Sexo "Sexologia"

 

ABUSO SEXUAL

 

A VIOLÊNCIA COMO DOENÇA

Existem quatro categorias distintas de abuso sexual:

pedofilia
estupro
assédio sexual
exploração sexual profissional

Em todas elas, existe necessidade de tratamento tanto dos abusadores, quanto das vítimas. Não é raro ocorrer que a vítima torne-se um abusador no futuro.

Pedofilia

Sinônimo

abuso de menores, incesto, molestação de menores

A Pedofilia é um transtorno parafílico, onde a pessoa apresenta fantasia e excitação sexual intensa com crianças pré-púberes, efetivando na prática tais urgências, com sentimentos de angústia e sofrimento. O abusador tem no mínimo 16 anos de idade e é pelo menos 5 anos mais velho que a vítima.

O abuso ocorre em todas as classes sociais, raças e níveis educacionais.

A grande maioria de abusadores é de homens, mas suspeita-se que os casos de mães abusadoras sejam sub-diagnosticados. Existem 4 faixas etárias de abusadores:

jovens até 18 anos de idade, que aprendem sexo com suas vítimas
adultos de 35 a 45 anos de idade que molestam seus filhos ou os de seus amigos ou vizinhos
pessoas com mais de 55 anos de idade que sofreram algum estresse ou alguma perda por morte ou separação, ou mesmo com alguma doença que afete o Sistema Nervoso Central
e aqueles que não importa a idade, ou seja, aqueles que sempre foram abusadores por toda uma vida

O sexo praticado com crianças geralmente é oro-genital, sendo menos freqüente o contato gênito-genital ou gênito-anal.

As causas do abuso são variáveis. O molestador geralmente justifica seus atos, racionalizando que está ofertando oportunidades à criança de desenvolver-se no sexo, ser especial e saudável, inclusive praticando sexo com a permissão desta. Pode envolver-se afetivamente e não ter qualquer noção de limites entre papéis ou de diferenças de idade.

Quando ocorre dentro do seio familiar (o abusador é o pai ou padrasto, por exemplo), o processo é bastante complicado. Normalmente interna-se a criança para sua proteção, e toda uma equipe trabalha com o clareamento da situação. Por vezes, a criança é também espancada e deve ser tratada fisicamente. A família se divide entre os que acusam o abusador e os que acusam a vítima, culpando esta última pela participação e provocação do abuso. O tratamento, então, é inicialmente direcionado para a intervenção em crise.

Depois, tanto a criança, quanto o abusador e a família devem ser tratados a longo prazo.

Devido ao fato de abuso de menores ser um crime, o tratamento do abusador torna-se mais difícil.

As conseqüências emocionais para a criança são bastante graves, tornando-as inseguras, culpadas, deprimidas, com problemas sexuais e problemas nos relacionamentos íntimos na vida adulta.

Estupro

Sinônimo

violência ou violação sexual, ataque sexual

O Estupro é constranger MULHER à conjunção carnal, mediante violência ou grave ameaça. (Artigo 213 do Código Penal Brasileiro).

O estuprador é sempre homem e tem sentimentos odiosos em relação às mulheres, sentimentos de inadequação e insegurança em relação a sua performance sexual. Pode apresentar desvios sexuais como o sadismo ou anormalidades genéticas com tendências à agressividade.

A vítima normalmente é estigmatizada, havendo uma tendência social de acusá-la direta ou indiretamente por ter provocado o estupro. Sente-se impotente até mesmo em delatar o estuprador, que muitas vezes é alguém já conhecido, sentindo-se muito culpada e temerosa de represálias. Muitas vezes, pode sentir que o estupro não foi um estupro, que foi uma atitude permitida por ela e de sua responsabilidade. Tal atitude dificulta o delato do crime. Os sentimentos de baixo auto-estima, culpa, vergonha, temor (fobias), tristeza e desmotivação são comuns. A ideação suicida também pode piorar o quadro. São comuns sintomas similares ao Estresse Pós-Traumático (Transtorno de Ansiedade comum em soldados pós guerra).

O tratamento da vítima consiste em conscientizá-la de que o estupro foi um ataque sexual, um crime, envolvendo pessoa conhecida ou mesmo uma pessoa desconhecida com a qual a vítima possa ter marcado um encontro às escuras.

Assédio sexual

Sinônimo

molestamento, coação sexual

O Assédio Sexual inclui uma aproximação sexual não-benvinda, uma solicitação de favores sexuais ou qualquer conduta física ou verbal de natureza sexual.

Existem leis que protegem as pessoas de preconceitos sexuais, tomando-se por base tais situações.

Existem dois tipos de molestamento:

 

quando existe uma pressão sobre a vítima para esta prestar algum favor sexual ou se submeter de alguma forma por estar hierarquicamente abaixo ao molestador
quando há uma pressão para a vítima sentir-se em um ambiente desagradável por ser de seu sexo específico. Por exemplo, uma mulher ser hostilizada ou não-benvinda por ser uma mulher em um determinado ambiente de trabalho, fazendo com que se sinta tão mal a ponto de ter de abandonar o emprego ou permanecer nele com sofrimento

O tratamento para essas vítimas consiste em ajudá-las a tomar medidas legais contra o molestador, treinando-as para identificar quando estão sendo submetidas a esse tipo de abuso.

Exploração sexual profissional

A Exploração Sexual Profissional ocorre quando há algum tipo de envolvimento sexual (ou intimidade) entre uma pessoa que está prestando algum serviço (de confiança e com algum poder delegado) e um indivíduo que procurou a sua ajuda profissional.

Pode ocorrer em todos os relacionamentos profissionais nos quais haja algum tipo de poder de um indivíduo sobre o outro (assimetria). Exemplos são relações como a do médico-paciente, psicólogo-paciente, advogado-cliente, professor-aluno e clérigo-paroquiano.

Restrições à intimidade sexual entre profissionais da área médica e pacientes são já citadas no juramento de Hipócrates, que data quatrocentos anos antes de Cristo, proibindo esse tipo de atividade sexual. Atualmente, tanto o código de ética médica como o código dos psicólogos postulam os mesmos princípios, considerando seríssimos os danos causados ao paciente.

É sempre muito difícil tratar um paciente que foi explorado por um médico ou terapeuta. Há uma incapacidade da vítima para confiar novamente, impossibilitando a aliança terapêutica, extremamente necessária para desenvolver o relacionamento saudável médico-paciente e a obtenção de sucesso no tratamento.

O profissional abusador também enfrenta muitas dificuldades no seu próprio tratamento. Geralmente busca ajuda somente quando foi delatado e indiciado. Existem ainda poucos serviços especializados e direcionados ao tratamento dessas situações.

 

AFRODISÍACOS

 

Magia ou Truque: a busca do elixir do amor

A procura por fórmulas mágicas para o incremento da vida sexual pode ser observada ao longo de toda a história da humanidade, principalmente nos livros eróticos do oriente - manuais chineses, hindus e árabes. Na mitologia grega, Afrodite (Vênus, no latim) filha de Zeus e Dione, encarna como a Deusa do amor e da beleza, intensamente atraente aos olhos dos mortais. De seu nome, nasce o termo afrodisíaco, referente àquele que tem atrativos ou àquele que desperta interesse sexual.

O que são afrodisíacos?

São agentes químicos ou odores que estimulam o desejo sexual e/ou que elevam a potência (masculina). Mais de mil substâncias contam para esta lista. Também acabam se incluindo neste termo os comportamentos, os objetos de vestuário e adornos que estimulam o apetite sexual e que mantêm ou prolongam a excitação.

Quais são os afrodisíacos?

Alimentos de origem animal ou vegetal que lembram em seu formato a aparência da genitália externa humana, como a ostra, o pepino, a banana, a rosa.
Substâncias que podem ter ou não algumas propriedades euforizantes ou tranqüilizantes, como o guaraná cerebral, a passiflora, o álcool, cannabis, cocaína, perfumes, incensos, entre outros.
Agentes químicos que influenciam a fisiologia sexual, geralmente provocando a ereção ou a mantendo, podendo aumentar a intensidade do desejo sexual em determinados indivíduos. É o caso da Yoimbina, do Sildenafil (Viagra) e do Trazodone, substâncias que normalmente requerem prescrição médica e acompanhamento de seu uso. Tais drogas podem determinar efeitos colaterais importantes, como sintomas cardiológicos e priapismo (ereção prolongada que se mantém sem estímulo sexual), entre outros.

Desejo e excitação: qual a diferença?

É necessário enfatizar a diferença entre estes dois termos.

A função sexual humana só foi descrita na década de 60. Dois pesquisadores, Masters e Johnson, possuíam um laboratório experimental nos Estados Unidos, onde estudavam a fisiologia sexual, tendo entrevistado centenas de casais.

O chamado Ciclo da Resposta Sexual Humana descreve as três fases que compõem nossa sexualidade, quais sejam: desejo, excitação e orgasmo.

O desejo refere-se ao despertar do apetite e do interesse sexual.
A excitação refere-se às respostas do corpo a este estímulo, com ereção peniana nos homens e lubrificação vaginal nas mulheres.
O orgasmo é a última fase, é o pico de satisfação sexual, quando há contração involuntária da musculatura perineal.

Existem drogas que provocam excitação, mas que não influenciam diretamente o desejo sexual (viagra).

O que são feromônios?

Existem também os chamados feromônios, afrodisíacos naturais que quando produzidos e exalados pelos indivíduos no ambiente, provocam alteração de comportamento e da fisiologia em outros indivíduos, geralmente de mesma espécie.

É um tipo de comunicação química que, no reino animal, determina a seleção sexual entre as espécies.

Nos últimos anos têm-se descoberto remanescentes do órgão receptor de feromônios nos seres humanos. Talvez seja possível, num futuro próximo, determinar a escolha sexual pelo cheiro dos parceiros, aumentando ou diminuindo o desejo entre pares específicos.

Polêmica entre ciência e tradição: o que se sabe?

O assunto ainda é polêmico. Não há evidências científicas significativas de que tais substâncias possam provocar ou não desejo sexual nos indivíduos, respeitando-se a variabilidade biológica de cada um. Espera-se que nesses próximos anos se descubra mais sobre tais elementos e sobre suas reais propriedades afrodisíacas.
Em um clima emocional que se estabelece ao redor dessas substâncias, um morango dado na boca, um incenso num quarto semi-escuro, um amendoim descascado a dois, por si só já pode incrementar o apetite sexual dos parceiros, não necessariamente sendo a substância envolvida a responsável pelo sucesso do casal.
Muitas substâncias ditas afrodisíacas são tóxicas, provocando até mesmo a morte de pessoas pelos seus efeitos cardiotóxicos. Deve-se ter cuidado com a utilização de determinados agentes, com a dose e com a sua procedência.
O apelo econômico da busca descontrolada do "elixir do amor" infelizmente tem trazido danos até mesmo ecológicos e éticos. Um exemplo são as "fazendas" chinesas de ursos que produzem bílis, substância utilizada para a fabricação de xampus, afrodisíacos e outros produtos milagrosos. Na tradição chinesa a bílis de urso é uma potente medicação para várias doenças. São dez mil animais enjaulados e cateterizados, que vivem por 15 anos com muita dor, praticamente sem movimento e na mesma posição para a extração de bílis. A bílis de urso não foi comprovada cientificamente como uma substância efetivamente afrodisíaca.
Um casal que busca um incremento na satisfação sexual tem várias opções afrodisíacas que não só o uso de substâncias.

O afrodisíaco maior está no querer bem o parceiro, no ser atencioso e zeloso tanto sexualmente quanto na rotina diária, e também zeloso com a própria auto-estima.

 

ANATOMIA E FISIOLOGIA SEXUAL: COMO A COISA FUNCIONA?

 

Claro que é preciso ter desejo para se buscar um bom sexo, mas sem um bom funcionamento da nossa "aparelhagem sexual", não há condições.

O primeiro passo é saber: que aparelhagem é essa?

Os órgãos sexuais do homem e da mulher diferem um pouco. Até aí, não há novidade.

Mas eles são muito mais que o sistema genital, não sendo formados apenas pelo pênis ou pela vagina. O aparelho sexual é um conjunto amplo de órgãos que responde ao estímulo sexual. Alguns estão na área genital, outros, fora (intra e extragenital).

Na mulher, os principais órgãos de prazer são o clitóris e a vagina.

No entanto, em todo o corpo podemos encontrar partes responsivas ao desejo sexual:

os seios (mamas), a própria pele, o ânus e o reto, e mesmo os órgãos internos como o útero, a uretra, e a bexiga.

No homem, o pênis é a principal estrela. No entanto - e diferente do que a maioria das pessoas acredita - ele não é o único "artista". O escroto ("saco", pele que recobre os testículos) e os testículos ("ovos") também fazem parte desse conjunto, tanto quanto a pele, os mamilos, o reto, o ânus, a bexiga e a uretra.

O segundo passo é saber: como é que funciona toda essa engrenagem?

Em ambos os sexos, há duas importantes reações fisiológicas quando se inicia o estímulo sexual: a vasocongestão e a miotonia. A vasocongestão nada mais é que o enchimento de sangue dentro dos órgãos. A miotonia é a contração regular ou em espasmos involuntários que se observa em alguns tecidos musculares.

O acúmulo de sangue no pênis é o responsável pela ereção. Na mulher, o acúmulo de sangue no clitóris, nos pequenos e grandes lábios e no terço inferior da vagina, forma o que denominamos de Plataforma Orgásmica.

Um pouco antes do clímax sexual, a tensão muscular e a vasocongestão atingem o seu auge, a miotonia aparece como espasmos. Então ocorre a tão esperada explosão orgásmica, quando há liberação de toda essa tensão, trazendo um sentimento de profundo deleite, de bem-aventurança. Uma substância chamada endorfina é liberada pelo cérebro, sendo responsável pelo prazer e por aquele "soninho" depois do sexo.

E como ocorre a disfunção sexual?

Há problemas sexuais quando a aparelhagem está com algum defeito, ou quando as engrenagens não conseguem trabalhar direito.

Algumas doenças podem prejudicar a atividade sexual, como o Diabetes, que atinge os sistemas vascular e neurológico periféricos. O homem pode se tornar impotente pelos danos causados na aparelhagem sexual.

Quando temos ansiedade, uma substância chamada adrenalina se espalha pelo corpo preparando-nos para a luta ou para a fuga. O sangue, neste momento, direciona-se para os músculos esqueléticos, que são aqueles responsáveis pelos nossos movimentos voluntários. Os músculos das pernas, por exemplo.

Neste quadro, fica difícil recanalizar o sangue para o aparelho sexual, ou mesmo evitar que o sangue acumulado fuja daqueles órgãos. E toda a aparelhagem está intacta. O prejuízo está no funcionamento. Isto explica o porquê daquelas falhas de ereção ou da dificuldade de se chegar a um orgasmo quando se está nervoso.

 

ANORGASMIA

 

De acordo com pesquisa recente realizada pelo Instituto Kaplan - Centro de Estudos da Sexualidade Humana de São Paulo - a cada 100 mulheres que buscam tratamento, 70 afirmam que não conseguem ter orgasmos.

Antes, a relação sexual tinha como objetivo a satisfação masculina. Hoje, apesar de muitos tabus sexuais terem sido derrubados, ainda é grande o número de mulheres que sofrem na cama. Mitos e conceitos equivocados sobre o orgasmo, ou melhor, sobre a sexualidade de forma geral, sempre estiveram presentes em nossa cultura, onde a mulher deveria ser um ser assexuado, sem desejo, sem tesão, à disposição do outro.

Hoje foi descoberto que o orgasmo independe da região que o desencadeia, podendo ser provocado pelo estímulo de qualquer região do corpo. Houve tempo em que se acreditava existirem dois tipos de orgasmos: o clitoriano e o vaginal.

Atualmente, se percebe uma busca descontrolada pelo orgasmo, que passou a ser o objetivo único de uma relação, esquecendo-se o prazer do relacionamento, de estar com determinada pessoa. Praticar sexo é uma escolha; ter prazer, uma possibilidade. Essa obrigatoriedade infundada na busca do prazer-gozo e não pelo prazer de estar vivenciando tal situação, tira a pessoa do contato com a relação, passando a ser mera espectadora.

Conceito

A anorgasmia é a dificuldade em atingir o orgasmo, mesmo que haja interesse sexual e todas as outras respostas satisfatórias para a realização do ato. Ocorre com freqüência entre as mulheres – estudos indicam que seria entre 50 e 70% dos casos. Ou seja, a mulher aproveita as carícias e se excita, mas algo a bloqueia no momento do orgasmo.

Muitas mulheres negam a ausência do orgasmo como uma forma de defesa. Assim, mentem, fingindo um prazer que não existe. Tal comportamento deve ser repensado, pois ao fingir para si própria, ela está se privando da obtenção de um prazer e da possibilidade de desvendá-lo por completo.

Além disso, a anorgasmia pode trazer conseqüências negativas. A mulher pode adquirir aversão sexual devido a realização de sexo sem prazer, e sem conseguir adequada lubrificação para o ato, pode ocorrer dor na relação.

A mulher não possui, como o homem, um ciclo sexual definido constituído por excitação, ereção, ejaculação e orgasmo. Ela pode ter desejo, mas mesmo assim, não chegar ao orgasmo. Mas, é preciso ressaltar, que a mulher quer ser amparada, acolhida. Dessa forma, o sexo pode satisfazê-la sem que chegue ao orgasmo

Etiologia

Dentre os fatores que levam a tal quadro, destaca-se de forma praticamente integral os aspectos psicossociais. A questão orgânica tem baixa relevância, ficando em torno de 5% dos casos.

Psicossociais: falsas crendices, falta de informação, tabus, religião, estrutura de valores que supervaloriza a sexualidade e o desempenho sexual, medo de ser abandonada ou engravidar, experiências traumáticas (inclusive obstétricas), falta de intimidade com o próprio corpo e/ou com o parceiro, inexperiência, falta de tempo ou de um local adequado, auto-exigência exacerbada, envelhecimento, culpa, ansiedade, depressão, tensão corporal, educação sexual castradora, desinteresse, insatisfação corporal, baixa auto-estima, excesso de contenção, dificuldade do cotidiano e dificuldade de estar inteira, tranqüila e a vontade no contato com o outro no momento da relação sexual, entre outros.

Orgânicas: algumas doenças, disfunções hormonais, uso imoderado de álcool ou drogas psicoativas e dores na relação.

Outras causas dizem respeito à má-formação congênita - que pode impedir o acesso ao clitóris -, hipertrofia dos pequenos lábios – que pode encobrir o acesso à vagina-, entre outras.

Tratamento

O enfoque principal é a disfunção, devendo-se fazer uma leitura do conflito, a fim de saber se existe alguma dificuldade emocional ou psicológica, ou se o problema é físico.

O objetivo é combater a ansiedade existente, desmistificando crenças falsas, e trabalhando os aspectos psicológicos que não permitem um completo funcionamento corporal. Propõe-se que a mulher tome ciência dos seus impulsos sexuais, de modo ajudá-la, sem a obrigação do orgasmo, a liberar emoções e viver a espontaneidade de sentir prazer. Para tanto, a psicoterapia pode estar baseada numa terapia individual, terapia de casal ou, ainda, no conjunto dos dois processos.

A terapia individual objetiva criar condições para ampliar o autoconhecimento e possibilitar o prazer consigo mesma, a partir de um aprendizado sobre como é construído tal sintoma. Ou seja, o que esse quadro tem a contar sobre a pessoa, sobre a sua forma de funcionar na relação e com o meio. É na terapia, portanto, que se revê falsos conceitos e se fornece orientação, possibilitando novas perspectivas, admitindo-se sua associação a exercícios e, muito raramente, ao uso de medicação.

A terapia de casal objetiva facilitar a comunicação do mesmo, além de mediar um conhecimento maior sobre o funcionamento da relação, ajudando a descobrir, entre outros fatores, de que forma o casal interage em sua vida cotidiana, e como isto se reflete na dinâmica sexual.

Muito freqüentemente, a mulher passa a ter maior curiosidade sobre o próprio corpo. Faz-se importante que ela se conheça, se toque, saiba do que gosta e o que não lhe agrada. E, essencialmente, pedir ao parceiro que a “acenda”. Através do auto-conhecimento, a auto-estima pode ser resgatada. Essa é uma forma de descobrir o caminho para que se possa fazer sexo sem mitos e transformá-lo em algo natural, sem ter medo de gostar de sexo e do que o parceiro vai achar disso.

A mulher precisa dar importância à sua sexualidade, tocar o seu corpo e descobrir o que lhe dá prazer, dizendo ao parceiro o que ela precisa, o que está faltando e se interessando em saber o que ele gosta. O orgasmo é uma conquista, sexo é comunicação e entrega.

A sexualidade e a forma que a mulher se relaciona com ela é produto de eventos que, aparentemente, nada têm a ver com sexo. Assim, a superação de um quadro como esse leva ao aprendizado e ao autoconhecimento, provocando transformações além da sexualidade. Atingir o orgasmo é elemento de um processo de crescimento que dura a vida toda.

Não se pode definir uma mulher com anorgasmia quando o parceiro possui ejaculação precoce já que, muitas vezes,o fato do homem ejacular rapidamente acaba não permitindo que a mulher tenha tempo suficiente para alcançar o orgasmo.

Tanto nos casos orgânicos como nos psicológicos, a terapia é indicada. Por mais que a origem seja somente orgânica, ela pode estar interferindo, poluindo as outras esferas do seu contato com o parceiro. Dessa forma, a maioria do universo feminino pode se favorecer com a reeducação sexual, já que muitas não aprenderam a se aceitar e se conhecer.


 

ARMADILHAS DO DESEJO

 

No início, quando escolhemos alguém, tudo é novidade. E novidade tem cheiro de desejo. Com o passar o tempo, é comum que as pessoas esqueçam de esquentar o relacionamento e se deixem consumir pelo trabalho, pela rotina, por desentendimentos. Tais ingredientes, entre outros, criam uma lacuna emocional e, por vezes, um impedimento sexual por falta de investimento dos parceiros. Claro que relacionamentos não se baseiam somente em sexo. Mas a sexualidade acha o seu lugar dentro de uma relação que tenha afeto, admiração e entendimento, e é por isso que não podemos esquecer do aspecto sexual, já que uma sexualidade precária empobrece a vida conjugal.

O excitante é a novidade, o que vem implícita através dela. E a acomodação, o veneno para o desejo. Como as armadilhas são muitas (tanto internas quanto externas), e uma coisa leva a outra, os parceiros vão se distanciando emocionalmente ou mesmo fisicamente. Aquela pessoa completa, que era tão interessante, já não desperta tanta atração nem interesse. A saída encontrada por muitos é buscar por outras e novas fontes de apoio e, como uma bola de neve, cada vez se distanciam mais. Fora isso, a vida é tão corrida que se leva o corre-corre para dentro do relacionamento. Não se tem tempo para descobrir o outro e nem para lidar com as frustrações.

Claro que quando o casal divide a mesma casa, a rotina desmascara a sedução. Então, qual será o caminho do meio entre a intimidade doméstica e o desejo sexual? Indo um pouco na contramão de tudo aquilo que sempre foi dito, a intimidade nem sempre é garantia única do bom sexo. Pelo menos não esse tipo de intimidade, já que para um bom funcionamento da sexualidade, muitas vezes, é preciso introduzir mistério naquilo que é familiar. De forma geral, alguns elementos desmotivadores são: relacionamentos instáveis ou com pouca confiança, traumas sexuais, insegurança quanto ao desempenho, forte repressão sexual, falta de higiene pessoal e atenção ou cuidado do parceiro. Mas, todos esses elementos podem ser cuidados dentro de uma relação com paciência e vontade.

Num relacionamento saudável, há o respeito pela individualidade alheia, pois ao entregar a própria satisfação na mão do outro o resultado pode ser uma profunda frustração. Se o outro não agir conforme o esperado, a decepção é o único caminho, já que se vive através dele(a). É indispensável conservar o próprio eu e ter, ao mesmo tempo, a liberdade de se envolver com o eu do outro, formando um terceiro elemento, que é o casal em si, sem que haja anulação das partes, mas uma troca entre elas.

Além disso, é preciso pensar em sexo e tomar cuidado com a preguiça, ou seja, sexualize os seus pensamentos. Não adianta ficar esperando que o desejo chegue, porque ele não vai bater à sua porta sem que seja convidado. Abra espaço para o sexo dentro do seu relacionamento, reservando um momento só para os dois e estimulem-se. Aprenda com seu corpo e com o corpo do(a) parceiro(a): aproveite o que ele tem para oferecer aos dois, valorizando, assim, o erotismo. É possível manter o desejo vivo ao sentir prazer com o outro, pois dar prazer pode disparar e potencializar o seu próprio.

Importante ressaltar que é preciso ter cuidado com as expectativas romanceadas. Elas se baseam nos próprios desejos e, não necessariamente, fazem parte da personalidade do outro. Aceite-o como ele é ainda que seja pra ver que pode ser muito bom ficarem juntos mesmo que, no fundo, não tenham nada de afinidade. Além disso, lembre-se que se relacionar com o outro não é um ato de contemplação, e sim, de convivência. Por isso, é tão importante compartilhar interesses,  valores e projetos de vida, até porque sexo, ainda que não seja perfeito no início, pode ser adaptado, mas, para tanto, comunicação é fundamental. Não se limite apenas a ouvir.

É vital que cada um tenha vontade de falar com o outro e de ser ouvido. Comunicar-se não tem a ver com falar demais, mas saber colocar para o outro os seus sentimentos, e isso é a chave de toque para se resolver os problemas que vão surgindo durante a relação. Afinal, é preciso ver os dois lados da moeda: numa relação há luz e sombras, conquistas e frustrações. Não espere que sempre seja um mar-de-rosas, porque isso só acontece nos contos de fadas. E, na verdade, só no final deles.

 

ASSEXUALIDADE

 

Sinônimo:

desprovido de desejo sexual, ausência de desejo sexual ASSEXUALIDADE

O que é?

Orientação de nome praticamente autoexplicativo, mas que não deve ser confundida com o celibato, que é a abstinência deliberada de atividade sexual. Ou seja, enquanto que no celibato escolhe-se pela privação da intimidade sexual ainda que haja o desejo, a assexualidade é uma parte intrínsica da condição do envolvido. Os assexuados não tomaram tal decisão, eles simplesmente não possuem desejo sexual, e não se importam com isso.

Assim, assexualidade não tem nada a ver com castidade, com disfunção sexual ou moralidade. Atualmente, as pessoas estão buscando compreendê-la fazendo com que muitos a defendam, não como uma patologia, mas uma orientação sexual legítima, ainda que há quem afirme que tal critério se encaixa no distúrbio de hipoatividade sexual, ou mesmo no da aversão sexual.

O que se sente?

Pode-se dizer que é uma identidade e uma forma de descrever o estilo de vida caracterizado pela falta de atração sexual por qualquer um dos gêneros. Para alguns, também compreende a falta de atração romântica e há aqueles que sentem pouca necessidade de relacionamentos interpessoais e, ainda, os que mantêm uma ampla rede de amigos, o que lhes oferece suporte emocional necessário.

As necessidades emocionais são as mesmas, variando a forma como são supridas. Se, para muitos, o sexo é uma parte chave na ligação entre as pessoas, não necessariamente para outros ele é a única expressão possível de amor. A realização pode vir do carinho, da compaixão, da proximidade, da empatia e da aceitação.

É preciso deixar claro que ser assexuado não significa não gostar ou ir contra o ato sexual, embora há quem se encaixe nessa categoria, mas demonstra a falta de interação com outras pessoas em uma base sexual. Os sentimentos não se perdem. Uma pessoa que se diz assexuada pode se apaixonar por outra, amá-la e ser feliz, ainda que nunca se sinta sexualmente atraída e tenha necessidades sexuais. Não há vergonha, oposição ou medo nisso.

O sexo é aceitado como natural, só que não se envolvem pela falta de desejo. Ou seja, ainda que experimentem a atração, não necessariamente sentem necessidade de expressá-la sexualmente. Alguns até podem experimentar diferentes níveis de excitação sexual ocasional, ainda que não esteja associada ao desejo de haver parceiros sexuais, e sentem-se mais à vontade se masturbando, num impulso mais fisiológico.

Como se faz o diagnóstico?

Para fazermos parte da sociedade ocidental, temos que ter uma vida sexual ativa, em que a sexualidade é uma parte essencial e de interação. Num mundo que valoriza tanto a expressão sexual, pode ser difícil imaginar que existam pessoas que se identifiquem como assexuadas. Muitos podem até se sentir cobrados socialmente, passando a se questionar se são normais por se sentirem assim.

A contrário do que podem pensar, tal atitude não gera incômodo, mas, muitas vezes, são os outros que se sentem incomodados pelo jeito de ser do indivíduo assexuado. Assim, o que percebemos é que tais indivíduos não veem a falta de excitação como um problema que precisa de tratamento.

Não há nenhum teste capaz de determinar a assexualidade. Mas, de qualquer forma, mais do que curar, é preciso aceitar tal orientação. Qualquer que seja o significado, ser assexuado diz respeito a não ser sexual, não se importar com o sexo, e não ver a falta de excitação sexual como um problema a ser corrigido. De forma resumida, se não causa angústia, não deve ser entendido como um distúrbio emocional ou médico.

 

 

ASSUMINDO A HOMOSSEXUALIDADE

 

O desejo por pessoas do mesmo sexo pode surgir bem antes da fase adulta. Com o tempo, meninos e meninas percebem que o ‘normal’ é se interessar por pessoas do sexo oposto. Mas, alguns se veem diferentes por não se sentirem assim e, por isso, acabam ‘entrando no armário’. Muitos não se revelam por receio: sentem-se sozinhos, rejeitados e com quilos de preconceitos. Inibem tais sentimentos por medo de serem marginalizados, e acabam sofrendo com tal opção.

É preciso deixar claro que os casos homossexuais não nos contam sobre opções. É por isso que muitos julgam incorreto o termo opção sexual. O certo seria dizer orientação, já que tais pessoas são motivadas por um desejo que não controlam. Talvez valha lembrar que orientação sexual não é só sexo. Existem sentimentos, dificuldades e medos que vão além da conotação sexual. É uma atração afetiva, emocional e não puramente sexual.

A homossexualidade teve sua condenação histórica, já que toda manifestação sexual sem fins reprodutivos foi, e ainda é, severamente condenada. Nisso, a religião exerceu grande papel castrador no negativismo homossexual. Muito da informação que nos chega sobre a homossexualidade é estereotipada ou corrompida. Ainda que nossa sociedade já tenha evoluído em muitos aspectos, quando falamos sobre a homossexualidade, ela se apresenta homofóbica, julgando-os como promíscuos. É preciso rever tais ideias e respeitar os direitos de todos os cidadãos. A luta dos homossexuais é enorme para reverter esse quadro. Eles buscam por respeito, mas, ainda assim, são alvo de discriminações e vítimas de uma sociedade heterocentrada, que opera com preconceito para não tratar de forma igualitária aqueles considerados diferentes.

Mas, é preciso assumir, não só para a sociedade, como para si e para a família. Às vezes, o próprio homossexual é homofóbico, já que é muito difícil extinguir anos de negativismo. Por isso, muitos acabam tendo uma vida dupla, pelo medo de perder o amor das pessoas. Mas, poder assumir para si próprio é anular preconceitos internalizados, ainda que haja um grande medo da revelação, o que vai depender do ambiente, da história de vida e de como a própria pessoa se aceitou. A aceitação varia de acordo com as mensagens que foram recebidas. Mas não se cobre, sair do armário não é um ato único que acontece da noite para o dia. Há quem prefira ir aos poucos.

Outro fantasma que ronda esse momento é a hora de contar para os pais. Não existe um melhor momento para isso. Ou melhor, o momento ideal é quando você está seguro e tem certeza daquilo que quer e é. Mas, saiba que não há como prever a reação deles. Alguns se ressentem de tal revelação e, como arma de combate, fazem da dependência financeira um argumento para que os filhos mudem de orientação. É preciso paciência pois o processo de assimilação pode demorar anos. Às vezes, se a própria pessoa já demora um tempo para se auto-aceitar, os pais também podem não conseguir aceitar de uma hora pra outra. São muitos os que se chocam com tal descoberta, e passam por um momento de grande desgaste emocional. Eles vão precisar aprender com os filhos o que acontece com eles, pois sentem como se estivessem perdendo as projeções feitas ou o sonho de serem avós, por exemplo. Outros pais se preocupam com o preconceito social que o filho, por ventura, possa vir a passar, já que ser minoria é se sentir marginalizado, muitas vezes. Já, outros negam tal condição como uma forma de proteger-se das mudanças. Mas, o mais importante a saber é que seu filho continua sendo a mesma pessoa de antes, a única coisa que mudou é que agora você sabe que ele é gay.

Saiba, também, que o seu filho não está contra você, mas a favor dele. O filho de antes é o mesmo de agora. Não existem culpados por isso, e ninguém fez nada de errado. É uma opção que os pais farão: poderão escolher se querem continuar participando da vida do filho, ou vão negá-lo somente por conta da sua orientação sexual. Os pais podem precisar pesquisar sobre o assunto para entenderem melhor o que está acontecendo com eles e com o filho.

Há também aqueles que vão procurar por um apoio psicoterápico nesse momento. A psicologia trabalha, auxiliando no caminho para a auto-estima e a auto-afirmação. Um trabalho que visa o entendimento daquilo pelo que a pessoa está passando. Assim, a ajuda de um profissional qualificado é de vital importância para combater as rejeições. Mas, desconfie de quem avisa que é possível curar a homossexualidade, até porque tal condição não é uma doença, muito menos um desvio psicológico. Ou seja, a psicoterapia é capaz de fornecer suporte para uma boa aceitação e força para lidar com suas decisões. Não significa apontar saídas, mas possibilitar a reflexão das opções para que possa lidar de uma forma menos traumática com as pressões sociais.


 

ATRAÇÃO SEXUAL

 

O que atrai os homens e as mulheres?

Sabedoria da Mãe Natureza

Os pesquisadores ainda se perguntam: a atividade sexual está desvinculada da reprodução no ser humano, ou este ainda é um imperativo biológico que impulsiona o nosso desejo? O sexo hoje adquiriu outras funções e papéis, que não apenas a procriação?

Existem determinadas teorias que procuram explicar e identificar um padrão de escolha de parceiros sexuais nos seres humanos. O acasalamento pode se dar de diferentes formas: na Poligamia, o homem tem múltiplas esposas, na Poliandria, as mulheres tem múltiplos maridos. A Endogamia ocorre quando parentes próximos se acasalam e na Exogamia, evita-se acasalamento entre parentes.

Charles Robert Darwin (1809-1882), evolucionista que identificou a seleção natural como o processo básico da evolução das espécies, foi um dos primeiros cientistas a questionar a Seleção Sexual. Descreveu a Seleção Intrasexual quando indivíduos de mesmo sexo competem entre si pelo sexo oposto e a Seleção Intersexual , quando há preferências de um sexo por outro, como a escolha discriminada da fêmea por um macho mais forte e vistoso.

Várias teorias surgiram tentando definir que características seriam mais importantes para chamar atenção do outro sexo. Algumas delas explicam que os indivíduos buscam similaridade de características, ao contrário do que se pensava, que a busca era por parceiros com características diferentes e opostas. Ou seja, quem tem nariz grande se atrairia por iguais: os "narigudos" se amam! Mas não é tão simples assim, não.

O que define quem acasala com quem é uma questão em aberto e ainda buscada por biólogos, geneticistas, psicólogos e sociólogos. Mais de 90% dos indivíduos casam ao longo de suas vidas, influenciando nas tendências sociais e na distribuição de riquezas.

O que faz a atração?

O que é importante para a escolha de parceiros e que mudanças evolutivas podem decorrer de preferências sexuais?

Como será a tendência genética?

Como ela varia?

Dois pesquisadores, Buss e Schmitt propuseram a Teoria das Estratégias Sexuais. Nela, relatam dados empíricos de uma extensa pesquisa realizada em vários países do mundo.

Acreditam que a escolha de parceiros pode ser feita de duas formas diferentes ou até mesmo, associadas. Descrevem a estratégia de curto prazo e a de longo prazo. Ambas se baseiam no imperativo biológico, ou seja, nossas escolhas e preferências de parceiros sexuais ainda são influenciadas pela busca de melhores genes para nossos futuros filhos. Por exemplo, os homens buscam mulheres jovens e atraentes, pois detectam na juventude a possibilidade ainda de gerar muitos filhos, e na atratividade, a saúde do corpo para enfrentar a gravidez e suas repercussões. Já a mulher buscaria um parceiro com dispositivos internos de força, poder e capacidade de proteção para ela e sua prole.

Acreditam que o homem tem uma tendência a seguir a estratégia de curta duração, pois é a menos onerosa para ele. Busca quantidade para tentar produzir maior número de filhos. Sua contribuição para a procriação é somente seu esperma e uma boa vontade. Já para a mulher, há maior tendência de buscar a estratégia de longa duração, pois seu investimento é muito custoso: 9 meses de gestação, alguns outros de amamentação e vários anos de cuidados com seus bebês. Os filhotes humanos são extremamente dependentes de seus genitores para cuidados de higiene, alimentação e desenvolvimento. Para a mulher, a seleção é de extrema importância. Deve saber preferir e discriminar o macho de maior valor genético (mais força muscular, mais inteligência, por exemplo) para não perder tempo em investimentos que lhe serão custosos e de pouco retorno.

Algumas pesquisas no Brasil revelam que as mães que têm muitos filhos e que são muito pobres investem mais naqueles que podem sobreviver e que apresentam melhores características, deixando de lado os filhos mais fracos. Vendo desse ponto de vista, é realmente assustadora a nossa similaridade com os animais.

Mas os machos de nossa espécie cuidam de seus filhotes e seguem a estratégia de longo prazo também, inclusive com mulheres pós-menopáusicas. E as fêmeas humanas também buscam relacionamentos de curto prazo. Afinal, somos assim iguais aos animais? Selecionamos somente para ter filhos? Muitos nem querem! Pelo contrário, fogem e evitam filhos como quem foge de um leão!

Talvez as diferenças entre homens e mulheres de nossa espécie na busca de parceiros realmente existam, e talvez lembremos muito mais "nossos parentes" do reino animal do que gostaríamos de lembrar.

