Consultas de Especialistas 1

 

 

A dieta "adoro comer"

 

Satisfaça o apetite sem se privar de nada. O apetite pode ser uma fera à solta dentro de nós, sempre a pedir para comer. Nem sequer fala a nossa linguagem. Nada comove a sua fome insaciável. Como domesticar então este monstro? O melhor é escolher um caminho natural e que já provou dar bom resultado: em vez de tentar vencer o apetite, contentá-lo...

Segundo Barbara Rolls, professora de Nutrição da Pennsylvania State University e co-autora de The Volumetrics Weight-Control Plan: Feel Full on Fewer Calories, a saciedade, a impressão de se ter comido tudo o que se quis no fim de uma boa refeição, é o ingrediente principal na gestão do peso. E o que leva à saciedade? Sobretudo o volume, a massa dos alimentos que se comem. Refeições "de baixa densidade energética", muitas substâncias para relativamente poucas calorias, satisfarão prontamente o apetite sem aumento de peso. Quais são então estes alimentos de elevado volume, baixas calorias e que respondem ao apetite? Eis uma lista de sete dos melhores:

Sopa. Diz Rolls: "A sopa provoca o dobro da saciedade de qualquer outro alimento." Os olhos vêem uma grande porção. O aroma fumegante gera um forte estímulo sensorial. O grande volume de líquido enche o estômago. Além disso, uma sopa rica em ingredientes leva tempo a digerir, mantendo uma pessoa saciada. Num estudo de 1999, Rolls e os seus colaboradores da Penn State controlaram o almoço de 24 mulheres uma vez por semana durante quatro semanas. Antes de cada refeição, as mulheres recebiam uma ou duas doses de "pré-carga" de 270 calorias: uma caçarola de frango com arroz; ou a mesma caçarola e um copo de água; ou uma sopa de frango e arroz com os mesmos ingredientes da caçarola mais água. Foi a sopa que teve melhores resultados, provocando uma redução de 100 calorias na quantidade ingerida pelas mulheres. E as que comeram sopa não sentiram necessidade de comer mais ao jantar para se compensarem. Mais recomendáveis, são as versões ligeiras de sopa, como de minestrone, de alho-francês, de cogumelos, o caldo verde ou o gaspacho; todas são boas para controlar o apetite e para tomar no intervalo das refeições. Atenção às sopas com natas: estão cheias de gordura e calorias.

Sumos vegetais. Noutro estudo conduzido por Rolls e pela sua equipa, os homens que beberam um copo de sumo de vegetais de 400 gr e 88 calorias antes do almoço ingeriram em média menos 136 calorias à refeição que aqueles a quem não foi dada a bebida. Outras investigações demonstraram que o teor de sal e a temperatura não eram factores a ter em conta. O que decerto funcionou, diz Rolls, foi a baixa densidade energética e a pequena dose de fibras do sumo.

Flocos de cereais. São uma importante fonte de fibra. Fornecem muito que comer com muito poucas calorias, nota Phyllis Roxland, nutricionista de Nova Iorque, e, como todos os alimentos ricos em fibra, também bloqueiam o apetite. Uma maneira fácil de ingerir fibra é tomar um bom pequeno-almoço, diz Barbara Rolls. "Um estudo mostra que uma pessoa que faça um pequeno-almoço rico em fibras, ingere menos cerca de 100 calorias no conjunto desta refeição com o almoço." Ela costuma misturar flocos de farelo com um cereal seco ou com flocos de aveia ricos em fibras.

Um inibidor do apetite muito suave. Gene Daoust, nutricionista diplomado de Reno, Nevada, e co-autor do livro 40-30-30 Nutrição Queima-Gorduras, recomenda um suave "inibidor do apetite" de fruta e proteína ao pequeno-almoço. Então, vejamos: mistura-se uma colher rasa de proteína em pó, meia banana gelada, meia chávena de morangos congelados, 3/4 de uma chávena de água e duas colheres de chá de amêndoas. Este pequeno-almoço líquido elimina a fome porque é altamente nutritivo. E também, como todas as refeições com níveis equilibrados de proteína, gordura e hidratos de carbono, ajuda a manter estáveis os níveis de açúcar.

Bagas. Muito doces e sumarentas, as bagas e outros frutos podem constituir o melhor de todos os pequenos-almoços, diz Rolls. As bagas são muito ricas em água e fibras, pelo que enchem o estômago com poucas calorias. Imagine os três seguintes petiscos: 10 grandes gomos de fruta coloridas, 18 pequenos biscoitos crocantes sem gordura, 23/4 chávenas de morangos frescos. Agora, saiba que todos têm 100 calorias, mas que só os morangos ou qualquer outro fruto satisfazem o apetite.

Molho picante. Enquanto alguns nutricionistas são defensores de alimentos de grande volume e elevado valor em fibras, os investigadores da Laval University do Quebec, no Canadá, são adeptos da capsaicina, o químico picante que se encontra na pimenta vermelha. Angelo Tremblay e os seus colegas fizeram uma série de experiências em que acrescentaram esta especiaria ao pequeno-almoço ou a aperitivos tomados ao almoço. Depois, controlaram o que cada pessoa comeu a seguir. Num teste efectuado a 13 mulheres cujo pequeno-almoço foi condimentado com pimenta vermelha, verificou-se uma diminuição do apetite entre o pequeno-almoço e o almoço e uma redução das calorias ingeridas ao meio-dia. Quando os investigadores fizeram o teste a dez homens, descobriram que um aperitivo com piripíri diminuiu a ingestão de calorias ao almoço e ao lanche. Tremblay pensa que a pimenta vermelha pode actuar como "um estimulante não-farmacológico" actuando sobre o sistema nervoso simpático. Pensa-se que, quando isso acontece, a fome diminui. Como bónus, descobriu que o picante da pimenta vermelha ajuda ligeiramente a queimar calorias (um processo fisiológico chamado termogénese). E como se pode desencadear este processo? Que tal servir omeletas com molho picante ou batatas salteadas com salsa e piripíri?

Sobremesas geladas. Pobres em gorduras. "Muitas pessoas só param de comer depois do doce", lembra Rolls. Isso não tem que ser forçosamente mau. "As sobremesas geladas são uma das melhores formas de satisfazer a gulodice sem acumular calorias", diz Phyllis Roxland. Setenta gramas de sorvete têm apenas 110 calorias. Meia chávena de iogurte de chocolate gelado apenas acrescenta 115 calorias ao jantar. É claro que pode seguir-se outro método, diz Rolls. "Coma uma quantidade satisfatória de alimentos com baixa densidade energética à refeição e como sobremesa um bom bocado do melhor chocolate que encontrar!"

 

 

Paula Simões estava numa discoteca quando começou a sentir a garganta irritada e a tossir constantemente. «Como sou fumadora, pensei que era o fumo do ambiente fechado», conta esta secretária de redacção, de 30 anos, de Venda Nova. «Mas quando fui apanhar ar fresco, a comichão na garganta não só não passou, como comecei a espirrar, além de continuar a tossir. Não tardou que o nariz começasse a escorrer e os olhos a lacrimejar.» Este quadro manteve-se nos dias seguintes, tornando-se extremamente incómodo, pelo que Paula decidiu consultar um médico. Este diagnosticou-lhe uma rinite alérgica, também conhecida como febre-dos-fenos, e mandou-a a um alergologista. As alergias afectam cerca de um milhão e meio de portugueses, tendo o número de afectados quintuplicado nos últimos 10 anos. Segundo o Estudo Internacional sobre Asma e Alergias na Infância, a primeira investigação internacional sobre doenças respiratórias, cujos resultados da primeira fase foram apresentados em 1997, 30,2% dos 11 427 jovens com idades comprendidas entre os 13 e os 14 anos inquiridos em Portugal sofrem ou sofreram de rinite e 6,3%, de febre-dos-fenos (rinite e conjuntivite dos pólenes). Muitas pessoas consideram as alergias um incómodo e não uma doença, e não procuram ajuda médica. No entanto, podem ser comparadas a doenças crónicas como a artrite, a diabetes e a hipertensão. «Apesar de cientistas britânicos terem isolado o que pensam ser um dos genes implicados no mecanismo das alergias, a cura ainda está longe», diz o imunoalergologista Antero da Palma Carlos. «Por isso é que a prevenção é tão importante.»

