Dentes "Odontologia"

 

A CRIANÇA E OS DENTES

A finalidade deste escrito é chamar a atenção dos pais para algumas peculiaridades e cuidados com os dentes das crianças. É sumamente importante que se reconheça o valor e a importância dos dentes chamados decíduos, dentes-de-leite ou dentes temporários. Eles realmente são temporários, porém nem por isto devem ser descuidados.

Os dentes-de-leite, são em número de 20, dez em cada arcada. Dividem-se em grupos e cada grupo tem sua finalidade específica na mastigação. Os incisivos cortam, os caninos rasgam e os molares trituram. Isso caracteriza a necessidade da presença de todos os dentes, para que seja efetuada uma boa mastigação.

Deve ser ressaltado que, nas dentes temporárias, não existe o grupo dos prémolares, que se encontram depois nos dentes permanente.

A mudança dos dentes

Quanto à substituição dos dentes temporários pelos permanentes, é fundamental esclarecer alguns pontos que são imprescindíveis para o cuidado deles. Os dentes permanentes vão se formando por baixo dos temporários e, conforme evoluem em sua formação, reabsorvem concomitante mente as raízes dos antecessores, até que estes caem e os permanentes aflorem. Eis a razão porque os dentes temporários, quando caem, não têm raízes.

Mas antes eles as tiveram, tal qual os dentes permanentes.

A dentição permanente inicia com a erupção dos primeiros molares, os quais se localizam atrás de todos os de leite, sem substituir, portanto, nenhum temporário. Os pais devem ter conhecimento deste fato - o nascimento dos primeiros molares aos 6 anos - pois é comum confundirem estes dentes com dentes-de-leite, em razão de, ao nascerem, não ter caído nenhum dente. Esta confusão é lamentável e, por vezes, desastrosa, leva ao seu descuido e, com freqüência, até a sua perda total. E estes são talvez os dentes mais importantes de todos os outros permanentes, porque, durante a época da mudança, são eles que mantêm a articulação. Por isso, são chamados "dentes-chave-da-oclusão", isto é, dentes que sustentam e dirigem a correta posição dos outros dentes. Sua perda prematura gera distúrbios difíceis de serem reparáveis, não só estéticos, mas também aqueles prejudiciais à própria saúde e desenvolvimento harmônico da criança.

Dentição mista e sua cronologia

A dentição mista é um importante periodo no desenvolvimento da criança, que vai dos 6 anos, quando erupciona o primeiro molar permante , até aos 11 - 12 anos quando erupcionam os caninos e os segundos prémolares.

A dentição mista completa, compreende os primeiros molares permanentes, e os quatro incisivos permanentes.

Dentes temporários: caninos e primeiros e segundos molares decíduos.

Cronologia da erupção, dentes permanentes

O primeiro dente permanente a aparecer é o 1º Molar, que erupciona atrás dos dentes decíduos.

A seguir erupcionam os Incisivos Centrais e depois os Incisivos Laterais. Esta situação permanece algum tempo, e se chama dentição mista. Só a partir dos 10 anos surgem os prémolares os caninos permanentes.

Os 3° Molares (sisos) podem ser esperados depois dos 18 anos. Porém, sua erupção depende de que tenha espaço. Se o espaço é pouco ou muito pouco ele pode ficar incluso. Os dentes inclusos podem erupcionar tardiamente, quando há perda de um dos molares e ele ganha espaço.

NOTA: Esta sequência de erupção é relativamente constante, quando há inversão na sequência pode-se suspeitar que esteja ocorrendo algum empecilho para a erupção do dente atrasado. Isto pode ser um dente extra numerário ou posição anormal (anômala ou ectópica). Quanto as idades de erupção dos dentes há variações significativas que estão dentro da normalidade. Regra geral, igual a toda a maturação, o sexo masculino é um pouco atrasado em relação ao feminino.

Os dentes de leite devem ser tratados?

Eis outro aspecto importante. A pergunta deve ser respondida com a afirmativa: "Sim, devem ser tratados e muito bem tratados". Há vários motivos para isto, passamos a relatar alguns deles:
 

É falsa a crença de que os dentes temporários não necessitam ser tratados, porque serão logo substituídos pelos permanentes, descuidam-se no seu tratamento. Nada mais irreal. A saúde dos dentes permanentes é uma conseqüência direta da saúde dos dentes temporários. Dentes temporários estragados e não reparados podem causar sérios danos aos dentes permanentes
O processo de cárie passa de um dente para outro. Assim, na dentição mista (onde estão presentes dentes decíduos e permanentes por um período de 4 a 5 anos) um dente-de-leite estragado compromete a integridade dos dentes permanentes
Em razão do tempo de utilização, os dentes de leite devem também ser tratados, como os permanentes. Senão vejamos. Alguns dos decíduos só serão substituídos 10 anos depois de nascerem. O segundo molar temporário, por exemplo, nasce aos 20 meses e é substituído aos 10 ou 11 anos. Este dente, quase sempre, quando não é tratado, nem cuidado, está completamente comprometido pela cárie aos 6 anos e fatalmente deverá ser extraído. Atentem bem, este dente só será substituído 4 a 5 anos depois. Portanto, esta criança, durante esse largo período, ficará prejudicada na mastigação, justamente em um período importante de sua vida, quando mais necessita dos complexos alimentares para o seu crescimento. Mais do que nunca, ela precisa alimentar-se bem e absorver bem os alimentos. Todos sabem que a digestão se inicia pela boca. Para que os alimentos sejam bem aproveitados no resto do aparelho digestivo, exige-se que esta primeira parte da digestão seja bem feita. A trituração perfeita dos alimentos, por uma mastigação também perfeita, possibilitará ao organismo uma fácil absorção dos alimentos e proporcionará o aproveitamento das substâncias fundamentais para o crescimento normal.
O dente-de-leite dói, do mesmo modo que dói o permanente. Todos sabem que uma dor de dente não é nada bom. Porque então deixarmos que nossas crianças sofram? Porque deixar que os dentes cheguem ao ponto de doerem? Mais ainda, dente cariado quando não dói espontaneamente, dói quando excitado pelo frio ou pelo calor. Quantas inapetências não se explicam pela dor de dente? Quantas preguiças de estudar não se explicam pela dor de dente? Quantas irritações "inexplicáveis" não se explicam pela dor de dente? São perguntas a serem meditadas, para que se tomem as providências necessárias
Já foi concluído, como vimos antes, que, dentes estragados e não tratados, trazem em conseqüência uma deficiente mastigação. Esta deficiência, além do problema alimentar que causa, provoca uma perturbação direta no crescimento dos maxilares, privando esta região dos estímulos benéficos da mastigação. Todos os órgãos, todos os tecidos, necessitam estímulos para crescerem, como necessitam estímulos para se conservarem sãos. Não é sem razão que os cientistas afirmam: "A função faz o órgão"
Os dentes-de-leite, extraídos prematuramente, não guardam espaço para seus correspondentes permanentes. Daí grande número de problemas ortodônticos: dentes tortos, que não são desejáveis, não só, pelo aspecto estético, como, também, porque estes dentes em má articulação são mais suscetíveis a cáries e problemas de gengivas. Os dentes muito juntos proporcionam maior acúmulo de placa bacteriana, a qual é determinante das cáries e dos problemas de gengiva. Além de que dentes apinhados "escondem" as cáries, e quando são descobertas já são grandes
O tratamento dos dentes-de-leite habitua a criança, desde cedo, aos bons hábitos de higiene dentária
Dentes estragados e infeccionados comprometem todo o organismo. Provocam a piofagia (engolimento de pus). Germes são levados pela corrente circulatória, localizando-se em diversas partes do organismo, muitas vezes atacando um órgão já debilitado
Os exames feitos nas crianças permitem, ao clínico geral ou o odontopediatra, verificar qualquer alteração na articulação dos dentes e encaminhar ainda em tempo ao ortodontista. Em alguns casos, os tratamentos ortodônticos podem ser iniciados muito cedo, com grandes benefícios para o paciente. E, não raras vezes, sem que seja necessário colocar aparelhos, outras atitudes proporcionam melhor posicionamento dos dentes. De qualquer maneira, o acompanhamento desde cedo possibilita parâmetros para um diagnóstico futuro. Não deixem, pois, para mais tarde, sem o planejamento e acompanhamento de um ortodontista. É sempre mais fácil ir retificando o crescimento da árvore, do que deixá-la crescer torta para depois endireitá-la

Meios de conservar os dentes
 

Alimentação:
  Uma alimentação perfeita é primordial para a constituição de dentes sãos. Não é suficiente, e muitas vezes até desnecessário, dar cálcio. Muitos pais acreditam que, dando cálcio, está resolvido o problema para conseguir dentes fortes. Sem dúvida, o cálcio, um dos principais elementos da constituição dos dentes, é muito importante. Mas necessita ser aplicado na época oportuna, quando o dente está em formação. Além do cálcio, são importantes para a constituição de dentes fortes: fósforo, vitaminas, principalmente A, C e D. É mais desejável, porém, que esses elementos sejam fornecidos ao organismo através de alimentos, do que de drogas. Para isso, deve haver a orientação do médico pediatra
Escovagem dos dentes:
  A escovagem deve iniciar-se, na criança, o mais cedo possível. A princípio, deve ser executada pela mãe, já que a criança, antes de ter habilidade suficiente para tanto, necessita de que seus dentes sejam limpos. Os fabricantes de escovas de dentes oferecem um tamanho infantil muito próprio e atrativo. A escovagem à noite é a mais importante, porque, durante a noite, há uma diminuição considerável de excreção salivar, que é um dos elementos naturais e benéficos de limpeza dos dentes
Fluoração:
  Está comprovado, estatisticamente, que o flúor tem uma influência altamente significativa sobre os dentes, diminuindo a incidência de cáries. Pode ser administrado de duas maneiras: a) aplicações tópicas sucessivas, sobre a superfície dos dentes; b) ingestão prolongada de um sal de flúor diluído na água. Algumas cidades, inclusive Uruguaiana, adicionam flúor na água potável. Este segundo meio é consideravelmente mais eficiente, desde que o flúor seja ingerido quando os dentes estão em formação e por um período prolongado. No entanto, reputamos mais importante do que a aplicação tópica do flúor, ou mesmo do que sua ingestão, uma escovagem perfeita dos dentes
Exames Periódicos:
  De 6 em 6 meses, os dentes devem ser examinados por um odontólogo, a fim de que as cáries sejam tratadas quando ainda incipientes
Tratamento Ortodôntico:
  A correção dos dentes tortos não têm um resultado unicamente estético. Os dentes em má posição são altamente suscetíveis às cáries e à paradentose (vulgarmente chamada de piorréia)
Cuidado com os doces:
  Os doces são gostosos, mas são um dos principais fatores coadjuvantes da cárie. Não podemos proibir as crianças de comerem doces. Sugerimos que comam quanto quiserem, mas de uma só vez, e logo depois, escovem bem os dentes

Conselho aos pais
 

Não manifestar seus próprios temores diante dos filhos. O medo, que muitas crianças apresentam na primeira visita ao consultório dentário, é devido, quase sempre, a ter ouvido relatos tenebrosos de "experiências" paternas
Não utilizar o dentista como ameaça. As célebres frases como "não incomoda, senão faço o dentista te arrancar um dente", ou, "faço o doutor te dar uma injeção". Fazem crer que estas coisas são tremendamente ruins, pois são oferecidas como castigos
Fazer os filhos se familiarizarem com o consultório dentário. Para isso, eles podem ser levados algumas vezes, como acompanhantes de alguma pessoa da família, que esteja em tratamento dentário. Isto, no entanto, deve ser feito com muito cuidado. De uma maneira completamente natural, sem chamar a atenção da criança para os aspectos negativos. É necessário ter cuidado até com as frases: "Viu que não dói nada ". A palavra dor não deve ser mencionada. A criança deve ser levada ao consultório dentário, da mesma forma como é levada pela mãe quando vai ao cabeleireiro ou à manicure
Fazer com que seus filhos valorizem os bons dentes e que se sintam orgulhosos de tê-los bem limpos e tratados
Não levar a criança ao consultório, a primeira vez, quando ela está com dor. Esta é uma falta imperdoável dos pais. Uma criança que chega ao consultório com dor, obriga o profissional a nela intervir sob condições completamente adversas, em um tecido dolorido e sem a confiança do pequeno paciente. Isto pode causar um traumatismo psíquico, que será levado por toda vida. A criança deve iniciar os exames dentários aos 3 anos e depois, periodicamente, de 6 em 6 meses. Ainda que tudo pareça normal. Assim, ficará familiarizada com o odontólogo e, este, não terá necessidade de usar intervenções imediatas, dedicando algumas sessões, apenas, para conseguir a simpatia e confiança da criança, o que é fundamental para o tratamento dentário.



 

A importância das Restaurações após o término dos tratamentos de Canal.

Um dos exemplos desta afirmação é devido às situações das contaminações bacterianas existentes no meio bucal pela sua condição especial de se tratar de um local úmido e com milhares de espécies de bactérias.

Sabemos que existem de uma maneira geral, dois tipos bacterianos, os aeróbios e anaeróbios, ou seja, um grupo de bactérias, que pode viver na presença de oxigênio e são chamadas de aeróbias e outro grupo , que vive em meios com ausência de oxigênio e denominadas de anaeróbias. Estas bactérias possuem comportamentos e resistências diferentes, mas as anaeróbias são conhecidamente mais resistentes aos medicamentos normalmente usados pelos Cirurgiões Dentistas. Possuem um poder de contaminação mais efetivo e complexo de atuação. Portanto são mais difíceis de serem destruídas, por outro lado sabemos , que estão presentes e em maior número no interior dos canais radiculares de uma maneira geral. Por estas questões nos dias atuais os tratamentos endodônticos têm sido mais complexos, devido ao comportamento destes microorganismos.

Na Endodontia temos meios efetivos para lidar com estes elementos, através de protocolos de instrumentação cada vez mais efetivos e rápidos. Nossas medicações usadas têm demonstrado eficiência, porém os Especialistas sabem das dificuldades no lidar com estas bactérias. A fase final do tratamento endodôntico tem na obturação do canal seu ponto máximo, através do selamento deste importante espaço com a participação de um cimento e cones de guta percha, através do preenchimento lateral e até a região apical das raízes trabalhadas. Sabemos, que quando bem realizada esta missão o paciente terá uma situação perene de saúde nesta região.

Mas, no dia a dia das atividades clínicas temos observado alguns resultados negativos de tratamentos de canal, embora corretamente realizados. Isto é devido quando há falência no vedamento das restaurações das porções coronárias em algum momento ou esta ocorrendo. As restaurações dividem-se em diretas ou plásticas (amálgamas ou resinas) ou indiretas através das várias formas dos tipos de próteses. A proteção da parte coronária quando apresenta falhas de selamento ou vedação permite a passagem ou penetração de toxinas, fluídos ou até mesmo bactérias, que provocam a dissolução do cimento obturador promovendo espaços ou vazios no canal, que servem de morada ou abrigo de toxinas ou até mesmo de colônias bacterianas, que com o passar do tempo geram o fracasso do tratamento do canal. Na verdade, o tratamento endodôntico leva as culpas, mas quem promoveu a falha foi à falta de vedamento. Portanto, aconselhamos, que o selamento deva ser realizado o mais rápido possível através da restauração da parte coronária dos dentes, que tiveram seus canais tratados.

Ou, quando ocorrer alguma fratura, rompimento de restauração em dentes, que tem tratamento de canal anterior busque o mais rápido possível o seu Dentista para fechar a porção perdida.

Sabemos, que um dente com ruptura de restauração na média com mais de três dias exposto a estas condições, já pode estar sujeito à contaminação bacteriana de todo ambiente de sua obturação de canal. Com esta conduta você evitará ter que retratar o canal ou refazer todo trabalho.

A fotografia mostra nos bordos (limites da parede da cavidade e o material restaurador) as manchas e mudanças de coloração, que são os indicadores de que existem infiltrações e contaminações bacterianas.

Nesta fotografia o molar teve perda da restauração por fadiga.

Observa-se no assoalho da cavidade a existência de restos alimentares, partes de material forrador e nas paredes da cavidade manchas, que caracterizam dentina contaminada por germens. Se o dente tinha tratamento de canal e ficar mais de três dias exposto, como no caso da foto, certamente levará o antigo tratamento de canal ao fracasso, pois ocorrerá a contaminação bacteriana.

Quando temos dentes nesta mesma condição, porém possuem polpa viva (nervo vivo) ocorrerá dor e o paciente procurará o seu Cirurgião Dentista com urgência!

Nos dentes com canal já tratado, como não sentem dor a tendência é esperar, geralmente aguardam vários dias. Esta atitude promoverá a contaminação do canal tratado, comprometendo desnecessariamente o tratamento anterior..

“As visitas semestrais ao seu Cirurgião Dentista de confiança podem evitar tais situações e resultam em melhor qualidade de saúde e vida”



 

A IMPORTÂNCIA DO SONO E AS PRINCIPAIS INTERFERÊNCIAS

O que é o sono?

Sono é o nome dado ao repouso que fazemos em períodos de cerca de 8 horas em intervalos de cerca de 24 horas. Durante esse período nosso organismo realiza funções importantíssimas com consequências diretas à saúde como o fortalecimento do sistema imunológico, secreção e liberação de hormônios (hormônio do crescimento, insulina e outros), consolidação da memória, isso sem falar no relaxamento e descanso da musculatura.

Qual é a real importância do sono?

Passamos cerca de um terço de nossa vida dormindo. Dormir bem é essencial não apenas para ficar acordado no dia seguinte, mas, para manter-se saudável, melhorar a qualidade de vida e até aumentar a longevidade. Nosso desempenho físico e mental está diretamente ligado a uma boa noite de sono. O efeito de uma madrugada em claro é semelhante ao de uma embriaguez leve: a coordenação motora é prejudicada e a capacidade de raciocínio fica comprometida, ou seja, sem o merecido descanso o organismo deixa de cumprir uma série de tarefas importantíssimas. O que nos aconteceria se não dormíssemos?

Em estudo realizado pela Universidade de Chicago – EUA, onze pessoas com idades entre 18 e 27 anos foram impedidas de dormir mais de quatro horas durante seis dias. O efeito foi assustador. No final do período, o funcionamento do organismo delas era comparado ao de uma pessoa de 60 anos de idade. E os níveis de insulina eram semelhantes aos dos portadores de diabetes. Em pesquisas de laboratório, ratos usados como cobaias não agüentaram mais de dez dias sem dormir. A conseqüência: morte por infecção generalizada.

É verdade que crescemos enquanto dormimos ?

Sim, é verdade. Na infância, cerca de 90% do hormônio do crescimento é liberado durante o sono. Crianças que dormem mal têm mais chances de ter problemas no seu desenvolvimento físico. O hormônio do crescimento continua sendo liberado mesmo na fase adulta. Embora em doses menores, isso continua ocorrendo durante o sono. Em pessoas adultas ele evita a flacidez muscular e garante vigor físico. Quais são as principais interferências ao sono?

As interferências ao sono poderiam ser classificadas em externas e orgânicas. Como exemplos de interferências externas poderíamos citar os trabalhos noturnos ou turnos rotativos, os eventuais problemas com fusos horários (em casos de viagens), as pessoas chamadas de corujas (que possuem mais energia ao entardecer!) e as chamadas de cotovias (deitam-se muito cedo e dormem cada vez menos com o passar do tempo!). Para exemplificar interferências orgânicas podemos citar o ronco, a apnéia (freqüentemente associada ao ronco), a insônia, a narcolepsia (sonolência diurna excessiva), o bruxismo (ranger de dentes) a síndrome das pernas inquietas e outras. O ronco e o bruxismo, geralmente, incomodam mais quem dorme nas proximidades do que quem apresenta o quadro clínico.

O que é apnéia?

A apnéia é o fechamento (colabamento) da passagem de ar ao nível da garganta pelos próprios tecidos da mesma (por isso freqüentemente está associada ao ronco) com conseqüente parada da respiração. Esse fechamento pode demorar vários segundos e até mesmo causar a morte súbita! Quem possui essa disfunção nem sempre a percebe e apresenta noites com “dorme e acorda” que podem chegar a 300 vezes! Você é capaz de imaginar como a pessoa levanta no dia seguinte?

O ronco e a apnéia podem ser evitados? Algumas providências podem ser tomadas como desde um posicionamento correto na cama à eliminação do hábito de tomar bebidas alcoólicas antes de dormir. A perda de peso pode eliminar depósitos de gordura na região do pescoço que são prejudiciais à passagem de ar, mas, alguns casos persistem e necessitam de tratamento. O que pode ser feito nesses casos?

A abordagem tradicional dos casos de ronco e apnéia tem na cirurgia (uvulopalatofaringoplastia) o seu maior armamento. Contudo, a cirurgia não apresenta índice de sucesso satisfatório (cerca de 40%) e deixa sequelas permanentes. Atualmente, está disponível a opção pelo uso do DAR (dispositivo anti ronco) que é um aparelho odontológico usado apenas para dormir, pequeno e simples que pode ser levado para qualquer lugar e apresenta excelente índice de sucesso (cerca de 87%). Contudo, o aparelho possui contra indicações e um exame clínico inicial deve ser feito.

Veja algumas dicas para melhorar a qualidade do seu sono:

1. Antes de tudo, durma em um local confortável, fresco, escuro e silencioso. As alterações de ruído, de luz e de temperatura podem atrapalhar o sono;
2. Prepare-se para dormir. Crie seus próprios rituais como a meditação, o relaxamento, a oração ou outra técnica de controle da tensão. Anote em um caderno todos os seus problemas antes de dormir. Não vá para a cama com eles! Isso funciona como um santo remédio para muita gente;
3. Evite olhar o relógio a cada vez que acordar: este hábito pode piorar uma eventual noite de insônia;
4. Pratique exercícios regularmente, pois isso melhora as condições do organismo. Mas procure fazer ginástica até duas horas antes de se deitar;
5. Não durma com fome. Uma boa dica é beber um copo de leite morno antes de ir para a cama: o leite é rico em triptofano, que é um precursor da serotonina - substância envolvida no processo de sono;
6. Faça apenas refeições leves à noite. A partir dos 16 anos, a capacidade digestiva de nosso organismo começa a diminuir e uma digestão difícil atrapalha terrivelmente o sono;
7. Use a cama apenas para dormir, e não para ver televisão, ler ou jogar videogame, pois esses hábitos são desfavoráveis ao sono;
8. A melhor posição para dormir é de lado, com as pernas ligeiramente flexionadas e um travesseiro não muito alto apoiando o rosto. Não se esqueça de colocar uma almofada entre as pernas na altura dos joelhos. A densidade correta do colchão é fundamental!
9. Se estiver numa noite de insônia, não fique na cama forçando o sono. Levante-se, procure alguma atividade e só retorne quando sentir sono;
10. Cuidado com líqüidos antes e, até mesmo, durante a noite, pois a necessidade de urinar irá interromper a seqüência do seu sono.



 

A IMPORTÂNCIA DOS DENTES DE LEITE Dentes

Tratamos os dentes decíduos, comumente chamados de dentes de leite para que a criança seja um adolescente e depois um adulto com a boca saudável, sem cáries, sem doenças gengivais e com uma boa mastigação, deglutição, fonação e estética.Os dentes de leite são importantes, pois preparam o caminho para a erupção dos dentes permanentes, servindo de guia para esses nascerem de forma correta. A perda prematura dos dentes decíduos, ou de leite, é considerada hoje em dia como um dos fatores de origem e desenvolvimento de uma articulação anormal dos dentes permanentes ou definitivos. Os dentes de leite começam a erupcionar por volta dos 4 a 6 meses, somam um total de 20 dentes e espera-se que aos 2 ou 2 anos e meio de idade todos os dentes de leite estejam em ação.

Os dentes de leite também têm cáries?

Sim. A cárie dentária é uma doença transmissível, causada pelas bactérias da placa bacteriana, que transformam os açucares da dieta alimentar em ácidos que atacam os dentes.

O que é a placa bacteriana?

É uma película viscosa, composta por bactérias, que adere aos dentes. A placa bacteriana produz ácidos que atacam os dentes e as gengivas.

É fundamental a orientação dos pais, sempre reforçada pelo pediatra, para criar e estimular hábitos saudáveis quanto à saúde bucal de seus filhos. Exemplos: frequência de escovação, hábitos alimentares, uso do fio dental, medidas preventivas e visitas regulares ao dentista.

Cáries

Dicas aos pais:

 

* Até os 6 meses de idade, o ideal é uma alimentação exclusivamente com leite materno, o que retarda a ingestão de alimentos açucarados e a superalimentação.

* Quanto mais tarde o contato da criança com o açúcar, melhor. Crianças com contato precoce com açúcar tendem a recusar alimentos mais saudáveis.

* Os pais devem supervisionar a escovação das crianças ao menos 3 vezes ao dia (depois do café da manhã, do almoço e do jantar)

* Um creme dental com gosto agradável pode facilitar o aprendizado com a escova, mas evite que a criança engula a pasta de dente.

* Evite o consumo exagerado de balas, doces, chocolates fora de hora. É melhor oferecer como sobremesa, higienizando logo após.

* A frequência com que ingerimos açúcar é mais prejudicial para os dentes do que a quantidade.

* Não deixe de visitar o odontopediatra a cada 6 meses para tratamento preventivo, como flúor, selantes e reforço nas orientações de higiene bucal.

* A própria mãe, muitas vezes, acaba passando a bactéria para a criança. Os pais não devem, por exemplo, soprar ou provar a comida do filho ou beijar a criança na boca.