Todavia, é importante termos em mente que, apesar de sermos uma continuidade da natureza, temos características únicas comparando-se as espécies, e estamos ainda em evolução. Entender como processamos a seleção sexual e entender a sabedoria da evolução natural, talvez nos renda o compreender para onde estamos seguindo.

 


 

BRINQUEDOS SEXUAIS

 

Podemos considerar acessórios eróticos todo e qualquer objeto que insinue ou que é usado com a finalidade de excitar a si ou ao parceiro. Mas o que o uso de acessórios eróticos tem a ver com a sexualidade? Se eles podem nos ajudar, como isso acontece? Eles podem facilitar no conhecimento do nosso corpo e das sensações que podem despertar: com eles podemos nos explorar. Claro que vale lembrar que o seu corpo não é uma máquina de sexo e nem de prazer. Assim, não é só acomodar o brinquedinho escolhido e aguardar pelo gozo.

É preciso deixar de lado a crença de que uma vez com o brinquedo em mãos sua vida será diferente de tudo que sempre soube. Não se compra prazer. Assim como o Viagra não estimula o desejo, o vibrador, por exemplo, por si só não te fará chegar ao climax. Então, relaxe, liberte-se, permita-se fantasiar e deixe que o desejo te controle por uns minutinhos.

Fato é que ainda há muito preconceito no que diz respeito ao uso dos acessórios eróticos. Muitos ainda percebem o seu uso como um descontentamento sexual: seriam utilizados por pessoas com parceiro que não dão ‘conta do recado’ ou porque são sozinhas ou encalhadas ou ainda para os casais que estão na corda bamba. Serve tanto pra esses, como pra todos os outros. Serve para sanar a curiosidade e incrementar a vida sexual e descobrir sensações até então não conhecidas.

E se antes existiam poucas opções de brinquedos sexuais, hoje nos deparamos com verdadeiras Disneylândias reais ou virtuais que buscam intensificar as fantasias sexuais, afastar a monotonia sexual, facilitar que os parceiros encontrem novas e diferentes formas de excitação e diversão.

Se a insegurança ou a timidez te prende na entrada de um sex shop, hoje se tem a opção de comprar pela internet. Além dessa, na sua própria casa existem objetos capazes de apimentar a sua próxima noite. Mas tenha cautela e consciência. Um par de dados é o suficiente para um joguinho sexual fácil e eficaz.

Gelo e chá quente são ótimas alternativas para brincar com a sensibilidade. Um espelho pode despertar prazeres adormecidos ao permitir uma visão de um ângulo que não se consegue ver sem a ajuda dele. Um lenço pode servir como algema. Para as preliminares, nada como trocar mensagens pelo celular. Enfim, solte a imaginação e deixe a criatividade brincar com você.

Mas precisamos acabar com o preconceito em relação aos sex shops. E isso não é nenhum tipo de comercial. Ir a um sex shop é entrar em contato com a sua criatividade, pois os brinquedos podem ser usados além da área genital. Mas fique de olho nas instruções de uso. Além disso, seu emprego é como se fosse um jogo: existem fases. Alguns brinquedos requerem mais práticas e um maior nível de intimidade com o corpo e com o parceiro.

É preciso tomar alguns cuidados para se aventurar nessa brincadeira:
 

Higienização é artigo de primeira linha. Verifique nas especificações do produto como ele deve ser limpo.
Seu brinquedinho é pessoal e intransferível. Não compartilhe com as amigas. Quer experimentar? Cada um tenha o seu.
Falando de vibradores, pode ser interessante o uso de um gel lubrificante para suavizar o atrito com a mucosa vaginal.
Eles também têm prazo de validade. Podem estragar e quebrar.
Utilize com cuidado. Por mais que seja um brinquedo, ele pode machucar.

Não compre o primeiro que achar. Vá conhecendo as disponibilidades do mercado, estudando o mecanismo do que você procura aos poucos, entendendo como ele funciona e o que você espera dele. Conheça outras opções e lojas. Aprenda a usá-los para saber como que eles poderiam ser úteis, e, se eles não forem, valeu pela experiência. E se você quer incrementar sua relação com os brinquedinhos, tenha uma conversa franca com o seu parceiro, descontraída e sem cobranças.

Deixe o parceiro livre pra decidir. Sexo precisa ser divertido para os dois. Mas também não se sinta culpada caso queira descobrir como funciona a sua compra sozinha. Algumas pessoas querem compartilhar, outras se sentem mais a vontade, estando sozinhas ainda que seja nesse começo. Tudo depende da sua vontade e intimidade consigo mesmo e com o parceiro.

 


 

CICLO SEXUAL FEMININO

 

Apesar do processo biológico da Resposta Sexual Humana referente aos estímulos eróticos ser unitário, eles são constituídos por uma continuação de fases passíveis de divisão didática, ou seja, são resultado da coordenação e integração de diferentes componentes singulares e relativamente independentes. A inibição de algum deles compromete a vivência de uma sexualidade completa e leva a diferentes síndromes clínicas com diferentes tratamentos. Quando há uma insatisfação persistente ou recorrente em alguma dessas fases, chamamos de disfunção sexual.

Não há muito tempo, a resposta sexual era entendida de forma integral. Ela era um evento único, o que fazia com que, devido ao desconhecimento das diferenças entre as fases, não houvesse uma diferenciação entre as várias entidades clínicas. Os homens eram chamados de impotentes e as mulheres de frígidas. Conforme a resposta sexual foi sendo mapeada, por alguns estudiosos, pode-se separá-la em fases. O primeiro deles foi Ellis (1897) que se focou na fisiologia da questão sexual. Mesmo que já se percebesse na época a importância da atração para a origem e conservação do ato, salientou somente a continuidade de reações orgânicas.

Dividiu o ato sexual em duas fases: tumescência (acúmulo crescente de energia, marcada pela congestão sanguínea no aparelho genital) e detumescência (descongestão vascular que acompanha a descarga orgástica.) O segundo esquema foi elaborado por dois pesquisadores americanos, Masters e Johnson (1966) numa teoria formulada em um laboratório onde era possível pesquisar cientificamente as modificações do corpo durante a atividade sexual. Contaram com o apoio de pessoas voluntárias que permitiram o monitoramento das atividades sexuais através de um aparelho criado para detectar alterações de cor e temperatura corporais.

Concluíram então um padrão de resposta sexual para homens e mulheres, que nomearam de Ciclo da Resposta Sexual Humana composto por 4 fases distintas, dividindo a anterior tumescência de Ellis em excitação e platô e a detumescência em orgasmo e resolução. Tal modelo preconizava que tanto o estímulo interno (pensamentos e fantasias) quanto externo (provocado pelos 5 sentidos) promoveria a excitação.

Mas o modelo de Masters e Johnson apresentava algumas imperfeições por não considerar os aspectos mais particulares e subjetivos da resposta sexual. Foi assim que mais tarde, aprimorando tal idéia, a psiquiatra Helen Kaplan, em 1979, complementou com uma terceira proposta, onde antecedendo à fase da excitação viria o desejo - importante para o desenrolar das fases posteriores e com isso propôs um esquema trifásico:

Desejo:

Primeira fase do ciclo, onde os instintos são estimulados, mas não aparecem indícios orgânicos objetivos. É uma etapa subjetiva caracterizada pela resposta sexual ao estímulo dos cinco sentidos e que incita a busca pela atividade sexual. Nas mulheres, o olfato e o tato são atores principais no aumento do desejo sexual.

Excitação:

A segunda fase do ciclo sexual caracteriza-se pelas respostas fisiológicas do corpo frente aos estímulos que dispararam anteriormente o desejo sexual. Há uma crescente excitação sexual, manifestada pelo binômio vaso congestão (aumento da quantidade de sangue acumulado em alguns órgãos do aparelho genital e extragenital) e miotonia (tensão muscular caracterizada pela crescente e involuntária contração das fibras musculares). Pode ser acelerada ou encurtada, prolongar-se por bastante tempo ou ser interrompida.

Nas mulheres tal fase é caracterizada pelo início da produção de uma secreção responsável pela lubrificação vaginal, um ligeiro aumento clitoriano, ampliação do útero e início da sua elevação, aumentando sua capacidade de acomodar o pênis. Também se manifesta nos seios que sofrem um pequeno aumento em seu tamanho e nos mamilos que se tornam eretos. Há um aumento da freqüência cardíaca e respiratória, assim como da pressão sanguínea. Ocorre o rubor sexual (a pele fica avermelhada), clitóris e pequenos lábios aumentam de tamanho, enquanto os grandes lábios se retraem deixando livre a entrada da vagina.

Orgasmo:

Ocorre a liberação total das tensões anteriormente retidas, acompanhada de contrações musculares reflexas. Subjetivamente carateriza-se pela sensação de prazer sexual, perda da acuidade dos sentidos, sensação de desligamento do meio externo, seguida pela liberação, em poucos segundos, da vaso congestão e miotonia. O orgasmo feminino corresponde a contrações reflexas ritmadas dos músculos perivaginais e perineais que circundam a vagina. O útero também participa dessas contrações.

Diferentemente dos homens, as mulheres ao continuarem a serem estimuladas podem experimentar novo orgasmo. Mas não se pode esquecer que a sexualidade por mais que envolva um aspecto fisiológico, abrange outras dimensões que são mais subjetivas como a capacidade de entrega, de aceitação do outro, do relacionamento e de si.

Basson (2004) apresentou uma nova proposta para o ciclo de resposta sexual feminino. Ela destacou o valor da intimidade como motivação para o sexo, afirmando que muitas mulheres dão início ao ato sem que estejam interessadas ou entusiasmadas, mas buscam o carinho e aproximação física, antes de serem implicadas pelas sensações eróticas. Dessa forma foi proposto um modelo circular para o ciclo feminino em que a falta de desejo sexual espontâneo não revelaria uma disfunção sexual, excluindo muitas mulheres de categorias tidas como disfuncionais.

 


 

CICLO SEXUAL MASCULINO

 

Apesar do processo biológico da Resposta Sexual Humana referente aos estímulos eróticos ser unitário, eles são constituídos por uma continuação de fases passíveis de divisão didática, ou seja, são resultado da coordenação e integração de diferentes componentes singulares e relativamente independentes. A inibição de algum deles compromete a vivência de uma sexualidade completa e leva a diferentes síndromes clínicas com diferentes tratamentos. Quando há uma insatisfação persistente ou recorrente em alguma dessas fases, chamamos de disfunção sexual.

Não há muito tempo, a resposta sexual era entendida de forma integral. Ela era um evento único, o que fazia com que, devido ao desconhecimento das diferenças entre as fases, não houvesse uma diferenciação entre as várias entidades clínicas. Os homens eram chamados de impotentes e as mulheres de frígidas. Conforme a resposta sexual foi sendo mapeada, por alguns estudiosos, pode-se separá-la em fases. O primeiro deles foi Ellis (1897) que se focou na fisiologia da questão sexual. Mesmo que já se percebesse na época a importância da atração para a origem e conservação do ato, salientou somente a continuidade de reações orgânicas. Dividiu o ato sexual em duas fases: tumescência (acúmulo crescente de energia, marcada pela congestão sanguínea no aparelho genital) e detumescência (descongestão vascular que acompanha a descarga orgástica.)

O segundo esquema foi elaborado por dois pesquisadores americanos, Masters e Johnson (1966) numa teoria formulada em um laboratório, onde era possível pesquisar cientificamente as modificações do corpo durante a atividade sexual. Contaram com o apoio de pessoas voluntárias, que permitiram o monitoramento das atividades sexuais através de um aparelho criado para detectar alterações de cor e temperatura corporais. Concluiram, então, um padrão de resposta sexual para homens e mulheres, que nomearam de Ciclo da Resposta Sexual Humana, composto por 4 fases distintas, dividindo a anterior tumescência de Ellis em excitação e platô e a detumescência em orgasmo e resolução. Tal modelo preconizava que tanto o estímulo interno (pensamentos e fantasias) quanto o externo (provocado pelos 5 sentidos) promoveria a excitação.

Mas, o modelo de Masters e Johnson apresentava algumas imperfeições por não considerar os aspectos mais particulares e subjetivos da resposta sexual. Foi assim que mais tarde, aprimorando tal idéia, a psiquiatra Helen Kaplan, em 1979, complementou com uma terceira proposta, onde antecedendo à fase da excitação viria o desejo - importante para o desenrolar das fases posteriores e, com isso, propos um esquema trifásico:

No homem, a primeira resposta à estimulação sexual é a ereção peniana como resultado aos estímulos. Também ocorre o aumento da tensão muscular, dos batimentos cardíacos e da pressão sanguínea. Além disso, tal fase caracteriza-se pelo rubor sexual, aumento dos mamilos e por contrações musculares irregulares dos órgãos próximos aos genitais (bexiga, uretra e reto).

Desejo: Primeira fase do ciclo, onde os instintos são estimulados, mas não aparecem indícios orgânicos objetivos. É uma etapa subjetiva caracaterizada pela resposta sexual ao estímulo dos cinco sentidos e que incita a busca pela atividade sexual. Nos homens, a visão e o tato são de extrema importância no desencadear e no sustento do desejo sexual.
Excitação: A segunda fase do ciclo sexual caracteriza-se pelas respostas fisiológicas do corpo frente aos estímulos que dispararam anteriormente o desejo sexual. Há uma crescente excitação sexual, manifestada pelo binômio vasocongestão (aumento da quantidade de sangue acumulado em alguns órgãos do aparelho genital e extragenital) e miotonia (tensão muscular caracterizada pela crescente e involuntária contração das fibras musculares). Pode ser acelerada ou encurtada, prolongar-se por bastante tempo ou ser interrompida.
Orgasmo: Ocorre a liberação total das tensões anteriormente retidas, acompanhada de contrações musculares reflexas. Subjetivamente carateriza-se pela sensação de prazer sexual, perda da acuidade dos sentidos, sensação de desligamento do meio externo, seguida pela liberação, em poucos segundos, da vasocongestão e miotonia.

O orgasmo vêm acompanhado de uma contração muscular rítmica, com a emissão do esperma. Tal momento ocorre em duas fases. Na primeira, ocorre a saída do líquido seminal dos órgãos acessórios da reprodução (próstata, canal ejaculatório e vesícula seminal) em direção à uretra. Na segunda, há uma progressão do sêmen até o meato uretral (orifício na cabeça do pênis). A ejaculação, então, carateriza-se pela emissão do esperma através da uretra, devido a contração espasmódica de alguns músculos da região perineal.

Após a ejaculação, o homem fica resistente à nova estimulação sexual, sendo necessário um variável período de tempo para que nova ejaculação aconteça, ocorrendo o que chamamos de período refratário. Tal período é variável de homem para homem e aumenta conforme a idade do indivíduo.

 


 

COMO CONVERSAR DE SEXO COM SEUS FILHOS

 

Falar sobre sexo com os filhos é tão importante quanto constrangedor para muitos pais. Vergonha e a própria educação recebida os bloqueiam para uma atitude mais natural diante desse tipo de  questionamento fazendo desse um assunto difícil de transmitir em palavras. Fato é que o interesse pelo tema tem aparecido cada vez mais cedo. Então, se você ainda não falou sobre sexo com eles, saiba que a sociedade já e, muitas vezes, de uma forma que eles não conseguiram entender. Assim, com o aumento do estímulo sexual não dá para colocar o sexo distante da vida dos pequenos, até mesmo porque não é um tema proibido ou um mito a ser evitado por ninguém. Sexo existe, ainda que se ignore o assunto.

Mas, muitos pais se questionam sobre quando seria o momento ideal para se ter uma conversa desse tipo. Quando a criança começar a se interessar pelo corpo, ou pelo assunto, já pode e deve ser abordado, respeitando sempre sua curiosidade e desenvolvimento emocional. Então, nada de dizer que esse não é um assunto do seu interesse, mas tenha em mente a idade da criança. Fale de maneira simples, direta e, ao mesmo tempo, descontraída, sem ir além daquilo que foi perguntado. O ideal é trazer o assunto aos poucos, à medida que a curiosidade for aumentando, ou seja, não resumido a uma só conversa, pois permitir que o tema volte é bem mais eficiente e educativo.

Caso não haja perguntas, os pais podem tomar a frente. Divida com seu filho as dúvidas e os sentimentos que tinha na idade dele e explique que o ato sexual pode ser prazeroso e, ao mesmo tempo, trazer alguns transtornos caso não haja precauções. Não deixe de fora questões como doenças sexualmente transmissíveis, virgindade, o uso correto de método contraceptivos, a necessidade do preservativo, a influência dos amigos, o afeto que envolve o ato e, até mesmo, o abuso sexual, explicando sobre os limites e dizendo que ninguém tem o direito de tocar o seu corpo e nem de obrigá-lo a fazer algo que não queira. Informe sobre os órgãos genitais e como eles funcionam, sobre as diferenças entre os gêneros masculino e feminino, dando exemplos do dia-a- dia.

Responda ao que foi perguntado: Vale perguntar o que já se sabe sobre o assunto ou como começou essa dúvida; pois isso, ajuda no caminho que seguirá na hora da explicação, mas nada de ficar dando voltas sem responder. Tenha certeza de que seu filho teve a consideração que merecia. Respostas insuficientes não acabarão com a curiosidade e o assunto poderá ser abordado por pessoas não confiáveis. Então, responda sempre, ainda que a pergunta já tenho sido feita outras vezes, pois se ela se repete é sinal de que a criança continua confusa sobre o assunto. Escolha o momento apropriado: Uma pergunta feita em um ambiente inadequado não precisa ser respondida na mesma hora, mas deve-se deixar a garantia de que será respondida depois, em um momento oportuno. Explique que não é a hora para essa conversa e você estará preservando a relação e o seu filho.

E se eu não souber? Não precisa se preocupar afinal ninguém tem que saber de tudo. Vocês podem procurar juntos pela resposta, mas não deixe a criança sem uma. Nunca minta ou invente explicações. Responda com o mesmo cuidado que você gostaria de receber caso a dúvida fosse sua. Não precisa procurar por uma resposta perfeita, pois tudo vai depender da idade do seu filho e da intimidade que a família tem com o assunto.

Respeite a pergunta: Esse não é um assunto sem importância, assim como não é algo sujo. Cuidado com os preconceitos e não se envergonhe de uma tendência natural. Não trate o sexo como algo feio ou imoral, mas com a naturalidade que merece. Independente da idade, seus filhos podem fazer pergunta sobre sexo a qualquer momento. Isso não quer dizer que tenham interesse em fazer sexo. Não precisa se preocupar e acreditar que ao esclarecer as dúvidas, você estará estimulando precocemente a sexualidade deles.

 

 


 

COMO CONVERSAR SOBRE SEXO COM O PARCEIRO

COMO CONVERSAR SOBRE SEXO COM SEU PARCEIRO

Se hoje em dia fazer sexo é algo comum, sua prática ainda traz angústias. Um assunto misterioso pela quantidade de desinformação fazendo com que as pessoas fiquem perdidas não só no que dizer mas como dizer. Então, como lidar com a sexualidade de forma mais saudável?

Problemas sexuais são uma realidade contemporânea. Apesar disso, ainda é difícil falar sobre sexo com o parceiro. Mesmo que seja uma boa tradução de intimidade, por mais que sexo não revele intimidade sexual, falar sobre o assunto pode não ser tão espontâneo. Muitos têm dificuldade em expor suas necessidades e gostos, aumentando o risco de falta de entendimento na cama. É preciso lembrar que quando há algum impasse relativo ao sexo, ambos são afetados e, por isso, ainda que seja natural se sentir desconfortável não é positivo ignorar a questão.

Mas o medo de iniciar tal conversa pode surgir por crenças que vão desde acreditar que o problema uma hora vai desaparecer ou que vai ferir os sentimentos do outro por uma interpretação negativa do que foi dito ou, quando o assunto vem sendo empurrado com a barriga, de deixá-lo ofendido, chocado ou decepcionado por ter sido deixado de lado tanto tempo. E enquanto um dos parceiros se ocupa em disfarçar a questão, o outro pode estar tentando descobrir o que está acontecendo sedento por esclarecimento.

Assim, fazer de conta que está tudo bem, leva o outro a ter informações impróprias e, dessa forma, as coisas continuarão como estão já que, fingindo que nada acontece, se transmite as pistas erradas de como a relação deveria funcionar. E sem ser estimulado da forma adequada, aquele que está insatisfeito estará se privando do prazer pela dificuldade em avisar sobre aquilo que precisa.

Se o desconforto for muito grande em falar, saiba que a conversa não precisa ser recheada de argumentações sem fim. Falar sobre sexo não necessariamente precisa ser de forma direta. É possível dizer o que se quer através de linguagem não verbal, gestos ou mesmo brincadeiras, uma forma de introduzir o assunto aos poucos e permitir que se pense na questão.

O tema merece ser tratado com jogo de cintura e bom humor, assim fica mais fácil evitar alguns sentimentos que possam surgir durante o desabafo. Saiba que é normal que se sinta vulnerável em estar abrindo uma parte de si mas vale a pena pensar que falar sobre as suas necessidades, além de melhorar o seu relacionamento sexual, melhora o relacionamento como um todo.

A sexualidade é um território muito pessoal e há uma pressão para o seu perfeito exercício. É natural que se tenha receio em expor desejos e fantasias. Mas ficar preso ao medo é tornar o relacionamento menos prazeroso. Privando-se o outro de um diálogo construtivo, perde-se a possibilidade de amadurecimento e descoberta de um caminho menos desgastante para ambos.   

Começando:

Antes de iniciar a conversa, clarifique quais são as questões que vão ser abordadas. Você pode escrever uma cola num papel para organizar seus pensamentos. Além disso, escolha um momento apropriado para a conversa e um lugar neutro e sem distrações. Não espere estarem cansados, com sono ou pela hora de irem para o trabalho. É preciso separar um tempo, ou seja, nada de interrupções já que vocês têm um assunto importante a tratar.  

O que dividir:

Nesse diálogo deve-se falar sobre seus medos e dúvidas, o que mais agrada e que tipos de carícias prefere. Aproveite o momento e pergunte o que o outro gosta. E especifique o seu desejo, ou seja diga o que precisa e o que isso significa para você. O caminho é curto e ao mesmo tempo logo: para sentir prazer, você precisa saber o que te faz sentir prazer, conhecer seu corpo e como ele precisa de ser tocado. Ou seja, é preciso dizer o que sente, como sente ou o que espera sentir.

Lembre-se sempre de utilizar os verbos na primeira pessoa do singular, de ser claro, e certificar-se de que aquilo que está sendo dito está sendo entendido.  

Por que falar:

A intenção da conversa não é fazer com que o outro se sinta culpado por você não estar satisfeito sexualmente, mas demonstrar que entende que um relacionamento deve ser feito de uma parceria, um tentando ajudar o outro. Assim, reforce a idéia de que tal conversa demonstra um cuidado pela relação. Saiba que o que você tem a dizer é produtivo, importante e capaz de inspirar mais confiança e cumplicidade, abrindo caminho para que haja maior intimidade e profundidade no relacionamento.

E lembre-se que não falar sobre o assunto é permitir que a insatisfação e o ressentimento continue entre vocês. Sexo é troca e diálogo. Esqueça o certo e errado e concentre-se no que é bom para os dois em um comum acordo.  

Não se sinta só:

Imaginar-se como o único responsável pelo problema pode ser uma solução nem um pouco saudável. Não basta uma mudança sua para que haja uma transformação na sexualidade do casal. Enquanto estiver guardando o que está acontecendo somente para si, não estará possibilitando que o outro entenda a relação e o que você precisa dela.

Vale ressaltar que vários são os fatores capazes de atrapalhar a resposta sexual como um todo. Mas ainda que se tenha algum tipo de disfunção sexual, saiba que há solução para a grande maioria dos problemas. Hoje os tratamentos estão bem mais avançados e com resultados positivos.  

Dali pra frente:

Vale pensar no que vão fazer quando tudo estiver às claras. O que gostaria que o outro fizesse? Espera que ele procure um terapeuta sexual junto com você? Que lhe acompanhe numa consulta médica? Como você precisará do outro e o que espera dele(dela)?

 


 

CONVERSANDO COM O(A) PARCEIRO(A)

 

Temos o hábito de não conversar sobre sexo. A não ser as ‘conversas de bar’ sobre sexo dos outros, sobre quem pode mais. Não se conversa com o parceiro sobre o que se sente, o que se gostam e seus limites.

Participar ao outro sobre as fantasias e ter consciência do que gosta ou não é fundamental para uma prática sexual saudável e satisfatória. Ou seja, estar inclinado a conversar de forma sincera é indispensável para proporcionar uma atmosfera de entrega.

No terreno feminino, apenas metade das mulheres se conhece a ponto de poder dizer como prefere ser tocada: fator cultural que mesmo depois das reivindicações pelo direito em desfrutar plenamente da sexualidade e das transformações sociais que a incentivaram a progredir em vários aspectos, o seu erotismo continua sendo percebido de forma muito limitada. Com medo de serem ridicularizadas ou criticadas, as mulheres não costumam ter iniciativa sexual. É a chamada ‘síndrome da boa menina’. Alguns homens gostariam de ter essa tarefa dividida com elas, mas muitas são as que foram criadas com a idéia de que precisam ser conquistadas e não conquistarem. Talvez, ter uma conversa dessa possa ser constrangedor. Elas não foram preparadas, nem educadas para tal. Mas é preciso ter em mente que não se deve ter vergonha dos sentimentos, sejam eles de qual natureza for. Mas também, não é necessário entregar todo o jogo logo de cara. Pode-se ir revelando aos poucos com mais intimidade, à medida que o relacionamento se torna mais maduro e confiante.

Não precisa ter vergonha ou medo de pedir. Mesmo assim, se o (a) parceiro (a) não entender, demonstre como gosta de ser tocada. Uma boa tática é prestar atenção ao que ele (a) faz com você. Normalmente fazemos com o outro o que gostaríamos que ele fizesse conosco. E deste modo, você também ficará de olho no que ele (a) pede.

Além disso, sexo bom não é necessariamente aquele conversado ou berrado. Cada toque é falado, cada sensação pode (ou não) ser traduzida em palavras. O corpo se encarrega de muitas coisas, inclusive demonstrar prazer, já que a resposta sexual tem início na imaginação e vai se deslocando para os sentidos que indicam por meio das transformações corporais. Portanto, exprima o seu na medida em que ele é sentido sem forçar a barra ou quebrar o clima.

Fundamental nessa hora é opor-se o preconceito. Quando falamos de sexo, não existe certo ou errado, existe o que faz sentido e funciona com o seu modo de ser. Mas não se pode esquecer que você está em dupla, então pondere os valores e veja o que pode ser enriquecedor e gostoso para todos aqueles que estiverem envolvidos.

Outro fator importante a ser lembrado: cama não é passarela. As mulheres se perdem nas próprias preocupações físicas e se esquecem de sentir prazer por permanecerem fazendo pose e, dessa forma, não conseguem se entregar ao sexo, fermentando a ansiedade.

No sexo, menos vale aquele corpo perfeito maquiado pelos photoshop das revistas. Os homens na verdade prestam mais atenção na sedução e na entrega da parceira e o desejo que ela provoca do que aquela gordurinha que insiste em morar ali. Duvide da crença de que só oferecendo algo espetacular conseguirá ser amada. E lembre-se de que, muitas vezes, a ansiedade é um medo intenso e irracional e que libera hormônios que não permitem a excitação acabando, muitas vezes, por reforçar alguns sintomas.

Já para os homens, algo temido é tamanho do pênis, acreditando que este possa interferir no prazer. O homem passa a ser o próprio órgão, e o órgão passa a ser o homem. Às vezes, a preocupação com o pênis, na verdade diz respeito a um sentimento de diminuição na vida em geral e acaba servindo de explicação para não se relacionar com outras pessoas.

Outra coisa que afeta o comportamento masculino na hora “H” é a imposição sobre a freqüência sexual, a disponibilidade para o sexo e a quantidade de vezes que o homem consegue manter a ereção. Tal pressão pode não deixar espaço para sentir desejo. Faz parte do imaginário popular que o homem estará com seus pensamentos voltados para o sexo. A cultura também reforça esse lugar e ele pode se sentir coagido por tais imposições e acabar trocando qualidade por quantidade. Numa ditadura machista, os homens, não pode nunca falhar, tem que estar sempre disposto e disponível. Essa regra custa caro já que eles não podem simular uma ereção e, assim, não consegue encarar o sexo como uma troca gostosa de carinho.

Ambos também se vêem coagidos com outras questões. Presos a ditadura dos orgasmos, a mulher encara o sexo como prova de que “sinos e fogos de artifício existem”. O homem o vê como uma prova a ser cumprida, algo a ser oferecido - para os dois. Orgasmo é algo que flui naturalmente de uma troca de carinho sem obrigatoriedade.

Se você não gostar de si, dificilmente alguém gostará. Descobrir como se valorizar poder ser um processo lento, ligado com a forma como se dá conta dos próprios limites. Esse é um processo rico que permite novas formas de estar em contato com o outro, consigo, com o mundo.

Valorize-se como pessoa, o seu corpo e o do seu parceiro. Dê conta dos seus desejos, se leve a sério, assim como a relação. Fingir o que quer que seja, procurar por algo utópico de ser achado, se pressionar a uma disposição perfeita e diária, tira do ato sexual a sua forma prazerosa e até lúdica de estar em contato com quem se curte. Um bom afrodisíaco ainda é sentir-se amada pelo parceiro e o parceiro sentir-se admirado pela parceira.

O sexo é um encontro mais do que íntimo onde se não houver ao menos respeito pela parceria, não há entrega, não há envolvimento, não há prazer.Evite expectativas e permita-se sentir mais o presente. A intimidade é conseguida pelo tempo, por uma aliança invisível. Se você e a pessoa escolhida estiverem à vontade, tudo fluirá naturalmente. Combata qualquer medo antes de se entregar, para que a entrega possa se dar por completo, sem arrependimentos ou receios. Não force a barra, se não sentir segurança, mas não se deixe vencer pela insegurança.

 


 

CONVERSANDO COM OS JOVENS

 

Uma dúvida freqüente: qual a idade mais propícia para iniciar o sexo?

Na verdade, começamos a nossa vida sexual já muito crianças. Você sabia que já se observou bebês ainda na barriga da mãe se auto-estimulando? Sim, descobrindo sensações agradáveis. A masturbação (auto-estimulação sexual) é praticada por pessoas de todas as idades. E é na infância, entre três e cinco anos que se intensifica a descoberta dos genitais e de como são agradáveis de serem tocados.

Isso já é sexo.

O sexo compartilhado com outra pessoa ocorre normalmente mais tarde. Você pode notar que o seu corpo começa a mudar. Crescem mais pêlos, os seios aumentam de tamanho, tal como acontece com o pênis. O corpo fica mais arredondado, mais cheio de formas se você é mulher, e ocorre a primeira menstruação. E se você é homem, a voz muda. Você fica mais forte, com a musculatura mais desenvolvida e surgem as primeiras ejaculações espontâneas (poluções). Essa fase de mudanças físicas chama-se Puberdade e vai de 10 a 14 anos aproximadamente. Você passa a notar os amigos do sexo oposto ao seu, interessando-se por eles. Você vai se comparar com os amigos de mesmo sexo que você para se certificar que tudo que está ocorrendo com você é parecido com eles.

A primeira "transa" (relação sexual) geralmente ocorre depois da puberdade, quando o corpo já está preparado para funcionar sexualmente. Em média, nos Estados Unidos da América, a idade de início de atividade sexual com um parceiro é de aproximadamente 14 a 15 anos para ambos os sexos. Em trabalhos feitos no Brasil, a respeito desse tema, a média é parecida.

E como é que a gente sabe que está na hora?

Não existe um momento exato, tipo manual. É mais uma questão pessoal, varia de pessoa para pessoa. Sabe-se que as sensações sexuais, tão prazerosas, podem ser ainda mais agradáveis se compartilhadas com alguém.

No entanto, há algumas conseqüências, como a gravidez indesejada e o contágio de doenças via contato sexual.

É importante você estar informado a respeito de métodos contraceptivos (maneiras de como evitar uma gravidez), como a pílula, e métodos contra doenças, como a camisa-de-vênus (condom) para poder iniciar sua vida sexual sem medo e sem riscos.

Aí, a influência da sua educação, tradição familiar e da sociedade onde você vive vai ser importante.

Lidar com a perda da virgindade para as garotas ainda é um pouco mais complicado que para os rapazes. Na década de 70, ainda era vergonhoso se dizer que já tinha transado. Hoje, muitos jovens ficam com vergonha de dizer que são virgens e partem numa corrida louca para poder se livrar logo dessa situação, sentida como embaraçosa. Acabam transando sem estar preparados, só para mostrar aos outros e fazer parte do grupo.

Mas o legal mesmo é poder ter a primeira transa com alguém que a gente se sente bem e que nos atraia. Legal é transar sem medo de ser pego, sem medo de pegar doença e sem o risco de engravidar sem se ter vontade ou estar preparado para isso.

A primeira transa tem que ser especial, mas não espere sentir todas as sensações assim da primeira vez. Sexo é um aprendizado. A gente começa meio desajeitado, mas vai se aperfeiçoando, aprendendo com nossas reações e com as de nosso parceiro. Se você está com dúvidas, procure orientação e não deixe de aprender sobre você mesmo. Usufrua sua sexualidade com saúde e tranqüilidade.

 


 

CUIDADOS COM O SEXO E SUAS VARIAÇÕES

 

Sexo Oral

Se você acha que só é possível sentir prazer com a penetração, engana-se. Estatisticamente, as mulheres preferem o sexo oral à penetração quando muitos homens gastam horas pensando na penetração em si e acabam não dando muita importância ao sexo oral. Por outra parte, muitas são as mulheres que sentem nojo ou vergonha em praticá-lo.

Embora muitos entendam o sexo oral como o contato direto da boca e da língua com os órgãos genitais, tal prática abrange as estimulações feitas com a boca em todo o corpo. Mas, claro, é preciso que os parceiros estejam em comum acordo para que possam experimentar o que o sexo tem a oferecer, respeitando os limites e o corpo do outro.

Os homens gostam das sensações provocadas pela combinação da maciez da boca e do ambiente molhado que lembra a vagina. A boca e a língua têm umidade e temperatura ideais para que a carícia seja bem excitante. Já as mulheres afirmam que o sexo oral é uma maneira eficiente de atingirem o orgasmo. Isso se deve ao fato dele trazer calor, umidade e suavidade sob medida ao clitóris.

Tal prática sexual nada mais é do que a estimulação dos órgãos genitais masculinos e femininos usando língua e lábios. Também chamada de felação, quando feito em homens e de cunilingus, quando feito em mulheres, é capaz de provocar prazer para quem recebe e para quem faz e a razão disso é o fato da boca e genitais serem órgãos tão sensíveis. Por isso, o sexo oral pode vir acompanhado de uma mistura de sentidos, com os olhos cobertos, o tato é realçado e a surpresa do próximo movimento aguçada, ou de brincadeiras com o paladar; há casais que passam líquidos no corpo, como mel ou leite condensado. Porém deve-se atentar para o uso de aromas e comidas nos órgãos genitais. Eles podem fermentar, favorecendo o crescimento de bactérias, caso fique resíduos no local.

Variações do sexo oral há homens que gostam de ter a próstata estimulada. Mas tal prática deve ser conversada anteriormente entre os parceiros porque na mesma medida que uns gostam, outros podem sentir se ofendidos.

Para as mulheres, é bom ter cuidado com o clitóris. Não é necessário se deter somente nele. Todo o órgão genital pode ser explorado buscando novas sensações. Vale lembrar que o clitóris é um órgão bastante sensível, fazendo da estimulação direta por vezes incomoda. É preciso deixar a inibição de lado, mas a camisinha nunca. Mesmo que o risco de transmissão por DSTs seja menor com o sexo oral do que quando ocorre a penetração, o uso da camisinha não deve ser dispensado: pode-se tanto contaminar quanto ser contaminado já que qualquer ferimento na boca ou mesmo a presença de cárie funciona como uma porta de entrada para vírus e bactérias, penetrando rapidamente na corrente sanguínea. Aos mais preocupados avisa-se que é bom não usar fio dental antes do sexo oral, pois ele pode provocar minúsculas lesões na gengiva aumentando as chances de contrair alguma doença.
 

Sexo Anal

Há quem fale que as mulheres prefiram sexo oral e os homens, o sexo anal. Particularmente excitante para eles, muitas vezes tal prática acaba sendo um fetiche masculino. Já as mulheres o encaram com algum receio, principalmente da dor que pode advir como reflexo do medo e da insegurança.

Sabe-se que a ansiedade é capaz de tensionar os músculos, incluindo os do ânus. Assim, o sexo anal feito de forma correta não é capaz de provocar dor, muito menos sangramento e nem causar danos à elasticidade anal. A pessoa precisa estar excitada e relaxada para que a penetração ocorra sem incômodo. Sempre que existir dor, é sinal de que algo não está adequado.

O certo é que essa pode ser uma forma de obter prazer na relação sexual, para homens e mulheres, sendo possível o orgasmo. Porém, a sensação desse tipo de orgasmo é diferente do vaginal ou do clitoriano, pois os nervos e a textura do tecido anal são diferentes, levando a sensações também diferentes. As mulheres aumentam a possibilidade de atingirem o orgasmo quando praticam contrações vaginais e pélvicas ou estimulam simultaneamente o clitóris, aumentando a excitação.

O sexo anal é uma possibilidade para alternativas de práticas sexuais. Como o ânus não precisa de terapêutica hormonal, com o envelhecimento, tal prática pode ser uma opção. Além disso, muitas são as mulheres que fazem sexo anal como forma de manter a virgindade, mantendo o himen intacto.

Mas, para que ocorra o sexo anal é preciso uma dilatação do músculo do ânus, que deve ser feita aos poucos. Antes de tentarem a penetração em si, um dos parceiros pode acariciar o ânus e, aos poucos, ir introduzindo o dedo para que a musculatura comece a relaxar com maior facilidade, permitindo a penetração mais fácil e prazerosa que deve ser feita de forma gradual. Cada casal precisar, sem presa, estabelecer o seu próprio ritmo.

