Coração "Cardiologia"

 

ARRITMIAS

O que é?

As arritmias são alterações do ritmo cardíaco normal.

Nas arritmias, podemos perceber e registrar alterações do ritmo cardíaco ou da freqüência. A freqüência normal dos batimentos cardíacos é de 60 até 100 ciclos, ou batidas, por minuto. Em crianças, esses números costumam ser um pouco mais elevados. Arritmias Nas alterações de ritmo cardíaco, os batimentos apresentam alterações do tempo que decorre entre um batimento e o outro. Pequenas alterações nesses intervalos podem ser consideradas normais. As alterações do ritmo cardíaco ou das conduções dos estímulos podem ser letais (morte súbita), podem ser sintomáticas (síncopes, tonturas, palpitações) ou podem ser assintomáticas.

As arritmias podem ser assintomáticas ou sintomáticas, dependendo da sua intensidade e da situação clínica do portador. Corações enfermos podem tolerar menos bem uma arritmia que seria, provavelmente, assintomática para um coração sadio.

A avaliação de algumas arritmias pode ser feita pelo médico ao realizar um exame clínico. A maneira mais exata de comprovar e registrar uma arritmia é por meios eletrônicos, que vão desde o eletrocardiograma, monitores portáteis, até os equipamentos das Unidades de Tratamento Intensivo. Existem ainda os monitores de telemetria, em que o paciente usa um pequeno registrador unido ao seu corpo que transmite os sinais, via rádio, a monitores centrais. Classificação das arritmias quanto a freqüência cardíaca:
 

Taquicardia:

 

É quando o coração de um adulto bate mais de 100 vezes por minuto. Quando isso acontece ao fazer esforços é normal e, decorridos alguns minutos, esse número deve voltar a uma freqüência normal. Quando a taquicardia persiste ou está presente em repouso, pode significar alguma alteração patológica. Convém consultar ao seu médico. Note-se que taquicardia não é sinônimo de ataque cardíaco.

Bradicardia:

 

É quando o coração bate menos de 60 vezes por minuto. Isso em pessoas em boa forma física até pode ser normal. Com freqüências cardíacas abaixo de 60 por minuto, mesmo que seja uma manifestação transitória, é conveniente que um cardiologista seja consultado.

Classificação das Arritmias quanto às alterações de ritmo

Os batimentos cardíacos são normalmente originados em um foco localizado na aurícula direita, denominado nódulo sinusal. Os estímulos elétricos lá gerados descem até um nódulo localizado na junção das aurículas com os ventrículos. Lá a condução do estímulo sofre um pequeno retardo (para dar tempo que as aurículas se contraiam antes dos ventrículos). De lá o estímulo segue para os ventrículos, através de um sistema condutor que tem dois feixes, um para cada ventrículo, provocando a sua contração, que é denominada sístole. O período de tempo em que o coração não está em contração denomina-se diástole e é o período de repouso do músculo cardíaco.

Os estímulos cardíacos normais são produzidos no nódulo sinusal localizado na aurícula direita e desencadeiam as contrações, batidas, do coração, denominadas de sístoles. Quando esse nódulo não está ativo, por doença, por exemplo, muitas outras células do coração, localizadas em diferentes partes do coração, podem originar estímulos elétricos capazes de desencadear as batidas cardíacas. Esses batimentos originados nessas outras células são denominados de extra-sístoles, que podem ocorrer mesmo estando o nódulo sinusal ativo. As extra-sístoles produzem arritmias que nem sempre são percebidas pelos acometidos.

Podemos ter extra-sístoles originadas nas aurículas, nos ventrículos, bem como nos nódulos sinusal e atrio-ventricular, que podem superar e dominar os estímulos normalmente lá gerados. As extra-sístoles costumam ser seguidas de um período de repouso (diástole) mais prolongado. As extra-sístoles podem ser unifocais ou multifocais, dependendo dos diferentes lugares em que são geradas.

As extra-sístoles nem sempre são indicadoras de doença do coração, porém, se forem percebidas, é conveniente que um cardiologista seja consultado. As extrassistoles costumam acontecer aleatoriamente em relação às sístoles normais. Se mantiverem uma regularidade, se acontecer uma extra-sístole após cada sístole normal chama-se isto de bigeminismo, se elas acontecerem sempre depois de duas sístoles normais, falamos em trigeminismo. Extra-sistoles podem acontecer esporadicamente, considera-se que até dez por minuto nem sempre seja uma manifestação de doença cardíaca.
 

Fibrilação

 

Existe a auricular e a ventricular, dependendo de onde se originam os batimentos. A fibrilação auricular é a arritmia crônica mais encontrada. Na auricular os estímulos podem ter uma freqüência de até 600 batimentos por minuto. Desses estímulos somente alguns chegam a provocar contrações dos ventrículos, uma freqüência tão elevada não seria compatível com a sobrevida das pessoas acometidas. Já a fibrilação ventricular é mais grave por só ser tolerada se for de curta duração. O coração não é capaz de manter a circulação eficaz se a freqüência cardíaca for muito elevada. O tratamento é medicamentoso ou por cardioversão.

Flutter auricular

 

É uma arritmia em que em um foco ectópico das aurículas se origina de 250 a 350 estímulos por minuto, e em que de cada dois ou três, ou quatro estímulos um passa aos ventrículos. O tratamento é medicamentoso ou por cardioversão.

Parada cardíaca

 

É quando o coração pára de se contrair. Se a parada for de curta duração pode não ser percebida; se for de maior duração pode provocar tonturas, sincope e até morte súbita. Quando o coração pára de bater por alguns minutos, desencadeiam-se alterações nos órgãos mais sensíveis à falta de oxigênio. Desses o mais sensível é o sistema nervoso. Assim pode o coração voltar à atividade, espontaneamente ou por medidas médicas. Contudo, as alterações neurológicas já estabelecidas provavelmente serão irreversíveis.

Palpitações

 

O sentir dos batimentos cardíacos denomina-se de palpitações. Normalmente o bater do coração não é percebido ou sentido pelas pessoas. Em certas situações de tensão ou de esforço, podemos perceber que o coração “está “batendo” no peito ou no pescoço, o que não significa necessariamente a existência de uma doença.

Do mesmo modo, as extra-sístoles também podem ser notadas ou não pelas pessoas que as apresentam.

A melhor maneira de registrar uma arritmia é através do eletrocardiograma.



 

ARTERIOESCLEROSE (ou Ateroesclerose)

A ateroesclerose é o depósito no interior das artérias de substâncias gordurosas junto com colesterol, cálcio, produtos de degradação celular e fibrina (material envolvido na coagulação do sangue e formador de coágulos). O local onde esse depósito ocorre chama-se placa.

Arteriosclerose é um termo geral usado para denominar o espessamento e endurecimento das artérias. Parte desse endurecimento é normal e é decorrente do envelhecimento das pessoas.

As placas podem obstruir total ou parcialmente uma artéria, impedindo ou diminuindo a passagem de sangue. Sobre as placas podem se formar coágulos de sangue, denominados de trombos que, ao se soltarem, provocam embolias arteriais. Quando isso acontece no coração, temos o ataque cardíaco ou o infarto do miocárdio; quando no cérebro, provoca a embolia ou a trombose cerebral. Como a doença ocorre em artérias de médio ou grosso calibre, a gravidade, bem como as conseqüências, dependerão do local, mais ou menos nobre do organismo, onde o acidente vascular ocorrer.

A ateroesclerose é uma doença de progressão lenta e que pode se iniciar desde a infância. Em algumas pessoas atinge a maior intensidade de progressão na terceira década e noutras somente depois da quinta ou sexta década.

Sobre as causas do início da ateroesclerose pouco sabemos. Existem quatro teorias que tentam explicar porque a camada mais interna (endotélio) dos vasos é atingida.
 

A elevação da pressão arterial
A elevação dos níveis de gordura no sangue (Colesterol e triglicerídios)
O fumo. A fumaça do cigarro particularmente agride o endotélio das artérias das pernas, das coronárias e da aorta.
Ação de toxinas de origem infeciosa no endotélio das artérias.

Por só um desses fatores ou pela conjunção de mais de um deles, a camada interna das artérias fica espessada, o que diminui a luz dos vasos atingidos e a oferta de sangue nos territórios irrigados por esses vasos fica reduzida..

Passando pouco sangue, menos do que o necessário para manter a função do órgão irrigado por ele naquele momento, ocorre a isquemia, o que no coração provoca a angina do peito.

Se o bloqueio é total, quando nada de sangue passa, ocorre:
 

No coração, o infarto do miocárdio,
No cérebro, a trombose cerebral e
Na perna, a claudicação, se for parcial,e até a necrose com gangrena, se for total.

Os fatores desencadeantes da ateroesclerose são os mesmo citados como fatores de risco de doenças cardiovasculares.



 

CÂNCER E CORAÇÃO

Tumores não originados no coração mas que o atingem

A maioria dos tumores do coração não tem origem no próprio coração, pois são mais freqüentemente oriundos de tumores à distância (metastáticos). Podem atingir o coração por via hemática (a maioria) ou por via contígua, quando se originam em tecidos vizinhos do coração e o invadem.

Qualquer tumor pode atingir estruturas do coração. Os mais freqüentes são o câncer de pulmão, de mamas, melanomas, leucemia e linfomas. Nas autópsias encontram-se desde 1 até 20% de comprometimento do coração pelo câncer. Nos melanomas, essa freqüência chega a 60%.

Os sinais e sintomas produzidos por tumores metastáticos no coração são semelhantes aos dos tumores benignos, mas essas manifestações muitas vezes não são registradas, tanto pelo paciente como pelo médico, porque as produzidas pela doença primária geralmente predominam o quadro clínico.

A hipercoagulabilidade do sangue, uma tendência aumentada do sangue de coagular e formar êmbolos, está aumentada em pessoas portadores de tumores. Isso pode obstruir vasos em qualquer parte do organismo, dependendo os sintomas dos vasos obstruídos.

Existe ainda uma tendência aumentada nos portadores de câncer, principalmente os cânceres originados no sistema digestivo, para a instalação de endocardite trombótica não bacteriana. Uma outra maneira do câncer comprometer o coração são as conseqüências do tratamento.

A radioterapia pode comprometer as coronárias por promover a arteriosclerose. Pode também causar dano ao músculo cardíaco, provocando a miocardite actínica. Ao atingir o pericárdio pode provocar pericardite. A radiação atinge tanto as células doentes como as sadias.

A quimioterapia, principalmente daqueles cânceres que melhor respondem a esse tratamento, pode provocar dano considerável ao coração. As conseqüências da quimioterapia costumam se manifestar no coração tardiamente, quando a doença básica está curada ou em estágio paliativo prolongado. Quem deverá pesar os prós e os contras na escolha de qualquer tratamento e seus eventuais riscos e benefícios, é o médico responsável pelo paciente.

Para tomar as decisões são levados em conta:
 

a idade do paciente,
a existência ou não de cardiopatia prévia,
a sensibilidade do paciente a certos medicamentos,
as chances de resposta a esse ou aquele medicamento.

Todos esses dados fazem o médico decidir o que é melhor para cada caso.

Decisões sobre:
 

a indicação do tipo de tratamento,
as doses,
as associações de terapêuticas,
o tempo de tratamento,
quais as drogas mais indicadas,

São questões que uma equipe de especialistas deve assumir. O objetivo é conseguir a cura, ou um grau maior de eficácia e sobrevida com uma melhor qualidade de vida, sem causar danos maiores aos diversos sistemas do paciente, inclusive o cardiovascular.

É uma questão multidisciplinar.



 

CÂNCER E CORAÇÃO

Tumores primitivos do coração

Os tumores primários, ou primitivos do coração, isto é os que se originam no coração, são muito raros. As necrópsias revelam de 0,002 a 0,3 % de tumores primários de coração. Já o envolvimento metastático de tumores originados em outras partes do organismo é mais freqüente.

As manifestações do comprometimento cardíaco nos pacientes portadores de câncer dependem da localização do tumor e do grau de envolvimento. Podemos também ter manifestações cardíacas conseqüentes ao tratamento dos tumores. Tanto a quimioterapia como a radioterapia podem comprometer o funcionamento do coração.

Dos tumores primários do coração, 75% são benignos, sendo que 46% desses são mixomas e 21% são lipomas. Dos malignos (os 25% restantes) 33% são angiosarcomas e 21% rabdomiosarcomas. Com o advento da ecocardiografia, da tomografia, da ressonância magnética e da cirurgia cardíaca, os casos de tumores cardíacos estão sendo cada vez mais diagnosticados. Mesmo assim são considerados uma raridade.

O seu diagnóstico depende muito de um alto índice de suspeita do médico assistente que é quem deve orientar os exames para fazer esse diagnóstico.

Os sintomas decorrentes dos tumores cardíacos dependem principalmente de que sua localização seja no pericárdio, no miocárdio ou no endocárdio. Por outro lado,as manifestações também dependem de qual a cavidade cardíaca comprometida.

Os tumores originados no endocárdio costumam provocar acidentes embólicos, principalmente no pulmão.

Os tumores que envolvem o miocárdio, o músculo cardíaco, além de comprometerem a função muscular do coração, costumam envolver a parte dita elétrica do coração, provocando arritmias cardíacas as mais variadas, desde as menos até as mais graves.

O envolvimento do pericárdio pode provocar derrames em torno do coração, muitas vezes hemorrágicos, que podem levar ao tamponamento cardíaco.



 

CHOCOLATE

Em medicina, como medicamento.

O chocolate foi levado do México para a Europa no século XVI. Os invasores espanhóis se encantaram com o chá desta planta, se surpreenderam menos com o seu gosto e mais agradavelmente com os seus outros efeitos. O gosto amargo foi contornado adocicando o cacau conforme o gosto de cada um.

Desde cedo, aconteceram surpresas com o chocolate, o que continua acontecendo até os nossos dias. A primeira indicação terapêutica do chocolate veio quando descobriram que ele ajudava aos asmáticos nas suas crises, e a última surpresa agradável vem agora da Alemanha, onde um estudo muito bem conduzido chegou à conclusão que o chocolate é útil no combate à hipertensão arterial e na prevenção de doenças isquêmicas decorrentes da elevação da pressão arterial.

Um dos primeiros componentes estudados do cacau foi a teobromina. Esta palavra vem do grego e significa “alimento dos deuses”. A teobromina é um alcalóide do grupo das metilxantinas, assim como a cafeína e a teofilina. No chocolate o alcalóide de maior concentração é a teobromina.

Por outro lado, o chocolate teria a capacidade de liberar endorfinas, substâncias que provocam bem estar e facilitam o sono. É por esta razão que as camareiras dos hotéis costumam colocar à disposição um bombom ou um pequeno chocolate sob o travesseiro para que os hóspedes durmam bem.

O cacau contém outras substâncias, como os poilifenóis e os flavonóides. Os flavonóides têm a propriedade de diminuirem a pressão arterial, se administrados em doses maiores correspondendo a mais de 100 gramas de cacau ao dia. A novidade que é importante: os médicos pesquisadores (D.Taubert, R. Roesen, C. Lehmann, N. Jung e E. Schöemig) da Universidade de Colônia, na Alemanha, estudaram o efeito do cacau sobre a pressão arterial, administrando 6,3 g/dia de chocolate amargo ou 5,6 g/dia de chocolate branco e observaram o efeitos sobre a pressão arterial de pessoas voluntárias, da terceira idade, hipertensas leves e sãs sob demais aspectos. O estudo foi publicado na revista JAMA, 4 de Julho de 2007,. Vol. 298.

Foi constatado que depois de ingerir chocolate, 5,6 gramas por dia, havia uma diminuição da pressão arterial, já observável após 6 dias , e que depois de 18 dias baixava mais ainda, tanto em homens como em mulheres. A redução na pressão sistólica (a máxima), depois de 18 dias ingerindo 5,6 g de chocolate amargo/dia, era em média de 2,9 mm de Hg nas mulheres e 3,0 mm de Hg nos homens. Já na pressão diastólica (a mínima) a redução foi de 1,9 mm de Hg nas mulheres e 1,8 mm de Hg nos homens. Isto aconteceu somente com o chocolate amargo. Com o branco não houve influência sobre a pressão arterial.

A substância responsável por esta diminuição da pressão arterial seria do grupo S-nitrosoglution, encontrada somente no chocolate negro. A quantidade de chocolate administrada de 5,6 gramas ao dia, não alterou os níveis de açúcar no sangue e de colesterol, triglicerídeos ou creatinina. Os pacientes também não engordaram.

O cacau puro é bastante amargo, mas no chocolate o cacau é associado ao açúcar, o que pode tornar o seu consumo prejudicial nas dietas de emagrecimento ou para diabéticos. Já existem no mercado chocolates dietéticos, sem açúcar.

Podemos concluir que, além das dietas ricas em fibras, frutas e verduras, pobres em gorduras saturadas ou trans, o chocolate é recomendável para ajudar a controlar a pressão arterial. Aos pacientes se recomenda que não se fiem somente nestes dados, devem continuar controlando a sua pressão arterial com o seu médico.



 

CIANOSE

Sinônimos e nomes populares:

doença azul; doença do sangue azul.

O que é?

É uma coloração azulada da pele ou das mucosas.

Como se desenvolve?

O sangue que circula no nosso corpo está sob duas formas, o venoso e o arterial.

O primeiro tem uma cor mais escura, é o que corre pelas veias até o pulmão. No pulmão a hemoglobina do sangue perde o gás carbônico e recebe oxigênio. Com essa troca ele se transforma de sangue venoso em sangue arterial, que é um sangue de cor mais viva, rutilante e que tem a função de levar oxigênio dos pulmões para todo o corpo.

Em média o sangue de uma pessoa normal, adulta, contém de 12,5 até 15 gramas de hemoglobina. Quando 5 gramas ou mais da hemoglobina do sangue arterial estão sem oxigênio, costuma surgir na pele ou nas mucosas uma cor azulada, denominada de cianose. Existem três tipos de cianose, a central, a periférica e a diferencial.

A cianose central acontece quando o sangue que vem dos pulmões para a periferia do corpo já chega com pouco oxigênio, o que ocorre em algumas doenças do pulmão ou do coração. A cianose periférica geralmente é provocada quando o coração não tem a capacidade de enviar uma quantidade adequada de sangue para a periferia ou é causada por uma lentificação local da circulação.

Ela aparece quando a circulação do sangue nas veias periféricas, por exemplo, nas veias das mãos ou do rosto, se torna muito lenta. O oxigênio que o sangue contém é transferido para as células e o sangue se torna pobre em oxigênio, azulado e com isso - onde a pele for mais delgada, nas mucosas ou nos lábios, por exemplo - aparece uma cor azulada.