O que causa as alergias?

Como no caso de grande parte das doenças, a herança genética tem uma enorme influência. Se um dos pais é alérgico, o filho tem 40% de hipóteses de também o ser, e quando os dois progenitores sofrem desta patologia, as probabilidades sobem para 60%. «O organismo das pessoas alérgicas confunde o agente responsável pela alergia com um agente infeccioso e desencadeia uma reacção de defesa, libertando substâncias como a histamina e células agressivas», diz Antero da Palma Carlos. «As secreções nasais, as lágrimas, os espirros e a tosse, são tudo formas de o sistema imunitário expelir o invasor e não deixar que penetre mais profundamente nas vias respiratórias.» Uma reacção normal, se não fosse o facto de estar a ser dirigida contra substâncias inofensivas, como os pólenes e os ácaros do pó, ao invés de o ser contra agentes infecciosos. Nalgumas pessoas o sistema imunitário é hiperactivo e provoca reacções exageradas. Ironicamente, o aumento das alergias pode estar relacionado com a melhoria das condições gerais da saúde humana. «Menos infecções na infância levam o sistema imunitário a desviar a sua atenção para substâncias inofensivas», explica este médico. José Rosado Pinto, director do Serviço de Imunoalergologia do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, considera que o aumento deste tipo de afecções deve-se ao estilo de vida que se tem desenvolvido nas cidades ocidentais. «A poluição industrial e automóvel cresceu imenso, as pessoas vivem cada vez mais dentro de casas mal construídas, sem isolamentos e com altos indíces de humidades e pós», diz. «Porém, hoje há maior preocupação e, portanto, maior cuidado nos diagnósticos e tratamento.» Embora não haja cura para as alergias, é possível prevenir o seu aparecimento ou o agravamento dos sintomas. Eis o que necessita de saber acerca dos quatro tipos mais comuns desta patologia:

Alergias nasais: agentes exteriores

Este tipo de alergias é frequentemente confundido com infecções respiratórias. Mas, ao contrário das constipações ou sinusite, que resultam numa rinorreia com muco grosso e descolorado, as alergias nasais causam uma rinorreia constante de muco claro e líquido que pode durar semanas. Tipicamente, as constipações duram apenas cerca de uma semana e raramente causam comichão na garganta, ouvidos ou olhos. E, apesar da expressão «febre dos fenos», as alergias não provocam febre.

Muitos adultos atribuem as alergias ao seu estado de cansaço e stress. Esta doença manifesta-se por dores de cabeça frequentes, conjuntivite, com intenso lacrimejo, e ataques de espirros. Muitas vezes, as pessoas afectadas sentem necessidade de limpar frequentemente a garganta ou parecem estar roucas quando falam. As alergias aos pólenes são geralmente mais fáceis de detectar do que as reacções aos agentes de casa, uma vez que os seus sintomas se manifestam sazonalmente. Cerca de 20% a 30% dos casos detectados em Portugal são causados pelos pólenes que vagueiam no ar, mal as chuvas param e a Primavera chega. Segundo Antero da Palma Carlos, os das gramíneas, ervas bastante comuns no nosso país, são os que provocam o maior número de alergias. Seguem-se os da parietária, popularmente conhecida por alfavaca-de-cobra, e, com menos frequência, os das oliveiras e outras plantas, que não têm grande expressão, excepto em zonas onde o seu cultivo é mais intensivo. É impossível evitar a exposição ao pólen, mas há algumas precauções que se podem tomar: • Ceifar, revolver a terra e mondar levantam os pólenes. Por isso, deve usar uma máscara ou pedir a outra pessoa para fazer o serviço. • Mude a roupa quando entrar em casa. Tome um duche à noite, para não levar pólenes para a cama. Feche as janelas e ligue o ar condicionado. • Elimine do seu quintal ou varanda as espécies que o afectam. Evite gramíneas e a parietária a todo o custo. As flores que poderá plantar são as rosas, os narcisos, as alegrias-da-casa e as zínias. • Feche as janelas do seu carro e regule o ar condicionado para «recircular», certificando-se de que o filtro está limpo.

Não despreze as alergias

Alguns dos problemas graves que são causados pelas alergias são a asma e o choque anafiláctico, que pode conduzir à morte. Esta reacção ocorre em virtude de picadas de insectos, como as abelhas ou as vespas. As vias respiratórias e a língua incham, o que dificulta a respiração e a pressão sanguínea baixa o que diminui a quantidade de ar nos pulmões e a quantidade de sangue no cérebro e no coração. Estas são razões suficientes para não desprezar as alergias e seguir as indicações do seu médico.

Alergias nasais: agentes domésticos

As alergias de casa podem ser graves, pois contribuem grandemente para o aparecimento da asma, a sinistra doença que, segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde) afecta 150 milhões de pessoas em todo o Mundo e cerca de 500 000 portugueses. Os principais causadores são os ácaros, os bolores e os gatos.

Os ácaros são insectos microscópicos que conseguem viver no pó acumulado em prateleiras e mesas, embora tenham preferência por colchões, carpetes, almofadas, peluches, cortinas e tapeçarias. O calor e a humidade aceleram o seu crescimento. Casas onde o ar do exterior circula pouco são um meio particularmente favorável. Os animais de companhia são o campo de batalha emocional das alergias. Quando confrontada com a possibilidade de ser alérgica ao seu gato, Sofia Macedo, que está grávida, entrou em depressão: «Se tiver de pôr o gato fora de casa, o coitado morre e eu também.» Surpreendentemente, não é o pêlo do animal que causa a alergia, mas algumas proteínas presentes na saliva e glândulas. É por isso que os gatos, que se limpam constantemente, causam mais problemas do que os cães. Assim, se o animal tem mesmo que ficar, reduza os riscos de exposição: não o deixe entrar no quarto, nem dormir em mobília utilizada frequentemente e dê-lhe banho, se possível. Quanto aos ácaros, é impossível eliminá-los definitivamente. Mas pode reduzir o seu número e impacte: • Limpe o quarto onde passa 8 a 10 horas diárias. Isole colchões e almofadas com capas anti-ácaros. Evite acolchoados, almofadas e cobertores de lã. Roupas de cama e colchões hipoalergénicos são o melhor. • De duas em duas semanas, lave as roupas de cama em água a altas temperaturas. Os peluches das crianças devem ter o mesmo tratamento. • Para limpar o ar que respira, utilize um purificador do ar, ideal para filtrar as partículas suspensas no ar. Um dos aparelhos mais baratos, o Sterilair, custa cerca de 20 contos. Se a sua casa tem um sistema de aquecimento a ar, coloque um filtro de pó e pólen confeccionado em tecido reticular. • Livre-se das carpetes. Isto é particularmente importante no caso das crianças, pois é aí que elas passam a maior parte do seu tempo a brincar. • Limpe o pó e o chão com panos húmidos pelo menos uma vez por semana. Os aspiradores convencionais podem espalhar os ácaros pela divisão, excepto os que utilizam filtros especiais H.E.P.A. ou outros, como os que são utilizados nos hospitais. Um aparelho destes, da marca Nilfisk custa 89 contos. A Alergoserve, Diagnóstico Clínico, Lda (tel: 21-483 92 43) dispõe de um serviço único no país, em que um técnico, após um diagnóstico da casa quanto aos alérgenos existentes, propõe uma solução global de tratamento (preço: 18 500$00, mais o custo da deslocação). Prevenção é a primeira táctica para reduzir o risco de alergias nasais. Nos últimos tempos, têm surgido medicamentos mais eficazes para combater esta doença, que não provocam tantos efeitos secundários como os seus antecessores. São os chamados antihistamínicos de terceira geração — Claritin, Mizolen e Zyrtec —, que quase não provocam sono ou aumento de apetite. Contudo, não descongestionam o sistema, uma vez a congestão instalada. Para isso, existem os anti-inflamatórios em nebulizador com derivados de cortisona — Flonase, Beconase AQ, Pulmicort nasal Aldecina —, utilizados para reduzir a inflamação das membranas nasais e as crises de espirros. Resultam melhor quando são aplicados antes de a alergia se instalar. «Para quem não precisar de entrar directamente nos corticóides inalados, embora, na minha opinião, não se verifiquem efeitos secundários nas doses em que são utilizados, há derivados do clomoglicato à venda no mercado, que são anti-inflamatórios e antialérgicos», refere Antero da Palma Carlos. A administração de medicamentos suspende temporariamente a doença, mas apenas as vacinas podem levar à cura. Sofia Filipe tinha 17 anos quando começou a sofrer de espirros constantes dentro de recintos fechados. «Estava num concerto e comecei a espirrar sem razão aparente e sem conseguir parar», relembra esta jornalista lisboeta, hoje com 24 anos. «A certa altura, já espirrava o ano todo e não apenas em recintos fechados. Foi então que um alergologista me mandou fazer testes e descobri que era alérgica ao pó de casa.» Em Outubro de 1998, Sofia começou a fazer um tratamento imunoterapêutico, que terá uma duração mínima de três a cinco anos. São-lhe administradas doses do alérgeno cada vez maiores para estimular uma mudança de reacção, que impedirá futuras reacções adversas. «De início, tomava uma vacina por semana, depois passei a fazê-lo de quinze em quinze dias e, em princípios do ano passado, passou a ser uma vez por mês», conta Sofia. «É um incómodo, mas estou muito melhor e a frequência dos ataques de espirros diminuiu significativamente.» A vacina é feita especialmente por encomenda para cada doente, e uma dá para várias doses. Sofia já vai na segunda vacina, e ainda lhe faltam uns anos de tratamento. Cada uma custa-lhe 19 contos e recebe do Estado uma comparticipação de 50%.