O sexo anal não funciona numa tentativa de ensaio e erro. Os anéis que circundam o canal anal funcionam de forma independente. O esfíncter externo é voluntário, o interno não é. Esse último é controlado, assim como o coração, por exemplo, pela parte autônoma do sistema nervoso central, ou seja, não se tem o controle voluntario dele, mas ele responde a reações fisiológicas do medo ou tensão. Já o esfíncter externo relaxa conforme a cabeça relaxa. Assim, quanto mais beijo, mais relaxamento, quanto maior o aconchego, maior a penetração. Dessa forma, existe a possibilidade de aumentar o prazer, mas sem se ligar nos outros sentidos da relação, a prática do sexo anal fica difícil já que os músculos dos esfíncteres contraídos podem originar a ruptura de fibras musculares, levando não só a dor como também ao sangramento.

Vale ressaltar que produtos tóxicos utilizados como lubrificantes vão causar irritação, pois após a pele do ânus, há mucosa e, por isso, toda e qualquer lubrificação deve ser feita à base de água (lembrando que lubrificantes à base de água também são incapazes de danificar a camisinha).

Além disso, na relação anal é necessário tomar alguns cuidados para que o pênis não transporte bactérias para a vagina, ocasionando danos à saúde, visto que existe uma incompatibilidade entre a flora bacteriana vaginal e anal. É preciso usar o preservativo sempre para que não ocorra, por exemplo, entrada de fezes no canal uretral capaz de causar infecções que podem se estender até os testículos nos homens. Assim, depois do sexo anal o preservativo precisa ser trocado. Vale (re) lembrar que o preservativo também é recomendável para evitar a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis.

Estamos sempre em busca de formas diferentes de obter prazer e o ânus pode trazer essa possibilidade. Claro que são os parceiros que vão criar a situação. Pode se ter o sexo vaginal sempre diferente também, buscando sempre pelo ponto de excitação e não pelo ponto G.

O casal precisa entender o que quer e se algum dos parceiros está concordando com essa prática como forma de satisfazer o outro. Respeite o ‘não’ e, caso desejem praticar, conversar é muito importante. Os cuidados envolvem desde o local escolhido como a possibilidade de tempo para que o casal possa relaxar.

Ainda vale lembrar que não há nenhuma ligação com sexo anal e orientação sexual, afinal não importa o lugar ‘geográfico’: não é ele que define a orientação sexual. A região anal é sensível aos toques eróticos e o desejo em tal prática não quer dizer que o homem seja homossexual. A região é a mesma tanto nos homens quanto nas mulheres e, por isso, as sensações aos toques serão iguais. Agora, uma curiosidade levantada no XII Congresso Brasileiro de Sexualidade Humana, realizado de 4-7 outubro/2009: 10% da população feminina tem o que podemos chamar de infertilidade de causa imunológica. Ao praticar o sexo anal, sem camisinha, na hora em que o espermatozoide é depositado no ânus, seu organismo cria anticorpos capazes de bloqueá-lo. Então o uso da camisinha serve também se a mulher quiser engravidar desse homem em pouco tempo. Tais anticorpos duram 6 meses: eles envelhecem, morrem e param de circular. Assim, desde que não haja novamente o sexo anal sem camisinha, ela pode vir a engravidar desse homem.
 

Swing

O comportamento do swing já existia muito antes das orgias romanas. Há quem diga que é possível que ele seja inerente ao ser humano tendo sido reprimido por regras socias e religiosas. Fato é que nem a troca de casais nem a prática de sexo na presença de outras pessoas é algo novo na história da humanidade.

Tal prática tem crescido no Brasil por casais que procuram por algo mais. Se antes eram poucas as casas que ofereciam tal diversão, hoje a prática tem crescido pelas cidades, atraindo cada vez mais adeptos. Lá, onde tudo é permitido e nada é obrigatório, também tem pistas de dança, quartos escuros, bares, saunas, piscinas e regras que são respeitadas. Antes de ter pisado em um lugar como esse a imaginação trabalha a todo vapor, mas lá é de bom tom ponderar que ninguém está ali simplesmente pelo seu prazer.

No swing as mulheres é quem mandam. Elas fazem as negociações e combinam as regras. Se elas não querem, nada feito e não precisa se explicar ou dizer porque da recusa. O não é não e ponto final.

Vale ressaltar que os praticantes de swing não são pessoas promíscuas. São um casal como qualquer outro que se estimulam com visão, com os cheiros e sons da atividade sexual.

Os principiantes devem conversar bastante antes de qualquer iniciativa para que não haja conseqüências negativas no relacionamento. Procure saber o que é o swing e se é isso que está procurando para o seu relacionamento, separe o que pode acontecer daquilo que não é aceitável, ou seja, só parta para a ação quando a teoria estiver bem entendida. É preciso segurança no que esperam e no que desejam para que esse possa ser um complemento para uma vida sexual variada onde exista realização de fantasias ao lado da pessoa que você confia.

Uma das crenças dos participantes é que o sexo é apenas uma boa parte da relação e que a troca consentida não é capaz de atrapalhar a vivência enquanto casal, preservando a relação da traição. Mas é preciso boa dose de flexibilidade emocional para se embarcar em tal prática e encarar o sexo pelo sexo, separando o ato sexual e o sentimento.

A satisfação em tal prática é conquistada pelo término do medo da traição. Tanto homens como mulheres não precisariam mais reprimir a vontade de estarem com outras pessoas além do parceiro, eliminando a hipótese de serem enganados, já que a prática do swing diminuiria a necessidade de experimentar outros parceiros sem a participação do outro.

A estatística afirma que a maioria dos casais de swing são monogâmicos, pois a troca de parceiros é um meio de traição permitida onde os dois concordam em transar com outra pessoa, desde que não haja mentiras. A experiência é compartilhada, aumentando a cumplicidade do casal, desde que seja prazeroso para os dois. Mas, claro que a prática do swing não é capaz de recuperar relações deterioradas.

Sexo é algo que iguala todos. Mas o amor singulariza, transformando todas as possibilidades presentes em uma única pessoa especial. Fazer amor é diferente de fazer sexo. No primeiro há um caráter do especial, no segundo há necessidades fisiológicas e só.

Ainda assim há quem não se sinta atraído por tal prática, afirmando que não somos só instinto para dividir a intimidade com desconhecidos ou ceder a pessoa que você ama.
 

Pompoarismo

O que é?

Arte oriental surgida há milênios e transmitida de mãe para filha como forma de preparar o corpo para a vida sexual adulta. Teve seu aperfeiçoamento no Japão e na Tailândia, transformando as orientais nas maiores seguidoras do pompoarismo. Hoje, alcança milhares de adeptas no Brasil que além de querem fortalecer a vagina, buscam também uma maior consciência vaginal.

O fortalecimento do canal vaginal permite um aumento do prazer sexual através de movimentos feitos em seu interior. Na verdade, a mulher pompoarista proporciona e sente mais prazer, pois além da musculatura estar mais forte, o órgão fica mais sensível. Assim, pode-se dizer que ocorre uma melhora do desempenho sexual que vem com o fortalecimento da musculatura genital.

Para que?

O que se pretende é que através dos movimentos voluntários consiga-se identificar e fortalecer os doze anéis do músculo vaginal fazendo do pompoarismo uma técnica de autoconhecimento. Vale ressaltar que a capacidade dos movimentos realizados no canal é natural a todas as mulheres e que o feixe de anéis vai desde a entrada do canal vaginal até o seu interior e podem ser movimentados em conjunto ou separadamente, mas que na grande maioria das mulheres tal musculatura encontra-se atrofiada devido à falta de exercício e utilização.

Para quem?

Muitos homens e mulheres não conhecem os músculos da região pélvica e descobrem que é possível ter sensações muito prazerosas ao movimentá-los. Com o treino é possível aprender os movimentos semelhantes as contrações involuntárias durante o orgasmo. O músculo pubococcígeo é situado no períneo, região entre o órgão genital e ânus e é claro que os homens também podem aproveitar os benefícios com as mesmas contrações. Tal músculo é responsável pela contração que impede que a ejaculação ocorra, possibilitando ereções mais longas.

Na mulher, ele possibilita um maior prazer na penetração vaginal devido ao aumento da sensibilidade aos estímulos físicos. A mulher passa a reconhecer em seu corpo seus pontos de estimulação e respostas intensas erógenas. O orgasmo chega mais rápido e a técnica é capaz de intensificá-lo.

Como funciona?

As contrações pélvicas aumentam a circulação melhorando o fluxo sanguíneo protegendo a saúde íntima de homens e mulheres. Estudos comprovam que tais exercícios que podem ser executados em qualquer momento, local ou hora, são capazes de liberar endorfinas e aumentar a produção de feromônios. No início o fortalecimento muscular genital foi visto de uma forma pejorativa e preconceituosa, não levando a sério a importância de tal prática. O pompoarismo não pretende fazer da mulher uma acrobata sexual, mas comandar os músculos pubococcígeos, os grandes e pequenos lábios e cada anel do canal vaginal de forma consciente.

O primeiro olhar científico no Ocidente sobre tal técnica ocorreu com o médico urologista e ginecologista americano Arnold Kegel. Foi na década de 50 que ele levou o procedimento ao seu consultório ao descobrir que, tanto as prostitutas tailandesas como as gueixas japonesas, tinham menos problemas relacionados ao assoalho pélvico por fazerem exercícios que fortaleciam tal musculatura. Ele passou a tratar de pacientes com incontinência urinária numa prática muito semelhante ao pompoarismo. Hoje tais exercícios têm o nome de Exercícios de Kegel.

É certo que o pompoarismo vai além dos exercícios de Kegel e permite que se use a sexualidade para a melhora da saúde, da vitalidade e da qualidade de vida. Os exercícios agem como preventivos em alguns problemas relativos à maturidade, tais como a incontinência urinária e fecal, infecções recorrentes, afrouxamento muscular e prolapso genital (conhecido como queda de bexiga e útero). Também auxilia na diminuição da cólica menstrual, aumento da libido, no controle da ejaculação e do vaginismo.

Assim, tal prática acaba por proporcionar um bem estar geral como o aumento da auto-estima e autoconfiança. Vale ressaltar que é auxiliar nos tratamentos, atuando de forma preventiva sem, no entanto, substituir o acompanhamento médico. Claro que o pompoarismo não é algo mágico. Quem tem inibições emocionais que interferem no sexo não vai conseguir a libertação das amarras pela sua prática.

Boa parte do sexo encontra-se na cabeça. Se o emocional vai bem, a técnica pode ajudar, caso contrário, nada feito.

O que o pompoarismo quer é explorar e desenvolver com maior intensidade a própria satisfação sexual através de exercícios fáceis e agradáveis, melhorando as condições musculares do assoalho pélvico com alguns dias de treinamento.
 

Kama Sutra

Em alguma época entre o primeiro e quarto século depois de Cristo, o indiano Mallanaga Vatsyayana escreveu o Kama Sutra. Tendo como ponto de partida o extenso repertório do erotismo hindu, filosofia que percebe o sexo como algo sagrado e essencial à vida, tal livro fala sobre o comportamento sexual humano. Escrito originalmente em sânscrito para a nobreza da Índia, o Kama Sutra, diferentemente da crença, não foi inventado por um rei que teria ordenado que suas escravas criassem posições capazes de lhe dar prazer.

Kama refere-se ao desejo, satisfação, amor e prazer sexual, sendo um dos três pilares do hinduísmo (os outros dois são: Dharma-aquisição da religião e Artha-acúmulo de riquezas e bens). O equilíbrio dos três é o objetivo e o Kama Sutra tem a intenção de desenvolver o kama. Ou seja, embora seus ensinamentos levem ao prazer, eles tem como finalidade inicial a elevação espiritual na trajetória religiosa. Para isso era preciso tirar o máximo de proveito das experiências carnais baseando-se no princípio de que quanto mais profundo um encontro amoroso, mais kama seria alcançado pelo espírito. Sutra é a doutrina declarada de maneira breve.

Ouvido falar pela 1ª vez no mundo ocidental em 1883 quando foi traduzido e publicado na Inglaterra vitoriana foi considerado pela Europa da época bem ousado. Mas diferentemente do pensamento Ocidental, no Oriente, o prazer é uma das formações da existência humana e sem o devido equilíbrio dos pilares, não é possível uma vida saudável. O Kama Sutra que não é um texto tântrico e que quer dizer ‘escritos condensados sobre o prazer’, representa a sexualidade sem pecado ou culpa. As vezes torna difícil para um ocidental perceber esse prazer como algo que envolve além do aspecto genital, reduzindo tal livro a algo puramente pornográfico ou a um simples manual de posições eróticas. Contudo, no hinduísmo não há espaço para tabus e preconceitos quando se fala de sexo: sexo é vida e por isso não pode ser indecente ou imoral, mas algo sagrado que não se separa da espiritualidade.

Infelizmente é bem simplista e até ridícula a tradução que encontramos na vulgarização do seu entendimento. É uma pena que reduzimos o seu objetivo inicial dessa forma: transformamos toda a sua história ao vê-lo como um manual sexual de posições sem que possa ser percebido com um sentido um pouco mais profundo, como uma verdadeira busca do prazer supremo encontrado em tal arte.

Na verdade, o objetivo dos desenhos eróticos é fazer do sexo uma arte, pela preparação do ambiente, pelo uso de cosméticos ou ingredientes outros capazes de proporcionar uma atmosfera tranqüila para o sexo. Também faz parte do contato sexual o corpo lavado, a mente relaxada, as luzes diminuidas e uma música ao fundo. O Kama Sutra dedica atenção ao estímulo dos cinco sentidos: audição, tato, visão, paladar e olfato. E mostra os diferentes jogos eróticos, as zonas erógenas masculinas e femininas, métodos para alcançar um grau maior de excitação, para aumentar o prazer durante o coito, controlar a ejaculação e, consequentemente, ser possível manter a ereção por mais tempo, além de posições para aumentar a sensibilidade do orgasmo.

Há uma flexibilidade e até uma autorização em relação a vontade dos parceiros (bem diferente da Igreja Católica que, por exemplo, só permite ao sexo a posição de missionário, ou a famosa, papai e mamãe). Para o hinduísmo, ao contrário do cristianismo, não há nenhuma moralidade absoluta ou conceitos restritos sobre certo e errado incondicionais. Vale ressaltar que mesmo que o Kama Sutra fosse reservado aos homens, pois naquela época as mulheres eram totalmente submissas, não se pode dizer que ignore as necessidades femininas. E isso também faz com que a obra continue sendo atual até hoje quando as mulheres não mais se submetem a vontade do homem. Elas buscam a igualdade de direitos e exigem o prazer no sexo, não querem mais somente dar prazer, mas sentir o próprio e querem também participar ativamente da relação.

O autor do livro não somente admitiu como foi compreensivo com o interessante emaranhado emocional e de reações químicas entre homens e mulheres. Para os que se assustam, é preciso ressaltar que em tal filosofia, não existe poesia, nem linguagem romântica capaz de maquiar os sentimentos dos apaixonados como algo distante dos grosseiros desejos animais. O sexo era posto num plano diferente do amor, o que dá a obra uma qualidade claramente humana, mas ao mesmo tempo despojada de delicadeza. Ao separar amor e sexo, Kama Sutra pode até ser visto como fornecedor de guia de sexo, porém um guia bem competente.

Os ensinamentos do Kama Sutra têm como objetivo que os casais possam perceber o sexo de outra maneira: se olhem com desejo, se importem com o toque e com as sensações e que a entrega seja sem pressa e recheada de carinho. Diferente do nosso século que acelera a experiência sexual. É fato que passado alguns anos desde a sua origem o Kama Sutra ainda pode ser considerado um livro atual. Isso se deve ao fato de que o amor continua sendo a maior procura entre homens e mulheres.

 

 

 

 

DESEJO SEXUAL INIBIDO

 

Também conhecido como Desejo Sexual Hipoativo (DSH), essa disfunção sexual é bastante freqüente nos consultórios de terapia sexual. Caracteriza-se por uma diminuição ou ausência completa de fantasias eróticas e de desejo de ter atividade sexual.

A pessoa que sofre deste mal geralmente tem dificuldades no envolvimento com parceiros, pois estes se queixam de falta de intimidade ou reciprocidade.

A freqüência sexual fica muito diminuída, salvo situações nas quais a pessoa consegue fingir prazer mesmo quando desmotivada. Em algum momento, cedo ou tarde, o parceiro se dá conta, trazendo à tona conflitos conjugais.

Por que o desejo diminui?

Vários fatores podem determinar o DSH. Sempre devemos observar se há alguma causa orgânica determinando a baixa do desejo, como, por exemplo, os desequilíbrios hormonais, nódulos dolorosos ou infecções nos genitais ou o uso de algumas medicações que tenham como efeito colateral a diminuição do apetite sexual.

Doenças psiquiátricas, como a depressão, podem também suprimir a motivação por sexo.

As causas psicológicas mais profundas são:
 

situações traumáticas de abuso sexual
comportamento sedutor por parte dos pais
dificuldade em unir amor com sexo na mesma pessoa (esposa X prostituta)
raivas entre o casal
competição temida com o pai ou mãe, entre outros.

E tem solução?

O Desejo Sexual Hipoativo (DSH) é uma das disfunções mais difíceis de se tratar, pois comumente acomete o indivíduo por longos anos, dado que as pessoas resistem muito em procurar ajuda. Por vezes, é o parceiro que induz ou convence seu par a marcar consulta com o terapeuta sexual.

Uma avaliação é feita para descartar causas orgânicas. Caso estejam presentes, deve-se orientar o paciente para um especialista de acordo com o problema específico. Descartando-se as causas orgânicas, inicia-se algum tipo de tratamento psicoterápico.

Tipos de tratamento psicoterápico

Psicoterapia Cognitivo-Comportamental

Baseia-se na teoria de comportamentos aprendidos. Em outras palavras, a pessoa que aprendeu a desligar seu desejo, reaprende a ligá-lo através de orientação especializada e de tarefas sexuais evolutivas. Dois pesquisadores americanos (Masters e Johnson) estimulavam seus pacientes a redescobrir o namoro. Propunham tarefas sexuais que deveriam ser realizadas na intimidade do casal. Eram chamadas de Focos Sensoriais. Variavam desde carícias feitas no corpo um do outro, sem tocar nos genitais, à masturbação conjunta ou coito propriamente dito (transa). Essa modalidade de terapia tem um sucesso limitado nos casos de DSH, pois atinge apenas níveis superficiais dos conflitos emocionais ou conjugais.

Nova Terapia Sexual

Esse tipo de tratamento é uma combinação de tarefas sexuais com interpretações focais dos fatores de desligamento sexual. O Psiquiatra Sexual prescreve as tarefas a serem realizadas pelo casal, e qualquer dificuldade em executá-las é discutida posteriormente em sessão psicoterápica. Tenta-se averiguar os conflitos emocionais que estão escondidos sob os comportamentos de represália que o paciente faz ao tratamento. Por exemplo, fazer uma refeição pesada antes do encontro sexual para evitar a intimidade na mesma noite. Essa técnica terapêutica é bem sucedida em casos onde há conflitos emocionais leves a moderados.

Psicoterapia de Orientação Analítica

Indicada para casos em que há conflitos emocionais mais graves, como abuso sexual na infância, por exemplo. Consiste em sessões psicoterápicas nas quais o paciente é convidado a falar tudo que lhe vem à mente. O Terapeuta Sexual, através de interpretação, confrontação e clareamento, vai ajudar o paciente a compreender a ligação entre seus problemas mais profundos com a inibição sexual. Ao fazer a conexão, espera-se o alívio do sintoma sexual.

 


 

DISFUNÇÃO ERÉTIL

 

Disfunção sexual masculina vulgarmente chamada de impotência afeta milhões de homens no mundo inteiro em diversas idades. O grau da disfunção, circunstâncias, conflitos e ambiente psico-social são os aspectos que serão levados em consideração na hora de se fazer o diagnóstico e escolha do melhor tratamento.

A disfunção erétil é considerada a disfunção mais comum nos homens e ao mesmo tempo a que é menos tratada. Entendida como a incapacidade de ter ou manter ereção satisfatória para o ato sexual, também pode ser caracterizada quando ocorre a perda da ereção em certas posições durante o coito, sendo de duração superior a três meses. Quando é ocasional não se caracteriza como disfunção erétil, sendo, na maioria dos casos, provocada por um alto nível de ansiedade.

O fato do homem apresentar tal quadro não significa que ele seja infértil ou incapaz de ejacular. É importante verificar que a disfunção erétil pode ocorrer mesmo quando o desejo e o orgasmo permaneçam presentes. A ‘responsabilidade’ pelo fato da ereção ser algo tão visível e sem meios termos gera uma grande ansiedade. A ereção é um dos fatores mais importante da sexualidade masculina, já que muitos, para se sentirem homens, baseiam-se nela e na capacidade de manter o pênis ereto.

Assim, é muito comum homens que não conseguiram manter a ereção, relembrarem da situação na tentativa seguinte e ficarem esperando por um novo fracasso desenvolvendo um circulo vicioso. Uma das grandes protagonistas desse enredo é a pornografia “fácil” que é veiculada hoje em dia onde atores representam performances sexuais mágicas. Toda essa cobrança – externa e interna – pode gerar uma ansiedade quase maníaca ao homem que busca sempre um desempenho invejável.

Ao olharmos para algumas décadas atrás, percebe-se que evoluímos muito em matéria de descobertas sexuais, mas ao se falar em sucesso terapêutico não pode-se ter garantias pela substituição da química da atração e desejo entre os casais. Ou seja, mesmo que os laboratórios consigam descobrir substancias químicas que substituam a ereção natural existem coisas em matéria de sexo impossíveis de serem inventadas.

CAUSAS DA DISFUNÇÃO ERÉTIL

Acreditava-se erroneamente que a disfunção erétil fosse conseqüência do inevitável processo de envelhecimento e apenas de origem psicológica. Hoje sabe-se que a idade pode ser um fator relacionado porém nunca como fator desencadeante.

Talvez seja interessante entender como funciona a ereção antes de se pensar na causa:
 

Sem que haja estímulo, o pênis se mantêm relaxado e só começa a intumescer quando algum gatilho erótico é disparado (seja por visão, cheiro, memória ou toque). Esse processo é desencadeado por mecanismos nervosos e vasculares onde tal reação é controlada pela testosterona. O cérebro reage levando à abertura de válvulas e dos vasos do pênis, possibilitando que mais sangue flua para dentro do órgão e assim, o pênis torna-se rígido. Enquanto isso, veias internas são submetidas a compressão restringindo a saída desse sangue. Qualquer falha em tal complexo mecanismo envolvendo os vasos sanguíneos do corpo e o sistema nervoso, pode levar a deficiência na qualidade da ereção.
Distúrbios Físicos - Tais causas podem estar ligadas ao uso de certos medicamentos para a pressão alta, além das próprias características da hipertensão ou ainda como conseqüência da diabetes que pode provocar lesões neurológicas nos terminais nervosos do pênis, algumas doenças degenerativas como é o caso da Doença de Peyronie que provoca o endurecimento de certas áreas do pênis. Além disso, algumas medicações podem desencadear tal quadro como efeito colateral. A questão hormonal também é muito importante assim como o uso de drogas como a maconha, heroína, cocaína e anti-depressivos e o uso abusivo de álcool.
Questões Psicogênicas - Proveniente do aspecto emocional do homem, sua historia de vida e traumas além da situação que é vivida no momento, levando em conta o estresse e a ansiedade. Questões como comportamento sexual compulisvo, parafilia, falta de controle voluntário da ejaculação, dispareunia e inadequação sexual do casal, podem afetar o processo eretivo.

 

Esses fatores podem aparecer tanto isolados como em conjunto, dependendo da idade, da cultura, da origem familiar, nível socioeconômico atual, entre outras coisas. Deve-se sempre pensar em conjunto. As questões vão estar ligadas a educação, traumas psicológicos, infância, as primeiras experiências sexuais, a relação com os pais, momento de crise ou grandes alterações e questões ligadas a algumas doenças que vão desde distúrbios do humor até depressão.

TRATAMENTO DA DISFUNÇÃO ERÉTIL

Muitos tratamentos começam com uma visita ao andrologista ou urologista que vai acompanhá-lo na pesquisa das condições atuais dos vasos penianos com alguns exames simples e pesquisa hormonal. Ao mesmo tempo em que o paciente está sendo submetido a exames físicos para checar alguma espécie de causa física, o ideal é que ele tenha um acompanhamento feito por um psicólogo especializado para que também seja pesquisado e entendido os aspectos emocionais resultantes da disfunção erétil. O trabalho do sexólogo vai desde o informativo até o esclarecimento, podendo ocorrer também um trabalho em conjunto com orientação ao par.

Alguns exames específicos como dosagens hormonais e avaliação do fluxo sangüíneo no pênis através de ultra-sonografia (com um método chamado cavernosograma por Doppler), onde se observa através de uma imagem colorida o fluxo sanguíneo peniano, podem ser realizados.

A possibilidade de qualquer tipo de doença orgânica deve ser afastada e avaliada para que se tenha um encaminhamento psicológico onde as questões emocionais poderão ser expostas de forma “limpa”. Mesmo assim, é bom ressaltar que mesmo que o distúrbio seja de causa orgânica, o psicológico muitas vezes também se encontra afetado. Alguns especialistas simpatizam com um tratamento a base de injeções intracavernosas. Mas alguns cuidados devem ser tomados como o tempo das ereções (que não devem ultrapassar 6 horas, com risco de priapismo e coagulação sanguínea intracavernosa), a freqüência das aplicações (que não deve ser superior a 3 vezes na semana com risco de fibrose e hematomas) e dosagem a ser utilizada (que deve ser a menor possível).

É preciso tomar cuidado com a administração de alguns remédios orais. Eles não afetam diretamente a ejaculação, o orgasmo ou a libido, permitindo a ereção desde que haja um estimulo sexual. Porém, é preciso estar ciente dos possíveis efeitos colaterais e contra indicações. O tratamento da disfunção erétil depende basicamente da causa do seu desencadeamento, seja da doença que a causou ou especificamente da disfunção. Deve-se ter cuidado para as soluções mágicas que o mercado tem apresentado para tal problema onde as pessoas no auge da aflição se sujeitam a coisas absurdas.

OBJETIVO DA TERAPIA

O objetivo da terapia é combater a ansiedade existente, desmistificando o valor cultural a que é dada muitas vezes a ereção. A maioria dos homens acredita que há algo errado no seu corpo, sem compreender que podem estar envolvidos nas causas da questão. Desejam que seus problemas tenham tratamento médico, preferencialmente através de pílulas, sem que se comprometam a mudar de estilo de vida ou cultivar o relacionamento. A sexualidade vai além do pênis ereto. O homem – o casal – precisa estar disposto, disponível para o encontro sexual. Afinal, sexualidade é carinho, é toque, é viver a espontaneidade. Não é obrigação nem cobranças – externas ou internas. Entrega e relaxamento podem ser os caminhos que estavam faltando.

O tratamento de qualquer disfunção sexual deve ser acompanhado por um profissional que possua conhecimentos dos mecanismos da resposta sexual quer sejam a anatomia e fisiologia da resposta sexual, assim como os seus estágios.

 


 

DISFUNÇÃO DO DESEJO SEXUAL FEMININO

 

DESEJO SEXUAL HIPOATIVO

"Sinto-me cobrada na cama. Finjo prazer ou me queixo de dor de cabeça."

Cada vez mais as mulheres procuram ajuda quando sentem-se desmotivadas sexualmente. Buscam apoio em amigas, profissionais da área de saúde, como psiquiatras, psicólogos ou mesmo ginecologistas. Raramente abrem-se com seus parceiros por se sentirem ameaçadas na estabilidade de seus relacionamentos.

Muitas vezes, adotam a velha postura de "luta ou fuga". Ou seja, ou combatem o seu problema insistindo na relação sexual, mesmo não prazerosa, fingindo deleite e orgasmo, (o que deixa o parceiro de fora da realidade e excluído como apoio), ou fogem do contato sexual como o "diabo foge da cruz", queixando-se de dores de cabeça, cansaço e irritação, (evitando o apoio do parceiro, que geralmente sente-se rejeitado).

Muitas vezes o problema é deslocado para o companheiro, encarado como o "inimigo", responsável pela perda do desejo. A depressão é uma conseqüência freqüente e o desajuste conjugal é o passo seguinte.

Mas o que é isso?

Chamamos de Desejo Sexual Hipoativo (DSH) a esse transtorno sexual que acomete, em média, 35% da população Portuguesa. Caracteriza-se por uma diminuição ou ausência completa de fantasias eróticas e de desejo de ter atividade sexual. Há dificuldades no envolvimento com o parceiro, pois este queixa-se de falta de intimidade ou reciprocidade.

E diminui por quê?

Vários fatores podem determinar o DSH. Dentre os fatores orgânicos, devemos dar atenção a desequilíbrios hormonais. O aumento de prolactina, a diminuição de testosterona ou de estrogênio, podem causar uma baixa importante da motivação sexual. Várias medicações já estão disponíveis para lidar com esses problemas, como os hormônios de reposição ou drogas que restituem o equilíbrio hormonal.

Quando há infecções na vagina ou nódulos, a melhora destes quadros, com tratamento apropriado (antibióticos, analgésicos, lubrificantes, tratamento cirúrgico), restaura o desejo sexual.

Outro grande fator de diminuição do desejo é a depressão. Quadros de intensa tristeza e sentimentos de menosvalia acabam com o apetite sexual. O tratamento desses transtornos com antidepressivos pode restaurar o prévio desejo sexual. Infelizmente, grande parte dessas medicações pode provocar efeitos colaterais sexuais a curto e a longo prazo, como diminuição do desejo, impotência, retardo da ejaculação e anorgasmia. Por essa razão, o tratamento de depressão deve ser ministrado e acompanhado pelo psiquiatra. Existem algumas medicações que podem ser prescritas como "antídotos" para esses efeitos colaterais sexuais. Dessa forma, a pessoa pode se beneficiar do tratamento para depressão, sem prejudicar sua vida sexual.

Os fatores sociais e psicológicos têm muito peso no Desejo Sexual Hipoativo.

A forma de criação das mulheres nos países ocidentais, com muita repressão e influências culturais negativas no que tange à sexualidade, trouxe profundas conseqüências para a vida sentimental e sexual feminina. A mulher não é tão estimulada a se ver, a se tocar e a se conhecer sexualmente quando comparada ao homem. Educava-se para não permitir que a sexualidade feminina viesse à tona. Após a revolução sexual dos anos 60, houve uma tentativa de inversão desses valores. No entanto, busca-se ainda hoje um meio termo, um equilíbrio para a real identidade feminina.

É comum o conflito entre ser uma mulher maternal e também sexual, como se fossem funções incompatíveis. As queixas de baixa libido e depressão não são raras após o parto. O casal pode começar a se desajustar mesmo durante a gravidez. A mulher passa a se ver e a ser vista como um ser idolatrado, puro, destituído de atrativos sexuais. Passa a negar o lado sexual em prol de ser mãe.

Situações traumáticas de abuso sexual, mensagens anti-sexuais durante a infância, culpas, comportamento sedutor por parte dos pais, dificuldade em unir amor com sexo em si mesma (esposa X prostituta), raivas entre o casal e competição temida com o pai ou mãe, entre outras, são fontes de baixa libido nas mulheres.

Possíveis soluções:

O DSH é uma das disfunções mais difíceis de se tratar, pois geralmente acomete o indivíduo por longos anos, dado que as pessoas resistem muito em procurar ajuda. É freqüentemente originado por fatores psicossociais, sendo os raros casos de organicidade encaminhados para especialistas.

Grande parte das mulheres pode beneficiar-se de reeducação sexual, visando a informação e a permissão sexual. Ou seja, muitas mulheres não aprenderam a se aceitar sexualmente e a se conhecer, devendo passar por um processo de reeducação sexual a nível de consultório. É o que chamamos de terapia cognitivo-comportamental.

Outras apresentam problemas mais profundos de auto-estima, de culpas e de repressões. Para esses casos, a psicoterapia de orientação analítica e/ou o psicodrama podem ajudar significativamente.

Não deixe de procurar ajuda.

Busque uma alternativa para sua saúde sexual!

 


 

DISFUNÇÃO DO ORGASMO FEMININO

 

Aguardamos ansiosos a pílula do orgasmo feminino já prometida por alguns laboratórios farmacêuticos. Temos que esperar para ver e crer. Enquanto isso, vamos tentar de outro modo?

Anorgasmia Feminina

O que é?

A Anorgasmia é definida como a falta de prazer orgásmico (gozo) após um período de excitação normal (com aumento de lubrificação e volume da vulva). Pode ser primária, quando a mulher jamais experimentou um orgasmo, ou secundária, quando essa deixou de obter o gozo sexual nos envolvimentos amorosos, antes satisfatórios. É um quadro relativamente comum, atingindo uma freqüência de aproximadamente 30% dos Portugueses, em média 7,5 % das mulheres.

O que causa?

A expressão "falta de orgasmo feminino" é uma mescla de frustração, baixa auto-estima e conformidade. Muitas mulheres vivem sem sequer tentar algum prazer sexual, presas por laços culturais e religiosos ortodoxos, aliados à falta de orientação e educação sexual. "Sexo é para os homens!". Assim, sonegam seus desejos, evitando a ansiedade de enfrentar uma série de preconceitos impostos por uma educação repressora e sexista. A hostilidade ao parceiro, o medo da perda de autocontrole, a falta de desejo generalizada, a dor no coito e a inabilidade do parceiro na atividade sexual são outras causas comuns deste transtorno sexual.

Após o movimento da Revolução Sexual da década de 60, houve maior propagação de orientação e educação sexual. No entanto, foi somente na última década do século passado que a ciência pode desvendar a anatomia dos genitais femininos. Descobriu-se que o clitóris, considerado um pequeno órgão de sensibilidade sexual da vulva era apenas a pontinha de um iceberg de um órgão muito maior, mais complexo e especializado na arte do prazer sexual.

Também novos conceitos evolutivos trouxeram à tona dados que alteram a visão de alguns comportamentos considerados anormais. A promiscuidade feminina no reino animal, por exemplo, pode ser vista como vantajosa para a evolução da espécie. Os espermatozóides de diferentes machos competiriam entre si dentro da fêmea para fecundar o óvulo e perpetuar sua linhagem. Os genes mais "fortes" do espermatozóide vencedor garantiriam uma prole mais competitiva e saudável.

Mas tudo isso é muito novo ainda. As mulheres deste novo milênio, conforme a sua cultura e o possível acesso aos meios de comunicação e informação, variam nos seus conceitos de identidade feminina. A repressão sexual ainda é significativa e vigora até mesmo nos centros considerados de maior intelectualidade do país.

A Técnica do Prazer

A repressão sexual impede a liberação da fantasia erótica, um fator importantíssimo para o orgasmo feminino. Se uma mulher não se permite fantasiar e se conhecer, descobrir as partes de seu corpo que mais respondem aos estímulos, não aprenderá a arte do prazer sexual. Diferentemente do homem, que possui o genital exposto (o pênis), a mulher tem que descobrir o clitóris e a vagina, órgãos essenciais para o orgasmo.

A técnica preconiza que a mulher busque inicialmente um autoconhecimento de seu corpo e de suas partes mais sensíveis ao toque e depois à masturbação solitária (sem parceiro). Pode fazer uso de espelhos para ver seus genitais e de estímulos eróticos como livros, revistas, ou mesmo filmes sexuais, incitando as suas fantasias. Posteriormente pode buscar a masturbação em frente ao parceiro e só depois, junto com este, solicitando a sua participação ativa em toques ou em fantasias compartilhadas.

O orgasmo no coito é uma segunda fase a ser atingida e depende da harmonia e confiança do casal. O objetivo é que a mulher possa se soltar e controlar adequadamente o ritmo do estímulo clitoridiano feito pelo parceiro. Existem técnicas mais especializadas como a contração rítmica da plataforma orgásmica (músculos da vulva) que também ajudam a atingir o sucesso da relação sexual.

Por fim, aconselha-se que se faça a introdução peniana concomitantemente à manipulação do clitóris, até que apenas o movimento do pênis roçando a entrada da vagina e o complexo clitoridiano possa substituir a função manual. A concentração da mulher é de vital importância, aliada a fantasias que não devem sofrer distrações. Caso aconteça, o estímulo deve ser renovado com um ritmo mais suave até poder se chegar ao pico novamente.

A prática leva ao sucesso orgásmico, mas é inútil sem a concentração na fantasia erótica e o auto-abandono ao prazer.

 

 

 

 

DISFUNÇÕES SEXUAIS FEMININAS

 

Disfunções Sexuais FemininasAs disfunções sexuais femininas podem afetar o desejo sexual e/ou alterar as respostas psicológicas e fisiológicas do corpo frente aos estímulos sexuais, causando sofrimento e insatisfação não só na pessoa, como também no seu par.

A busca de terapeuta sexual é essencial para a resolução do problema.

Tipos de disfunções sexuais:
 

Desejo Sexual Hipoativo (Desejo Sexual Inibido)

Quando há diminuição ou ausência total de fantasias e de desejo de ter atividade sexual.

Aversão Sexual (Evitação Sexual. Fobia Sexual)

Evitação ativa de ter sexo com parceiros, com sentimentos de repulsa, ansiedade e medo.

Transtorno de Excitação (Frigidez)

É a incapacidade persistente ou recorrente (repetida) de adquirir ou manter a lubrificação vaginal e turgescência até o fim do ato sexual. A mulher tem pouca ou nenhuma sensação de excitação. Antigamente, esse problema era denominado de Frigidez.

Anorgasmia (Inibição do Orgasmo)

Quando a mulher sente-se incapaz de atingir orgasmo. Pode haver um atraso ou ausência recorrente ou persistente do orgasmo, mesmo após estímulo sexual adequado.

Dispareunia

É a dor genital associada ao ato sexual. Para ser denominada dispareunia não deve ser causada por fatores orgânicos, como infecções ou nódulos, por exemplo.

Vaginismo

É a contração involuntária dos músculos próximos à vagina que impedem a penetração pelo pênis, dedo, ou espéculo ginecológico ou mesmo um tampão. A mulher não consegue controlar o movimento de contração, apesar de até desejar o ato sexual.

Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica

Quando há um problema orgânico que gera problemas sexuais, como, por exemplo, a diminuição de desejo devido a Diabete Melito.

Disfunção Sexual Induzida por Substâncias

Quando há um problema sexual pelo uso de algumas substâncias. Por exemplo, diminuição do desejo sexual por uso de altas doses de sedativos hipnóticos, como o diazepam.