A cianose periférica em 50% dos casos desaparece colocando a parte cianótica em água morna.

A diferencial é a cianose que aparece em alguma parte do corpo, ou só nas pernas, ou só nos braços e geralmente é indicativa de doença congênita do coração.

Como se faz o diagnóstico?

O diagnóstico de cianose e da causa dela deve ser feito pelo médico ao observar o paciente. O diagnóstico pode ser confirmado pelo exame de sangue medindo o teor de oxigênio e de hemoglobina.

Quais são as causas?

Existem diversas causas para cianose que vão desde a falta de oxigênio no ar inspirado até a incapacidade da hemoglobina fixar o oxigênio. Por exemplo, nas intoxicações por sulfas ou outros medicamentos pode surgir a cor azulada da pele.

As causas mais freqüentes de cianose são:
 

Doenças cardíacas
Doenças pulmonares
Doenças circulatórias
Doenças circulatórias
Intoxicações

Falta de oxigênio no ar inspirado

Exemplo de baixos teores de oxigênio no ar inspirado é a cianose que surge nas alturas. Aos 5400 metros de altura a oferta de oxigênio para o sangue é somente a metade da que é oferecida ao nível do mar. Portanto, quanto mais no alto estivermos, menor a saturação da hemoglobina e quanto mais nos aproximarmos do nível do mar, maior será a oferta de oxigênio. Essa é a razão pela qual os alpinistas de grandes alturas só conseguem fazer esforço recebendo um suplemento de oxigênio.

Existem mecanismos naturais pelos quais o organismo tenta compensar a falta de oxigênio do ar ambiente. O primeiro é a hiperventilação quando as pessoas respiram mais vezes por minuto e mais profundamente.

No segundo, o organismo começa a produzir mais glóbulos vermelhos, onde está a hemoglobina, e assim permite transportar mais oxigênio para todas as células do corpo. É por esse motivo que as pessoas que vivem em grandes altitudes, como nas cidades de La Paz ou do México, têm normalmente taxas de hemoglobina bem maiores no sangue circulante.



 

COLESTEROL

As gorduras do sangue - os lipídios - são compostos principalmente pelo Colesterol, o HDL Colesterol (chamado de o bom colesterol), o LDL Colesterol (chamado de o mau colesterol) e os Triglicerídios.

A Associação Médica Americana insiste em que os níveis de colesterol normais se situem abaixo de 200 mg % e que o HDL Colesterol esteja acima de 35 mg %.

A Tabela do Massachusetts General Hospital de Boston adota como níveis normais, para as diferentes idades, a tabela abaixo:
 

Colesterol total

Menos de 29 anos abaixo de 200 mg %
de 30 até 39 anos abaixo de 225 mg %
de 40 até 49 anos abaixo de 245 mg %
acima de 50 anos abaixo de 265 mg %


Para o HDL Colesterol dão como valores normais

Homens de 30 a 70 mg %
Mulheres de 30 a 90 mg %


Para o LDL Colesterol

homens e mulheres 50 a 190 mg %



Os riscos de doença cardiovascular relacionados aos índices dos níveis de Lipídios no sangue, formulados pela AAM Americana são:
 

Colesterol menor do que 200 mg % e HDL Colesterol maior do que 34 mg %.
  Se não houver outros fatores de risco, a chance de doença cardiovascular é relativamente pequena. Essa pessoa deve repetir os exames a cada 5 anos e deverá seguir as recomendações para prevenir as doenças cardiovasculares.
 
Colesterol menor do que 200 mg % e HDL Colesterol maior do que 35 mg %.
  Primeiro, deve verificar o LDL Colesterol e falar com o seu médico sobre qual a conduta a seguir. Segundo, controlar os outros fatores de risco e terceiro, aumentar a sua atividade física.
 
Colesterol entre 200 e 239 mg % e HDL Colesterol acima de 34 mg % e menos do que dois fatores de risco.
  Essa situação pode duplicar as chances de ter doença cardiovascular. Os incluídos nesse grupo devem primeiro corrigir os outros fatores de risco; segundo, controlar o colesterol a cada dois anos e terceiro, basicamente, procurar modificar a sua dieta e aumentar sua atividade física. Nem todas as pessoas que têm esses níveis estão realmente ameaçadas de doença cardiovascular. Fale com o seu médico a respeito disso.
 
Colesterol total de 200 a 239 mg %, HDL Colesterol menor do que 35 mg % e mais do que dois fatores de risco.
  Nesse caso a pessoa pode ter uma chance dobrada de doença cardiovascular assim como as pessoas com menos de 200 mg %. Deverá verificar o LDL Colesterol e falar com o seu médico, que o orientará sobre os controles e as medidas a seguir. Também deverá controlar os outros fatores de risco, corrigir a dieta e aumentar a atividade física.
 
Colesterol acima de 240 mg %.
  O risco de doença cardiovascular é grande e maior ainda, se tiver outros fatores de risco. Deverá verificar o LDL Colesterol e mostrar ao seu médico que vai interpretar os exames. O seu médico irá orientá-lo para reduzir esse e os outros fatores de risco.




 

Colesterol e Fibras

As fibras dos alimentos tendem a reduzir a absorção de colesterol no intestino e assim os níveis deste no sangue.

Existem as fibras solúveis e as insolúveis. Encontramos fibras principalmente em alimentos derivados de plantas e sua principal composição é a celulose.

Uma dieta rica em fibras, além de ajudar na prevenção de doenças cardiovasculares, ajuda na prevenção do câncer de intestino grosso. Dicas para aumentar a ingestão de fibras:

Coma alimentos integrais como pão integral, arroz integral, frutas e verduras. Evite chips, bolachas, pão branco, bolos e doces.

Tente comer mais vegetais e frutas cruas, inclusive a casca, quando adequado. O cozimento reduz o teor de fibras.

Coma alimentos com alto teor de fibras em cada refeição. Cereais são recomendados já ao desjejum. Inclua feijões, sementes e grãos inteiros nas refeições.

Adapte-se gradualmente a uma dieta rica em fibras e aumente o volume de água tomada durante o dia.

Alimentos ricos em:
 

Fibras solúveis: Aveia, farinha de aveia, feijões, ervilhas, frutas cítricas, maçãs, morangos, framboesas
Fibras insolúveis: Pães integrais, cereais, cenouras, couves, casca de maçã.

Algumas siglas usadas em alimentos industrializados:
 

Free ou Livre Significa que contém a menor quantidade do componente indicado, açúcar ou gorduras, por exemplo.
"Very Low/Low" Contém um pouco mais.
"Reduced/Less" Contém cerca de 25 % menos.

Verifique as etiquetas.

Dicas de substitutos para alimentos ricos em colesterol ou gorduras formadoras de colesterol:
 

SIM NÃO
clara de ovos  
Camarão cozido Camarão frito
  Salsichas
Frutos do mar cozidos Frutos do mar fritos
Arroz cozido Arroz frito
Sopas com verduras Sopas cremosas
Frango grelhado sem pele Frango frito
Batata cozida Batata frita
Sanduíches com alface, frango grelhado e saladas Burgers
Mousse Paté
  Croissant
Molhos de vinagre Molho holandês, béchamel ou béarnaise
Pudim de chocolate sem gordura Mousse de chocolate
Pêras em vinho Frutas em calda





Como Corrigir o Fator de Risco Colesterol

Nos Estados Unidos, o número de pessoas vitimadas por doenças cardiovasculares está diminuindo de ano para ano, graças a correções dietéticas que as pessoas estão adotando.

Para corrigir seus hábitos alimentares procure saber o que são gorduras saturadas (elevam o mau colesterol (LDL)) e não saturadas (não elevam o colesterol)

Gordura Saturada

As gorduras saturadas são a principal causa da elevação dos níveis sangüíneos de Colesterol.

A principal fonte dessas gorduras vem dos animais e de certas plantas. Recomenda-se não ingerir mais do que 200 mg por dia de Colesterol e não mais do que 30 % da ingestão de calorias por dia oriundas de gorduras, com menos de 7% vindo de gorduras saturadas.

Aí se incluem carne de gado, gordura de gado, porco, sebo, manteiga, nata, leite, queijo e outros alimentos derivados do leite. São todos alimentos que contêm colesterol e gorduras saturadas.

Das gorduras de plantas estão incluídas o gordura de coco, azeites tropicais, manteiga de cacau.

Gorduras hidrogenadas

A hidrogenação das gorduras ocorre durante o seu preparo industrial, o que acontece, por exemplo, com a margarina.

Gorduras não saturadas (Poli e Mono)

São geralmente encontradas em gorduras líquidas obtidas de vegetais.

Entre os poli não saturados estão o óleo de sésamo (ou gergelim), girassol, milho, soja, nozes e sementes.

Entre os mono não saturados estão o óleo de canola, amendoim, abacate e o azeite de oliva.

As gorduras não saturadas ajudam a diminuir os níveis de colesterol do sangue quando são usadas na alimentação, como substitutos das gorduras saturadas. Mesmo as margarinas preparadas com essas gorduras devem ser usadas com moderação. A saturação das gorduras não saturadas, pela industrialização, visando torná-las mais espessas, torna-as tão prejudiciais quanto as gorduras saturadas in natura. As gorduras não saturadas também se saturam pelas altas temperaturas ( frituras).

Seguir as recomendações básicas abaixo:
 

Use óleos naturais, não hidrogenados, tais como de canola e azeite de oliva.
Procure alimentos industrializados produzidos com gorduras não saturadas.
Use margarina como substituto de manteiga, mas procure as margarinas líquidas ou cremosas em vez das mais duras. Procure as que contenham menos de 2 g de gordura saturadas por colher de chá e que, na composição, os azeites líquidos sejam predominantes.
Evite batata frita, sonhos e biscoitos.
Evite os alimentos gordurosos.
Evite os alimentos industriais e comerciais fritos e confeitados por serem ricos em gorduras.
Evite as refeições rápidas e frituras.




 

DENTES E CORAÇÃO

Profilaxia da endocardite bacteriana

Diretrizes de manejo de pacientes com doença valvar ou cardiopatia com alteração anatômica

Endocardite é uma doença séria associada a mortalidade significante.
Com administração de antibióticos antes de procedimentos em que bacteremia é esperada, diversas publicações suportam redução de risco

Endocardite bacteriana

Incidência
 

4.2 por 100,000 pacientes/ano
Prolapso mitral 52 por 100,000 pessoas/ano
Abuso de drogas 2 a 5 % por paciente/ano
Prótese valvar 1.4 a 3.1% aos 12 meses, 4.1 a 5.4% aos 4 anos, 3.2 a 5.7% aos 5 anos

Procedimentos dentários em que a profilaxia da endocardite é recomendada nos portadores de alteração anatômica do coração

Extrações dentárias
Procedimentos periodontais incluindo cirurgia, raspagem, testes e manutenção.
Colocação de implantes e reimplantes de dentes avulcionados.
Tratamentos endodônticos, instrumentação ou cirurgia apicais.
Colocação subgengival de fibras ou tiras antibióticas.
Colocação inicial de bandas (mas não brackets)
Injeções locais anestésicas intraligamentares
Limpeza de dentes ou implantes, onde a mobilidade está prevista

Profilaxia de endocardite desnecessária
 

Restaurações (dentística e protética) com ou sem fio retrator
Injeções de anestesia local (não intraligamentar)
Tratamentos endodônticos (colocação de pinos e núcleos)
Colocação de dique de borracha
Remoção de sutura pós-operatória
Colocação e remoção próteses ou aparelhos ortodônticos
Tomadas de impressões
Radiografias intraorais
Ajuste de aparelhos ortodônticos
Tratamentos de fluor
Selamento de dentes temporários

Profilaxia

A profilaxia é feita com a administração de antibióticos sob orientação de profissional da saúde.



 

DOR NO PEITO, ANGINA E INFARTO

O tórax, o peito, é formado por um bom número de órgãos e tecidos que podem se manifestar por sensações dolorosas. Entre as dores mais temidas, estão as chamadas dores do coração e, dentre as quais, a angina do peito e o infarto são as que motivam maiores temores por serem as mais conhecidas e consideradas como as de maior probabilidade de serem fatais.

A angina pectoris é um tipo de dor que o paciente sente no peito, braço ou nuca e que aparece com a realização de esforços ou emoções ou mesmo sem fator provocador aparente. A angina é uma dor que provoca medo, daí o nome angina, que significa medo, angor em latim. É uma dor que costuma deixar o paciente imóvel, assustado e que dura poucos segundos.

A sensação de dor na angina é provocada pela diminuição do sangue que passa pelas artérias que irrigam o músculo cardíaco. Este é um sinal de que pouco sangue está irrigando o coração durante aquele momento, geralmente, durante algum esforço. Se o esforço diminuir ou cessar, a dor pode ceder. Se a pessoa continuar no esforço e a dor persistir pode significar que a angina progrediu para um estágio mais grave da doença, qual seja o infarto do miocárdio.

A falta de sangue relativa para um órgão denomina-se isquemia. Ao chegar pouco sangue para manter uma parte do músculo cardíaco suprido de oxigênio e nutrientes, esta parte pode funcionar menos bem, com menos força e provocar a dor denominada angina. A falta total de sangue para um tecido ou órgão em poucos minutos pode significar a morte deste tecido com a perda total da sua função. Caso uma porção maior do músculo cardíaco deixa de receber sangue, o coração pode tornar-se incapaz de manter o sangue circulando e o paciente pode morrer. Se o paciente sentir dor é porque ainda existe músculo vivo, pois um músculo morto não doe. Em torno de uma parte morta do músculo cardíaco, pode haver uma parte lesada e isquêmica viável, que merece todos os esforços para ser conservada viva.

O infarto do miocárdio acontece quando uma parte do músculo cardíaco deixa de receber sangue pelas artérias coronárias que a nutrem. Esta falta de sangue leva o músculo à morte. Nessa situação clínica, a dor pode ser de maior ou menor intensidade e costuma ser acompanhada de outras manifestações:

piora e maior duração da dor,
a pressão do paciente cai,
ele sua muito, fica pálido, inquieto, tem a sensação de morte iminente;
por fim, o paciente apresenta confusão mental até a perda total da consciência e morte, caso não houver um pronto atendimento.

A maioria dos pacientes que morre do infarto não chega a ter atendimento médico. Existem infartos mais ou menos graves, a gravidade depende da extensão, da localização, da idade do paciente, além de outras doenças concomitantes que podem agravar a doença.

Infartos pequenos, que lesam menos músculo cardíaco têm melhor prognóstico: quanto maior a lesão do coração maior chance do paciente morrer.
Infartos que atingem regiões importantes do coração, como o local onde se geram os estímulos cardíacos e infartos que provocam arritmias, costumam ser mais graves.
Pacientes idosos de maneira geral toleram melhor um infarto do que as pessoas jovens que não desenvolveram uma circulação colateral, como os idosos onde a doença isquêmica já existe há mais tempo.
Outras doenças concomitantes, como diabete, enfisema, hipertensão arterial, podem piorar um prognóstico.

A grande maioria dos casos de morte súbita é provocada pelo infarto do miocárdio.

Pequena digressão histórica

Seguidamente, os médicos escutam de seus pacientes que o pai ou avô ou alguma tia morreu de angina. Ora, a angina, nos conceitos atuais, não costuma ser fatal. Há cerca de 50 anos era usual ouvirmos falar em falsa angina e verdadeira angina do peito. O infarto era considerado a verdadeira angina, a que levava à morte. Já a falsa angina era a dor passageira no peito, que poderia terminar ou não em angina verdadeira. Não se dispunha do eletrocardiograma para diferenciar as duas situações clínicas.

Hoje em dia, a falsa angina é o que denominamos somente de angina e a verdadeira angina é denominada de infarto. Se alguém disser que o avô faleceu de angina, provavelmente, tratou-se de um infarto do miocárdio. É comum as pessoas confundirem estes termos. Estas pessoas que ainda têm a angina como doença fatal podem entrar em pânico quando lhes dissermos serem portadores de angina. Sempre é bom esclarecer esta dúvida antes de assustá-los mais do que necessário.

Dor no peito não é sinônimo de doença do coração. Existem no tórax diversas estruturas que podem doer. Citam-se doenças do esôfago, do pulmão, das pleuras, da aorta, dos músculos, das costelas, das mamas e da pele. Alterações da coluna podem provocar dores no peito confundíveis com doenças do coração.

Existem dores de origem emocional, que podem ser observadas em pessoas que querem chamar a atenção. Mesmo em crianças são relatadas dores no peito, simulando situações cardíacas. Isso pode acontecer quando imitam os pais ou avós que tenham angina de peito ou tiveram infartos do miocárdio.

Sempre cabe aos médicos esclarecer as diferentes possibilidades de diagnóstico. São eles que devem orientar a investigação complementar para tirar dúvidas, porque nem toda dor no peito é angina ou infarto, nem todo infarto é precedido de angina, nem toda angina acaba em infarto do miocárdio. Para complicar, nem todo infarto doe. Não é raro um médico detectar num eletrocardiograma a cicatriz de um infarto que aconteceu e o paciente nem percebeu.

O infarto do miocárdio, uma doença, muitas vezes, fatal ou indicadora de uma vida mais breve, pode atingir as pessoas em diferentes idades, que vão desde a infância, quando é mais raro acontecer, até a idade avançada, fase mais freqüente.



 

EDEMA AGUDO DE PULMÃO

O edema agudo de pulmão é uma grave situação clinica, de muito sofrimento, com sensação de morte iminente e que exige atendimento médico urgente.

Causas de edema agudo de pulmão:
 

Infarto do miocárdio - é a causa mais comum
Disfunção do músculo cardíaco
Doenças das válvulas, aórtica ou pulmonar
Administração exagerada de líquidos, comum em crianças ou pacientes que recebem líquidos (soros) em excesso pelas veias.

O coração é dividido em quatro partes (câmaras) responsáveis pela entrada de sangue no coração; um átrio e um ventrículo à direita, um átrio e um ventrículo à esquerda, responsáveis pela circulação do sangue no coração e por todo o corpo.. Na insuficiência cardíaca esquerda, há um acúmulo de sangue nas veias e capilares pulmonares a tal ponto que acontece um extravasamento de fluídos para os espaços aéreos dos pulmões. Isso deixa o pulmão menos elástico e com menos superfície de contato entre os gazes inspirados e o sangue.

Prevenção do edema agudo de pulmão.

Na maioria dos casos, não temos possibilidade de evitar o edema agudo.

Os riscos podem ser diminuídos pelo pronto tratamento e pela condução adequada das doenças que podem levar ao edema agudo.

Sinais e sintomas de edema agudo.
 