É importante identificar quando o primeiro molar permanente aparece (por volta dos 6 anos de idade). Esse dente não é trocado como os dentes de leite, e a higienização bucal deve ser bastante efetiva para que esse dente permaneça na boca ao longo da vida desta criança. Se conseguirmos manter uma criança sem cáries, ela provavelmente nunca mais as terá, nem na adolescência, nem na idade adulta.

Podem ter certeza que seus filhos agradecerão!



 

A RESPIRAÇÃO BUCAL E AS DEFORMIDADES DENTO-FACIAIS

Atualmente, os problemas respiratórios na infância estão cada vez mais freqüentes, porém pouca gente sabe, da relação desses problemas, principalmente nas crianças que respiram constantemente pela boca, com os problemas ortodônticos, a maloclusão dentária.

A respiração é junto com a mastigação, um dos principais fatores que contribuem para o correto desenvolvimento dos ossos maxilares e conseqüentemente um correto posicionamento dos dentes.

Quando a criança passa a respirar pela boca, várias alterações começam a ocorrer:
 

Passa a manter a boca aberta a maior parte do tempo
A língua passa a ficar mais baixa, junto ao assoalho da boca, em contato apenas com os dentes de baixo
A criança, para facilitar a respiração bucal, projeta a cabeça para a frente, esticando o pescoço, mudando a postura da coluna cervical

 

Essas alterações, junto com a inversão da passagem do ar (o ar passa a entrar e sair pela boca e não pelo nariz) aos poucos vão trazendo alterações para os ossos maxilares, para as arcadas dentárias e para o posicionamento correto dos dentes.

As principais alterações que vemos são o céu da boca alto e estreito, as mordidas cruzadas (quando os dentes de cima encaixam por dentro e os de baixo por fora) que podem ser uni ou bilaterais, as mordidas abertas (quando os dentes da frente não se tocam, ficando um espaço entre eles), os apinhamentos dentários (pela falta de espaço os dentes ficam amontoados) e as retrusões mandibulares (falta de crescimento da mandíbula, o osso onde ficam os dentes de baixo, deixando um espaço horizontal grande entre os dentes anteriores de cima e os de baixo).

As causas principais do aparecimento da respiração bucal são as obstruções das vias aéreas superiores, e podem ser devido à:
 

Obstruções nasais por alergias (Rinites e Rinossinusites)
Hipertrofia de cornetos
Desvio de septo
Adenóides aumentas
Amídalas aumentadas

 

A respiração bucal, hoje, pelo conjunto de sinais e sintomas associados a ela, é conhecida como a Síndrome do Respirador Bucal.

O respirador bucal além das características descritas acima ainda apresenta uma face característica, com:
 

Nariz estreito
Narinas afiladas
Lábio superior curto
Boca entreaberta
Olheiras acentuadas

 

Também pode apresentar baixo rendimento escolar, ser irriquieto, sonolento, apresentar cansaço intenso com pouco exercício físico, Ronca e baba a noite e é um forte candidaqto a apresentar apnéia do sono, ainda na infância.

É um problema sério, que envolve para o seu tratamento, vários profissionais. Em geral, o tratamento da respiração bucal envolve os médicos,principalmente o Otorrinolaringologista, que vai tratar as causas da obstrução nasal, o Ortodontista ou Ortopedista dos maxilares que vai atuar nas seqüelas bucais da respiração bucal, corrigindo os dentes e arcadas dentárias, bem como Fonoaudióloga e Fisioterapeuta.

Como toda alteração que envolve o crescimento e desenvolvimento dos ossos maxilares e arcadas dentárias, o tratamento ortodôntico das seqüelas da respiração bucal deve ser o mais precoce possível, mesmo enquanto a criança ainda tem os dentes de leite, para que essas alterações não se perpetuem durante o crescimento da criança, tornando mais difícil seu tratamento no futuro.


 

ALEITAMENTO NATURAL x ALEITAMENTO ARTIFICIAL

O ideal é que o bebê seja amamentado, exclusivamente, no peito por pelo menos 6 meses, pois desta forma haverá:
 

trabalho dos músculos dos lábios, língua e face, facilitando a elevação da língua e o vedamento dos lábios.
preparação da musculatura para futura mastigação.
reforço da respiração nasal.
preparação dos músculos para boa mobilidade na produção dos sons da fala.
desenvolvimento do terço inferior da face e da maxila, para bom posicionamento dos dentes.
crescimento da mandíbula,entre outros benefícios.

Estamos falando do que é ideal, mas nem sempre o ideal é possível. Nem sempre a realidade da vida das mulheres permite que isso aconteça; então, muitas vezes entra em campo a tão famosa mamadeira. Que nem de longe se compara ao seio materno, tanto em forma como em função. Algumas até que tentam se aproximar, mas não é possível criar forma, consistência e matéria prima tão perfeita quanto o peito da mãe, não é ?

Para saber um pouco mais sobre estas diferenças, a seguir vamos traçar paralelos entre estas duas formas de alimentação.

Mamadeira X Peito

Uma das principais diferenças entre a mamadeira e o peito é a proctabilidade, ou capacidade de distensão, de elasticidade, de um e outro. Os bicos de borracha (fig. 1) são significamente menos elásticos que o bico natural (fig. 2), portanto não se amoldam à boca da criança como deveriam, impedindo o bom posicionamento e trabalho da língua.
 

Fig. 1 - amamentação na mamadeira

( "SOS Respirador Bucal", Gabriela Dorothy de Carvalho, pág. 226, fig. 13.12 )

amamentação na mamadeira

A - Posição da língua no bico fisiológico B - posição da língua no bico Ortodôntico
Nos dois casos (A e B ) observar a posição da língua e comparar com a fig 2.
 

Fig. 2 - amamentação no peito

("SOS Respirador Bucal", Gabriela Dorothy de Carvalho, pág. 235, fig. 13.14 )

amamentação no peito

A,B,C,D e E sequência de posicionamento da língua na ordenha, mostrando a passagem da onda peristáltica que conduz o leite por toda a extensão do mamilo.
 

Outra diferença é como a criança abocanha o bico, chamamos isso de "pega". Na "pega" avaliamos como os lábios são utilizados para promover o vedamento entre lábios e bico, para que a amamentação possa ocorrer. No aleitamento natural os maiores responsáveis por uma boa "pega" são o lábio superior e a abertura adequada da boca, que faz com que todos os músculos da boca funcionem em equilíbrio. Já no aleitamento artificial é o lábio inferior que atua mais intensamente e a abertura de boca não acontece na amplitude necessária causando desequilíbrio dos músculos e, portanto, desequilíbrio da função sucção.
Durante a "pega" do mamilo, ocorre um alongamento adequado do mesmo e ele toma a forma da cavidade bucal do bebê, fazendo com que haja correto posicionamento e funcionamento da língua (fig.2 A - E). Já na "pega" do bico da mamadeira, a boca se adapta a ele, pois é feito de material (silicone ou látex) rígido e não pode ser alterado. Nesse caso, a língua não terá condições de posicionar-se e trabalhar corretamente e, como consequência, teremos uma língua flácida, sem tonicidade suficiente para manter-se dentro da boca.
Uma outra diferença é a maneira como a criança extrai o leite do bico. No aleitamento natural o leite é extraído por meio de movimentos anteroposteriores da mandíbula, realizados por determinados grupos musculares. Esses movimentos são os responsáveis por produzir o crescimento e desenvolvimento da mandíbula, preparando os músculos para que no futuro a criança possa mastigar alimentos com todos os graus de consistência. Na amamentação artificial estes mesmos grupos musculares são praticamente ignorados, não realizando nem 30% do seu potencial. Consequentemente, não existe estímulo de crescimento e desenvolvimento mandibular e, com isso, a criança manterá o retrognatismo fisiológico (queixo para trás, fig. 3 e 4), além do que a musculatura responsável pela futura mastigação não será tonificada, portanto sem o preparo adequado.

 

Fig. 3 e 4 - Retrognatismo Fisiológico (queixo para trás)

Retrognatismo Fisiológico

fig. 3 Índios Yanomamis 1971 - http://www.cleber.com.br/yanomamis/spoyano.html
fig. 4 http://julianwainwright.wordpress.com/page/2/
 

O processo da deglutição (ato de engolir), na mamadeira distingue-se completamente da deglutição no peito. No peito a coordenação dos movimentos da língua, seu correto posicionamento enquanto descansa e enquanto trabalha, o local onde o leite é depositado farão com que a deglutição ocorra normalmente. Ao contrário, na mamadeira onde os grupos musculares utilizados não são os que deveriam ser, a língua não é bem posicionada e o leite extraído sendo depositado em local que favorece engasgos, favorece o processo alterado da deglutição.
A criança amamentada no peito precisa em média de 10 a 20 minutos em cada um deles para se satisfazer por completo. Desta forma, ela estará alimentada, terá sua musculatura exercitada e terá suas necessidades afetivas e neurológicas supridas. Uma criança amamentada na mamadeira precisa em média de 5 a 7 minutos para ingerir o leite (aproximadamente 180 ml), tempo suficiente para satisfazer suas necessidades nutricionais, mas tempo insuficiente para satisfazer as necessidades anteriormente referidas.
Uma última diferença é que o tempo maior no peito permite que o estômago digira com mais facilidade o leite, pois apresenta pré-digestão intrabucal. O leite ingerido em pequenas quantidades também é digerido por partes, não apresentando, portanto, grande distensão estomacal. A ingestão rápida na mamadeira promove distensão rápida das paredes do estômago, podendo provocar diarreias e cólicas.

Está claro que amamentar o bebê no peito só traz vantagens, não é?

Na realidade, esta é a melhor opção, mas caso isso não possa ocorrer, existem orientações da melhor forma de alimentar seu bebê através da mamadeira, causando o mínimo de danos possíveis.


 

AMAMENTAÇÃO

Durante nossos 24 anos de clínica voltada ao tratamento de crianças e adolescentes, quase todos os dias, escutamos as mesmas frases : “Porque nunca ninguém me disse isso antes? ou Porque só fiquei sabendo disso agora?”.

Somos um dentista e uma fonoaudióloga, e trabalhamos somando nossos esforços e conhecimentos para melhor ajudar as crianças. Nossa intenção é a partir deste artigo, sugerir o que pode ser feito na infância para prevenir ou, até mesmo, evitar futuros problemas odontológicos e fonoaudiológicos.

Talvez como tantos outros pais, você também não saiba por exemplo:

Qual a importância do gotejamento do leite para uma boa deglutição.
Qual a importância da respiração exclusivamente nasal no primeiro ano de vida.
Como a mastigação prepara os músculos para a fonação.
Que algumas dores na cabeça podem ser causadas por lábios entreabertos.
Que o queixo para trás ou para frente da criança, pode alterar a postura corporal do seu filho.
Que uma criança que respira pela boca pode ter dificuldade para escovar os dentes e mastigar de boca fechada.

 

Encontramos na literatura que o volume do crânio triplica nos primeiros 3 anos de vida, e que aos 6 anos a criança já possui 80% do crescimento da face que ela terá na idade adulta. Portanto, se pudermos propiciar estímulos de crescimento adequados, obteremos o crescimento mais harmonioso da face da criança. Dentre esses estímulos podemos destacar como os de maior importância:

a amamentação
a respiração
a mastigação

 

Amamentação Natural

Primeiramente, iremos abordar qual a importância da amamentação natural nesse processo de desenvolvimento. Sabe-se que toda criança, ao nascer, possui o seu queixinho mais para trás do que deverá ser quando ela completar seu primeiro ano de vida (figura 1 )

Figura 1 – Observa-se claramente que o queixinho está para trás.

Essa “correção” do perfil da criança só é possível se ela for amamentada corretamente no seio materno.

Amamentar corretamente significa:

Colocar a criança o mais vertical e de frente possível em relação ao seio materno ( figura 2 ) . Assim, você estará propiciando um fortalecimento do músculo dos lábios, que resultará em um bom vedamento labial (essencial para a manutenção da respiração exclusivamente nasal no primeiro ano de vida), além de prevenir otites, já que o posicionamento mais horizontal do bebê favorece o escoamento do leite para a tuba auditiva.

Figura 2 – Mamãe Yanomamis, amamentando com seus filhos na posição vertical, a natureza faz as coisas certas. Estas fotografias foram feitas em 1971, quando os Yanomamis eram isolados e muito pouco aculturados.

Certificar-se de que a criança está com uma abertura de boca suficiente para conseguir “abocanhar” o mamilo e aréola. Desta forma, o mamilo se adapta perfeitamente à boca do bebê, permitindo uma perfeita sincronia dos movimentos da língua durante o ato da deglutição, além de um movimento de vai-e-vem da mandíbula com ritmo e amplitude adequados (essencial para a correção daquele queixinho para trás). Se a mama estiver muito cheia, esvaziá-la um pouco para que a correta “pega” no seio possa acontecer.

Observar se a mama não está obstruindo a respiração nasal do bebê. Alternar as duas mamas, não só para esvaziar o peito, mas, também para que haja estímulo visual, muscular, auditivo e proprioceptivo (sensorial) bilateralmente.

O esforço que o bebê faz para retirar o leite do seio de mãe estimula e trabalha toda a musculatura da boca e da face, preparando-a para que, em um futuro próximo, seja utilizada na mastigação e fonação. A boa amamentação proporciona o crescimento da face e da boca, fazendo com que haja espaço suficiente para o bom posicionamento dos dentes quando estes erupcionarem.

Essas dicas têm caráter informativo e podem servir de guia para quem está começando à vida a três.

Caso você já tenha filhos maiores, entre 3 e 6 anos, as orientações são outras, pois hoje a Odontologia, em especial a Ortopedia Funcional dos Maxilares (especialidade do autor) e a Fonoaudiologia oferecem um arsenal de “ferramentas” que podem ser utilizadas para procurar reverter possíveis alterações na função mastigatória, respiratória e postural.


 

AUSÊNCIA DE UM DENTE

Um dente pode ser perdido por variadas razões, dentre as quais destacam-se: doença periodontal, cárie dentária e traumatismos locais. Geralmente, o paciente procura tratamento quando a estética está comprometida, entretanto, a ausência de um dente vai além dessa questão, pois representa comprometimento da integridade do sistema mastigatório.

IMPLICAÇÕES CLÍNICAS

Quando um dente é perdido, a integridade estrutural de toda a cavidade bucal é afetada, tanto pelo ponto de vista funcional como estético. A migração dos dentes adjacentes (vizinhos) e opostos é possível. Freqüentemente observa-se o movimento de inclinação, o qual provoca desajuste da mordida(oclusão) prejudicando, assim, o funcionamento normal do sistema mastigatório. Além disso, existe o problema de ordem estética. Sob esta ótica, tem sido cada vez mais valorizado o aspecto visual, em que a desarmonia do sorriso pode prejudicar a auto-estima do indivíduo, fazendo-o ficar mais introvertido e menos ativo socialmente.

QUAIS OS TIPOS DE TRATAMENTO ?

Existem diversos tipos de tratamento e a escolha dependerá de alguns fatores como: indicações, contra-indicações, vantagens, desvantagens e adaptação do paciente ao tratamento escolhido, custos. Para que haja sucesso, o tratamento deve ser planejado com cuidado, prestando atenção às reais necessidades do paciente. Desta forma, um diagnóstico detalhado deve ser realizado avaliando condições bucais do paciente, bem como sua saúde geral. Como opções de tratamento para a ausência de um dente, têm-se prótese adesiva, prótese fixa e prótese sobre implante. No caso de perda de mais de um dente, outros tratamentos podem ser sugeridos.

PRÓTESE ADESIVA

A prótese adesiva é uma alternativa restauradora mais conservadora. Utiliza um dente pilar em cada extremidade do espaço desdentado para sustentar a prótese. O preparo dos dentes pilares (desgaste) é reservado a uma pequena porção do dente.
 

Indicações: ausência de 1 dente, especialmente na região anterior; oclusão favorável
Contra-indicações: dentes pilares (vizinhos ao espaço) com grandes restaurações, com condição periodontal (gengivite e mobilidade), quando a higiene do paciente for precária
Vantagens: o preparo(desgaste) conservador, custo reduzido e menor tempo de clínica
Desvantagens: possibilidade de ruptura do sistema de união (interface resina composta/metal e/ou resina composta/esmalte)

PRÓTESE FIXA

A prótese fixa é um tipo de prótese que permanece fixa após a cimentação, não pode ser removida pelo paciente. É necessário utilizar-se um dente pilar em cada extremidade do espaço (edêntulo) para a sustentação à prótese. · Indicações: ausência de um ou mais dentes, tanto anteriores quanto posteriores. · Contra-indicações: mobilidade dentária, higiene bucal precária. · Vantagens: são previsíveis seus resultados, uma vez realizado um planejamento adequado. · Desvantagens: necessidade de preparo com maior desgaste dos dentes adjacentes, tempo maior de tratamento, custo.

PRÓTESE SOBRE IMPLANTE

É um tratamento que requer uma apurada avaliação e planejamento cirúrgico-protético. A prótese sobre implante é um tipo de prótese que utiliza um implante osseointegrado, de forma que a coroa protética seja acoplada a esse implante. Dessa forma, não é necessário o preparo dos dentes adjacentes ao espaço desdentado, como ocorre nas próteses convencionais.
 

Indicações: Podem ser realizados coroas unitárias, assim como próteses mais extensas, dependendo do planejamento e número de implantes
Contra-indicações: paciente com higiene bucal precária
Vantagens: evita a reabsorção óssea
Desvantagens: necessidade e riscos de intervenção cirúrgica, custo elevado, tempo elevado de tratamento

Este tratamento consiste de 2 etapas, a cirurgia (colocação do implante dentário) e a etapa protética ( colocação da prótese dentária). Para a indicação de implantes osseointegrados é necessário uma avaliação inicial (estado geral da saúde) onde exames serão solicitados (hemograma, radiográficos...) .

A disponibilidade óssea (altura e largura), assim como a qualidade são fatores determinantes para a indicação desta técnica. Nos casos em que tenha havido grandes reabsorções ósseas, faz-se necessário avaliar a possibilidade de enxertos ósseos.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Um exame clínico bem feito, com um plano de tratamento adequado são essenciais para o bom prognóstico do caso. O paciente deve estar informado quanto aos tipos de tratamento e suas respectivas características. Durante a escolha da prótese a ser realizada, é importante que o profissional esteja ciente das expectativas do paciente e que, juntos, decidam qual a restauração mais adequada. Uma vez que as necessidades e expectativas variam de pessoa para pessoa, fica difícil determinar qual o melhor tratamento. Para tanto, cada caso deve ser analisado individualmente de forma a resgatar a saúde bucal do paciente.


 

CANAL DENTARIO PERFURADO

O que é Perfuração

Perfuração é uma situação patológica com prognóstico reservado na maioria dos casos para os dentes ou raízes portadores. As perfurações podem ser de causas naturais, ou seja, reabsorções externas com as mais variadas causas determinantes como traumas, ações químicas, forças, inclusive cárie. Existem perfurações de causas técnicas provocadas por falhas nos preparos das restaurações, tratamentos de canal ou outras. A situação da perfuração em relação a região do dente pode ter significados diversos em relação ao futuro do dente, assim como o tamanho.

As perfurações ocorridas nos as- soalhos das câmaras pulpares de pequeno tamanho nas condições técnicas atuais tem prognóstico reservado. As perfurações médias e grandes nesta região do dente tem prognósticos péssimos, geral mente, aparecem problemas periodontais graves, obrigando a contribuição da cirurgia, através de separações radiculares como solução final. As perfurações altas nas regiões dos canais, após a manipulação cirúrgica do trajeto, com sua correção, tem na obturação a solução final de prognóstico muito favorável. E recomendável após a solução endodôntica das perfurações, que os dentes sejam restaurados ou raízes protegidas e que ocorram controles de 90/180 dias, através de radiografias periapicais.

Perfuração é um acidente indesejável ou uma situação de agressão natural, que com uma boa conduta clínica, geralmente tem resposta satisfatória para a manutenção das peças envolvidas.


 

CASO CLÍNICO - Incisivos tomando lugar dos caninos

 


Os quatro Incisivos inferiores eruptaram ocupando o espaço dos Incisivos e dos Caninos decíduos. 
Os Incisivos Centrais superiores eruptaram ocupando o espaço dos quatro Incisivos decíduos. Os Incisivos Laterais superiores estão reabsorvendo as raízes dos Caninos decíduos e irão ocupar o lugar deles. 
Os Caninos permanentes ficarão sem lugar para erupcionarem.
Tudo exatamente como mostra a figura esquemática.


 



 

                          Articulação invertida                       Articulação invertida corrigida
            Desvio Funcional da Mandíbula                         Desvio corrigido


 

Mesmo paciente 4 anos depois.  Falta lugar para os Caninos, exatamente como demonstra a figura 
esquemática.
NOTA:  Observa-se que os 3° Molares estão com grande parte de suas coroas formadas, enquanto que na radiografia de 4 anos antes não havia nenhum sinal de suas presenças.



 

CÁRIE DE MAMADEIRA, VOCÊ JÁ OUVIU FALAR DELA?

A persistência na amamentação, seja ela natural ou artificial durante a madrugada, com grande frequência e sem qualquer tipo de higiene, pode acarretar a chamada cárie de mamadeira ou cárie rampante. É uma cárie aguda, agressiva, de evolução rápida e que provoca muita sensibilidade (dor), podendo causar a destruição dos dentes de leite em um curto espaço de tempo. É uma doença que pode afetar a criança no primeiro ano de vida.

A causa desse tipo de cárie acontece da seguinte maneira: quando a criança adormece, o número e a frequência das deglutições diminuem assim como o fluxo salivar, responsável por banhar e proteger os dentes das bactérias. A associação desses elementos mais o tempo longo em que a criança permanece dormindo, são suficientes para o enfraquecimento das superfícies dentais.

 

Clinicamente, esse tipo de cárie se inicia com manchas esbranquiçadas nos incisivos superiores e inferiores, que, mais tarde, se não removido o hábito, podem vir a formar grandes cavidades (cárie ), podendo até destruir sua coroa clínica ( figuras 1, 2 ).

Outros fatores que podem determinar o aparecimento da cárie de mamadeira são:

adoçar a chupeta com mel ou açúcar para que a criança se acalme e adormeça;
o consumo excessivo de suco ácidos ( laranja, limão ) e coca cola na mamadeira durante o dia todo.

Para evitar a cárie de mamadeira os pais, se possível, não devem oferecer o leitinho da madrugada ou antes de dormir. Esse é o momento de descanso da criança, ela não precisa mamar; neste caso, ela estará sendo induzida a um hábito vicioso e nocivo, que poderá prejudicar seus dentes (mesmo que sejam poucos), principalmente se for adicionado açúcar, achocolatado ou mel.

A limpeza da boca deve ser feita após cada mamada, seja ela no peito ou na mamadeira, com gaze ou fralda embebida em água filtrada ou outra solução a ser prescrita pelo odontopediatra, caso a criança ainda não tenha os dentinhos. Atualmente, é preconizado o início da escovação, com escova de dentes, logo após o aparecimento dos primeiros dentinhos. Para o bebê, a escova indicada, embora tenhamos poucas opções no mercado nacional, é uma escova extra-macia.

A partir da erupção dos primeiros molares decíduos (de leite), a escovação deverá se iniciar através de escovas infantis com cerdas macias, principalmente para higienizar as superfícies oclusais desses dentes, gengiva e língua. A quantidade de pasta para isso é de ,aproximadamente, a de uma ervilha. Muita atenção para a criança não ingerir pastas fluoretadas, já que o flúor é tóxico e se ingerido em pequenas doses diárias causará fluorose.

Se o processo carioso se instalar e não for tratado adequadamente, com o passar do tempo poderão aparecer problemas maiores como: dor de dente, grandes cavidades de cárie, restaurações extensas, tratamento de canal, problema periodontal (de gengiva) ou até a perda precoce de dentes.

É oportuno ressaltar que no passado, quando não havia preocupação com a saúde bucal como há hoje, era comum a errônea idéia de que a perda de dentes de leite não importava, pois eles seriam substituídos pelos dentes permanentes. Isso é um grande equívoco. A perda prematura dos dentes de leite é catastrófica, causando sérios problemas para a dentição permanente.

A convivência harmônica dos dentes de leite com os permanentes deve estar presente até, mais ou menos, 12 anos; por isso, a preservação dos dentes de leite é fundamental para evitar futuros problemas, inclusive ortodônticos.

DIANTE DE TUDO ISSO, QUE TAL A PARTIR DE HOJE MUDAR ESTE HÁBITO?


 

CÂNCER DE BOCA

De uma maneira geral, quanto mais evidente for a alteração epitelial (camada mais externa dos tecidos) de uma lesão e quanto mais tempo permanecer, maior será a possibilidade de transformação maligna. Entretanto, não existe como prever se anormalidades de desenvolvimento celular (displasias ) leves ou graves progredirão ou não para um carcinoma.

Portanto, deve-se estar atento aos sinais identificadores de que alguma coisa não vai bem com sua boca: Feridas na cavidade bucal, com 15 ou mais dias de evolução, que não cicatrizam, precisam ser melhor investigadas. Alterações de cor (particularmente brancas ou vermelhas), consistência, tamanho ou formato, sugerem alterações celulares que podem ou não evoluir para uma neoplasia maligna. E carecem de avaliação por Cirurgião Dentista.

As lesões indolores, porém de longa evolução, são um sinal importante. O carcinoma quase nunca apresenta sinais dolorosos, apenas nos estágios muito avançados da doença. Portanto, dor não necessariamente é indicativo de câncer.