Alergias alimentares.

«Sou alérgica à cebola, e torna-se difícil evitar um alimento que está presente em quase todos os pratos portugueses», explica Cristina Rodrigues, uma consultora de seguros de 33 anos, de Setúbal. «Quando como fora de casa, peço sempre para a tirarem, mas tenho que riscar da minha dieta todos os pratos com refogado, por exemplo, e ter muito cuidado antes de levar o garfo à boca, ou corro o risco de entrar em choque anafiláctico.» O choque anafiláctico é uma reacção alérgica violenta, que pode conduzir à morte. O processo é semelhante ao que sofrem as pessoas alérgicas a pólen, mas mais grave. As vias respiratórias e a língua incham, a respiração torna-se difícil, a pressão sanguínea baixa, o que significa menos ar para os pulmões e menos sangue para o cérebro e o coração. A morte pode sobrevir em minutos. «Esta reacção costuma verificar-se depois de picadas de insectos, em particular das abelhas e das vespas, como reacção a um medicamento injectado», explica Antero da Palma Carlos. Amendoins, amêndoas, nozes, peixe, marisco, leite, ovos e cereais são os agentes mais comuns das alergias alimentares, e nem sempre é fácil evitá-los. Bolos, bolachas e doces são um perigo óbvio a prevenir a todo o custo, já que os seus ingredientes de base (nem sempre indicados na ficha do conteúdo) incluem quase sempre um destes agentes. No caso de crises graves, pode sobrevir a necessidade de internamento hospitalar. «Estas pessoas devem ter sempre consigo uma pequena caneta de adrenalina Ana-Pen, que, em contacto com a pele, dispara uma agulha e injecta a substância», aconselha Antero da Palma Carlos. «Trata-se de uma forma de prevenção muito fácil de aplicar, mas que a maior parte dos alérgicos desconhece.»

Alergias ao latex

Este tipo de alergia tem aumentado substancialmente nos últimos anos, sobretudo nos meios hospitalares, por causa do uso obrigatório de luvas, e devido ao aumento do uso de preservativos. Nos Estados Unidos, por exemplo, 1 a 6% da população é alérgica à borracha natural de latex, presente em cintas, ténis, preservativos, balões e chupetas. A alergia é provocada por proteínas que o latex contém. As reacções vão desde erupções a espirros, comichões na garganta e choque anafiláctico. E embora alguns cientistas desenvolvam investigações no sentido de encontrar uma vacina, até ao momento a prevenção é o único tratamento existente. No caso do pessoal hospitalar, é obrigatória a compra de luvas fabricadas noutro material, anti-alérgico, e cada par é 50 vezes mais caro do que as habitualmente utilizadas. As pessoas alérgicas ao latex também podem desenvolver reacções a certos alimentos, tornando necessário evitar a sua ingestão. Bananas, kiwis, abacates e castanhas podem provocar choques anafilácticos em alérgicos ao latex, provocando alergias cruzadas devido à existência de proteínas semelhantes. Outros irritantes menos comuns incluem batatas, tomates e frutos como o pêssego, as cerejas e as ameixas. As alergias são uma das doenças crónicas mais frequentes, responsáveis por um encargo para o Estado e os utentes em aquisição de medicamentos na ordem dos 3200 contos, segundo dados do Infarmed. E o método mais eficaz para as evitar continua a ser o uso de métodos que reduzam a exposição aos agentes irritantes e a administração dos medicamentos receitados pelo seu médico. Não são uma doença para desprezar, mas não é necessário que dominem a nossa vida.

 

 

Debbie Aynsley, de 46 anos, cortadora de moldes para a indústria de confecção, moradora em Lee, no sul de Londres, fora quase totalmente vegetariana durante 20 anos, depois de notar que a carne lhe provocava indigestão. Porém, há dois anos verificou que se sentia cada vez mais fatigada e que sofria de depressão, de síndroma pós-menstrual, alterações de disposição e síndroma de cólon irritável.

Quando uma análise revelou que tinha alergias múltiplas à alimentação, foi consultar a nutricionista Alison Loftus, na Clínica Hale, em Londres. Depois de um questionário bastante pormenorizado, Alison pôde atribuir aqueles sintomas à alimentação desequilibrada de Debbie. «Descobri que tinha falta de ferro, zinco, magnésio, manganês e crómio, bem como de uma série de vitaminas B», explica Alison. Comenta Debbie: «Tornei-me um tanto preguiçosa e não estava a comer alimentos frescos em quantidade suficiente nem pensava muito naquilo que comia. Alison prescreveu-me uma dieta de desintoxicação durante 14 dias e uma alimentação mais variada, cortando os açúcares, produtos fermentados e frutos secos e incluindo mais feijões, nozes, minerais e vitaminas. Levou tempo, mas aqueles sintomas desapareceram e os meus níveis de energia voltaram ao normal.»

Nos últimos três anos, o número de vegetarianos na Grã-Bertanha aumentou 20%, totalizando 4 milhões. A Sociedade Vegetariana calcula que, no ano 2030, a maior parte de nós rejeitará a carne por completo. Mas muitos dos vegetarianos de hoje caem na ratoeira perigosa de eliminar da sua alimentação a carne e o peixe sem compensarem os nutrientes desse modo perdidos.

Se uma alimentação equilibrada é importante para os vegetarianos adultos é ainda mais vital para as crianças. No entanto, um estudo publicado o ano passado por Jakie Stordy e Jane Morgan, professoras de nutrição na Universidade de Surrey, revelou que 80% das mães consultadas estavam convencidas de que uma alimentação com baixo teor em gorduras e rica em fibras era indicada para os filhos, e 20% achavam que uma alimentação rica em calorias não era importante.

A pouco e pouco, os alimentos tradicionais, como cereais para bebés com leite integral, estão a ser substituidos por uma «dieta de fome para bebés» com iogurtes magros e purés de frutos e vegetais.

Não comer carne pode também ser problemático para os adolescentes, principalmente para as raparigas. Lyndel Costain, porta-voz da Associação Dietética Britânica, diz: «Uma em cada seis mulheres jovens não come carne e uma em cada três tem uma ingestão de ferro que as põe em risco de anemia. Muitas vezes não percebem que têm de substituir a carne por boas fontes de ferro, fontes essas que não estão necesariamente no topo das suas listas de alimentos preferidos.»