Respiração curta com severa dificuldade respiratória.
Fome de ar
Respiração estertorosa; pode-se escutar o borbulhar do ar no pulmão.
Ortopnéia-o doente sente necessidade de sentar, não tolera permanecer deitado.
Batimento das asas do nariz (eventual)
Expectoração sanguinolenta e espumosa (eventual)
Uma radiografia de tórax pode mostrar o acúmulo de líquidos no pulmão.

Tratamento.

O edema agudo de pulmão é uma emergência médica e necessita de:
 

tratamento imediato
transferência para um serviço de urgência ou emergência de um hospital.

Se possível, dar oxigênio por máscara ou através de entubação da traquéia.

O garroteamento alternado de pernas e braços pode ser feito enquanto se aguarda um atendimento especializado.

Na emergência podemos usar Furosemida por via intra venosa (na impossibilidade de obter acesso venoso, pode-se administrar o medicamento via intramuscular) na tentativa de forçar a eliminação de líquidos, morfina para aliviar a congestão pulmonar e a ansiedade. As demais medicações usadas são para tratar as doenças que estão por trás do edema agudo. Isso deve ser feito por médico e num ambiente hospitalar, de preferência.

Por ser o edema agudo de pulmão uma emergência médica, a prioridade no momento do atendimento é a administração dos medicamentos e as medidas que aliviem o trabalho do coração. A remoção para um local adequado é a segunda prioridade.

Esteja preparado para emergências!

Mantenha sempre os telefones dos serviços de emergência e do seu médico à mão, num lugar de destaque e acessível.



 

ENDOCARDITES

O que são endocardites?

Endocardite é o nome dado às afecções, infecciosas ou não, do endocárdio.

O coração é formado por três camadas: o pericárdio é a externa, o miocárdio é a medial e o endocárdio é a interna, da qual fazem parte as válvulas cardíacas.

A maioria das endocardites tem uma origem infecciosa e os microorganismos mais freqüentemente causadores dessa doença são:
 

bactérias
fungos
micobactérias
riquetsias
clamídias
micoplasmas

Os agentes mais comuns são:
 

estreptococos
estafilococos
enterococos
alguns germes gram-negativos

Também existem reações inflamatórias do endocárdio provocadas por doenças auto-imunes, nas quais não encontramos um agente infeccioso na reação inflamatória do endocárdio.

A endocardite se localiza preferencialmente nas válvulas do coração, mas pode ser encontrada em qualquer parte do endocárdio, podendo ser classificada em aguda e subaguda.

A aguda se caracteriza pela intensa toxicidade e rápida progressão, podendo evoluir em dias para a morte. Costuma provocar infecções à distância, como no cérebro, rins, pulmões, fígado, olhos. O agente etiológico mais comum é o estafilococos aureus.

Já a subaguda tem a evolução mais lenta, persistindo por até meses e, na maioria dos casos, é causada por Estreptococos viridans, enterococos, estafilococos coagulase negativos ou bacilos gram-negativos.

A endocardite pode atingir as pessoas em qualquer idade e os sintomas e sinais principais são:
 

febre de longa duração
suores noturnos persistentes
astenia, baço aumentado de volume
alterações cardíacas, como o agravamento súbito de uma doença cardíaca previamente existente.

O que favorece o aparecimento de endocardites ?

As pessoas portadoras de lesões valvulares do coração, congênitas ou adquiridas, são as mais propensas a apresentarem a doença. Contudo, a endocardite também ocorre em pessoas que não tenham lesões cardíacas.

As endocardites surgem principalmente depois de procedimentos invasívos, em que há a invasão do organismo, como cirurgias, extrações dentárias, colocação de sondas, manipulação de abscessos (cuidado com espremer espinhas ou furúnculos!). Em alguns grupos, a metade dos casos encontrados de endocardite é em pessoas que fizeram ou fazem uso de drogas injetáveis.

Um outro grupo de pessoas seguidamente acometido de endocardite encontra-se entre os que foram submetidos a cirurgia cardíaca. Existem trabalhos que relatam que até 30% das válvulas artificiais implantadas nos corações são atingidas por infecção.

Diagnóstico

O diagnóstico de endocardite é feito principalmente quando existe um alto índice de suspeita do médico naqueles pacientes que tenham febres prolongadas e sem um outro diagnóstico que explique a elevação da temperatura. A história de procedimentos cirúrgicos, dentários e uso de drogas aumentam a suspeita. Para um diagnóstico de endocardite, o médico se vale de um bom exame clínico do sistema cardiovascular, no qual se destacam o surgimento ou a alteração em sopros anteriormente existentes, o aumento do baço, alterações ecocardiográficas e culturas do sangue.

Atualmente, um dos exames que mais auxilia para o diagnóstico de endocardite é a ecografia trans-esofágica. Em um grande número de casos, não se consegue obter uma cultura positiva do sangue para identificar o agente causador da endocardite. Nos melhores laboratórios, que tenham acesso às técnicas mais apuradas, em cerca de 70 a 80% dos casos em que se colhe o sangue dos pacientes se consegue obter culturas positivas que identifiquem o agente etiológico. Uma das razões para a falta de identificação está no fato da maioria dos pacientes estarem recebendo antibióticos administrados às cegas, isto é, sem ter um diagnóstico etiológico confirmado.

Tratamento

O tratamento é feito com antibióticos em doses generosas e durante um tempo prolongado, em média 30 dias. Alguns pacientes, uma vez curada a infecção do coração, havendo alterações severas de válvulas, devem ser submetidos a troca cirúrgica dessa válvula. Denomina-se de endocardite hospitalar aquela que ocorre em pessoas tratadas em hospital, que não foram submetidas a procedimentos sobre o coração, e que tendo ou não uma lesão cardíaca ou uma válvula artificial, desenvolvem endocardite atribuída ao uso de agulhas ou cateteres infectados, instrumentação ou cirurgia de vias urinárias ou digestivas.

Microrganismos mais freqüentemente envolvidos na endocardite
 

Estreptococcus viridans
  de 30 a 65% dos casos de endocardite não relacionados ao uso de drogas ilícitas, são causados por esse agente. Ele é um habitante normal das nossas vias aéreas e orofaringe. Essa endocardite é muito encontrada em portadores de lesões valvulares que foram submetidos a tratamentos dentários nos dias precedentes à descoberta de endocardite.
Estreptococcus bovis (e outros)
  é geralmente um habitante normal do trato digestivo, estando envolvido em cerca de 27% dos casos de endocardite. É mais freqüente em pacientes portadores de câncer ou pólipos intestinais.
Estreptococcus pneumoniae
  Embora esse germe seja muito encontrado no sangue dos portadores de infecções causadas por ele, só em 1 a 3% ele atinge o coração. É encontrado em alcoolistas e costuma estar associado a meningite e pneumonia.
Enterococcus
  Em 85 % dos casos de endocardite provocada pelos enterococos, os responsáveis são e E. faecalis ou o E. faecium. São habitantes normais do trato digestivo e urinário e os casos de endocardite por eles causados costumam ser em pessoas jovens, principalmente em mulheres jovens e homens idosos, como conseqüência da manipulações do trato genitourinário.
Estafilococos
  O E. aureus dos coagulase positivos e o E. epidermidis entre os coagulase negativos, são os mais encontrados em casos de endocardite provocados pelo uso de sondas, drenos e próteses de uso hospitalar.
Fungos
  Os fungos podem estar envolvidos em casos de endocardite, bacteriana ou não, que se caracterizam por lesões vegetantes de proporções maiores causando embolias. São particularmente encontrados em pacientes que tiveram válvulas cardíacas trocadas e em usuários de drogas ilícitas injetáveis.
Endocardite não bacteriana trombótica
  Pode surgir em pacientes que tenham sofrido uma lesão no endocárdio e em portadores de doenças que se acompanham de hipercoagulabilidade do sangue. É mais encontrada em pessoas idosas, em portadores de doenças malignas, lesões de válvulas, portadores de lupus eritematoso sistêmico e em pacientes que tiveram cateteres implantados em procedimentos hospitalares. Esse tipo de endocardite chega a ser detectado em l,3% das necrópsias.

Sintomas e sinais

Sintomas de endocardite, mais freqüentes:
 

Calafrios - 40 a 70%
Suores, principalmente noturnos - 25%
Emagrecimento - 25 a 35%
Falta de ar - 20 a 40%
Tosse - 25%
Confusão mental - 10 a 20%
Dores diversas - 5 a 35%.

Sinais de endocardite, os mais freqüentes:
 

Febre - 80 a 90%
Sopro no coração - 80 a 85%
Mudanças dos sopros cardíacos - 10 a 40%
Agravamento súbito de doença cardíaca preexistente - 30%
Alterações neurológicas - 30 a 40%
Embolias arteriais ou pulmonares - 20 a 40%
Aumento do baço - 15 a 50%
Manifestações periféricas - 5 a 40% (em pele, unhas, fundo do olho)

É importante saber que qualquer endocardite necessita do acompanhamento urgente de um médico para orientar o diagnóstico e o tratamento.



 

ESTATINAS E COLESTEROL

As estatinas são um grupo de substâncias afins, denominadas lipoproteinas, são empregadas em medicina para tratar os altos níveis de Colesterol, LDL-colesterol e VLDL-colesterol no sangue. As lipoproteinas são essenciais ao funcionamento do organismo humano, mas em níveis sangüíneos elevados podem ser prejudiciais.

O colesterol, que já foi considerado o inimigo maior do nosso sistema cardiovascular, é formado principalmente no nosso fígado. Do total de Colesterol do corpo humano, cerca do 60% é formado no fígado e o restante vem da alimentação. O colesterol e seus derivados são importantes para a produção dos hormônios, na formação das membranas celulares, na produção da vitamina D, essencial no metabolismo do cálcio, que por sua vez é importante na formação, conservação e regeneração de ossos. Sem colesterol a vida humana não é possível.

Observou-se que os elevados níveis sangüíneos de colesterol estão associados ao surgimento de doenças degenerativas. Tal fato levou os pesquisadores médicos a incrimar o colesterol elevado como sendo um dos fatores de risco mais importantes para o surgimento destas doenças.

O colesterol total é formado por três componentes principais, o LDL colesterol (lipoproteinas de baixa densidade), o VLDL colesterol (lipoproteinas de muito baixa densidade) e HDL Colesterol (Lipoproteinas de alta densidade). Os dois primeiros componentes, o LDL e VLDL, seriam os responsáveis pelos efeitos deletérios do colesterol, agrupados como sendo o mau colesterol. Já o HDL seria o bom colesterol, por remover tanto dos vasos como do fígado o mau colesterol. A partir deste conhecimento todas as medidas para reduzir os níveis de colesterol do sangue foram dirigidas para evitar a ingestão de alimentos que o contenham. Assim, principalmente alimentos ricos em gorduras animais, tais como carnes gordas, frituras, gorduras saturadas, gema de ovos, embutidos, vísceras, etc. Com as dietas os resultados nunca foram plenamente satisfatórios, principalmente pela desobediência e inconstância em obedecer às restrições alimentares.

Por outro lado elevar os níveis do bom colesterol, aquele que protege do mau, é uma outra direção para o tratamento. Para tanto recomenda-se dietas especiais, principalmente a do mediterrâneo, o ingestão de flavonóides, encontrados em frutas, vinhos, sucos de uvas, exercícios físicos regulares, são todas medidas que elevam o HDL colesterol.

Como somente 40% do nosso colesterol vem da alimentação, sempre existiram tentativas de reduzir a produção de colesterol.

Um dos primeiros medicamentos eficazes para reduzir a produção de colesterol foi o Clofibrate, muito usado de 1962 até 1980. Reduzia o níveis de colesterol em média 9%, contudo, por ter aumentado significativamente a produção de cálculos biliares, o medicamento foi banido do receituário médico. Por outro lado, nos que ingeriam o medicamento, houve um aumento na incidência de câncer de fígado. Além disso, o que mais levou ao abandono do uso deste medicamento foi que após 20 anos de observação conclui-se que o número de mortes por doenças atribuíveis aos altos níveis de colesterol não foram reduzidos com a administração do Clofibrate. Além de aumentar a mortalidade por outras causas, é uma droga ineficaz naquilo que se pretende. Este medicamento, no início, foi considerado milagroso.

Em 1971, um pesquisador japonês, Akira Endo, observou que alguns cogumelos produziam uma substância tóxica fatal para os animais que os ingeriam, verificaram que esta ação prejudicial era provocada por impedir a produção de colesterol nos animais intoxicados. A partir desta observação, Endo conseguiu isolar a substância tóxica, que foi avaliada e que no final serviu de base para a produção das estatinas. O primeiro produto a chegar ao mercado brasileiro foi a LOVASTATINA, entre os nomes comerciais temos o Mevacor, Lovaton, Lovast. Foi um medicamento de sucesso, porém com muitos efeitos colaterais indesejáveis. A partir deste sucesso terapêutico, outros laboratórios farmacêuticos se lançaram nas pesquisas e na produção de outras estatinas. Mudando radicais cada laboratório produtor de estatinas iniciaram campanhas procurando convencer a classe médica que a sua estatina é melhor, mais inócua, mais promissor, de melhores resultados e menores efeitos colaterais.

Atualmente estão a disposição dos médicos e pacientes produtos como a SINVASTATINA, no comércio como Zocor, a ATORVASTATINA, que leva o nome comercial Lipitor, a PROVASTATINA, comercializada sob o nome Mevalutin. Houve a CERVISTATINA, que foi retirada do mercado após dois anos de uso por ser hepatotóxica e ter provocado mortes por doenças renais. A ROSUVASTATINA, é a mais recente no mercado e sobre ela não temos informações maiores. Provavelmente virá com promessas de menos efeitos colaterais, de maiores benefícios e de preço mais elevado. O tempo dirá se estamos errados ou não.

A eficácia da Estatinas em reduzir os níveis do mau colesterol é significativa, são medicamentos muito eficazes neste objetivo. A longo prazo a redução dos níveis de colesterol significa uma redução na incidência de moléstias degenerativas, principalmente naquelas que as alterações vasculares decorrentes de altos níveis de colesterol no sangue levam à arteriosclerose, à obstrução das artérias do coração, rins, cérebro e circulação de pernas, intestinos e vasos genitais.

Observou-se que mesmo pessoas que não tem altos níveis de colesterol no sangue, ao fazerem uso de estatinas, terão menor incidência de obstruções arteriais. Por exemplo, observou-se que pessoas que foram submetidas a tratamento de obstrução de coronárias, seja por angioplastia, colocação de stents ou mesmo cirurgia sobre artérias cardíacas e que não tenham níveis elevados de colesterol no sangue, se forem tratadas com estatinas terão menor número de recidivas de acidentes vasculares do que aqueles que não receberem estes medicamentos. O porque deste benefício em pessoas não portadores de hipercolesterolemia não está esclarecido. Sugere-se que o benefício esteja relacionado a um efeito anti-inflamatório benéfico. Os níveis de proteina C-reativa ultra-sensível podem diminuir com o uso de estatinas. De objetivo já se sabe que a ingestão de estatinas reduz significativamente a incidência das complicações atribuídas ao Colesterol, um resultado bem diferente daquele observado com o Clofibrate.

Mesmo sendo as estatinas medicamentos eficazes não deixam de ser drogas cercadas de riscos, alguns até fatais. Por esta razão estes medicamentos só devem ser tomados sob orientação e acompanhamento de um médico, os pacientes devem ser mantidos sob severa vigilância.

Alguns dos riscos do uso das estatinas estão relacionados a seguir:
 

Doenças do fígado e vias biliares
  pode haver elevação dos níveis de enzimas hepáticas, se acontecerem o medicamento deverá ser suspenso imediatamente. Pode haver ainda colestase, uma obstrução de vias biliares intra-hepáticas, que também obriga à suspensão da droga. A colestase se manifesta principalmente por icterícia e coceira.
Alcoolismo
  pessoas que abusam do álcool são particularmente propensas a apresentarem efeitos colaterais hepáticos severos com o uso de estatinas.
Músculos
  dores musculares intensas, cãibras, fraqueza, elevação da CPK, uma enzima que revela lesão do tecido muscular.
Sistema digestivo
  as estatinas, além da hepatite tóxica, podem causar falta de apetite, diarréia e vômitos.
Pele e anexos
  urticária, coceira, edemas e perda de cabelos.
Vida sexual
  as estatinas podem diminuir a potência masculina.
Sistema nervoso
  Insônia, dores de cabeça, perda de memória, formigamentos, neurites são manifestações atribuídas às estatinas.
Sistema endócrino
  as reduções do níveis de colesterol podem provocar alterações em diversos hormônios. Assim as estatinas podem causar aumento do açúcar no sangue ou mesmo diminuição, aumento do peso.
Sistema hematológico
  as estatinas podem provocar trombocitopenia, a redução das plaquetas do sangue, o que pode ser causa de sangramentos.
Aleitamento
  As mães, caso estejam tomando estatinas, não devem amamentar os filhos.
Interação com outros medicamentos
  as estatinas não se dão bem com certos medicamentos.
Medicamentos a base de trisilicato de magnésio e alumínio
  por via oral, provocam uma redução de até 30 % nos níveis plasmáticos das estatinas.
Digoxina
  Com doses de 10 mg/dia de estatina os níveis de digoxina não são influenciados. Contudo com doses maiores os níveis séricos de digoxina podem se elevar causando intoxicação digitálica.
Antibióticos como claritromicina, e eritromicina
  podem causar elevações do níveis séricos de estatinas.
Anticoncepcionais orais
  as estatinas alteram para mais os níveis plasmáticos dos hormônios de anticoncepcionais que contenham noretindrona e etinilestradiol.
Ciclofosfamida, itraconazole, cetoconazole, eritromicina
  quando associados com estatinas podem provocar rabdomiólise.

Resumindo, as estatinas são medicamentos muito eficazes se o objetivo principal for reduzir os níveis de colesteróis do sangue e para diminuir a incidência de manifestações de doenças decorrentes da diminuição de perfusão de tecidos irrigados por artérias estreitadas pela arteriosclerose. Sempre se deve pesar os benefícios obtidos e confrontá-los com os eventuais efeitos colaterais decorrentes do seu uso.

Uma das reservas ao entusiasmo provocado pelas estatinas na prevenção das doenças degenerativas relacionadas aos altos níveis de colesterol no sangue decorrem da tendência das pessoas a abandonarem as outras medidas preventivas importantes, como continuarem a fumar, a não obedeceram ás restrições dietéticas, continuarem obesas, não tratarem o diabete, não fazerem exercícios físicos, etc. Acreditam que por terem normalizado os níveis de colesterol, os seus problemas esteja resolvidos, dispensando as outras medidas das quais se valiam.