 

 



DISFUNÇÕES SEXUAIS MASCULINAS

 

As Disfunções Sexuais Masculinas podem afetar o desejo sexual e/ou alterar as respostas psicológicas e fisiológicas do corpo frente aos estímulos sexuais, causando sofrimento e insatisfação não só na pessoa, como também no seu par. A busca de terapeuta sexual é essencial para a resolução do problema.

Tipos de disfunções sexuais:
 

Desejo Sexual Hipoativo (Desejo Sexual Inibido)

Quando há diminuição ou ausência total de fantasias e de desejo de ter atividade sexual.

Aversão Sexual

Evitação ativa de ter sexo com parceiros, com sentimentos de repulsa, ansiedade e medo.

Disfunção Erétil (Impotência, perda de potência)

Existe quando há uma incapacidade persistente ou recorrente (repetida) de manter uma ereção (manter o pênis rijo) até a conclusão da atividade sexual.

Ejaculação Precoce (ou Prematura)

Quando há uma percepção, tanto do homem quanto de sua parceira, de que a ejaculação foi mais rápida que o esperado, de que não houve controle da ejaculação. Não existe uma definição de tempo.

Anorgasmia (Inibição do Orgasmo)

Quando o homem é incapaz de atingir o orgasmo. Pode haver um atraso ou ausência recorrente ou persistente do orgasmo, mesmo após estímulo sexual adequado.

Dispareunia

É a dor genital associada ao ato sexual.

Para ser denominado dispareunia não deve ser causada por fatores orgânicos, como infecções ou nódulos, por exemplo.

Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica

Quando há um problema orgânico que gera problemas sexuais, como, por exemplo, a impotência por Diabete Melito.

Disfunção Sexual Induzida por Substâncias

Quando há um problema sexual pelo uso de algumas substâncias, por exemplo, a impotência devido ao uso de alguns anti-hipertensivos.

 


 

EDUCAÇÃO SEXUAL EDUCAÇÃO SEXUAL

 

Falar de sexo ainda provoca constrangimento em algumas pessoas, mas o tema é de vital importância para podermos mais do que ensinar, esclarecer questões livre do preconceitos e tabus, preparando cidadãos de forma segura.

A curiosidade, a descoberta das diferenças e o entendimento do prazer obtido pelo próprio corpo são assuntos presentes no dia-a-dia do desenvolvimento da sexualidade. É preciso que se entenda que tais manifestações, mais do que prazerosas, são parte do desenvolvimento sexual saudável. Não adianta esconder, fingir que a sexualidade não existe pois ela é integrante de qualquer ser humano, merecendo a devida atenção,  muitas vezes não dada.

A educação sexual é um campo que tem crescido entre os profissionais de saúde e educação e vem passando por inúmeras transformações. Mas ainda vemos um grande despreparo dos professores que, carentes de treinamentos e orientação, não se sentem aptos para tal função, além de ficarem inseguros com o comportamento dos responsáveis.

Claro que cabe aos pais o posicionamento sobre aquilo que consideram importante para seus filhos, percebendo os valores que são passados e atribuindo o quanto que é possível se envolver em tal assunto, complementando, assim, a educação oferecida pela escola, e assim, tendo nos professores bons aliados. Vale ressaltar que a participação dos pais é de fundamental importância nesse processo, uma vez que incentiva o processo de co-responsabilidade, já que à escola cabe complementar o que teve início em casa, suprindo lacunas e revendo conceitos corrompidos.

O profissinal capacitado para ocupar tal papel precisa ter empatia e respeito pelo assunto. Um preparo adequado é aquele que visa acabar com as dúvidas, angústias e a atitude negativa perante ao sexo, possibilitando uma melhor habilidade de comunicação e tomada responsável de decisões. Por ser um tema complexo e que necessita acolhimento, o educador mais do que preparo técnico, precisa levar o aluno ao reconhecimento das suas necessidades e desejos, desenvolvendo, assim, a cognição e o afeto, chamando à responsabilidade de cuidar do próprio corpo. Ou seja, é preciso quebrar tabus, oferecendo uma prática mais reflexiva, já que educar não é somente levar informações sobre sexo, mas transmitir valores e atitudes, levando-se em conta os sentimentos e o respeito por si e pelo outro.

Assim, uma educação sexual sadia é aquela que não se limita ao aprendizado de órgãos, aparelhos reprodutores e funções do corpo humano. Ela levanta assuntos sobre a autoestima, desejos sexuais e sentimentos conflitantes, permitindo uma visão consciente das relações interpessoais e de gênero, da saúde reprodutiva e imagem corporal, concentrando-se, não somente nas dimensões fisiológicas, como psicológicas, sociológicas e espirituais da sexualidade.

É o desconhecido que leva a fantasias e gera angústia. Não é preciso mentir, incluindo a cegonha nos discursos e nem responder além do que foi perguntado. Basta abrir espaço para novos questionamentos. E a escola tem vários espaços para uma intervenção saudável e um questionamento mais amplo sobre o sexo, ocupando um espaço falho de informações, e assim, capaz de eliminar os preconceitos e possibilitar a modificação de determinados valores, refletindo questões sem a necessidade de chegar a uma única resposta como correta.

Da mesma forma que esclarecemos às crianças que elas devem olhar para os dois lados da rua antes de atravessarem, ou que escovem os dentes após as refeições, precisamos ensiná-las a lidar com seus sentimentos, incluindo os que dizem respeito à sexualidade. Para isso, é importante que haja uma conscientização sobre a necessidade da promoção da educação sexual preventiva. Os pais ou responsáveis podem ficar tranquilos, pois educação sexual não faz com que o início sexual seja precoce. Pelo contrário, pesquisas já demonstraram que escolas que oferecem educação sexual têm um maior rendimento escolar e menor agitação em sala.

 


 

EFEITOS DA EJACULAÇÃO PRECOCE PARA O CASAL

 

A idéia de que um grande número de relações sexuais em uma só noite é o certificado de virilidade é um mito antigo. Sexo, para alguns homens, passa a ser visto mais como obrigação do que prazer, dando um sentimento negativo à sexualidade.

São pessoas que têm como base a luta e a competição, não deixando espaço para o envolvimento emocional. Tais homens, preocupados com o desfecho, perderam as pistas eróticas, estando, muitas vezes, em uma relação puramente genital, sem conseguir incluir a mulher e suas necessidades. O sexo perde toda a conotação erótica e sensual, não permitindo que os parceiros se familiarizem com sensações agradáveis de prazer e bem estar.

Dessa forma, a rotina da ejaculação precoce desestabiliza o casal comprometendo o prazer sexual. Ao sacrificar o bem estar e a alegria da relação e do sexo, a parceria se transforma em fonte de desconforto e inseguranças, contribuindo para uma redução drástica do desejo sexual entre os dois.

É comum que ambos evitem o contato sexual por medo do fracasso, o que piora o vínculo emocional. O receio masculino para qualquer situação de intimidade bloqueia a mulher, tornando difícil ou mesmo inexistente, as trocas afetivas.

O homem sexualmente inseguro perde oportunidades de aprender sobre suas sensações eróticas, sendo que para uma relação de qualidade é preciso desenvolver intimidade e afeto. A mulher sexualmente insatisfeita pode desenvolver disfunções em função ao quadro do parceiro.

As interrupções constantes, na tentativa de bloquear o processo ejaculatório, impedem o encadeamento da excitação feminina, que raramente atinge o orgasmo pela penetração. A insegurança na cama pode fazer com que o casal procure por outros focos de prazer ou fuga, havendo uma dedicação cada vez menor ao relacionamento.

Por conta disso, passam a pensar, por exemplo, sobre a possibilidade de uma relação extraconjugal como uma saída compensatória. Elas precisam sentir-se desejadas por outros homens, sentir-se vivas sexualmente. Os homens, também, podem usar tal subterfúgio, pois têm curiosidade de saber se conseguiriam ter um maior controle ejaculatório com outra pessoa, comparando o seu desempenho.

Em outros casais, como forma de compensação, não é raro homens com ejaculação precoce que tentam agradar a parceira para evitar qualquer sinal de rejeição, aumentando o clima de ansiedade. Por outras vezes, como uma forma de defesa, o homem tem como reação culpabilizar a mulher, afirmando que o tempo ideal é o que está tentando imprimir na relação. Normalmente, é pouco provável que a parceira seja a causa da disfunção, ainda que a ejaculação precoce possa ser resultante de problemas relacionais.

Estatisticamente, a parceira do homem com ejaculação precoce é mais ressentida do que nos casos de disfunção erétil. A primeira se ofende pelo fato dele ter chegado ao prazer, se preocupando de uma forma totalmente egoísta, enquanto a parceira do segundo se solidariza. Algumas mulheres têm na falta do controle ejaculatório do parceiro a desculpa para suas insatisfações e, à medida que se sente decepcionada na relação sexual, cresce o desinteresse e a desvalorização do parceiro.

Ligados ao piloto automático de funcionamento, esses homens não sabem que sexo se aprende e que é preciso fazer contato com o mundo real para que haja uma conexão equilibrada entre o aumento da excitação e a satisfação sexual.

É preciso transformar o ato sexual, não no objetivo do encontro, mas na consequência do envolvimento sensual e amoroso, ou seja, ao se tratar de sexo que ambos possam aproveitar o momento com calma e entrega, liberando-se da crença de que é preciso demonstrar prontidão e eficiência. Assim, não se trata de deixar de ejacular rápido, mas de deixar de ser apressado.

A importância da parceira na comunicação com o paciente, na motivação e na colaboração durante o tratamento é inegável. Além disso, para a mulher, depois da trajetória de desprazer em função da ejaculação precoce, surgem novas questões sobre o seu modo de estimular a sexualidade do casal devido as restrições impostas pelo relacionamento.

A sexualidade é um somatório de afeto, emoção, prazer e comunicação, e esse casal precisa reaprender as sensações sexuais, desenvolvendo todo o seu potencial erótico. E uma das formas é trazer de volta a confiança e o equilíbrio necessários para o aparecimento de um projeto a dois.

 


 

EJACULAÇÃO PRECOCE

 

A Ejaculação Precoce ou Prematura (EP) é um dos problemas sexuais mais freqüentes nos homens e nos casais, sendo responsável por 40% das queixas encontradas em consultório de terapeutas sexuais. Acontece que a EP é um lugar comum na juventude, em encontros com parceiros novos ou após algum tempo de abstinência. Quando se estende pela maturidade e se torna presente em mais da metade dos encontros sexuais, torna-se, aí sim, um problema crônico e um Transtorno Sexual.

O que é uma ejaculação normal?

Do ponto de vista do funcionamento físico, a ejaculação se faz em dois estágios. No primeiro há a expulsão efetiva do líquido seminal (sêmen) dos órgãos acessórios de reprodução - próstata, vesícula seminal e canal ejaculatório - para a uretra. No segundo estágio, há a progressão desse líquido por toda a extensão da uretra até o meato uretral, que é o orifício na cabeça do pênis por onde sai também a urina. Acompanha-se desse processo fisiológico uma sensação subjetiva de profundo prazer conhecida como orgasmo.

Como saber se tenho ejaculação precoce?

Não existe um tempo específico antes de ejacular para definir esse problema sexual. A definição está na percepção, tanto sua quanto de sua parceira, de que a ejaculação foi mais rápida do que o esperado, de que não houve controle da ejaculação. As vezes o pênis nem chega a enrijecer, somente o movimento de aproximação e o toque do lençol já termina o que podia ser muito bom e prazeroso. Por vezes, o homem mantém a ereção por alguns minutos, começa a penetrar, mas logo ejacula, ficando insatisfeito e deixando a parceira "na mão". Sentimentos de culpa e ansiedade se tornam uma constante. Dificuldades maiores podem vir em seqüência, como a disfunção erétil (impotência) e a perda de intimidade no casal.

Por que ocorre a EP?

Os adeptos de Darwin (evolucionista inglês que propôs a teoria da seleção natural - 1859) explicam que a EP seria uma forma antiga de defesa contra predadores.

Imaginem os primórdios da humanidade, onde havia centenas de perigos, sendo o "animal-ser-humano" muito frágil e pequeno frente aos riscos de seu meio ambiente!

Aqueles indivíduos que demorassem muito para ejacular nas suas parceiras estariam muito mais predispostos a deixar seu flanco aberto às agressões de inimigos e animais selvagens.

O ejaculador precoce tinha mais vantagens em terminar logo a inseminação e fugir, deixando também a "fêmea" escapar, para poder inseminar o maior número delas em menor tempo.

Desta forma estaria aumentando a probabilidade de propagação de seus genes.

Outras razões levantadas como causas da EP seriam:
 

aumento anormal de sensibilidade da glande peniana,
ansiedade frente ao desempenho sexual,
inexperiência sexual,
primeira experiência com parceira que tenha estimulado um coito rápido e
culpa ou sentimentos negativos em relaçao à parceira.

Raramente há um problema médico que explique a EP, como a prostatite aguda ou a esclerose múltipla. Na verdade, não existe uma única causa comprovada cientificamente de EP.

E tem cura?

Existe tratamento, tanto medicamentoso quanto psicoterápico. A primeira linha de tratamento é a reorientação e a reeducação do homem ou do casal quanto à função sexual normal. Clareiam-se as situações em que se considera como "normal" o tempo de ejaculação mais curto ou insatisfatório (comum em jovens, com novos parceiros, ou após longa abstinência). Quando a EP se torna persistente, ou seja, aparece em mais da metade dos encontros sexuais, um tratamento mais específico se faz necessário.

A segunda linha terapêutica é o chamado tratamento cognitivo-comportamental. Constitui-se em uma série de exercícios e tarefas para serem realizadas em casa para controle do tempo de ejaculação. Seguem-se alguns exemplos meramente ilustrativos:
 

Técnica de distração
  Durante o ato sexual, o homem é orientado a fixar o pensamento em alguma situação que o desligue de sexo, como em morte de alguém, ou em alguma mulher que não o agrada ou em contas bancárias. Assim que perceba que a ereção está se desfazendo, volta a se fixar na parceira. Deve usar essa distração, algumas vezes, para poder prolongar o tempo de penetração antes da ejaculação.
Técnica de compressão
  O homem deve comprimir a base da glande (cabeça do pênis) por 4 a 5 segundos imediatamente após a primeira sensação de maior excitação. Com esse procedimento vai dificultar a entrada de sangue no pênis e retardar um pouco a ejaculação.
Técnica stop-start
  Consiste em orientar o homem a ficar na posição superior à parceira para poder ter controle do movimento sexual. Deve iniciar a penetração e parar completamente os movimentos próximo ao momento de maior excitação. Pode usar a técnica de distração concomitantemente.

O objetivo destas tarefas é fazer o homem tomar consciência do momento que antecede o primeiro estagio de ejaculação, podendo voluntariamente controlar quando deseja ejacular, evitando frustração a ele e à parceira.

Pode-se combinar uma terceira linha de tratamento a esses exercícios: as medicações. Existe uma ampla gama de medicações que tem como efeito colateral o retardo do tempo de ejaculação. Tais drogas devem ser ministradas somente mediante prescrição médica criteriosa, pois possuem vários outros efeitos no organismo. Alguns deles, por exemplo, os antidepressivos tricíclicos são contra-indicados a pessoas com problemas de ritmo cardíaco. Algumas medicações tópicas (pomadas) à base de ervas ou anestésicos não foram comprovadas cientificamente como eficazes para o tratamento da EP.

De qualquer forma, esta disfunção sexual tem bom prognóstico, ou seja, apresenta bons índices de cura para a grande maioria dos indivíduos que procura orientação especializada. Geralmente, seis a dez sessões são suficientes para a melhora da vida sexual do homem e do casal.

 

 

EREÇÃO

 

A grande maioria dos mamíferos possui um osso chamado báculo que capacita à sustentação da ereção como uma resposta mais rápida e até mesmo voluntária. Quando não, há cartilagens ou estruturas fibrosas capazes de manter a ereção com a mesma força necessária pra deixar um braço levantado, por exemplo. Mas com os homens isso não é possível.

A ereção se dá a partir de estímulos eróticos (visão, toque, cheiro e pensamentos) que capazes de produzir sinais de excitação, chegam ao cérebro pelos órgãos dos sentidos, onde determinados por questões emocionais, comportamentais e orgânicas num processo regulado pelo Sistema Nervoso Central (SNC) através de sofisticados mecanismos, orquestrado tanto pela medula como pelo cérebro, envia para o pênis mensagens capazes de liberar substâncias que vão relaxar os músculos das paredes arteriais e aumentar o fluxo sanguíneo na região peniana, promovendo a vaso dilatação.

Na verdade, existem dois mecanismos de ereção: o reflexo e o central. Quando uma imagem é vista, ela aciona os núcleos cerebrais ligados à sexualidade que enviam uma corrente elétrica para o pênis capaz de dilatar os vasos que irão permitir a entrada sanguínea, comprimindo as veias impossibilitando que o pênis relaxe. Outras ereções podem ocorrer sem que haja pensamento sexual, por exemplo, durante o sono. Aqui, o caminho passa pela medula espinhal que envia impulsos capazes de ativar o sistema reflexo do pênis.

Ou seja, a ereção acontece devido ao mecanismo de excitação liberar impulsos nervosos originados no cérebro, que na presença de hormônios como a testosterona, chegam até o pênis permitindo que as artérias se dilatem e as veias se fecham. Por conta de tal dilatação, mais sangue é capaz de entrar nos corpos cavernosos e esponjosos, aumentando o seu volume e o próprio pênis, ocorrendo assim à ereção.

Assim, é necessário um time funcionando em conjunto: adequado estímulo sexual e estado emocional, integridade das vias nervosas que transmitem o estímulo do cérebro até o pênis preservadas, assim como o funcionamento dos vasos sanguíneos penianos.

Quando em repouso, o SNC continua trabalhando através do Sistema Nervoso Simpático para controlar o fluxo sanguíneo que chega ao pênis. Dessa forma, a resposta sexual masculina mostra um equilíbrio entre forças inibitórias e excitatórias: se por um lado o sistema nervoso parassimpático trabalha como uma das vias excitatórias, o simpático inibe a ereção.

Como o estresse e a ansiedade envolvem o predomínio da atividade simpática e as ereções precisam do sistema nervoso parassimpático ativado, pode haver uma disfunção erétil psicogênica ou então ainda que haja a ereção, cognições negativas podem bloqueá-la ou haver uma ejaculação rápida.

A ereção também pode não ser mais vantajosa quando se prolonga por um tempo desnecessário, fazendo com que o sangue fique preso no pênis, o que pode gerar lesões no tecido devido à falta de oxigenação. Tal condição é conhecida como priapismo, e a ereção não é um demonstrativo de prazer, mantendo-se de forma involuntária e dolorosa.

Do outro lado há a incapacidade de conseguir a ereção. Para tal situação, desde que de origem orgânica, medicamentos foram pesquisados. O Viagra foi o primeiro e o mais conhecido. Descoberto ao acaso, durante pesquisas sobre drogas cardiovasculares, teve seguidores concorrentes no mercado como o Cialis, Levitra e Vivanza. Disponíveis em várias concentrações, normalmente necessitam de uma hora pra que ocorra a ereção.

Só que a medicação não é indutora, é necessário que haja desejo e estimulação sexual eficiente, pois nenhum nem o outro são afetados pelo uso de tal medicação. A droga provoca a vaso dilatação, mantendo e prolongando a ereção. O que não significa que prolongue o ato sexual, não sendo, assim, indicados para casos de ejaculação precoce.

 


 

FANTASIAS SEXUAIS

 

Fantasiar é a capacidade de inventar mentalmente coisas ou situações. Todo mundo é capaz de fantasiar (ou sonhar acordado) sobre diversas situações: uma roupa que usará, um carro que comprará, um corpo depois da dieta e exercícios... Fantasias sexuais são desejos ou impulsos exteriorizados inicialmente através da imaginação, onde muita coisa é permitida e pouquíssima censura faz parte do enredo, sendo possível saborear várias situações sexuais além da fronteira da realidade.

Sua função principal é permitir que certos desejos sexuais de difícil conexão com a realidade possam ser satisfeitos, funcionando como substitutos da experiência real, além de ajudar a focalizar o próprio corpo e as sensações aperfeiçoando o conhecimento sexual. Também se pode dizer que a fantasia sexual é um tempero para a libido, aumentando o prazer na atividade sexual, sendo uma forma segura de experimentar o sexo.

Muitas fantasias sexuais são transformadas em realidade e outras tantas servem de estímulo para o relacionamento sexual ou porque a relação está morna ou porque se tem vontade de incrementá-la um pouco mais. No entanto, muitas fantasias são ousadas do jeito que são, pois ignoram os limites que encontram do outro lado: a AIDS e seus riscos, a mulher do melhor amigo, normas muito rígidas, a moral, a ética, censuras... Tudo isso é deixado de lado.

Por isso, talvez, seja tão perigoso e arriscado colocar todas as fantasias em prática. Querer nem sempre é poder e às vezes mais saudável é quem percebe essa barreira e não se machuca ultrapassando os limites, do que aquele que acha que tudo é válido e permitido. A identificação daquilo que pode ser posto em prática e o que deve permanecer no terreno da fantasia só pode acontecer quando se possui uma boa noção de si mesmo e de seu parceiro(a) e os limites do relacionamento sexual e afetivo.

Admita a criação sem se prender na autocensura, mas pense antes de agir. Use o senso crítico e avalie as conseqüências. Caso surjam sinais de alerta, contenha-se, pois pode ser melhor que a fantasia continue no imaginário. Se o sinal estiver verde, pode seguir em frente e libere-se para por em prática o que antes fazia parte do virtual.

Lembre-se: a fantasia não é algo errado ou anormal, desde que não constranja e/ou obrigue a um dos parceiros. Elas são normais, saudáveis e capazes de fortalecer o relacionamento, sustentando a cumplicidade e a intimidade. Além disso, elas são capazes de suavizar a ansiedade, aumentar a autoestima, autorizar emoções e percepções reprimidas e atacar a rotina. O perigo não se encontra na fantasia, mas na vergonha e no medo que podem acompanhá-la.

Sentimentos negativos não combinam com a sexualidade plena. Se for apropriada para ambos, a fantasia serve para estimular, divertir e educar sobre as preferências, além de revitalizar o sexo. Mas o medo da interpretação errada pelo(a) parceiro(a) e a educação repressora, limitam a imaginação e o desejo, levando para a cama no lugar da fantasia um juiz que condena o depravado, e procura somente o supostamente aceitável. O ato de ‘alimentar fantasias’ pode ser considerado impróprio para alguns, pois grande parte da vida é racional e previsível, e fantasiar é se desviar dos estereótipos e ser feliz.

Fantasia sexual e Internet

A busca por sites eróticos é uma crescente. A Internet democratizou o sexo com a possibilidade de apertar algumas teclas e ir de encontro a um mundo sem censuras. A segurança do anonimato funciona oferecendo mais emoção à vida sexual de todas as idades. A fronteira de tal comportamento, entre o saudável e o vício, é tênue.

Mas, o que caracteriza o vício é a falta de relacionamento com outras pessoas, utilizando-se somente a fantasia virtual como forma de desejo e prazer. Normalmente, revelam pessoas com dificuldade em se relacionar e se expor. A intenção da fantasia é potencializar a vida sexual e não esquivar-se dela.

 


 

RESPOSTA SEXUAL FEMININA

 

O Que Ocorre no Corpo?

As Fases do Ciclo da Resposta Sexual

Na década de 60, dois pesquisadores americanos, Masters e Johnson, montaram um laboratório onde se podia pesquisar cientificamente as modificações corporais durante o ato sexual humano. Contavam com o apoio de muitas pessoas voluntárias que se dispunham a ter atividade sexual no laboratório monitorada por aparelhos criados para detectar, por exemplo, as alterações de cor e de calor da vagina durante a auto-estimulação.

Esses pesquisadores chegaram a um padrão de resposta sexual para homens e mulheres, ao qual deram o nome de Ciclo da Resposta Sexual Humana. Inicialmente, esse Ciclo era composto por quatro fases diferentes: Excitação, Platô, Orgasmo e Resolução. Mais tarde, uma psiquiatra chamada Helen Singer Kaplan complementou esse Ciclo com uma primeira fase, antes não mencionada por Masters e Johnson - o Desejo Sexual. Hoje em dia, o Ciclo da Resposta Sexual Humana se compõe de três fases: Desejo, Excitação e Orgasmo.
 

DESEJO

Essa é a Primeira Fase Sexual, onde os instintos são estimulados e os apetites crescem. O desejo, ou a sensualidade, é uma experiência subjetiva que incita a pessoa a buscar atividade sexual. Em termos cerebrais, há mensagens neurofisiológicas que motivam a busca por sexo. Esses sinais neurológicos ainda não foram bem explicados, mas já se fala em uma espécie de Centro de Desejo Sexual no Cérebro, que seria constituído principalmente por uma pequena região cerebral denominada Claustro. Nas mulheres, o olfato e principalmente o tato, são bastante responsáveis pelo aumento do desejo sexual.

EXCITAÇÃO

A Segunda Fase do Ciclo Sexual ocorre quando o corpo passa a responder fisiologicamente frente aos estímulos que dispararam o desejo sexual. Ou seja, a excitação é a resposta do corpo ao desejo. Na mulher, a excitação é demarcada pela produção de uma secreção responsável pela lubrificação vaginal. Duas alterações fisiológicas são as principais protagonistas nessa fase. A congestão vascular, que é o aumento da quantidade de sangue superficial e/ou profunda acumulada em alguns órgãos do aparelho genital e extragenital feminino, e a miotonia, que é a crescente e involuntária contração de fibras musculares.

Mas a resposta sexual feminina não aparece apenas nos genitais. Ela é um continuum de todo o corpo frente a estímulos. Aparece nos seios (mamas), com um pequeno aumento de seu tamanho e com a ereção dos mamilos. Há também o rubor sexual, quando a pele fica mais avermelhada, e tanto a pressão sangüínea quanto a freqüência cardíaca e respiratória tendem a aumentar. Ocorrem contrações musculares nos órgãos próximos aos genitais, como o reto (região anal), a uretra e a bexiga.

O aparelho genital feminino propriamente dito é constituído por órgãos externos e internos, sendo eles: o clitóris, os grandes e pequenos lábios, a vagina e o útero. Todos esses órgãos vão sofrer as mesmas alterações fisiológicas de vasocongestão e miotonia. Tanto o clitóris, quanto os pequenos e grandes lábios aumentam de tamanho, ficando edemaciados e avermelhados. Os grandes lábios se retraem deixando a entrada da vagina livre. O clitóris fica protegido sob um prepúcio (pele) e a vagina passa a produzir uma secreção parecida com a saliva por um fenômeno semelhante a transudação (uma espécie de suor da parede vaginal; muitos, erroneamente, acreditam ser a ejaculação feminina). Há sensação de contração muscular irregular desses órgãos internos.

ORGASMO

Esta é a última Fase do Ciclo da Resposta Sexual. O orgasmo, o êxtase, o gozo ou ápice de prazer ocorre quando há liberação de toda a tensão sexual acumulada. À profunda vasocongestão do clitóris, pequenos e grandes lábios e do terço inferior da vagina denominamos Plataforma Orgásmica. Pode ocorrer uma contração muscular prolongada e espástica de 4 a 5 segundos nesta região antes de ocorrer a descarga orgásmica. O orgasmo acontece: há uma explosão de contrações rítmicas e involuntárias na Plataforma Orgásmica a uma freqüência de aproximadamente 12 vezes, a cada 0,8 segundos. O interessante é que a mulher, logo em seguida, pode ser novamente estimulada e ter mais que um orgasmo. Essa capacidade multiorgásmica da mulher não é encontrada nos homens, que precisam de um tempo após a ejaculação para iniciar outro ciclo de resposta sexual (tempo denominado Período Refratário).

 


 

RESPOSTA SEXUAL MASCULINA

 

O Que Ocorre no Corpo?

As Fases do Ciclo da Resposta Sexual

Na década de 60, dois pesquisadores americanos, Masters e Johnson, montaram um laboratório onde se podia pesquisar cientificamente as modificações corporais durante o ato sexual humano. Contavam com o apoio de muitas pessoas voluntárias que se dispunham a ter atividade sexual no laboratório monitorada por aparelhos criados para detectar, por exemplo, as alterações de cor e de calor da vagina durante a auto-estimulação.

Estes pesquisadores chegaram a um padrão de resposta sexual para homens e mulheres, ao qual deram o nome de Ciclo da Resposta Sexual Humana. Inicialmente, esse Ciclo era composto por quatro fases diferentes: Excitação, Platô, Orgasmo e Resolução. Mais tarde, a psiquiatra Helen Singer Kaplan complementou esse Ciclo com a fase do Desejo Sexual. Hoje em dia, o Ciclo da Resposta Sexual Humana é conhecido como constituído de três fases:

Desejo, Excitação e Orgasmo.

Ciclo da Resposta Sexual Humana
 

DESEJO

Essa é a Primeira Fase do Ciclo Sexual, onde os instintos são estimulados e os apetites crescem. O desejo, ou a sensualidade é uma experiência subjetiva que incita a pessoa a buscar atividade sexual. Em termos cerebrais, há mensagens neurofisiológicas que motivam a busca por sexo. Esses sinais neurológicos ainda não foram bem explicados, mas já se fala em uma espécie de Centro de Desejo Sexual no Cérebro, que seria constituído principalmente por uma pequena região cerebral denominada Claustro. Nos homens, o estímulo visual é de extrema importância para iniciar e manter o desejo sexual.

EXCITAÇÃO

A Segunda Fase do Ciclo Sexual ocorre quando o corpo passa a responder fisiologicamente frente aos estímulos que dispararam o desejo sexual. Ou seja, a excitação é a resposta do corpo ao desejo. No homem, a excitação é demarcada pela ereção (quando o pênis fica rijo). Duas alterações fisiológicas são as principais protagonistas nessa fase. A congestão vascular, que é o aumento da quantidade de sangue superficial e/ou profunda acumulada em alguns órgãos do aparelho genital e extragenital masculino, e a miotonia, que é a crescente e involuntária contração de fibras musculares.

Mas a resposta sexual masculina não aparece apenas nos genitais, como a maioria das pessoas acredita. Também nos homens há um continuum de todo o corpo frente aos estímulos. Aparece na pele, que fica avermelhada, tipo manchas (rubor sexual), e nos mamilos, que podem ter aumento de sensibilidade e até uma pequena ereção. A pressão sangüínea, a freqüência cardíaca e a respiratória sofrem aumento quando comparados ao estado sem excitação sexual. Ocorrem contrações musculares irregulares nos órgãos próximos aos genitais, como no reto (região anal), na uretra e na bexiga.

O aparelho genital masculino propriamente dito é constituído pelo pênis e os órgãos acessórios reprodutivos, como os testículos ("saco"), a próstata e a vesícula seminal. Dentro do pênis existem três corpos cilíndricos de tecido erétil (muscular). Dois são chamados de corpos cavernosos, e o restante, de corpo esponjoso. O corpo esponjoso envolve a uretra, por onde sai a urina e o esperma (ejaculado).

Mas como o pênis passa de flácido para rijo?

Este é um processo complexo que envolve tanto informações neurológicas, quanto regulação hemodinâmica (de controle de fluxo sangüíneo). Em uma linguagem mais simples ocorre o seguinte. O homem sente desejo. Um sinal cerebral é disparado para avisar todo o corpo, principalmente o pênis, de que deve se preparar para atividade sexual. Os corpos cavernosos são "avisados" para relaxarem sua musculatura lisa, deixando livre a entrada de sangue no pênis. Imaginem dificultar a saída de sangue do pênis, enquanto se aumenta o seu fluxo de entrada. Os corpos cilíndricos vão se enchendo de sangue, tornando o pênis túrgido, duro, ereto. É como uma bexiga de água. Quanto mais se enche de líquido, mais rija fica a parede de borracha. Assim acontece a ereção.

ORGASMO

Esta é a última Fase do Ciclo da Resposta Sexual. O orgasmo, o êxtase, o gozo ou ápice de prazer no homem é atingido quando ocorre a liberação total das tensões antes retidas, acompanhada de uma contração muscular rítmica, com emissão do esperma: a ejaculação. O interessante é que esta se dá em dois estágios, No primeiro, há a expulsão efetiva do líquido seminal (sêmen) dos órgãos acessórios de reprodução - próstata, vesícula seminal e canal ejaculatório - para a uretra. No segundo estágio, há a progressão desse líquido por toda a extensão da uretra até o meato uretral, que é o orifício na cabeça do pênis por onde sai também a urina. Acompanha-se de todo esse processo, a sensação subjetiva de profundo prazer,

Após o orgasmo, o homem tem o que se chama de Período Refratário. É um tempo de relaxamento necessário para que ele possa reiniciar novamente atividade sexual. Nos jovens, esse período pode ser de segundos, nos mais velhos, de horas a dias.

 

 

 

FREQUÊNCIA SEXUAL

 

Cada pessoa exprime de forma singular a sua sexualidade. Algumas com o desejo mais aflorado, praticando sexo com mais frequência, outras nem tanto. É natural que tenhamos ritmos diferentes, seja no trabalho, no estudo ou no lazer. Não é uma questão de saúde, mas de diferenças que, quando dentro de um relacionamento, fazem com que muitos casais vivam um descompasso sexual, e até mesmo amoroso, pelo incomodo causado por tal divergência.

Não é raro que a preocupação com a quantidade faça com que se forçe uma situação, levando ao desgaste emocional, e desestimulando os parceiros. São muitos, principalmente os homens, que se sentem orgulhosos devido ao intenso desempenho sexual. Mas é preciso que se tenha claro que sexo não deve ser usado como termômetro da relação. Não é preciso ficar de olho nas estatísticas até porque o ritmo, dentro de um mesmo relacionamento, é flutuante.

Normalmente, são as mulheres que acabam cedendo à pressão relacionada à frequência sexual. E quando percebem o que aconteceu, o próprio desejo foi abalado e o sexo deixou de ser prazeroso. Isso acontece porque a cobrança torna a relação mais frágil ao gerar um ambiente de tem que: tem que ter desejo, tem que transar, tem que se envolver. É preciso substituir o tem que pelo a fim de. Para tanto, é necessário adequar o relacionamento a frequência sexual dos dois.

O outro precisa saber o que acontece com a sexualidade do parceiro. E, para isso, o melhor caminho ainda é o bom e velho diálogo, ou seja, valorizem o ‘papo cama’, buscando a intimidade, cumplicidade e o comprometimento com a relação, respeitando os limites e evitando o clima de cobrança. Além de, claro, encontrarem novas possibilidades de fazer da relação sexual gratificante e prazeorsa.

Claro que, ao buscar pela sintonia, alguns atritos podem acontecer, pode até mesmo ser difícil entender o que o outro propõe, mas é preciso permitir que o parceiro te conheça. Saiba que, de acordo com o estado emocional ou outros problemas, a frequência sexual tende a cair, mas também, a parte sexual pode não estar satisfatória devido à alguma questão do relacionamento de vocês. Assim, é importante que os parceiros saibam acender o desejo, mostrando interesse, sendo atencioso e cuidando da aparência e da higiene pessoal.

Além disso, o encantamento pode ter diminuído e talvez estejam com dificuldade de administrar as diferenças. Por outro lado, quando for possível respeitá-las, as dificuldades em conciliar horários, por exemplo, podem servir como estímulo extra para que os encontros sejam prazerosos, aumentando a oportunidade de aproveitar com mais vontade o tempo curto que os dois têm.

É preciso não só maturidade para entender as nuances como, também, não utilizar o sexo para suprir faltas, evitando assim os excessos. Uma pessoa que não extrai o prazer de outras fontes, normalmente demanda mais do sexo buscando a descarga por meio dessas relações a fim de compensar alguma carência. Mas enquanto algumas pensam que o relacionamento se resume ao sexo, outras se desinteressam totalmente pelo assunto.

Fato é que não existem regras. Assim, ao invés de ficar procurando pelo culpado, se é o outro, você, seu relacionamento ou as estatísticas, tenha em mente que o critério de saúde sexual é pessoal e íntimo. Importa, única e exclusivamente, a satisfação do casal. Sexo bom e sadio é aquele que vem sem hora ou quantidade pré determinada.

É difícil e até inaceitável o julgamento na tentativa de delimitar a frequência da realização dos desejos ou necessidades sexuais. Respeitando-se alguns princípios e patologias, que as diferenças possam ser respeitadas dentro inclusive dos relacionamentos, onde a frequência ideal seja ditada pela qualidade da transa e não pela quantidade de vezes que ela ocorre.

 


 

FRIGIDEZ

 

A frigidez caracteriza-se pela falta de desejo e de qualquer resposta sexual. Essa terminologia tem sido empregada para definir mulheres que não demonstram nenhum interesse em sexo ou que ficam completamente "geladas" ao toque erótico.

Possíveis causas

Devemos levar em consideração uma série de fatores que podem interferir na libido (impulso sexual) feminina. Pensemos em três grandes categorias:
 

a orgânica,
a emocional e
a cultural ou social.

Geralmente, a frigidez resulta da combinação dessas influências, sendo que a categoria social apresenta um peso significativo.

Fatores orgânicos
 

Doenças que acometem de forma direta os genitais, como uma infecção (vulvovaginite), ou indiretamente, como o hiperprolactinoma, responsável pelo aumento do hormônio prolactina que inibe completamente a motivação sexua.
Transtornos psiquiátricos crônicos que geram uma diminuição ou até ausência de desejo sexual, como a depressão.
Uso de algumas medicações como anti-hipertensivos ou antidepressivos que têm como efeito colateral a diminuição de libido.

Fatores emocionais
 

Situações traumáticas ao longo da vida, como abuso sexual, estupro ou violência sexual.
Repressões sexuais antigas, culpas e ansiedades vinculadas à não permissão ao sexo.
Conflitos conjugais importantes, com cobranças acompanhadas de agressões, falta de respeito e falta de intimidade.
Relacionamento infantilizado entre cônjuges, em que os parceiros estão representando muito mais os papéis de pais um do outro, do que de parceiros sexuais.
Falta de comunicação e intimidade no casal.
Falta de atração e de afeição pelo parceiro escolhido como companheiro.

Fatores culturais ou sociais
 

Falta de educação e orientação sexual.
Medo de gravidez indesejada associada à insegurança de contracepção.
Dificuldades práticas e persistentes do dia-a-dia, como falta de tempo necessário para dedicação à vida sexual, falta de ambiente propício à intimidade.
Estímulo sexual inadequado.
Repressões sociais à sexualidade da mulher, principalmente em culturas cujas religiões cristã e mulçumana têm marcada influência.

