tido políticos mais competentes, em todos os quadrantes, Portugal não teria sido sujeito a esta humilhação.
E a humilhação a que temos estado sujeitos pode sair muito cara à Democracia.
Na passagem do Rubicão o poderoso Júlio César exclamou:
Alia jacta est! A sorte está lançada!
Boa sorte para si e seus colaboradores.
Voltarei mais vezes à sua presença, de acordo com a evolução das políticas que desenvolver, ora para criticar, ora para aprovar. Fá-lo-ei na minha qualidade de cidadão português e usando o meu direito de cidadania…
Os meus cumprimentos,