Por último, o preço destes medicamentos, que devem ser ingeridos por longo tempo, mais os controles médicos e laboratoriais tornam o tratamento dispendioso.



 

ESTRESSE E CORAÇÃO

Existem pesquisas que mostram que o estresse afeta o organismo causando alterações celulares de maneira a aumentar a incidência de doenças. O estresse está ligado às doenças do coração e à hipertensão arterial, podendo também ter uma relação com o surgimento do câncer.

A relação com funções imunológicas ainda não está esclarecida. Estudos mostram que pessoas que têm amplas relações sociais e contatos com pessoas - amigos, vizinhos, parentes, colegas de serviço - têm menor incidência de resfriados do que os que vivem num ambiente restrito de relacionamentos.

O American Journal of Medicine em 1997 publicou um trabalho onde é mostrado que o contato escasso com pessoas é um fator de risco maior do que o cigarro para contrair doenças virais respiratórias. Pensamentos antigos estão ressurgindo. Hipócrates em 500 AC já dizia que as emoções estão ligadas à saúde. Hoje os cientistas estão conseguindo demonstrar que as paixões podem desencadear doenças. Descobriram que certas células do corpo humano são capazes de enviar mensagens entre células nervosas e o sistema imunológico.

Estudos em animais mostraram que a interrupção dessa comunicação entre as células, seja pela engenharia elétrica ou pelo uso de drogas, está associada com uma maior susceptibilidade às doenças da tireóide, doenças inflamatórias e artrites.

A maioria dos estudos relaciona o estresse à hipertensão e às doenças do coração. Dados convincentes sugerem que o medo crônico, a ansiedade, a solidão e a depressão podem ser letais para pessoas com doenças do coração.

É significativo o fato de que os ataques cardíacos são provocados pela agregação de plaquetas formando coágulos, fenômeno conhecido como "correr ou lutar" e desencadeado pelo medo ou pavor. Todos nós estamos constantemente experimentando o estresse de uma ou outra forma.

Estresse agudo e crônico.

O estresse agudo

É o conseqüente a um acontecimento traumático, como a perda de um ente querido, um assalto, uma doença grave na família, a perda do trabalho, perda de um bem.

O estresse crônico

É o do dia a dia, como os problemas de trânsito, da profissão, econômicos, relações de trabalho, de família. Nas situações de estresse o corpo libera dois hormônios, a adrenalina e a cortisona.

Como resposta a esses dois hormônios as plaquetas se agregam, as células imunológicas são ativadas, o açúcar do sangue vai para os músculos para lhes proporcionar energia, a respiração e a freqüência cardíaca aumentam e a pressão arterial sobe. A cortisona de início mantém a resposta ao estresse e depois lentamente vai diminuindo até o organismo voltar à função normal. Quando a situação estressante persiste, a reação persiste e pode tornar-se prejudicial em vez da reação benéfica inicial.

A chamada resposta alostática, o que é?

Em 1998, no New England Journal of Medicine, foi publicado um trabalho que usa o termo alostático, que vem do grego e significa "encontrar estabilidade através da mudança". Este é um termo usado para explicar a adaptação que o organismo encontra quando é submetido a um estresse crônico. O preço que o organismo paga para obter e conservar essa adaptação pode ser alto. Algumas pessoas submetidas a estresse crônico tornam-se hiperativas ou hipoativas quando expostas à situação estressante. Uma produção muito pequena ou muito grande de hormônios frente a uma situação de estresse pode ser prejudicial por desencadear a produção de substâncias alternativas afim de corrigir o excesso ou carência desses hormônios. Assim, um excesso de cortisona:
 

aumenta a produção de insulina
provoca fraqueza dos músculos
predispõe a infecções e a descalcificação dos ossos
favorece a depressão e a degenerações do cérebro que levam à perda da memória.

Ainda não se sabe porque certas pessoas não desligam a "reação ao estresse" continuando a produzir os hormônios uma vez terminado o motivo que o desencadeou. Também se ignora porque outras pessoas não produzem os hormônios do estresse quando deles necessitam.

As pesquisas sugerem que exercício moderado e regular é a melhor maneira de se opor aos efeitos prejudiciais do estresse. As pessoas que regularmente fazem exercício percebem que toleram o estresse muito melhor e não necessitam mais comer muito ou tomar grandes doses de álcool quando estão em situações de estresse afim de se acalmarem.

Reduzir o estresse não significa que você deve mudar da cidade para o campo, abandonar seu emprego, se aposentar, largar o automóvel ou mudar de profissão. Basta fazer mais exercícios físicos, aumentar seu círculo de relações, participar de atividades sociais, mudar seus horários de trânsito.




 

DOENÇAS CARDÍACAS - Fatores de Risco

O que é?

São condições que predispõem uma pessoa a maior risco de desenvolver doenças do coração e dos vasos.

Existem diversos fatores de risco para doenças cardiovasculares, os quais podem ser divididos em imutáveis e mutáveis.

Fatores imutáveis

São fatores imutáveis aqueles que não podemos mudar e por isso não podemos tratá-los. São eles :

Hereditários:

Os filhos de pessoas com doenças cardiovasculares tem uma maior propensão para desenvolverem doenças desse grupo. Pessoas de pele negra são mais propensos a hipertensão arterial e neles ela costuma ter um curso mais severo.

Idade:

Quatro entre cincos pessoas acometidas de doenças cardiovasculares estão acima dos 65 anos. Entre as mulheres idosas, aquelas que tiverem um ataque cardíaco terão uma chance dupla de morrer em poucas semanas.

Sexo:

Os homens tem maiores chances de ter um ataque cardíaco e os seus ataques ocorrem numa faixa etária menor. Mesmo depois da menopausa, quando a taxa das mulheres aumenta, ela nunca é tão elevada como a dos homens.

Fatores mutáveis

São os fatores sobre os quais podemos influir, mudando, prevenindo ou tratando.

Fumo:

O risco de um ataque cardíaco num fumante é duas vezes maior do que num não fumante. O fumante de cigarros tem uma chance duas a quatro vezes maior de morrer subitamente do que um não fumante. Os fumantes passivos também tem o risco de um ataque cardíaco aumentado.

Colesterol elevado:

Os riscos de doença do coração aumentam na medida que os níveis de colesterol estão mais elevados no sangue. Junto a outros fatores de risco como pressão arterial elevada e fumo esse risco é ainda maior. Esse fator de risco é agravado pela idade, sexo e dieta.

Pressão arterial elevada:

Para manter a pressão elevada, o coração realiza um trabalho maior, com isso vai hipertrofiando o músculo cardíaco, que se dilata e fica mais fraco com o tempo, aumentando os riscos de um ataque. A elevação da pressão também aumenta o risco de um acidente vascular cerebral, de lesão nos rins e de insuficiência cardíaca. O risco de um ataque num hipertenso aumenta várias vezes, junto com o cigarro, o diabete, a obesidade e o colesterol elevado.

Vida sedentária:

A falta de atividade física é outro fator de risco para doença das coronárias. Exercícios físicos regulares, moderados a vigorosos tem um importante papel em evitar doenças cardiovasculares. Mesmo os exercícios moderados, desde que feitos com regularidade são benéficos, contudo os mais intensos são mais indicados. A atividade física também previne a obesidade, a hipertensão, o diabete e abaixa o colesterol.

Obesidade:

O excesso de peso tem uma maior probabilidade de provocar um acidente vascular cerebral ou doença cardíaca, mesmo na ausência de outros fatores de risco. A obesidade exige um maior esforço do coração além de estar relacionada com doença das coronárias, pressão arterial, colesterol elevado e diabete. Diminuir de 5 a 10 quilos no peso já reduz o risco de doença cardiovascular.

Diabete melito:

O diabete é um sério fator de risco para doença cardiovascular. Mesmo se o açúcar no sangue estiver sob controle, o diabete aumenta significativamente o risco de doença cardiovascular e cerebral. Dois terços das pessoas com diabete morrem das complicações cardíacas ou cerebrais provocadas. Na presença do diabete, os outros fatores de risco se tornam mais significativos e ameaçadores.

Anticoncepcionais orais:

Os atuais ACOs têm pequenas doses de hormônios e os riscos de doenças cardiovasculares são praticamente nulos para a maioria das mulheres. Fumantes, hipertensas ou diabéticas não devem usar anticoncepcionais orais por aumentar em muito o risco de doenças cardiovasculares.

Existem outros fatores que são citados como podendo influenciar negativamente os fatores já citados. Por exemplo, estar constantemente sob tensão emocional (estresse) pode fazer com que uma pessoa coma mais, fume mais e tenha a sua pressão elevada. Certos medicamentos podem ter efeitos semelhantes, por exemplo, a cortisona, os antiinflamatórios e os hormônios sexuais masculinos e seus derivados.



 

O ATAQUE DO CORAÇÃO

Sinônimos e Nomes Populares

O termo dos médicos para ataque do coração é Infarto do Miocárdio. Enfarte do miocárdio, doença isquêmica do coração, obstrução das coronárias, crise cardíaca. No nosso meio, o termo mais usado é infarto.

O que é?

O infarto do miocárdio se dá quando o suprimento de sangue a uma parte do músculo cardíaco é reduzido ou cortado totalmente. Isso acontece quando uma artéria coronária está contraída ou obstruída, parcial ou totalmente.

Com a supressão total ou parcial da oferta de sangue ao músculo cardíaco, ele sofre uma injúria irreversível e, parando de funcionar, o que pode levar à morte súbita, morte tardia ou insuficiência cardíaca com conseqüências desde severas limitações da atividade física até a completa recuperação.

O infarto do miocárdio é a causa mais freqüente de morte nos Estados Unidos.

O infarto do miocárdio pode também acontecer em pessoas que têm as artérias coronárias normais. Isso acontece quando as coronárias apresentam um espasmo, contraindo-se violentamente e também produzindo um déficit parcial ou total de oferecimento de sangue ao músculo cardíaco irrigado pelo vaso contraído.

Esse tipo de espasmo também pode acontecer em vasos já comprometidos pela ateroesclerose. Saiba mais lendo sobre ateroesclerose nesse mesmo site.

 

Angina do Peito

A angina do peito apresenta-se sob duas formas, a estável e a instável.

Tanto a instável como a estável têm manifestações ou sintomas semelhantes aos do infarto do miocárdio. Elas podem evoluir para um infarto do miocárdio quando não tratadas.

A angina do peito estável se diferencia do infarto por algumas das características abaixo:
 

Duração da dor - geralmente é de mais curta duração, se durar mais do que 15 minutos provavelmente se trata de infarto.
A dor surge com o esforço e passa com a parada, com o repouso.
As manifestações paralelas não costumam ser tão intensas como no infarto.
A dor ou opressão retroesternal passa com o uso de comprimidos sublinguais de nitro derivados. Se a dor não ceder provavelmente se trata de um infarto.

Os sintomas da angina de peito estável variam de pessoa para pessoa, mas, num mesmo indivíduo, costumam ser semelhantes, e num mesmo indivíduo costumam ter os seus fatores desencadeantes bem conhecidos, como fazer força, caminhar no vento frio, subir escadas, atividade sexual, e outras.

Os sintomas da angina de peito instável costumam surgir em repouso ao levantar pela manhã, e são de aparecimento súbito, com dores e desconforto moderado a severo, evoluem rapidamente para um estágio em que há um aumento no desconforto e na dor, tanto na intensidade como severidade.

Alerta!

A angina de peito pode ser considerada uma dor amiga, uma manifestação desagradável, mas que avisa estar acontecendo algo de errado e grave com o coração, fazendo com que a pessoa atingida procure recurso médico antes que a doença se agrave.

Sinais de Alarme

Os mais comuns são:
 

Pressão e desconforto, dor em aperto no centro do peito que dura mais do que alguns minutos ou que vai e volta.
Dor do centro do peito que irradia para os ombros, queixo, pescoço e braços, mais freqüentemente para o braço esquerdo.
Desconforto no peito com sensação de cabeça leve, sensação de desmaio, suores e falta de ar.

Os menos comuns são:
 

Dores atípicas, vagas, na boca do estômago, peito ou barriga.
Náusea ou vômitos sem dor no peito.
Respiração curta ou dificuldade de respirar, mesmo sem dor no peito.
Ansiedade inexplicável, fraqueza ou fadiga.
Palpitações, suores frios ou palidez, que às vezes vão e voltam.

Curiosidades

Nos homens a dor pré-cordial é o sintoma mais freqüente, já nas mulheres o cansaço e fadiga extrema são os sintomas mais encontrados.

Nas mulheres é mais freqüente sentir náuseas, dores no epigástrio, ou nas costas, pescoço ou queixo.

Muitas vezes, sintomas outros que não a dor, são sentidos já há muito tempo antes do infarto ocorrer.

A intensidade da dor do infarto varia muito de doente para doente. A dor não necessita ser intensa.

A dor geralmente irradia para o braço esquerdo, mas em 15% dos atingidos irradia para o braço direito.

Muitos sintomas de doença das coronárias são ignorados pelos pacientes e também pelos médicos. Existem infartos silenciosos, que são revelados ao eletrocardiograma ou outros exames por ocasião de exames rotineiros.

Exija do seu médico que investigue a causa de seus sintomas, principalmente se pertencer a um grupo de risco.

A parte do coração que necrosar, morrer, por ocasião de um infarto não é mais viável e não produzirá sintomas como dor. Logo, enquanto o doente sentir dor resta tecido cardíaco viável que pode se recuperar por si ou com tratamentos adequados. Quanto antes esse tecido doente for tratado, maiores as chances de ser recuperado.

Se isso acontecer, se notar uma ou mais de uma das manifestações acima, não espere, vá ou chame imediatamente um serviço de emergência.

50% DAS PESSOAS QUE MORREM DE UM INFARTO O FAZEM NAS PRIMEIRAS HORAS E NÃO CHEGAM A RECEBER ASSISTÊNCIA MÉDICA

Prognóstico do Infarto do Miocárdio

O prognóstico quanto à qualidade de vida e a duração da vida após um infarto do miocárdio depende da gravidade, da extensão do infarto e de outras doenças que acompanham o paciente.

Cerca de 1 milhão e meio de pessoas sofrem um infarto nos Estados Unidos por ano. Nos últimos anos, tem aumentado a incidência de infartos em mulheres, por outro lado a sobrevida tem aumentado devido à mais eficazes meios de tratamento.

A curto prazo, o prognóstico é pior em pessoas idosas, diabéticos, portadores de insuficiência cardíaca e portadores de insuficiência renal.

A causa mais freqüente de morte em infartados é o choque que acontece em 7% dos casos. A incidência de choque não tem diminuído nos últimos anos.

O bloqueio aurículo ventricular é freqüente e pode ser tratado com marcapassos.

A longo prazo, o prognóstico, tanto para a duração quanto para a qualidade de vida, também dependem da severidade do infarto e das medidas preventivas tomadas.

Não existem testes para prever quando um novo ataque vai ocorrer. Admite-se que até 30% de novos ataques fatais e de cirurgias cardíacas podem ser evitadas com a adoção de um estilo de vida saudável e adesão ao tratamento.

Os médicos sabem que 66% dos pacientes não mudam o seu estilo de vida e não seguem as prescrições e conselhos médicos para evitar um novo infarto.

 

O Diagnóstico das Doenças de Coronárias

Para o diagnóstico das doenças das coronárias, existem diversos métodos a disposição do médico delimitando o quanto suas coronárias estão doentes. Alguns são feitos em consultório, outros em serviços especializados e outros ainda em hospital.

Anamnese e Exame Clínico

Denomina-se anamnese a história da doença relatada pelo paciente ou familiares. As informações colhidas pelo médico podem sugerir, com maior ou menor certeza, um diagnóstico.

Como segundo passo, o médico realiza o que se denomina o exame clinico. Os achados encontrados nessa avaliação, mais os dados da história da doença, permitem ao médico fazer uma hipótese diagnóstica ou mesmo um diagnóstico.

Para confirmar o diagnóstico, o seu médico pedirá exames complementares, que, no caso de uma doença do coração, são os que se seguem.

O Eletrocardiograma

O eletrocardiograma realizado em repouso é útil para diagnosticar arritmias, aumento de cavidades, distúrbios de condução, manifestações sugestivas de distúrbios de perfusão, de distúrbios metabólicos ou medicamentosos.

Se a história clinica do paciente for sugestiva de doença isquêmica do coração e se o eletrocardiograma de repouso for normal, deve-se prosseguir na investigação.

O Teste de Esforço

É um teste para verificar a tolerância do coração a um esforço. Realiza-se com o paciente pedalando uma bicicleta estacionária ou caminhando sobre uma esteira, enquanto o médico observa ou registra o eletrocardiograma.

Uma outra possibilidade de testar a capacidade do coração é a que se faz administrando-se uma substância radioativa que se fixa no músculo cardíaco.

Se existirem no coração zonas menos irrigadas pelo sangue lá haverá menor fixação do radioisótopo. Por esse teste se pode ver como o coração se move e como o sangue se distribui pelo músculo cardíaco. Pode-se observar com esse teste como o coração se comporta em repouso e ao esforço.

Se a pessoa tiver outras doenças e não for capaz de realizar o teste de esforço físico, poderá ser feito o teste com um medicamento que ative o seu coração e dilate as artérias coronárias. Um eletrocardiograma feito durante o teste fornece as mesmas informações que o teste feito com a esteira ou bicicleta.

Esses testes de esforço ou estresse mostram como o coração está funcionando, mas não mostram o local exato do coração onde se localiza a doença, qual a artéria bloqueada e qual o grau de obstrução.

A fim de esclarecer essa dúvida recorre-se ao cateterismo cardíaco.

O Cateterismo Cardíaco

O cateterismo cardíaco, angiograma ou cinecoronariografia são termos relacionados, ainda que não signifiquem a mesma coisa.

Através da cinecoronariografia podemos analisar as artérias coronárias.

Para a sua realização, um cateter é introduzido através de uma artéria do braço ou perna e é dirigido até o coração onde, pela injeção de um contraste nas cavidades cardíacas, se pode analisar as cavidades e as válvulas cardíacas. Injetando o contraste nos orifícios de abertura das coronárias podemos analisar o seu estado.

O Ecodopplercardiograma

Através desse exame colhem-se informações sobre a anatomia e a função do coração. Para o diagnóstico de doença isquêmica esse exame não tem maior utilidade.

Angiotomografia

Por este método conseguimos estudar os vasos do coração, em três dimensões e se pode obter uma boa informação sobre deficiências circulatórias.

O Que Podemos Esperar desses Testes

Os testes de esforço permitem ao seu médico saber quanto do coração está a perigo ou quanto já foi destruído. Mostra o local e o grau de obstrução de uma artéria e o número de vasos atingidos. Todos esses dados são importantes para que o médico possa fazer um prognóstico baseado na sua experiência. Outro resultado desses exames é o fato de que permitem orientar o tratamento.