Há alguns anos atrás (e ainda hoje em determinadas culturas), dizia-se que a mulher era fria por natureza, que sua sexualidade estava voltada única e exclusivamente para a maternidade. Nesse contexto, usava-se a sexualidade feminina para servir a masculina. Como conseqüência, a mulher era pouco ou nada estimulada. Essa situação ocorrendo de forma persistente, com sentimentos de obrigação em relação ao sexo, acabou por inibir qualquer resposta erótica, assim tornando-se uma das tantas tarefas que deveriam ser desempenhadas pela mulher.

Desligada de sentimentos sexuais positivos e até mesmo punida ou reprimida ao demonstrar prazer, a mulher assumiu a maternidade e o cuidado familiar, abdicando de uma plena realização sexual.

 


 

IMPOTÊNCIA IMPOTÊNCIA

 

Mito Masculino - Temor de Desempenho

Vivemos ainda em uma sociedade muito machista, infelizmente para todos nós. Para os homens, em especial, existe uma pressão desenfreada para a atividade sexual predatória. O que caiu na rede é peixe! E existe, por sinal, um mito milenar de que os homens estão sempre aptos ao sexo, independente de qualquer outro fator. Devem sempre estar com desejo, devem ter plena ereção e não falhar jamais.

Essa situação é um peso muito grande para os ombros de qualquer um. A bem da verdade, qual o homem ao qual nunca lhe faltou potência?

Qual a mulher cujo parceiro já não perdeu a ereção alguma vez na vida?

É necessário desmistificar essa situação. A impotência (disfunção erétil) só se torna um problema ou uma doença quando ela predomina na vida sexual de um homem. Ou seja, quando há uma incapacidade persistente ou recorrente (repetida) de manter uma ereção até a conclusão da atividade sexual. Alguns se queixam de falta completa de rigidez para conseguir uma penetração. Outros conseguem ter o pênis rijo, mas na hora de introduzi-lo perdem a potência.

Atenção! a eventual ocorrência de perda de ereção não é considerada impotência.

O que causa a perda da ereção?

As pesquisas são contraditórias: algumas apontam que 90% da impotência tem causa emocional.
 

O estresse do dia-a-dia.
A discórdia conjugal.
A falta de atração pela parceira.
A ansiedade ou depressão.
O temor de não desempenhar o sexo adequadamente.
Conflitos emocionais antigos.
Culpa e repressões sexuais.

São algumas das causas psíquicas comuns.

Outros trabalhos científicos relatam que a disfunção erétil nos homens é, na maioria dos casos, orgânica, principalmente quando o homem tem mais que 50 anos.
 

A deficiência de alguns hormônios masculinos como a testosterona.
Excesso de prolactina.
A presença de algumas doenças como o diabete melito.
O uso de medicações que combatem a hipertensão.
A anormalidade vascular peniana.

São fatores orgânicos importantes a serem levados em consideração na avaliação dessa disfunção sexual.

E tem cura?

Podemos pensar que há uma soma desses fatores orgânicos e emocionais na determinação da impotência. Para o tratamento, então, devemos combinar algumas técnicas terapêuticas para obtenção de maior sucesso.

Após alguns exames de rotina, detectamos a presença ou não de algum problema orgânico. Por exemplo, se há falta de testosterona, podemos repor através de uso de medicação. Se há problema vascular ou neurológico, podemos até indicar cirurgia ou colocação de prótese. Entretanto, tais métodos mais evasivos são de última escolha no tratamento da impotência, só utilizados quando quaisquer outros métodos já falharam completamente.

Quando não há muitos achados positivos nos exames, podemos empregar um tipo de tratamento psicológico, denominado psicoterapia cognitivo-comportamental, que é baseado em tarefas sexuais progressivas e orientação.

O uso concomitante de algumas medicações que provocam a ereção tem elevado o sucesso terapêutico em muitos casos. Entretanto, os mesmos nunca devem ser utilizados sem acompanhamento médico especializado.

 


 

INIBIÇÃO DO DESEJO SEXUAL

 

A criação baseada na repressão e influências negativas em relação à sexualidade trouxe intenso efeito na vida sexual feminina. Assim, muitas continuam oprimindo seus desejos e vivenciando condições fortemente conflitivas, com grande resultado emocional. Na nossa sociedade vigorou a idéia de que a mulher honesta não sentia desejo sexual, sexo era destinado aos homens ou às mulheres que não fossem sérias. Dessa forma, a educação era para que a sexualidade não viesse à tona baseando-se em noções de pecado e culpa - idéia que ainda contamina a atualidade. A revolução sexual da década de 60 trouxe uma forma de alterar tais valores percebendo-se hoje uma busca pela satisfação e equilíbrio sexual.

Em algumas culturas o sexo ainda é um tabu e encarado como pecaminoso. No Brasil as mulheres ainda são influenciadas a reprimirem seus desejos, por outro lado, percebe-se também uma sexualidade estereotipada, ditada pelas revistas da moda, convocando a vivencia sexual livre. Acontece que se a mulher não se encaixa em tal script, logo pensa que está sofrendo com falta de desejo. Outra questão a ser apontada é a confusão entre a figura da mulher maternal e sexual, como essas fossem atuações incompatíveis. Ainda é sustentado um estereótipo em relação à figura da mãe: nega-se o lado sexual e feminino em nome da maternidade.

Conceito

O ciclo da resposta sexual humana é composto por desejo, excitação e orgasmo. Não existe uma obrigatoriedade de desfrutar todas essas fases, porém, a ausência constante de alguma, indica que algo não vai bem. A primeira fase, o desejo, é o desencadear de toda a relação, ou seja, onde tudo começa: a pretensão, a vontade de se aproximar do outro e mostrar-se receptiva. Estão envolvidos hormônios e neurotransmissores especializados que induz sensações especificas, incitando a busca pela experiência sexual. Porém, o desejo sexual humano não pode ser comparado à simples pulsões fisiológicas, como a sede ou a fome. Este é um fenômeno subjetivo experimentado pelo corpo, e, muitas vezes, diz respeito a estímulos externos, sendo bem mais complexo. Colaboram para a sua formação as fantasias sexuais, a receptividade do companheiro (a), o início do comportamento sexual, as sensações genitais, as respostas aos sinais eróticos do meio ambiente, a iniciação da masturbação, entre outros.

Outra questão envolvida na motivação sexual é a avaliação que é feita do parceiro (a). Quando ela é positiva, a pessoa tem vontade de se relacionar sexualmente. Qualquer estímulo pode ser reforçador, como o (a) parceiro (a) ser um bom pai (mãe) ou ser admirado (a) profissionalmente. Quando ela é negativa, tal vontade se perde. Sentimentos de mágoas e decepção minam o desejo pelo (a) parceiro (a), pelo investimento na relação. O desejo sexual hipoativo é caracterizado por uma diminuição ou ausência completa de fantasias eróticas, além da falta de iniciativa para o ato sexual e fuga do relacionamento sexual. Ou seja, a baixa freqüência coital revela uma ausência de desejo sexual espontâneo, porém deve-se levar em consideração a idade e o contexto de vida.

É como se a importância dada ao sexo tivesse adormecida. Dessa forma, as questões relacionadas ao desejo costumam gerar uma grande aflição por serem bastante desgastantes ao influenciar toda a motivação do casal já que há um impedimento no envolvimento com o (a) parceiro (a), que se queixa de falta de intimidade ou reciprocidade. Assim, tal distúrbio, que pode afetar tanto homens como mulheres, é uma situação capaz de motivar sérias complicações emocionais e problemas de relacionamento íntimo.

Percebe-se nas mulheres, na maioria das vezes, um comportamento de 'luta ou fuga'. Ela pode insistir na relação, fingindo satisfação, o que deixa o parceiro fora da realidade e da possibilidade de apoiá-la, ou pode fugir da intimidade sexual alegando dores de cabeça, cansaço e, novamente, evitando o apoio do parceiro, além de possibilitar que ele se sinta rejeitado sem poder entender de fato o que está acontecendo.Vale lembrar que, às vezes, a queixa de um parceiro sobre seu baixo desejo diz respeito as necessidade excessivas dele, já que a força do desejo e a freqüência dele variam de cada pessoa e dizem respeito ao contexto familiar, social e a idade.

Além disso, a falta de desejo sexual não está relacionada com falta de amor: sexo não pode ser confundido com amor. Outras vezes tal problema pode ser transferido para o parceiro que passa a ser visto como um constante inimigo e responsabilizado pela perda do desejo. A depressão é uma conseqüência esperada assim como o desajuste conjugal. Vale ressaltar que para esse quadro ser classificado, ele deve causar acentuado sofrimento ou algum tipo de dificuldade interpessoal e não ser reflexo de alguma condição médica geral. Um estágio avançado do Transtorno de Desejo Sexual Hipoativo é o Transtorno de Aversão Sexual cuja característica fundamental é a aversão e esquiva do contato sexual genital, onde se relata ansiedade, medo ou recusa ao se encontrar diante de uma oportunidade sexual.

Etiologia

O desejo sexual é entendido como um complexo vivencial criado por três componentes fundamentais: a biologia, a socialização e a psicologia. Comumente tais fatores atuam simultaneamente e reforçam-se mutuamente. A disfunção de tal ordem é freqüentemente ocasionada por fatores psicossociais, mas o lado orgânico também pode compor esse quadro, embora de forma mais rara que o outro. Fatores orgânicos: desequilíbrios hormonais provocados por parto, amamentação, menopausa e anticoncepcionais, alterações de neurotransmissores, anemia, aumento da prolactina, deficiência cardíaca congestiva ou hipotiroidismo, diminuição de testosterona ou estrogênio, nódulos vaginais ou infecções, depressão, anedonia, medicamentos e drogas (álcool, tranqüilizantes, anti-hipertensivos, maconha, anfetaminas, cocaína e craque), dispareunia e algumas debilidades físicas, entre outros.

Fatores psicossociais: forma de criação, repressão e influências culturais negativas, dificuldade de concentração nas sensações eróticas fazendo com que a atividade sexual pareça sem graça e desagradável, bloqueios emocionais, falta de investimento na relação, imaturidade emocional e sexual, dificuldades no relacionamento com o (a) parceiro (a), raivas entre o casal, ressentimentos e mágoas, sentimentos de não realização pessoal, presença de disfunção sexual no parceiro, frustrações profissionais, dificuldade em conciliar a maternidade com os outros papéis, situações traumáticas de abuso sexual ou estupro, tabu sobre sexualidade, falta de intimidade com o corpo e com o parceiro, traumas, medos e culpas, mensagens anti-sexuais durante a infância, baixa de auto-estima, avaliação negativa do parceiro, decepção e incompreensão, religião, valorização dos aspectos negativos da sexualidade, estresse, depressão e ansiedade, temor de alguma represália pelo ato sexual, da intimidade, de obter um prazer "proibido e pecaminoso", do compromisso ou gravidez, parceiro ou atividade sexual insatisfatórios, rotina sexual, valores negativos relacionados a sexualidade, excesso de preocupações com a vida em geral e em proporcionar prazer a(o) companheira(a), vergonha, constrangimento e frustração, práticas sexuais pouco ou nada gratificantes, cansaço físico e/ou mental, falta de diálogo entre o casal, dificuldades com o cotidiano, entre outros.

Tratamento

É crescente o número que procura ajuda por sentirem desmotivação sexual. Procuram por terapeutas sexuais, ginecologistas e até mesmo por amigas, mas raramente falam sobre tal assunto com o parceiro por se sentirem insegurança na estabilidade de seus relacionamentos. Essa é uma das disfunções mais difíceis de se tratar, já que em regra a disfunção já acompanha o indivíduo por anos. Talvez por preconceito ou mesmo vergonha, quando procuraram por ajuda geralmente já encontram-se bem abaladas, com um relacionamento desgastado pelas brigas e desconfianças (é bem comum o parceiro acreditar que está sendo traído) e desentendimentos.

No tratamento, o enfoque principal é a disfunção, devendo-se fazer uma leitura do conflito, a fim de saber se existe alguma dificuldade emocional ou psicológica, ou se o problema é físico. Porém, o trabalho além do desaparecimento do sintoma, tende favorecer condições para a reestruturação nas múltiplas facetas da vida: envolve o tratamento de doenças envolvidas, a substituição de medicações que possam estar interferindo na resposta sexual e algumas vezes, a correção das alterações hormonais. O objetivo é deparar com as causas contribuintes de tal queixa e para tanto existem três caminhos a serem traçados: atender individualmente a mulher que apresenta tais questões ou fazer uma terapia de casal, ou, ainda, o conjunto dos dois processos.

O atendimento individual objetiva criar condições para ampliar o autoconhecimento buscando identificar como a mulher está construindo tal quadro, o que tem aprendido com ele, o que ele tem a contar sobre ela mesma e sobre a sua forma de funcionar na relação e com o meio. É na terapia, portanto, que se revêem falsos conceitos e se fornece orientação, possibilitando novas perspectivas. A mulher provavelmente poderá entender melhor as suas limitações, conhecendo uma nova expectativa ao aprender a se relacionar no meio em que vive de um modo mais satisfatório e ajustado.

A terapia de casal, objetiva facilitar a comunicação do mesmo e busca-se aprender sobre o funcionamento da relação. Como esse casal está se distanciando e para que. Em muitos casos, a relação está tão pobre, que a relação sexual passa a ser uma obrigação e dessa forma ela não vai ser capaz de gerar prazer.

A sexualidade e a forma que a mulher se relaciona com ela é produto de eventos que, aparentemente, nada têm a ver com sexo. A sexualidade humana vai além do ato sexual. Ela engloba outras atividades como fantasias, masturbação e pensamentos eróticos. Assim, a superação de um quadro como esse leva ao aprendizado e ao autoconhecimento, provocando transformações além da sexualidade.

O tratamento de qualquer disfunção sexual deve ser acompanhado por um profissional que possua conhecimentos dos mecanismos da resposta sexual, assim como os seus estágios.

 


 

MACONHA - INFLUÊNCIA NA SEXUALIDADE

MACONHA - INFLUÊNCIA NA SEXUALIDADE

Produto polêmico e de consumo popular, a maconha é a droga ilícita mais usada no mundo, inclusive por pessoas sexualmente ativas, que não estão cientes dos efeitos não só na saúde como no desempenho sexual. Fato é que qualquer droga, sintética ou natural, influencia no funcionamento do organismo de quem as ingere, assim precisamos compreender os efeitos a longo prazo da utilização da maconha.

Entre acusadores e defensores, os usuários da erva relatam que ela é capaz de aliviar a tensão, deixando o corpo mais relaxado, efeito das drogas depressoras do sistema nervoso central. Há quem pense que a maconha é capaz de estimular a atividade e energia sexual, por conta da sensação relatada por alguns usuários de embotamento, ou seja, a instrospeção que permitiria um contato com as próprias sensações de forma mais apurada. Mas, a erva não é afrodisíaca. Ela pode provocar a letargia e a diminuição de atividade em alguns receptores do cérebro, ocassionando, dessa forma, a diminuição da percepção. Com os reflexos prejudicados, assim como a percecpção de espaço e tempo, muito se perde da qualidade da relação sexual.

A maconha também afeta certos receptores presentes no pênis, tendo assim um efeito inibitório sobre a musculatura lisa tornando mais difícil não só alcançar como manter a ereção. E os estudos sobre saúde sexual e maconha, que começaram desde a década de 70, revelam que os homens usuários podem, futuramente, apresentar um quadro de difunção sexual.

Há muitas críticas que cercam tais estudos pois, é preciso lembrar, que o próprio efeito da droga é capaz de distorcer a percepção , ficando assim comprometida as pesquisas baseadas, por exemplo, em questionários. É preciso que resultados de pesquisas científicas sejam divulgados para que campanhas de conscientização possam ser feitas, mudando o atual entendimento da dimensão do impacto do uso da maconha sobre a saúde sexual.

Além dos fatores já apresentados, pelo efeito acumulativo da droga, as pessoas que fazem uso de tal droga acabam por sofrer uma diminuição da produção da testosterona e de espermatozóides, além da qualidade destes. Seu uso prolongado pode causar a azoospernia, ou seja, esterilidade. Nas mulheres, os ovários são prejudicados assim como são atingido, nos homens, os testículos, alterando o metabolismo do ADN nas células dos embriões, causando, assim, prejuízos genéticos. O cérebro também sofre alterações como a destruição progressiva dos centros de memória, atenção, raciocínio e cognitividade.

 


 

MASTURBAÇÃO

 

Preconceitos X Saúde Sexual

Define-se masturbação como a autogratificação sexual e esta não está associada exclusivamente ao estímulo dos genitais como a maioria das pessoas acredita. Em uma criança de um ano, por exemplo, a autogratificação está na satisfação oral. Ou seja, a automanipulação é feita colocando-se objetos ou partes do corpo na boca (masturbação rudimentar).

A masturbação é um comportamento absolutamente normal e em qualquer idade pode estar presente. As fantasias vinculadas a ela e o ato em si são fontes de culpa universais. É muito importante que os pais possam permitir esse comportamento em seus filhos, oferecendo a privacidade necessária a eles, evitando que suas próprias vergonhas e repressões afetem o início da vida sexual de suas crianças.

Já na primeira infância, de 1 a 3 anos de idade, pode-se observar ereções penianas ao toque ou durante o sono do bebê. Por volta dos 3 ou 4 anos de idade, a criança passa a manipular de forma direta os genitais. Acontece de forma disfarçada nos brinquedos com os adultos, como aviãozinho ou cavalinho. Mais tarde, na puberdade e adolescência, técnicas de roçar o pênis e o clitóris vão sendo aprendidas e especializadas de acordo com as preferências. É necessário enfatizar que a masturbação é um prelúdio essencial para a realização sexual de um adulto. Estes aprendem a obter orgasmo um na companhia do outro com o coito propriamente dito, mas geralmente mantêm a atividade masturbatória como um acessório à vida sexual, um regulador do próprio desejo sexual. Nos idosos a masturbação é comum e saudável.

A masturbação geralmente é acompanhada de fantasias que podem variar largamente em assunto, intensidade e nos participantes. Em sua origem, as fantasias são uma simulação do que a criança acredita que ocorre entre os pais a portas fechadas. A agressividade pode estar envolvida nessas fantasias, como por exemplo, situações de espancamento. A submissão à agressão sofrida na fantasia pode ser vista e sentida como passividade feminina à figura do pai. A satisfação sexual é a de união e aceitação com estes pais.

Mas como acontece com as outras funções fisiológicas como o hábito de se alimentar, o de urinar e de evacuar, a aprendizagem sexual também é sujeita às normas sociais, sendo a masturbação até mesmo inibida, de acordo com a cultura em que a pessoa foi criada. As fantasias e atitudes sexuais das mulheres, principalmente, são muito freqüentemente inibidas como proteção à iniciação sexual precoce e à gravidez indesejada.

Recomendações
 

Evite chamar a atenção de forma agressiva ou punir a criança em atividade masturbatória. Recomende a ela que o faça em privado, já que é parte de sua individualidade. As perguntas dela devem ser respondidas de forma simples e somente ligadas à sua dúvida. Não queira dar grandes explicações, tampouco minta sobre sexo.
Respeite a crença religiosa das pessoas, mas saiba que a masturbação já foi considerada pecado religioso no que tange a desperdício de sêmen (esperma). Na religião, o ato sexual deveria sempre visar a reprodução, a geração de mais filhos.
Evite propagação de mitos como os que dizem que quem se masturba fica louco, epiléptico, esquizofrênico e com um anormal crescimento de pêlos nas mãos. Também o sexo não gasta! Muitas pessoas acreditam que o número de orgasmos, a longo prazo, é diminuído se a pessoa o desperdiça em automanipulação. Não é verdade, absolutamente. Claro que em um mesmo momento, os orgasmos repetidos levarão à saciedade do desejo sexual momentaneamente. Mas passado algum tempo (o que varia de pessoa para pessoa ou de acordo com a idade) o desejo sexual retorna e incita uma nova procura por sexo.

 

 


 

MITOS E TABUS SEXUAIS

 

MASTURBAÇÃO É DOENÇA E UM PECADO?

A masturbação é um comportamento absolutamente normal e pode estar presente em qualquer idade. As fantasias vinculadas a ela e o ato em si são fontes de culpa universais. É muito importante que os pais possam permitir esse comportamento em seus filhos, oferecendo a privacidade necessária a eles, evitando que suas próprias vergonhas e repressões afetem o início da vida sexual de suas crianças.

Evite propagação de mitos como os que dizem que quem se masturba fica louco, epiléptico, esquizofrênico e com um anormal crescimento de pêlos nas mãos.

É necessário enfatizar que a masturbação é um ensaio essencial para a realização sexual de um adulto.

Deve-se sempre respeitar a crença religiosa das pessoas, mas também saber que a masturbação já foi considerada pecado religioso no que tange ao desperdício de sêmen (esperma). Na religião, o ato sexual deveria sempre visar a reprodução, a geração de mais filhos.

O SEXO É SUJO?

Não há sujeira alguma nas secreções vaginais. Normalmente, o muco presente na vagina é responsável pela lubrificação para a atividade sexual não ser dolorosa (devido ao atrito do pênis) e pela manutenção da flora vaginal saudável. Ele é produzido de forma similar à saliva da boca. Somente em condições de infecções (vulvovaginites) podemos observar mal cheiro, sintomas de ardência e coceira na região. Para o sêmen a situação é a mesma. Este é composto por secreções que ajudam a lubrificação e o deslocamento dos espermatozóides. Em condições normais, não há infecções (germens).

Pelo fato de o sistema urológico (sistema para eliminar a urina) estar próximo anatomicamente ao sistema genital, há uma certa confusão. Na mulher, existe um orifício por onde sai a urina que se chama orifício uretral. A urina não sai pela vagina. São dois orifícios diferentes. No homem, tanto a urina quanto o esperma saem pelo mesmo orifício uretral localizado na cabeça do pênis. A urina, em boas condições de saúde, não apresenta infecções e mau cheiro.

SEXO É DESGASTANTE?

Algumas pessoas acreditam que quanto mais se faz sexo, menos sexo vai sobrar para as relações futuras. Mas o sexo não gasta não! O que ocorre é que há uma variação na freqüência sexual de acordo com a idade da pessoa. O hormônio responsável pelo desejo sexual é a testosterona. Essa substância diminui um pouco em sua produção com o passar dos anos, além de o próprio corpo ficar mais fatigado com a idade. Então não deve existir preocupação com o numero de ejaculações ou orgasmos na juventude. Isso não vai privá-lo de sexo após os 40, com certeza.

O HOMEM SEMPRE DEVE ESTAR APTO E PRONTO PARA O SEXO?

Existe uma cobrança e uma exigência social que impõe ao homem uma postura de urgência ao sexo. Ele sempre deve "estar a fim" (no sentido de obrigação mesmo). Não será uma carga muito grande sobre os ombros dele? A verdade é que isso também é um mito. O homem nem sempre está disponível para o sexo. Existe uma tendência conforme a idade e as características individuais de cada um. Normalmente o jovem tem maior disposição ao sexo. Tem mais apoio social para procurar alívio sexual que a jovem mulher. Na puberdade, apresenta maior freqüência de atividade sexual e de masturbação quando comparado á mulher de mesma idade. Tem o período refratário curto (vide Ciclo da Resposta Sexual Humana) e ansiedade constante em ejacular. No homem mais velho, o período refratário aumenta, tal como a saciedade (satisfação sexual plena após atividade sexual). Cedo pela manhã, devido a um específico estágio do sono, há maior tendência de se ter ereções (as chamadas "ereções do mijo"). Mas ao longo do dia, a vontade sexo pode variar e até pode ser absolutamente normal um homem não apresentar desejo sexual algum. Só surge problema quando ele encuca

 


 

MUDANÇAS NATURAIS DO SEXO NA IDADE MADURA

 

E Sexo Existe Após os 65?

Pela Organização Mundial de Saúde (OMS), 3a Idade começa a partir dos 65 anos de idade. Várias transformações vão sendo sofridas pelo corpo, acompanhadas de um amadurecimento emocional, de acordo com as potencialidades individuais de cada um. A vida sexual, como já era de se esperar, também sofre algumas alterações, tal como a sua expressão fisiológica. Mas ela de fato existe até os últimos dias de uma pessoa!

Para compreendermos o que muda com a idade, revisemos rapidamente o Ciclo da Resposta Sexual Humana. Na década de 60, alguns pesquisadores como Masters e Johnson estudaram as modificações corporais durante o ato sexual. Denominaram Ciclo da Resposta Sexual Humana o conjunto de alterações fisiológicas que ocorre durante a atividade sexual. Helen Singer Kaplan, uma psiquiatra que estudou largamente a motivação sexual, complementou esse conceito (Excitação e Orgasmo) com a fase inicial denominada Desejo.

Ciclo da Resposta Sexual

Ciclo da Resposta Sexual Humana

Desejo

O Desejo é a 1a Fase Sexual, onde os instintos são estimulados e os apetites crescem. O desejo e a sensualidade são experiências subjetivas que incitam a pessoa a buscar atividade sexual. Em termos cerebrais, há mensagens neurofisiológicas que motivam a busca por sexo. Esses sinais neurológicos ainda não foram bem explicados, mas já se fala em uma espécie de Centro de Desejo Sexual no Cérebro, que seria constituído principalmente por uma pequena região cerebral denominada Claustro.

Existem muitas falácias em relação ao fim do desejo sexual quando um homem envelhece. É uma questão muito mais cultural que biológica. Observa-se, na verdade, uma diminuição da freqüência de sexo já a partir dos 40 anos de idade, quando há baixa de um hormônio denominado Testosterona, responsável pelo apetite sexual. No homem, o estímulo visual é de extrema importância para iniciar e manter o desejo sexual. No entanto, com o avançar da idade, ele precisa ser tocado para provocar o seu desejo. Muitas vezes se beneficia introduzindo o pênis flácido na entrada da vagina como estímulo inicial.

Na mulher, com a chegada da menopausa, também se pode constatar muito mais peso cultural que biológico. Algumas mulheres que se sentiram obrigadas a manter relações sexuais por toda uma vida, justificam a perda da função sexual com o fim da menstruação. Usam a menopausa como escudo para não precisarem mais "servir" seus parceiros sem obtenção alguma de prazer. Já outras mulheres experimentam uma melhora da vida sexual com a parada do ciclo menstrual, pois não precisam mais temer a gravidez indesejada e geralmente não têm mais filhos pequenos que atrapalhem o sono ou que ocupem muito sua atenção ao longo do dia.

Excitação

A Excitação é a 2a Fase do Ciclo Sexual. Ela ocorre quando o corpo passa a responder fisiologicamente frente aos estímulos que dispararam o desejo sexual. Ou seja, a excitação é a resposta do corpo ao desejo. No homem, a excitação é demarcada pela ereção (quando o pênis fica rijo); na mulher, pela lubrificação vaginal.

Nos homens, com o passar da idade, o estímulo táctil torna-se praticamente indispensável para a obtenção da ereção. Também o tempo de ejaculação fica mais prolongado, possibilitando maior prazer para a parceira. A impotência pode surgir parcialmente ou totalmente por motivos emocionais ou mesmo orgânicos, como algumas doenças ou por efeito colateral de algumas medicações. A posição para o coito deve ser repensada, evitando-se muito esforço que gera fatiga e perda de ereção. Vários tratamentos para a disfunção erétil já estão à disposição no mercado.

Com a perda de produção de alguns hormônios na menopausa, a mulher fica com menos lubrificação vaginal, devendo ter maior cuidado durante o ato sexual. Quando a vagina fica seca, o atrito do pênis pode machucá-la, como também ao seu parceiro, além de poder provocar algumas infecções (vulvovaginites). O uso de cremes lubrificantes é aconselhável, bem como a possibilidade de reposição hormonal. Um outro fenômeno que ocorre é a perda de gordura localizada nos grandes lábios, fazendo com que a vagina diminua de tamanho e esteja mais propensa a sofrer dor no coito. A fantasia deve ser muito utilizada para despertar maior prazer no ato.

Orgasmo

O Orgasmo é a última Fase do Ciclo da Resposta Sexual. O orgasmo, o êxtase, o gozo ou ápice de prazer é atingido quando ocorre a liberação total das tensões antes retidas, acompanhada de uma contração muscular rítmica. Nos homens observa-se a ejaculação. No idoso, há uma diminuição da força de ejeção do líquido seminal e também do seu volume. No entanto, não há alteração da sensação subjetiva de profundo prazer. Nas mulheres, devido à diminuição da capa de gordura, há maior contato com as terminações nervosas que levam ao prazer, podendo haver maior sensibilidade no gozo.

Período Refratário

Após o orgasmo, o homem tem o que se chama de Período Refratário, fenômeno este que não ocorre nas mulheres. É um tempo de relaxamento necessário para que ele possa reiniciar novamente a atividade sexual. Em geral, esse período aumenta bastante no idoso, podendo variar de horas, a um dia ou mais.

 

 

 

O ESTUDO DA SEXUALIDADE HUMANA

 

Breve Relato

A curiosidade sobre a sexualidade e os sentimentos que ela desperta sempre esteve presente ao longo da história da humanidade. Várias obras de arte da antigüidade, ou mesmo desenhos pré-históricos retratam o corpo humano com ênfase nos órgão genitais (masculinos principalmente).

O pênis já foi idolatrado como o símbolo de fertilidade, de poder e de liderança pelas mais diversas culturas do globo terrestre e ainda tem vital importância na atualidade.

O ESTUDO DA SEXUALIDADE HUMANA Deus Eros

Referências sobre o estudo do amor e do apetite sexual podem ser encontradas desde a Idade Antiga, nos escritos do filósofo Platão. Ele identificava o deus Eros como o deus do amor e dos apetites sexuais, deus do instinto básico da vida, responsável pela atração entre os corpos. Era a força vital que impulsionava a vida.

Freud referiu-se a esse mesmo deus Eros de Platão como a Libido, força vital de amor.

Pesquisadores e Estudiosos

Dr. Sigmund Freud, pai da psicanálise, nasceu em 1856, vivendo até 1939. Fez grandes contribuições ao estudo da sexualidade humana, descrevendo seu desenvolvimento desde a infância. Foi o primeiro pesquisador a ousar dizer que as crianças eram dotadas de sexualidade desde o início da vida, que se automanipulavam em busca de prazer (prazer inicialmente oral, depois anal e finalmente genital). O estudo da sexualidade e de seus diferentes aspectos desenvolvimentais e clínicos passou a ter relevância a partir de seu trabalho intitulado "Três Ensaios Sobre a Teoria Da Sexualidade". Desde então, uma série de estudiosos, pensadores e cientistas passou a buscar mais conhecimento a respeito desse complexo fenômeno biopsicossocial, tanto com referenciais psicanalíticos, quanto comportamentais e biológicos.

Charles Darwin, naturalista do século XIX, propôs uma descendência remota única entre as espécies, colocando-nos na mesma linhagem dos macacos. Propôs a seleção natural e a seleção sexual como responsáveis pela evolução das espécies.

Masters e Johnson (1954), dois pesquisadores americanos que esclareceram diversos aspectos da fisiologia da resposta sexual humana, foram um marco para a compreensão da função sexual. Através de um grande laboratório humano, descreveram o Ciclo da Resposta Sexual Humana em quatro diferentes fases, a saber: excitação, platô, orgasmo e resolução. Propuseram uma abordagem terapêutica cognitivo-comportamental para os Transtornos Sexuais.

Na década de 80 do século passado, Helen S. Kaplan, uma psicanalista também americana, acrescentou a fase do desejo sexual a esse ciclo, estabelecendo uma abordagem terapêutica nova e mais aprofundada para as disfunções sexuais: tratamentos psicodinâmico focal e cognitivo-comportamental combinados. Propôs a existência de um hipotético centro regulador do desejo sexual, envolvendo mecanismos neurobiológicos no núcleo hipotalâmico, no sistema límbico e em outros circuitos neurais, que estaria alterado nos transtornos dessa fase. Hoje em dia, acredita-se que este centro regulador esteja em uma região do cérebro chamada Claustro.

Colaborações da Farmacologia

O avanço na farmacologia clínica também trouxe colaborações fundamentais para o conhecimento da neurofisiologia sexual. Algumas drogas com efeitos serotoninérgicos, como a classe dos inibidores seletivos da recaptação da serotonina, determinam diminuição ou supressão total do desejo, propiciando novas linhas de pesquisa na busca da associação desse neurotransmissor com a modulação do apetite sexual. Sabe-se que também atua de forma crucial para a solicitação e aceitação de parceiros sexuais. A dopamina foi apontada como essencial para o desejo sexual.

Estudos Experimentais

Estudos experimentais com animais foram sobremaneira importantes na investigação tanto da motivação sexual quanto do comportamento de escolha de parceiros. Hormônios como a ocitocina e a vasopressina foram implicados na preferência sexual, na formação de vínculo, na diminuição de agressividade e no aumento de comportamento de proteção à prole. A ocitocina foi arrolada como o neurotransmissor do amor, do vínculo e da monogamia.

Outros estudos se focalizaram nas mensagens enviadas pelos pares e nas negociações entre eles para acasalamento (seleção), levando-se em conta não só o status de saúde biológica e reprodutiva (manifestações de uma genética resistente), como também a qualidade das mensagens enviadas.

Situação Atual

Hoje em dia, muitos caminhos estão sendo trilhados pelos pesquisadores enfocando diversos aspectos da sexualidade humana. O desafio está, acima de tudo, no reconhecimento de um saber primitivo que está oculto por detrás dessa função tão vital de nossa vida: uma sabedoria da natureza que determina para onde e como nossa espécie vai prosseguir no futuro.

 


 

ORGASMOS MÚLTIPLOS ORGASMOS MÚLTIPLOS

 

Ciclo da resposta sexual humana

Na década de 60, dois pesquisadores americanos, Masters e Johnson, montaram um laboratório onde se podia pesquisar cientificamente as modificações corporais durante o ato sexual humano. Denominaram Ciclo da Resposta Sexual Humana a esse conjunto de alterações fisiológicas, o qual era constituído por 4 fases distintas. Mais tarde, a psiquiatra Helen S. Kaplan reorganizou esse conceito, identificando mais uma fase, a do desejo. O Ciclo foi então definido tendo três fases distintas: o desejo, a excitação e o orgasmo. Ciclo da Resposta Sexual Humana

Ciclo da Resposta Sexual Humana

Desejo

Essa é a 1a Fase Sexual, onde os instintos são estimulados e os apetites crescem. O desejo e a sensualidade são experiências subjetivas que incitam a pessoa a buscar atividade sexual. Em termos cerebrais, há mensagens neurofisiológicas que motivam a busca por sexo. Esses sinais neurológicos ainda não foram bem explicados, mas já se fala em uma espécie de Centro de Desejo Sexual no Cérebro, que seria constituído principalmente por uma pequena região cerebral denominada Claustro. Nos homens, o estímulo visual é de extrema importância para iniciar e manter o desejo sexual.

Excitação

A 2a Fase do Ciclo Sexual ocorre quando o corpo passa a responder fisiologicamente frente aos estímulos que dispararam o desejo sexual. Ou seja, a excitação é a resposta do corpo ao desejo. No homem, a excitação é demarcada pela ereção (quando o pênis fica rijo), na mulher, pela lubrificação vaginal. Duas alterações fisiológicas são as principais protagonistas nesse jogo. A congestão vascular, que é o aumento da quantidade de sangue superficial e/ou profunda acumulada em alguns órgãos do aparelho genital e extra genital, e a miotonia, que é a crescente e involuntária contração de fibras musculares.

Orgasmo

Esta é a última Fase do Ciclo da Resposta Sexual. O orgasmo, o êxtase, o gozo ou ápice de prazer é atingido quando ocorre a liberação total das tensões antes retidas, acompanhada de uma contração muscular rítmica. Nos homens observa-se a ejaculação. Acompanha-se de todo esse processo, a sensação subjetiva de profundo prazer.

Após o orgasmo, o homem tem o que se chama de Período Refratário, fenômeno este não identificado nas mulheres. É um tempo de relaxamento necessário para que ele possa reiniciar novamente a atividade sexual. Nos jovens esse período pode ser de segundos, nos mais velhos, de horas a dias.

Orgasmos Múltiplos

Definem-se Orgasmos Múltiplos aqueles picos orgasmos (de prazer) que ocorrem em seqüência, um imediatamente após o outro sem interrupção alguma. Logo, os orgasmos múltiplos não ocorrem nos homens, pois estes apresentam o período refratário, que é um impedimento fisiológico. Mesmo nas mulheres, não é um fenômeno muito freqüente.

O orgasmo feminino é muito complexo e não apresenta somente um padrão. Pode ocorrer um único e intenso orgasmo, vários orgasmos de menor intensidade ou uma união dessas duas variações. É também comum a mulher confundir a sensação prazeirosa após o coito como se estivesse experimentando novos orgasmos. Para o homem é difícil detectar se sua parceira teve vários orgasmos, principalmente se estes últimos não foram tão intensos. Por vezes percebem o orgasmo feminino pelo súbito aumento de contrações da vagina pressionando o próprio pênis. Em outras ocasiões, podem ser vítimas de um comportamento não recomendável por parte das mulheres que é a simulação do prazer. Parceiras que simulam o orgasmo tendem apenas a trazer complicações ao ajuste sexual do casal.

Os Múltiplos Orgasmos não são a regra geral e não definem por si só se a mulher tem mais, ou não, prazer quando comparada a outras com um único orgasmo. Também não se sabe se há alguma predisposição biológica ou emocional a apresentar tal tipo de resposta sexual. O mito diz que a mulher multiorgásmica é mais fogosa e pode dar maior prazer ao homem, mas não há nenhuma evidência que comprove tal teoria, até porque muitas simulam o prazer sem a percepção do parceiro. O maior prazer do homem frente as supostas mulheres multiorgásmicas está, em grande parte, associado a fantasias de ele próprio ser um "super macho" capaz de levar a mulher às alturas no domínio do prazer.

 


 

Baixo Desejo Sexual

 

Várias conjecturas já foram feitas para tentar explicar o baixo desejo sexual.

Algumas delas, na esfera social, levantam discussões sobre a superpopulação mundial, em que a forma da natureza diminuir e controlar a natalidade (número de nascimentos) seria suprimir o interesse sexual.