Pacientes maiores de 40 anos, tabagistas pesados (20 ou mais cigarros ao dia) e ou de longa duração (10 anos ou mais), alcoolistas crônicos (especialmente aqueles que ingerem destilados como uísque, vodka ou cachaça), que usam água muito quente no chimarrão ou que se expõem ao sol com frequência estão dentro do grupo de risco para o desenvolvimento de câncer na boca.

O cirurgião-dentista, profissional que normalmente tem o primeiro contato com o câncer bucal, esta preparado para diagnosticar ou encaminhar para outro profissional que avalie adequadamente o problema.

O termo “tumor” não é sinônimo de câncer, mas sim de um crescimento anormal dos tecidos, assim como o “cisto”. Portanto, não dê ouvidos a leigos que, sem o conhecimento da causa, consideram qualquer lesão com crescimento exagerado como câncer.

Tumor, ou neoplasia maligna, só é assim considerado quando vier acompanhado por sinais e sintomas específicos identificados pelo cirurgião-dentista, como história clínica, ausência de limites na lesão, geralmente indolor e de crescimento lento e envolvimento de gânglios linfáticos (“ínguas”). Mesmo com estes dados presentes, a lesão maligna só é confirmada após biópsia (exame que identifica, ao microscópio, as invasões de epitélio no tecido sadio), e deverá ser tratada por médico oncologista. Ao cirurgião-dentista cabe o exame clínico e diagnóstico.

Os termos “lesão”, “tumor”, “crescimento” e “biópsia” denotam terríveis conotações para o paciente. Porém, é bom saber que a maioria das lesões encontradas nas regiões oral e maxilofacial é benigna, tendo completa resolução com o tratamento e o diagnóstico precoces.

Não tenha medo! Se tiver dúvida a respeito da sua saúde bucal, consulte o cirurgião-dentista da sua confiança. Ele é o profissional que pode esclarecer e sanar os seus problemas bucais.


 

Clareamento dentário

O clareamento dentário é uma técnica que se tornou muito popular nos últimos anos devido ao apelo estético por dentes brancos e bem alinhados. O fato que as pessoas desconhecem é que o clareamento é utilizado pelos dentistas há mais de cem anos. Em 1989, foi introduzida a técnica do clareamento caseiro, aquele feito com a moldeira, pelos Drs. Heywood e Heymann, usando o peróxido de carbamida a 10% como agente clareador à noite, em torno de quinze dias, dependendo do tipo de manchas a serem removidas. Essa técnica tornou-se muito popular devido à praticidade e à eficácia. Com o passar do tempo ela sofreu algumas adaptações como o uso de concentrações mais altas dos géis (15%, 16% e 20%) e o uso da moldeira durante o dia.

Atualmente, o clareamento de consultório, que é realizado pelo dentista, é uma alternativa para quem não quer se sujeitar ao uso das moldeiras e quer atingir resultados mais rapidamente, pois as concentrações de peróxido de hidrogênio são mais elevadas, 35% na maioria dos casos. Em geral são feitas duas consultas com três aplicações do gel por quinze minutos, mas isso não é uma regra, podendo ser flexibilizado: por exemplo, o paciente, por apresentar sensibilidade ou por cansaço, pode interromper na segunda aplicação o que, via de regra, acontece. Então fazer mais consultas com menos aplicações do gel é o mais adequado para esse paciente. A utilização de fontes luminosas é rotineira nesse tipo de clareamento, embora, alguns estudos mostrem que não há diferença no resultado final com e sem o seu uso, ainda assim, elas são, sem dúvidas nenhuma, grandes armas de marketing.

ENTÃO, QUAL TIPO EU DEVO FAZER?

Converse com o seu dentista e chegue a um plano de tratamento específico e adequado para você. O clareamento de consultório apresenta algumas vantagens, por exemplo, dispensa o uso de moldeiras, o tempo de tratamento é menor, e, em geral, a sensibilidade dentária é menor do que o caseiro, entretanto tem maior custo. Além disso, é possível combinar os dois tipos. Esse procedimento é comumente utilizado para motivar o paciente, pois são feitas uma a duas aplicações no consultório, o que permite um resultado instantâneo, e o tratamento continua com o uso da moldeira em casa.

COMO FUNCIONA O CLAREAMENTO?

O mecanismo clareador é um processo complexo que é alvo de inúmeros estudos. O clareamento basicamente funciona com uma reação de oxidação dos pigmentos do dente. Ou seja, os peróxidos do gel clareador que têm sua composição H2O2 são instáveis e liberam oxigênio na estrutura dental. Esse oxigênio vai oxidando os pigmentos amarelados, que são compostos, basicamente, por cadeias carbônicas insaturadas, tornando os pigmentos mais claros, que são compostos por cadeias saturadas com grupos hidroxila (OH), até fazer a quebra desses em gás carbônico e água. Um exemplo comum de oxidação é a lenha queimando na lareira. Quando algo é queimado, é rapidamente transformado em gás carbônico, água e calor. A diferença para o clareamento é a velocidade da reação, que é mais lenta e produz substâncias intermediárias mais claras até converter tudo em gás carbônico e água.

DEVO USAR PASTAS DE DENTE WHITENING DURANTE O CLAREAMENTO PARA ACELERÁ-LO?

Não. As pastas de dente que têm essa expressão whitening (branqueamento) na embalagem não têm o mesmo mecanismo de ação que os clareamentos de consultório e caseiro. Essas pastas contêm partículas abrasivas que removem a camada superficial do esmalte junto com as manchas mais superficiais. Com a remoção contínua de esmalte, devido ao uso prolongado, a dentina, que é a camada abaixo do esmalte e é mais amarelada, fica mais visível, deixando o dente, por conseguinte, mais amarelado. Durante o clareamento o esmalte pode ficar mais frágil contraindicando, ainda mais, o uso dessas pastas.

RESTAURAÇÕES E CLAREAMENTO

O clareamento é frequentemente combinado com outros procedimentos estéticos restauradores como restaurações de resina, facetas e coroas. O clareamento é sempre oferecido antes, pois é impossível clarear as facetas e as coroas após sua confecção. Um prazo de uma a duas semanas deve ser aguardado após o clareamento antes de começar o tratamento restaurador, pois os agentes clareadores liberam oxigênio no dente o que prejudica as colagens das restaurações, ou seja, elas podem falhar e “cair” com maior facilidadade.

Aguardando esse período para o oxigênio sair do dente, existe também outro ponto positivo que é a estabilização da cor do dente o que permite que as restaurações sejam mais parecidas com ele. Se você tem restaurações nos dentes de trás (posteriores), como os molares, não há necessidade de troca, a não ser que elas não estejam adequadas, ou que você seja muito exigente. Caso tenha restaurações nos dentes da frente, com o clareamento elas destoarão, e você deve mantê-las de uma a duas semanas para então fazer o trabalho definitivo. Entretanto, é possível fazer restaurações provisórias antes deste prazo, mas é recomendado aguardar no mínimo 24 horas após o término do clareamento. Essas são considerações gerais e caberá ao seu dentista tomar a conduta adequada para o seu caso.

PRODUTOS CLAREADORES OTC (OVER THE COUNTER)

A expressão over the counter drugs do inglês é utilizada para se referir a remédios que são vendidos sem prescrição médica. Ou seja, são aqueles que você acha nas prateleiras de qualquer farmácia, supermercado ou loja de conveniência. Logo, os produtos clareadores OTC também são facilmente encontrados e vendidos. Esses produtos, ao serem administrados sem cautela, podem causar problemas ao indivíduo como erosão do esmalte. Os produtos OTC contêm moldeiras pré-fabricadas que podem extravasar o gel (alguns de alta concentração) para a boca, podendo causar sensibilidade dentária e irritação gengival. Além disso, alguns deles vêm com pasta de dente clareadora que possui dióxido de titânio que é um pigmento branco e pode dar a aparência temporária de dente branqueado.

 

CIRURGIA ORTOGNÁTICA

A cirurgia ortognática é o tratamento para pacientes que possuem deformidades envolvendo o esqueleto facial e os dentes. Quando não é possível resolver o caso somente com o tratamento ortodôntico, uma vez que o problema está no excesso ou falta de crescimento do esqueleto facial e não somente na posição dos dentes, então se faz necessária a cirurgia ortognática.

Qual a origem das deformidades?

Essas deformidades podem ter origem nas Síndromes e Anomalias Específicas (fatores teratogênicos,fatores embriológicos, microssomia hemifacial, Treacher Collins, fissuras faciais, crânio-sinostoses, Pierre Robin...), distúrbios de crescimento após o nascimento, trauma facial, problemas musculares e hormonais ou de origem genética quando existe algum familiar com as mesmas características.

E comum ocorrer o paciente ter a mandíbula grande representando o prognatismo mandibular como as fotografias da paciente abaixo mostrando ante e após o tratamento.
 

          

Outros pacientes apresentam a mandíbula pequena, retrognatismo mandibular semelhante ao saudoso compositor Noel Rosa como é o caso da paciente abaixo.
 

          

Muitas vezes o paciente apresenta problemas combinados associando o maxilar inferior e o maxilar superior, por exemplo: o excesso de crescimento mandibular (mandíbula grande) e a falta de crescimento maxilar (a maxila para trás) necessitando operar os dois segmentos. O paciente a baixo é um exemplo clássico de problema combinado. O maxilar superior foi colocado para frente e o inferior (a mandíbula) para traz.
 

          

O diagnóstico e o planejamento cirúrgico são realizados minuciosamente antes da cirurgia nos modelos de estudo montados em articulador odontológico, radiografias e com o auxílio de computação gráfica.

Veja fotos do articulador abaixo com os modelos antes a após o planejamento cirúrgico.
 

          

Quais os benefícios deste tratamento ortodôntico e cirúrgico?
 

Melhora da relação entre os dentes, músculos e esqueleto
Melhora da respiração
Melhora do posicionamento da musculatura do pescoço
Melhora do posicionamento da língua
Melhora da fonação e da articulação das palavras
Melhora da oclusão e da articulação temporomandibular
Melhora da mastigação e da digestão
Melhora no relacionamento social

Quais podem ser as fases do tratamento?
 

Exodontia dos dentes do siso deve ser no mínimo avaliada antes da montagem do aparelho ortodôntico
Montagem do aparelho ortodôntico fixo – o tratamento ortodôntico pode levar de 8 a 24 meses antes da cirurgia para deixar os dentes em uma posição adequada
Cirurgia Ortognática (ainda com o aparelho de ortodôntico nos dentes)
Trinta dias de recuperação (sem esforço físico, sem esporte e sol)
Retorno ao tratamento ortodôntico de 30 a 60 dias após a cirurgia para melhorar definitivamente a posição dos dentes
Controles periódicos com o cirurgião
O tempo do Tratamento depende do grau de dificuldade do tratamento ortodôntico

Como a cirurgia é realizada?

A cirurgia é realizada no Hospital sob anestesia geral, mas antes é realizado o preparo do paciente com todos os exames necessários. O paciente é internado na manhã da cirurgia em "jejum absoluto" (não pode comer nenhum tipo de alimento nem tomar água nas 10hs antes da cirurgia) e dependendo do porte a cirurgia o paciente recebe alta hospitalar à noite ou na manhã do dia seguinte. A cirurgia é realizada totalmente por dentro da boca, não deixando cicatriz na face!

Existe dor após a cirurgia?

Não! O esqueleto é fixado com mini-placas e parafusos de titânio não permitindo micromovimentação dos ossos havendo ausência da dor. Haverá muito inchaço no rosto o que é normal e a partir do 4º dia começa a diminuir.

A boca fica amarrada? O osso fica fixado?

Não! Antigamente, era utilizado “fio de aço” para unir os ossos e devido a sua instabilidade era necessário manter a boca sem movimentação amarrando os dentes do paciente rigidamente por 30 ou 60 dias com fios de aço. Com o novo sistema de Fixação do Esqueleto com mini-placas e parafusos de titânio, o paciente sai da cirurgia e recebe alta hospitalar sem estar com a boca amarrada. Após quatro dias, inicia o uso de elásticos no aparelho ortodôntico que o próprio paciente coloca e retira em casa.

Quais são os cuidados Pós Cirúrgicos?

Dieta - "30 dias sem alimentos sólidos!” Durante 30 dias o paciente poderá comer alimentos líquidos e pastosos não podendo mastigar nada sólido. Deverá alimentar-se de sucos, vitaminas, sopas, caldos e cremes. A regra é a seguinte: o paciente por 30 dias pode comer "doces, salgados e até pedra desde que esteja batido e coado".

Cuidados Físicos - "30 dias sem esforço físico!” Normalmente, nos primeiros 15 dias, o paciente fica somente em casa. Praticamente, o seu único contato externo é com o seu cirurgião. Após 15 dias, é possível até freqüentar escola, pois o inchaço no rosto já diminuiu muito. Entretanto, durante os 30 primeiros dias após a cirurgia, o paciente não deve realizar nenhum esforço físico maior sendo aconselhável andar no banco traseiro do carro. Tampouco deve expor-se ao sol e manter-se afastado de esportes coletivos ou de riscos por 90 dias.

 

 

A PROCURA DE TRATAMENTO ORTODÔNTICO

Você sente que está necessitando de tratamento ortodôntico?

Está é uma situação que deve ser muito bem definida. O que você pretende de um tratamento ortodôntico pode ser diferente do que o ortodontista entende que deve tratar. O ortodontista precisa saber mais sobre você do que simplesmente avaliar seus dentes. E é muito bom que você saiba algumas coisas importantes sobre a ortodontia.

Por que realizar tratamento ortodôntico?

Basicamente há dois motivos: fisiológico e estético. Alguns pacientes procuram o tratamento porque tem problemas de dor e mau funcionamento (disfunção) da articulação-temporo-mandibular (ATM) outros são assintomático e procuram melhora na estética, da face ou dentes. O ortodontista sempre tem um visão enfocada na fisiologia e na estética. O profissional sabe que a boa oclusão fisiológica é fundamental e que os resultados estéticos, que devem ser buscados, são correlatos a fisiologia.

Como a ortodontia pode melhorar a estética da face?

A posição dos dentes influencia, decisivamente, na estética da face. Os dentes não podem ser tratados ignorando o restante da face. No sentido transversal, deve ser respeitado o biótipo do indivíduo. Pacientes com o rosto estreito (fino e comprido) devem ter arcadas dentária proporcionais ao seu biótipo. Da mesma forma pacientes que tem o rosto largo (tão largo quando comprido, quase quadrado). No sentido póstero-anterior (de trás para frente) a posição dos incisivos, mais para frente ou mais para trás, influencia diretamente na beleza do perfil e na fisiologia da respiração.

Quando os incisivos estão para frente, dizemos que estão protrusos, e quando para trás, disse retrusos. A protrusão de ambas arcadas dentárias, superior e inferior (biprotrusão) é uma característica do grupo racial negro, os quais além dos dentes biprotuídos têm os lábios grossos. Os mongólicos (índios e asiáticos) tendem para a retrusão dos incisivos, com um perfil mais reto. Já os caucasianos (brancos) são intermediários. E, em nossos padrões de beleza, uma leve biprotrusão é sempre preferível do que uma leve biretrusão.

Um conceito fisiológico que influencia a estético é a relação entre os incisivos superiores e inferiores. Os superiores devem ocluir pela frente dos inferiores. Este é um imperativo fisiológico da oclusão, sem o que o aparelho mastigatório funcionará mal, com prejuízo para os dentes. E, esteticamente também é um imperativo devido a influência cultural. Em todas as culturas, expressadas nas artes, há padrões de beleza universais semelhantes, ainda que o conceito de beleza seja subjetivo e de avaliação pessoal. Quem ama o feio bonito lhe parece...

Assim que estética e fisiologia estão sempre juntas?

SIM!!! Pelo menos assim deve ser. Um bom resultado estético está dependente também da harmonia entre as arcadas dentárias (oclusão), a articulação da mandíbula com o crânio (ATM) e posição dos lábios. É esta harmonia que proporciona maior estabilidade da estética e do bem estar do paciente.


 

CRENÇAS E VERDADES NOS TRATAMENTOS DE CANAIS
 

Tratar Canal deixa o(s) dente(s) mais fracos?
  A técnica de tratamento de canal é um procedimento cirúrgico odontológico que remove os conteúdos do interior dos canais, normalmente nos casos de polpa viva (nervo) são tecidos semelhantes a carne, logo são estruturas de pouca resistência física. Limamos e dilatamos o canal para melhor podermos obturar esta cavidade, a raiz permanece com a mesma estrutura de dureza da dentina. Os procedimentos que usamos em nada enfraquecem o remanescente radicular. Na fase final que é a obturação, usamos dois materiais, um sólido, que são os cones de guta percha, outro os cimentos que endurecem após horas. Podemos concluir, que após obturados os canais os dentes até ficam mais resistentes do antes de perderem a vitalidade de suas polpas. Um fato que hoje não mais discutimos cientificamente é quanto a hidratação, ou seja, no passado achávamos que este fator era o responsável pela fragilidade dos dentes tratados, sabemos que a integração de uma raiz ou dente aos tecidos que o sustentam permanece inalterada. Os casos de quebra ou fratura ocorrem independente do dente ou raiz ter ou não tratado o canal. Concluímos que dentes ou raízes após tratamento de canal não ficam mais fracos.

 

Tratar Canal muda a cor do dente?
  As mudanças de cor são mais encontradas nos dentes anteriores de canino a canino, em ambas arcadas. Ocorrem nas outras peças dentárias, porem pela localização, estrutura e condições de iluminação da cavidade oral não apare cem com tanta agressão estética. A mudança é marcada por diferentes tonalidades, que se iniciam do amarelo fraco passando até marrom podendo chegar ao cinza, produzindo efeitos estéticos localizados desagradáveis no conjunto facial, O quadro clínico é devido geralmente a hemorragias internas derivadas da polpa (nervo) ou de restos orgânicos, materiais indesejáveis de tratamentos de canal com técnica deficiente na toalete final. O sangue ex posto após a coagulação começa a sofrer reações químicas em sua degradação, com formação de óxidos ao seu final. São os óxidos os responsáveis pelas modificações de cor nos dentes e raízes. O processo é de longa duração, contínuo e cada vez mais agressivo no que se refere a estética dentária da bateria labial. Cuidados técnicos precisos na fase de limpeza final da câmara pulpar, prevenção através da busca de trabalhos de diagnóstico precoce de morte pulpar, principalmente após acidentes que envolvam trauma ou batidas nos dentes. Nos casos já manifestos é pela técnica de clareamento que conseguimos o retomo estético desejável. O Clareamento consiste em reações químicas, com produção de gás que são ávidos por óxidos que com reações de combinação removem os detritos dos canalículos mais inacessíveis da dentina, O Clareamento é uma técnica que em poucas sessões resulta na volta da tonalidade característica dos demais dentes vizinhos.A mudança de cor é uma anormalidade técnica no tratamento de canal ou a morte pulpar por trauma sem tratamento e a técnica de Clareamento é a solução usada.

 

Instrumentos de Canal fraturados causam algum mal?
  O instrumental usado nos tratamentos de canal são forjados em aço possuindo diferentes formas anatômicas, com estrias, farpas, ranhuras, que servem para rasparem os canais. Os especialistas no trabalho cirúrgico promovem movimentos de raspagem, rotação, torção, transição que podem involuntariamente produzir a fratura ou ruptura do instrumental. No arsenal moderno a disposição dos especialistas em endodontia encontramos o Ultra Som, que muito tem contribuído para remoção ou passagem destes obstáculos no interior dos canais. O instrumental atual é seguramente mais resistente as rupturas, novas ligas de compostos mais eficazes nos asseguram dados estatísticos menores com referência a este acidente. A complexidade de cada caso é identificada pelo tipo de instrumento faipado-estriado) ou a altura no conduto em que ocorreu o acidente. A missão do endodontista é remover ou passar pelo fragmento, após alargando o possível para que a obturação seja concluída. Nos casos em que não conseguirmos passar pelo obstáculo e que não houver lesão apical presente, devemos obturar até o obstáculo e preservarmos em 90/180 dias com controle radiográfi co. Nos casos em que existe lesão apical devemos optar num primeiro momento por uma observação radiológica em 90 dias após a obturação, não observando-se reversão do quadro, fica a indicação da cirurgia periapical como atitude final. A presença física de um instrumento de canal no interior de um conduto radicular assim como sua permanência não causa nenhuma mal a saúde geral. Instrumentos fraturados são obstáculos na execução da técnica de tratamento de canal. No geral as suas permanências nos canais não causam distúrbios à saúde dos pacientes portadores.



 

COMO SALVAR DENTE PERDIDO EM ACIDENTE

O procedimento a seguir não é absolutamente seguro em todos os casos, mas deve ser tentado, com certeza...

Um acidente grave ou um simples tropeção pode ocasionar a perda traumática de um ou mais dentes, que podem "voar" da boca para desencanto do acidentado.>

A literatura odontológica comprova que dentes assim perdidos podem ser salvos se forem reimplantados o quanto antes possível. Recomenda-se o seguinte procedimento:

Imediatamente procurar o dente perdido no local do acidente. Quando encontrado segurar pela sua coroa, sem tocar na raiz.>
Se o dente estiver sujo, lave-o com água ou soro fisiológico e o recoloque no lugar de onde saiu, sem perda de tempo. Se está tarefa lhe for impossível, coloque o dente dentro da boca do acidentado, em baixo da língua ou junto a bochecha. Se isto ainda não for possível, coloque o dente dentro de um copo com água, soro fisiológico ou leite.>
Não limpe o dente com produtos químicos, como anti-sépticos, agentes de limpeza. Não limpe com escavação ou raspagem.>
Procure seu dentista o mais rápido que puder. Não deixe para o dia seguinte. Cuidados especiais devem ser tomados a seguir, sem os quais o procedimento resultará em fracasso, com conseqüências que podem ser graves.>


Recordando: Mantenha calma mas aja rapidamente. Proteja o dentes mantendo-o úmido. Procure o dentista. Ele irá verificar se o dente foi colocado em seu lugar certo. Se ele estiver mal posicionado ele ainda terá tempo de corrigir. Irá colocar uma contenção para imobilizar o dentes permitir que ele se recupere com mais facilidade e no seu devido lugar. Também, o dentista irá tomar outros cuidados preventivos da infecção.


 

Dentes decíduos:

Orientações aos pais

A promoção da saúde, até recentemente considerada como um serviço médico é hoje reconhecida como uma atividade social, sinônimo de qualidade de vida que deve ser fomentada e facilitada não apenas pelas ações dos profissionais da saúde, mas pelas estratégias das instituições governamentais e pelas atividades da comunidade e das pessoas (OMS, 1997).

Atualmente, a Odontologia como todas as Ciências da saúde, está voltada para a educação, a promoção e a prevenção, sendo esta filosofia de fundamental importância, principalmente em se tratando de crianças.

A cárie dentária e a doença periodontal que são os principais problemas odontológicos, frequentemente, começam na infância e suas seqüelas podem ser devastadoras física, emocional e socialmente. Embora severas, essas doenças podem ser facilmente prevenidas pela adoção de hábitos adequados de alimentação e de higiene bucal, mas o sucesso dessas ações depende da participação ativa dos pais, das crianças e dos profissionais da saúde.

Ciente de que a promoção de saúde depende da participação da população bem informada e, que a maioria dos pais desconhece que as crianças na primeira infância também podem desenvolver severos problemas bucais, pretendo, neste ensaio, oferecer aos leitores algumas orientações necessárias para a manutenção da saúde e prevenção dessas doenças nas crianças.

Os dentes decíduos começam sua formação por volta da sexta semana de vida embrionária e, a partir do sexto mês de vida extra-uterina, inicia-se o processo de erupção dentária, sendo os incisivos inferiores os primeiros dentes a irromperem. Seguem a seqüência de erupção, os incisivos centrais e laterais superiores com um intervalo aproximado de dois meses.

Os primeiros molares superiores e inferiores aparecem aos 15 e 16 meses de vida respectivamente, aos 17 meses irrompem os caninos e aos 18 meses erupcionam os segundos molares inferiores seguidos pelos segundos molares superiores, aos 24 meses. Desta forma, aos trinta meses de vida, o processo de erupção da dentição decídua estará completo e as crianças terão 20 dentes na boca, isto é, oito incisivos, quatro caninos e oito molares (Figura 1).

Figura 1 – Cronologia de erupção dos dentes deciduos

 

   

 

Fonte: McDONALD, R. E.; AVERY, D. R. Odontopediatria. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001.

Como o processo de formação e erupção dentaria é complexo e começa na vida embrionária, medidas de prevenção devem ser instituídas mesmo antes do nascimento do bebê. Durante a gestação, os pais devem ser instruídos e incluídos em um programa de Odontologia preventiva que enfatize a importância de adquirir bons hábitos de alimentação e de higiene bucal e como esses hábitos favorecerão a saúde bucal de seus filhos.

Durante a amamentação, recomenda-se aos pais higienizar a cavidade bucal do bebê assim que irromper o primeiro dente, utilizando para tanto, dedeiras especiais, escovas dentárias para bebês ou então, gaze umedecida. Em muitas crianças, a erupção dos dentes decíduos é precedida pelo aumento da salivação e irritabilidade durante o dia. Nesta época, a criança pode intensificar o hábito de chupar o dedo ou de friccionar a gengiva, perder o apetite ou apresentar alterações gengivais.