Basicamente os tratamentos das doenças de coronárias são de três ordens:
 

Tratamento médico
Angioplastia
Cirurgia de bypass

 

Tratamento Médico

O tratamento médico se compõe de medicamentos, medidas dietéticas e medidas sócioigiênicas.

Medicamentos - O seu médico irá decidir qual é o mais indicado para o seu caso. Os medicamentos têm efeitos colaterais que podem até agravar uma situação clinica. Existem drogas que são contra-indicadas para algumas pessoas e não para outras e drogas que competem entre si, que têm o seu aproveitamento alterado em função de medicamentos ingeridos para outras doenças. Ouça o seu médico sobre qual medicamento é o mais conveniente para o seu caso.

Recomenda-se tratamento médico para os seguintes casos:
 

Obstrução de somente uma artéria.
Obstruções menos severas.
Para os pacientes que não tenham crises de angina muito freqüentes.
Para pacientes que foram internados em crise e que responderam bem ao tratamento e repouso realizado durante a internação.

Os medicamentos mais usados são a aspirina, os nitro-derivados e os beta- bloqueadores.

Só use medicamentos sob a orientação de um médico. Um medicamento mal indicado ou mal usado pode até causar a morte de quem o recebe.

 

A Angioplastia

Assim como no cateterismo, um cateter é introduzido pela coronária até o local onde está a obstrução. No local estreitado, um pequeno balão é insuflado e a parte estreitada é dilatada. Depois se retira o balão e se avalia se o fluxo do sangue se restabeleceu parcial ou totalmente.

Pode-se também deixar no local da obstrução um stent, que é uma pequena mola de metal que é contraída e introduzida até a parte estreitada. Uma vez colocada no lugar certo a contração da mola é liberada, ela se dilata e junto alarga a zona estreitada da artéria.

Benefícios da angioplastia
 

Alivio da angina
Permite um aumento da atividade física livre de angina.
Permite o retorno às atividades normais.
Menor consumo de medicamentos.
Menos temor e medo.

Possíveis riscos da angioplastia
 

Piora da angina
Exigir cirurgia de bypass de urgência. Isso acontece em 2 a 5% dos casos.
Infarto do miocárdio durante o procedimento.
Lesão da artéria.
Reobstrução do vaso que foi dilatado. Acontece em cerca de 40% dos casos nos seis meses que se seguem ao procedimento, exigindo nova angioplastia ou cirurgia.
Morte durante o procedimento.

 

Cirurgia de Revascularização

A cirurgia de revascularização usa uma veia da perna ou uma artéria do peito para fazer uma união da aorta até um ponto além daquele em que a coronária está obstruída, a fim de permitir uma passagem do sangue.

A angioplastia está indicada para os pacientes com obstruções graves, principalmente as da artéria coronária esquerda principal ou nas obstruções múltiplas. Pode ser uma medida de urgência quando acontecem acidentes durante a angioplastia. Outra indicação da colocação de pontes é a de quando os pacientes não melhoram com o tratamento clínico.

A cirurgia de bypass coronário oferece uma boa oferta de sangue para as regiões anteriormente mal perfundidas.

Benefícios possíveis com a cirurgia de bypass
 

Prolongar a vida.
Aliviar os sintomas.
Aumentar a atividade física.
Permitir o retorno às atividades prévias.
Reduzir o consumo de medicamentos.
Reduzir o medo e ansiedade.

Riscos possíveis com a cirurgia de bypass
 

Sangramentos, que podem exigir nova cirurgia.
Infecções.
Acidente vascular cerebral.
Formação de coágulos e embolias.
Falência de órgãos, tais como rins, fígado e pulmões.
Infarto do miocárdio.
Morte.

O que é melhor – Angioplastia ou Cirurgia?

Quem deve decidir isso é o seu médico.

Os dois procedimentos têm a mesma finalidade.

Os dois procedimentos podem melhorar a função do seu coração.

De um modo geral a angioplastia é mais recomendada por ser:
 

Menos invasiva do que a cirurgia.
Hospitalização mais breve.
Menor custo.
Permite um retorno precoce às atividades.

O que fazer depois da Angioplastia ou Cirurgia de Bypass?

Os dois procedimentos não curam a doença básica, a ateroesclerose.

Os dois procedimentos visam melhorar a perfusão de zonas isquêmicas do coração. Nem sempre essa melhora é de 100%.

Siga as condutas recomendadas para controlar os fatores de risco da ateroesclerose.
 

Ouça o seu médico, siga as suas orientações.
Tome os medicamentos com regularidade.
Faça dieta e exercícios conforme orientação médica.
Mude o seu estilo de vida, corrigindo o que estiver errado.
Entenda a sua doença, busque informações com o seu médico, pergunte a ele o que está lhe preocupando.
Evite obter informações em revistas leigas ou pessoas leigas. Mesmo as que já passaram pela mesma situação não são fontes fidedignas.
A sua doença pode ser diferente da de outras pessoas embora os sintomas e diagnósticos sejam semelhantes.
Volte ao seu médico quando tiver dúvidas.
Não esconda os sintomas, as alterações de comportamento, as trocas de medicamentos que acontecerem. Comunique-se com o seu médico.
Não faça diagnósticos em você mesmo. Se acontecer algo de diferente pergunte ao seu médico se isso tem algum significado ou não.





 

INFARTO DO MIOCÁRDIO E NITROGLICERINA

CURIOSIDADES

No passado, até o início do século vinte, o termo infarto do miocárdio não era de uso comum. Até então, denominavam o quadro clínico que hoje corresponde ao do infarto do miocárdio de "angina do peito", que vem do latim angor, que significa medo. Portanto, angina do peito é dor no precordio que dá medo.

Quando alguém sentia as dores da angina e não morria, denominavam o quadro clínico de falsa angina.
 

A falsa angina - era a dor precordial que cedia com o repouso ou então que não levava o paciente à morte.
A verdadeira angina do peito - era a dor que terminava na morte do paciente.

Na época, diziam que a verdadeira angina mata, e a falsa angina, embora se manifeste por sintomas semelhantes, não era fatal. Todas as dores eram denominadas de angina, quando matava era denominada de verdadeira; se o doente sobrevivia era a falsa angina. Hoje em dia, não se usam mais estes dois termos que foram substituídos por:
 

Infarto do miocárdio
Angina

A falsa angina de então é, hoje, o que se chama de angina pectoris ou angina do peito ou simplesmente angina.

A verdadeira angina era o que atualmente denominamos de infarto do miocárdio, com as suas alterações no eletrocardiograma, alterações laboratoriais, radiológicas e manifestações clínicas sugestivas de infarto do miocárdio. O infarto do miocárdio, embora seja uma moléstia grave, na maioria dos casos, não é sinônimo de morte.

Devido a esta confusão de termos, algumas pessoas, ainda hoje, relatam que um de seus ancestrais morreu de angina do peito. Como sabemos, a angina do peito não costuma ser fatal e provavelmente essas pessoas faleceram de infarto. Pelo mesmo motivo, existem pessoas que afirmam ter sofrido diversos infartos do miocárdio. Ao serem examinadas, o seu eletrocardiograma não revela as cicatrizes e, na necropsia, não há seqüelas ou cicatrizes de infarto no passado.

Sobre Nitroglicerina e Medicamentos

Hoje em dia, o medicamento de escolha para tratar a angina do peito é a nitroglicerina (ou trinitrina) e seus derivados.

A Nitroglicerina foi descoberta em fins do século XVIII, pelo químico Ascanio Sobrero. Misturando glicerina, ácido sulfúrico e ácido nítrico, ele descobriu a nitroglicerina, substância altamente explosiva e de manuseio muito perigoso. O interesse de Alfred Nobel pela Nitroglicerina vem do fato de seu pai, Immanuel Nobel, ter sido fabricante de bombas e minas marítimas à base de pólvora, usadas principalmente pelo exército russo na guerra da Criméia. Alfred Nobel e Ascanio Sobrero se conheceram e se tornaram amigos em Paris. Nobel viu na nitroglicerina um futuro promissor e iniciou as suas investigações principalmente com finalidades bélicas.

Ascanio Sobrero já havia observado que a substância por ele descoberta provocava dores de cabeça. Sabe-se hoje que essas dores de cabeça são provocadas pela dilatação dos vasos cranianos. Do mesmo efeito vasodilatador sobre as artérias coronárias valem-se os pacientes acometidos de doença isquêmica do coração para aliviar as crises de angina do peito.

Quem primeiro descreveu os benefícios da nitroglicerina para os cardiopatas foi o médico inglês Lauder Brunton em 1867. Nos primórdios do uso da nitroglicerina, ela era usada tanto para o tratamento das dores da angina como para fazerem o diagnóstico diferencial entre a falsa e a verdadeira angina. Afirmavam que a nitroglicerina só era eficaz para a falsa angina, na verdadeira angina ela era considerada ineficaz.

Atualmente, embora os conceitos para angina e infarto tenham mudado, essa observação dos primórdios de eficácia ou não da nitroglicerina ainda é válida. Se um paciente apresentar dor anginosa que não ceder com nitroglicerina de imediato, suspeita-se da existência de um infarto. Nem sempre é fácil fazer o diagnóstico diferencial entre infarto e angina em bases puramente clínicas, somente se observando os sinais e sintomas do paciente, e o recurso de há mais de cem anos de observar se a dor passa ou não com o uso do medicamento ainda é usado pelos médicos de hoje.

Quase todos os medicamentos atualmente usados para dilatar as coronárias são derivados da nitroglicerina.

É curioso que, em 1890, quando Alfred Nobel, que vivia em Paris, aos 57 anos de idade, teve de seu médico a prescrição de Trinitrina, tenha de início recusado o tratamento. É dele a seguinte frase em carta escrita a seu assistente:

"Meus problemas cardíacos me manterão em Paris por mais alguns dias, até que meus médicos estejam de acordo quanto ao meu tratamento imediato. Não é uma ironia do destino que me tenham prescrito nitroglicerina para tomar? Aqui a chamam de trinitrina, para não assustarem os farmacêuticos e o público".

As experiências de Nobel com a nitroglicerina visavam primariamente a dar segurança ao seu uso. Fazendo experiências, Nobel descobriu que, misturando nitroglicerina com sílica e outros aditivos, formava-se uma massa moldável, que patenteou, em 1867, com o nome de dinamite. Isso deu origem às famosas bananas de dinamite até hoje em uso.

A sua descoberta e a exploração industrial do seu invento fizeram de Alfred Nobel um homem rico. Deixou sua fortuna, depois de sua morte, para a Fundação Nobel, patrocinadora do Prêmio Nobel em diversas ciências.

Por sua vez, Nobel pagou um alto preço no caminho dessas pesquisas. Em uma de suas experiências, aconteceu uma explosão que matou seu irmão Emil, dez anos mais moço.



 

INSUFICIÊNCIA CARDÍACA

O que é?

O coração é um músculo formado por duas metades, a direita e a esquerda. Quando uma dessas cavidades falha como bomba, não sendo capaz de enviar adiante todo o sangue que recebe, falamos que há insuficiência cardíaca.

A Insuficiência Cardíaca (IC) não é uma doença do coração por si só. É uma incapacidade do coração efetuar as suas funções de forma adequada como conseqüência de outras enfermidades, do próprio coração ou de outros órgãos.

Como se desenvolve?

Existem a Insuficiência Cardíaca Aguda (ICA) e a Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC). A Insuficiência Cardíaca Aguda é um acontecimento súbito e catastrófico e que ocorre devido à qualquer situação que torne o coração incapaz de uma ação eficaz.

Geralmente a Insuficiência Cardíaca Aguda é conseqüente a um infarto do miocárdio, ou a uma arritmia severa do coração.

Existem ainda as Insuficiências Cardíacas Agudas provocadas por doenças não cardíacas.

Exemplo delas são a hemorragia severa, o traumatismo cerebral grave e o choque elétrico de alta voltagem.

A Insuficiência Cardíaca Aguda é uma situação grave, exige tratamento médico emergencial, e mesmo assim é, muitas vezes, fatal.

A Insuficiência Cardíaca Congestiva pode aparecer de modo agudo mas geralmente se desenvolve gradualmente, às vezes durante anos. Sendo uma condição crônica, gera a possibilidade de adaptações do coração o que pode permitir uma vida prolongada, às vezes com alguma limitação aos seus portadores, se tratada corretamente.

As principais causas de insuficiência cardíaca são as que se seguem:
 

Doenças que podem alterar a contractilidade do coração. A causa mais freqüente é a doença ateroesclerótica do coração.
Doenças que exigem um esforço maior do músculo cardíaco. É o que ocorre na hipertensão arterial ou na estenose (estreitamento) da válvula aórtica que, com o tempo, podem levar à Insuficiência Cardíaca Congestiva do ventrículo esquerdo. Doenças pulmonares como o enfisema podem aumentar a resistência para a parte direita do coração e eventualmente levar à Insuficiência Cardíaca Congestiva do ventrículo direito.
Doenças que podem fazer com que uma quantidade maior de sangue retorne ao coração, como o hipertireoidismo, a anemia severa e as doenças congênitas do coração. A insuficiência de válvulas (quando não fecham bem) pode fazer com que uma quantidade de sangue maior reflua para dentro das cavidades e o coração poderá descompensar por ser incapaz de bombear o excesso de oferta.

As manifestações de Insuficiência Cardíaca Congestiva variam conforme a natureza do estresse ao qual o coração é submetido, da sua resposta, bem como de qual dos ventrículos está mais envolvido. O ventrículo esquerdo costuma falhar antes do direito, mas às vezes os dois estão insuficientes simultaneamente.

O que se sente?

Falhando o ventrículo esquerdo, o território que congestiona é o pulmonar. Isso explica a falta de ar, que de início surge aos grandes esforços, depois aos médios, terminando pela falta de ar mesmo em repouso. Com a piora surge a ortopnéia, a falta de ar quando deitado. A pessoa pode acordar durante a noite devido a falta de ar o que a obriga a sentar para obter algum alívio. É a dispnéia paroxística noturna. Isso pode evoluir ainda para um quadro ainda mais grave de descompensação esquerda denominado de edema agudo de pulmão, grave, e que termina em morte se não tratado de urgência.

Falhando o ventrículo direito surge o edema, ou o inchume, principalmente das pernas e do fígado, além de outros órgãos, tudo provocado pelo acúmulo de líquidos nesses órgãos.

Como o médico faz o diagnóstico?

O médico faz o diagnóstico através de um exame clínico:
 

Ausculta cardíaca (sopros)
Ausculta pulmonar (chiado)
Edema das pernas

Pode, ainda, utilizar exames complementares como:
 

Radiografia de tórax (que visualiza o aumento do coração).
Ecocardiografia (que mostra o coração em funcionamento, podendo ser visualizada a insuficiência cardíaca mais detalhadamente), entre outros.

Como se trata?

Há a necessidade de tratar, se possível, a doença subjacente que desencadeou a Insuficiência Cardíaca Congestiva. Como exemplo, temos a estenose da válvula aórtica ou mitral, e a hipertensão arterial.

Deve-se também tratar o coração insuficiente. Para isso, restringe-se a ingestão de sal. É aconselhável emagrecer. Usam-se medicamentos chamados diuréticos, além de outros que agem diretamente no músculo cardíaco ou que corrigem as arritmias existentes.

Com essas medidas, um médico consegue prolongar por anos a vida de um paciente acometido de Insuficiência Cardíaca Congestiva.

Poderá haver necessidade de transplante cardíaco como última solução.



 

Nomes populares:

defeitos de nascença do coração; reumatismo do coração

As principais lesões valvulares do coração são:
 

Estenose:
  Diz-se quando o orifício de uma válvula cardíaca apresenta um diâmetro menor do que o normal, dificultando a passagem do sangue.
 
  - Estenose aórtica
  - Estenose mitral
  - Estenose tricúspide
  - Estenose pulmonar
:
  É quando as válvulas do coração não vedam o orifício valvular, permitindo o refluxo do sangue.
 
  - Insuficiência aórtica
  - Insuficiência mitral
  - Insuficiência tricúspide
  - Insuficiência pulmonar
:
  É quando uma válvula está com insuficiência além de estenose, podendo predominar uma ou outra.
 
  - Dupla lesão aórtica
  - Dupla lesão mitral
  - Dupla lesão tricúspide
  - Dupla lesão pulmonar

Como se faz o diagnóstico?

Através do exame clínico do paciente feito por um cardiologista. O eletrocardiograma não é de grande valor na investigação clínica mas pode ser útil. Os exames radiológicos, os estudos ecográficos do coração e exames hemodinâmicos dão as melhores informações para o diagnóstico.

As lesões valvulares do coração são melhor avaliadas por exames como ecodopplercardiografia, estudos hemodinâmicos e angiográficos.
 


É a lesão de válvula cardíaca mais freqüente atualmente. Entre as causas estão a febre reumática, calcificações em válvulas bicúspides congênitas, ou depósitos de cálcio em válvulas de idosos e previamente normais. Ocorre predominantemente (80%) em homens.

A área total normal da válvula aórtica é de 3 a 4 cm2. Quando a lesão apresenta uma área menor do que 0,8 a 1,0 cm2 altera-se severamente a função cardíaca e o prognóstico sem correção é mau, com 50% de mortalidade em 3 anos.

O tratamento pode ser cirúrgico, uma troca de válvula tem uma mortalidade de 2 a 5% e chega a ficar acima de 10% para pessoas com mais de 75 anos. Um tratamento alternativo é a valvuloplastia percutânea por balão, que pode aliviar os sintomas; contudo as recidivas aparecem em pouco tempo, principalmente nos idosos com calcificações. Só tem indicações para pessoas mais jovens e para os quais existirem outras razões para não serem submetidas a uma troca de válvula.


De longe a causa mais freqüente é a febre reumática, embora em muitos casos não haja história dessa doença que deve ter passado despercebida. A área normal da válvula mitral é de 4 até 6 cm2 e as manifestações clinicas se tornam significativas quando a área se tornar menor do que 1,5 cm2.

Cerca de 80% dos pacientes com Estenose Mitral apresentam fibrilação auricular. A doença pode evoluir durante muitos anos sem provocar sintomas. O tratamento é predominantemente feito pelo uso de balão percutâneo ou comissurotomia a céu aberto ou então troca da válvula mitral, porque, na maioria dos casos, existe estenose mitral associada.

O tratamento invasivo está indicado quando surgem edema pulmonar persistente, dispnéia que limita as atividades físicas com edema pulmonar intermitente, hipertensão pulmonar com hemoptises, ou embolias sistêmicas repetitivas.