Conjecturas do ponto de vista orgânico procuram responsabilizar o balanço alterado de algumas substâncias cerebrais pela diminuição da motivação sexual, ou mesmo, culpar algum defeito físico ou alguma doença pelo desinteresse.

Já a perspectiva psíquica aborda traumas e inibições sofridas, muitas vezes, em tenra idade.

A questão é que hoje, na atual forma da medicina ver os transtornos e as doenças em geral, o que determina os nossos males é uma rede intrincada de fatores. Na grande maioria das vezes, estes fatores agem conjuntamente, reforçando-se mutuamente.

Dessa forma, ao se falar em Transtornos do Desejo Sexual, estamos discutindo uma série de causas diferentes, mas com uma forma de apresentação clínica que pode variar apenas entre dois quadros distintos: O Desejo Sexual Hipoativo e a Aversão Sexual.

Aversão sexual

A aversão sexual ou evitação fóbica nada mais é do que o sofrimento causado pela premente necessidade de evitação de oportunidades e de encontros sexuais com parceiros, devido a sensações de desagrado, de medo, de "nojo", de repulsa e de perigo iminente.

Por vezes, a razão da repulsa são as secreções genitais; em outros casos, o simples pensar em sexo, o toque ou o beijo já é evitado com angústia. Também podem aparecer sinais de pânico, como náuseas, suor excessivo e falta de ar quando a pessoa tenta enfrentar esse medo, aproximando-se de seu parceiro.

Desejo sexual hipoativo

O desejo sexual hipoativo é a diminuição ou ausência total de fantasias e de desejo de ter atividade sexual. Simplesmente, a pessoa sente que tanto faz ter sexo ou não, pois não faz falta para si. Há um grande sofrimento por sentir essa desmotivação e pelos problemas que causa a um casal.

O que causa o baixo desejo sexual

Sempre devemos observar se há alguma causa orgânica determinando a baixa do desejo ou a aversão, como, por exemplo, os desequilíbrios hormonais, os nódulos, infecções nos genitais ou o uso de algumas medicações que têm, como efeito colateral, a diminuição do apetite sexual.

Algumas doenças psiquiátricas, como a depressão, podem também suprimir a motivação por sexo.

As causas psicológicas mais profundas são:
 

situações traumáticas de abuso sexual,
mensagens anti-sexuais durante a infância,
comportamento sedutor por parte dos pais,
dificuldade em unir amor com sexo na mesma pessoa (esposa X prostituta),
culpas,
raivas entre o casal,
competição temida com o pai ou mãe, entre outros.

Existe cura para os transtornos do desejo sexual?

Os problemas de desejo são bastante desgastantes, pois acabam afetando toda a motivação de vida de uma pessoa e também de seu cônjuge ou parceiro.

Entretanto, existe tratamento.

É recomendável procurar um psiquiatra especializado em sexualidade humana para fazer uma avaliação. Em primeiro lugar, será necessário examinar se seu problema não é orgânico.

Depois, uma revisão será feita para ver se existe alguma medicação que possa ser usada para aliviar os sintomas, visto que, em alguns casos de aversão, por exemplo, certas medicações podem ajudar muito.

Geralmente, alguma forma de psicoterapia é indicada. Pode ser:
 

a Cognitivo-Comportamental (tarefas),
a Nova Terapia Sexual (combina tarefas com terapia focal) e
a Psicoterapia de Orientação Analítica (mais utilizada para elaboração de traumas mais profundos).

A terapia pode ser tanto individual quanto de casal.

 


 

PÊNIS

 

Órgão sexual masculino que atua na reprodução e na excreção. Com as transformações hormonais iniciadas na puberdade, a maturação peniana se completa por volta dos 18 anos.

A veneração do pênis como símbolo do poder é antiga e ainda assim ininterruptamente atualizada. Sua imagem foi usada durante a Antiguidade pelos egípcios, romanos e gregos, como uma forma de demonstrar as forças produtoras e fecundas do Universo. O órgão sexual masculino aparecia estampado artisticamente, sem conotação erótica: sua função era simbolizar as virtudes masculinas.

O caráter sexual somente foi revelado em torno do século 2 a.C., passando a ser utilizado como arma de sedução. Com o crescimento da influência cristã, o pênis foi visto como vergonhoso. Não é demais lembrar que o próprio Cristo foi gerado sem a sua participação. Até o século XV, o pênis só deveria ser utilizado como meio de reprodução, caso contrário o infrator estaria cometendo um grave pecado. Foi assim que homens com problemas de ereção foram considerados desviados morais e, alguns, resolviam o problema, castrando-os. É interessante notar que a castração foi adotada e, ainda é, como forma de punição, mas também de valorização da espécie. Ainda hoje homens são castrados ainda na infância, para serem usados como escravos, tornarem-se homens de confiança ou mesmo por motivos religiosos.

Sabemos que o pênis é estudado antes do nascimento. Cientistas já puderam demonstrar que a partir do 7º mês de gestação, o feto tem constantes ereções de duração extensa. Mas é somente durante a puberdade com as revoluções hormonais que ocorre a maturação peniana, fase também que todas as características sexuais e órgãos reprodutores dão início ao seu desenvolvimento.

O pênis cresce até mais ou menos por volta dos 18 anos de idade, quando alcança o formato e diâmetro que vai exibir durante sua vida. Ele é o órgão sexual masculino, que atua na reprodução e na excreção, de formato cilíndrico e formado por dois tipos de tecidos: dois corpos cavernosos, na parte superior, um ao lado do outro, de estrutura oca que recebem o sangue responsável por permitir a ereção, e um corpo esponjoso, situado na parte inferior do pênis que protege e envolve a uretra. O pênis em função excretora permanece flácido, ficando ereto na função reprodutora.

Na extremidade do pênis encontra-se a glande, ou cabeça, revestida pela mesma pele dos mamilos e lábios, que por ser extremamente enervada, torna-se um local de extrema sensibilidade. Nela visualizamos a abertura da uretra, canal que tem a função de expelir a urina e eliminar o líquido da ejaculação, sendo que durante a ereção os músculos localizados na entrada da bexiga são contraídos para que urina e sêmen não se misturem.

Pelo fato da glande ser um local muito sensível, fora da ereção, ela é protegida por uma pele chamada prepúcio que deve ser puxado e higienizado a fim de retirar o esmegma, uma secreção sebácea espessa e esbranquiçada, com forte odor, que consiste principalmente em células epiteliais descamadas que se acumulam.

Quando a glande não consegue ser exposta devido ao estreitamento do prepúcio, diz-se que a pessoa tem fimose e neste caso recomenda-se que um médico seja consultado a fim de se avaliar a necessidade de uma cirurgia.

 


 

PRELIMINARES

 

Quando se fala em sexo, não se deve pensar somente nos órgãos sexuais. Nosso corpo possui milhares de pontos ou zonas erógenas que, por meio do toque e da troca de carícias, estimulam o prazer. Muitos casais conhecem o poder das preliminares e se sentem satisfeitos somente com elas. Para alguns, a sensação é bem mais agradável nessa etapa do que no sexo em si. Ainda assim, muitos homens atuam no modo econômico no momento do aquecimento sexual, não o vendo como uma parte do sexo, mas algo sem valor, visando aquilo que interessa – a penetração - abreviando, dessa forma, a relação sexual, numa manifestação puramente genital. É sabido que homens e mulheres encaram de forma bem diferente o momento que vem antes da penetração. Enquanto eles focalizam suas zonas erógenas em seu aparelho genital, elas têm como característica precisar de mais tempo dedicado às preliminares. Muitas chegam a considerar seus parceiros egoístas, sentindo-se como objetos sexuais por não conhecerem a importância da preliminar para aumentar e intensificar a excitação sexual.

Fato é que a sexualidade não precisa ser resumida ao encontro dos genitais. O antes e o depois é tão importante quanto o durante, pois é através das preliminares que o corpo se prepara para o ato em si. Elas são desencadeadoras da resposta sexual, permitindo assim que a excitação aumente, ocorrendo alterações fisiológicas, tanto nas mulheres quanto nos homens. Neles, o pênis se enche de sangue e nelas ocorre tanto a lubrificação como o alongamento da vagina para que o pênis possa ser recebido sem qualquer tipo incômodo.

Assim, é preciso que tenhamos em mente que as preliminares são capazes de desencadear o desejo. A troca de carícias gera um aumento da excitação que, por sua vez, aumenta o prazer sexual, tornando o sexo muito mais intenso, ou seja, o que acontece antes influencia no prazer durante e após. Por conta disso, as preliminares são capazes de colocar os dois na mesma sintonia, não fazendo do sexo um ato mecânico e solitário, enquanto a sua falta pode deixar a resposta sexual inibida, e levar a disfunções sexuais.

Já foi dito que alguns homens têm uma necessidade sexual específica, com sua concentração presa ao orgasmo. Somado a isso, algumas mulheres ainda não sabem como pedir que valorizem suas necessidades. Não é de hoje que sabemos que elas desejam que o sexo não seja focado só no ato, o que pode ser uma boa experiência para que o casal aprenda a aumentar seu contato com o prazer. A atenção, o amor e o respeito por si e pelo outro são fundamentais para o sexo prazeroso. Além do homem e da mulher, o relacionamento pode se beneficiar muito com as preliminares. Cabe ao parceiro insatisfeito conversar sobre onde quer ser tocado, como gosta e o que espera do sexo, o que demanda um autoconhecimento de necessidades e desejos, além do conhecimento dos processos fisiológicos durante a excitação e obtenção de prazer.

Vale ressaltar que o sexo é uma continuidade da sexualidade que o casal se permite exercer durante o dia-a-dia. Mas, o período que deve ser utilizado com as preliminares varia de casal para casal. Em geral, ser carinhoso e criativo já é um bom passo. É preciso ler as reações, pois, em alguns momentos, as preliminares podem até serem deixadas de lado. Ou seja, não há receita pronta para o que pode ser considerado um bom começo. É preciso sentir o clima, perceber o que se quer daquele momento e o que se busca naquele encontro. Muito mais do que dicas ‘especializadas’, o ingrediente fundamental é a espontaneidade, que ajuda na liberação da inibição e na disponibilidade da entrega.

 


 

ROTINA E SEXO

 

A rotina pode mas não necessariamente precisa ser fatal para o sexo. O conhecimento, o entrosamento e a cumplicidade, adquiridos ao longo dos anos, são capazes de gerar uma boa combinação. Por isso, proporcionar prazer pode ficar mais fácil, e a vergonha de falar sobre o assunto pode ser menor. Mas, e quando o amor aprofunda e o sexo não? É quando surge a acomodação e não se busca novas formas de dar e sentir prazer, um aspecto negativo da rotina. A relação sexual vai perdendo a qualidade do início, falta surpresa, interesse mútuo, carinho, tesão, admiração e criatividade. Rotina e Sexo

Sabe-se que o que mantém uma boa sexualidade é o seu exercício. Mas, são muitos os casais que se perdem na rotina e não alimentam a sexualidade. Assim, a falta de motivação para o sexo é uma queixa bem comum em relações longas de rotina morna. Sexo precisa ser entendido como o complemento da relação e não a causa dela. Se no início bastava um toque, com o passar do tempo é preciso mais para manter a chama acessa.

Porém, vale ressaltar que, embora mais serenas, as relações sexuais podem ser divertidas e prazerosas; entretanto, evitar a monotonia é algo que qualquer parceiro deve buscar. A sexualidade é do casal e, portanto, ambos precisam estar de olho e preocupados com a sua qualidade. Não pense que isso é um dever, mas um direito que todos têm.

Pensando nisso, algumas ideias:

1. Voltar no tempo: É preciso resgatar alguns comportamentos. Exercitem o beijo, a intimidade, os programas a dois. Recordem aquela época: O que faziam? Como se descobriam? Redescubra o que chamava atenção no outro e estimulem-se. Reservem um tempo para o romantismo e pesquise como ter boas relações.

2. Ficar fora:

A ideia é se desconectar do ambiente doméstico. Estresse e excesso de atividades atrapalham o tempo do casal. Tenham um momento reservado só para vocês sem que isso signifique determinar hora ou tempo da relação sexual.

3. Novos cenários ainda que a casa seja a mesma:

Descubra novos lugares além do quarto. Procure por novos estímulos, situações e formas de expressar suas fantasias. Use a criatividade e a imaginação a seu favor, mas varie aos poucos já que surpresas todos os dias perdem a graça. Use com moderação para não tornar um hábito, mesmo porque é inevitável que as repetições ocorram.

4. Escreva algo erótico:

Ler e escrever erotiza a relação. Mesmo que não esteja acompanhado da realidade, a ideia é sexualizar os pensamentos e ampliar a criatividade.

5. Pense em sexo:

O dia tem 24 horas. Então pense, não só faça sexo. Aproveite e também desligue uma das maiores concorrentes na sexualidade do casal: a televisão.

6. Bom de papo:

Casais consumidos pelo tédio perderam a comunicação verbal ou não verbal. Não abordar os problemas que incomodam cada um, leva a uma falta de intimidade e esse distanciamento, por sua vez, à insatisfação sexual. Fora isso, a insatisfação sexual leva a um posterior desinteresse. A falta de intimidade é capaz de criar uma enorme barreira para os dois, devido aos impasses ou bloqueios de se falar sobre certas questões. Assim conversem sobre vocês, até porque o que curtiam antes, pode não funcionar tanto agora. Aprenda a perdoar e resolva os ressentimentos fora da cama.

7. Ouse, desperte os sentidos e libere-se dos preconceitos:

Faça algo inesperado ou mesmo transgressor. Vale uma lingerie bacana ou uma massagem, por exemplo. O limite é dado pelo prazer de cada um. Permita-se buscar o seu, com critério. Liberte sua mente, seu corpo e você.

8. Espante a preguiça:

Por saber que o outro estará em casa amanhã, o sexo é deixado de lado. Assim, espera-se pelo momento ideal: quando estiver depilada, no final de semana, depois do jogo. Pode parecer um paradoxo,mas quanto mais tempo se tem, menos se gasta com o sexo.

9. Divida as tarefas:

O marido ajudando nas tarefas de casa, por exemplo, permitirá que a mulher se sinta menos cansada e tenha mais tempo para o relacionamento.

10. Visite seu médico:

Faça os exames e verifique o funcionamento do seu organismo. Não precisa um corpo escultural, mas bem cuidado. A autoestima é capaz de melhorar o seu desempenho e satisfação mas nada como saber que está tudo bem com a sua saúde para poder aproveitar a sexualidade de uma forma mais tranquila.

 


 

SADOMASOQUISMO

 

Alguns fazem do sadomasoquismo motivo de piada. Outros o têm como um estilo de vida. Com a divulgação crescente de tal prática, aumentou o interesse e o debate. Apesar disso, o tema ainda exprime uma carga pesada e pejorativa, trazendo embutida uma idéia de crueldade e violência.

Porém, é preciso reduzir os equívocos e pré-conceitos sobre esse assunto, tão polêmico, que já foi considerado por muito tempo como doença mental. Por conta disso, algumas pessoas sentem medo de aceitar essa realidade, e de se verem como anormais. Mas, a prática do sadomasoquismo é um reconhecimento daquilo que já existe na sexualidade dos praticantes, em que a linha entre prazer e dor é bem tênue.

O termo sadismo (obtenção do prazer pela idéia de domínio, imposição do sofrimento físico e moral alheio) é derivado do Marquês de Sade, escritor e filósofo francês, que dedicou sua obra aos assuntos sexuais brutais. Já, a expressão masoquismo (tendência oposta, pela qual se busca aobtenção do prazer, ao ser vítima do domínio, ou de atos de crueldade, de humilhação, de sofrimento físico ou moral) tem inspiração no nome Leopold von Sacher-Masoch, que baseou o seu trabalho em tal comportamento.

O sadomasoquismo é uma relação entre essas tendências opostas, que representa uma prática sexual, na qual a obtenção do prazer acontece pelo ato de infligir ou sofrer dor, humilhação (verbal ou moral), ou mesmo pela dominação psíquica. Porém, é mais do que exercer uma relação de poder, é um complemento do fetiche, com regras e códigos próprios em que, não necessariamente, é preciso que a mesma pessoa possua as duas tendências.

Os praticantes são divididos em mestres e escravos. Os primeiros ocupam o papel ativo, e dedicam-se a explorar a dor e o prazer de seu escravo que, por sua vez, deve proporcionar o máximo de prazer atráves de sua dor. Ou seja, o mestre é o dominador que comanda e impõe respeito, enquanto o escravo é o submisso que aceita as ordens de forma passiva. Um único mestre pode ter vários escravos, enquanto o escravo precisa ser fiel ao seu mestre. Há uma relação de confiança entre mestre e escravo, numa violência consentida em que se acordam o que será feito. Por isso, pode-se dizer que tal prática é segura, já que os riscos de acidentes diminuem com o uso de determinadas regras.

São várias as classificações dentro do sadomasoquismo que servem para determinar a forma e o grau. Leve ou pesado é algo muito subjetivo, assim como o julgamento do que é certo ou errado. É preciso deixar claro que a forma de alcançar o prazer só pode ser definida pelos envolvidos, e tudo o que se pretende fazer é um consenso; caso contrário, seria caracterizado um abuso. Chicote, roupas de couro e máscaras são usados como acessórios. Coleiras e correntes também podem ser usadas, assim como aparelhos de tortura. Mas, é preciso separar a crueldade pura e simples do sadismo. A tortura quando é feita sem consentimento é uma agressão, e isso não ocorre entre os praticantes do sadomasoquismo. Quando a relação procura pela destruição, podemos dizer que esse é um indício de uma patologia ou mesmo de tendências suicidas.

A tortura que acontece entre os praticantes do sadomasoquismo é feita com a aprovação do parceiro, revelando uma prática sexual segura e que pode ocorrer com casais monogâmicos e estáveis, inclusive. Mas, como tudo na vida, há um limite em tal prática e ela está em ações que ofereçam riscos ou produzam lesões permanentes. De resto, aquilo que se faz entre quatro paredes, e com o consentimento dos participantes, é de interesse deles.

O principal é que os praticantes sintam-se livres para fantasiarem e realizarem seus desejos, consensualmente, de forma segura e sadia, para que o sadomasoquismo não seja uma sessão de tortura livre. É preciso estarem atentos à segurança própria e a do parceiro, para que seja possível a garantia da realização dos desejos, de forma equilibrada, tanto emocional quanto psicologicamente. Respeitar os limites é fundamental para que tal prática faça parte da sexualidade do casal. Tal limite pode ser conseguido através de palavras- chave de segurança. Isso ocorre quando, conforme previamente combinado, a pessoa pronuncia uma palavra forte e fora do contexto.  

 


 

SEGREDOS PARA UMA VIDA SEXUAL FELIZ - DICAS PARA AS MULHERES

 

1) Use camisinha:

Esse é um habito que deveria ser conservado pra todo o sempre, mesmo depois que o namoro já foi oficializado. Sexo bom é sexo seguro e responsável que inclui pensar na própria saúde e na saúde do parceiro. DST não tem cara e, além disso, a pessoa pode estar contaminada sem que apareça em exames e sem apresentar nenhum sintoma. Dessa forma, ela pode, mesmo sem saber, passar a doença adiante.

2) Transe por você ou deixe de transar também:

A sexualidade é sua e não do outro. Não se dá sexo de presente pra ninguém. Muitas mulheres ainda estão em função do outro porque não se enxergam para estar em função de si: é preciso alguém que fale por ela, com ela, pra ela. Ainda assim, querer ouvir nem sempre é o suficiente, pois podem achar que o outro está mentindo pra agradar ou conseguir alguma coisa. São mulheres que não se amam porque simplesmente não existem sem um complemento.

3) Respeite suas vontades, desejos:

As mulheres criam um problema quando querem satisfazer os outros. Produzem expectativas e se decepcionam por não fazerem o que (realmente) querem. Por outro lado, muitas não se liberam de seus próprios tabus com medo da reação do parceiro e não experimentam o que sentem vontade de fazer. Acredite, sem preconceitos, que o momento deve ser curtido e permita que a censura e a auto-observação fiquem de lado.

4) Esteja de bem com seu corpo:

Uma dica importante e tão difícil nos dias de hoje, onde as mulheres se encontram em uma eterna insatisfação corporal. Porém, independentemente da forma que o seu corpo tenha é importante estar de bem com ele. Tal postura, muitas vezes, é conseqüência de uma mente saudável e não de um corpo perfeito.

5) Estimule-se:

Aprenda com o seu corpo (durante o banho ou na hora de dormir, por exemplo) e ajude o parceiro a se conectar com ele. Sexo é parceria, troca, cumplicidade. Ninguém leva uma bola de cristal pra cama. Não tenha vergonha de pedir. Explore seu corpo em diferentes pontos, sozinha e acompanhada. Brinque com ele.

Use muito as mãos, a boca, os dedos... e não apenas a vagina ou o pênis. Senão se tratar de uma rapidinha, onde a satisfação é apenas com a penetração e nada mais, onde o desejo é ter o outro rapidinho, ou seja, onde os dois já estão prontos, use o tempo que for preciso: curta as sensações, conecte-se com o que está acontecendo, sinta o prazer. Tente novas formas, horários, posições. Desperte o seu desejo. Pense em sexo durante o dia e perceba como o seu corpo reage ao que você sente.

6) Sinta o momento:

Não espere só pelo orgasmo. Ele depende de desejos, entregas, sem egoísmo ou obrigação. O orgasmo é conseqüência de um sexo saudável. A ansiedade de ir atrás do orgasmo atrapalha e tira a pessoa da relação. Esqueça o mundo ‘lá fora’ e concentre-se na sensação proporcionada. Orgasmo é descoberta e aprendizado. Esteja presente com todos os seus sentidos e não desista do seu prazer.

 


 

SEGREDOS PARA UMA VIDA SEXUAL FELIZ - DICAS PARA OS HOMENS

 

1) Use camisinha:

Esse é um habito que deveria ser conservado pra todo o sempre, mesmo depois que o namoro já foi oficializado. Sexo bom é sexo seguro e responsável que inclui pensar na própria saúde e na saúde da parceira. DST não tem cara e, além disso, a pessoa pode estar contaminada sem que apareça em exames e sem apresentar nenhum sintoma. Dessa forma, ela pode, mesmo sem saber, passar a doença adiante.

2) Respeite as diferenças entre a sexualidade masculina e feminina.

Enquanto os homens são mais genitalizados, a resposta delas na cama depende de outros fatores como os emocionais. Ela gosta e precisa receber carinhos além do momento do sexo. Mas ainda há muitos homens que confundem carinho com preliminares, sendo carinhosos quando querem sexo, sem manter a mesma postura em outros momentos.

Muitas vezes, ela precisa sentir-se conectada ao parceiro para não se sentir como se fosse um objeto sexual. Além disso, mesmo que o clitóris seja o centro da resposta orgástica, as zonas erógenas das mulheres são mais dispersas. Preste atenção na mulher como um conjunto e permita-se ver da mesma forma.

3) Deixe do lado de fora as cobranças externas. Nada de querer ser um atleta sexual:

Respeite o seu corpo. As mulheres esperam muito mais por carinho, atenção e cuidado do que um desempenho sexual incansável. Poucos homens sabem que fisiologicamente há um momento, exclusivamente masculino, logo após a ejaculação chamado de período refratário onde é impossível haver nova ereção.

Com o passar dos anos, esse tempo passa a ser mais longo levando preocupação e uma dose de frustração para os homens devido à valorização excessiva dada ao desempenho sexual onde a freqüência coital é tradução da sua capacidade de conquista sexual. Livre-se da obrigação de estar sempre disposto ou pensando sobre sexo. Nunca se esqueça de que quantidade não é qualidade.

4) Cuide da aparência:

É certo que os homens são seres visuais, mas as mulheres também são. É um traço da personalidade dos homens ter o chamado desejo visual, mas, ainda assim, a beleza masculina transformou-se em valor cultural. Hoje os homens se cuidam como as mulheres. Só não vale esquecer-se da sensibilidade e do carinho em nome da aparência física.

5) Aprenda com o seu corpo e aprenda sobre o corpo dela (e):

Descubra como funciona a sua resposta sexual. Descubra como funciona a resposta sexual dela (e) e como ela (e) gosta de ser tocada (o). Sexualidade é muito mais amplo do que pênis e vagina. Permita-se descobrir outros meios de sentir prazer, respeitando sempre os seus limites sexuais e os limites sexuais da (o) parceira (o).

6) A importância do tamanho do pênis:

Os homens têm uma relação de amor e ódio com o pênis. Diferentemente da segurança masculina, o prazer feminino não cresce na mesma proporção em que se aumenta o tamanho do pênis. Um pênis grande não é garantia de um bom desempenho sexual ou capacidade eretiva. A potência sexual depende de outras questões como disponibilidade, nível de excitação e entrega, ou seja, estar inteiro durante a relação sem que interferências de idéias gerem conflitos.

 


 

SEXO COMPULSIVO

 

Sexo Compulsivo: Verdades Sobre a Erotomania, Ninfomania, Hipersexualidade, Desejo Sexual Hiperativo

O desejo sexual pode ser demonstrado por um modelo hipotético, em um continuum onde o desejo, em um extremo, é praticamente nulo, correspondendo ao Transtorno de Aversão Sexual, e no outro, o Desejo Sexual Hiperativo, quando o desejo está em excesso.
 

Desejo Sexual Hiperativo
Desejo Sexual Normal (alto ou baixo)
Desejo Sexual Hipoativo Leve
Desejo Sexual Hipoativo Grave
Aversão Sexual (Fobia Sexual)

A erotomania e a ninfomania são termos que indicam um exagero do desejo sexual por parte de um homem e de uma mulher, respectivamente.

Tais quadros são cientificamente conhecidos como Desejo Sexual Hiperativo (DSH) e manifestam-se principalmente por desregulação ou falta de controle da motivação sexual.

Como se manifesta o Desejo Sexual Hiperativo?

A pessoa espontaneamente apresenta um nível elevado de desejo e de fantasias sexuais, aumento de freqüência sexual com compulsividade ao ato, controle inadequado dos impulsos e grande sofrimento. Preocupa-se a tal ponto com seus pensamentos e sentimentos sexuais que acaba por prejudicar suas atividades diárias e relacionamentos afetivos. Em geral não apresenta disfunções sexuais (como ejaculação precoce ou impotência), funcionando relativamente bem como um todo. Engaja-se em atividade masturbatória ou no coito, mesmo sob risco de perder os seus relacionamentos amorosos (busca de alta rotatividade de parceiros) ou a própria saúde (Hepatite B e C, HIV). Quando tenta evitar e controlar o impulso para o sexo, a pessoa pode ficar tensa, ansiosa ou depressiva. A pressão para a expressão sexual retorna e a pessoa sente-se escrava de seus próprios desejos. A ansiedade pré-atividade sexual, a intensa gratificação após o orgasmo e a culpa após o ato não são raras.

Pode-se observar níveis diferentes de adição ao sexo, desde masturbação compulsiva e prostituição, a alguns comportamentos parafílicos (perversos) como exibicionismo, voyeurismo ou mesmo pedofilia (abuso sexual de crianças) e estupro.

Hoje em dia, com o maior acesso aos meios de comunicação como internet, encontramos uma nova modalidade de hipersexualidade: compulsão sexual virtual (sexo virtual), atingindo mais de 2.000.000 de pessoas que gastam de 15 a 25 horas em frente ao computador navegando em sites de sexo.

O Que Causa?

O Desejo Sexual Hiperativo é uma síndrome que pode se originar de diferentes causas. Por vezes, é visto como um problema de adição e dependência ao sexo, similar às drogadições de cocaína, álcool ou heroína. Pode ser encarado como um problema de comportamento mal adaptado, onde o ato repetitivo de busca de prazer sexual foi aprendido ao longo da vida como tranqüilizante, diminuindo sentimentos de ansiedade, medo e solidão. Também podemos compreender esse distúrbio como uma doença, com alterações anormais no balanço de substâncias neurais (neurotransmissores).

Nas teorias psicanalíticas, a hipersexualidade pode ser entendida como uma fixação nos níveis pré-edípicos do desenvolvimento sexual, na fase anal, mais especificamente, onde as ansiedades são deslocadas para comportamentos compulsivos.

O conjunto de sintomas apresentados pelo DSH pode, na verdade, representar transtornos diferentes, cada qual devendo ser tratado de forma distinta, conforme sua possível causa.

E Tem Tratamento?

Normalmente é o psiquiatra ou o terapeuta sexual que é procurado ou indicado para esse tipo de transtorno.

As linhas de tratamento podem ser empregadas isoladas, mas tem se recorrido muito a tipos de tratamentos combinados, como o uso de medicação concomitantemente à psicoterapia cognitivo comportamental ou focal.

Os grupos de apoio tem demonstrado grande utilidade como terapia adjuvante.

Algumas drogas podem ser utilizadas nos casos em que a compulsão ao sexo é predominante, como os Inibidores da Recaptação da Serotonina.

Para aquelas pessoas que apresentam sintomas de voyeurismo ou exibicionismo, a psicoterapia de orientação analítica é a mais indicada, exigindo maior tempo de tratamento.

Em casos mais graves, onde a compulsão coloca outras pessoas também em risco (como abuso sexual ou estupro), pode-se fazer uso de algumas medicações a base de hormônios (progesterona) que inibam o desejo sexual.

Em alguns casos, a internação do paciente se faz necessária para contenção de riscos.

 

 

Sexo e o Câncer

 

Lutando pela vida e pela sua melhor qualidade

O surgimento de algum tipo de câncer na vida de uma pessoa é muito traumático, dadas as conseqüências físicas e emocionais desse tipo de doença e as limitações da medicina nesse campo ainda muito desconhecido.

Existem dois aspectos importantes para a compreensão da vida sexual por parte dos que sofrem de qualquer tipo de câncer.

Um primeiro aspecto está na reação frente à descoberta dessa doença, muitas vezes mutilante. Geralmente a pessoa que se descobre portadora de câncer passa por estágios emocionais diversos, entre eles, negação, rebeldia e depressão.

É nas fases de rebeldia e de depressão que a atividade sexual vai sofrer maior impacto. O paciente passa a se preocupar mais com a sua saúde, exames, medicações, intervenções cirúrgicas, quimio e radioterapia, do que com sua vida sexual. O desejo diminui muito ou desaparece totalmente, prejudicando as demais fases do ciclo da resposta sexual, quais sejam, excitação (ereção no homem e lubrificação na mulher) e orgasmo.

A atividade sexual, para a maioria das pessoas, não se desenvolve se houverem graves preocupações na cabeça. No caso da pessoa com câncer, a sexualidade fica em segundo plano. A pessoa passa a se ver com menos estima, com tristeza e com um medo intenso de não mais corresponder às demandas sexuais do parceiro. Temores de ser visto como doente, vítima e passível de pena também afetam a auto-estima. Os relacionamentos acabam por se complicar, principalmente quando não há abertura na comunicação da dupla.

O indivíduo sente-se só, pouco compreendido e com muitos constrangimentos em comentar ou perguntar algo sobre a sua vida sexual para o médico. Além disso, nem todos os profissionais lembram ou têm capacidade de lidar com esses aspectos de seus pacientes. Algumas medicações antidepressivas podem ser utilizadas com uma melhora no quadro depressivo e na vida sexual do paciente. Deve-se procurar ajuda de um psiquiatra.

Um segundo aspecto está na possibilidade de o câncer atingir áreas genitais ou outras regiões que possam afetar de forma direta o desempenho da atividade sexual.

Câncer nos genitais - pênis, vulva ou colo de útero ou em regiões próximas - são mais complexos no que tange às recomendações. Existem alguns riscos de infecções em áreas mais lesadas, ou mesmo maior probabilidade de dor.

Nesses casos, o médico é a pessoa que pode e deve ser inquirida de forma direta. Especificamente:
 

O câncer de mama traz muitas complicações na auto-imagem das mulheres, diminuindo muito o desejo de se expor ao parceiro. O implante de silicone tem ajudado muitas delas a recuperar a auto-estima.
Pacientes que se submeteram a ostomização (pessoas com câncer de colo ou reto que precisam abrir um orifício no abdômen para eliminação de fezes em uma bolsinha plástica, não podendo mais evacuar pelo ânus) sofrem muito para reassumir a atividade sexual, já que a bolsa plástica passa a fazer parte constante de suas vidas. Tanto para os homens, quanto para as mulheres, é uma fonte constante de sentimentos de inferiorização e vergonha. Temem que a bolsa com fezes atrapalhe ou vaze durante o esforço da atividade sexual. No sexo com esse tipo de preocupação, não há como se envolver ou fantasiar: o sexo não se torna satisfatório. A comunicação é essencial e o aconselhamento e reeducação sexual por um sexólogo é de grande utilidade.
Em alguns homens, pode ocorrer a impotência sexual por lesão direta ou indireta ou por conflitos emocionais. Deve-se ter em mente que a sexualidade não existe apenas quando há coito propriamente dito (contato pênis-vagina). Faz parte de nossa sexualidade todo o envolvimento afetivo e todas as sensações subjetivas prazerosas de todo o corpo. A parceira pode se satisfazer de várias formas que não com o pênis. Existem algumas medicações que podem ser usadas para provocar a ereção, mas o médico deve ser consultado antes.

O câncer afeta a vida de um casal em várias dimensões. A dupla deve procurar formas de adaptação que visem a intimidade e a cumplicidade. Com a estabilidade da doença, o desejo sexual retorna e passa a ser novamente importante. Recomenda-se que a pessoa seja o mais sincera possível com seu parceiro em relação a seus sentimentos e sensações. A dor deve ser identificada e questionada com o médico, tal como técnicas possíveis para se lidar com as dificuldades sexuais. Caso o médico oncologista não possa esclarecer as dúvidas, é aconselhável a busca de um terapeuta sexual, geralmente mais instrumentalizado para a orientação nesse aspecto de dificuldade.

 

 

SEXO E CONDIÇÕES ESPECIAIS:

 

Transtornos neurológicos e Diabetes mellitus

Transtornos neurológicos

Define-se um transtorno neurológico quando a pessoa sofre alguma lesão em seu Sistema Nervoso Central (SNC), com parcial ou total paralisia como conseqüência. A pessoa que sofre tal dano terá comprometimento de múltiplas funções em sua vida, entre elas a sexual. No entanto, a medicina já tem suas armas para melhoria da qualidade de vida desses indivíduos.

Qualquer crise acidental na vida de alguém (crise acidental sendo vista como algum acontecimento não esperado que traz danos à vida) implica uma readaptação em um novo estilo de vida.

A pessoa geralmente passa por uma fase de negação do que ocorreu com ela, depois por uma fase de rebeldia, com muita agressividade voltada a si mesma e aos mais próximos e depois entra em depressão, uma tristeza e desesperança profunda, com desmotivação para a vida.

É necessário muito apoio dos familiares e, acima de tudo, tolerância. A pessoa fica desmotivada também para o sexo, podendo recuperar o desejo somente depois de superar tal crise.

Alguns tipos de transtornos do SNC causados por acidentes automobilísticos, por exemplo, ocorrem com jovens ainda em plena atividade sexual e sem filhos. Muitas famílias se desestruturam também por esse motivo: medo da incapacidade de ter filhos.

O homem com lesão na espinha dorsal pode ficar impotente, mas boa parte deles recupera a ereção e até pode ser capaz de manter relações sexuais. É a ejaculação que se torna um problema maior. Pode-se usar a técnica de eletrodos na região do reto para estimular a saída de esperma, mas geralmente a quantidade não é suficiente para inseminar artificialmente a parceira. Existem outras técnicas disponíveis a um custo maior que possibilitam a efetiva extração de sêmen para fertilização.

Na mulher a situação é um pouco diferente. Ela pode engravidar e ter bebês mesmo com lesão da coluna. Ela perde sua sensibilidade clitoridiana e o orgasmo é muito difícil. Isso não quer dizer absolutamente que a mulher não tenha desejo algum. Ela pode usufruir de uma vida sexual satisfatória de mútuo prazer com apoio de seu parceiro.

Diabetes Mellitus (DM)

Essa doença pode afetar múltiplas funções orgânicas, inclusive a sexual. Em média, 25% das mulheres e 50% dos homens apresentam algum tipo de problema sexual decorrente do Diabetes Mellitus.

No homem

Pode apresentar impotência sexual parcial ou total, não conseguindo uma ereção ou não podendo mantê-la por muito tempo. Pode ser um problema emocional ou mesmo orgânico (quando a doença é crônica).

O DM a longo prazo pode comprometer o sistema de vasos sangüíneos e o sistema neurológico periférico. Nesses casos a prótese peniana tem sido recomendada. Mas antes dessa medida mais radical, pode-se tentar uma série de métodos, entre eles algumas medicações que provocam a ereção (alguns antidepressivos, algumas drogas injetáveis ou as do tipo do Sildenafil).

Na mulher

As mulheres com DM sofrem de vulvovaginites de repetição (infecções na vagina que causam dor, ardência e muitas vezes coceira). O sexo torna-se desconfortável e ela passa a evitá-lo, diminuindo muito seu desejo sexual.

As pesquisas sexuais com mulheres diabéticas são um tanto complicadas, devido ao fato de sua excitação não ser aparente como a do homem(que tem ereção). No entanto, sabe-se que o estímulo clitoridiano deve ser mais intenso para provocar a excitação.

Recomendações

Não deixe de colocar suas dúvidas ao seu médico em relação à sua sexualidade, pois, caso ele não esteja instrumentalizado para orientá-lo, pode indicar um terapeuta sexual.

A vida sexual no ser humano vai muito além de um simples contato pênis-vagina. Muitas técnicas podem ser utilizadas para manter e aumentar seu prazer sexual.

Caso não haja comprometimento orgânico, o terapeuta sexual pode iniciar um tipo de tratamento chamado cognitivo-comportamental para melhoria da qualidade da vida sexual do paciente e de sua parceira ou da paciente e seu parceiro. Não deixe de lado sua vida sexual. Procure orientação especializada!

 

 

SEXO e ESCOLA

 

Novas Funções da Escola na Orientação Sexual dos Jovens

Participação Popular: médico, educador e família - esforço conjunto

Participação Popular, Social e Comunitária são fundamentais.