Com a erupção de mais dentes, os pais devem passar a fazer uso da escova dental para higienizar a cavidade bucal de seus filhos, após as refeições, começando em uma área determinada da boca e prosseguindo de forma ordenada até remover e desorganizar a placa bacteriana. Se os dentes adjacentes estiverem em contato, indica-se o uso do fio dental nessas áreas, sempre motivando as crianças a participarem deste processo.

Embora as crianças desenvolvam a habilidade motora necessária para utilizar a escova dental, é indispensável que os pais supervisem esta atividade e assumam a responsabilidade de escovar e usar o fio dental nos dentes de seus filhos. À medida que a criança adquire destreza manual, essa responsabilidade pode ser transferida para os filhos, mas enquanto o cirurgião-dentista não observe esta habilidade na criança, essa tarefa deverá ser executada por um adulto.

O profissional deve instruir aos pais sobre os métodos de escovação dentária, sobre as técnicas para o uso do fio dental e sobre o uso do flúor e dos agentes reveladores de placa bacteriana. Desta forma, quando a criança tentar a remoção da placa, os pais podem promover a aprendizagem pelo uso de substâncias reveladoras, mostrando à criança as áreas em que é preciso melhorar a higiene bucal.

Conforme foi exposto, a manutenção da saúde e a prevenção da cárie e da doença periodontal dependem da participação ativa dos profissionais da saúde e do grupo familiar “...certamente está nas mãos dos pais prevenir a cárie nas crianças: a experiência ensinará a sua utilidade, o hábito tornar-se-á natural e os pais sentir-se-ão enormemente recompensados, apesar de todo o trabalho” (SANOUDOS; CHRISTEN, 1999).

Contudo, o sucesso destes programas de prevenção está intimamente relacionado à atitude da equipe odontológica que propicia um ambiente agradável tanto para as crianças quanto para os pais e demonstra interesse e respeito pela autonomia e individualidade do grupo familiar.


 

DENTES DO SISO

Dente Incluso

“Órgão dentário que, mesmo completamente desenvolvido, não fez sua erupção na época normal, encontrando-se totalmente rodeado por tecido ósseo ou por tecido ósseo e mucosa” - Centeno GAR, 1987.

Origem do Problema

Falta de espaço na arcada dentária
Dentes muito volumosos
Obstáculo oferecido por dente vizinho
Resistência do tecido ósseo
Resistência da fibromucosa que o recobre por sua densidade
Permanência exagerada de dentes decíduos na arcada
Perda prematura dos dentes decíduos alterando a posição dos permanentes

 

Por que extrair os dentes do siso?

Devido as complicações clínicas causadas por eles a principal indicação é a prevenção!!!!!
 

Prevenção da doença periodontal
Prevenção da cárie dental
Prevenção da pericoronarite
Prevenção da reabsorção radicular
Dentes retidos sob próteses dentárias
Prevenção de cistos e tumores odontogênicos
Prevenção de dor de origem desconhecida
Prevenção de fratura da mandíbula
Facilitação do tratamento ortodôntico
Otimização da saúde periodontal

 

Como extrair os dentes do siso?
 

No consultório odontológico com anestesia local e sedativo via oral
As extrações podem ser realizadas seriadamente, ou seja, um a um ou dois a dois dos dentes inclusos
Raros casos são extraídos sob anestesia geral no hospital que podem envolver desde o perfil psicológico do paciente que inclusive pode referir traumas cirúrgicos anteriores, pela posição extremamente anômala do dente incluso ou pelo seu envolvimento com outras lesões ou regiões anatômicas comprometedoras


 

A IMPORTÂNCIA DA APARÊNCIA FÍSICA

O que é bonito?

Padrões de beleza variam de cultura para cultura, mas a maioria das pessoas valorizam muito mais características faciais bem equilibradas, principalmente na região da boca. A boca é um foco de atenção porque nós consistentemente comunicamos e expressamos nossos sentimentos através dela.

A maioria das pessoas estão muito conscientes sobre a aparência dos dentes, muito embora esta percepção possa ser subconsciente. Num estudo de 75 crianças, com idade entre 9 e 14 anos, cada uma delas foi mostrado fotografias faciais que variavam desde dentes protruídos como coelinhos, mandíbulas retruídas por falta de crescimento, até sorrisos ideais, onde os dentes se encaixavam apropriadamente. Foi pedido para cada criança selecionar um desenho que se parecia com ele ou ela. Invariavelmente, a fotografia da criança com uma mordida ou sorriso ideal foi escolhida.

Em outro estudo de crianças com menos de 8 anos foi mostrado uma série de fotografias de pessoas mutiladas, algumas sem braços, ou sem pernas, outras sem orelhas, ou cegos, ou sem dedos, e também pessoas com fendas labias e/ou palatinas. Foi perguntado às crianças quais das situações seria a mais difícil para se conviver. Quase a maioria delas escolheu a fotografia das pessoas com fendas labiais e/ou palatinas, mostrando assim a percepção que até mesmo as crianças tem com aparência facial.

A necessidade de aceitação é algo que nunca é superada.Um adulto ou uma criança que não sente-se atraente devido aos dentes tortos ou arcadas desalinhadas podem tornar-se inibidos, acanhados, contrangidos, envergonhados e preocupados com sua aparência. Ela ou ela podem muitas vezes cobrir a boca durante uma conversa ou dando risadas, sorrir pouco, ou mesmo tentam esconder ou mascarar seu perfil.

Além de melhorar a saúde bucal, ortodontia é um caminho para melhorar a fisionomia e a auto-estima de uma pessoa. O tratamento ortodôntico pode dar à uma pessoa a sensação de controle, pois proporciona uma oportunidade de participar na melhoria da aparência das pessoas. Aumento na auto-confiança é observado quase sempre antes do tratamento ter sido completo.

Uma aparência melhorada através do tratamento ortodôntico pode melhorar enormemente a auto-estima das pessoas, e melhorando a auto-estima pode definitivamente melhorar a qualidade de vida.


 

Melhor Solução para Transportar Dentes Avulsionados

Qual seria a melhor solução para transportar dentes avulsionados (perdidos) por trauma até o consultório de um dentista?

Cinco soluções foram testadas:
 

Solução Salina Balanceada de Hanks (SSBH),
leite a 2%,
solução para lente de contato,
Gatorate e àgua
Em laboratório, células de ligamento periodontal de seres humanos foram expostos durante 1 hora a cada uma das soluções, na temperatura ambiente e com as soluções no gelo. As células foram observadas após o experimento, 24 e 48 horas depois, para determinar a quantidade de células sobreviventes e a capacidade de regeneração destas células.

 

Os resultados mostraram que as células com maior capacidade de regeneração foram aquelas que estavam armazenadas no gelo com qualquer uma das soluções. A solução com maior capacidade de sobrevivência e regeneração foi a SSBH. Leite gelado foi a segunda melhor escolha. As soluções para lente de contato e o Gatorate gelados mostraram resultados fracos, mas por um período curto poderiam servir. Àgua apresentou o pior resultado e não deveria ser usada.

Portanto, se você presenciar alguém perdendo um dente, primeiro encontre o dente, depois, sem raspá-lo, procure guardá-lo em um recipiente com leite gelado, já que a SSBH é mais difícil de encontrar. Em seguida faça o acidentado procurar um dentista o mais breve possível. Quanto mais rápido o dente for re-implantado, maiores serão as chances de permanência deste dente a longo prazo.


 

DENTES TORTOS

A Ortodontia, ramo da odontologia que se dedica à correção da oclusão dentária (maneira como os dentes fecham,ocluem os de cima com os de baixo) e dos dentes tortos, alcançou tamanho desenvolvimento técnico, nos últimos anos, que permite ao especialista a realização de tratamentos eficientes com excelentes resultados, tanto estéticos quanto funcionais.

A primeira preocupação é o aspecto estético, que geralmente leva à procura de correção dos dentes anteriores. Sem dúvida, é importantíssimo o problema de auto-estima, da aparência pessoal, colocando o indivíduo com mais segurança e tranqüilidade dentro da vida. No entanto não é essa, como parece desavisadamente, a única função do ortodontista. É fundamental, inclusive para a própria solução estética, a restauração do equilíbrio oclusal normal: todos os dentes em posições harmônicas com os seus vizinhos e antagonistas, bem como com os ossos de sustentação e o restante da face. Sem esse equilíbrio oclusal normal, os dentes sofrerão, com sua má posição, o impacto das forças de mastigação em situação anômala, padecendo, então, de traumatismo oclusal. Esse traumatismo é uma das causas de doenças dos tecidos de sustentação dos dentes (osso, ligamento, gengiva), doenças chamadas paradenciopatias, que podem ocasionar a perda dos dentes. Assim, já se vê que a ortodontia transcende ao aspecto estético imediato.

Ainda mais, a má posição dos dentes não permite a benéfica massagem que os alimentos fazem nas gengivas, quando deslizam, depois de comprimidos pela mastigação. Isto resulta em gengivas sangrentas e hipertrofiadas (de volume aumentado).

Também, os dentes tortos colocam-se, geralmente muito juntos e com os pontos de contato incorretos, aumentando a possibilidade de cáries e dificultando sua localização, fazendo com que, nos dentes apinhados, quando as cáries são descobertas, já estão muito avançadas e até mesmo com comprometimento da polpa dentária (nervo).

Qual a idade para o início do tratamento?

O conselho é aquela orientação conhecida e descuidada: prevenir é melhor do que remediar. Portanto, quanto mais cedo, mais acertado será tomar medidas preventivas. Em odontologia, significa providenciar cuidados ortodônticos antes dos dentes permanentes nascerem. Muitos dos problemas ortodônticos têm origem na falta de atenção que recebem os dentes de leite.

Se os dentes de leite estiverem muito cariados, sem restauração, ou forem extraídos, sem colocação de pequeno aparelho assegurador de espaço, os dentes permanentes, ao erupcionarem, não encontrarão seu lugar certo na arcada, tomando posição defeituosa. Maus hábitos, como chupar o dedo, posição defeituosa ao dormir, interposição da língua entre os dentes, respiração bucal, etc., causam maloclusões, que, com tratamento oportuno, poderão ser evitadas.

Pequenas correções, recuperação de espaço perdido, correção de um ou dois dentes com articulação cruzada, etc., quando realizadas cedo, evitam a generalização do mal.

Considerando o que foi dito, é fácil compreender porque deve ser cedo, muito cedo, o momento para preocupar-se com a oclusão dentária. Aqueles pais que tem problemas ortodônticos podem pensar que seus filhos, por herança, também venham a ter dentes tortos. Se a visita ao especialista em ortodontia for cedo para iniciar o tratamento, igual será valiosa, para avaliação e observação. Uma avaliação pré tratamento oferece importantes informações para o profissional. Mais tarde, quando for iniciar o tratamento, possibilitará avaliar a tendência de crescimento com mais segurança.

O especialista em tratamento de crianças, o odontopediatra, está capacitado para prevenir ou interceptar maloclusões, encaminhando ao ortodontista, quando achar oportuno.

Tratamento ortodôntico em adultos

Cada vez com mais freqüência os ortodontistas estão fazendo tratamentos de adultos. Esta tendência iniciou-se, faz um bom tempo, nos EUA, onde os tratamentos ortodônticos são bem caros. Muitos pais, sobrecarregados com os altos custos da escolaridade não podiam fazer o tratamento ortodôntico de seus filhos, os quais, depois de entrarem no mercado de trabalho, e ter sua independência econômica, passaram a buscar tratamento para seus dentes em má posição.

Também, tratamentos ortodônticos com mais de 20 anos de tratados, necessitam algumas vezes de retratamento principalmente em busca de harmonia entre a oclusão de a articulação da mandíbula com o crânio (ATM).

Em decorrência desta demanda a ortodontia evoluiu no tratamento ortodôntico de adultos e hoje não há mais limites de idade para iniciar tratamento. Até mesmo casos graves de doenças dos tecidos de sustentação dos dentes (paradenciopaticas), onde os dentes afrouxam e são projetados para frente, abrindo espaço entre eles (diastemas), o tratamento consiste em tratar a paradenciopatia e levar os dentes, ortodonticamente, para seus lugares de origem e fazer com que fiquem juntos para depois colar uns nos outros (esplintagem).

Por que extrair dentes sãos em ortodontia?

Muito relutaram os ortodontistas, antes de aceitar o fato da extração de dentes definitivos e em perfeito estado, a fim de chegar à correção de problemas da oclusão. Durante muito tempo, estiveram os especialistas divididos em dois grupos: extracionistas e não extracionistas. Estes últimos, em grande número, não podiam admitir a necessidade de mutilar o paciente para corrigir um defeito. Depois de muitas pesquisas e muito estudo, e principalmente ante a evidência dos casos tratados, chegou-se à conclusão mais acertada, hoje pacífica. Em muitos casos, há necessário extrair, sob pena de deformar e perfil ou ter recidiva. Assim, grandes personalidades da ortodontia internacional, adeptos do não extracionismo, depois de praticarem longamente sua escola, renderam-se à imposição e confessaram-se enganados.

A necessidade de extrair apresenta-se, principalmente, nos casos em que os ossos maxilares são pequenos para acomodar todos os dentes. Nestes casos, é necessário diminuir o número de dentes, para poder alinhá-los dentro do maxilar. Duas coisas não ocupam o mesmo lugar no espaço, já nos dizia Newton...

Numerosos são os casos de dentes amontoados por falta de espaço. Alguns devido ao descuido com a dentição de leite, ou à extrações prematuras destes dentes, estes espaços perdidos podem ser recuperado e extrações não são necessárias. Outros, por disrelação hereditária, entre tamanho dos dentes e o osso suporte, algumas vezes necessitam de extrações. Este último caso é realmente curioso e interessante, além de atual e generalizado.

O homem moderno está sofrendo uma transformação no seu aparelho mastigador. Em poucos séculos transformou completamente a maneira de alimentar-se. Enquanto que antes o homem usava os dentes para cortar e triturar os alimentos, hoje a atividade mastigatória diminuiu significativamente. Os alimentos são cozidos, cortados e até liquidificados, antes de irem à boca. Consequentemente, pela hipofunção, os ossos que sustentam os dentes estão diminuindo de tamanho, enquanto os dentes não modificam suas dimensões. Daí a desproporção.

A natureza, como sempre, vai encontrando suas próprias soluções, no caso, ela se ocupa, agora, em diminuir o número dos dentes. O terceiro molar está ausente ou atrofiado em muitas pessoas. Em outras, há ausência congênita de incisivos laterais superiores ou prémolares inferiores. Mas, nos casos em que isto não se dá, principalmente, quando não há ausência congênita dos sisos, poderá ser necessário que o ortodontista recomende extrações para compensar a falta de espaço. Estas extrações podem ser os sisos ou outros dentes, geralmente, os prémolares.

Além da influência alimentar nesse fenômeno da evolução humana, outra causa interessante e comum provoca a disrelação entre osso e dentes. É a herança cruzada. O filho herda os dentes grandes do pai e os maxilares pequenos da mãe.

Quando há indicação de extrair, geralmente, os dentes indicados são os primeiros ou os segundos prémolares. Isto permite a regularização dos dentes anteriores e liberação dos espaços para a erupção dos terceiros molar (sisos).

Não se pode negar ser lamentável a extração de dentes em perfeito estado. Mesmo para o especialista, é uma decisão difícil e muito mais para o paciente. No entanto, nunca será esse fato mais grave e rico de conseqüências perigosas do que o amontoamento dos dentes.

Assim como existem casos em que é evidente a necessidade de extrair ou de não extrair, há os casos limítrofes, em que se balança em extrair ou não extrair. Nestes casos, é necessário que vantagens e desvantagens sejam avaliadas com extremo cuidado por profissional especialista e experiente.

Vê-se que a ortodontia alarga-se em aperfeiçoamentos e ocupa posição importantíssima na solução de problemas dos indivíduos, tanto nos planos mais objetivos e imediatos de saúde e bem-estar, como nos mais elevados de ajustamento dentro da vida e possibilidade de realização.

 

 

 

TRATAMENTO ORTODÔNTICO COM E SEM EXTRAÇÕES

É necessário extrair dentes para fazer tratamento ortodôntico?

Sim... e Não! Em alguns casos, para que se consigam os melhores resultados, tanto estéticos quanto funcionais, é necessário extrair dentes. Não é certo generalizar, tanto para o lado das extrações quanto para não extrações. Cada caso é um caso e isto é sempre avaliado com extremo critério pelo especialista em ortodontia.

Por que extrair dentes em alguns casos?

A evolução da espécie humana vem diminuindo o tamanho das arcadas dentárias. E os dentes não diminuem na mesma proporção. Desta forma falta espaço para que os dentes se acomodem, devidamente alinhados, nos seus suporte ósseos da maxila e da mandíbula. É verdade que o número de dentes está diminuindo, 50 % das pessoas têm ausências congênitas de um ou mais dos terceiros molares (sisos). Quando não ocorre a ausência dos dentes do siso, geralmente há falta de espaço para todos os dentes, incluindo os sisos. Extrair os terceiros molares é uma boa alternativa. Porém, neste caso, já é um caso com extrações... E sendo necessárias extrações, pode ser mais conveniente e vantajoso, para o paciente, extrair outros dentes ao invés dos sisos.

Há profissionais que conseguem fazer tratamento ortodôntico sem extrair?

Os especialistas em Ortodontia e Ortopedia Funcional dos Maxilares procuram, sempre que possível, fazer os tratamentos sem extrair nenhum dente. Um dos recursos para isto é expandir as arcadas dentárias com ou sem expansão das bases ósseas (ver expansão das arcadas dentárias). Também, principalmente em adultos, recorre-se a "slicers", pequenos desgastes nas faces proximais dos dentes, os quais não causam mal e, somados, podem provir os poucos milímetros que sejam necessários. Desta forma é possível evitar as extrações. Porém a expansão das arcadas dentárias não pode ultrapassar o limite das bases ósseas. E os "slicers" restringem-se a poucos milímetros. Desta forma há casos em que se impõe as extrações como a melhor solução e não extrair acarretará outros problemas mais graves.

E como ficam os terceiros molares (sisos) em casos de não extrações?

Quando os sisos estão presentes, de uma maneira geral, é crítico o espaço para a erupção destes dentes. Se o tratamento é feito com o propósito de levar os dentes para trás, isto irá tornar ainda mais crítica a possibilidade de erupção dos terceiros molares. Os ortodontistas e ortopedistas dispõem de recursos para avaliarem o espaço de erupção dos terceiros molares. Se há presença dos terceiros molares e o tratamento propõe-se a levar os dentes para trás, quase certamente os sisos não terão espaço para erupcionarem e terão de ser extraídos. Então o caso é com extrações. E deve ser muito bem avaliado. Pois sendo um caso extrações. E é necessário que se faça um balance das vantagens e desvantagens, de cada caso, extrair terceiros ou extrair prémolares. Acontecem casos de ser mais vantajoso, para o paciente, extrair prémolares do que os sisos.

Por que pode ser preferível extrair prémolares do que sisos?

Os prémolares são os dentes mais fracos que temos. E se os terceiros molares estando bem posicionados e com espaço para irromperem, eles são mais valiosos que os prémolares, por serem mais fortes. Também a extração de prémolares é simples enquanto que extrair terceiros é sempre uma manobra mais complicada. Além disto, extraíndo-se os prémolares, que podem ser os segundos, o espaço é aproveitado em parte para alinhar os anteriores e outra parte para trazer os molares para frente e assim conseguir lugar para os terceiros.

 

 

DISPOSITIVO ANTI RONCO

O PROBLEMA: A apnéia obstrutiva noturna ou apnéia do sono é decorrente da flacidez dos tecidos da garganta, que acabam por obstruir a passagem do ar. Roncar alto, não importa a posição em que se está deitado, acordar cansado, com a boca seca ou com dor de cabeça são sintomas deste tipo de apnéia (pesquisas vem demonstrando que 40% da população ronca e esse percentual aumenta para 60% nos homens com mais de 60 anos de idade). O distúrbio (a apnéia do sono) caracteriza-se por interrupções da respiração durante o sono que acontecem em intervalos de dez a trinta segundos. Frequentemente, a pessoa não percebe que desperta durante a noite para recuperar o ar antes de voltar a dormir.

Nos casos mais graves esse dorme-acorda pode se repetir até 300 vezes! As consequências para a saúde vão de simples sonolência diurna e dificuldade de concentração à problemas cardíacos como hipertensão, infarto, derrame e, até mesmo, morte súbita. Os obesos são mais propensos a sofrer do problema.

Durante o sono, o tônus muscular do pescoço e da faringe decresce. Isso causa um estreitamento do espaço faríngeo e o volume de ar necessário precisa ser inspirado a uma velocidade maior, ocorrendo a vibração dos tecidos moles como palato mole, úvula, língua e faringe. Este é o ronco!

A SOLUÇÃO: O Dispositivo Anti Ronco (DAR) é feito a partir de duas placas acrílicas, superior e inferior, conectadas, que mantém a mandíbula posicionada de forma a abrir o espaço faríngeo e liberar a passagem do ar. Segundo estudos, o DAR apresenta a solução do problema em 87% dos casos de ronco e apnéia, contra 20 a 40% dos casos tratados cirurgicamente. Pessoas edêntulas (sem dentes), que usam prótese total ou não, pessoas que possuem próteses parciais extensas que não permitem uma boa fixação do DAR e problemas periodontais em estágio avançado contra-indicam a utilização do aparelho.


 

DOR DE CABEÇA AGORA É PROBLEMA PARA DENTISTA !

Enxaqueca, dor de cabeça ao acordar, dor no pescoço, dor nos ombros, muita gente padece com esses problemas ao longo dos anos e não acha uma solução! Você sabia que essa solução pode ser encontrada dentro de um consultório odontológico? Dores como essas podem possuir sua causa no “stress” muscular ou mesmo emocional e por funcionamento inadequado do sistema mastigatório (uma para função). O problema possui crescimento do tipo “bola de neve”, ou seja, vai aumentando com o tempo podendo criar raízes emocionais que levem a uma depressão! O problema, muitas vezes, pode ser resolvido de forma simples, dependendo unicamente do correto diagnóstico.

O bruxismo (ranger de dentes) ou o imbricamento dentário (apertamento) levam a um “stress” da musculatura envolvida (são horas seguidas de funcionamento muscular anormal!) que pode resultar numa fadiga muscular ou mesmo num processo inflamatório. A fadiga provoca acúmulo de ácido lático e causa a conhecida dor de cansaço muscular: dor de queimação. Um dos principais músculos envolvidos é o masseter e a dor costuma se localizar na região das têmporas (entre o final das sobrancelhas e o ouvidos). Estou falando apenas das dores, nem comentei sobre o desgaste dentário decorrente da para função que é terrível! No caso de processo inflamatório as dores são piores e o inchaço, inerente à inflamação, pode pressionar um conhecido nervo que fica na região, o trigêmeo e causar a tão temida neuralgia (e não nevralgia!) do trigêmeo.

A dor é intensa e difusa! O diagnóstico correto é fundamental pois há casos de exodontia (extração) de todos os dentes devido às dores, sendo que o problema poderia ser resolvido de maneira muito mais simples. Placas de relaxamento muscular são capazes de solucionar os principais distúrbios causados pelas para funções do sistema mastigatório. O problema do ronco (ruído causado na respiração ao dormir) e o quadro de apnéia obstrutiva do sono (paralisações na respiração por obstrução da passagem de ar) também podem ser resolvidos no consultório dentário! Esses distúrbios do sono possuem conseqüências trágicas que vão desde a separação do casal ao risco de morte súbita! Quer dor de cabeça maior do que anos mal dormidos devido ao barulho do(a) companheiro(a) ou anos de sono (se é que pode ser assim chamado) que não descansam?

O problema é sério e não se esqueça: o ronco incomoda, a apnéia pode matar! Esses problemas, corretamente diagnosticados, também podem possuir simples soluções no consultório odontológico. Os dispositivos intra orais são pequenos aparelhos usados na hora de dormir que resolvem a maioria dos casos (cerca de 90%). Eles podem trazer de volta um prazer a muito tempo perdido, o de dormir bem!

A abordagem odontológica para esses problemas é razoavelmente recente e talvez por isso não seja tão conhecida. Em contato com profissionais familiarizados com esses problemas, é possível reconquistar prazeres fundamentais ao bem estar, muitas vezes a tempo perdidos!


 

ELETROMIOGRAFIA NA ODONTOLOGIA

Em 1981 com o advento do computador pessoal iniciou-se uma nova era em relação a diagnóstico no consultório. A eletromiografia, muito empregada em pesquisas odonto-fisiológicas, começou a ser utilizada no consultório odontológico, como meio auxiliar de diagnóstico. As avaliações de atividade muscular nessa época eram feitas através de números e poucos gráficos, atualmente interfaces extremamente amigáveis e programas de fácil entendimento e manejo, que rodam em Windows, possibilitam ao cirurgião-dentista saber, com segurança, da atividade dos músculos da face.

Objetivos da Eletromiografia do Sistema Estomatognático é mensurar a atividade elétrica dos músculos do sistema mastigatório, avaliando os movimentos simultâneos bilaterais.

Alguns pacientes com dor facial apresentam manifestação dolorosa à palpação na musculatura correspondente, porém, ao exame eletromiográfico observa-se ausência de hiperatividade nesses músculos, sugerindo que pacientes com dor podem estar com o sistema muscular enfraquecido não suportando o uso repetido às solicitações de interferências oclusais ou a atos parafuncionais. (tipo bruxismo e outros). Indivíduos com músculos elevadores da mandíbula fracos estarão mais suscetíveis a dor quando da existência de sobrecarga.