Uma ideia errada muito difundida é a de que os alimentos vegetarianos processados, muitas vezes preferidos pelos adolescentes, tais como hamburgers vegetarianos, «cachorros» e alimentos preparados congelados, são mais saudáveis do que os autênticos. Muitas vezes não são. Envolver em massa um pedaço de tofu para transformá-lo em empadão pode eliminar muitos dos benefícios saudáveis que o tofu pode proporcionar. Os substitutos da carne também podem requerer muitos temperos e podem ser muito salgados. Alguns contêm mais do dobro da gordura e cerca de três vezes mais de gordura saturada do que a carne.

Outro perigo é não comer lacticínios que contêm vitamina B12 e cálcio.«Os vegetarianos que não comem lacticínios diariamente correm o risco de ficarem sem as quantidades suficientes daqueles elementos», afirma Costain. Embora a deficiência de vitamina B12 seja rara, Tom Sanders, professor de nutrição no King's College, de Londres, afirma que pode causar graves lesões irreversíveis no sistema nervoso. Também se preocupa com o leite de soja, outra alternativa popular entre os vegetarianos. «Dar leite de soja às crianças é melhor que não dar nenhum, mas deverá ser como último recurso», afirma.

Se bem que muitos estudos sugiram que uma alimentação vegetariana é boa, isso pode ser o resultado de outras diferenças entre as pessoas que comem carne e os vegetarianos; por exemplo, os vegetarianos não bebem nem fumam tanto e geralmente pesam menos. E há provas de que mesmo uma alimentação vegetariana equilibrada não reduz significativamente alguns riscos para a saúde. No ano passado, um estudo do Fundo Imperial de Investigação do Cancro revelou que os óbitos por cancro do estômago, do peito, da próstata e dos pulmões não eram marcadamente inferiores entre os vegetarianos.

Com tanta publicidade a respeito da maneira como tratamos os nossos animais — e com aquilo que os alimentamos — não admira que, segundo a Sociedade Vegetariana, 5000 pessoas por semana estejam a mudar. A questão é, quantas delas irão ter tantos problemas de saúde como as que consomem carne?

 

 

Há algumas provas de que as crianças que foram iniciadas no consumo de álcool em ambiente familiar, protegido e responsável terão menos problemas de bebida durante a vida do que as crianças que começam a beber às escondidas. Não se esqueça de que os efeitos do álcool no organismo dependem directamente do tamanho da pessoa, por isso qualquer quantidade de álcool consumida por uma criança terá nela um impacto muito maior do que num adulto.

Mais importante é o facto de os pais poderem, com o seu próprio exemplo, encorajar os filhos a usarem a bebida de forma responsável: bebendo sempre com moderação e abstendo-se quando conduzem ou trabalham com máquinas, não utilizando o álcool como forma de enfrentar ou esquecer os problemas e criticando sempre as bebedeiras, não as considerando desejáveis ou divertidas.

Mostre às crianças, desde a mais tenra idade, que as festas e as diversões não dependem do álcool, embora o possam incluir. Explique os efeitos da bebida em excesso e os problemas associados ao alcoolismo. As crianças que têm pessoas da família com uma história de abuso do álcool correm mais riscos de se tornarem alcoólicas do que as outras e devem estar precavidas contra essa possibilidade.

Quando as crianças atingem a pré-adolescência, é irrealista pensar que nas saídas com os amigos não serão tentadas a provar o álcool. As que têm bons exemplos familiares e informação correcta e suficiente sobre o álcool e os seus riscos estarão mais aptas a ter um bom controle sobre a bebida e um comportamento adequado em todas as situações.

 

 

Vitamina E.
Poderoso antioxidante, a vitamina E ajuda a evitar que o esperma sofra danos. Óleos de girassol, cártamo e outros óleos vegetais, frutos secos, sementes, margarina, germe de trigo e abacate são boas fontes desta vitamina.

Zinco.
A ideia de que as ostras são afrodisíacas pode não estar muito longe da verdade, uma vez que estes bivalves são a melhor fonte alimentar de zinco, mineral essencial na prodUÇão do esperma. Baixos níveis de zinco parecem estar relacionados com o enfraquecimento do desejo sexual na mulher e com um número reduzido de espermatozóides. Marisco (sobretudo ostras), pão integral-arroz integral, legumes de folha verde-escura, carne vermelha magra e peru são alimentos ricos em zinco.

Selénio.
Este mineral é importante na produção de esperma saudável. Carne magra, fígado, arroz integral e papas de aveia são boas fontes do mesmo.

Manganésio.
O metabolismo dos estrogénios, uma hormona feminina, depende do manganésio, pelo que a carência neste mineral pode reduzir, de forma significativa, a fertilidade feminina. Espinafres, castanhas, chá, farinha de aveia, cereais integrais, germe de trigo, passas, mirtilos, ananás, feijão, ervilhas e frutos secos são alimentos ricos em manganésio.

Ácidos gordos essenciais.
O ácido linoleico é importante na produção de esperma. Óleos vegetais (girassol) e frutos secos são boas fontes destes ácidos.

Fitoestrogénios.
Substâncias químicas de origem vegetal que se assemelham à hormona feminina estrogénio. Existem em abundância no feijão de soja e seus derivados, como bebidas de soja, e no tofu. Por evitarem o crescimento de tumores, os fitoestrogénios podem ajudar a proteger do cancro da próstata e de outras formas de cancro.

Antioxidantes.
Abundantes na fruta e legumes, os antioxidantes podem reduzir o risco de cancro do colo do útero.

Arginina.
Este mineral aumenta a produção de espermatozóides e a respectiva mobilidade. Os alimentos ricos em proteínas, como carne magra, ovos, leguminosas, frutos secos, sementes e lacticínios como o queijo, são boas fontes de arginina.

 

 

O Nutricionista
Olha-se primeiro para a comida porque é mais fácil de manipular. Os efeitos dos alimentos variam de pessoa para pessoa - para algumas, o vinho tinto ou o queijo podem fazer dores de cabeça. Veja se há alguma causa alimentar provável e corte. A carência de cafeína é outro réu comum, por isso, se anda a cortar no café, faça-o gradualmente. E beba muita água.

 

O Aromaterapeuta
Misture duas gotas de óleo de hortelã-pimenta e uma colher de chá de azeite. Massaje com essa mistura a testa e têmporas. Pode também deitar 2 gotas de óleos de lavanda (Lavandula angustifolia) ou de mandarim (Citrus reticulata) ou salsa (Salvia sclarea) num algodão, inalando durante 2 ou 3 minutos.

O Acupunctor
O tratamento baseia-se nos seus sintomas (fadiga, tonturas, irritabilidade) e tipo de dor (de um lado ou ambos, pulsante ou cortante). A acupressão pode ajudar a combater as dores de cabeça. Dores na parte frontal da cabeça: faça pressão na porção de pele entre os seus polegar e indicador. Dores na parte lateral: pressione o peito do pé entre o dedo grande e o segundo dedo.

A Neurologista
A maior parte das pessoas que consultam um médico por causa de dores de cabeça têm, na verdade, enxaquecas. Os analgésicos ajudam, mas se precisa de um medicamento duas ou três vezes por semana, consulte um médico. Informe-se sobre os medicamentos que previnem as dores. Se começou a sentir dores de cabeça muito fortes, isso pode ser sinal de um problema grave.

 

 

Uma das primeiras coisas que se nota quando não dormimos é um aumento acentuado na frequência dos bocejos. Os especialistas dizem que, nesta situação, os bocejos se devem a um decréscimo da quantidade de oxigénio que chega ao cérebro.

As pessoas que não dormem o suficiente têm tendência para não respirar profundamente: se bocejarem muito, aumentam a quantidade de oxigénio que entra no organismo.

Também o tédio provoca bocejos. Os cientistas compararam os bocejos de adolescentes que assistiam a vídeos de música e de outros que olhavam para uma mira de barras de cor. Como seria de esperar, estes últimos bocejavam mais (5,78 bocejos em 30 minutos) que os primeiros (3,41 bocejos em 30 minutos). Mais factos sobre o bocejo:

1 - Em média, um bocejo dura cerca de 6 segundos. Uma forma natural de induzir o sono e forçar o bocejo (é continuar a bocejar). Por volta do sexto bocejo, começará a sentir sonolência.

2 - Os cientistas observaram fetos de 11 semanas a bocejarem no útero. Contudo, antes do nascimento não recebemos o oxigénio através dos pulmões.