Essa foi a máxima discutida na 11ª Conferência Nacional de Saúde, realizada em Lisboa em novembro do ano de 2009. A medicina, bem como a área específica da psiquiatria e da sexologia, tem enfrentado grandes desafios, acompanhando a realidade de amplas inovações da tecnologia da informação (como a Internet, por exemplo) e do inigualável avanço científico dos últimos 30 anos. A aplicação de todos esses conhecimentos ultrapassou há muito o âmbito acadêmico e assistencial. Hoje, esforços conjuntos e multidisciplinares são, não só necessários, como também imprescindíveis para pacientes e comunidades em geral.

Em um mundo cheio de transformações, nos questionamos se nossas funções, tais como as conhecemos (como pais, educadores, agentes de saúde), estão de acordo com a realidade social. Parece-nos fundamental a reavaliação desses preceitos.

A migração dos meios de produção e de oportunidades de trabalho, dos centros rurais para os urbanos, trouxe consigo um novo estilo de estrutura familiar - a família nuclear.

O papel da Escola passa a ser fundamental na medida em que grande parte do tempo do jovem é vivido dentro dos "muros da educação".

As tradicionais funções parentais de iniciação à educação de hábitos de higiene, alimentação, socialização, orientação sexual e desenvolvimento de personalidade das crianças e dos jovens estão sendo exercidas em grande parte pelos educadores, exatamente pela demanda de tempo que os pais têm em atividades produtivas fora do lar.

E a escola está preparada para desempenhar tais funções?

Com quem deve ficar a função da Orientação Sexual?

Os agentes de saúde aqui se tornam indispensáveis. A aplicação de conhecimentos especializados pode agregar grande valor ao desenvolvimento físico e emocional dos jovens e na elaboração dos conflitos que permeiam o amadurecimento. Atividades integradas entre as famílias, os educadores (Escolas) e os agentes de saúde tornam-se uma necessidade. Sem a participação da comunidade, o processo todo perde sua guia.

Atividades integradas
 

As Escolas devem buscar auxílio nas entidades que trabalham com Sexualidade Humana na própria cidade (se interior, procurar as da capital) para obtenção de informações de saúde pública no que tange à sexualidade humana e desenvolvimento psico-sexual e sobre profissionais que possam desenvolver atividades integradas e especializadas.
A elaboração de cursos, eventos, palestras e seminários sobre a sexualidade e seus diferentes enfoques deve ser planejada com a participação dos profissionais de saúde da área de sexologia, pais, educadores e representantes estudantis.
O enfoque deve ser dado de acordo com o contexto social de cada região, respeitando-se as tradições locais e a religião predominante e também conforme a idade do público alvo. Não adianta discutir inicialmente a anticoncepção com crianças que ainda não sabem o básico da atividade sexual. Deve-se ter em mente uma atividade progressiva.
Usar material audiovisual, atividades criativas e técnicas mais ativas como psicodrama para manter a atenção dos jovens.
Alguns tópicos devem ser sempre abordados: fisiologia dos órgãos sexuais, gravidez, anticoncepção e masturbação.
Atividades podem ser realizadas inicialmente para os pais, para orientação destes em relação à própria sexualidade, para depois introduzir-se a idéia de educação de seus filhos.
O assunto da sexualidade ainda apresenta muitos tabus, devendo ser questionado e discutido com delicadeza e sem imposição de valores.


 

 

Sexo e Gravidez

 

Conflito Esposa-Amante X Esposa-Mãe

A gravidez é um fenômeno diferenciado na vida de um casal. Hoje, cada vez mais, o homem tende a participar neste processo ativamente. É comum encontrarmos homens sentados na sala de espera do consultório de obstetras, ou mesmo saindo do médico com suas esposas grávidas. A gestação pode e deve ser uma etapa vivida a dois.

Tanto os homens quanto as mulheres passam por adaptações físicas e emocionais, inclusive na sua relação sexual durante a gestação. Não é raro nos depararmos com mudanças físicas nos parceiros de gestantes, como o aumento de peso e, em algumas situações, intolerância gástrica. Em uma tribo da Nova Guiné, os maridos, após o parto de suas esposas, colocam-se prostrados no leito como mulheres no puerpério (período que segue imediatamente ao parto), apresentando os mesmos sintomas que elas, como dor, desconforto, insegurança, depressão e ansiedade.

O Sexo Muda na Gravidez?

No 1º trimestre não é raro haver uma perda de desejo sexual por parte das mulheres. Uma 1a fase de contentamento cega as demais sensações, além das mudanças iniciais do corpo e dos genitais. A mulher volta-se para o planejamento de uma vida agora familiar, e não mais apenas de casal. Existem algumas fantasias de causar o aborto nesta fase, o que pode contribuir para a diminuição do desejo no casal, além de desconfortos comuns como náuseas.

O conflito básico de se colocar na mesma mulher a figura de mãe e a de esposa-amante pode vir à tona, não só para a futura mãe como também para seu par. Algumas pesquisas referem que alguns homens procuraram pela 1a vez relações extraconjugais nesta etapa da gestação. Ficam confusos em relação ao papel de suas esposas. Alguns sentem-se extremamente enciumados e excluídos, buscando uma terceira pessoa para contrabalançar sua exclusão do par mãe-futuro bebê.

O 2º trimestre é demarcado como uma volta do desejo feminino ao normal, ou até mesmo de maior intensidade. Algumas mulheres relatam que nesta fase, o desejo foi o mais intenso de suas vidas, sentindo-se muito atraentes e felizes. Para o homem, pode haver o 1o impacto ao perceber, de fato, a gestação de sua esposa, pois nesse período a barriga torna-se mais aparente.

O 3º trimestre apresenta maiores desconfortos, principalmente após o 8o mês. A freqüência urinária pode aumentar e a barriga muda o centro de gravidade da mulher, tornando-a um pouco mais desajeitada ao caminhar. As fantasias voltam, agora de serem flagrados e espiados pelo feto durante a relação sexual. Alguns homens temem bater na cabeça do bebê com o pênis durante a penetração. As posições assumidas no ato sexual vão se restringindo mais, havendo preferência pela posição "de ladinho". A ameaça de aborto é temida, bem como complicações de parto prematuro. Os casais ficam mais reticentes em buscar atividade sexual, e alguns até mesmo se abstêm. Por vezes, a ansiedade nas mulheres por não haver gratificação sexual pode ser mais lesiva que o coito, excetuando-se situações onde haja contra-indicação de atividade sexual pelos riscos de parto prematuro ou descolamento de placenta, por exemplo.

No último mês, os obstetras oferecem orientações contraditórias. Alguns recomendam abstinência até o final da gravidez, outros apenas na última semana. Concordam na abstinência se existir algum risco obstétrico. Alguns recomendam sexo até o final mesmo, evitando-se ansiedades sexuais por parte da mulher.

Após o parto, recomenda-se um período de abstinência até se recomeçar a vida sexual (aproximadamente de 4 a 6 semanas). No entanto, muitos casais mantêm atividade sexual bem antes disto. A mulher vai apresentar menos desejo sexual devido a alterações hormonais, com aumento da Prolactina e também pela exaustão do pós-parto e dos cuidados iniciais com um bebê.

 

 

 

Sexo e Menopausa

 

Busca da Qualidade de Vida Sexual na Maturidade

A Menopausa é a parada completa da menstruação. O Climatério é o período que compreende desde as modificações fisiológicas, que vão ocorrendo com a diminuição de produção hormonal por parte dos ovários, até culminar na menopausa.

O processo de envelhecer ocorre desde que nascemos, mas há maior preocupação com a idade quando nossas funções vitais vão sendo perdidas. A perda da capacidade reprodutiva nas mulheres é acompanhada por uma série de sintomas físicos ou emocionais. Fogachos (os calorões), suor excessivo, cefaléia, pele seca, entre outros, são comuns. Mas, no que tange à vida sexual, algumas modificações são mais condicionantes.

Com a chegada da menopausa o desejo sexual pode diminuir. Algumas mulheres que se sentiram obrigadas a manter relações sexuais por toda uma vida, justificam a perda da função sexual com o fim da menstruação. Usam a menopausa como escudo para não precisarem mais "servir" seus parceiros sem obtenção alguma de prazer.

Já outras mulheres experimentam uma melhora da vida sexual e de seu desejo com a parada do ciclo menstrual, pois não precisam mais temer a gravidez indesejada e geralmente não têm mais filhos pequenos que atrapalhem o sono ou que ocupem muito sua atenção ao longo do dia. Logo, é uma questão na qual o peso cultural tem grande influência.

Com a perda da produção de alguns hormônios na menopausa, a mulher fica com menos lubrificação vaginal, devendo ter maior cuidado durante o ato sexual. Quando a vagina fica seca, o atrito do pênis pode machucá-la, como também ao seu parceiro, além de poder provocar algumas infecções (vulvovaginites). O uso de cremes lubrificantes é aconselhável, bem como a possibilidade de reposição hormonal. Um outro fenômeno que ocorre é a perda da gordura localizada nos grandes lábios, fazendo com que a vagina diminua de tamanho e esteja mais propensa a sofrer dor no coito.

A fantasia deve ser muito utilizada para despertar maior prazer no ato.

O orgasmo da mulher menopáusica pode ser muito intenso, pois as terminações nervosas estão muito mais à flor da pele, literalmente falando, pois, como assinalado acima, a capa de gordura da região da vulva está diminuída.

Muitas mulheres experimentam um reflorescimento da vida sexual.

Recomendações
 

Use lubrificantes nas relações sexuais para evitar o desconforto e possíveis infecções vaginais.
A reposição hormonal deve ser questionada para manutenção das características físicas femininas, prevenindo-se a pele e cabelos secos, mantendo o corpo arredondado nas formas femininas, bem como a voz. Consulte seu ginecologista.
Procure climatizar o ambiente antes dos encontros sexuais: nem tão quente, nem tão frio para você e para seu parceiro.
Aproveite o maior estímulo sexual de seu parceiro, procurando-o pela manhã (cedo), pois a maior disposição dele para o sexo pode ajudá-la a ter mais desejo e a ser mais estimulada.
Com o surgimento de problemas sexuais de inibição, falta ou dificuldade de se chegar ao orgasmo, não deixe de procurar um terapeuta sexual que pode lhe proporcionar muitas orientações e técnicas para usufruir melhor de sua sexualidade.
Caso surjam sintomas de tristeza, desânimo intenso, fadiga, irritabilidade, baixa auto-estima, procure imediatamente uma orientação com psiquiatra, pois nessa fase, com as alterações hormonais, os Transtornos de Humor (Depressão) não são raros


 

 

SEXO NA ADOLESCÊNCIA

SEXO NA ADOLESCÊNCIA

Transformações da Mente e do Corpo

A Adolescência, período de vida compreendido entre 10 e 20 anos, é uma fase bastante conturbada. Ocorrem transformações físicas e emocionais importantes, preparando a criança para assumir um novo papel perante a família e a sociedade. A criança desenvolve-se, amadurece e fica apta para usufruir sua sexualidade, firmando sua identidade sexual e buscando um par, já com a possibilidade de gerar filhos.

A fase onde há modificações no corpo chama-se de Puberdade. Ocorre a primeira menstruação nas meninas (menarca), as poluções masculinas (ejaculações espontâneas sem coito), o crescimento de pêlos no corpo, a mudança de voz nos rapazes, o amadurecimento da genitália, com aumento do tamanho do pênis e dos seios, entre outros.

Mas nem sempre esta fase vem acompanhada das transformações emocionais e sociais que são o marco da adolescência. Dependendo da cultura de cada povo, a adolescência pode chegar mais tarde, independente da criança estar já bem desenvolvida fisicamente. É o caso dos países ocidentais, como os Estados Unidos e a Inglaterra ou França. O processo de educação continuada e a grande soma de informações, por exemplo, acabam por retardar a necessidade, por parte dos jovens, da busca de uma vida separada de seus pais. Muitos ainda moram com a família depois dos 20 anos. Já em sociedades mais simples, como em algumas regiões do Brasil, da África ou da Ásia, a necessidade de força braçal, desde muito cedo, antecipa a entrada da criança na adolescência e nas responsabilidades que lhe são devidas.

O Adolescente e a sua Sexualidade

A jovem adolescente amadurece em média dois anos antes do rapaz. Busca fortificar sua feminilidade, prorrogar os encontros sexuais e selecionar um parceiro adequado para poder ter sua primeira relação sexual, o que ocorre de forma gradativa. Vai experimentando seus limites progressivamente. Os rapazes buscam encontros sexuais com mais ansiedade, geralmente, persuadindo as garotas ao sexo com eles. Em nosso meio, há uma tendência do jovem em experimentar sensações sexuais com outros de sua idade, sem necessariamente buscar uma relação sexual propriamente dita. O termo que se usa atualmente é "ficar".

A perda da virgindade ainda é um marco importante para os jovens. É um rito de iniciação sexual, que pode ser vivenciado com orgulho ou com culpa excessiva, de acordo com a educação e tradição da família. Inicialmente, os jovens buscam apenas envolvimento sexual, testando suas novas capacidades e reações frente a sensações antes desconhecidas. É a redescoberta do corpo. Só depois procuram o envolvimento afetivo complementar passando a conviver não apenas em bandos, mas também aos pares.

A masturbação faz parte da vida das pessoas desde a infância e, na adolescência, se intensifica com a redescoberta de sensações, tanto individualmente quanto em dupla ou em grupo.

Os jovens podem apresentar algum tipo de atividade homossexual nessa fase, como exposição dos genitais, masturbação recíproca e comparação dos seios e dos genitais em grupo (comparação do tamanho do pênis, por exemplo), atividades estas consideradas absolutamente normais. A fortificação dessas condutas, com o abuso sexual por parte de um adulto de mesmo sexo ou com alta ansiedade perante o sexo oposto, pode desenvolver uma orientação homossexual definitiva nos jovens.

Em tempos da super informação, com a internet, a globalização, a pouca censura nos meios de comunicação de massa, há um apelo sexual freqüente e precoce, expondo os jovens a situações ainda não bem compreendidas por eles. Os adolescentes falam como adultos, querem se portar como tal e ter os privilégios da maturidade. No entanto, falta-lhes a experiência, a responsabilidade e o significado real de um envolvimento sexual. A gravidez de risco na adolescência, infelizmente, é um dos resultados desastrosos desta situação atual. A pouca informação qualificada e o precário respeito dos adultos perante as necessidades dos jovens são os verdadeiros responsáveis pelo falso e ilusório desenvolvimento do adolescente de hoje.

 

 

Sexo na Idade Madura: Uma Opção de Vida Melhor

 

Recomendações para um bom sexo na maturidade.

Apesar de hoje em dia grande parte do conhecimento poder chegar à maioria da população, ainda encontramos, além de vícios de uma educação repressora em determinadas tradições que inibem a expressão da sexualidade, uma falta de valorização da nossa vida sexual.

E não estou me referindo a culturas muito diversas da nossa, como os países muçulmanos, onde as mulheres são obrigadas a se cobrir inteiramente com as burkas e algumas ainda têm seus clitóris extirpados com cacos de vidro infectados.

Falo de nosso dia a dia comum nas cidades, de nossa rotina tão veloz, na qual não sobra tempo para a alimentação, eliminação, sono e sexo.

Não costumamos lembrar que sexo precisa de tempo.

A sexualidade de cada pessoa é exclusiva. Cada um pode amadurecer o seu próprio erotismo independentemente de um companheiro ou companheira.

Pode até dividir, compartilhar suas sensações, mas jamais perder de vista que a vida sexual é responsabilidade sua, somente sua e de seus próprios preconceitos. É bastante comum ver casais que chegam ao consultório buscando culpar seus cônjuges por suas falhas sexuais e insatisfações.

Este é o primeiro erro. Quando recebo um casal assim, já de início oriento que o casal é o meu paciente, e não o marido ou a esposa. Divido entre os dois as responsabilidades frente às suas queixas.

Duas das causas mais freqüentes de problemas sexuais são a falta de educação e orientação sexual ao adolescente e ao adulto jovem e a presença constante de repressões ao erotismo individual. As pessoas tendem a se esconder de sua sexualidade, assumindo uma roda-viva de afazeres.

Na maturidade, inúmeras dúvidas já foram sanadas, experiências já foram avaliadas e a oportunidade de se auto-redescobrir torna-se viável. É justamente na idade mais madura que podemos reavaliar nossos próprios conceitos e valores, assumindo novos caminhos e abandonando os ultrapassados.

Recomendações simples e práticas
 

Não se acomode em um sexo rotineiro. Muitas satisfações ainda podem ocorrer se você procurar sair um pouco de sua rotina. Convide seu parceiro para sair por um ou dois dias. Procure algum lugar calmo e privado. Deixe seus filhos com alguém responsável para não trazer preocupações durante esse período. Você pode sair a dois. Não precisa se culpar por isso. Aliás, você deve manter a individualidade do casal perante seus filhos, já os educando para que estes também possam sair a dois sem culpas. Deixe os problemas financeiros e de trabalho em casa. Você está saindo para namorar.
Busque em suas lembranças o que fazia seu parceiro feliz. Um jantar, um jogo qualquer, uma dança ou um simples passeio. Faça isso. Passe uma tarde agradável, evitando tocar em assuntos que possam inibir a harmonia da dupla. Comece a noite de forma branda, sem muitas atividades e sem fazer uma refeição pesada. Na intimidade de seu quarto, fique apenas de roupa íntima, você e seu parceiro.
O primeiro exercício se chama Foco I. Acaricie o corpo de seu parceiro por uns 20 minutos, invertendo as posições para que você possa sentir o toque dele depois. Atenção, é proibido tocar nos genitais e mamas. Eleve o prazer, aguce os sentidos.
O Foco II consiste em poder acariciar agora todo o corpo, inclusive genitais e mamas, mas o orgasmo é proibido. Pode haver estimulação direta do clitóris e do pênis, mas o orgasmo ainda é vetado. Prolongue o prazer, espere um pouco. Pode-se assistir a um vídeo erótico ou ler algum livro estimulante. Não tenha pressa. A pressa é o fim do prazer. Fantasie um pouco. Divida com seu parceiro alguma fantasia que você jamais contaria para alguém. A intimidade não se faz só com toques, mas com o partilhamento de impressões, de fantasias e de sonhos. O constrangimento por vezes pode seduzir o parceiro, mas não se acanhe tanto.
O Foco III permite o orgasmo. Mas não vá direto ao ponto. Quando você sentir que é quase inevitável, pare por completo, só por alguns instantes. Depois recomece vagarosamente. Pode interromper a iminência de seu orgasmo por umas duas ou três vezes até, aí sim, chegar ao clímax. Não precisa sair correndo para o banheiro se lavar ou limpar a cama. Nada é sujo, o esperma e as secreções não são infectadas, não vão contagiar ninguém. Abrace o seu parceiro e lhe certifique que o amor ainda existe no casal e que a cumplicidade pode ser renovada.
Use a criatividade e deixe suas fantasias se exteriorizarem. Não as isole de quem você ama. Pelo contrário, partilhe em prol de uma vida sexual de renovação. Existem casais constituídos há 40 anos que conseguem adaptar sua idade e o tempo de convívio a uma vida sexual prazerosa. A fantasia permite que aqueles mesmos corpos possam se satisfazer um com outro, renovando e descobrindo cada vez mais sobre si mesmos.
Dê tempo a você para rever as razões de excluir uma vida sexual prazerosa de sua vida. Questione se não são seus preconceitos. Damos tempo (ainda bem) para dormir e recarregar as nossas energias. Por que esquecemos de dar tempo para renovar e recarregar o sexo também?


 

 

SEXO NA TERCEIRA IDADE

 

Quando se fala em idoso, logo se pensa num 'velhinho' sem forças ou numa 'velhinha' sentada fazendo tricô. Essa representação entra em choque com a atualidade, pois essas são imagens que não correspondem ao real. A grande maioria da população idosa tem características do envelhecimento sem estar nesse estereótipo. Não muito antigamente, quando a expectativa de vida era menor e, entre tais pessoas, poucos eram os que mantinham uma boa saúde, o aspecto sexual era outro. Muitos se confortavam com a chance de suspender o sexo respaldado numa referência socialmente construída.

Todavia, pessoas idosas, relativamente saudáveis, que gostem de sexo, são capazes de aproveitá-lo. Hoje já se sabe que o interesse sexual é normal em todas as idades. Mas aquilo que no jovem é visto como sexualidade, no velho ainda há os que vêem como libertinagem. Pouco se falava sobre a sexualidade nessa época da vida. Pessoas de mais idade cresceram num ambiente de puritanismos “vitorianos” e mal informados, sentiam-se culpados em relação a qualquer sensação de excitação sexual. Vindos de uma educação repressora, viveram imersos em conceitos hoje considerados retrógrados onde o sexo era pecaminoso, sujo e com objetivo da procriação.

A vivência da sexualidade na 3ª idade nada mais é do que a continuação de um processo que teve início na infância. São os sentimentos de cada um, aliados às alterações anatômicas e fisiológicas trazidas pela idade que modelam o comportamento sexual de tais pessoas. E pelo fato da sexualidade ainda estar muito atrelada a reprodução ainda é difícil perceber a continuidade da sexualidade após determinada idade. Isso acontece mesmo depois do avanço da medicina que pode cuidar de algumas doenças capazes de prejudicar a sexualidade plena, como é o caso de artrites (em alguns casos, as medicações utilizadas em seu tratamento podem diminuir o desejo sexual.

É recomendado exercícios físicos, repouso e mudanças de posição durante o ato sexual), hérnia de disco, diabetes (uma das poucas doenças que podem ocasionar a disfunção erétil), doenças cardíacas (se o coração estiver debilitado, o ataque poderá ocorrer com qualquer esforço físico, não só com o sexo), derrame (pouco provável ser prescrito a interrupção sexual. Outros episódios não ocorrerão por tal esforço), anemia (causa comum de fadiga e da diminuição da atividade sexual) doença de Parkinson, Peyronie, incontinência de esforço e dores lombares. Algumas questões emocionais podem dizer respeito a conflitos conjugais, aposentadoria, morte da pessoa amada além do próprio fato de envelhecer, sem saber o que se espera e como agir diante de tais mudanças.

Informação e aceitação são ingredientes fundamentais entre os parceiros. É preciso descobrir maneiras de utilizar as diversidades e transformações para solidificar a intimidade, aumentar o prazer e satisfação. Porém como se percebe grande dificuldade em se falar sobre a sexualidade é comum a evitação. Além disso, a ignorância referente as transformações anatomofisiológicas levam à evitação sexual. Muitos homens não percebem tais alterações, produtos do ritmo biológico, como normais da conduta sexual originárias da idade, levando a um quadro de ansiedade.

Masters e Johnson puderam demonstrar através dos seus trabalhos sobre anatomofisiologia da resposta sexual que o processo de envelhecimento ocasiona mudanças na atividade sexual dos idosos. Eles perceberam que com os anos, o corpo se transforma. As mulheres sentem tais mudanças na época da menopausa (que marca o final da possibilidade de reprodução e não o término da vida sexual), quando as mudanças fisiológicas atróficas acontecem na pele, na mucosa genital e mamas. A lubrificação vaginal se lentifica e a própria forma vaginal também pode se modificar, ficando mais estreita e curta, mesmo que normalmente continue com tamanho suficiente para que ocorra a penetração. O revestimento vaginal torna-se fino e facilmente irritável, o que pode acarretar rachaduras e sangramento. Acontece o enfraquecimento da musculatura perineal devido a um processo gradual de atrofia. Com as paredes mais finas, bexiga e uretra ficam menos protegidas podendo se irritar durante o ato. Por outro lado, após a menopausa, não existe o temor da gravidez e a mulher já não gasta tanto tempo pra cuidar dos filhos.

Com o homem a partir dos 40 anos a produção de espermatozóide diminui. Também há uma redução na produção da testosterona, porém de forma vagarosa e não muito acentuada. Ocorre também a diminuição da dopamina e um aumento da prolactina, o que reduz o desejo sexual. Há homens que manifestam crises com sintomas psicológicos como depressão e irritabilidade. A ereção torna-se menos rígida e mais lenta, havendo menor urgência de ejacular e um maior controle da mesma, o que pode ser um ponto positivo, pois ao prolongar o ato podem aumentar o prazer enquanto casal. Há uma diminuição do volume ejaculado e da força da ejaculação, uma queda da ereção mais rápida após a ejaculação, seguida pelo aumento do tempo do período refratário. Apesar de todos os estudos realizados, até hoje informações erradas envolvem a sexualidade após a idade madura.

É preciso conhecer e se adaptar às mudanças fisiológicas que surgem com a idade. Cuidar do estado geral da saúde assim como da aparência: higiene descuidada e roupas de ficar em casa rasgadas são formas de perceber desatenção pelo parceiro. Há quem afirme que a maioria dos problemas sexuais nessa idade tiveram início anteriormente, quando o casal estava imerso em preocupação com os filhos e ou trabalho. Tais atividades podem mascarar a falta de comunicação entre eles, voltando com toda a força nessa idade, quando sobra mais tempo para ficarem juntos.

Mas um aspecto positivo é que tendo uma agenda menos apertada, conquistada pela aposentadoria, pode-se perceber qual o momento predileto de se fazer amor, por exemplo, sem ser a noite, quando muitas vezes, um dos parceiros está sem vontade ou cansado. Os médicos afirmam que o aparecimento de disfunções sexuais na terceira idade se dá muito mais devido a problemas de saúde do que a própria idade. Idosos e jovens passam pelos mesmos problemas e preocupações sexuais, a diferença é que os aspectos sociais, biológicos e psicológicos podem exigir maior atenção na 3ª idade. Mas nem a idade, nem a maioria das doenças implicam no fim do sexo.

Claro que uma doença ajuda, faz com que o corpo se confronte totalmente com a ameaça física, aumentando a ansiedade e diminuindo a atenção das sensações sexuais, mas tais mudanças não são inibidoras da atividade sexual. É sabido que a capacidade e desempenho são influenciados por enfermidades físicas e imperativos sociais, capazes de alterar o desejo masculino e feminino, mesmo que este possa se presentificar em toda a vida ainda que em menor intensidade e freqüência.

Fato é que a idade não dessexualiza o ser humano. Assim, não existe limites de idade para se conservar uma atividade sexual ainda que ocorram mudanças fisiológicas. A sexualidade é uma forma de expressar carinho e afeto, sentimentos que não tem idade. Os desejos podem se modificar, mas não terminam. E para tanto, basta que o corpo seja respeitado.

 

 

 

SEXO VIRTUAL

 

Todos sabem que o progresso tecnológico tem levado ao individualismo, acirrando o distanciamento. Por outro lado, e como medida de suprir as carências afetivas e emocionais, as pessoas têm se aproximado pela internet, que facilita a comunicação e encurta as distâncias.

No mundo virtual, é crescente a procura por sites eróticos, onde pessoas realizam as fantasias mais inconfessáveis. Para entrar nesse mundo sem censura basta apertar algumas teclas. Podendo usá-lo como um aliado, grandes são os benefícios. Podemos, inclusive, estar falando de uma nova possibilidade de entendimento da sexualidade, em que a ideia é ter um equilíbrio saudável entre os estímulos virtuais e reais.

Sabe-se que a virtualidade nos aproxima. Aquilo que nós não encontramos no mundo real, buscamos no virtual, e é lá que se cria o mundo que se quer, usando-o como se ele existisse.

Virtualmente perfeito, pois depende apenas da imaginação de cada um. Ou seja, muitas vezes o virtual é o estímulo do imaginário, aquilo que dá início à libido. É um universo amplo, rápido e presente onde o corpo físico se exclui da relação. Há um enorme debate sobre se tal procura significa uma carência no relacionamento afetivo ou sexual.

Porém, para aqueles que estão numa relação e procuram tais sites, há quem acredite que nem sempre o sexo virtual precisa ser encarado como traição.

Como a masturbação, ele pode ser um caminho para a erotização e o conhecimento. Assim, dentro desse contexto, não é sinal de que o relacionamento está afundando, podendo, até mesmo, melhorar a performance do casal. Mas, devemos sempre nos questionar sobre o limite de tal prática.

Costuma haver um pequeno limiar entre um comportamento saudável e o vício que se caracteriza quando a pessoa deixa de conseguir viver sua vida real, preferindo a virtual, que passa a ser a única fonte de prazer. O indivíduo se abastece no virtual da necessidade real de contato, o que contribui para um isolamento perigoso e doentio.

Normalmente, as pessoas viciadas sofrem de timidez patológica e, pela dificuldade de exposição, há uma consequente dificuldade de relacionamento, o que contribui para um isolamento sócio-afetivo. Assim, se relacionando através do virtual, o risco de se expor, ou de não ser aceito, é diminuído em função do anonimato.

E lá, as características são potencialmente acentuadas. Todos podem ser tudo o que gostariam. Os personagens são criados para esconder a identidade verdadeira. Na verdade, há um encontro de identidades múltiplas editadas conforme o contexto, o que possibilita um caminho aberto na vazão dos desejos e fantasias. É fato que a internet está ajudando as pessoas a liberarem aquilo que estava reprimido, proporcionando o estímulo para que a fantasia se desenvolva num ambiente de maior permissão.

Mas, e como tudo tem um limite, deve-se procurar por tratamento quando ela passa a ser uma válvula de escape e não mais aquela ferramenta positiva, quando o foco do desejo está centrado na virtualidade do prazer sexual, e essa passa a ser a única forma de senti-lo. A psicoterapia, uma escolha eficiente no combate das causas, pode ser baseada em terapia individual, de grupo ou mesmo de casal.


 

Sexualidade do casal infértil

 

Chega um momento da vida de homens e mulheres que o casal deseja ter um filho. Mas o que fazer quando eles não conseguem? Hoje, a intervenção médica é uma possibilidade já que a medicina está avançada, capaz de ajudar o casal com dificuldade de engravidar. Isso tem um lado positivo mas gera uma alta expectativa nos resultados. O saber médico, o poder desse saber, demanda uma urgência nos resultados quando o corpo é o obstáculo a ser superado à realização do desejo de gerar. A demanda fica presa na trama orgânica e a sexualidade passa a ser regida pelo calendário. A vida sexual perde seu caráter de privacidade e espontaneidade. Relações são planejadas com hora marcada.

Além disso, não são mais dois seres, mas uma equipe que toma conta do corpo, revirado, violado. Para a medicina, a infertilidade é algo pra ser tratado, um sintoma, mas os aspectos emocionais devem ser levados em consideração, nesse percurso angustiante que acarreta fortes questões emocionais, onde seguidas frustrações geram um alto custo emocional ao casal. Às vezes, a infertilidade é mais um sintoma do desajuste relacional. A aspiração de ter o filho, muitas vezes, é o único objetivo dos dois, o que ainda os mantêm unidos. Quando esse casal chega à terapia, é preciso desfocar para trabalhar a relação conjugal, entender as consequências de tal dificuldade no dia-a-dia e no funcionamento deles.

Normalmente, tal momento revela uma de crise entre o casal, podendo trazer hostilidade entre eles, sentimentos de culpa e impotência, além de frustrações que podem abalar a estabilidade da relação, levando à separação. Além da relação do próprio casal, as relações familiares, sociais e mesmo o desempenho profissional pode ficar prejudicado.

Muitos homem se queixam de falta de libido, distúrbios ejaculatórios e disfunção erétil. A cada mês, sentem como se a sua masculinidade estivesse sendo posta à prova. Mas, diferente das mulheres, o sofrimento masculino é silencioso. Sofre por si e pelo sofrimento da mulher. Mas, muitas vezes, ela não sabe disso. Um momento de grande tensão para ele pode ser a época da menstruação, por exemplo. Se ele não pergunta é porque não se interessa; se pergunta, o questionamento pode soar como cobrança.

Algumas mulheres se sentem culpadas. Cobradas pelo mercado de trabalho, pelo homem que quer ser pai e por elas próprias, que sentem necessidade de experimentar o papel de mãe, já que muitas veem a maternidade como objetivo primário da maturidade. É frequente, durante o tratamento, o pessimismo aparecer como uma defesa contra as expectativas. Como se não bastassem as demandas, aparece também a família, que cobra do casal a formação de uma família, com o nascimento de uma criança.

É comum a presença de disfunção sexual associada à questão da infertilidade. O sexo pode se revelar frustrante, pois passa a ser vigiado, não mais trazendo prazer, mas sendo uma ferramenta para trazer uma criança ao mundo.

 


 

A SEXUALIDADE DOS CEGOS

 

Falar da sexualidade já é algo que traz preconceitos e inseguranças. Se a desinformação é um obstáculo social, comprometendo o desenvolvimento sexual de quem enxerga, tratar da sexualidade do deficiente visual é ainda mais nebuloso. A falta de conforto em se falar sobre tal tema o transforma em verdadeiro tabu, pois o desconhecimento cria percepções errôneas, privando os cegos de uma vida sexual plena e prazerosa. Por quê? Será que eles não precisam de formação referente à sexualidade?

Um bom exemplo disso é que nesse mundo onde um dos componentes mais fortes do marketing é o estímulo visual, os cegos ficaram de fora nessa cultura carregada de imagens. É sabido que uma das principais características em vivenciar a sexualidade se constrói baseada na visão. O olhar aproxima, atrai ou afasta o consumidor. Apesar disso, enxergar não é fundamental para o desenvolvimento da sexualidade. Não é a cegueira que impede a pessoa de ver.

Não podemos deixar de pensar que esse é um assunto, inclusive, de difícil acervo bibliográfico, ainda que o Brasil some quase 17 milhões de pessoas que possuem algum grau de deficiência visual. Estamos falando de mais do que a metade dos portadores de deficiência brasileiros.

Pela falta de aproximação dos dois mundos - dos que enxergam e dos que não enxergam - cria-se um mundo de preconceito. Há uma ignorância em massa que aumenta o desconhecimento, descartando-se a possibilidade do exercício saudável da sexualidade. É preciso inclusão para que haja mudança de atitude. Para tanto, se faz necessário desconstruir a idéia vigente, dando lugar, não só à inclusão social, como também à qualidade de vida, conseguida através da conscientização da sociedade. Afinal, é ignorância elaborar preconceitos sem tentar conhecer a realidade. Convém esclarecer e mostrar que falta de visão não é falta de sexualidade.

As questões da sexualidade são pertencentes a todos, deficientes ou não. Infelizmente, nem todos percebem que os cegos não são seres assexuados. Antes de serem cegos, são homens e mulheres.

Sabe-se que o olhar funciona como uma linguagem de atração. É um estado inicial que, quando ultrapassado, se conecta aos outros sentidos: olfato, audição, tato e até paladar. A imagem é construída pelo conjunto de todos eles. Ultrapassado o momento inicial da atração, os outros sentidos são somados para compor o momento. Ou seja, ainda que a visão seja um poderoso estímulo na sexualidade, os cegos aprendem que nem todas as visões são impressas pela retina.

Por conta da ausência de um dos sentidos, tais pessoas percebem de forma mais aflorada aquilo que tocam, cheiram ou ouvem. Há um pouco do olhar em cada um desses sentidos que faz com que a sexualidade possa ser percebida por todos eles. Não é preciso ver com os olhos para se gostar de alguém. Outros fatores são importantes na atração: a simpatia, a inteligência, o papo. Há outros meios de avaliação que não a beleza física. A visão traz análises superficiais: a aparência, todos sabem, ilude.

Devido a uma sensibilidade aguçada, o sexo encontra-se vinculado ao amor e ao carinho. Mais importante do que o ato em si são as carícias e a estimulação de todos os sentidos. A sexualidade é ampliada para a inclusão da afetividade. Os cegos sabem que a afinidade não depende só dos olhos.

 

 

SEXUALIDADE E PESO

 

A forma corporal ainda é vista como um passaporte para o exercício da sexualidade. Só estão aptos aqueles que têm no corpo a expressão da saúde, ou seja, os que são magros.

Desde o início do século passado quando a indústria começou a estabelecer parâmetros de magreza, normalidade e sobrepeso, quem estivesse fora das categorias respeitáveis, estaria sujeito a toda sorte de doenças, transformando-se em um símbolo visual abominável.

Teorias foram surgindo para dar conta de tal angústia e a de Freud contribuiu nesse entendimento, onde pessoas obesas tinham perturbações durante a fase oral. Afirmou-se que seriam incapazes de saber a diferença entre fome e saciedade ou entre a vontade de comer e outras emoções representativas.

Hoje foi lançado um corpo certo, escravo da indústria da moda e de dietas: um modelo ideal de formatação, o valor do indivíduo. A roupa de grife deveria ser mais do que vestida, deveria ser o corpo, adequado ao local e à época. Assim, começou uma rejeição pelos obesos, especialmente as mulheres, que deveriam ter o total controle sobre seus corpos e vontades. São elas que mais se envergonham, sentindo-se pouco à vontade em sua intimidade. Os homens não sofrem tanto com a rejeição corporal, absolvidos por uma posição sócio econômica compensatória, por exemplo.

O medo mórbido de engordar surge pelo aprendizado de que o corpo é desagradável podendo se transformar em inimigo fora de controle. E essa relação é um reflexo da própria vida, visto que o corpo passa a ser encarado como um espelho da impotência, da culpa e da rejeição, onde o vazio interior, muitas vezes passa a ser preenchido com a comida, numa tentativa de ocultar questões que, não resolvidas, vão piorando cada vez mais. Comportamentos compensatórios começam a surgir como isolamento, evitação de praias e piscinas, ou seja, atitudes que falam de um medo de ser (mal) visto e não amado.

Hoje já se sabe que o alimento é condutor de sentimentos capaz de tornar-se problemático quando supre afetos, medos e rejeições. Assim a obesidade é uma expressão dinâmica, resultado da combinação de fatores familiares, sociais, culturais, metabólicos, alimentares e genéticos. O resultado disso, o corpo e a forma de percebê-lo, compromete a autoconfiança e a autoestima. Por mais que pesquisas já tenham apontado para o fato de que não existe distinção expressiva em relação à frequência sexual, ou o desejo entre mulheres com peso considerado normal, e aquelas que estão acima do peso, as últimas ainda se sentem inseguras em seu envolvimento com o parceiro e muitas sofrem pelo temor da não aceitação ao se sentirem impróprias aos padrões sociais ditados.

Estudos já puderam comprovar que as mulheres com sobrepeso ou obesas são tão sexualmente ativas, ou até mais, em relação às outras. Mas o estereótipo de que é preciso ser magra para se ter sexo ainda é comercializado. Para algumas, o desejo sexual está intimamente atrelado às formas corporais: emagrecendo, o desejo aumenta, engordando ele diminui. Mas não existe uma correlação com o índice de IMC e a insatisfação sexual.