Essa lesão é predominantemente de origem reumática.

As manifestações clínicas são o sopro diastólico, às vezes confundido como sendo provocado por estenose mitral. O tratamento é cirúrgico com visão direta, ou com troca de válvula ou por valvuloplastia com balão.


É uma lesão predominantemente congênita, sendo ainda raramente atribuída à febre reumática. A dilatação por balão é atualmente o tratamento mais empregado.


A insuficiência aórtica de origem reumática é cada vez mais rara desde o advento dos antibióticos. As causas não reumáticas persistem e entre elas estão as válvulas aórticas, bicúspides congênitas, a endocardite bacteriana e a hipertensão arterial. A sífilis, a doença de Reiter, a espondilite anquilosante e a doença de Marfan são também causas esporádicas de insuficiência aórtica.

As manifestações clínicas são discretas no início, o paciente passa longos anos sem nada sentir. É nessa época que a cirurgia de troca de válvulas está mais indicada.

Quando os sintomas de descompensação cardíaca ou de insuficiência de perfusão coronariana aparecem, a cirurgia já é de pior prognóstico, chegando a mortalidade a 5%.


Insuficiência mitral geralmente é causada por febre reumática, endocardite bacteriana, degeneração mixomatosa, disfunção da válvula provocada por doença ou ruptura da cordoalha tendinosa causadas por infarto do miocárdio e ainda por tumores do coração (mixoma).

Os pacientes podem permanecer sem sintomas durante anos. Um grande número de pacientes deve ser operado quando as manifestações clínicas limitam as suas atividades. As cirurgias variam desde operações de urgência, reparos nas válvulas ou cordoalha subvalvular até a troca total da válvula por uma prostética.


Pode ocorrer por lesão congênita, endocardite bacteriana e atualmente é freqüente em toxicômanos que usam drogas injetáveis.

É comum em pessoas com insuficiência cardíaca direita e ainda como complicação de infarto do miocárdio. A insuficiência tricúspide pode ainda ocorrer com complicação de doença carcinóide, lúpus eritematoso e degeneração mixomatosa da válvula, ou por dilatação severa do ventrículo direito. Algumas desses insuficiências tricúspides podem regredir com a correção da doença básica.


A causa mais freqüente da Insuficiência Pulmonar é a dilatação do anel valvular causada pela hipertensão pulmonar ou pela dilatação da artéria pulmonar idiopática ou provocada por doenças do tecido conectivo como a doença de Marfan.

Outra causa é a endocardite infecciosa. Também se descreve casos iatrogênicos provocados durante as correções congênitas como a doença de Fallot. Além de EP que acompanham um grande número do doenças congênitas, não podemos esquecer a sífilis, a febre reumática e os traumas de tórax.

O tratamento geralmente é conservador, feito com cardiotônicos e correção das doenças subjacentes.


Diz-se que há dupla lesão aórtica quando as duas lesões acima descritas atingem a válvula aórtica.


A mitral é, das lesões duplas de válvula, a mais freqüentemente encontrada.


O termo é aplicado quando se encontram numa mesma válvula estenose e insuficiência.


A mesma coisa, estenose e insuficiência atingindo a válvula pulmonar.

 

Como evitar as lesões valvulares do coração?

Inicialmente vale dizer que só algumas são evitáveis.

A mãe, durante o período de gestação, só deve ingerir medicamentos orientada por médico. A futura mãe deve evitar o álcool, o cigarro e a exposição às radiações, principalmente o Rx.

Na infância e na vida adulta, a febre reumática pode atingir o coração. O uso de drogas injetáveis, sem precauções de esterilização, é causa de infecções do coração, principalmente das válvulas cardíacas.

Deve-se tratar a hipertensão arterial porque as válvulas dos hipertensos são mais atingidas por calcificações.

A avaliação do grau de lesão de uma válvula cardíaca, a sua localização, a avaliação da repercussão funcional e a indicação do tratamento deve sempre ser feita por médico cardiologista.




MENOPAUSA E CORAÇÃO

A reposição hormonal (RH) na menopausa ainda é um assunto discutível.

A menopausa é causada por uma diminuição da produção de hormônio estrogênico pelos ovários.

Os sintomas e sinais (ondas de calor, sudorese, mudanças de personalidade, depressão e outros sinais) são decorrentes da diminuição hormonal e podem ser aliviados pela administração de hormônios.

A reposição hormonal geralmente é feita pela administração de estrógenos ou de estrógenos combinados com progesterona.

Estudos recentes mostram que a reposição hormonal pode ter significativo benefício para o coração das mulheres depois da menopausa. A administração desses hormônios eleva as taxas de HDL colesterol e diminui o LDL colesterol.

Além dos benefícios para o sistema cardiovascular, a reposição hormonal beneficia a formação de tecido ósseo e ajuda na prevenção da osteoporose que tende a se acentuar por ocasião da menopausa.

Ao contrário do uso de anticoncepcionais orais, a reposição hormonal não aumenta a pressão arterial nem produz ganho de peso.

A reposição hormonal combinada evita a proliferação do endométrio enquanto a administração de estrógeno isolada favorece esse crescimento exagerado.

Reposição hormonal e câncer de mama

Existem estudos que sugerem que a incidência de câncer de mama pode aumentar nas mulheres que recebem estrógenos, principalmente durante mais de cinco anos.
 

IMPORTANTE:

Toda mulher que ainda tiver útero e estiver recebendo reposição hormonal, principalmente se receber estrógeno isolado, deverá fazer anualmente exame ginecológico de controle, incluindo aí ecografia pélvica e mamografia.

CONSULTE SEU MÉDICO

Perdas de sangue ou outros sinais ou sintomas diferentes servem de alerta e exigem uma visita mais cedo ao seu médico.



 

MORTE SÚBITA

Morte Subita A morte súbita é a que ocorre sem ser esperada, tanto em pessoas doentes como sadias. A morte se dá durante à primeira hora, entre o início dos sintomas até ser constatado o óbito. Note-se bem: é considerada morte súbita se não forem encontrados sinais de violência ou trauma.

Se a pessoa é encontrada morta dentro das primeiras 24 horas depois da última vez em que foi vista com vida, isto também é considerado como sendo morte súbita.

A morte súbita ocorre tanto em crianças recém nascidas como em adultos. Em crianças é mais freqüente nas primeiros três meses e é rara depois do sexto mês de vida. Está provavelmente relacionada a fatores genéticos hereditários, sendo mais freqüente em filhos de mães fumantes.

Nos jovens e adultos, sedentários ou atletas, a grande maioria dos caso de morte súbita acontece por doenças do coração. Sejam elas conhecidas ou não pelos portadores ou pessoas de suas relações, podem ser congênitas, degenerativas, inflamatórias, infeciosas, provocadas por reflexos nervosos, tóxicas ou por excesso de atividades físicas. Em alguns casos podemos encontrar a soma destes fatores causando a morte. No passado, as mortes súbitas eram consideradas as que aconteciam de surpresa em pessoas tidas como normais. Seriam as mortes inexplicáveis.

Com a ampliação dos conhecimentos médicos, a melhora dos recursos de diagnóstico, como a realização de exames nos corpos de pessoas que morreram repentinamente, o leque de diagnósticos que esclarecem estas mortes vai se ampliando. Setenta e cinco porcento das vítimas de morte súbita têm doença isquêmica, por arteriosclerose, do coração. Não se sabe porquê, a grande maioria destas pessoas morrem nas primeiras horas da manhã.

Se tivermos a oportunidade de assistir a morte súbita de alguém, podemos observar que a vítima se estiver de pé, se inclina para a frente, dobra levemente os joelhos, antes de desabar flácida ao chão. Isto é útil saber para que os assistentes corram a fim de socorrer a vítima, pois os minutos inicias são os que ainda oferecem a possibilidade de salvamento. Este é um detalhe a observar, importante a quem assiste à atividades esportivas, onde as quedas dos atletas são freqüentes e que vão desde as simuladas, as justificáveis até as fatais.

As mortes súbitas, na grande maioria dos casos, são provocadas por arritmias do ciclo cardíaco. Em primeiro lugar, está a fibrilação ventricular que costuma ser precedida de taquicardia ventricular. Outras arritmias que podem provocar a morte súbita são os bloqueios aurículo ventriculares e paradas sinusais. Todas estas arritmias levam a uma queda do rendimento cardíaco, faltando sangue no cérebro, o órgão mais sensível à falta de oxigênio e que em poucos segundos faz com que a pessoa perca a consciência. Quando acontecer uma parada cardíaca ou uma arritmia severa e a pessoa perder a consciência, já com morte aparente, nos primeiros minutos a vítima ainda pode ser recuperada, ser chamada de volta à vida, SE ATENDIDA PRONTAMENTE..

Este atendimento deve seguir certas regras essenciais. O atendimento deve ser rápido e eficaz, para o quê se exige treinamento, contar com o recurso de medicamentos e aparelhos à disposição, e de pessoas capacitadas para usá-los.

As arritmias cardíacas, e as conseqüentes mortes súbitas, podem resultar da soma de fatores que as provocam. Assim, um coração previamente doente poderá apresentar uma arritmia fatal se exposto a esforços desproporcionais ou a certos medicamentos ou drogas. São cada vez mais freqüentes as mortes súbitas em pessoas tidas como sadias quando estão sob o efeito da cocaína ou Ecstasy.

Nestes casos, a morte súbita pode ser explicada pelo efeito tóxico destas drogas sobre o coração, pelo efeito vaso-constritor sobre as coronárias, mais o esforço da dança ou outra atividade física. Outras mortes súbita podem ser provocadas por reflexos vagais. Exemplos são as mortes causadas por traumatismos nos testículos, ou os famosos socos no chamado plexo solar, que pode provocar a morte em praticantes do boxe. Um traumatismo no tórax, na altura do precórdio, pode causar a morte. O exemplo seria o do jogador de futebol quando a bola lhe bate no peito justamente naquele momento em que o coração terminou a sístole - o sangue refluindo e distendendo a válvula aórtica. Se, justamente neste momento, acontecer o impacto violento da bola no peito, isto pode causar a laceração desta válvula. Por este motivo, recomenda-se aos goleiros que usem a camisa forrada.

Medicamentos, mesmo os tidos como inocentes - os descongestionantes nasais ou os usados para emagrecer -, ou os que atuam no sistema nervoso - os estimulantes ou antidepressivos-, ou ainda, certos medicamentos para tratar doenças cardíacas, podem provocar arritmias graves e que podem ser fatais.

A prática de esforços extremos pode estar relacionada com a morte súbita. O termo extremo não tem o mesmo significado para todas as pessoas. Tudo depende do condicionamento de quem pratica o esforço, ou se houver ou não uma doença conhecida. Uma pessoa doente do coração, ao se submeter a um esforço exagerado, para ela, pode vir a morrer. Um exemplo seria o daquela pessoa acometida de doença isquêmica do coração, conhecida ou não, que morre durante o ato sexual.

Lembremo-nos do herói grego, o soldado Filipides, patrono da maratona que, em 490 antes de Cristo, depois de correr os 42 quilômetros para participar ao seu chefe, Milciades, a notícia da vitória dos gregos sobre os persas, na batalha de Maraton, deu a notícia e caiu morto.

Foi uma morte súbita que, na época, emocionou os guerreiros gregos, e que até hoje a humanidade lembra.



 

O CORAÇÃO E A ASPIRINA

Dados históricos sobre a aspirina

A aspirina, usada desde 1875, é a substância salicilato de sódio derivada da planta Salix alba, usada como antitérmico desde a Antigüidade. O chá de Sabugueiro (Sambucus nigra), no Brasil, é usado como antitérmico e analgésico. A aspirina obtida de fontes naturais é mais cara do que a produzida industrialmente.

Desde a sua descoberta e a produção industrial da aspirina, ela sempre foi usada como analgésico e antitérmico. Ela tem ainda outras propriedades terapêuticas, como antiinflamatório, uricosúrico e estimulante. Se admite que a aspirina seja o estimulante mais usado em todo o mundo. Muitas pessoas tomam a aspirina como profilático, "para não terem dor de cabeça". Pode-se reconhecer pessoas viciadas em aspirina por terem um modo particular de falar.

Em 1920, o laboratório Beyer, da Alemanha que lançou a aspirina industrial no mercado, acrescentou ao seu produto o slogan " "A Aspirina não faz mal ao coração". Se dizia na época ser ela prejudicial ao coração. Por ironia da história, os anos revelaram o contrário.

Por dia, se consomem, só nos Estado Unidos, 80 milhões de comprimidos de aspirina. A produção de aspirina no Brasil cobre 80% do seu consumo, o restante é importado. Durante muitos anos a aspirina era oferecida no mercado associada à cafeína visando diminuir os efeitos depressivos dela ao coração. Ainda hoje existem no mercado muitos produtos onde a aspirina é oferecida junto com outros medicamentos visando diminuir os seus efeitos indesejáveis sobre o sistema digestivo. Esses produtos geralmente são bem mais caros e não oferecem vantagens para a grande maioria dos pacientes. A aspirina desde a sua descoberta está cercada de opiniões divergentes quanto ao seu uso, indicações, riscos e benefícios. Não poderia ser diferente quando se trata de sua indicação mais recente, qual seja a de prevenir as doenças cardiovasculares: angina, infarto, derrame, etc.

Argumentos a favor do uso da aspirina

1. Aspirina ajuda a prevenir ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais isquêmicos.

2. A aspirina é um medicamento eficaz e barato.

3. A aspirina interfere na produção de plaquetas e assim altera o propensão para a formação de trombos (coágulos) reduzindo os riscos de acidentes cardiovasculares.

4. Por ano morrem nos Estados Unidos cerca de 900.000 pessoas em decorrência de acidentes vasculares cerebrais ou cardíacos. Calcula-se que de 5.000 até 10.000 dessas mortes poderiam ser evitadas com o uso da aspirina.

Argumentos contra o uso da aspirina

1. Os acidentes vasculares cerebrais hemorrágicos são mais freqüentes quando o paciente está recebendo aspirina.

2. As evidências sugerem que a aspirina não previne acidentes vasculares cerebrais ou cardíacos em pacientes que não estejam acometidos de doenças vasculares. Alguns estudos sugerem que isso não seja verdade.

3. Nenhum medicamento está isento de riscos. O uso de aspirina pode provocar problemas sérios de saúde.

4. Pela alteração na formação de plaquetas a aspirina dificulta a formação de coágulos. Esse fato pode provocar hemorragias, desde leves até severas. Por esse mecanismo a formação de um trombo vascular pode ser evitada mas em seu lugar ocorrer um sangramento que pode provocar um acidente vascular de maior gravidade.

Os efeitos colaterais mais freqüentes da aspirina

1. Irritação do estômago e intestino, provocando azia, dor epigátrica, náuseas, vômitos, sangramentos internos, úlceras e perfurações graves. O uso de bebidas alcoólicas intensifica esses efeitos, incluindo ainda lesões no fígado.

2. Tinitus (Zumbido nos ouvidos) e diminuição da audição, principalmente com doses maiores. Esses efeitos tendem a diminuir com a redução das doses do medicamento.

3. Alergias - cutâneas e respiratórias. Pode provocar asma em 0,2% das pessoas. Em alguns pacientes provoca sangramento pulmonar.

4. Síndrome de Reye - provocada em crianças e que, embora rara, pode ser fatal. Particularmente na varicela a aspirina pode provocar a síndrome de Reye.

Qual é o risco real de tomar aspirina?

O estudo básico referente ao uso profilático de aspirina foi realizado em 22.071 médicos entre 40 e 84 anos. A metade recebeu 325 mg de aspirina diariamente e a outra metade recebeu um placebo. Ao final de 5 anos aconteceram 23 acidentes cerebrais hemorrágicos entre os médicos que tomaram aspirina e 12 entre os que receberam o placebo. Estudos posteriores confirmaram esses achados. Pelo número de médicos envolvidos a incidência foi pequena, mas significativa por ter sido o dobro. Esse estudo deveria se prolongar por mais anos, mas no fim dos 5 primeiros, a incidência de acidentes vasculares cardíacos foi tão significativamente menor entre os que recebiam a aspirina, de modo que foi considerado antiético manter o grupo que tomava placebo afastado dos benefícios da aspirina.

Estudos outros acumulando a experiência em 55.462 paciente que receberam ou não aspirinas, todos foram acompanhados durante 37 meses e a dose de aspirina variou de 75 até 413 mg por dia. Em cada 10.000 pessoas que receberam aspirina houve 137 infartos e 39 acidentes vasculares cerebrais isquêmicos a menos. No entanto ocorreram 12 hemorragias cerebrais a mais no grupo que recebeu aspirina. Se considerarmos um outro índice, o de sobrevida, houve 15 % a menos de mortes entre os que receberam aspirina. Houve também 12% a menos de acidentes vasculares cerebrais isquêmicos ou embólicos nesse grupo.

Se pesarmos os prós e os contras quanto ao uso da aspirina ela pende a favor do seu uso. No entanto as chances de benefício variam de pessoa para pessoa, e isso você e o seu médico devem decidir.

Fatores que influenciam a decisão de tomar ou não tomar aspirina

1. Pessoas jovens ou de meia idade e sem evidência de doença cardiovascular provavelmente não se beneficiarão com o uso de aspirina e somente serão expostas aos riscos do seu uso.

2. O risco de acidente vascular cerebral, por exemplo num homem de 40 anos, hipertenso, mas sem outra manifestação de doença cardiovascular existe uma chance de 0,l% ao ano de ocorrerem problemas cardíacos ou cerebrais. Para essa pessoa, tomar aspirina representa um risco maior de ocorrer algo do que aquele que se pretende evitar.

Conclusões

1. Não existe medicamento milagroso.

2. A aspirina é aquele que mais se aproxima desse objetivo.

3. Os benefícios da aspirina são evidentes e o custo é mínimo.

4. O índice de complicações severas é baixo, mas existem ocorrências fatais, e entre elas as hemorragias digestivas e perfurações de úlceras pépticas.

5. Não deixe de escutar o seu médico se você é, ou não é, uma pessoa indicada para tomar aspirina.



 

OS EXAMES PARA CARDIOLOGIA

Existem diversos exames para diagnosticarmos doenças do coração. Quais os exames que um paciente deve realizar é uma decisão que cabe ao médico que se baseará na história clínica e nos achados de exame clínico feitos no paciente. A sua decisão vai se basear também nos fatores de risco detectados e na intensidade dos sintomas e sinais encontrados.

Para sabermos se existe uma doença cardíaca geralmente se começa pelos exames mais simples e vai-se progredindo até os mais complicados, os de maior risco e os mais onerosos. Essa ordem pode ser alterada conforme a gravidade de um determinado caso.