3 - Muitos animais bocejam - até peixes, cobras e crocodilos. Alguns animais do sexo masculino, incluindo os homens, bocejam quando o pénis está em erecção.

4 - O bocejo frequente pode ser indício de um problema de saúde. As causas vão desde o enjoo a encefalite e tumor cerebral.

5 - Nas pessoas, os bocejos tornam-se contagiosos entre o 1.º e o 2.º anos de idade. A partir daí, ver alguém bocejar desencadeia o bocejo. Ler sobre bocejos provoca bocejos. Já está a bocejar?

 

 
Assuma o controle. Reconheça que a sua felicidade é responsabilidade sua e concentre-se nos aspectos positivos do seu trabalho. Ben Palmer, psicólogo das organizações, diz que as pessoas felizes arranjam tempo para fazer coisas que as façam sentir bem. Tente fazer todos os dias alguma coisa de que goste muito.

Melhorar o relacionamento que tem com o seu chefe é a chave para a sua felicidade no trabalho, por isso tome a iniciativa. Certifique-se de que compreende o que é esperado de si e pergunte regularmente o que acham do seu desempenho. Talvez possa negociar mais trabalho que gosta de fazer e deixar de lado as tarefas que menos aprecia.

Diga não à negatividade. Seja choramingar sobre a carga de trabalho ou conversas sobre o seu chefe, a negatividade arrasta-o para sensações próximas da depressão. Se os seus colegas querem insistir nesse tipo de atitude, mantenha os seus pensamentos positivos. Uma pesquisa publicada no British Medical Journal afirma que a alegria é contagiosa – sair com um grupo de pessoas felizes levanta o seu humor.

Tenha tempo para os outros. Se passa muito tempo com os colegas de trabalho, então invista nesses relacionamentos.
Faça uma boa acção e pode construir uma rede forte que garanta apoio moral e prático. E nunca subestime o poder do riso: uma brincadeira alivia a tensão, estimula a criatividade e reforça o seu sentimento de ligação com os colegas – bom para si, óptimo para os negócios.

Potencie o factor energia. Mexer-se aumenta o seu bom humor e o metabolismo. A luz solar e o ar fresco vão aumentar o seu lado positivo. Se não pode sair para a rua, esqueça o mail, e se precisa de enviar alguma coisa a um colega, faça-o pessoalmente. A energia é contagiosa – se a tem, em breve vai descobrir que mais colegas sentem o mesmo.

Não adie. Se houver alguma coisa na sua lista de tarefas comprometa-se a enfrentá-la – 15 minutos de cada vez se for um grande trabalho. Vá fazendo o trabalho, e vai ver que o acaba mais cedo do que pensava.


 

Este especialista em perda de peso aconselha: coma mais, perca mais peso.

Alimentos que saciam - Para perder quilos, faça as escolhas acertadas

Está prestes a conhecer cinco pequenos segredos da indústria da perda de peso que a maior parte das pessoas desconhece. Primeiro, todas as dietas usam os mesmos princípios para provocar perda de peso - ingerir menos calorias em lugar de as queimar como combustível.

Segundo, há três formas principais de usar a dieta para perder peso: restringir as quantidades; adoptar uma dieta rica em proteínas e pobre em hidratos de carbono; ou seguir uma dieta rica em hidratos de carbono e pobre em gorduras.

O terceiro segredo, altamente desanimador, é que os dois primeiros programas não costumam funcionar para se obter uma perda de peso saudável e equilibrada. Uma dieta de controle de quantidades pode induzir uma perda de peso, mas em contrapartida exige uma disciplina férrea. A maior parte das dietas ricas em proteínas e pobres em hidratos de carbono inclui alimentos saturados de gordura e colesterol, há muito associados às doenças cardíacas e ao cancro. Estas dietas são também relativamente pobres em alimentos vegetais, fontes essenciais de fibra, vitaminas, minerais e fitoquímicos essenciais à saúde humana.

E isto conduz-nos ao quarto segredo: uma dieta rica em hidratos de carbono e pobre em gordura pode resultar, mas apenas se for cumprida à risca. Aquilo a que chamo a solução de densidade calórica identifica uma importante razão pela qual tanta gente que segue este tipo de dieta não consegue perder peso.

A densidade calórica dos alimentos é muito variável (ver caixa). É baixa nos frutos, nos legumes e nos cereais integrais. Mas é muito elevada na maior parte dos alimentos processados, sobretudo os que foram secos. As calorias concentraram-se durante a secagem e o processamento.

Um plano para não passar fome Muitos programas de emagrecimento pedem-nos que esqueçamos o impulso de comer. O sentimento de autoderrota provocado por esta exigência leva, como muitos de nós sabemos, ao falhanço do programa.

A chave para uma perda de peso constante é encontrar maneira de encher o estômago, satisfazer a fome e mesmo assim perder peso.

É aqui que entra a solução da densidade calórica. O estômago tem capacidade para 1/1,5 kg de alimentos. A sensação de saciedade é criada em grande parte pelo volume da comida, mais do que pelo conteúdo calórico. Acrescentando alimentos a cada refeição, pode aumentar-se o volume enquanto se reduz a densidade calórica. Isto contradiz a crença largamente difundida de que os programas de perda de peso funcionam se eliminarem alimentos e reduzirem as porções.

Para diminuir a densidade calórica global de uma refeição, acrescentem-se-lhe vegetais e frutos. À massa, juntem-se espargos, cenouras, courgettes, cebolas e cogumelos; aos flocos de aveia, morangos, bananas ou maçãs. O mais provável é uma pessoa voltar a ter fome duas ou três horas após uma refeição ou lanche de baixa densidade calórica. Nessa altura, deve comer-se outra.

Se a maior parte dos seus alimentos têm uma densidade calórica extremamente baixa, poderá comer com frequência, compensar-se de vez em quando com um alimento de alta densidade calórica e continuar a perder peso.

Neste como em qualquer outro programa para perder peso não deixe de consultar o seu médico se tenciona perder mais de 7 kg, tem problemas de saúde ou está a tomar medicamentos.

Dez estratégias para emagrecer:

1. Faça dos cereais integrais, dos vegetais, das leguminosas e dos frutos os esteios do seu plano alimentar. Acrescente pequenas quantidades de proteína animal - carnes magras, aves, peixe (até 120 g diários) e duas porções diárias de produtos lácteos.

2. Até ter atingido o peso que se propôs, evite os alimentos secos, como pão, pãezinhos, bolachas de água e sal, aperitivos salgados e farináceos.

3. Evite alimentos que contenham uma quantidade significativa de gordura, a substância com maior densidade calórica dos alimentos.

4. Para perder peso, não coma menos, coma mais, sobretudo frutos e verduras.

5. Não beba as suas calorias; coma-as. Os refrigerantes adoçados, os sumos de fruta e as bebidas alcoólicas enchem-nos de calorias e não tiram o apetite.

6. Coma água em vez de a beber. Alimentos como leguminosas, cereais integrais e massas de trigo integral absorvem a maior parte da água da cozedura e são ricos em fibras. Enchem a barriga e por mais tempo. Beber a quantidade de água suficiente é necessário para manter a saúde, mas como estratégia de regime o simples acto de beber água não apazigua a fome.

7. Estabeleça prioridades durante a refeição. Primeiro os alimentos com menor densidade calórica. Saladas sem temperos gordos, vegetais cozidos ao vapor e caldos de legumes enchem o estômago e deixam menos espaço para os alimentos de maior densidade calórica.

8. Coma frequentemente. Faça três refeições diárias mais duas ou três buchas de baixa densidade calórica entre as refeições para controlar a fome.

9. Evite o açúcar refinado. Satisfaça a necessidade de doce com fruta.

10. A fim de ajudar o metabolismo e eliminar mais calorias, caminhe 3 a 4 km por dia a um ritmo moderado, 30 a 45 minutos de cada vez. Acima de tudo, a solução de densidade calórica não só ajuda a perder peso como contribui para aumentar a energia e promover a saúde.

 


 

Equilibre a sua saúde

 

Eis algumas dicas básicas para combater o stress, a ressaca e esse flagelo de um mundo encolhido que é o jet lag.