A eletromiografia funcional, como exame complementar a eletromiografia fornece informações a respeito da atividade muscular com a mandíbula em função. Os registros funcionais comumente efetuados são:

Oclusão dental
Deglutição de saliva
Movimento de lateralidade
Mastigação
Fala

 

Importância Clínica da Eletromiografia

Observar a existência de hiperatividade da musculatura, através da eletromiografia, relacionada com a presença de dor muscular à palpação pode levar à conclusão de ser a hiperatividade causa da dor.

Deve-se suspeitar de inflamação muscular (miosite) em pacientes que apresentam dor muscular à palpação e pouca atividade muscular em repouso, o que é muito bem avaliado pelo exame clínico somado a eletromiografia.

Importantes observações como a hiperatividade unilateral do masseter e temporal, o início e intensidade da atividade dos músculos de um lado e o outro da face, são informações que a eletromiografia oferece e que podem ser conclusivos para o diagnóstico e tratamento de rotação mandibular, assimetrias estruturais da face ou oclusão dentária.

Também a eletromiografia induz ao diagnóstico nos casos em que os movimentos de abertura e fechamento da boca não são feitos de forma normal em movimento linear. Da mesma forma a velocidade de abertura e fechamento da mandíbula pode ser de importância para o diagnóstico diferencial dos problemas de dor facial e a eletromiografia oferece informações que podem ser decisivas.

Algumas vezes é difícil diferenciar a origem da dor orofacial, que pode ser dentro da própria articulação da mandíbula com o crânio (ATM) o que torna o caso de maior gravidade ou se é simplesmente muscular. A observação da atividade muscular nos movimentos mandibulares pode ser um fator decisivo.

Considerando que os problemas de desordens da oclusão dentária geram distúrbios na musculatura e que, conseqüentemente, podem chegar a graves lesões intra ATM, conclui-se que quando mais precoce o diagnóstico melhor será o prognóstico de tratamento, sendo que eletromiografia oferece importante ferramenta para complementar este diagnóstico.


 

Endodontia (Tratamento de canal) de dentes jovens

Basicamente, o dente divide-se em duas partes: parte coronária, onde se aloja a polpa coronária e parte radicular, onde se aloja a polpa radicular (Figura 1).

Apesar da polpa (popularmente chamada de nervo) ser didaticamente dividida, na verdade ela é um tecido conjuntivo único e sua condição de saúde pode alterar-se devido a inúmeros fatores (Ex: cárie), sofrendo um processo de inflamação e ou mesmo infecção. Quando se fala de dentes permanentes, estes processos relatados podem acontecer em dentes jovens (crianças e adolescentes) e dentes adultos.

A causa mais comum que envolve os dentes jovens, sem dúvida nenhuma, é o trauma, sendo a avulsão dental (quando o dente sai da boca) considerada a mais perigosa para a criança e ou adolescente (Figura 2). Nestes casos, muitos fatores influenciam a permanência do dente e, entre eles, os mais importantes são:

Tempo que o dente ficou fora da boca: recomenda-se que este tempo não seja superior a 30 minutos;
Meio de transporte do dente, sendo o leite, água, saliva e soro os mais recomendados no Brasil. O dente jamais deve ser transportado a seco e ou ser tocado na raiz.
Um atendimento de urgência e imediato está diretamente ligado a permanência do dente na boca.

Seja qual for o trauma envolvido, o tratamento sequencial que é feito no consultório do dentista é imprescindível, pois sequelas podem aparecer com o passar do tempo (ex: reabsorções, quando o dente vai amolecendo). Na maioria das vezes, este tratamento é multidisciplinar, ou seja, requer a atuação de várias especialidades da Odontologia e, dentre elas, destacam-se a Endodontia, Periodontia (gengiva), Prótese, Dentística (restaurações), Cirurgia e Ortodontia (aparelhos).

Normalmente, a primeira etapa do tratamento sequencial de traumas é a Endodontia. O tratamento de canal convencional visa a remoção (limpeza) do conteúdo total do canal do dente, seja de uma polpa inflamada (neste caso chamado de dente vivo) ou de uma polpa infeccionada (dente morto) e o seu posterior fechamento, seguido pela restauração da parte coronária do dente. Esta mesma sequencia é obedecida quando o tratamento de canal de dentes jovens é executado; entretanto, existem algumas diferenças na conduta, pois dentes jovens nascem com formação radicular incompleta, ou seja, o canal radicular é extremamente amplo e a ponta da raiz é aberta (Figura 3).

Normalmente, os primeiros permanentes a nascerem surgem por volta dos 5 a 6 anos e os últimos por volta dos 12 a 14 anos, com exceção dos terceiros molares (sisos). Após o nascimento, a raiz completa naturalmente sua formação em 2 a 3 anos, exceto quando a polpa sofre qualquer tipo de dano e, nestes casos, o tratamento de canal é então indicado.

A forma diferente de se tratar o canal de dentes jovens baseia-se na falta de um limite para a limpeza e fechamento do canal, uma vez que a ponta da raiz é aberta. Este é o real motivo pelo qual, um tratamento de canal em dentes jovens normalmente demora uma média de 6 meses, pois um medicamento (Hidróxido de cálcio) deve ser trocado com relativa frequência, para induzir a formação do fechamento radicular, em especial da ponta, para que não aconteça extravasamento do material obturador (quando passa material da ponta da raiz e invade o osso).

Com o avanço dos materiais utilizados na odontologia, houve uma evolução neste tipo de tratamento, pois um novo material (MTA) foi introduzido no início desta década, diminuindo o tempo de tratamento dos dentes jovens para uma ou duas sessões, com intervalo entre as consultas não maior do que 15 dias. Este material tem como única desvantagem o seu custo, que é bem maior do que a terapia com o medicamento convencional.

O tempo de vida de um dente jovem com tratamento de canal (Figura 4) normalmente é longo, e depende das funções desenvolvidas pelo dente em questão, assim como outros problemas associados ou não, mas as recomendações são as mesmas para qualquer tipo de tratamento de canal realizado (Figura 5), ou seja, restaurar o dente de forma adequada.

Divisões coroa e raiz e localização da polpa coronária e radicular.
Figura 1- Divisões coroa e raiz e localização da polpa coronária e radicular.

 

Alvéolo (Local do dente no osso) sem o dente
Figura 2- a) Alvéolo (Local do dente no osso) sem o dente e b) Dente reimplantado (colocado de volta no seu lugar).

Cortesia: Ferreira et al. Dental avulsion, from dental replantation to dental implant: a case report with a 20-year follow-up. RBTD, v1, n1, 13- 9.

 

pontas das raízes abertas de dentes jovens.
Figura 3- pontas das raízes abertas de dentes jovens.

 

Tratamento de canal de dentes jovens.
Figura 4- Tratamento de canal de dentes jovens.

 

Tratamento de canal de dente adulto.
Figura 5- Tratamento de canal de dente adulto.
 

 


 

 

Erupção dos 1° Primeiros Molares e Incisivos

Os primeiros dentes permanentes que nascem são os 1º Molares. Eles erupcionam atrás de todos os dentes de leite ( decíduos ) motivo pelo qual não cai nenhum dentes de decíduo para eles nascerem.

Originalmente os dentes de leite têm raízes. Porém, a medida que os dentes permanentes se formam eles reabsorvem as suas raízes até que os dentes de leite caem e os permanentes erupcionam.

É o que se observa nesta imagem. Os 1° Molares permanentes nascendo, atrás dos decíduos, aos 6 anos. E logo após, aos 7 anos, erupcionam os Incisivos Centrais, primeiros os inferiores e depois os superiores. Aos 8 anos nascem os Incisivos laterais.

Sabe-se que estas idades variam de pessoa para pessoa. No entanto é valioso observar a seqüência de erupção. Esta seqüência normalmente não deve variar e se isto acontece é necessário investigar a causa com um dentista, principalmente nos Incisivos.



 

O que é Fístula?

Fístula é um sinal clínico de que na região de seu aparecimento existe infecção em atividade. São entidades clínicas que caracterizam-se pela manifestação muito próxima da origem infecciosa, O aparecimento de uma fístula, geralmente, os dentes ou raízes da região devem ser os causadores. As fístula podem se manifestar no interior da cavidade oral, nas gengivas ou mucosas adjacentes aos agentes causadores.

As fístulas podem aparecer na face, suas pre senças causam como regra geral seqüelas cicatriciais indesejáveis. As fístulas podem surgir sem manifestação de sofrimento para o portador, mas há casos como os abcessos palatais, que até a forma ção e rompimento da fístula promovem muito sofrimento ao porta dor. Existem fístulas muito complexas de resolução geralmente ci rúrgica, que são as que comunicam, a cavidade oral com os seios maxilares. As fístulas oro-antrais, como são chamadas causam quadro clínico desagradável, como ao ingerir líquidos parte é expelida pelo nariz.

As fístulas na cavidade oral desaparecem logo após o diagnóstico e abordagem dos dentes ou raízes portadores de infecção, em média de 3 a 4 dias. Outra situação que costuma pro vocar fístulas são os detritos como areia, parabrisa, asfalto, conti dos e deixados nos tecidos, oriundos de acidentes e traumas. Estas fístulas costumam de tempos em tempos entrarem em atividade, expulso o detrito, ocorre a cura e desaparecimento.

Fístula é uma forma de defesa do organismo na sua luta contra as infecções. Onde existe fístula na região há certamente infecção.


 

FRATURA DE ÓRBITA – O ASSOALHO ORBITÁRIO

O assoalho orbitário é uma fina placa óssea (“lâmina papirácea” – do grego pápyrus = papel) localizada abaixo dos globos oculares, dando sustentação àquelas estruturas. De formato convexo e extremamente fino – de espessura compatível a uma folha de papel -, o assoalho da órbita exerce importante papel anatômico de auto-proteção às estruturas oculares durante os traumas de face (figura 1).
Cavidade ocular com detalhe para o assoalho

1. Esquema representando a cavidade ocular com detalhe para o assoalho

Por ser extremamente delgado, o assoalho orbitário sofre fraturas facilmente (figura 2) durante traumatismos faciais, aliviando a pressão interna na cavidade ocular, o que do contrário poderia levar a danos oftálmicos irreversíveis.
Fratura no assoalho orbitário

2. Fratura no assoalho orbitário

Com o rompimento do assoalho da órbita, é comum que os tecidos que envolvem o globo ocular, como gordura e músculo, herniem (adentrem) para dentro da cavidade formada. Como consequência, os globos oculares perdem a simetria e podem causar visão dupla ao paciente, situação clínica conhecida como “diplopia” – (neologia do séc. XIX – vista duplicada).

Outros sinais comuns à fratura do assoalho orbitário são o edema (inchaço), hematoma (olhos de “guaxinim” – figura 3) e hemorragia subconjuntival (aspecto de “olhos vermelhos).
Olhos de guaxinim

3. “Olhos de guaxinim”

Com o advento da fixação interna rígida por placas e parafusos de titânio na correção das fraturas, o tratamento da fratura de assoalho orbitário tornou-se menos complexo e com melhores resultados. Os exames por imagem como a tomografia computadorizada, em conjunto com o exame clínico, fornece importantes subsídios ao cirurgião bucofacial e norteiam a conduta, que pode variar de tratamentos conservadores até a reconstrução das paredes orbitárias com micro-telas e micro-parafusos de titânio (figura 4).
Reconstrução do assoalho orbitário

4. Reconstrução do assoalho orbitário com tela de titânio


 

FRATURA MANDIBULAR

O osso mandibular, em conjunto com os ossos nasais, é uma das estruturas mais acometidas nas fraturas de face. Este fato constitui-se num interessante mecanismo de autoproteção do organismo, uma vez que a projeção do osso mandibular em relação aos tecidos crânios-encefálicos evita que os traumatismos de face acometam a caixa craniana com facilidade.

Anatômica e didaticamente a mandíbula é dividida em cinco áreas, que são mais ou menos acometidas, dependendo da intensidade, direção e velocidade do trauma: sínfise, corpo, ramo, cabeça da mandíbula (côndilo) e processo coronoide (figura 1). É um osso móvel e bilateral, o que faz com que seus tecidos articulares (ATM), ao movimentar-se simetricamente, sejam o grande desafio da odontologia moderna.
Regiões anatômicas da mandíbula

1.Regiões anatômicas da mandíbula

A região mais comumente afetada nas fraturas de mandíbula é a cabeça da mandíbula, popularmente conhecida como côndilo. Isto acontece devido ao afilamento desta região, o que confere uma barreira protetora à entrada de corpos estranhos (osso fraturado) no interior da fossa craniana. Fortes pancadas na região do mento (queixo), comumente afetam também o côndilo mandibular, devido à transmissão de forças ao longo do osso mandibular até sua região mais enfraquecida.

Outra região com frequência acometida é o ângulo mandibular. Inúmeras publicações confirmam que a presença de um terceiro molar (siso) retido na região facilita uma linha de fratura ao reduzir a área óssea nas proximidades anatômicas (figura 2).
Fratura de ângulo mandibular

2.Fratura de ângulo mandibular

O tratamento consiste no restabelecimento da oclusão (mordida), quer com o uso de placas de acrílico e/ou amarrias metálicas, quer por fixação interna rígida por placas e parafusos de titânio, que é o tratamento com maior grau de rapidez e resolução do quadro. O emprego da fixação interna rígida permite que o paciente permaneça com a mobilidade oral inalterada, situação diferente da ocorrida há alguns anos, quando muitas havia necessidade de bloquear-se a mordida por tempos superiores a 40 dias (figura 3).
Fixação interna rígida de mandíbula

3.Fixação interna rígida de mandíbula

A prevenção consiste na proteção da região, quer evitando-se contato excessivo em esportes de alto impacto, quer no uso correto dos capacetes de proteção, por exemplo. O socorro deve ser imediato, preferencialmente por cirurgião bucomaxilofacial, sob pena de consolidação óssea em mau posicionamento devido ao tempo decorrido entre o trauma e o procedimento restaurador.

Além de osso mandibular fazer parte da estética facial, contribuindo para a melhora na autoestima, é também importantíssimo funcionalmente, tanto na fala, como na mastigação, razão pela qual o tratamento especializado é condição mister para o restabelecimento pleno do paciente acometido.

 

Higiene Oral e Doença Periodontal

As doenças periodontais, cujo fator etiológico primário é o biofilme dental (comunidades de bactérias presentes na cavidade bucal), é uma das grandes responsáveis pela perda de dentes em adultos e pode também provocar alterações gengivais como a gengivite em praticamente toda a população onde a higiene oral não está adequada.

As doenças periodontais são consideradas infecções nas estruturas de suporte dos dentes (osso, ligamento periodontal e gengiva) causadas por bactérias presentes na placa. As alterações mais freqüentes em termos de doença são: gengivite (inflamação na gengiva) e periodontite (perda de suporte ósseo dos dentes).

Gengivite:

Denomina-se gengivite a inflamação da gengiva que contorna os dentes. Afetam adultos e crianças atingindo grande parte da população.

As características clínicas principais são sangramento da margem gengival ao escovar os dentes ou espontaneamente, vermelhidão, edema e mudança de textura (flacidez) da gengiva. A causa principal é o acúmulo demasiado de bactérias (placa) entre a gengiva e o dente. A gengivite causa desconforto, sangramento e mau hálito.

Se a gengivite persistir por longos períodos, meses ou anos, poderá evoluir para uma periodontite que tem como principal dano a perda de suporte dos dentes, podendo evoluir até a perda dos dentes.

Para evitar a gengivite preconiza-se a correta escovação dos dentes e gengivas e uso do fio dental ou escovas interdentais pelo menos uma vez ao dia.

Uma vez já instalada a gengivite recomenda-se um exame periodontal onde se fará um diagnóstico correto da enfermidade. Os tratamentos mais freqüentemente usados são a remoção da placa e tártaro (placa mineralizada) em sessões de raspagem e alisamento dos dentes, instrução de higiene oral individualizada e consulta de manutenção periódica.

Após o tratamento local temos o restabelecimento da saúde gengival de 7 a 21 dias. A gengivite pode também ter influência de fatores sistêmicos como diabete, distúrbios hormonais, imunológicos e outros.

O importante é a disciplina na escovação diária e manutenção periódica no dentista. As pastas de dentes mais indicadas são as que contém produtos anti-placa e anti-tártaro comumente encontradas na maioria dos cremes dentais como Kolynos Total e Colgate Total. As pastas são coadjuvantes na escovação, mas o tempo dedicado e a orientação são mais importantes do que os cremes dentais.

Sempre que a gengiva sangra ela está doente. Neste locais onde ocorre o sangramento deve-se intensificar e aprimorar o uso do fio dental e escovas. Às vezes o dentista tem que remover algum ponto retentivo de placa(restaurações ou tártaro) para reestabelecer a saúde gengival. Periodontite:

A periodontite é uma doença que leva a perda gradual dos tecidos de suporte do dente: osso, ligamento periodontal e cemento.

A causa principal assim como na gengivite é o acúmulo de placa entre a gengiva e o dente. Porém a diferença está na resposta imunológica (defesa) que varia de indivíduo para indivíduo. As pessoas que tem uma alteração nas defesas para menor, herdadas geneticamente ou por algum comprometimento de saúde ou comportamental, são mais suscetíveis à periodontite.

A enfermidade ocorre mais freqüentemente em indivíduos adultos acima de 35 anos. Pode também, com menor freqüência, atingir pessoas jovens ou até mesmo crianças.

Alterações sistêmicas como a diabetes podem influir na marcha de progressão da doença.

Fumo e stress são também coadjuvantes que contribuem para uma maior perda de sustentação em periodontites ativas (não tratadas).

As características nem sempre são perceptíveis principalmente no início e somente o exame clínico e radiográfico poderão identificar a doença.

Os tratamentos baseiam-se na remoção da causa através de raspagem, alisamento e polimento dos dentes e mais uma boa higiene oral.

De acordo com os resultados do tratamento são estabelecidas visitas periódicas ao periodontista para diagnosticar e evitar a recolonização bacteriana eliminando a recidiva da doença. Cabe lembrar que todos os dias se aderem novas bactérias nos nossos dentes.

Portanto o diagnóstico precoce e higiene oral aprimoradas são as principais armas que temos para evitar a inflamação e progressão da periodontite.

Animação ilustrando o progresso das doenças periodontais:

 

 

 

Implantes Dentais Osseointegrados

MARTIN BECHSTEDT

Na década de 60 o prof. Branemark trabalhando com materiais à base de titânio, notou que o organismo aceitava a presença deste mesmo titânio em sua proximidade gerando uma adesão ao metal de maneira muito íntima, dando inicio a chamada era da osseointegração na implantodontia.

O que é um implante?

Consiste em um cilindro de titânio que se comporta como uma raiz dentária artificial. Apresenta rosca interna e externa. A externa é para aumentar a área de integração com o osso e a interna para suportar a futura prótese.

Qualquer pessoa pode fazer implante?

Os implantes dentários apresentam algumas limitações, tais como idade, anatomia e condições orgânicas do paciente. Idade: um implante só pode ser instalado em um paciente que apresente desenvolvimento esqueletal completo. Nos homens à partir dos 18 anos e nas mulheres a idade mínima é por volta dos 17 anos. Quanto aos idosos desde que o paciente apresente boas condições orgânicas não existe contra-indicação. Anatomia: as melhores indicações são as regiões anteriores de pré-molar a pré-molar na maxila e na mandíbula. Regiões mais posteriores sofrem restrições por apresentarem acidentes anatômicos que atrapalham a instalação de um implante, nesses casos se não há altura e ou largura óssea suficiente, faz-se enxerto ósseo para posteriormente instalar o implante. Condições Orgânicas: o paciente deve apresentar condições orgânicas normais.

A cirurgia do implante é complicada? Dói?

Não !!! Simplesmente é uma cirurgia delicada. Delicada para o Cirurgião, não para o paciente. É executada sob anestesia dentária local.

Quanto tempo dura o tratamento?

A osseointegração leva de 4 a 6 meses para se concretizar. Durante este período o paciente usará uma prótese estética e depois monta-se sobre a raiz de titânio um dente que restabelecerá a estética e a função, muito semelhante ao dente natural.

Onde estão indicados os implantes?

Na substituição de dentes unitários ou de grupos de dentes. Inclusive é indicado nos casos de dentaduras superiores e inferiores, onde se usa implantes para reter e estabilizar estas próteses.

Conclue-se que, com os implantes, a missão reabilitadora da Odontologia está plenamente consagrada e comprovada, tornando pacientes satisfeitos, com sua confiança e auto-estima elevada, possibilitando a sua completa integração em ambiente exigente e cada vez mais competitivo.


 

FUNDAMENTOS SOBRE ORTODONTIA

Fundamentos sobre ortodontia

O que é Ortodontia?

Ortodontia é um ramo da odontologia que especializa-se no diagnóstico, prevenção e tratamento das irregularidades dentais e facias. O termo técnico para estes problemas chama-se “maloclusão”, que significa “mordida ruim.” A prática da ortodontia requer abilidade profissional no design, aplicação e controle dos aparelhos corretivos (braquetes) para levar os dentes, lábios e arcadas à um alinhamento apropriado e alcançar um equilíbrio facial.

Por que acontecem os problemas dentais e faciais?

A maior parte das maloclusões são hereditárias, mas algumas são adquiridas. Problemas hereditários incluem apinhamento dos dentes, espaço demasiado entre os dentes, dentes em excesso ou faltando, fendas lábio-palatinas e uma grande variedade de outras irregularidades das arcadas e da face.

Problemas adquiridos podem ser causados por sucção de dedo, deglutição atípica, vias aéreas superiores obstruídas por amigdalas ou adenóides avolumadas, doenças dentais, ou perda prematura de dentes decíduos ou permanentes. Seja adquirida ou hereditária, muitos destes problemas afetam, não apenas o alinhamento dos dentes, mas também a aparência facial.

Por que o tratamento ortodôntico é importante?

Todo mundo quer um sorriso bonito - e todo mundo deveria ter um. O objetivo do ortodontista é alcançar ambos para os pacientes.

Dentes apinhados e tortos são difíceis de limpar e manter. Isto pode contribuir para condições que causam, não apenas cáries dentais mas eventualmente doenças periodontais e perda dentária. Outros problemas ortodônticos podem causar desgaste anormal das superfícies dentárias, estresse excessivo nos ossos que suportam os dentes e nos tecidos gengivais.

Quando deixado sem tratar, muitos problemas ortodônticos podem tornar-se pior. Tratamento realizado por um especialista para corrigir o problema original e frequentemente menos custoso do que cuidados dentários adicionais necessários para tratar problemas mais sérios que podem desenvolver anos mais tarde.

A importância de um sorriso atraente não deveria ser substimado. Uma aparência agradável é um atributo vital para a auto-confiança de um indivíduo. A auto-estima de uma pessoa frequentemente melhora na medida que os dentes, lábios e face são conduzidos à uma harmonia. Neste caso, tratamento ortodôntico pode beneficiar sucesso social ou profissional, bem como melhorar a atitude geral de uma pessoa em relação à vida.

Por que você deveria escolher um especialista?

Dentes, e às vezes, faces são permanentemente mudadas com o tratamento ortodôntico; assim sendo, é muito importante que o tratamento seja feito apropriadamente.

Especialistas em ortodontia limitam sua prática apenas à ortodontia e ortopedia dentofacial, à menos que eles estejam qualificados em alguma outra especialidade reconhecida pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO). Após completar um programa de educação avançada realizado depois do término do curso regular de odontologia, os ortodontistas aprenderam as abilidades especiais necessárias para lidar com movimentos dentários e guiar desenvolvimento facial.

Os especialistas usam as técnicas mais avançadas hoje, e devido ao seu conhecimento e treinamento prolongado, eles podem selecionar materiais e métodos com melhor custo-benefício para corrigir os problemas individuais de cada cliente.

Quando um tratamento ortodôntico deveria começar?

Não existe uma resposta específica para esta pergunta, porque cada problema ortodôntico determina sua melhor época para iniciar. Por esta razão, a Associação Americana de Ortodontistas recomenda que todas as crianças deveriam visitar um ortodontista aos 7 anos de idade, ou mais cedo, se um problema for detectado pelos pais, dentista da família ou pediatra.

Isto pode surpreender você, uma vez que tratamento ortodôntico geralmente é associado com adolecentes. Entretanto, um exame precoce proporciona ao especialista em ortodontia determinar quando uma criança deveria ser tratada com o melhor resultado, no menor espaço de tempo e custo financeiro. Em muitos pacientes, tratamento preventivo alcança resultados que são inatingíveis uma vez que a face e as arcadas tenham terminado seu crescimento.

Tratamento em Adultos também é possível?

Tratamento ortodôntico pode ser aplicado em qualquer idade. Na verdade, + 30% dos pacientes tratados atualmente são pacientes adultos. O processo biológico envolvido no movimento dentário é o mesmo em adultos e crianças. A saúde dos dentes, gengivas e ossos alveolares de um indivíduo é o que é mais importante na determinação da probabilidade para melhorar o sorriso e a saúde dental de um paciente adulto.

Os ossos faciais de um adulto não crescem mais. Assim sendo, certas correções não podem ser alcançadas apenas com os braquetes. Entretanto, mudanças faciais significativas estão agora sendo alcançadas com uma combinação de procedimentos cirúrgicos e ortodônticos para indivíduos que escolhem receber este tipo de tratamento.



 

Instalação de implantes dentários sem cortes na gengiva (Cirurgia Guiada)

Implantes dentários já podem ser instalados de uma forma menos traumática e com menor risco possível ao paciente. A cirurgia guiada é realizada, primeiramente, no computador a partir de uma tomografia tridimensional da arcada dentária do paciente.