Os testes podem ser invasivos e não invasivos.

São testes invasivos:

Ecografia transesofágica.
Cintilografia.
Cateterismo cardíaco.

São testes não invasivos:

Eletrocardiograma de repouso (ECG)
Radiografia de tórax
Monitorização do ECG por Holter
Ecocardiograma
Teste de esforço
Tomografia do coração e vasos
Ressonância magnética do coração e vasos (RM)
Angiografia digital.

Testes Invasivos

Ecografia transesofágica

É uma ecografia semelhante as não invasoras, em que o aparelho é colocado dentro do esôfago, o que, pela proximidade do coração, permite uma melhor avaliação dos detalhes de algumas válvulas cardíacas. É particularmente útil no diagnóstico de lesões em válvulas causadas pela endocardite.

Cintilografia miocárdica

É um teste em que a captação de um radioisótopo pelo músculo cardíaco é proporcional à sua perfusão. Pode-se fazer o exame em repouso ou sob esforço físico ou farmacológico. Zonas isquêmicas, menos bem perfundidas serão reveladas.

Com o passar do tempo as zonas isquêmicas, com pouco contraste podem ficar iguais às bem perfundidas mostrando ser transitória a isquemia. Diminuição de perfusão que persiste depois de 3 a 4 horas, geralmente indica a existência de zonas de infarto, recente ou antigo.

Algumas doenças infiltrativas do coração, bloqueios de ramo e miocardiopatias dilatadas podem apresentar distúrbios de perfusão persistentes. A cintilografia miocárdica sob esforço tem um índice de acerto de 75 até 90% e um índice de falso-positivo de até 30% (ou seja, de dar positivo quando não é).

A cintilografia miocárdica está indicada para os seguintes casos:

1.

Quando o ECG de repouso ou esforço é difícil de interpretar devido alterações como bloqueio de ramo, baixa voltagem, alterações metabólicas.

2.

Para confirmar ou invalidar o resultado de um ECG de esforço, quando o traçado não concorda com o quadro clínico.

3.

Localizar a zona de isquemia.

4.

Diferenciar uma área de isquemia da de um infarto.

5.

Para confirmar a revascularização depois de uma cirurgia de bypass.

6.

Como um indicador de prognóstico em pacientes com doença coronária conhecida.

Uma das limitações para a realização mais seguida desse exame, em nosso meio, é o seu alto custo.

Cateterismo cardíaco

Através de uma artéria, é introduzido um cateter (sonda) que é dirigido até a aorta e aí nas coronárias, para obtermos a coronariografia ou então cinecoronariografia. Se o cateter ultrapassar a válvula aórtica atingindo o ventrículo esquerdo, injeta-se um contraste para obtermos a angiografia do ventrículo esquerdo. A injeção do contraste radiopaco vai gerar as imagens que podem ser fotografadas ou filmadas ou gravadas em computador.

Quando o contraste é injetado nas coronárias, obtemos imagens que, sendo filmadas, originam a cinecoronariografia, termo muitas vezes usado como sinônimo de cateterismo cardíaco. As imagens assim obtidas permitem ver as artérias coronárias e ver se estão abertas ou obstruídas, parcial ou totalmente.

A coronariografia é o exame mais definitivo para o diagnóstico das doenças desses vasos.

A mortalidade pelo exame é de 0,1 % e a morbidade é de 1 até 5 %, o seu preço é elevado, e por isso é pouco usada como método de diagnóstico de coronariopatias.

A coronariografia está indicada em:

1.

Pacientes em estudo para realização de cirurgia de revascularização ou procedimentos de dilatação das coronárias, naqueles pacientes que não responderam bem à terapêutica conservadora com medicamentos.

2.

Pacientes em que se considera a possibilidade de intervenções, como no ítem anterior, por apresentarem angina instável, angina pós-infarto ou naqueles em que os testes não invasivos mostram grande probabilidade de doença de alto risco.

3.

Também se faz esse exame em pacientes que tem estenose da válvula aórtica e que apresentam manifestações sugestivas de doença isquêmica. Nesses casos é importante poder saber se as manifestações isquêmicas são causadas pelo baixo débito decorrente da estenose ou se os sintomas são provocados pela doença das coronárias. Um outro motivo para realizar a coronariografia é naqueles pacientes que deverão ser submetidos a uma cirurgia cardíaca por outra razão. Se for detectada uma doença isquêmica, se poderá, num mesmo procedimento, corrigir as duas enfermidades.

4.

Pacientes que foram submetidos a cirurgia de revascularização nos quais os sintomas isquêmicos retornaram. Usa-se para saber se o bypass ou outros vasos estão obstruídos.

5.

Pacientes com insuficiência cardíaca nos quais se suspeita de uma doença cardíaca corrigível pela cirurgia, como aneurisma ventricular, insuficiência mitral ou disfunção isquêmica reversível.

6.

Pacientes com arritmias graves que possam ter sido provocadas por doença coronariana corrigível.

7.

Pacientes com dores no peito de causa desconhecida ou com miocardiopatias de etiologia desconhecida.

A coronariografia mostra o local, o número e o grau de obstrução dos vasos. As obstruções maiores de 50% geralmente são consideradas de significado clinico, embora as obstruções maiores de 70% sejam as que provocam as manifestações isquêmicas. Essas informações são de valor prognóstico.

Prognósticos baseados na coronariografia

O prognóstico difere se tivermos uma, duas ou as três coronárias doentes, e é pior se a principal artéria coronária esquerda estiver comprometida.

Em pacientes com angina estável, 20% têm uma, 30% têm duas e 50% têm as três coronárias doentes. Em 10% encontramos a coronária esquerda principal atingida.

Dos pacientes que têm o ECG de esforço muito alterado ou estudos cintilográficos fortemente positivos, 75 até 95% têm três vasos, ou a artéria principal esquerda, doentes.

Um outro dado importante obtido com a coronariografia é que ela mostra quais os vasos e se esses vasos devem ser submetidos a angioplastia coronária ou se há indicação de cirurgia de revascularização.

Testes Não Invasivos

(ECG) Eletrocardiograma de repouso

É um dos exames mais realizados. É um exame barato, rápido e fácil de fazer. Exige um aparelho relativamente barato.

As informações dadas pelo exame são relativamente fidedignas, 25 % dos pacientes com angina tem o ECG normal. As alterações decorrentes de angina no ECG podem se confundir com mudanças causada por hipertrofias ventriculares, distúrbios de condução seqüelas de infartos antigos, etc.

O ECG é útil para o controle evolutivo de uma doença cardíaca já confirmadas por outros métodos de diagnóstico.


(ECG esf.) Eletrocardiograma de esforço

O eletrocardiógrafo necessita ser acompanhado de um outro (Esteira ou bicicleta ergométrica) o que já o torna mais oneroso.

O ECG de esforço é o exame não invasor mais útil para avaliar um paciente com angina, principalmente naquele paciente que tem o ECG de repouso normal.

Serve para avaliar o coração sob condições de estresse. Se o ECG de repouso for normal e a história do paciente for sugestiva de uma doença do coração, o ECG de esforço pode mostrar alterações não reveladas no ECG de repouso.

As principais indicações do ECG de esforço são:

1.

Confirmar o diagnóstico de angina.

2.

Determinar a severidade da limitação causada pela angina.

3.

Determinar o prognóstico com doença coronária conhecida, inclusive nos infartados em recuperação, afim de detectar os pacientes de risco maior ou menor.

4.

Avaliar a resposta ao tratamento

5.

Também usado como screening para descobrir, entre a população assintomática, os portadores de doença.

Existem diversos protocolos para a realização do ECG de esforço. O mais usado é o de Bruce, que aumenta a velocidade e a elevação da esteira a cada 3 minutos e é limitado pelos sintomas.

Pelo ECG de esforço podem ocorrer mortes ou infartos; a incidência é de 1 acidente por cada 1000 exames realizados. O perigo é maior nos pacientes com angina instável. A estenose aórtica é uma contra-indicação para o exame. O teste deve ser abortado se ocorrer hipotensão arterial, angina persistente, arritmias importantes ou alterações no ECG. Se houver mais do que 3 a 4 mm de depressão no segmento ST deve-se suspender o esforço antes de chegar ao limite determinado para a idade e doença do paciente.

Quem deve indicar a realização de um Eletrocardiograma de esforço é o seu médico. Não faça o exame por conta própria.O exame só deve ser realizado na presença de um médico especialista.

Radiografia de tórax

Uma radiografia pode revelar se há crescimento da cavidades ou de todo o coração. Pode mostra alterações vasculares ou pulmonares como causa ou repercussão de uma doença cardíaca.


Monitorização (Holter)

Aparelho usado para registrarmos um eletrocardiograma durante muitas horas afim de detectarmos arritmias. O paciente registra num diário as suas atividades e sintomas afim de podermos correlacionar esses dados com eventuais arritmias registradas.


Monitorização de pressão arterial

Esse aparelho mede e registra a pressão arterial a intervalos determinados durante varias horas. Serve para verificarmos as oscilações da pressão arterial conforme as diversas influências a qual uma pessoa é submetida durante as 24 horas.


Ecocardiograma

É um exame que permite avaliar as medidas e a mobilidade das paredes das diferentes cavidades do coração, as válvulas cardíacas e sua capacidade funcional, o fluxo do sangue e a direção desse fluxo. Revela ainda anomalias congênitas ou adquiridas do coração. Analisa o pericárdio, revelando e a presença ou não de derrames. Por dados obtidos no ecocardiograma, podemos avaliar a função do coração e através de exames periódicos fazer um diagnóstico evolutivo de doenças e suas conseqüências.


Tomografia computadorizada (TC)

É um exame oneroso, mas que pode oferecer boas imagens do coração e detalhes de suas partes. A tomografia de coronárias é, hoje, um dos principais exames, não invasivos e mais objetivos, para se detectar doenças obstrutivas de artérias coronárias ou, então, se revelar a probabildade de doença presente ou futura de coronárias, baseado-se no índice de cálcio. Este exame é realizado, principalmente, quando se suspeita de doença coronária. Ele também é usado em pacientes com evidências de doença coronária e que não querem se submeter à cinecoronariografia. De um modo geral, se a angiotomografia revelar doença coronária grave, o paciente deve ser submetido a cinecoronariografia, a qual auxilia com maior precisão na indicação terapêutica a ser seguida, que pode ir desde a cirurgia, com pontes de safena e mamária, ou a colocação de stents, ou condutas conservadoras. O exame é feito com a injeção de um contraste numa veia e, na seqüência, são realizadas um grande número de tomografias em poucos segundos e, a seguir, o computador funde as imagens fornecendo aos médicos dados anatômicos bastante precisos para orientar a conduta médica. É usada, também, para a avaliação da aorta, massas como coágulos ou tumores, ou doenças do pericárdio. O exame é muito seguro. Devemos cuidar com a alergia aos contrastes que contenham iodo.


Ressonância magnética (RM)

O computador gera imagens que permitem uma boa observação do miocárdio, identificar zonas lesadas por um infarto, mostrar defeitos congênitos e avaliar os vasos de maior calibre como a aorta.

A sua vantagem sobre a TC é a de não ser prejudicial ao organismo por não ser uma energia ionizante, gerar imagens de alta resolução sem usar contrastes, dar imagens tridimensionais, terem alto índice de contraste quanto aos diferentes tecidos, e por produzir imagens que não são distorcidas pela presença de ar ou líquidos em torno das estruturas que se quer observar.

O exame é particularmente útil para diagnosticar doenças da aorta, do pericárdio, doenças congênitas antes ou depois de correções cirúrgicas, doenças do músculo cardíaco, principalmente tumores cardíacos ou do pulmão que, por vizinhança, tenham invadido o coração.

A ressonância magnética pode também ser usada para avaliar a morfologia das câmaras cardíacas, a função global ou regional dos ventrículos e a existência de regurgitações valvulares.

Existem estudos para a aplicação da RM no estudo dos fluxos de sangue nas coronárias, no músculo cardíaco com ou sem o uso de substâncias estressantes para o coração.


Angiografia digital

É o registro de imagens de vasos. Esse método é usado para avaliar os vasos do coração ou cérebro e permite ver se existe e onde existe uma obstrução ou diminuição de fluxo do sangue. Usa-se para isso um contraste que é injetado numa veia. O aparelho de RX deve ser capaz de obter imagens muito rapidamente.




 

PERICARDITES

O pericárdio é composto de duas camadas de um tecido fibroso pouco distensível. Dessas camadas, a interna, denominada de visceral está aderida e praticamente fazendo parte do coração. A outra, a externa, denominada parietal, está em volta dessa primeira. Elas estão separada por um espaço virtual que contém uma pequena quantidade de líquido. Essa segunda camada mantém o coração fixado no seu lugar dentro do tórax e evita o contato direto do coração com as estruturas vizinhas.

Quando o pericárdio está inflamado ou infectado dizemos haver uma pericardite que pode ser um dos tipos de pericardite abaixo descritos.

Pericardite viral

Pode ser causada por diversos vírus, as coxsaquieviroses, os ecovírus e os vírus da gripe, da varicela, hepatite, caxumba e HIV, são os mais freqüentes.

A doença atinge mais a homens com menos de 50 anos, principalmente depois de doenças infecciosas das vias aéreas superiores.

O diagnóstico geralmente é feito em bases clínicas. Em alguns casos, o derrame entre as duas camadas do pericárdio pode ser de proporções maiores, provocando o tamponamento cardíaco. Em raros casos, a doença torna-se crônica, podendo resultar em pericardite constritiva, que pela retração cicatricial do pericárdio provoca o encarceramento do coração. Nessa situação há necessidade de operar, retirando-se o pericárdio em torno do coração.

Os casos mais benignos são tratados com aspirina ou outro anti-inflamatório. Em raros pacientes, que não respondem ao tratamento, os corticosteróides podem ser usados.

O controle da evolução e o tratamento devem ser feitos por médico.

Pericardite tuberculosa

É rara nos países desenvolvidos e comum em outras áreas. Atinge o pericárdio diretamente via linfática ou por disseminação hematógena. Pode haver comprometimento ou não do pulmão, contudo o derrame pleural freqüentemente acompanha a pericardite.

O desenvolvimento da doença costuma ser subagudo com o paciente apresentando cansaço, febre e suores noturnos.

O diagnóstico não é fácil, pode ser suspeitado havendo evidência do bacilo álcool-ácido resistente (BAAR) em outras partes do doente. A positividade do BAAR no líquido retirado do saco pericárdico é muito baixa, do mesmo modo que o é no tecido biopsiado. Alguns pacientes que não respondem bem ao tratamento conservador antituberculose necessitam ser operados para retiraram o pericárdio.

Pericardite urêmica

Pacientes com insuficiência renal podem apresentar pericardite.

Os sintomas são semelhantes às outras pericardites, mas geralmente se acompanham das manifestações metabólicas decorrentes da uremia. Muitas vezes a pericardite urêmica é diagnosticada pela dor pré-cordial apresentada pelos pacientes.

O tratamento é o da doença básica que levou a pessoa à insuficiência renal ou o tratamento da remissão isoladamente.

Pericardite neoplásica

A disseminação de um câncer adjacente de pulmão ou de mama, a disseminação de um carcinoma de rim, linfomas que envolvem o pericárdio e outros cânceres podem causar um derrame pericárdico e tamponamento do coração. Em geral, não há muitos sintomas e os que existem podem ser atribuídos à doença básica com suas repercussões hemodinâmicas.

O diagnóstico pode ser particularmente difícil se o paciente foi submetido a radioterapia numa área que abrangeu o pericárdio.

O prognóstico para pericardite neoplásica é mau, geralmente o paciente morre antes de um ano.

Do tratamento cirúrgico fazem parte a abertura de uma janela no pericárdio para drenar o líquido ou a pericardiectomia. Também se tenta a instilação de tetraciclina no saco pericárdico, o que em alguns casos evita a recidiva do derrame.

Pericardite pós- radiação

A irradiação que atinge a área cardíaca pode desencadear uma reação fibrótica que se apresenta com uma pericardite subaguda ou constritiva. Ela pode aparecer dentro de um ano depois da irradiação, mas existem casos em que apareceu anos depois. A solução muitas vezes é cirúrgica.

Pericardite pós- infarto do miocárdio

É uma complicação do infarto agudo do miocárdio que aparece de 3 a 5 dias depois de um infarto transmural. O sintoma é de dor pré-cordial recorrente, geralmente atribuída ao próprio infarto. No eletrocardiograma aparecem mudanças confundíveis com alterações isquêmicas. Grandes derrames são raros. Muitas vezes pode-se auscultar um atrito pericárdico.

A síndrome de Dressler(SD) é uma pericardite que ocorre semanas ou meses depois do infarto ou depois de cirurgias cardíacas. Pode ser recorrente e é provavelmente uma resposta auto-imune. É manifesta por febre, dor, mal-estar leucocitose e hemossedimentação elevada. O derrame pericárdico pode ser grande na síndrome de Dressler que ocorre depois de infarto e não depois de cirurgias cardíacas.

Pode haver resposta terapêutica com o uso de anti-inflamatórios.

Pericardites mais raras

São as atribuídas ao uso de medicamentos como o minoxidil e a penicilina. Pode ocorrer também nos pacientes com mixedema (Hipotireoidismo), lúpus eritematoso e artrite reumatóide.

Pericardite constritiva

A inflamação do pericárdio pode levar ao seu espessamento e diminuição da distensibilidade por fibrose e por aderência ao coração, dificultando o enchimento do coração durante a diástole. Isso dificulta o retorno do sangue ao coração. Pode seguir-se a uma pericardite de qualquer etiologia. Atualmente é mais freqüente nas pericardites pós irradiação e depois de cirurgias cardíacas.

Os principais sintomas são fadiga progressiva, falta de ar, fraqueza, edema, congestão do fígado e ascite. O que chama mais a atenção nesses pacientes é a distensão persistente das veias do pescoço, mesmo com a pessoa em pé ou inspirando fundo.

Para confirmarmos o diagnóstico, o raio-x geralmente mostra um coração de tamanho normal e só é útil se mostrar calcificações. O ecocardiograma pode mostrar o pericárdio espessado e cavidades cardíacas pequenas. A tomografia e a ressonância magnética podem mostrar melhor as alterações já mostradas no ecocardiograma.

O tratamento inclui o uso de diuréticos e a remoção cirúrgica do pericárdio. A mortalidade dessa operação é alta.



 

PRESSÃO BAIXA

Sinônimos: Hipotensão arterial, Choque, Hipotensão postural

O que é?