 

Stress

 

Em pequena quantidade, pode potenciar o que de melhor há em nós, levando-nos a grandes desempenhos. Mas se os níveis de tensão são demasiado elevados, ou duram muito tempo, podem fazer-nos perder a capacidade de competir em igualdade de condições e mesmo adoecer. Há estudos que indicam que o stress contribui até 75 por cento para problemas como hipertensão, ataque cardíaco, enfarte, depressão, ansiedade, síndroma da fadiga crónica, síndroma da irritação intestinal, obesidade, enxaqueca e deficiência respiratória. O stress constante também altera o sistema imunitário, potenciando o risco de cancro, as infecções e a doença auto-imune, na qual o sistema imunitário do corpo se vira contra as suas próprias células. Perder a calma, fumar e outras dependências são também frequentemente associados ao stress.

 

Prevenção

 

Se nem sempre é possível evitar os acontecimentos que provocam o stress, pode modificar-se a resposta aos estímulos aprendendo técnicas que ajudem a lidar com a próxima situação de stress. A boa gestão deste permite que os níveis da hormona do stress desçam e ajuda-nos a «fluir» com o que a vida nos traz. A altura em que se nasce, a idade, o sexo, a educação, a experiência, a personalidade e a saúde são alguns dos muitos factores que influenciam a nossa resposta ao stress.

 

Tratamento

 

A primeira parte da gestão do stress é reconhecer o tipo de situação que nos faz ficar tensos e a maneira como lhe reagimos. A segunda é reduzir tensões evitáveis na nossa vida, por exemplo abandonando um emprego incompatível ou vivendo de acordo com as nossas posses. A terceira consiste em usar estratégias que ajudem a responder a pressões inevitáveis de uma forma construtiva. Durante períodos de stress, o corpo desgasta nutrientes mais facilmente do que é costume. Isto pode levar a deficiências e a uma consequente diminuição da imunidade, a menos que os nutrientes sejam substituídos através da alimentação ou de suplementos. Coma regularmente e esforce-se por fazer refeições descontraídas. Ingira alimentos ricos em vitaminas A, B, C e E, flavonóides, cálcio, magnésio, selénio e ácidos gordos essenciais. Reduza a cafeína e a ingestão de álcool. Os efeitos calmantes da meditação podem ajudar-nos a sentir mais desprendidos sobre as causas do stress. As infusões de ervas calmantes são boas nas alturas especialmente tensas. Beba uma chávena de camomila, valeriana, tília ou trevo uma ou duas vezes ao dia. A infusão de aveia acalma a ansiedade e a erva-de-são-joão e a kava-kava são boas contra a depressão e a tensão induzidas pelo stress. A acupunctura e muitas formas de terapia que impliquem exercício ou manipulação física, como o tai chi, a massagem e o ioga, podem atenuar os sintomas relacionados com o stress.

 

Ressaca

 

Os sintomas incluem dor de cabeça, náuseas, tonturas e vómitos. O álcool dilata os vasos sanguíneos, faz a cabeça latejar e tem um efeito desidratante porque incita os rins a retirarem mais água do organismo. Diversos factores influenciam a velocidade à qual o álcool é absorvido do sistema digestivo para a corrente sanguínea. Ter o estômago cheio pode retardar a absorção e há estudos que provam que, quanto maior é o peso, mais o álcool demora a ser absorvido. As mulheres metabolizam o álcool mais lentamente que os homens, possivelmente porque quase sempre têm mais gordura corporal, o fígado mais pequeno e produzem menor quantidade da enzima que elimina o álcool. Como resultado disto, tendem a ter níveis mais elevados de álcool no sangue do que os homens que beberam a mesma quantidade. Ressacas frequentes ou persistentes indicam que é preciso reduzir a ingestão de álcool. A absorção regular de grandes quantidades de álcool pode causar danos permanentes à saúde, por exemplo danificando o fígado ou aumentando o risco de certos cancros.

 

Prevenção

 

Para além da simples redução do consumo de álcool, existem diversas estratégias para ajudar a evitar a ressaca. Coma sempre alguma coisa antes ou enquanto está a beber, de modo a diminuir a absorção do álcool. Faça as bebidas durarem mais bebendo lentamente. Não misture bebidas e evite aquelas a que costuma reagir mal. Algumas pessoas ficam mais facilmente com ressaca depois de beberem vinho tinto barato (devido ao elevado teor de aditivos) ou vinho fortificado como o xerez (por causa dos sabores e corantes naturais chamados congéneres). Alterne bebidas alcoólicas e não-alcoólicas. Evite a desidratação bebendo muita água antes e depois de beber álcool.

 

Tratamento

 

Beba um grande copo de água para substituir os líquidos. Compense os nutrientes perdidos, como magnésio ou potássio, com um batido de leite e banana. Não tome outra bebida (o «pêlo do cão»). Só vai piorar ou prolongar os sintomas. Não beba café. Não vai fazer nenhum bem e pode causar nervosismo. É também desidratante. Beba uma chávena de chá de ervas de hora a hora até se sentir melhor. O chá de rosmaninho alivia a dor de cabeça e possivelmente contribuirá para a desintoxicação alcoólica do fígado e do sangue. O chá de casca de salgueiro contém substâncias naturais semelhantes à aspirina que aliviam a dor de cabeça resultante da ressaca. O chá de camomila acalma a irritação do estômago e dos intestinos. A água, a infusão ou o chá de betulina limpam o fígado, aliviando a ressaca.

 

Jet lag

 

Voar pelos 24 fusos horários da Terra pode encurtar ou alongar o dia de um viajante, perturbando o ciclo normal de 24 horas e os ritmos hormonais. A fadiga e estado de confusão daí resultantes são o chamado jet lag. A redução do teor de líquidos e longos períodos de imobilidade durante um voo de longo curso podem também ter outros efeitos perniciosos sobre o bem-estar. Ao longo das 24 horas do dia, as funções do nosso corpo, desde a vigília até ao interesse sexual, oscilam de acordo com os ritmos do nosso ambiente e são afectadas por factores tais como o tempo, a temperatura e os níveis de luz. A actividade hormonal responsável por estes «biorritmos» é orquestrada pelo hipotálamo (o centro de controle nervoso na base do cérebro) e as glândulas pineal e pituitária do cérebro. A glândula pineal, por exemplo, responde às mudanças de luz produzindo a hormona melatonina. A produção desta aumenta ao escurecer, continua durante as horas de escuridão e cessa com o romper do dia. A quantidade de melatonina no nosso corpo influencia a facilidade de adormecer. Todos estes biorritmos são alterados por um voo de longo curso, produzindo jet lag, cujos sintomas são semelhantes aos da ressaca e incluem fadiga, sonolência durante o dia e dificuldade de ajustamento ao novo horário nocturno. A memória e a concentração podem também ser deterioradas. Um voo para oriente tende a produzir um jet lag mais acentuado do que uma viagem para oeste. Mas voar provoca outros danos para além do jet lag. Respirar ar seco e reciclado nos voos longos pode provocar desidratação, pele seca e dores de cabeça. Permanecer sentado durante longos períodos causa frequentemente inchaço dos pés e dos tornozelos e aumenta o risco de formação de um coágulo de sangue potencialmente grave numa veia profunda da perna. Algumas pessoas sofrem também de stress resultante do medo de voar.

 

Prevenção

 

Durma bem durante algumas noites antes de viajar. Antes de viajar para leste, comece a adaptar-se ao seu novo horário nocturno indo para a cama uma ou duas horas mais cedo durante algumas noites. Se viajar para oeste, comece a habituar-se ao seu novo horário nocturno indo para a cama uma ou duas horas mais tarde durante algumas noites. Acerte o seu relógio pela hora do local de destino mal entre a bordo. Depois, durante o voo, comece a ajustar o seu ciclo dormir- despertar a essa hora para reduzir o ajustamento que o corpo tem de fazer depois da chegada. Previna a desidratação bebendo muita água ou bebidas suaves. Evite o álcool e a cafeína, que podem potenciar a perda de líquido, e bebidas gasosas, que podem causar inchaço. O que comemos pode também afectar a maneira como nos sentimos depois de voar. A comida das companhias aéreas é por vezes salgada e gordurosa. Reserve antecipadamente refeições dietéticas e com pouca gordura. No intervalo das refeições, opte pela fruta. Caminhe durante 5 ou 10 minutos de duas em duas horas, pelo menos, para evitar o inchaço dos pés e dos tornozelos. Diminuirá também o risco de aparecimento de coágulo do sangue. Massajar os tornozelos e a barriga das pernas com pancadinhas de baixo para cima também será útil. Não cruze as pernas enquanto estiver sentado para não aumentar o inchaço dos tornozelos. Contrarie a tensão com uma massagem do pescoço e dos ombros ou deite umas gotas de um óleo de descontracção num lenço (lavanda ou gerânio, por exemplo) e inale o odor.