De qualquer forma, caso não se sinta confortável com o próprio corpo, alguns subterfúgios podem ser criados para que fique mais fácil entrar no clima na hora da relação sexual. Se permita ficar com uma blusa transparente ou à meia luz, por exemplo. Experimente o que essas sensações podem trazer e seja capaz de desfrutar tal momento.

Perceber o corpo é resumir várias experiências acumuladas durante a vida. A imagem corporal é um retrato interno feito da soma das atitudes e sentimentos em relação a própria aparência. Não é uma questão isolada, mas faz parte de um contexto que tem a ver com o estilo de vida e autoestima. Assim, a sexualidade é mais do que a forma como olhamos para ela, é a forma como olhamos para nós. Por isso, a satisfação não se encontra no corpo de cada um e sim na possibilidade de se permitir o encontro com o prazer.

 

 

SEXUALIDADE NA GRAVIDEZ

 

Com a gravidez, muita coisa se faz nova e a vida sexual faz parte dessa novidade. Tanto a gravidez quanto o pós-parto é cheio de mudanças biológicas, psicológicas e inter-relacionais que marcam – direta e indiretamente – a sexualidade. Tal momento poderá originar um aprofundamento da experiência sexual do casal, capaz de aumentar a cumplicidade ou gerar dificuldades.

As mulheres ficam mais carentes e precisam como nunca da aliança com o parceiro, da sua proximidade, carinho, proteção e do seu afeto. Se por um lado, algumas dificuldades podem acabar por distanciar o casal levando a uma expressiva diminuição do desejo, por outro, nessa fase alguns hormônios são capazes de deixá-las mais excitadas. Além da vantagem de não haver preocupação em se prevenir de uma gravidez ou mesmo em conseguir engravidar.

Os homens costumam, hoje em dia, a participar dessa época ativamente. Assim, o casal passa por momentos de adaptação físicas e emocionais, incluindo as relacionadas com a relação sexual. Alguns parceiros relatam sintomas de gravidez também. Eles não passam pelas mesmas alterações femininas, mas podem ser afetados por questões como a criação do filho, ansiedade referente ao momento do parto, a responsabilidade em ser pai, a visão da gravidez como um momento sagrado (levando a diminuição do seu desejo sexual), diminuição da atração sexual pela novas formas da parceira, medo de machucar o bebê ou a parceira com a penetração, sentimento de exclusão da relação e conseqüente ciúmes e o entendimento da figura da mãe e da mulher na mesma pessoa. Esse último fato também é relatado por algumas mulheres que hesitam em buscar a própria sexualidade sem culpa em um momento tão intenso e cheio de emoções diversas.

Assim, falar de sexo na gravidez é falar dos mitos e fantasmas que limitam o prazer sexual do casal. Alguns podem interferir na tranqüilidade sexual do casal, como o medo da penetração. Mas não há porque se preocupar; o bebê está bem protegido dentro do útero por algumas camadas de músculos, pelo saco gestacional e por uma mucosa que bloqueia a entrada uterina. Além disso, o sexo é capaz de fortalecer os músculos do períneo que ajudam na hora do parto, além de deixar a mãe feliz e relaxada. E se o bebê sente tudo o que a mãe sente, sexo é bom durante toda a gravidez.

Mas se o casal não se sente à vontade para que ocorra a penetração, outras maneiras podem ser experimentadas. Afinal sexo não se resume a ela, envolve jogos eróticos, sexo oral ou anal e a masturbação. Então, use a criatividade, pois há alternativas de se relacionar sexualmente caso o obstetra* avise que é melhor a abstenção sexual. Descubra novas fontes de prazer que não precisam ser deixadas de lado.

Claro que algumas patologias podem impedir o exercício da atividade sexual. Caso tenha ocorrido algum sangramento de escape (ou spotting) no início da gestação é aconselhável que não haja sexo com penetração até a 14ª semana. Também não se recomenda o sexo quando ocorre deslocamento da placenta, perda de líquido amniótico ou ameaça de aborto. Dilatação precoce do colo do útero e pressão alta no final da gravidez também pedem cuidado. Além desses, caso haja sensibilidade vaginal aumentada, infecções recorrentes, lesões vaginais ou dor, o sexo também deve ser interrompido. A situação sempre deve ser pensada com a ajuda do binômio: conforto X desconforto.

Claro que nos primeiros meses, enjôos, dores no seio, cansaço, náusea e preocupações gerais podem acabar diminuindo o bem estar e o desejo sexual da mulher. É o pico da progesterona no ovário também. Normalmente, as mulheres relatam que no 2º semestre é quando ocorre o desejo mais intenso de suas vidas sexuais por ganharem mais disposição e energia por conta do hormônio do crescimento GH. Além disso, a vagina está sensível devido à maior vascularização da região.

Nos últimos meses, o volume da barriga e o desconforto na lombar também podem influenciar na queda da libido, havendo um desligamento quase que automático em relação ao sexo. Os casais precisarão procurar por novas posições capazes de deixar a barriga mais à vontade, como lado a lado, ou por trás. Durante o último mês, não há um consenso entre os obstetras. Enquanto alguns recomendam abstinência até o final da gravidez, outros acreditam que seja necessário só na última semana.

Mas após o parto, a abstinência é recomendada. Além disso, a mulher normalmente apresenta um menor desejo sexual nessa época devido ao aumento da prolactina e ao próprio cansaço com a adaptação dos cuidados iniciais com o bebê, o que se associa para inibir o desejo. Essa falta inicial de desinteresse é natural e até mesmo desejável, pois o corpo necessita se recompor das mudanças e do estresse tanto da gravidez quanto do parto. Com o tempo, e aos poucos, o desejo e a vida sexual retornam. Conversar e ter paciência é bem vindo e o apoio desenvolvido nesse momento permite a aproximação e a continuação da sexualidade num futuro próximo.

*O primeiro cuidado que se deve pensar durante a gestação é um acompanhamento pré-natal adequado.

 


 

TERAPIA SEXUAL

 

Procedimento muito eficaz realizado por um terapeuta sexual, profissional – médico ou psicólogo – especializado no tratamento dos distúrbios sexuais, apto a esclarecer os problemas orgânicos e/ou emocionais relativos a tais demandas. Vale lembrar que, muitas vezes, mesmo que a disfunção tenha um caráter estritamente orgânico, não significa que o emocional não esteja abalado. Assim, uma terapia sexual também se faz necessária, paralelamente ao acompanhamento médico, para que a autoestima seja recuperada. Diferentemente do médico, o psicólogo especialista em sexualidade humana se encarrega do tratamento das disfunções em que a causa não seja física. Alguns pacientes chegam ao consultório do terapeuta com questões vividas de forma camuflada, por anos a fio, pois tentou-se a todo custo não encarar o problema de frente, alimentando mais a insegurança e o desconhecimento de que tal questão pode ser tratada e ultrapassada.

Algumas disfunções têm razões simples e próximas ao dia-a-dia, ao estresse ou à ansiedade. São as que têm um fundo psicológico e que mesmo tendo relação com a forma de viver, ou seja, tem uma causa mais imediata, nem sempre é de mais fácil tratamento. Outras, de causa orgânica também podem modificar a resposta sexual e interferir na vida cotidiana. Para a questão orgânica da disfunção, somente um médico poderá ajudar a pessoa através de exames físicos e complementares que confirmem ou esclareçam a doença.

Já foi o tempo em que as disfunções eram taxadas como doenças. Hoje, o seu contexto é ampliado e elas são entendidas como representações de influências culturais e emocionais. Assim, seus sintomas não podem ser tratados de forma isolada, mas, ainda assim, não justifica, na maioria das vezes, um tratamento prolongado.

No consultório de psicologia, o objetivo é combater a ansiedade existente, desmistificando crenças falsas, e trabalhando os aspectos psicológicos que não permitem um completo funcionamento corporal. Para tanto, a psicoterapia pode estar baseada numa terapia individual, terapia de casal ou, ainda, o conjunto dos dois processos.

O tratamento tem início em uma entrevista individual, às vezes seguida por outra com o casal, quando são esclarecidos alguns mitos em relação ao tratamento e ao processo em si. É nesse momento que são traçados os objetivos do tratamento, onde muitos respondem de forma rápida e favorável ao processo, abolindo alguns impedimentos ao funcionamento sexual normal e prazeroso. Com o caminhar do processo, espera-se que o casal possa desvendar respostas sexuais em si ou no (a) parceiro (a), nunca antes percebidas.

A terapia individual objetiva criar condições para ampliar o autoconhecimento e possibilitar o prazer consigo, a partir de um aprendizado sobre como é construído tal sintoma, ou seja, o que esse quadro tem a contar sobre a pessoa e sobre a sua forma de funcionar na relação e com o meio. É na terapia, portanto, que se revê falsos conceitos e se fornece orientação, possibilitando novas perspectivas.

Já, a terapia de casal objetiva facilitar a comunicação do mesmo, além de mediar um conhecimento maior sobre o funcionamento da relação, ajudando a descobrir, entre outros fatores, de que forma o casal se perde em sua vida cotidiana, e como isto se reflete na dinâmica sexual. Devemos lembrar que ao se falar de sexualidade, na maioria das vezes, o seu exercício se faz em em parceria. Por isso, é de suma importância que em alguns momentos o parceiro seja incluído no tratamento já que toda disfunção lhe repercute em maior ou menor grau.

Como aliado ao tratamento, o terapeuta sexual pode utilizar alguns exercícios sexuais realizados em casa, onde se pretende reforçar alguns estímulos que possam estar esquecidos. A ajuda de um terapeuta sexual merece consideração, já que para as questões sexuais de ordem emocional não há medicamentos que possam ajudar a superar tal quadro.

Talvez, a parte mais difícil seja reconhecer que se precisa pedir ajuda, que não há razão para carregar tanto peso sem apoio. É importante que se procure por um profissional qualificado, e não se sinta constrangida(o). A disfunção sexual já revela muito mais sofrimento do que a procura por um profissional que possua conhecimentos dos mecanismos da resposta sexual.

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a saúde sexual, além de ser um direito, é considerada como um elemento importante para o bem estar pessoal. Preconceitos e vergonhas fazem parte do (não) reconhecimento da existência de problemas na esfera sexual. Se obstáculos ‘reais’ são complicados, depois de ultrapassar a barreira da vergonha em pedir ajuda a um profissional, poderá perceber que a sua sexualidade pode ser muito mais prazerosa e gratificante do que vinha sendo exercitada anteriormente ao tratamento.
 

 

 

A TERAPIA SEXUAL NO TERCEIRO MILÊNIO

 

Novas perspectivas, velhos conflitos: atacando nos dois lados.

Hoje em dia se vê a medicina como a Era das Pílulas! Milhares de novas medicações entram no mercado. No entanto, será que aquela velha história de existir um Elixir do Amor é verdadeira? Os grandes laboratórios dizem que sim e têm despejado uma série de produtos a cada ano. O que é real nisto tudo?

Os problemas sexuais podem surgir de uma série de causas diferentes. Podem ser desencadeados por problemas físicos (orgânicos) e/ou emocionais (psíquicos). Na verdade, não seria errado dizer que as causas se somam. E saber a natureza do problema é por demais importante, pois só assim podemos decidir que tipo ou linha de tratamento devemos indicar.

Mas atenção! Todo cuidado é pouco. O uso desses medicamentos sem acompanhamento médico pode prejudicar a saúde de quem está justamente procurando ajuda. Procure um psiquiatra especializado em sexualidade humana e divida essa responsabilidade com quem mais entende a respeito de seu problema. Não se exponha a procedimentos invasivos sem ouvir uma segunda opinião! A cirurgia nos problemas sexuais é uma das últimas alternativas de tratamento, não sendo eficaz para a maioria das disfunções sexuais.

Quais são as linhas de tratamento?

Tratamento Medicamentoso

Não é uma panacéia milagrosa, mas, se usado com indicação médica, seriedade e esclarecimento de seus possíveis efeitos indesejáveis, pode trazer muitos benefícios e até mesmo a cura. Pode ser utilizado isoladamente ou em combinação com uma das técnicas de psicoterapia, trazendo bem melhores resultados desta forma.

Alguns medicamentos que podem ser utilizados são os chamados antidepressivos, as prostaglandinas, a fentolamina, a papaverina, o sildenafil (Viagra) e alguns hormônios (em casos orgânicos), entre outros. Cada medicação deve ser escolhida de acordo com o perfil do paciente e de suas condições gerais de saúde.

Tratamento Psicoterápico

Nem todo o transtorno sexual responde bem à medicação. Não é raro se tentar o uso de um remédio e ele não funcionar no primeiro momento, trazendo uma série de efeitos indesejáveis e até uma piora no estado do paciente. Não é fácil para ninguém dividir a intimidade de sua vida sexual, ainda mais quando se tem vergonha e constrangimento devido a pouca abertura na educação e na tradição, tanto familiar, quanto social.

A psicoterapia é um método de tratamento muito efetivo, trazendo ótimos resultados. Pode ser feita com o casal ou individual. Uma vez iniciada, ocorre um preparo da pessoa para que ela entenda o que está acontecendo na sua vida sexual, dando-se conta das reações de seu corpo frente a situações negativas sexualmente falando.

Existem várias formas de psicoterapia, mas as mais indicadas para os transtornos sexuais são a Psicoterapia Cognitivo-Comportamental, a Focal, a de Orientação Analítica e o Psicodrama. Busca-se o clareamento de conflitos internos e de preocupações íntimas e profundas que inibem a vida sexual. A técnica Cognitivo-Comportamental emprega tarefas e exercícios sexuais. A técnica Focal e de Orientação Analítica, oferece interpretações e confrontos ao paciente para que ele se dê conta de suas repressões, com o intuito de mudanças. O Psicodrama usa exercícios de teatro e vivências para elaboração dos problemas individuais e interpessoais.

Na medida em que a psicoterapia se desenvolve, surge maior confiança entre o terapeuta sexual e o paciente. Desta forma, quando a medicação é prescrita, é muito melhor tolerada. A confiança no psiquiatra é fundamental.

Tratamento Cirúrgico

Essa é a última opção de tratamento para os transtornos sexuais. Geralmente é indicado quando há confirmação de algum problema físico ou quando todas as outras formas de terapia falharam. Em diabéticos crônicos, por exemplo, a prótese peniana tem sido uma forma de recuperar a função sexual e a auto-estima. Mas a exposição a esse tipo de tratamento tão invasivo deve ser obrigatoriamente acompanhada por uma equipe, principalmente por um terapeuta sexual, garantindo a diminuição dos índices de fracasso terapêutico.

Hipnoterapia, Ortomolecular, Neurolinguística, Terapia de Vidas Passadas.

Carecem de comprovação cientificamente aceita para o tratamento dos transtornos sexuais.

 


 

TIPOS DE PROBLEMAS SEXUAIS

 

Sofrimento sexual: onde eu me encaixo?

Que problema Aline tem?

Aline tem 19 anos e recentemente arranjou um novo namorado, com o qual teve sua primeira relação sexual. Ficou bastante frustrada, pois não viu "estrelinhas coloridas" no final de sua transa, tampouco nos encontros seguintes. Aline fica molhada durante o início do jogo sexual, mas se preocupa constantemente em ter que chegar ao fim, em ter sua satisfação sexual plena. E não é falta de estímulo, pois seu parceiro é experiente e muito atencioso com ela.

Onde Paulo se encaixa?

Paulo sente-se envergonhado, mas não consegue controlar a tentação. Quando se percebe, já está a caminho da praça pública de uma cidade vizinha. Toma duas a três conduções, caminha por meia a uma hora e chega ao local próximo da noitinha. A praça foi escolhida já há semanas, é de movimento pequeno, jovens estudantes transitando após mais um dia de aula. Paulo aguarda excitado atrás do tronco de uma árvore. Quando percebe garotas vindo na sua direção, começa a se masturbar mais intensamente, expondo seus genitais a elas. Tem seu orgasmo apenas se elas lançarem um olhar para ele, dizerem algum desaforo ou, surpresas, baterem em retirada. Paulo ejacula e imediatamente abandona o local. Uma sensação de deleite e profundo prazer se acompanha de culpa e vergonha. Não retorna jamais ao mesmo lugar, com uma eterna desconfiança que seja reconhecido mesmo na sua cidade de moradia. Por isso Paulo não sai muito de casa, isola-se de amigos e fica esperando, ansioso e amedrontado, que essa tenha sido a última vez. Pelo menos, até o impulso voltar.

João sofre de quê?

João tem 28 anos e nunca se relacionou sexualmente com ninguém. Sempre teve impressão de ter nascido diferente, como se o tivessem colocado numa armadura , com vestimentas erradas e desejos contrários. João acredita ter sido uma falha da natureza, uma vingança dela contra sua forma de pensar. Entre amigos, prefere ser chamado pelo apelido de Jana e jamais se deixa observar nu, tendo nojo de seus órgãos genitais. Desde cedo, seus pais tentaram fazê-lo jogar bola, mas João preferia brincar de bonecas de papel com as meninas da vizinhança. João sente-se só e infeliz, humilhado e pouco compreendido por todos que o cercam. Tem uma vida falsa.

Tipos de Transtornos Sexuais: três grandes categorias

Os problemas sexuais são conhecidos como Transtornos Sexuais na linguagem médica. Dividem-se em três grandes grupos:
 

As Disfunções Sexuais
As Parafilias
Os Transtornos de Identidade de Gênero

Disfunção Sexual

A Disfunção Sexual é um problema que pode afetar o desejo sexual e/ou alterar as respostas psicofisiológicas do corpo frente aos estímulos sexuais, causando sofrimento e insatisfação não só na pessoa, como também no seu par. Aline não consegue chegar ao orgasmo, frustrando-se constantemente. Ela tem Anorgasmia.

Outras Disfunções Sexuais femininas são: Desejo Sexual Hipoativo, Aversão Sexual, Transtorno de Excitação (Frigidez), Dispareunia (dor na relação sexual) e Vaginismo (contração involuntária dos músculos perineais que impedem a penetração).

Nos homens, encontramos o Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo, a Aversão Sexual, a Disfunção Erétil (Impotência), a Ejaculação Precoce (ou Prematura) e a Anorgasmia.

As disfunções sexuais são freqüentes e relativamente fáceis de se tratar com ajuda especializada, principalmente as que acometem as fases de excitação ou de orgasmo.

Parafilia

A parafilia antigamente era chamada de Desvio Sexual ou Perversão. É caracterizada pela presença de fantasias ou vontades sexuais estimulantes e persistentes relacionadas:
 

com objetos não humanos
com humilhação de si mesmo ou de parceiros
com crianças ou pessoas que não estão consentindo com o ato sexual

Paulo tem uma Parafilia chamada de Exibicionismo, onde há uma necessidade repetida de se obter prazer expondo-se sexualmente a pessoas estranhas, sem os seus consentimentos.

Outras formas de Parafilia são: o Sadomasoquismo (quando a satisfação erótica advém da prática de maus tratos físicos e/ou morais infligidos ao parceiro sexual e a si mesmo), a Pedofilia (sexo com crianças), o Voyeurismo (espiar pessoas estranhas nuas ou tendo sexo sem estas perceberem), o Fetichismo (quando o prazer consiste em amar não à pessoa, mas a uma parte dela ou um objeto de seu uso), o Frotteurismo e o Fetichismo Transvéstico.

O tratamento básico para esses tipos de problema sexual é a psicoterapia.

Transtorno de identidade de gênero

O Transtorno de Identidade de Gênero caracteriza-se pela pessoa acreditar ou querer ser do sexo oposto, tendo um sofrimento e uma estranheza muito grande com seu próprio sexo e com o seu papel social. João tem esse tipo de problema sexual. O tratamento desse transtorno é mais difícil de ser feito. Por vezes, essas pessoas mudam de sexo através de uma série de cirurgias plásticas reconstrutivas. É indispensável que a pessoa procure atendimento psiquiátrico para, através de psicoterapia e apoio, poder enfrentar as dificuldades para assumir nova identidade e lidar com possíveis frustrações.

 


 

TRÊS DICAS BÁSICAS PARA UMA VIDA SEXUAL SAUDÁVEL E PRAZEROSA

 

1. Sexo não se nasce sabendo, aprenda com seu corpo!

Uma das maiores causas de problemas sexuais está na desinformação e na falta de conhecimento do próprio corpo. Se não sei como reajo ao estímulo sexual, quais partes de mim são mais sensíveis ao toque, como poderei tirar maior prazer de mim mesmo e de um parceiro? Busque orientação especializada! Em algum momento, na sua intimidade, vasculhe seu corpo, observe-se no espelho, compare os pontos de seu corpo que mais lhe provocam sensações prazerosas. Para ensinar um parceiro a lhe dar satisfação, é necessário que você o ensine. Não há vergonha alguma em aprender. Geralmente o processo de descoberta e de aprendizado por si só já é bastante afrodisíaco.

2. Não focalize sua atenção no orgasmo e sim, nas sensações!

Se você inicia um envolvimento sexual ansiando logo pelo prazer final, há uma grande probabilidade de haver, cedo ou tarde, alguma forma de frustração, sua e/ou de seu parceiro. A rotina impera! O objetivo passa a ser o fim, e não o meio. No sexo, as coisas não funcionam assim. O orgasmo é o coroamento de um relacionamento sexual, muito desejado, necessário, mas não indispensável em todos os momentos. Por vezes, experimente gratificar seu parceiro, dar-lhe boas sensações, prorrogar ao máximo o clímax dele. Deixe passar essa vez, adie para o próximo encontro. É, sem dúvida, um tempero importante para resgatar o desejo em um casal.

3. O risco como afrodisíaco: limites para a saúde sexual

Buscar sexo em situações proibidas e de risco é uma via de duas mãos. Sabemos que o medo de leve intensidade pode estimular o desejo sexual. No entanto, qual é o limite de exposição a um risco, e em que circunstâncias devemos interromper a atividade sexual para não sofrermos danos?

Você não Sabe a Resposta!

A Fantasia é um substituto eficaz e seguro para a pessoa que precisa de riscos e proibições para se estimular sexualmente. Fantasie junto com seu parceiro, crie histórias, não há limites para os sonhos. Mas envolva-se sexualmente com segurança. O uso de condom (camisinha) e de algum outro método contraceptivo é de vital importância para a prevenção a danos. Não produza preocupações desnecessárias (já bastam as que vêm espontaneamente).

A tensão desvia o prazer.

 

 

O USO DA CAMISINHA

 

Mesmo que muitas coisas já tenham sido ditas sobre o seu uso, as pessoas ainda são resistentes a fazerem da camisinha um hábito.

Ninguém vem com um rótulo de segurança máxima, assim, mesmo em relações consideradas estáveis, seu uso é fundamental na prevenção de várias doenças sexualmente transmissíveis, pois mesmo quando não há sintomas visíveis, são potencialmente contagiosas. É certo que AIDS não tem cara. Se antes havia grupo de risco, hoje não há mais. Atualmente o maior grupo de risco existente é aquele que se acredita imune.

Temos por hábito esquecer que o parceiro tem passado e que as doenças têm janelas imunológicas. Não podemos deixar de lado as consequências do sexo desprotegido. Esse é um assunto de saúde pública. Há dúvidas sobre quem batizou a camisinha. Há quem acredite que o nome condom é devido a uma homenagem ao Dr. Quondam, que com bastante sucesso em 1685 inventou uma camisinha com tripa de animal. Outros dados históricos mostram que o nome vem do latim (condus) que significa receptáculo.

O certo é que a camisinha não é uma invenção nova. Aparece na história da sexualidade antes mesmo de Cristo. Já foi feita de linho, de pele, intestino de diferentes animais e de bexiga de cabra. A camisinha de tripa de boi, por exemplo, foi usada até 1870, quando foi fabricado o preservativo de borracha pelo inglês Charles Goodyear: grossos, reaproveitados, pouco aderentes, desiguais e caros. Pouco tempo depois, no final do século 19, o látex surgiu, permitindo um aspecto mais fino e confortável, parecida com as que são utilizadas hoje em dia. Na década de 60, acabou em desuso pela invenção do anticoncepcional oral feminino, mas em 90 ele retorna devido à epidemia de AIDS. Vale lembrar que as doenças venéreas recebem esse nome devido à crença antiga de que era um castigo da deusa do amor, Vênus.

A forma de preservação contra elas mais conhecida e utilizada é o preservativo de látex masculino capaz de formar uma barreira física entre o pênis e a vagina. Eles podem ser lubrificados ou revestidos de espermicidas. Existe uma variedade de marcas, tamanhos, cores e texturas. Com ele, diferentemente dos outros métodos, os homens podem se encarregar na prevenção de DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) e gravidez. Como é um método de anticoncepção ocasional, seu uso pode ser interrompido em qualquer momento. Não apresenta efeitos colaterais hormonais e há homens que garantem que ela ainda ajuda a controlar a ejaculação.

Há também a opção da camisinha feminina: uma bolsa de plástico com um anel leve e flexível em cada extremidade, que se adapta à vagina, resguardando o colo do útero e genitália externa. Assim como a masculina impede a passagem do esperma pelo do trato genital feminino e deve ser usada somente uma vez.

É mais cara do que a masculina e vem em embalagem com duas unidades e sua eficácia na prevenção de DSTs e gravidez é menor do que a camisinha masculina. As vantagens no seu uso são que a camisinha feminina pode ser posta antes da relação sexual e não precisa ser retirada imediatamente após a ejaculação. Não é feita de látex, é mais resistente e para mulheres que se queixam de alergia a camisinhas masculinas essa pode ser uma alternativa.

Independentemente de amar e ser amado, é preciso ter carinho consigo e usar camisinha. Ao compartilharmos afeto é essencial a prevenção de qualquer mal. Sexo inconsequente e sem segurança é irresponsabilidade com o outro e consigo.

É preciso deixar de lado o preconceito, e entender a necessidade da conscientização e democratização do seu uso. Sexo é responsabilidade e saúde. E para isso, algumas coisas não podem ser deixadas de lado.

E lembre-se: camisinha é descartável. Sua vida não.

 

 

VAGINA

 

Por muito tempo o homem foi a norma da mulher, sendo o pênis o padrão de medida da genitália dela. Apesar disso, a representação feminina é mais antiga, visto que o órgão masculino teve um reconhecimento tardio no processo da reprodução. Mas, ao longo dos séculos, as referências à vagina transformaram-na de potente para vergonhosa. Nesse processo, já foi considerada suficientemente poderosa, a ponto de ser utilizada como um catalisador para resgatar a terra e toda a vida da destruição, sendo capaz de afastar o mal. Porém com o advento do Cristianismo, passou a ser vista como fonte de todo o mal, tornando-se indispensável, assim, sua repressão. Hoje relacionada com a pornografia, é negativa e vergonhosa: uma representação triste e bem pobre de um órgão de reprodução e prazer.

Mas, falemos sobre a estrutra da vagina. Com grande número de terminações nervosas e paredes elásticas, a vagina é o canal do órgão sexual feminino e parte do aparelho reprodutor, que se estende desde o colo do útero até a vulva. A sua parte interna que vai até a porção inicial do útero denomina-se canal vaginal, e apresenta origens embriológicas distintas. Já o sistema reprodutor feminino, localizado no interior da cavidade pélvica, é composto por dois ovários (gônadas que produzem hormonios sexuais femininos), duas tubas uterinas (ou trompas de Falópio, que são os ductos que unem o ovário ao útero), útero (órgão oco localizado na cavidade pélvica anterior à bexiga e posterior ao reto, de parede muscular espessa e revestido internamente por um tecido vascularizado rico em glândulas, o endométrio) e vagina.

A genitália externa, também chamada de vulva, é protegida e delimitada por duas pregas intensamente inervadas e irrigadas, os grandes lábios que são recobertos por pêlos pubianos e envolvem os pequenos lábios, vagina, uretra e clitóris. Mais internamente, encontram-se os pequenos lábios, que têm a função de proteger a abertura da uretra e da vagina. Também na vulva encontra-se o clitóris, parcialmente escondido pelos pequenos lábios e incrivelmente sensível ao toque, formado por tecido esponjoso erétil.

No limite entre a vagina e a vulva constitui-se uma dobra denominada hímem, símbolo e sinal da virtude vaginal, que se encontra na porção anterior do canal em mulheres virgens. O hímem é uma membrana fina e circular, com algumas perfurações que permitem a saída da menstruação, capaz de fechar parcialmente o orifício vulvo-vaginal. Normalmente perfurado durante a primeira relação sexual, podendo ocorrer sangramento, ainda que atividades que não envolvam sexo possam causar o seu rompimento.

A vagina aumenta de tamanho quando estimulada sendo capaz de se acomodar ao pênis: avança para um curto, recua para um comprido, se dilata diante de um groso e se contrai para um fino. De paredes elásticas, liga o colo do útero aos genitais externos. De cada lado da abertura vaginal existem duas glândulas de meio milímetro, chamadas Glândulas de Bartholin, responsáveis pela secreção de um muco lubrificante durante a cópula.

O pH da vagina deve ser ácido a fim de evitar infecções na região. Seu odor característico se dá pela presença de bactérias presentes na flora microbiana. Mas é importante cuidar da higiene da vulva para evitar a presença de microorganismos capazes de transmitirem doenças e gerar desconforto.

A higienização deve ser feita com água e sabonete neutro (inclusive os íntimos) sem exageros para que não se perca a camada de proteção e desequilibre o pH vaginal, que já oscila dependendo do bem-estar físico, mental e até mesmo da alimentação da mulher. Esses fatores interferem, também, no muco vaginal, agente protetor que vive em constante alteração,  dependendo do ciclo menstrual, assim como das atividades sexuais. Ele é um barômetro da mulher e do seu estilo de vida, sendo também capaz de demonstrar quando ela está ovulando. Nessa época ele se faz pegajoso e com aspecto de clara de ovo, facilmente permeável aos espermatozóides.

É a partir da adolescência e sob a ação de hormônios que os folículos ovarianos começam a crescer e a se desenvolver, secretando estrogênio. Todos os meses, apenas um folículo completa o ciclo de desenvolvimento e maturação, rompendo-se e liberando o ovócito secundário, num fenômeno conhecido como ovulação, que ocorre aproximadamente na metade do ciclo menstrual.  Ele é composto de 28 dias e acontece devido a fatores controlados por hormônios com a função principal de preparar o organismo para a gestação. O primeiro dia do ciclo é o início da menstruação, uma descamação do endométrio acompanhada de saída de sangue.

Outro ponto importante, e ao qual não se dá a devida atenção, é a função do assoalho pélvico, também conhecido como pubococcígeo, formado por músculos e ligamentos que sustentam os órgãos pélvicos. Ele deve ser exercitado com a função de melhorar a excitação sexual e diversos outros problemas que surgem a partir do afrouxamento de tais musculaturas, desde questões simples, como a incontinência quando se tem acessos de tosse, espirros, ou atividades musculares, que aumentam a pressão intra-abdominal, até as incontinências urinárias mais graves, em se faz necessário um tratamento mais específico. Exercitar tais músculos facilita tanto na hora do parto normal, quanto na recuperação, evitando-se, assim, que a mulher tenha tardiamente uma ptose de órgãos.

De diversos nomes, representações culturais diferentes e coberta de mensagens confusas, para muitos a vagina é o canal da vida, a sede do prazer feminino. Para outros, um órgão temido a ser coberto, um recipiente passivo. Mesmo que a importância da anatomia sexual feminina, para a reprodução e o prazer, seja inegável, o conhecimento de sua estrutura e função continua a engatinhar. Por que tanta desinformação num século governado pela informação?

 


 

VAGINISMO

 

Querer e não poder: angústia sem controle

É a contração involuntária dos músculos próximos à vagina que impedem a penetração pelo pênis, dedo, ou espéculo ginecológico ou mesmo um tampão. A mulher não consegue controlar o movimento de contração, apesar de até querer o ato sexual. Há intenso sofrimento. Também podem aparecer sinais de pânico, como náuseas, suor excessivo e falta de ar quando a pessoa tenta enfrentar este medo, aproximando-se de seu parceiro. Mesmo desejando um contato sexual, há falta completa de controle de suas reações físicas de rejeição.

É uma disfunção não muito freqüente e geralmente acomete mulheres com um nível intelectual alto, de boa situação econômica, com jeito de ser do tipo controlador e com dificuldades de intimidade.

Mas, e por quê?

Vários fatores podem determinar o Vaginismo. Sempre devemos observar se há alguma causa orgânica para dor durante o ato sexual, como os desequilíbrios hormonais, nódulos dolorosos ou infecções nos genitais. O uso de algumas medicações que tenham como efeito colateral a diminuição de lubrificação vaginal também devem ser pesquisados.

As causas psicológicas mais profundas são:
 

situações traumáticas de abuso sexual ou estupro
mensagens anti-sexuais durante a infância (como escutar dos pais que sexo é sujo)
culpas
comportamento sedutor ou controlador por parte dos pais
dificuldade em unir amor com sexo na mesma pessoa (esposa X prostituta)
raivas entre o casal
competição temida com o pai ou mãe, entre outros.

E tem solução?

Vaginismo é uma disfunção relativamente fácil de se tratar quando se tem como objetivo apenas capacitar a paciente para a penetração. No entanto, até a mulher procurar ajuda, muitos anos de sofrimento podem se passar. Geralmente é o ginecologista que descobre que sua paciente tem dificuldades em realizar o exame. Ele a encaminha ao Terapeuta Sexual para avaliar a necessidade de uso de alguma medicação e preparar emocionalmente a paciente para enfrentar o tratamento de dessensibilização, técnica mais indicada para essa disfunção sexual. Nos casos moderados e graves de Vaginismo, a Psicoterapia de Orientação Analítica é fundamental para possibilitar a paciente a buscar o ginecologista.

Técnica de dessensibilização

A dessensibilização é realizada pelo ginecologista e consiste em expor a mulher gradativamente à situação de penetração vaginal com o uso do dedo ou de cones específicos para o tratamento. Inicia-se com a orientação de como são os órgãos genitais femininos, mostrando à mulher com um espelho sua própria anatomia. Em seguida, tenta-se introduzir um dedo na vagina. Gel lubrificante é utilizado. Com o desenvolvimento da técnica, a mulher vai reduzindo sua hiper-sensibilidade vaginal, permitindo a introdução de cones e após, do pênis de seu parceiro sexual. As tarefas com o parceiro são realizadas na intimidade do casal. O ginecologista atua como facilitador, tentando diminuir as fantasias da mulher de se sentir rasgada, perfurada ou dilacerada.

Psicoterapia de orientação analítica

Indicada para os casos onde há conflitos emocionais moderados a graves, como, por exemplo, abuso sexual na infância. Consiste em sessões psicoterápicas onde a paciente é convidada a falar tudo que lhe vem à mente. O Terapeuta Sexual, através da interpretação, confrontação e clareamento, vai ajudar a paciente a compreender a ligação entre seus problemas mais profundos e o sintoma sexual do vaginismo. Com o alívio dos temores e fantasias de dor e de invasão pessoal, a paciente pode ser reencaminhada para seu ginecologista para a dessensibilização.

 


 

VIBRADORES

 

VIBRADORESCamisinhas com gosto, óleos de massagens, gel lubrificantes. Todos eles têm ótima saída no mercado erótico, mas, tão discretos quanto atraentes, os mais vendidos ainda são os vibradores. Diante da revolução sexual ocorrida em 1960, as mulheres se sentiram mais à vontade para usarem tal aparelho, chegando hoje a ocupar um lugar significativo na vida sexual feminina. Ainda assim, há quem diga que o vibrador não tem muita importância na cultura erótica das mulheres, visto que a finalidade reprodutiva da sexualidade ainda é muito forte. Mas o mito de que mulheres encalhadas são as únicas pervertidas que usam vibrador, já não pode ser mais usado. Hoje, homens e mulheres aceitam melhor o uso desse aparelho erótico.

O que é

Tais aparelhos foram idealizados com finalidade médica, em meados do século XIX, vindo de um massageador a vapor para o tratamento da histeria. Somente em 1969 é que surgiram os primeiros vibradores elétricos, quando se percebeu que tais estímulos poderiam ser reproduzidos com impulsos elétricos. Com o passar do tempo, se tornaram mais portáteis ao serem alimentado por baterias. Claro que, por estar relacionado ao bem estar e à saúde, foram elevados a uma classe respeitável da época. Mas ao começar a aparecer em filmes pornôs, revelando também sua função sexual, tabus e preconceitos começaram a surgir, nomeando as usuárias de pervertidas e amorais.

Fato é que o uso do vibrador pode ser um bom aliado para a mulher que quer conhecer e entender melhor o seu corpo. São excelentes na descoberta dos pontos capazes de despertar prazer, o que pode proporcionar a manutenção das relações sexuais. Claro que cada corpo tem o seu mapa; assim, o que funciona com uma mulher não necessariamente funciona com todas. De qualquer forma, e normalmente, as mulheres respondem bem à estimulação do clitóris, que não precisa ser direta. Assim, massageá-lo com o vibrador também pode ser uma alternativa encontrada sozinha ou entre parceiros. Experimente seu uso nas diversas regiões erógenas do corpo, e preste atenção nas novas sensações que são despertadas. Mas, da mesma forma que ele pode ajudar no conhecimento do mapa corporal, também pode comprometer a sexualidade, abreviando a obtenção do prazer à vibração, o que não acontecerá com a manipulação feita pelo parceiro ou com a penetração.

Tipos

O melhor modelo vai depender do tipo de estimulação que você procura. Existem vibradores capazes de proporcionar uma penentração profunda, outros que estimulam o clitóris ao mesmo tempo em que ocorre a penetração. Além disso, alguns são desenhados especialmente para quem procura por uma estimulação anal, devido a sua curvatura, forma e pequena largura. Ainda há os vibradores com rotação que permitem tanto uma estimulação interna quanto externa.

Tais aparelhos requerem certos cuidados na hora da higiene, sendo necessário sempre conferir nas especificações a melhor forma de higienizá-lo. Tais brinquedinhos também têm prazo de validade e devem ser guardados em local seco.

Os homens

Alguns homens não se sentem muito à vontade diante desse concorrente. Crenças irracionais fazem com que eles se sintam diminuídos, acreditando que seriam trocados. São aqueles que gostam e aceitam somente o outro e seus corpos na cama, preferindo a opção de terem as mãos livres e não se preocuparem com um objeto. Porém, há também os que gostam da novidade e se erotizam com segurança dentro do relacionamento.