Pressão arterial baixa pode significar ou não uma doença, um sinal indicativo de uma doença de maior ou menor gravidade. Nos casos de doenças mais graves, a queda da pressão é uma das manifestações de enfermidades que costumam estar acompanhadas de outros sinais e sintomas que dominam o quadro clínico.

Podemos dizer que a grande maioria das pessoas que se queixa, atribuindo seus sintomas à queda da pressão arterial, são pessoas sadias, que não estão doentes, pelo menos fisicamente. Quem pode dizer se a pessoa apresenta alguma doença que provoca a baixa da pressão é o médico.

Ter a pressão arterial baixa é uma das queixas mais freqüentes e, na grande maioria dos casos, é um sinal de boa saúde. Os médicos afirmam isso por saberem que os portadores de pressão arterial baixa costumam ser saudáveis e que, provavelmente, terão vida longa.

Níveis

Em se tratando de pessoas adultas, considera-se como pressão arterial baixa, quando os níveis da máxima estão abaixo de 90 mm Hg (ou 9 cm de Hg). Existem pessoas sadias que apresentam níveis até mais baixos e que, nem por isso, apresentam sintomas. Por sua vez, há pessoas com uma pressão arterial habitualmente alta que, quando apresentam algum problema de saúde, esta pressão poderá cair para níveis inferiores aos que estão habituados. Por exemplo: alguém que apresente uma pressão arterial máxima de 110 mm, quando o seu habitual é de 180 m HG Hg, poderá sentir, nesta situação, manifestações decorrentes da queda dos níveis de pressão habituais. Nestes casos, um médico deverá avaliar e orientar o tratamento.

Quando devemos nos preocupar?

Em algumas situações de doenças mais graves, podem ocorrer quedas de pressão significativas que provocam manifestações, inclusive a morte.

A situação de pressão baixa mais grave é denominada de choque, que acontece quando a pressão do sangue nas artérias é insuficiente para manter a irrigação dos tecidos. É o que pode acontecer em:
 

hemorragias externas profusas (abundantes)
reações alérgicas a medicamentos
picadas de insetos
envenenamentos
traumatismos
desidratação
sangramentos internos
queimaduras extensas e profundas
intoxicações severas
doenças da glândula supra-renal
algumas doenças do coração, agudas ou crônicas
moléstias agudas dos pulmões, tanto dos seus vasos quanto em infecções severas

São situações clínicas graves e alarmantes, acompanhadas de outros sintomas, tais como: dores, suores abundantes, aceleração dos batimentos cardíacos, perdas de consciência, parada do funcionamento dos rins, etc.

Nestas doenças, os sintomas dominantes são as manifestações decorrentes destas enfermidades, e a pressão baixa é um achado do exame clínico que ajuda o médico a fazer o diagnóstico. Estes pacientes, de um modo geral, nem se dão conta de que sua pressão arterial caiu.

Tais situações clínicas costumam exigir atendimento médico de urgência, podendo a sua protelação até ser fatal! Situações Crônicas

Além das doenças mais agudas já citadas, outras enfermidades, ditas crônicas e consideradas como debilitantes, podem provocar diminuição dos níveis de pressão arterial. Os sintomas causados por estas enfermidades também dominam o quadro clínico e a diminuição da pressão é somente mais uma das manifestações do quadro clínico da doença principal.

A grande maioria dos casos de diminuição da pressão arterial não tem maior significado clínico, embora possam ser desagradáveis para os acometidos e apresentem algumas conseqüências, de uma maneira geral, menos graves.

Outras Causas para a Queda de Pressão
 

Uma das causas mais freqüentes de diminuição da pressão arterial é denominada de hipotensão postural, que acontece quando as pessoas, ao mudarem subitamente a posição do corpo, sentem tonturas ou a visão turva, sensação que passa em alguns segundos. É o que ocorre quando alguém, depois de estar durante muito tempo agachado, ao levantar-se subitamente, sente-te tonto e a visão embaralhada, chegando a oscilar o corpo ou mesmo a cair. Todavia, isso nem sempre significa doença, e acontece principalmente em pessoas não condicionadas fisicamente.
Pessoas desidratadas, como as que recebem altas doses de diuréticos, também podem apresentar quedas de pressão ao mudarem subitamente de uma posição para outra.
As baixas de pressão arterial são também uma manifestação freqüente em pessoas convalescendo de doenças ou que permaneceram por muitos dias acamadas. Nestes casos, a freqüência cardíaca costuma subir de 15 ou mais batimentos por minuto devido à diminuição da pressão arterial.
Pessoas que recebem certos medicamentos para baixar a pressão arterial, ou portadores de doenças neurológicas, endócrinas, como diabete,também podem apresentar queda de pressão, ao passarem da posição deitada, ou sentada, para ficarem de pé. Nestas situações, a queda de pressão provoca nenhuma ou apenas uma discreta elevação da freqüência dos batimentos do coração.

Observação Importante

A grande maioria das pessoas que afirma ou acredita ter a pressão baixa costuma fazê-lo por se sentir cansada, adinâmica, sem vontade para agir, sonolenta, foge do trabalho, tem constantemente desejos de deitar, sem vontade de fazer sexo, e acorda mais cansada do que estava à noite ao ir dormir; além disso, diz sentir muito frio.

Estas manifestações são mais provavelmente sintomas de depressão.

Pode acontecer dos pacientes atribuirem estes sintomas à pressão baixa por terem entendido mal as informações do médico que, ao falar em manifestações sugestivas "de depressão", seja interpretado como tendo se referido à manifestações decorrentes "da pressão". Depressão e queda de pressão são coisas diferentes, nem sempre bem explicadas aos que consultam por estes sintomas. Pessoas que apresentam sintomas depressivos, assim como as que têm quedas de pressão transitórias, provocadas por mudanças de posição corporal, costumam melhorar de seus sintomas ao fazerem exercícios físicos regularmente. Isto acontece, em primeiro lugar, por liberarem as endorfinas com a atividade física, desse modo, abafando as sensações depressivas. Em segundo lugar, por condicionarem o corpo e, por isso, podem obter mais rápida acomodação da pressão arterial e distribuição do sangue quando houver mudança da posição corporal.




 

PREVENÇÃO DA ARTERIOESCLEROSE

Dieta desde a infância

Entre os fatores conhecidos que propiciam o desenvolvimento da arteriosclerose e as doenças conseqüentes a ela estão: a idade, o sexo da pessoa, a hereditariedade, o estilo de vida sedentário, o diabete, o fumo, o uso de alguns medicamentos, as tensões da vida e a dieta.

ALGUNS DESTES FATORES PODEM SER ALTERADOS OU CORRIGIDOS.

O fator dieta é um dos participantes no desenvolvimento da degeneração das artérias. Os cuidados dietéticos são importantes desde os primeiros anos de vida de uma pessoa, pois é na infância que criamos os nossos hábitos alimentares. Cabe aos pais e avós conduzirem as crianças para uma dieta saudável que vai beneficiá-las em anos posteriores.

Criar maus hábitos de alimentação faz com que as crianças se acostumem a comer aquilo que pode prejudicá-las quando adultos.

Todos sabem que as comidas da vovó, os quitutes das festas, as delícias dos restaurantes, tipo comida ligeira, são muito sedutoras para as crianças, que, podendo, comerão sempre o que lhes agrada. Acabarão sendo obesas e propensas a adoecer num futuro mais próximo. Cabe aos responsáveis “segurá-los” nestes impulsos. Se necessário, procurar a ajuda de um médico.

Os pais querem que os filhos sejam saudáveis tanto na infância como na vida futura. Todavia, proibir tudo que seja considerado prejudicial propicia à criança, futuramente, quando puder se comandar e decidir por si, comer tudo que lhe foi proibido na infância. Por isso é necessário manter um equilíbrio. Por exemplo, criança gosta de batata frita, ovo frito e bife. Três alimentos fritos, não recomendados para quem quer evitar a arterioesclerose.

Recomenda-se que alimentos deste tipo sejam permitidos somente em alguns dias, uma vez por semana. Deve-se cuidar para que nos outros dias recebam alimentos tidos como saudáveis. Não se deve proibir tudo, não se deve proibir para sempre, deve-se permitir algumas escapadas para que as crianças não se sintam diferentes ou excluídas. O nunca seria uma crueldade. Proibir que, numa festa, a criança coma o que as outras estão comendo, pode deixá-las frustradas.

Recomenda-se que se induza a criança a imitar os pais e os avós, mais preocupados com as suas artérias e que estão mais vigilantes quanto a manter uma boa alimentação, evitando desvios alimentares.

As crianças são propensas à imitação, é relativamente fácil induzi-las a imitar os adultos. Para conseguir isso é primordial que não se faça comidas especiais para os pequenos. Eles comem com os olhos, se houver doces, frituras, bolinhos fritos, embutidos gordos, etc., à mesa, eles vão querer. Se em vez de um sorvete de creme coberto de nata, houver uma fruta enfeitada ou recortada artisticamente, eles vão comer com o mesmo apetite. Isto será mais fácil de conseguir uma vez que ainda não tenham criado hábitos alimentares não recomendáveis. Portanto, é necessário que, desde pequenos, se lhes incuta hábitos salutares. Podem saber que as coisas ditas boas existem, mas que não estão sempre à disposição, que podem comer disto ou daquilo só em certas ocasiões.

É comum observarmos pais dizendo que se não derem para comer aos filhos aquilo que pedem, ou exigem, vão ficar magros, fracos ou mesmo doentes. Na verdade, esta recusa em comer pode durar um ou dois dias, mas chegará a hora em que a fome vencerá as resistências.

O que é considerado saudável?

Ou qual é a dieta recomendável para evitar as doenças degenerativas conseqüentes a desvios da dieta?

Basicamente, a alimentação humana é constituída de proteínas, gorduras e açúcares. Estes elementos são encontrados em proporções diferentes em quase todos os alimentos, desde frutas, grãos, verduras, carnes, leite, etc. Nesses três grupos básicos, existem os mais saudáveis e os menos saudáveis.

Entre as principais fontes de proteínas, estão o leite e seus derivados, as carnes e os ovos. Recomendam-se os leites desnatados por conterem menos calorias e menos gorduras. Entre os derivados do leite, é preferível escolher os queijos magros, brancos, pois os amarelos e os cremosos geralmente contêm mais gordura.

Entre as carnes, a mais recomendável é a de peixe. As demais, como as de gado, aves e suínos também são indispensáveis como fontes de proteínas, porém, devemos sempre preferir as magras às gordas, evitando, por exemplo, pele de carne de aves.

A outra fonte importante e barata de proteínas está na clara de ovos. A gema de ovos por alguns é condenada; já por outros não.

Existem os que acusam a gema de conter altos teores de colesterol.

As gorduras que se recomendam evitar são aquelas submetidas a altas temperaturas, como acontece durante as frituras.

Aconselham-se as gorduras não saturadas, como o azeite de oliva, granola, girassol, milho ou soja, nesta ordem, segundo alguns autores. Podemos observar que esta seqüência envolve valores pecuniários.

Existem os glicídios ou açucares de diversos tipos, os quais são obtidos em diferentes fontes. Alguns são considerados mais e outros menos prejudiciais. Consideram-se mais prejudiciais os açúcares industrializados, refinados e são mais recomendados os oriundos de frutas e verduras não industrializadas. A principal fonte de glicídios para os seres humanos vem dos grãos, como arroz, trigo, aveia, etc. O amido, por ação da saliva, é transformado em açúcar, por isso sabe-se que o pão, os bolos, as bolachas, as cucas, os biscoitos são basicamente açúcar. Como prova, basta deixar um pedaço de pão ou bolacha, mesmo sendo salgada, durante alguns minutos desmanchando na boca, sem deglutir; podemos observar que, aos poucos, irá ficando cada vez mais doce.

Considerações sobre o colesterol, apontado como o maior inimigo de nossas artérias

Primeiro, é necessário alertar que mais da metade do colesterol no nosso sangue é formado pelo fígado, motivo pelo qual as dietas para baixar o colesterol fracassam para a grande maioria das pessoas.

Em segundo lugar, o colesterol é muito necessário para que uma pessoa seja sadia. Hormônios, membranas celulares, elementos da bile e da pele necessitam do colesterol para a sua formação, portanto, necessitamos ter colesterol no nosso corpo para termos saúde. Os problemas decorrentes de níveis elevados de colesterol podem surgir ou serem agravados se tivermos outros fatores implicados na formação da arteriosclerose.

Dos fatores envolvidos na gênese da arterioesclerose fatores, poderemos mudar ou corrigir alguns, já outros não. Podemos deixar de fumar, corrigir a hipertensão arterial, emagrecer, manter uma atividade física regular, evitar certos medicamentos, corrigir o diabete. Já a idade e o sexo não temos como mudar. Podemos atenuar a influência da hereditariedade, mas o que herdamos de nossos ancestrais está gravado nos nossos gens. Mesmo não tendo como mudar a herança familiar, podemos interferir para que esta não se manifeste em toda a sua potencialidade. O primeiro passo é saber se temos predisposição genética para as doenças degenerativas decorrentes da arteriosclerose. Se a tivermos, devemos atuar com mais energia procurando atenuar os efeitos negativos dos demais fatores de risco envolvidos na gênese desta degeneração das artérias.

A dieta para prevenir estas doenças deve começar na infância visando a retardar ao máximo suas manifestações potenciais. É bem mais fácil evitar do que combater as doenças degenerativas. Se os pais receberem orientação adequada, cedo perceberão a necessidade de prevenir problemas futuros de seus filhos e saberão que, para evitá-los, uma alimentação sadia desde a infância é fundamental.



 

O SEXO DEPOIS DO INFARTO

A maioria das pessoas que já teve um infarto sabe que pode voltar a ter uma vida sexual satisfatória como antes de ser atingida pela doença.

O infarto não significa o fim da vida sexual. Ela tende mesmo a se tornar mais gratificante se a pessoa dedicar parte do seu tempo ao repouso e às atividades sociais e recreativas.

Nos primeiros tempos depois do infarto, a atividade sexual geralmente é proibida. Espere até a recuperação do coração. Ouça o seu médico quando chegar a esse ponto.

Mitos sobre sexo e coração

Existem diversos mitos sobre sexo e coração.

O mais corrente é o de que a atividade sexual causa o infarto. Isso não é verdade.

Não existem razões médicas para que uma pessoa recuperada do infarto não volte à sua atividade sexual anterior ao infarto. Fale com seu médico se tiver dúvidas.

O medo a respeito da performance e o medo de ter um novo infarto, junto com a depressão, são dois fatores psicológicos que reduzem o interesse e a capacidade. A depressão é freqüente depois de um infarto, ocorrendo em 85% dos casos e costuma passar depois de três meses. Contudo, ela pode perdurar ou mesmo se agravar, se já existiam problemas sexuais entre o casal antes do infarto.

Para um sexo normal devem existir duas pessoas e os dois devem participar da decisão de voltar à atividade anterior.

Muitas vezes o cônjuge não infartado foge do sexo por temer que algo possa acontecer ao parceiro durante o ato.

O casal pode se preparar para o sexo de diversas maneiras. Primeiro, deve manter e melhorar suas condições físicas e de higiene pessoal. Os deprimidos não gostam de tomar banho.

Os dois devem procurar ser mais tolerantes com as emoções do parceiro, pois são freqüentes as mudanças de temperamento depois de uma doença grave.

Reiniciando a atividade sexual

Quando voltar a praticar sexo, fale com seu médico, escute o que ele tem a lhe dizer. Caso sinta-se apto, mas seu médico ainda lhe desaconselhar, procure debater mais esse assunto com ele. Inicie as atividades quando estiver bem descansado, relaxado, livre das situações estressantes advindas dos problemas diários.
 

Espere de 2 até 3 horas após as refeições para iniciar uma atividade sexual.
Procure um lugar tranqüilo, livre de interrupções. Desligue o telefone.
Se necessário, existem medicações para melhorar a performance.
Use somente as prescritas por seu médico.
Lembre-se que alguns medicamentos para esse fim podem ser prejudiciais ao seu coração.
Não siga conselhos de amigos ou outros profissionais.
Se o esforço durante o ato sexual o deixar exageradamente cansado, procure posições mais confortáveis, deixe que o parceiro sadio faça a maior força. Se estiver muito cansado, interrompa o ato.
Volte a tentar depois de algum tempo, depois de recuperado. O orgasmo não é imprescindível. À medida que a sua performance for melhorando pelo recondicionamento físico, ao qual todo o infartado deve se submeter, o desempenho sexual tende a melhorar. A melhora da performance física aumenta a autoconfiança e estima.
Procure reiniciar as atividade sexuais com quem você está acostumado.
Essa pessoa certamente será mais tolerante com uma incapacidade passageira. Para os homens, se isso acontecer, você sabe que poderá contar com a sua discrição e boa vontade para tentar outra vez, mais adiante.

Não desista!




 

A síndrome do coração partido.

Esta síndrome é de ocorrência muito rara, e acomete principalmente as mulheres de meia idade. Tanto pelo grupo de pessoas mais acometidas, como pelo seu nome, poderia haver a sugestão de que se trate de um envolvimento mais relacionado a coisas emocionais do que a uma doença orgânica do coração.

A doença foi pela primeira vez relatada no Japão; atualmente, já existem relatos de casos semelhantes nos Estados Unidos e mesmo no Brasil. De momento, o total de casos relatados na literatura médica não passa de 200. Provavelmente, existem mais casos de pessoas acometidas, mas que não foram diagnosticados por ser uma síndrome desconhecida.

As manifestações da doença são as de um infarto do miocárdio, que acomete principalmente mulheres de meia idade; as alterações eletrocardiográficas são as de um infarto agudo do miocárdio e as alterações das enzimas do sangue comprovam a lesão do músculo cardíaco. A evolução costuma ser boa e, geralmente, é de curta duração com a recuperação das alterações registradas no início da doença.

O que chama a atenção, o que dá a chave para o diagnóstico, são os estudos hemodinâmicos destes corações. As artérias coronárias costumam ser praticamente normais e a ventriculografia mostra um coração com a ponta dilatada, inativa e o restante do coração continua se contraindo normalmente durante a sístole ventricular. Esta parte, que se contrai de modo normal, e a parte que não sofre a contração sistólica esperada geram a imagem que sugere haver uma parte normal e a outra anormal. É como se uma parte do ventrículo funcionasse normalmente e a outra não, provocando a impressão de coração partido.

A síndrome do coração partido é uma doença de bom prognóstico, pois a evolução destes infartos costuma ser rápida e boa, não deixando seqüelas maiores. De um modo geral, acontece a recuperação total dos pacientes em poucos dias, apesar das manifestações iniciais alarmantes.

O que mais chama a atenção nesta síndrome é que a grande maioria, mais de 95% acontece em mulheres de meia idade.