 

Tratamento

 

Se chegar durante o dia, saia imediatamente e fique fora pelo menos durante uma hora. A exposição à luz solar ajuda o relógio do corpo a ajustar-se. Obrigue-se a manter-se acordado (ou durma apenas uma pequena sesta). Vá para a cama à hora local. Para se manter acordado, faça alguns exercícios, se possível ao ar livre. Se chegar à noite, deite-se à hora normal, mesmo que não tenha sono. Para facilitar o sono, use umas gotas de óleo de lavanda ou de gerânio no banho.

 

 

Estes exercícios de alongamento e tonificação podem ser executados por deficientes com mobilidade da cintura para cima. Para um programa mais completo feito à medida das suas necessidades, consulte o seu médico ou fisioterapeuta. Peça a opinião ao seu médico antes de dar início a qualquer programa de exercício físico. A cadeira de rodas deve estar travada enquanto faz os exercícios. Estes devem ser feitos com moderação.

 

Extensões cotovelo-braço

Para mobilidade do pescoço, do ombro e do cotovelo. Coloque a mão direita sobre o assento da cadeira e a mão esquerda sobre o ombro direito, cruzando o braço sobre o peito; vire a cabeça para a direita. Estenda o braço esquerdo na continuação do ombro esquerdo e vire a cabeça para a esquerda. Volte à posição inicial. Faça 8 vezes com cada braço.

Alongamentos cotovelo-ombro

Para alongar e fortalecer os músculos do peito e ombros. Dê as mãos atrás da cabeça, com os cotovelos unidos diante do queixo. Mantendo os cotovelos ao nível do queixo, puxe-os para trás o mais que puder. Faça 12 vezes.

Alongamentos do tronco

Para alongar a região inferior das costas e aumentar a mobilidade dos ombros. Mantenha os pés nos patins. Segure o braço direito da cadeira ou as costas do assento com a mão direita. Sente-se com as costas direitas e depois dobre- se para a frente, estendendo a mão esquerda para baixo. Conte até 6 e endireite- se. Repita 4 vezes com cada braço.

Elevações na cadeira de rodas

Para musculação do tricípite, região abdominal, costas e punhos. Coloque as mãos sobre os aros das rodas ou os braços da cadeira. Endireite os cotovelos para levantar o corpo da cadeira. Baixe o corpo contando até 3. Repita 4 vezes. Para fortalecer os abdominais laterais, levante ligeiramente o corpo da cadeira; balance as ancas para a direita e depois para a esquerda antes de se sentar de novo.

 

 

Tenho uma amiga que parece estar sempre em dieta. Numa semana ela anuncia, orgulhosa, que perdeu cinco quilos. Algumas semanas depois comenta, infeliz, que os recuperou.

Mas não se pode culpá-la, nem aos milhões de outras pessoas que lutam contra quilos a mais. A culpa é de algumas dietas «boas demais para serem verdade». «As pessoas que fazem dietas drásticas, que proporcionam grande perda de peso em pouco tempo, quase sempre recuperam todos os quilos perdidos», diz Stephen Farrell, director associado do Instituto Cooper de Pesquisa Aeróbica. «E algumas adquirem mais do que perderam».

 

A última moda é o ressurgimento de uma dieta que já existe há décadas: a de alto teor de proteínas, em que se reduz de maneira drástica a ingestão de hidratos de carbono, mas aumenta-se a de proteínas e gorduras. Infelizmente, os quilos que parecem desaparecer de forma tão milagrosa são em grande parte água perdida pela desidratação, segundo pesquisadores como Miriam Nelson, da Universidade de Tufts, co-autora do best-seller «Strong Women Stay Slim» (Mulheres Fortes Sempre Jovens). Além disso, adverte, as versões exageradas desses regimes não são saudáveis. «As dietas de proteínas podem causar tonturas e fadiga extrema.»

O Dr. Charles Baum, professor associado de nutrição e medicina da Universidade de Illinois, Chicago, cita mais dois problemas: perda de minerais essenciais dos ossos e taxas elevadas de lípidos causadas pelo acréscimo de gorduras. O aumento dos lípidos pode provocar problemas cardíacos.

Mas será que existe uma maneira de perder os quilos depressa, sem prejudicar a saúde e os resultados a longo prazo? Existe. E as pesquisas mostram que isso é mais fácil do que se pensa. Basta seguir algumas estratégias simples.

Estratégia Segura Nº 1:

Coma mais Fibras

Para cada meio quilo de gordura que quiser perder, você tem de criar um «défice calórico» de cerca de 3500 calorias, segundo o Dr. Baum. Mas a natureza programou o organismo humano para se proteger da gula em épocas de escassez. Se limitar a ingestão de alimentos de forma muito drástica, o serviço de segurança da natureza entra em acção e reduz o ritmo do seu metabolismo.

É por isso que o Dr. Baum, o Dr. Farell e outros pesquisadores recomendam não reduzir o consumo calórico em mais de 250 a 500 calorias diárias. Além disso, não deve sentir-se frustrada com essa redução. Segundo a pesquisa do Dr. Roland Weinsier, director do departamento de Ciências da Nutrição da Universidade do Alabama, Birmingham, recomenda que se deve comer de acordo com a sua vontade desde que seja o alimento certo.

De acordo com a mesma pesquisa, se as pessoas puderem comer à vontade verduras, frutas secas, grãos e amidos não refinados estarão ingerindo quase a metade do número de calorias que consumiriam se escolhessem açúcares, carnes, queijos e fritos. Isso deve-se em parte ao facto de que os alimentos com alto teor de fibras tendem a proporcionar uma sensação de saciedade e contêm menos calorias.

Comer alimentos com alto teor de fibras é importante a longo prazo tanto para o emagrecimento quanto para a saúde. As directrizes actuais do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos sugerem que os hidratos de carbono (legumes, grãos, fruta) devem constituir cerca de 55% a 60% do consumo total de calorias; as proteínas, de 12% a 15%; e não mais do que 30% de calorias diárias devem provir de gorduras.

Para perder peso e não tornar a ganhá-lo, é seguro cortar ainda mais o consumo de gorduras, limitando-as a 20% das suas calorias, diz o Dr. David Heber, director do Centro de Nutrição Humana da Universidade da Califórnia. No seu livro The resolution diet (A dieta das resoluções), o Dr. Heber sugere que as carnes magras não ocupem mais de um terço do prato. Isso deixa-lhe mais espaço para legumes, grãos e amidos. Lembrem-se também de que «o cérebro leva algum tempo para registar que o estômago está cheio e você já não está com fome», diz Miriam Nelson. «Se comer depressa, vai comer demais, antes que isso seja registado.» Miriam ensina dois truques para quem está acostumado a devorar rapidamente as refeições: pouse os talheres depois de cada garfada e tenha companhia durante as refeições, conversando entre as garfadas, em vez de engolir tudo sem parar.

Estratégia Segura Nº 2:

Movimente-se

 

Exercícios e outras actividades físicas podem queimar mais 250 calorias por dia, além das 250 que você cortar da dieta, diz o Dr. Farrell, do Instituto Cooper. «Este é o objectivo realista», explica ele, «que deve resultar na perda de meio quilo de gordura por semana».

Em vários estudos — inclusive uma análise recente de 25 anos de pesquisas, realizada por cientistas do Centro Médico da Universidade George Washington — os especialistas verificaram que um regime de emagrecimento baseado exclusivamente na redução de calorias é menos eficaz, a longo prazo, do que programas que incluem actividades físicas.