As imagens da tomografia computadorizada (TC) são manipuladas em um software específico que permite o planejamento minucioso da cirurgia em 3 dimensões (3D). O cirurgião-dentista pode planejar e instalar os implantes dentários de uma forma virtual, escolhendo a posição e inclinação mais adequada dos implantes, bem como a quantidade de implantes a serem utilizados, levando em consideração as restrições anatômicas do paciente (Figura 1).

Além disso, permite a confecção de um guia cirúrgico de alta precisão (cópia em escala real da região anatômica escolhida), que tem por objetivo permitir a instalação dos implantes dentários sem cortes na gengiva do paciente (Figura 2). Este guia indica ao cirurgião-dentista o local e a inclinação exata onde os implantes devem ser instalados. Ainda, em algumas situações, a instalação da prótese pode ser imediata. Sabendo, previamente, onde os implantes serão instalados, a prótese pode ser confeccionada antes e instalada no mesmo dia.

Contudo, nem todos os pacientes podem fazer a cirurgia guiada. Somente aqueles que apresentem condições ósseas satisfatórias (espessura e altura) para a instalação dos implantes. Aqueles que apresentarem perda óssea precisam passar, previamente, por uma cirurgia de enxerto ósseo. Este procedimento de enxertia óssea pode ser com osso do próprio paciente (enxerto autógeno – retirado da mandíbula, crista ilíaca ou calota craniana) ou com osso do Banco de Ossos Humano.

 

Vantagens da cirurgia guiada:

Redução dos erros trans-cirúrgicos devido ao planejamento detalhado previamente
Procedimento cirúrgico menos invasivo
Menor tempo cirúrgico
Redução dos riscos presentes nas cirurgias tradicionais
Instalação da prótese no mesmo dia
Recuperação pós-operatória mais rápida

Desvantagens da cirurgia guiada:

Maior custo
Erros na realização da TC
Erros na manipulação do software e planejamento virtual
Erros na confecção do guia cirúrgico


 

LASER NA ODONTOLOGIA

A palavra LASER significa light Amplification by Stimulated Emission of Radiation que, em português, seria ‘luz amplificada pela emissão estimulada de radiação’.

O laser é uma fonte de luz com vários comprimentos de onda que lhe conferem propriedades terapêuticas.

O laser de baixa potência ou laser terapêutico (low level laser therapy – LLLT) tem ação antiinflamatória, analgésica e bioestimulante.

Atualmente, devemos considerar o laser um auxiliar terapêutico indispensável aos consultórios odontológicos.

Como toda técnica , porém, é fundamental que se conheça bem os seus princípios básicos, principalmente porque os efeitos e o mecanismo de ação do laser são bastante complexos.

No caso do Herpes Labial, por exemplo, é comum o paciente chegar ao consultório para aplicação do laser, e ele já estar usando uma pomada ou tomando um comprimido para o Herpes. Infelizmente, esses comprimidos ou pomadas, têm o mecanismo de ação somente no DNA do vírus, diminuindo somente o tempo de exposição da lesão não atuando diretamente no fortalecimento da imunidade da região, apesar de não ter problema do seu uso concomitante com o laser.

O laser vai biomodular a região, isto é, vai fazer com que o local fique mais resistente (as células do nosso organismo ficam mais fortes e resistentes ao vírus), fazendo com que a reincidência diminua acentuadamente.

APLICAÇÕES E INDICAÇÕES NA ODONTOLOGIA

Alívio da dor - promove o alívio de dores de diversas etiologias, dores de origem pulpar, dores nevrálgicas, dores em tecido mole, mialgias, dores de pré e pós – operatório, entre outras aplicações.

Reparação tecidual - A fotobioestimulação por laser tem sido empregada de maneira bastante eficaz após tratamento de canal, lesões traumáticas, promovendo uma reparação tecidual mais rápida e com padrão de qualidade tecidual superior.

Redução de edema ou “inchaço” e de hiperemia que seria o aumento da circulação sanguínea local (efeito antiinflamatório, antiedematoso e normalizador circulatório) – Indicado na aplicação do pós operatório de procedimentos no campo da periodontia (inflamações gengivais e dos tecidos de sustentação dos dentes), cirurgia oral menor, etc

Anestesia - Ajuda a diminuir o desconforto do paciente no momento da aplicação da anestesia, visto que pode ser utilizado como pré-anestésico. O laser promove aumento da microcirculação e, desta forma, ajuda na absorção do anestésico, nos casos de pacientes com dificuldade para serem anestesiados.

A laserterapia é bastante eficaz no tratamento da hipersensibilidade dental que está associada a uma dor aguda, súbita e de curta duração. A hipersensibilidade pode ocorrer durante ou após a restauração dental, pela retração da gengiva, e após o clareamento dental.

Dores na articulação da mandíbula
Paralisia facial
Herpes simples (Herpes Labial)
Herpes zoster
Hipersensibilidade dentinária
Afta
Alveolite (infecção ou a inflamação do alvéolo pós extração dentária)
Bioestimulação óssea
Cárie
Endodontia (Tratamento de canal)
Exodontia (Extração dentária)
Língua geográfica (termo usado para descrever a aparência de mapa geográfico da língua, causada por manchas irregulares em sua superfície, de causa desconhecida)
Lesão traumática
Nevralgia do trigêmio (é uma dor de forte intensidade, basicamente tipo um choque ou um raio que ocorre na face das pessoas. É geralmente de curta duração, a dor vem e volta, e é considerada por algumas pessoas a dor mais forte que o ser humano possa sentir)
Parestesia (Sensações cutâneas subjetivas, por exemplo., frio, aquecimento, formigamento, pressão, etc. que são vivenciadas espontaneamente na ausência de estimulação)

 

Laser Terapêutico e Laser para Clareamento em um só aparelho

 

 

 

Aplicação de  laser para hipersensibilidade dentária




 

MINI - IMPLANTES PARA ANCORAGEM ORTODÔNTICA

Com o advento da fixação interna rígida através de placas e parafusos de titânio para a correção das fraturas (figura 1) e mais recentemente com o crescimento do uso de implantes dentários de titânio, chegou-se ao consenso de que o titânio é um material que reúne quase todas as características biológicas indispensáveis para a biossegurança aos tecidos moles e duros do complexo maxilofacial.
Micro placas e parafusos de titânio

1.Micro placas e parafusos de titânio

Neste contexto, a modificação do formato e das características dos parafusos de titânio para o uso na ortodontia, baseado em estudos clínicos, fez com que a técnica para ancoragem absoluta através dos mini implantes ortodônticos seja hoje uma realidade, tornando o tratamento menos incômodo e mais eficiente.

Ainda hoje existem certas situações ortodônticas que demandam grandes dificuldades técnicas, tais como a distalização e intrusão de molares. A ancoragem óssea absoluta obtida com os mini implantes ortodônticos veio simplificar o trabalho do ortodontista nestes casos específicos (figura 2).
Micro placas e parafusos de titânio

2.Mini implantes ortodônticos

A técnica de inserção dos mini-implantes ortodônticos é bastante simples. Sob anestesia local, seleciona-se o local de seleção dos implantes, geralmente entre as raízes dos dentes envolvidos, tanto na mandíbula, mas especialmente na maxila. Faz-se pequena incisão no local e insere-se o mini-implante, manualmente ou com uso de brocas. Quase sempre não são necessárias suturas, já que a incisão é mínima e a recuperação é indolor e rápida (figura 3).
Micro placas e parafusos de titânio

3.Mini implante em posição

A presença de um anteparo metálico dentro do tecido ósseo permite que o ortodontista faça movimentos mais precisos e mais rápidos utilizando o mini implante como âncora, reduzindo o tempo de ortodontia, já que a técnica de ancoragem fixa permite os movimentos necessários para o bom andamento do planejamento.

Outras vantagens do tratamento ortodôntico com o auxílio de mini implantes são o menor tempo de tratamento ortodôntico e consequentemente a redução nos custos, o reduzido tempo cirúrgico, a técnica pouco invasiva, a eliminação da necessidade do uso de aparelhos extra-orais, tamanho reduzido dos mini implantes o que possibilita o seu uso em quase todas as situações clínicas, capacidade de suportar grandes forças ortodônticas, e a possibilidade de movimentação sem interferir na estabilidade dos dentes pilares.

Como conclusão, a técnica dos mini-implantes ortodônticos é totalmente segura, otimizando os resultados finais e reduzindo o tempo de tratamento.


 

Mordida errada em crianças: prevenir e tratar é possível

Sucessivas gerações de crianças crescem e se desenvolvem sem cáries. A maioria sequer ouviu falar em brocas de dentista ou anestesia. Desconhecem o que é dor de dente. Ao contrário, desde pequenos já reconhecem como se proteger das cáries: escovar os dentes com creme dental com flúor, usar o fio dental, e também quando comer doces fazê-lo com moderação.

Sem esquecer, é claro, de uma visita preventiva ao dentista. Essa façanha no comportamento da saúde bucal é resultado de uma profunda mudança nos conceitos sobre a cárie. O reflexo maior dessa mudança é a possibilidade de praticar a prevenção.

Em contraste, outro grande problema tem sido muito frequente: a má-oclusão ou mordida errada. A mordida errada ocorre em cerca de sete entre dez crianças. E já podemos encontrá-la nessa proporção em crianças com dentes de leite. A mordida errada, que inicia na infância, pode se tornar muito agravada na adolescência. E a mordida errada prejudica a qualidade de vida em qualquer idade.

A mordida errada pode, desde a tenra infância, afetar a estética e as funções orofaciais influenciando, portanto, no bem-estar psicológico e social da criança. A qualidade de vida na Odontologia possui três componentes: redução da dor, melhora da estética e melhora da função mastigatória. As crianças precisam receber integralmente essa proteção.

A boa notícia é que, assim como as grandes conquistas na prevenção das cáries, a Odontologia dispõe de uma especialidade voltada à prevenção e tratamento da mordida errada que inicia na infância. A especialidade chama-se Ortopedia Funcional dos Maxilares ou OFM. Aliada à Odontopediatria, a OFM completa um arsenal de poderosos recursos para cessar o problema da mordida errada no seu início.

O ortopedista funcional dos maxilares vigia cada etapa do desenvolvimento da dentição sempre com objetivo de proporcionar a construção de um belo sorriso. Muitas vezes, a mordida errada pode ser resolvida com medidas simples sem o uso de aparelhos. O especialista em OFM usa uma técnica chamada ajuste oclusal. Não dói nada, e pode liberar a criança do dentista em duas consultas ou em até seis meses.

Em outras situações, o especialista em OFM poderá usar, além do ajuste oclusal, aparelhos ortopédicos funcionais. Esses aparelhos corrigem todo tipo de mordida errada na infância. Além disso, melhoram a estética do rosto, auxiliam a respiração pelo nariz, melhoram a forma de engolir, falar e mastigar. O tratamento, nesses casos, poderá ser mais extenso, mas da mesma forma que o ajuste oclusal, o uso de aparelhos funcionais jamais envolvem dor. Além disso, os aparelhos são super coloridos, o que aumenta o interesse das crianças pelo tratamento. Os aparelhos funcionais são removíveis e permitem total higiene dos dentes.

Assim como na prevenção das cáries, a modificação dos hábitos alimentares parece ser importante na prevenção da mordida errada. Seguem orientações que, se forem adotadas desde o nascimento, poderão ter impacto significativo para coibir a formação da mordida errada.

Do nascimento até o aparecimento dos primeiros dentes de leite: amamentar exclusivamente no peito é suficiente para saúde geral do bebê e um excelente estímulo para o desenvolvimento da boca. Deve-se evitar a sucção fácil como o uso de mamadeiras, o uso de chás, bem como a introdução de outros alimentos. Em caso de impedimento do aleitamento natural, usar o copo.
Até completar todos os dentes de leite (cerca de dois anos e meio de idade): Com o desmame natural fazer a introdução gradativa de alimentos sólidos com variada textura, sabor e cor, aumentando gradativamente sua consistência, optando por alimentos mais fibrosos que exijam esforço mastigatório como vegetais. Evitar o uso de líquidos durante as refeições.
Até o aparecimento do primeiro molar permanente (cerca de seis anos de idade): oferecer fartamente alimentos ricos em fibras, frutas, verduras, cereais, restringindo o uso de bebidas altamente calóricas como refrigerantes gasosos e sucos adoçados.

Outro fator importante ligado ao estabelecimento e agravo da mordida errada, gerador de uma deterioração geral na qualidade de vida da criança, é a respiração pela boca. A respiração pela boca deve ser tratada e controlada por um médico e o seu tratamento jamais deve ser postergado. Segue uma relação de alguns tipos de mordida errada que podem ser corrigidos na infância com técnicas ortopédicas funcionais: mordida aberta, mordida cruzada, queixo para trás, queixo para frente, queixo desviado para o lado, dentes tortos, falta de espaço para os dentes, sorriso gengival.

Todo cirurgião-dentista está habilitado a orientar a família e seus pacientes para busca de auxílio oportuno na correção da mordida errada. Porém, cabe ressaltar que no tratamento da mordida errada a tradicional orientação “tem de esperar” está obsoleta e deve ser substituída por uma nova visão que se resume em: Acompanhar o desenvolvimento equilibrado, ao invés de acompanhar o agravamento do desequilíbrio.


 

CRONOLOGIA DA ERUPÇÃO DENTÁRIA - PARTE I DENTES DECÍDUOS

É sumamente importante que os pais conheçam a cronologia da erupção dos dentes das crianças, a fim de melhor avaliarem o desenvolvimento de sua dentição.

A estatura (altura) e o nascimento dos dentes das crianças são facilmente observáveis e espelham seu desenvolvimento.

No entanto, as idades em que irrompem os dentes, tanto os dentes de leite (decíduos ou provisórios) quanto os permanentes, varia muito. Diferenças de até um ano, com o aqui relatado, podem estar dentro da normalidade e individualidade da criança.

Todos sabemos que a idade de vida (idade cronológica) geralmente não coincide com a idade de maturação do desenvolvimento (idade biológica).

O crescimento e o desenvolvimento variam de indivíduo para indivíduo, dependente de sua genética e outros fatores.

As meninas sempre têm maturação mais cedo que os meninos, de tal forma que se pode esperar que as idades aqui referidas (que correspondem à média) sejam menores para as meninas e maiores para os meninos.

Havendo diferença, entre a idade cronológica e a biológica, de mais de 6 meses, é recomendável consultar um especialista.

Nas imagens a seguir, mais importante do que a idade, em se refere ao nascimento do dente, é a cronologia de erupção dos dentes, isto é a seqüência com que eles irrompem na boca da criança.

Ainda que está seqüência também possa apresentar variações individuais, elas podem ser prenuncio de alguma anormalidade. Principalmente naqueles casos em que um dos dentes erupciona e o corresponde no outro lado à arcada (seu homólogo) não erupciona. Exemplo: O Incisivo Central Superior direito erupciona e o esquerdo tarda mais de 3 meses para mostrar sua presença. Quando isto acontece, levanta-se a suspeita de que há algum impedimento ou obstrução no caminho de erupção. Isto pode ser um dente extra numerário, um cisto, ou posição atópica genética ou traumática.

Tão logo se caracterize a irregularidade na seqüência de erupção um especialista deve avaliar esta situação.

Erupção dos dentes de leite

Dentição Decídua (Do nascimento aos 6 anos)

Os dentes decíduos, vulgarmente chamados dentes provisórios ou dentes-de-leite (pela sua cor mais branca), são em número de dez (10) na arcada dentária superior e, com a mesma denominação e número na arcada dentária inferior.

Incisivos Centrais
Incisivos Laterais
Caninos
Primeiros molares decíduos
Segundos molares decíduos

Os dentes decíduos para irromperem devem rasgar a gengiva e isto dói. A criança fica inquieta e até irritada com o nascimento dos dentes, procuram alguma coisa para morder. Um artefato de borracha, que a criança morda, pode ser boa ajuda para apressar o rompimento da gengiva.
 

 

A erupção dos primeiros dentes decíduos, os Incisivos Centrais inferiores, pode ser esperada em redor dos 7 meses de idade, imediatamente a seguir os Incisivos Centrais superiores e depois os Incisivos laterais. Há relatos de crianças que já nascem com os Incisivos Centrais. Diz a história que Robespiare nasceu com dentes...

Aos quatro anos a criança deverá estar com todos os dentes de leite erupcionados. Dentição decídua completa, que permanece assim até os 6 anos, quando nasce o primeiro molar permanente, e inicia-se a dentição mista. Antes dos 6 anos observam-se dois aspectos importantes: a presença de Diastemas dos Primatas e os diastemas que se abrem entre os Incisivos decíduos. Estes dois assuntos serão descritos em separado.

 

Diastema dos Primatas e Diastemas dos 6 anos

O espaço entre os Caninos e Laterais decíduos superiores e Primeiros Molares e caninos decíduos inferiores têm o nome de "Diastema dos Primatas". É herança antropológica, remanescente da evolução das espécies, em que os ancestrais do Homo Sapiens tinham estes espaços onde se alojava o sobre passe oclusal dos caninos que eram muito grandes.
 

 

O "Diastema dos Primatas" é maior na arcada inferior do que na superior

Outros espaços (diastemas) iniciam-se a aparecer, a partir dos 5 anos de idade, entre os Incisivos decíduos, tanto inferiores quanto superiores. Estes espaços são proverbiais, pois os Incisivos Permanentes que irão substituí-los tem diâmetro mésio-distal maior. Graças a estes diastemas eles encontram lugar nas arcadas para erupcionarem. Uma criança com 6 anos que não apresenta estes diastemas, entre os Incisivos e que também não tem os Diastemas dos Primatas, muito provavelmente terá problemas de falta de espaço na mudança dos dentes.

 

ESCLARECIMENTO: Os diastemas que se formam entre os Incisivos decíduos, a partir dos 5 anos de idade, são ocasionados pelo crescimento transversal do maxilar superior (maxila), na sutura palatina.

Na imagem aparecem flechinhas com a intenção de chamar a atenção para a abertura destes diastemas.

Entenda-se que este movimento não é ocasionado por deslocamento para frente (protrusão) dos Incisivos e sim em movimento transversal, que não se pode evidenciar nesta imagem.


 

CRONOLOGIA DA ERUPÇÃO DENTÁRIA - PARTE II DENTIÇÃO MISTA

Erupção da Dentição Mista

  Na Dentição Mista, convivem na boca da criança, dentes decíduos e dentes permanentes, por cerca de 5 anos, é uma fase que deve ser bem conhecida dos pais. Como será mostrado, os primeiros dentes permanente nascem aos 6 anos, atrás de todos os dentes decíduos, é o Primeiro Molar permanente, dando início a Dentição Mista. Depois dos Primeiros Molares nascem os Incisivos Centrais permanetes, esquerdo e direito, (quase sempre primeiro os inferiores e depois os superiores). A seguir nascem os Incisivos Laterais permanentes e assim fica completa a dentição mista. Muitas vezes na dentição mista já está caracterizado o que será a oclusão dos dentes permanente. É importante que um especialista em Ortodontia examine o paciente nesta fase de Dentição Mista.

 

Erupção dos Primeiros Molares Permanentes

  Este é um acontecimento marcante, que deve ser bem ressaltado. Os Primeiros Molares permanentes, que nascem aos 6 anos, dão início a dentição mista, a qual caracteriza-se pela presença de dentes permanentes e dentes de leite, que convivem na boca da criança aproximadamente durante cinco (5) anos. Depois de erupcionados todos os dentes de leite, irrompem os quatro (4) Primeiros Molares permanentes, dois na arcada dentária superior e dois na inferior, o que ocorre em redor dos 6 anos de idade, mas pode acontecer aos 5 ou aos 7 anos de idade. Geralmente os inferiores nascem primeiro.

 

Como estes dentes, não têm antecessores provisórios, rompem a gengiva para erupcionar. Seu nascimento pode provocar dor, maior ou menor, segundo a sensibilidade da criança. Um carinho pode ser o suficiente para aliviar este problema.

Deve-se enfatizar, para pais e responsáveis, que estes Primeiros Molares permanentes nascem atrás dos decíduos, sem que caia nenhum dente de leite para eles nascerem. Ocorre, freqüentemente, que são confundidos pelos pais pensando que eles são dentes de leite. Nenhum dente de leite deve ser descuidado e não devem ser perdidos por cárie. Mas, perder prematuramente os Primeiros Molares permanentes, por cárie, confundido com dentes decíduo, como ocorre em alguns casos, é extremamente lamentável. Estes dentes são quem mantém a oclusão na mudança dos decíduos, motivo pelo qual são chamados dentes "chave da oclusão", sua perda prematura é catastrófica para a oclusão.

Observa-se na figura, que os Primeiros Molares superiores articulam com os inferiores, como os dentes de uma engrenagem. O normal desejável é quando o molar inferior está mais para frente do que o superior, então suas cúspides engrenam da forma chamada CLASSE I (Angle).

Relação Molar – Classes de Angle

Engrenamento cuspídeo dos Primeiros Molares permanentes.

As faces posteriores (distais) dos Segundos Molares decíduos guiam e proporcionam o engrenamento entre as cúspides dos Primeiros Molares superiores e inferiores, podendo-se prever como será o posicionamento em Classe de Angle.

  O mais favorável é quando existe um discreto degrau das faces distais dos Segundos Molares Decíduos inferiores para frente (mesial) do que as faces distais dos Segundos Molares decíduos superiores. Este degrau proporciona que os Primeiros Molares permanentes ocluam em CLASSE I (Angle) Quando o degrau não existe e as faces distais dos Segundos Molares Decíduos estão na mesma linha, ainda há boas possibilidades de que os Primeiros Molares entrem em chave de oclusão de Classe I (Angle). Isto pode acontecer graças ao "leeway" ou ao crescimento horizontal da mandíbula que, geralmente, é maior do que o crescimento horizontal da maxila

 

Quando o degrau formado pelas faces distais dos Segundos Molares Decíduos é o reverso do desejado, isto é a face distal do Segundo Molar decíduo superior está mais para frente (para mesial) do que a face distal do Segundo Molar decíduo inferior, então aos Primeiros Molares permanentes ao erupcionarem irão engrenar em CLASSE II (Angle), o que determinará que todos os outros permanentes irão erupcionar com está anomalia de CLASSE II

Na ocorrência do degrau para mesial ser exageradamente grande, bem maior do que aquele desejado para entrar em Classe I, então os Primeiro Molares irão ocluir em Classe III (Angle), prenunciando macrodontia mandibular

Leeway

  O leeway é um dos recursos que a natureza colocou para facilitar a oclusão normal dos Primeiros Molares permanentes. (Oclusão em Classe I de Angle). Ao contrário dos Incisivos Permanentes, que são maiores do que os Incisivos Decíduos, o diâmetro disto-mesial somados do grupo de Caninos e Molares Decíduos é maior do que os dentes que lhes irão substituir (Caninos e Prémolares). Este espaço que sobre é denominado de "leeway", é maior na arcada inferior (3.6 mm) do que na arcada superior. (1.8 mm.).

 

Alguns autores têm recomendado a utilização do espaço do leeway para favorecer a acomodação dos Incisivos Permanentes, quando lhes falta espaço, recomendam um arco lingual, que impede que os Primeiros Molares inferiores migrem para mesial na ocasião da mudança da dentição mista para permanente. Este é um recurso que por certo poderá ser utilizado, porém deverá se ter em conta que a natureza lhes colocou ai com a finalidade de prover espaço e bom engrenamento dos Molares, não para solucionar os problemas de espaço dos dentes anteriores. Assim, sendo deverá ser avaliadas as vantagens e desvantagem de utilizar este espaço para os anteriores.

Se as faces distais dos 2° Molares Decíduos não têm o degrau favorável, para o bom engrenamento cuspídeo dos Primeiros Molares, a utilização deste espaço na arcada inferior, poderá dificultar o bom engrenamento cuspídeos dos Primeiros Molares e até propiciar que os Molares entrem em Classe II (Angle). E então o pretendido benefício pode gerar uma malefício maior.



 

CRONOLOGIA DA ERUPÇÃO DENTÁRIA - PARTE III DENTIÇÃO PERMANENTE
 

Erupção dos dentes permanentes
 

 

A substituição dos molares decíduos e caninos, da dentição mista, por dentes permanentes inicia aos 10 anos, quando caem (esfoliam) os Primeiros Molares decíduos e erupcionam os Primeiros Prémolares permanentes. A seguir os Segundos Molares Decíduos são substituídos pelos Segundos Prémolares permanentes e logo depois, em redor dos 11 anos, é a vez dos Caninos decíduos serem substituídos pelos Caninos permanentes.

Aos 12 anos, atrás dos Primeiros Molares permanentes nascem os Segundos Molares permanentes. E assim completa-se a dentição permanente, faltando apenas os terceiros molares (dentes do siso), assunto que será referido em separado.



 

NOVO SISTEMA INVISÍVEL PARA CORRIGIR DENTES TORTOS

O que é o Sistema Invisível ?

O Sistema Invisível consiste na possibilidade de fazer um tratamento ortodôntico sem uso de bráquetes ou fios, pois este sistema proporciona a movimentação dentária a partir da troca de uma sequência de alinhadores. Alinhadores são placas de acetato (plástico) que copiam exatamente o formato dos dentes. Para que a movimentação dentária ocorra, existe uma pequena diferença de um alinhador para o outro (no máximo 0,25mm) e com o uso somente por 15 dias de cada alinhador teremos como resultado a movimentação dentária prevista.

Há quanto tempo teve início este tipo de tratamento?

As pesquisas com este sistema iniciaram em 1997. De fato, este aparelho começou a ser comercializado nos EUA em 1998 e no Brasil em 2002.

O aparelho invisível é indicado para todos os tipos de problemas (más-oclusões) e pacientes?

Este sistema trata vários tipos de más-oclusões, mas, em alguns casos, não substitui por completo os aparelhos ortodônticos fixos. Sua aplicação necessita de uma indicação precisa, assim como um tratamento convencional. Este tipo de tratamento é indicado para tratamentos de uma dentição adulta (segundo molares em posição). Alguns casos de pacientes com dentes em erupção também podem ser usados (a partir de 11 anos de idade). Somente um ortodontista treinado poderá dizer se o caso pode ser tratado com aparelhos alinhadores.

Qual o diferencial do Sistema Invisível?

Para o paciente, o maior diferencial é a estética, a transparência dos alinhadores. Muitos pacientes que estão na mídia (jornalistas, atores, modelos, apresentadores), usam este aparelho e ninguém consegue perceber, até mesmo quando aparecem em close na televisão. Por ser removível, também favorece a questão da higiene e conforto. O paciente é orientado a remover os alinhadores para se alimentar, portanto, a higienização e a alimentação continuam sendo as mesmas durante o tratamento.

A ausência dos bráquetes elimina o desconforto causado pelo seu volume dentro da boca. Já para o ortodontista, o grande diferencial não são os alinhadores, mas sim a possibilidade de fazer o tratamento de maneira “virtual”. O Ortodontista encaminha moldagens das arcadas para os EUA, juntamente com seu plano de tratamento. As moldagens são escaneadas em um tomógrafo computadorizado e seguindo o plano de tratamento do doutor, técnicos utilizam um software específico para fazer os dentes movimentarem, utilizando as imagens 3-D.

O Ortodontista recebe pela internet uma sequência de imagens formando um “filme” de toda a evolução do caso, do início ao fim, ficando definido nesta etapa quantos alinhadores serão necessários para aquele paciente e em que posição os dentes ficarão ao final do tratamento. Nesta fase, o ortodontista tem um trabalho importante, desenhando o tratamento de acordo com seus objetivos, já que ele pode pedir modificações e alterações para o técnico. Após concluída a fase de elaboração do tratamento virtual, os alinhadores serão confeccionados todos de uma vez, com base nestas imagens 3-D.

Este é um novo conceito de tratar pacientes, o tempo de cadeira e de procedimentos clínicos são reduzidos e o que mais conta é o conhecimento ortodôntico de cada profissional para desenhar o tratamento de seus pacientes, valorizando a formação do especialista.

Em comparação com tratamentos convencionais, qual apresenta melhor condição de higiene?

Apesar de termos a percepção do alinhador recobrir a gengiva marginal livre, e assim proporcionar um ambiente favorável ao acúmulo de placa e desenvolvimento bacteriano, foi comprovado em pesquisas clínicas científicas que o paciente em tratamento com alinhadores apresenta uma melhor higiene se comparado ao tratamento convencional. Por este motivo, o alinhador tornou-se o aparelho de eleição para pacientes que já tiveram comprometimento periodontal e necessitam de tratamento ortodôntico.

Todo Ortodontista faz este tipo de tratamento? Para o Ortodontista aplicar o aparelho alinhador, ele necessita fazer um curso de credenciamento. Apesar do tratamento parecer simples, o entendimento do novo conceito, sua aplicação e limitação, do processo manufatura e logística são fundamentais para obter bons resultados clínicos.


 

ORTODONTIA E CIRURGIA

Tratamento combinado para corrigir deformidades faciais

Os tratamentos das anormalidades dentais, maloclusões e dentes tortos são usualmente corrigidos pelo ortodontista. Anormalidades de crescimento são normalmente corrigidas pelo cirurgião buco-maxilo-facial. Assim, é muito comum encontrar um ortodontista e um cirurgião trabalhando juntos quando as duas condições existem.

O tratamento ortodôntico e cirúrgico é um procedimento combinado envolvendo ortodontia para alinhar os dentes e cirurgia oral para corrigir casos severos de anormalidades das arcadas.

Este trabalho conjunto proporciona melhor saúde oral para milhares de adultos e crianças, que são recompensados com dentes alinhados, sorrisos bonitos e simetria facial - uma combinação maravilhosa de forma, aparência, posição e função.

Quando o tratamento ortodôntico-cirúrgico é recomendado?

As arcadas superior e inferior são as bases sobre as quais os dentes estão alinhados. Quando as arcadas são muito curtas ou longas, largas ou estreitas, uma mordida apropriada não pode ser obtida apenas com os aparelhos ortodônticos

O ortodontisa, em conjunto com o cirurgião oral, formulam um plano de tratamento combinado que pode incluir cirurgia, realizada pelo cirurgião buco-maxilo-facial. Ortodontia e cirurgia podem ser a única opção de tratamento em alguns casos severos.

Que tipo de problemas ortodontia e cirurgia melhor corrigem?

Existe uma grande variedade de causas das discrepância das arcadas - hereditária, trauma, ou outros problemas de desenvolvimento. Os problemas mais comumente corrigidos são: um queixo protruído ou retruído, exposição excessiva de gingiva acima dos dentes superiores, inabilidade de estabelecer contato entre o lábio superior e inferior quando eles estão em repouso, face muito alongada ou assimétrica.

O quê ocorre durante o tratamento?

A maioria dos pacientes passam por um período de tratamento ortodôntico para alinhar os dentes que irão se encaixar apropriadamente após a realização de cirurgia. A cirurgia geralmente é agendada após o alinhamento apropriado dos dentes.

Os aparelhos ortodônticos usados para alinhar os dentes antes da cirurgia são mantidos no lugar durante o procedimento cirúrgico para ajudar a estabilizar os dentes e as arcadas. Após a cirurgia existe um período de tratamento ortodôntico para alcançar o alinhamento final dos dentes, complementando assim a nova simetria facial.

A cirurgia pode ser evitada?

Em pacientes jovens, crescimento facial futuro combinado com intervenção ortodôntica e ortopédica no tempo certo, podem algumas vezes corrigir protrusões e/ou retrusões das arcadas. Um ortodontista trabalhando em crianças com idade a partir de 6 anos pode usar um dos vários aparelhos ortodônticos para guiar o crescimento ósseo, eliminando assim, a necessidade de cirurgia em alguns pacientes. Entretanto, em pacientes que já cessaram o crescimento, o relacionamento impróprio dos dentes com os ossos é frequentemente corrigido com cirurgia.

Quais os riscos destes procedimentos?

A parte do tratamento proporcionada pelo cirurgião buco-maxilo-facial apresenta os riscos usuais inerentes à qualquer tipo de cirurgia. Entretanto, estes procedimentos não são novos ou experimentais. Eles são rotineiramente realizados em consultórios ou ambiente hospitalar. Se você ou um membro de sua família estão para começar um tratamento ortodôntico-cirúrgico, pergunte as seu cirurgião buco-maxilo-facial para explicar os riscos e deixar sua mente tranqüila.

Quais são os benefícios?

Após o término do tratamento ortodôntico-cirúrgico a saúde dental é melhorada - deixando de existir mordidas erradas ou dentes tortos. O relacionamento das arcadas e do perfil estarão mais estáveis, funcional e esteticamente. A aparência facial é melhorada. Mas o maior e melhor benefício é você mais bonito(a), saudável e feliz!!!


 

ORTODONTIA LINGUAL: O FIM DO SORRISO METÁLICO?

Há mais de 30 anos dois ortodontistas, um japonês e um norte-americano propuseram, simultaneamente, a instalação dos aparelhos fixos pela face lingual (face de trás) dos dentes. Com finalidades bem distintas, Kinja Fujita, no Japão, pretendia proteger seus pacientes de golpes marciais levados nos lábios e Craven Kurz, com consultório em Hollywood, visava a esconder o “sorriso metálico” dos artistas que necessitavam melhorar a estética dental. Com recursos escassos e com pretensões nada modestas a Ortodontia Lingual, também chamada de “aparelho invisível”, tem seu início.

Uma euforia precipitada tomou conta dos profissionais da época, levando-os a praticar a técnica, impulsionados pela idéia de tornar o tratamento ortodôntico invisível. Entretanto, devido à falta de conhecimentos específicos, a Ortodontia Lingual foi deixada de lado durante mais de duas décadas. Algumas grandes empresas continuaram investindo em pesquisas para tornar viável um sistema de tratamento ortodôntico eficiente, confortável e totalmente estético para o paciente.

Avanços significativos foram surgindo ao longo dos anos, principalmente na década de 90, onde resultados de tratamentos ortodônticos com aparelhos linguais despontavam na Europa, Ásia e EUA. Os braquetes (peças coladas aos dentes dos aparelhos fixos) apresentaram sucessivas modificações. As novas ligas de fios e braquetes autoligantes e facilitaram o trabalho e tornaram a técnica lingual uma solução de possível utilização em qualquer caso tratado pela ortodontia tradicional (Fig.1). As vantagens desse tratamento, nos dias de hoje, residem no fato de exigir uma fase laboratorial mais simples para o ortodontista, sendo um tratamento de rápida resposta e de adaptação relativamente tranquila para o paciente.

Fig.1 - Aparelho lingual superior com braquetes autoligantes, uma nova geração de aparelhos mais confortáveis e rápidos que as gerações antigas.

DISCUSSÃO E CONCLUSÕES

O comprometimento estético durante a ortodontia convencional é algo notório, visto que grande parte da população adulta procura melhorar a estética do sorriso e, até pouco tempo atrás, era obrigado a portar aparelhos antiestéticos durante o tratamento. A Técnica Lingual supre a exigência desse público através de um tratamento estético, discreto e praticamente invisível.

O ortodontista enfrenta obstáculos inerentes à técnica lingual como a colagem indireta de braquetes e a dificuldade de acesso, mas isso são problemas sanados com os recursos existentes nos dias de hoje. A Ortodontia Lingual é uma forma de terapia segura para qualquer caso, desde os mais simples e também para aqueles mais complexos, os quais exigem controle absolutamente preciso do movimento dos dentes (Fig. 2 a 4).

Fig.2 - Tratamento Lingual simplificado, vista superior inicial e com o aparelho lingual (30 dias de tratamento).

Fig.3 - Tratamento Lingual simplificado, vista inferior inicial e com o aparelho lingual (90 dias de tratamento).

Fig.4 - Aparelho lingual na paciente, ao sorrir: praticamente invisível.
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PACIENTES COM NECESSIDADES ESPECIAIS

Quais os cuidados Odontológicos que se deve ter o Paciente com necessidades Especiais (PNE).

Na odontologia os cuidados são os mesmos para todos os pacientes sejam ou não portadores de necessidades especiais. Além de todos estes cuidados, alguns PNE necessitam outras atenções, em acordo com suas deficiências e potencialidades. Aqueles que têm dificuldade motora precisam de ajuda de outras pessoas para realizarem higiene bucal. Outros, que têm dificuldade de entendimento, precisam de instruções repetitivas de higiene, até que possam assimilar estas tarefas.

Em que idade deve ser levado ao Odontólogo?

Na erupção do primeiro dente, é recomendável ir ao consultório dentário,onde será analisada as atenções especiais deste paciente, segundo suas necessidades.

Quais as possibilidades de um PNE ter dentição normal?

Apenas alguns PNE com certas características especiais (síndromes) apresentam alterações de forma e número dentário. A maioria tem dentição semelhante a outros pacientes, que pode ser normal ou anormal, segundo suas características genéticas ou adquiridas.

Um PNE com fissura palatina, operado com 7 meses, e depois com 5 anos,quais são as probabilidades para sua dentição permanente?

Todos os pacientes com fissura palatina devem ser acompanhados por cirurgiões, ortodontistas e fonoaudiólogos entre outras áreas da saúde. Existe alteração de posicionamento dentário, principalmente nos fissurados totais, em que a fissura palatina se estende até o lábio. Se tratados precocemente desde os primeiros dias de vida e orientando a forma correta da amamentação os problemas diminuem.

 

 


PACIENTES ONCOLÓGICOS NA ODONTOLOGIA

ALTERAÇÕES BUCAIS EM PACIENTES SUBMETIDOS À RADIOTERAPIA DE CABEÇA E PESCOÇO E/OU QUIMIOTERAPIA

Complicações bucais mais freqüentes da radioterapia de cabeça e pescoço, as quais dependem da dose, do tempo e do campo exposto à radiação:

1 – Boca seca ou secura da boca (xerostomia), causada por diminuição da quantidade de saliva, desenvolvida em pacientes que são submetidos à radioterapia na região cabeça/pescoço onde as glândulas salivares são afetadas pela radiação. A xerostomia causa incomodo para falar e comer. Porém, o mais grave é que a falta de saliva diminui a proteção natural da boca e ela se torna mais vulnerável a infecções em geral, além de provocar mau hálito (halitose). 2 – Cáries de radiação, causadas pela radioterapia e pela diminuição da proteção salivar.

FIG. 1 - Cáries de radiação. Perda parcial do esmalte exposição da dentina, fragilidade dentária.

3 – Inflamação dos tecidos que revestem a boca (mucosas), dando a sensação de queimação. Vermelhidão, úlceras (tipo aftas) e feridas na mucosa, que se estendem, com frequência na laringe e faringe. É chamada de mucosite.

Fig. 3 – Mucosite na língua, que pode aparecer em toda a boca e garganta (laringe e faringe).

4 – Alteração no paladar que pode estar relacionada a perdas de papilas gustativas.

5 – Necrose óssea causada por radiação (osteorradionecrose) em que o osso afetado fica com pouca irrigação sanguínea (hipovascularização), tornando-se suscetíveis a infecções e necrose.

Fig. 4 – Necrose óssea causada por radiação (osteorradionecrose )

 

Complicações bucais mais freqüentes da quimioterapia: Deve-se a ação direta das drogas sobre os tecidos bucais epiteliais. Ocorre que a quimioterapia tem o objetivo de destruir as células cancerosas, porém infelizmente também atacam as células normais, interferindo em sua proliferação, provocando ação indireta decorrente da modificação de outros tecidos, inclusive da medula óssea.

Pacientes em quimioterapia apresentam na boca:
 

Infecções bacterianas, como mais cáries dentárias e inflamações gengivais.
Infecções por fungos (fúngicas), como o sapinho (candidíase)
Infecções virais como o herpes que podem ocorrer na parte interna da boca e serem mais fortes e por tempo mais prolongado.
Infecção das glândulas salivares causando dor, redução na produção de saliva.
Sangramentos gengivais (Hemorragias)
Sensação de boca seca por diminuição da quantidade de saliva (Xerostomia)
Alteração de paladar
Mucosite que é a inflamação dos tecidos que revestem a boca (mucosas), dando a sensação de queimação. Vermelhidão, úlceras (tipo aftas) e feridas na mucosa que se estendem, com frequência, na laringe e faringe.

Fig. 5 – Cáries, inflação nas gengivas e “sapinho” (candidiase)

Fig. 6 - Herpes na parte interna da boca, apresentando-se forma mais forte e por tempo mais prolongado.

Fig. 7 – Herpes na parte externa da boca

Em todas essas circunstâncias, é fundamental a presença do cirurgião-dentista A preparação prévia do paciente, removendo possíveis focos infecciosos, como lesões periapicais (causadas pela necrose do nervo do dente), cáries e doenças das gengivas reduz significativamente todas estas intercorrências bucais.

A adequação da saúde bucal prévia, com restaurações dentárias, tratamento periodontal (gengiva) e controle de placa são fundamentais para o tratamento oncológico e prevenção de intercorrências.

O acompanhamento odontológico durante e posteriormente ao tratamento oncológico controla os problemas bucais, reduz a possibilidade de dor, promove a cicatrização mais rápida de lesões como a mucosite, previne as infecções, favorece a alimentação por via oral, reduz ou evita o tempo de internação hospitalar e melhora de sua qualidade de vida posterior ao tratamento.


 

PEDRAS NAS GLÂNDULAS SALIVARES

O QUE É ISSO?

A formação de cálculos (pedras) pode ocorrer em todo o corpo, inclusive na vesícula, no trato urinário e nas glândulas salivares. A sialolitíase ou cálculo salivar representa a obstrução do sistema excretor de uma glândula salivar por calcificações resultantes da estase (estagnação) salivar, sendo duas vezes mais comuns em homens, com incidência maior na faixa dos 30 aos 50 anos.

Podem variar em tamanho entre um grão de milho até um caroço de azeitona, raramente ultrapassando um centímetro, como ocorre no caso mostrado a seguir.

Geralmente são de formato arredondado, oval ou alongado. Ocorrem principalmente nos três pares de glândulas salivares principais ou maiores: parótidas, submandibulares e sublinguais, mas também podem ocorrer nas chamadas glândulas salivares menores, distribuídas por toda a cavidade oral.

COMO OCORRE?

Como produto da atividade das glândulas salivares, forma-se a secreção salivar (saliva), cuja produção diária é em torno de 800 a 1500ml. Os principais componentes da saliva são proteínas e sais minerais, com função lubrificante, digestiva e antibacteriana. Quando a viscosidade e a concentração de cálcio na secreção salivar aumentam, podem surgir os cálculos salivares.

Restos alimentares e bactérias presentes na cavidade bucal podem migrar para o ducto salivar e favorecer o processo. Assim, a deposição de sais minerais ao redor de acúmulos de muco, bactérias e células epiteliais descamadas no interior das glândulas faz com que a massa mineralizada aumente de volume com o passar do tempo.

A glândula submandibular (com exteriorização embaixo da língua) é geralmente a mais afetada, sendo responsável por 85% dos casos, pois possui ducto longo e sinuoso, com calibre menor que o ducto da glândula parótida, por exemplo. Por este motivo, a ação da força da gravidade favorece a formação dos cálculos durante o trajeto angulado e tortuoso da saliva.

QUAIS OS SINTOMAS?

Normalmente, a sialolitíase é caracterizada por dor repentina associada com aumento de volume na região glandular durante ou próximo ao ato alimentar, quando a produção de saliva está em seu máximo e o fluxo salivar é estimulado contra a obstrução glandular.

A redução gradual do edema (inchaço) vem a seguir, mas o aumento de volume volta a ocorrer repentinamente sempre que fluxo salivar é estimulado. Há uma redução evidente na saliva. Na palpação intrabucal, o cirurgião dentista pode avaliar o cálculo quanto às suas dimensões e localização no ducto salivar.

COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO?

Baseado na história do paciente, no exame físico e em uma variedade de exames por imagem, como radiografias, ultrassonografias, tomografia computadorizada e ressonância magnética. Radiografias com pouca radiação são métodos satisfatórios, por evidenciarem bem a natureza mineral do processo, além de serem de baixo custo.

Quando existe a suspeita de cálculo salivar, geralmente a radiografia com contraste é contraindicada, pelo risco de deslocamento do cálculo para o interior dos tecidos e pela dor que o exame causa. Pode-se lançar mão desta técnica quando o exame radiográfico simples for inconclusivo.
 

Aspecto clínico
Aspecto radiográfico

QUAL O TRATAMENTO?

O manejo dos cálculos das glândulas salivares depende da duração dos sintomas, do número de repetições dos episódios, do tamanho e da localização da pedra. O cirurgião dentista especialista em Cirurgia Bucomaxilofacial é o profissional indicado para tratar da doença.

O tratamento vai desde a simples estimulação glandular com cítricos, massagens e hidratação, com o objetivo de facilitar a excreção, ou, nos casos de cálculos maiores, a remoção cirúrgica, que normalmente é de simples execução e sem maiores problemas pós-operatórios, devendo-se apenas respeitar a anatomia e inervação local. Antibióticos comumente são prescritos como rotina, pelo potencial bacteriano do processo.
 

Remoção cirúrgica da pedra
Sutura dos tecidos

Outros tratamentos descritos na literatura são a litotripsia (fragmentação do cálculo), remoção por laser de CO2 e enucleação ( remoção) de toda a glândula salivar envolvida.

Normalmente quando o sialolito é encontrado ao acaso durante tomada radiográfica de rotina e não possui sintomatologia, não requer tratamento.



 

Tomar Remédios: Um Ato que Requer Responsabilidade

Em muitas situações, os profissionais de saúde lançam mão de auxiliares medicamentosos importantes para trazer conforto aos seus clientes. Na área de Odontologia os medicamentos mais receitados são os analgésicos, antiinflamatórios e antibióticos. Sabemos que as doenças mais comuns que atingem esta região são de origem geralmente inflamatórias ou infecciosas. A evolução das técnicas mais apuradas, devido a descoberta de novas bactérias, vírus, fungos, tem obrigado a medicina ao uso de novos remédios, com custos elevados de pesquisa e pelas complexidades químicas, no geral, causam mais contra indicações nos seus usos. Isto significa que, ao necessitarmos de um medicamento temos que ser mais responsáveis quanto ao uso, principalmente os antibióticos. Devemos evitar as medicações indicadas pelos amigos, leigos, pois geralmente serviram em uma condição e certamente não serão efetivas no geral.

Tomar medicamento deve ser sempre no sentido de combate a uma doença, obedecendo regras, como a dose, tempo ou intervalos e duração até debelar o quadro. Ao tomarmos um analgésico, passado um tempo e não obtivermos resposta, duas situações estão acontecendo, ou o analgésico é contra indicado para a doença ou a dose está baixa. Não adianta encher-se de comprimidos, pois outras conseqüências certamente aparecerão.

Com os antiinflamatórios, a situação é a mesma já descrita, com ações secundárias mais graves pela complexidade dos medicamentos. Com antibióticos, o compromisso é mais sério, pois a resistência bacteriana é uma realidade dura e pode levar, em alguns casos, até a morte, do indivíduo. Quem esta usando antibiótico deve cuidar a dose, o tempo ou intervalo e principalmente a duração total do uso. É muito comum ouvirmos, após tomada de algumas cápsulas e como o quadro melhorou, ocorre a decisão de parar, isto provoca a resistência dos micróbios patogênicos. A sucessão destes quadros resultarão em prejuízos futuros graves. Concluindo: o ato de medicar-se requer responsabilidade!

ESTÁ CERTO AUTO MEDICAR-SE?

A necessidade de medicar-se é um sinal de que existe doença e que o organismo não conseguiu superar a patologia. Nas ações técnicas em Endodontia o uso de medicamentos tem aplicação muito especifica em relação aos estados local e geral do paciente. A experiência clínica tem demonstrado que a melhor conduta é o ato cirúrgico do profissional, que resolve e alivia o sofrimento, porém existem fases do tratamento em que devemos usar medicamento como complemento auxiliar. Cabe aos profissionais fazerem o diagnóstico, planejarem a rotina do atendimento, seja ela medicamentosa ou cirúrgica. A auto-medicação ou o seu uso por recomendação, geralmente resultam em gasto sem recompensa, e mais ainda, podemos nos intoxicar ao receber uma droga sem efetividade.

Tomar medicamento, principalmente os antibióticos, requer conhecimento do que estamos combatendo, ou seja, que tipo bacteriano é o causador, qual a dose para o quadro existente. Enfim, é consagrado o conhecimento de que um medicamento mal indicado causa problemas como o de não debelar o quadro atua! e deixar o paciente sensível para o futuro.

A dose indicada é fator importante na administração de qualquer medicamento. Medicamento é uma forma que os profissionais de saúde usam para auxiliar na solução de uma patologia. A auto medicação é condenada porque geralmente é inócua, promove gastos, podendo gerar hipersensibilidades indesejáveis.



 

RETRATAMENTO?

Retratamento é uma tentativa de correção de um primeiro trabalho que apresentou falha em alguma fase da terapia endodontia anterior. No retratamento o profissional que realiza esta tarefa, busca encontrar a (s) falha (s) e através da correção devolver ao paciente a saúde. Geralmente as falhas são demonstradas através das radio grafias de diagnóstico preliminar, com o aparecimento de lesões, obturações com falhas, canais sem obturação, falta de compactação, perfurações, instrumentos fraturados e outras.

O endodontista fica sujeito a vários fatores adversos clínicos e inclusive situações durante o atendimento que podem complicar o resultado final. Os estudos modernos tem demonstrado agentes microbianos cada vez mais resistentes e mutantes nas suas formas de apresentação, tomando o prognóstico dos casos, mais restritos em relação ao sucesso. O especialista tem maiores oportunidades de resolver os casos, porem não esta livre de insucessos pelas varia das circunstâncias possíveis na resolução dos casos.

Nas rotinas de consultório existe uma que deve ser sempre respeitada, não colocar trabalhos protéticos grandes, antes de obter a certeza da reversão dos quadros retratados, tal situação é obtida tomando-se uma radiografia com 90/180 dias após o final do re tratamento, esta rotina chama-se preservação. Outra rotina é alertar o colega que fará os trabalhos restauradores complementares da situação encontrada.

Retratamento é uma tentativa de correção de uma patologia já tratada, cabe ao endodontista buscar a correção e em prazo compatível entre 90 a 180 dias de controle, através da preservação, obter a tão almejada cura endodontia.



 

RONCO E APNÉIA DO SONO

APARELHO ORAL É UMA NOVA OPÇÃO DE TRATAMENTO

O Ronco e a Síndrome da Apnéia do sono tem sido muito discutido no Brasil e no mundo na atualidade. Este problema, além dos transtornos sociais e psicológicos, trás conseqüências físicas para o paciente (hipertensão, arritmias cardíacas e AVC).

A Apnéia do sono é a obstrução das vias aéreas por alguns momentos durante a noite, pela flacidez dos tecidos da garganta, impedindo a respiração por alguns segundos, varias vezes por noite, e o ronco é a vibração dos tecidos da garganta quando o ar passa.

Esses problemas são freqüentes no homem a partir dos 30 anos e nas mulheres a partir da menopausa. Recentemente o tratamento através de aparelhos orais, tem ganhado importância no tratamento desses problemas, pela facilidade de adaptação e eficácia dos aparelhos, que vem ganhando espaço como uma das principais formas de tratamento para estes problemas.

Estes aparelhos são construídos de modo a posicionar a mandíbula mais para frente, possibilitando que a passagem do ar na garganta fique desobstruída. Existem algumas limitações que precisam ser avaliadas, muitas vezes com o auxílio do médico de sono e da polissonografia, que é um exame onde a pessoa dorme na clínica uma noite, sendo monitorada em todos os aspectos do seu sono.

Os principais sintomas da apnéia do sono são o ronco e a sonolência diurna excessiva. O ronco é um também um fator de desagregação familiar, muitas vezes levando a pessoa que ronca a dormir em quarto separado, bem como torna a pessoa que ronca motivo de piadas entre companheiros de trabalho, de pescarias ou acampamentos, ou quando tem que dividir quarto de hotel, etc...

Qualquer pessoa pode usar este aparelho?

Não, existem algumas limitações para o uso do aparelho que podem ser:
 

a) Impossibilidade de reter o aparelho na boca. Pacientes que têm poucos dentes ou usam próteses extensas, principalmente dentaduras ou próteses removíveis, podem ter dificuldade em reter o aparelho na boca, devendo o caso ser bem avaliado antes de se indicar o aparelho. Pessoas com problemas periodontais severos, em que os dentes apresentam mobilidade acentuada, e pessoas portadoras de prótese total INFERIOR não têm condições de usar o aparelho, pois nesses casos é impossível reter o aparelho na boca
b) Casos em que a perspectiva de bons resultados é pequena. Pacientes muito obesos ou com índice de apnéia muito acentuado (acima de 40 apnéias por hora) precisam ser bem avaliados pois a perspectiva de resultados é mais pobre, devendo-se optar por outro tipo de tratamento, ficando o aparelho como uma segunda opção ou para ser usado em conjunto com outros tratamentos
c) Nos casos em que o paciente tem problemas na Articulação (ATM) da mandíbula (dor, estalos ou desvios), pois o aparelho pode agravar estes problemas



Como devo proceder para fazer o aparelho?
  Em primeiro lugar é preciso fazer uma avaliação, onde o dentista verifica as condições para a colocação do aparelho, se é necessário fazer alguns exames complementares, como a polissonografia, radiografias ou exame com o médico de sono ou otorrinolaringologista, também é avaliada a condição dentária verificando possíveis problemas que precisem ser tratados antes da colocação do aparelho
Como o aparelho funciona?
  O aparelho funciona avançando a mandíbula e mantendo-a firmemente nessa posição. O avanço da mandíbula faz com que os tecidos da garganta de “estiquem” aumentando a abertura para a passagem do ar, também o avanço mandibular estimula um reflexo que faz a musculatura da faringe e arredores ficar mais tensa, mais firme, evitando o ronco. Mantendo a mandíbula presa ao aparelho, ele não permite que ela “caia” durante o sono, abrindo a boca, pois esse movimento de abertura geralmente é seguido de um reflexo que faz a língua ir para traz obstruindo a passagem do ar
O uso do aparelho “cura” o ronco e a apnéia?
  Não, o aparelho não produz nenhuma mudança física no paciente, resolvendo o problema apenas enquanto estiver sendo usado, é mais ou menos como os óculos, que corrigem a visão mas não modificam o olho
Porque é precisamos nos preocupar com a apnéia?
  Apesar do ronco ser o problema mais incômodo, a apnéia do sono é o problema mais importante e precisamos nos preocupar com ela, pois ela afeta vários órgãos do nosso corpo, principalmente o coração, onde aumenta em até 30% a possibilidade de desenvolver arritmias, hipertensão, infarto e derrame cerebral
Posso morrer sufocado numa crise de apnéia?
  Não, pois o cérebro controla o nível de oxigênio e gás carbônico no sangue e quando eles se alteram a pessoa acorda e volta a respirar. A apnéia não mata, mas aumenta muito a chance de desenvolver doenças que matam como o infarto do coração e os derrames cerebrais
Porque é preciso fazer a polissonografia e o que é esse exame?
  A polissonografia é o exame que é feito na clínica de sono, onde o paciente dorme uma noite e é monitorado em vários aspectos do seu sono, contrações musculares, problemas respiratórios e cardíacos entre outros, é necessário para se detectar a apnéia do sono. É através da polissonografia que se pode medir se o paciente tem uma apnéia leve, moderada ou grave, também podemos verificar se existem outros distúrbios do sono que tem sintomas parecidos com a apnéia, mas tratamentos diferentes, também para que se possa avaliar os resultados do tratamento faz-se uma antes e uma depois para comparar os resultados


 

   
 
 

RONCO E APNÉIA OBSTRUTIVA DO SONO

O que é ronco e o que é apnéia?

Ambos podem ser classificados como distúrbios do sono e ambos estão relacionados com a passagem do ar pelas vias aéreas do sistema respiratório. Durante o sono, o tônus muscular do pescoço e da faringe decresce. Isso causa um estreitamento do espaço faríngeo e o volume de ar necessário precisa ser inspirado a uma velocidade maior, ocorrendo a vibração de tecidos moles como palato mole, úvula, língua e outros. Este é o ronco! A apnéia obstrutiva do sono é a interrupção da respiração pelo fechamento da passagem do ar ao nível da garganta. Esse fechamento pode demorar vários segundos e a pessoa só volta a respirar quando um reflexo do organismo consegue reabrir a passagem do ar. Esse dorme e acorda pode se repetir até 300 vezes numa noite!

Como o ronco e a apnéia podem ser diagnosticados?

A maneira convencional para o diagnóstico do ronco e da apnéia é a observação do sono. Nessa osbservação são identificadas as características dos distúrbios que são os ruídos altos e os "despertares" recorrentes causados pela apnéia que possuem aspecto de falta de ar. Essa observação pode ser feita domesticamente pelos familiares ou por quem durma nas proximidades. Existe também o diagnóstico médico que conta com o exame da polissonografia, que é a monitoração do sono por equipamentos eletrônicos. O exame clínico é indicado para que seja avaliada a condição do trato respiratório do paciente. Esse exame pode ser feito por um dentista ou por um médico, ambos com especialização na área.

Quais são os problemas causados pelo ronco e apnéia?

Os problemas causados são vários e na sua maioria comuns, podendo também ser divididos em: individuais, familiares, profissionais e sociais. Esta classificação nos possibilita abranger melhor os diversos incômodos e causas danosas causados pelo ronco e pela apnéia obstrutiva do sono. Como problemas individuais podemos citar dor de cabeça ao acordar, arritmia cardíaca, dificuldade de concentração, sonolência diurna excessiva e até mesmo depressão. Como problemas familiares temos incômodo geral, desagregação familiar e desunião ao dormir podendo chegar à separação do casal! Atualmente o ronco e a apnéia são reconhecidos como possíveis causadores de problemas cardíacos. O sistema circulatório de uma pessoa que apresenta apnéia é cerca de 10 anos mais envelhecido do que de uma pessoa que não apresenta o quadro. Recentes estudos ligam o quadro de morte súbita ao problema da apnéia obstrutiva.

Quais são os possíveis tratamentos?

Por ocorrerem no sistema respiratório uma atenção à desobstrução da vias aéreas é fundamental. O Ronco e a Apnéia podiam ser tratados com aparelhos para auxílio respiratório ou com intervenção cirúrgica. Os aparelhos são caros e incômodos como o "Continuous positive air pressure" ou CPAP, a cirurgia (uvulopalatofaringoplastia) apresenta índice de sucesso insatisfatório (da ordem de 47%) e deixa sequelas indesejadas em caráter permanente. Atualmente, está disponível o uso de aparelhos intra orais, capazes de índice de eficiência da ordem de 87%, que não apresentam os efeitos indesejados dos métodos anteriores. Os dispositivos intra orais apresentam a melhor relação custo/benefício devido ao alto índice de sucesso e pelo fato de não apresentar seqüelas. Eles são individuais e confeccionados por dentistas com conhecimento na área. Os dispositivos intra orais devem ser usados pelo paciente apenas na hora de dormir.


 

TERMINOLOGIA PACIENTES ESPECIAIS

A terminologia “pacientes com necessidades especiais (PNE)” vem substituindo os já tão conhecidos e utilizados termos “portadores de deficiência” e excepcionais. Vem sendo evitada também a palavra portadores. A definição de pacientes especiais já está formulada de comum acordo entre as associações de diversos países como a IADH (International Association of Dentirtry for the Handicapped) . O objetivo é a desmistificação de que estas pessoas apresentam deficiência como sinônimo de incapacidade de participação e integração na comunidade como um todo. Serve de alerta para que a sociedade respeite suas limitações e de que elas apresentam necessidades especiais diferenciadas, mas são capazes de oferecer sua parcela a sociedade da qual participam.

Segundo Fourniol (1998), a visão do excepcional foi fixada em indivíduos com deficiência mental e paralisia cerebral, associada ou não a outras deficiências. O termo excepcional continua com raízes fortes, porque exprime a idéia de que alguém necessita de ajuda para sua reabilitação à sociedade e disso são capazes, dependendo de suas potencialidades. A palavra excepcional tem influências altamente significativas perante a sociedade, é necessário esclarecer quem é o excepcional, o que ele faz, o que ele é capaz de fazer, suas capacidades e necessidades especiais. Mudar um termo consolidado é muito difícil, seria necessária uma ampla mobilização e divulgação. Ainda são encontradas na literatura algumas definições utilizando o termo excepcionais, aqui entendido como pessoas com necessidades especiais. Faz parte do grupo de pacientes com necessidades especiais na odontologia aquelas pessoas que tem alguma doença ou situação clínica que necessitem um atendimento odontológico diferenciado. O especialista na área está capacitado para prestar uma odontologia de alta qualidade cercada dos cuidados necessários à cada situação específica.

Pacientes Especiais em Odontologia

Ultimamente, na Odontologia existe um movimento maior no entendimento e na prática clínica oferecida a pessoas com necessidades especiais. Foi regulamentada pelo Conselho Federal de Odontologia a especialidade de Odontologia em Pacientes com Necessidades Especiais. Segundo Sabbagh Haddad, 2007, os pacientes com necessidades especiais podem ser classificados conforme segue abaixo:

Classificação pacientes com necessidades especiais

Deficiência mental
Deficiência físicaAnomalias congênitas (deformações, síndromes)?
Distúrbios comportamentais (autismo)
Transtornos psiquiátricos
Distúrbios sensoriais e de comunicação
Doenças sistêmicas crônicas (diabetes, cardiopatias, doenças hematológicas, insuficiência renal crônica, doenças auto imunes, doenças vesículo bolhosas, etc)
Doenças infectocontagiosas (hepatites, HIV, tuberculose)
Condições sistêmicas (irradiados, transplantados , oncológicos, gestantes, imunocomprometidos)

O atendimento ambulatorial deve ser sempre realizado em conjunto com a família e por profissional capacitado. Estas pessoas têm uma necessidade aumentada para o cuidado preventivo odontológico; para prevenção de cárie e doenças periodontais. A maioria destes pacientes não apresenta plena capacidade de realizar seus cuidados bucais necessitando da ajuda de demais pessoas. A participação de familiares ou responsáveis nestes cuidados é fundamental para o sucesso do tratamento odontológico e para promoção da saúde bucal do paciente.

A primeira abordagem odontológica deve ser composta de uma aproximação com o paciente e familiares assim como o conhecimento das condições médicas preexistentes. Salienta-se que muitos destes pacientes apresentam complicações orgânicas. O melhor atendimento exige uma integração das áreas odontológica, médica, psicológica, social, etc. O dentista especialista realiza o exame bucodentário, avalia o comportamento do paciente, dos familiares, e o relacionamento entre ambos. Para pessoas com deficiência ou doença mental, da mesma forma que para crianças normais, faz-se o condicionamento psicológico do paciente especial, para que se obtenha sua cooperação, antes de quaisquer outros recursos. A contenção física ou química somente é utilizada diante da ineficiência dos métodos psicológicos. Segundo Gargione, (1998), o atendimento odontológico em pacientes especiais, atualmente, pode ser feito em três modalidades: a normal, que é o atendimento em que existe a cooperação por parte do paciente, alternando-se somente o tipo de ambiente, instrumental e material odontológico a ser empregado; o condicionado, que utiliza técnicas de demonstração com todo o aparato odontológico, para que o paciente saiba, antes de ser atendido, o que será utilizado em sua boca, incluindo as de vibrações e ruídos que farão parte do atendimento proposto; e o sob contenção (mecânica, química, hipnose). Os pacientes que apresentem problemas graves no que se refere à cooperação e ao manejo devem ser considerados dentro do grupo com indicação para a contenção química e anestesia geral. Todo tratamento odontológico é considerado como parte de um programa permanente de saúde bucal. Dentro desse programa, as medidas preventivas e as restauradoras devem estar perfeitamente integradas, ficando na dependência de cada paciente, a predominância de umas sobre as outras. Os locais para o atendimento da população de pacientes especiais devem, preferencialmente, estar junto às instituições que oferecem tratamentos globais para as deficiências abordadas. Nelas, o CD integra uma equipe de trabalho multi e interdisciplinar.

 

 


O que significa Tratar Canal?

É toda atividade exercida no interior dos dentes ou raízes isoladas, que busca manter estas importantes estruturas hígidas no sentido de desenvolverem suas atividades de função e estética na cavidade oral.

Etapas do tratamento:
 

Exame Clínico: inicia pelo preenchimento da ficha clínica; através das perguntas feitas para que possamos conhecê-lo(a) como um ser social, sua saúde passada e atual, pois são fatores importantes para a efetividade do tratamento a ser realizado

No exame clínico efetuamos as observações visuais, palpamos, digitamos tanto na cavidade oral, pescoço, face ou outras estruturas necessárias. Neste momento são feitas avaliações da situação estratégica do(s) dente(s) a ser(em) tratado(s).
 

Exame radiográfico- é uma etapa de grande importância no tratamento, pois é uma forma de conhecermos as estruturas internas e suas relações com as demais partes anatômicas, que serão objeto de nossa atividade profissional. Tratar canal implica sem pré no uso de técnicas radiológicas auxiliares, sem o que não há condições de tratamento. Um questionamento sempre feito é o de que as tomadas radio gráficas possam causar danos à saúde, fato este que em hipótese alguma causa qualquer prejuízo a sua saúde. O não uso deste auxiliar é que podem causar, no futuro, males muito maiores, como infecções, dores, inchaços etc. Outra pergunta é no que se refere a quantidade de radiografias. Os aparelhos de Raios-X modernos aliados às técnicas bem usadas e processamentos químicos corretos são fatores que nos permitem afirmar, com segurança, que nenhum dano será causado à saúde em geral. No término do tratamento entregaremos uma radiografia final que você deverá guardar ou entregar ao seu dentista e outra igual ficará em nossos arquivos como segurança
Fase Cirúrgica- é a essência do tratamento na busca das correções das patologias que o es tão prejudicando. Nesta fase que busca a restituição da saúde pode haver a necessidade do uso de anestesia local, ou trassituações podem não exigir tal procedimento; mesmo assim, isto não significará sofrimento através de dor na sessão. Confie em nossa orientação, pois temos segurança de que não sofrerá sensibilidade exagerada. Nesta etapa ocorrerá o esvaziamento do canal(is) de seu órgão pulpar(nervo vivo) ou de conteúdos existentes (resíduos, infecções), através da limagem, raspagem, irrigações, ultra-som, secagens e finalmente da confirmação das medidas de largura e comprimento do interior do(s) canal(is), para passarmos à próxima fase
Obturação: é a conclusão do trabalho cirúrgico, na verdade é uma barreira que criamos com o intuito de separar o meio in terno, que são os tecidos apicais acima da ponta do (s) canal(is)-, e o meio ambiente da cavidade oral. Sabemos que um tratamento de canal bem realizado é um dos procedimentos médicos mais duradouros, pode acompanhar o indivíduo por toda a existência. O sucesso desta atividade é avaliada pela obturação do canal que significará o sucesso ou fracasso do tratamento
Preservação: modernamente os conceitos da especialidade exigem um controle periódico do trabalho realizado até a chamada alta endodontia. Nosso protocolo de trabalho estabelece avaliações de períodos de 90/180/360 dias, após a obturação do(s) canal(is) . Seguramente, nestes intervalos é possível, através de radiografias, observarmos sinais da cura endodontia, tanto clínicas como radiológicas

Durante esta fase de aguardo, podem e devem ser restaurados, mesmo que temporariamente, o(s) dente(s) ou raiz(es); com isto manteremos o selamento hermético do canal.

Nossa experiência acumulada de anos de trabalhos clínicos permite afirmar que o sucesso de um tratamento endodôntico, está na razão direta da comunicação, cooperação e confiança entre paciente e o profissional que o atendeu. Uma pergunta sempre nos é feita: quantas sessões serão necessárias? Respondemos: em condições normais, no máximo, quatro sessões e, nos casos de polpa viva, geralmente, apenas uma sessão.

A finalidade deste artigo é tentar evitar as ansiedades decorrentes das fantasias e experiências cria das em tomo do ato de tratar canal.




 

TUMORES ODONTOGÊNICOS: A IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO PRECOCE

Os tumores odontogênicos, também chamados de mixomas ou neoplasias bucais são lesões derivadas dos remanescentes celulares que se originam durante a formação e erupcionamento (“nascimento”) dentários, não devendo ser confundidos com neoplasias malignas, do tipo câncer. Como tem relação com os dentes, são encontrados, exclusivamente, na mandíbula ou no maxilar superior (maxila) e devem ser considerados no diagnóstico diferencial de lesões envolvendo estes locais.

A causa do desenvolvimento destas lesões ainda permanece desconhecida. Clinicamente, os tumores odontogênicos, quase sempre, não se apresentam doloridos, razão pela qual existe uma demora do paciente em procurar o especialista, neste caso, o cirurgião-dentista, quem normalmente primeiro tem acesso à lesão. Podem causar ainda expansão dos ossos maxilares, movimentação e reabsorção das raízes dentárias e perda óssea importante, muitas vezes causando fraturas inesperadas e indesejadas.

O conhecimento das características clínicas dos variados tumores odontogênicos é extremamente importante no diagnóstico e tratamento precoces destas lesões. Como ocorre nas neoplasias em outros locais do corpo, os tumores odontogênicos se assemelham, ao microscópio, aos tecidos e células de origem. Podem aproximar-se dos tecidos moles do esmalte ou da polpa dentária, geralmente contendo elementos mineralizados (calcificados) destas estruturas.

Muitos esquemas de classificação têm sido apresentados para este grupo complexo de lesões, sendo comum a todos a divisão em: epiteliais, mesenquimais e mistos.

Características Clínicas e Radiográficas dos tumores odontogêncios ou mixoma odontogênico.

O mixoma odontogênico é um tumor odontogênico classificado como mesenquimal, derivado do ligamento periodontal ou polpa dentária. Aparece geralmente em adultos, podendo ocorrer também em jovens. Encontra-se tanto na maxila como na mandíbula e não apresenta preferência por sexo. Embora não seja tumor maligno, é de potencial extremamente recidivante, ou seja, mesmo com a sua remoção é passível que se forme novamente.. A explicação encontrada para isso é que, como não existe uma “cápsula” envolvendo o tumor, a sua remoção total é geralmente incerta. Pode apresentar grande volume de expansão dentro da boca, causando males muitas vezes irreversível, como movimentações dentárias e expansão de ossos adjacentes. Motivo pelo qual é importante o diagnóstico precoce, o que só pode ser feito pelo cirurgião-dentista, que observa sinais indicativos como pequenas assimetrias, posição dos dentes e outros detalhes. O paciente só percebe quando o tumor toma grandes dimensões, pois ele é indolor, normalmente não sangra e evolui lentamente..

Aspecto dentro da boca de fácil observação quando atinge tamanho grande.
Aspecto externo, provocando assimetria facial quando o tumor é grande.

Quando apresenta algum sinal e é investigado radiograficamente, o tumor aparece como imagem escura, bem caracterizada.

Aspecto radiográfico de tumor grande em que movimentou os dentes da região afetada.

Tratamento

A remoção cirúrgica é o tratamento de escolha. Devido a consistência frequentemente amolecida e gelatinosa, a curetagem pode resultar em remoção incompleta. A ausência de uma “cápsula” envolvendo a lesão também colabora para as recidivas, como citado anteriormente, principalmente se a remoção cirúrgica for muito conservadora, razão pela qual o diagnóstico e o tratamento precoces podem evitar grandes mutilações,

Apesar de essas lesões serem extremante agressivas e possuírem alto grau de recidivas, o prognóstico é bom.



 

USANDO A MAMADEIRA COM BOM SENSO

O aleitamento materno é de longe a forma ideal de alimentar o bebê, mas sabemos quem nem sempre isto é possível. Existem muitos obstáculos, que podem impedir esta forma natural de alimentação e levar os pais a alimentarem o bebê com mamadeira. Portanto, quando o uso da mamadeira for inevitável, o melhor a fazer é usá-la da maneira mais adequada possível, tomando alguns cuidados, para prevenir futuros problemas ortodônticos e fonoaudiológicos.

Que cuidados são estes?

1- Posição do bebê – Quando alimentar o seu bebê com a mamadeira, coloque-o no colo o mais vertical possível, como se estivesse sendo amamentado no seio. Não ofereça a mamadeira quando ele estiver deitado.

2- Alternar lados de alimentação – Ofereça a mamadeira cada vez de um lado ( como na amamentação natural ), para que os dois lados da face sejam estimulados, proporcionando um crescimento facial simétrico e harmonioso.

3- Uso de bico ortodôntico – Nenhum bico artificial substitui integralmente o da mulher, mas se tiver que optar, opte pelo ortodôntico, pois seu formato permite maior aproximação dos lábios e melhor elevação da língua.

4- Escolha do bico ortodôntico com tamanho adequado de furo – Existem furos adaptados a cada tipo de alimento, ou seja, diversos tamanhos de furos para diferentes consistências de alimentos. Escolha o tamanho certo de furo, para que o bebê realize adequada força muscular e movimentos corretos da língua, além de conseguir melhor coordenação entre as funções sucção – deglutição – respiração.

5- Escolha do material que o bico da mamadeira é feito – Existem dois tipos de material: o látex ( cor amarelada ) e silicone ( transparente e esbranquiçado ). O bico de látex por ser mais macio, é mais indicado para crianças com menor força de sucção e o de silicone por ser mais firme, é indicado para crianças com maior força de sucção.
 



6- Posição correta da mamadeira – Ofereça a mamadeira em ângulo reto ( 90 º ) em relação ao nariz do bebê para que a mandíbula se movimente de forma adequada.
 


“ Prevenindo problemas na fala “ – Vera Lúcia Orlandi Cunha – pág. 16

7 - Retirada da mamadeira – Retire a mamadeira de forma gradativa a partir dos 12 meses de vida da criança. Neste momento pode substituir a mamadeira por copo ou canequinha. Tenha paciência, pois no início a criança pode derramar o leite, mas é importante que ela adquira independência no ato da alimentação.

Não é tão complicado assim, basta ter bom senso na escolha, no uso e na retirada. A boquinha de seu filho agradece.
 






 

ZIGOMA - FRATURA DE ÓRBITA

O osso zigomático (malar), ou maçã do rosto, é um dos sete ossos que constituem a cavidade orbitária, onde se assentam os globos oculares (figura 1).

Ossos constituintes da cavidade orbitária

1.Ossos constituintes da cavidade orbitária

Por ser um osso proeminente em relação à face, com bastante frequência é afetado nos traumatismos de face, com fraturas demandando muitas vezes procedimentos cirúrgicos em nível hospitalar para o reparo da região.

Divide-se em vários pilares, que se comunicam com a própria órbita, com o seio maxilar e com o osso temporal, sendo a sua anatomia bastante complexa e de difícil reparo quando fraturado. Esportistas profissionais de alto impacto com freqüência se envolvem em acidentes resultando no acometimento deste osso.

Os sinais clássicos da fratura do osso zigomático são os mesmos de qualquer fratura de órbita: edema (inchaço), hematoma, equimose subconjuntival (olhos vermelhos), parestesia na região do trauma (sensibilidade alterada) e diplopia (visão dupla). Os sinais adicionais e específicos são o afundamento da maçã do rosto, dificuldade de abertura bucal (pela interferência do osso fraturado com o osso mandibular) e crepitação durante a manipulação.

2.Sinais clássicos de fratura zigomática

O diagnóstico se baseia no exame clínico, em que devem ser levadas em consideração a força, a velocidade e a direção do trauma, e os exames por imagem com a radiografia de seios da face e a tomografia computadorizada. Importante ressaltar que a avaliação oftalmológica é necessária sempre que exista a possibilidade de lesão aos globos oculares.

Dependendo do nível de deslocamento do osso ou do grau de comprometimento funcional, o cirurgião bucomaxilofacial decide a necessidade ou não de tratamento cirúrgico. O tratamento baseia-se na fixação das fraturas através de placas e parafusos de titânios, através de incisões seguindo as linhas de expressão e que não deixam cicatrizes aparentes.


Fratura zigomática corrigida cirurgicamente

* Fratura zigomática corrigida cirurgicamente