Para quem prefere um programa aeróbico, uma caminhada acelerada de 30 minutos por dia é a actividade mais recomendada. Mas esqueçam aquela história de que «sem sofrimento, nada se consegue». A dança aeróbica pode emagrecer tão depressa quanto a corrida ou o ciclismo, segundo um estudo realizado com mulheres de meia-idade ligeiramente obesas. Outra pesquisa, publicada no Jounal of the American Medical Association, mostrou que mulheres obesas que adoptaram dietas de baixo teor de gorduras e aumentaram a actividade física diária — trabalhando mais no jardim, preferindo as escadas ao elevador e caminhando mais — conseguiram manter o novo peso melhor do que as que seguiram regimes aeróbicos mais rígidos. Talvez porque seja mais fácil adoptar mudanças no modo de vida do que programas de exercícios que exijam tempo.

Um terceiro estudo, relatado pelos pesquisadores Dr. James Levine, Dr. Michael Jensen e Norman Eberhardt, da Clínica Mayo, na revista Science, mostra que até pequenas actividades diárias podem queimar um número significativo de calorias. Durante dois meses os pesquisadores deram a 16 voluntários mais mil calorias diárias do que o necessário para manter o peso. Após medirem todos os meios pelos quais os voluntários gastaram energia durante o dia, viram que as pessoas que tinham aumentado os movimentos, ainda que sentadas à mesa de trabalho — mudando de posição, levantando-se ou de vez em quando dando breves caminhadas —, foram as que menos engordaram. Elas espontânea e inconscientemente tinham compensado o consumo maior de alimentos. No caso de uma dessas pessoas, o aumento dos movimentos físicos chegou a queimar 692 calorias por dia. Assim, enquanto os seus vizinhos mais sedentários ganharam até 7,3 quilos durante os dois meses em que comeram demais, «o factor irrequieto» limitou a apenas um quilo o aumento de peso dos que se movimentaram mais.

Como colocar em prática imediatamente essas descobertas? «Existem muitas maneiras de queimar essas 20 ou 50 calorias», diz Miriam. «Caminhe, ande, levante-se, bata os pés no chão. Em vez de sentar-se e tomar um cafézinho com os amigos nos intervalos do trabalho, dê uma caminhada de cinco minutos.» Somadas, essas pequenas mudanças são muito significativas.

Estratégia Segura Nº 3:

Levante pesos

 

Laurie Gengarelly, 43 anos, tinha tentado vários tipos de regimes — diminuição do número de refeições, dietas só de frutas, comprimidos e bebidas dietéticas —, mas nada a levava a conseguir abotoar os jeans tamanho 46. Por fim, resolveu tentar o plano abrangente de Miriam Nelson, que inclui exercícios com pesos. Embora nunca tivesse sido adepta da ginástica, descobriu que podia facilmente fazer a série de exercícios em cerca de 20 minutos, depois de uma caminhada diária. Os resultados não tardaram. «Todos começaram a notar uma diferença na minha aparência depois da segunda semana», comemora Laurie. «Isso ficou ainda mais claro quando fui vestir os jeans, entraram e ficaram folgados! Foi um momento de muita alegria.»

A experiência positiva de Laurie não é isolada. Num estudo da Universidade de Tufts, Miriam Nelson pôs de dieta dois grupos de mulheres. Um deles exercitou-se com pesos, o outro não. Em ambos os grupos, elas perderam em média seis quilos. Mas o mais importante é o tipo de peso perdido. O grupo dos exercícios perdeu gordura e ganhou em média mais de 700 gramas de músculo; o grupo que apenas fez a dieta perdeu quase 1,5 quilo de musculatura junto da gordura.

Porque é que isso é importante? «A quantidade de músculos que temos no corpo determina o nosso metabolismo», explica Miriam Nelson. «Se conservamos essa musculatura ao emagrecer, manteremos o ritmo metabólico num nível mais elevado. E isso ajuda no controle do peso.»

O que a massa muscular significa para o controle do peso? «Cada meio quilo de músculo queima cerca de 15 calorias por dia», escreve Heber em The resolution diet. A longo prazo, isso realmente faz diferença.

Como pode ver, as pesquisas mostram que a pessoa não precisa morrer de fome, nem eliminar da dieta importantes grupos alimentares, nem tornar-se num atleta para perder peso. Em vez disso, concentre-se em mudanças pequenas e inteligentes, e irá perceber, mais depressa do que imagina, uma grande diferença.

 

 

O tipo de aborto mais comum é o método de aspiração. É levado a cabo até à 12.ª semana, com anestesia geral ou local. O colo do útero é dilatado e é introduzido no útero um tubo ligado a uma bomba de sucção para aspirar o feto e a placenta. A dilatação e curetagem é uma técnica que pode ser usada numa fase mais adiantada da gravidez. O conteúdo do útero é raspado, sob anestesia geral, com um instrumento chamado cureta.

 

 

Para abortos tardios (além da 14.ª semana da gravidez), são usados métodos de indução. Um aborto induzido ou provocado assemelha-se ao trabalho de parto. Há hormonas que são introduzidas no útero — as prostaglandinas — para provocar contracções e expulsar o feto. As prostaglandinas são colocadas no útero por meio de uma injecção no ventre da mulher, por infusão no útero ou colocação de um supositório de prostaglandina no fundo da vagina. Expulsar o feto demora entre 12 e 24 horas.

 

 

Também existem as chamadas drogas abortivas, que são tomadas quando há confirmação de gravidez. Uma delas, fabricada em França, medicamente designada por Mifepristone, ou RU-486, só pode ser usada em mulheres com menos de 9 semanas de gravidez. O Mifepristone continua a ser controverso e encontra-se à venda nos EUA, não existindo em Portugal. A pílula abortiva não deve ser confundida com a pílula do dia seguinte, que é composta pelas hormonas existentes nas vulgares pílulas contraceptivas, só que em dose mais elevada e concentrada e que é tomada quando existe apenas risco de uma gravidez indesejada devido a relações sexuais sem protecção contraceptiva no momento de uma suposta ou possível ovulação.

 

 

Dado que não existia definição rigorosa da expressão «cultura biológica», esta era utilizada com bastante liberdade. Assim, os técnicos de saúde e de alimentação aconselhavam os consumidores a não gastarem dinheiro com produtos de cultura biológica, habitualmente muito mais caros do que os alimentos equivalentes produzidos pelos métodos habituais.

O que são alimentos de cultura biológica?

De um modo geral, diz-se que um alimento é de cultura biológica quando é produzido sem substâncias químicas artificiais. Isso significa frutos, legumes e cereais produzidos sem fertilizantes, pesticidas ou herbicidas de síntese, bem como aves e gado criados sem hormonas de crescimento nem antibióticos.

Os agricultores que a praticam fertilizam o solo com excrementos orgânicos e pedaços de rocha que contenham minerais. Controlam as pragas plantando cedo, utilizando variedades de plantas resistentes às pragas e procedendo à rotação das suas sementeiras.

Na Europa, o Regulamento de 24 de Junho de 1991 define a forma de produção biológica dos produtos agrícolas e estipula o período de reconversão das terras.

Os alimentos de cultura biológica são mais saudáveis?

Trata-se de um assunto controverso. Por exemplo, a Food and Drug Administration dos EUA considera que não há provas de que os alimentos de cultura biológica sejam mais seguros ou mais nutritivos do que os produzidos pelos métodos habituais. Os adeptos dos alimentos de cultura biológica afirmam que os produtos criados sem substâncias químicas sintéticas são mais seguros para o ambiente, para os trabalhadores rurais e para os consumidores, mesmo que não sejam mais nutritivos. Eles crêem que os limites impostos para a utilização de pesticidas e de outros produtos químicos na produção de alimentos são insuficientes.

Por outro lado, os alimentos de cultura biológica são mais perecíveis do que os alimentos tratados quimicamente, e a menos que sejam rapidamente colhidos e postos no mercado, esses alimentos têm também maiores probabilidades de ser contaminados por bactérias, fungos e toxinas.

«Cosmética» para consumidores.

Os adeptos de alimentos de cultura biológica salientam que muitas das substâncias químicas pulverizadas sobre os produtos agrícolas são utilizadas simplesmente para melhorar a aparência dos alimentos, e não para conservar nem proteger os seus nutrientes.

As razões para a importância dada ao aspecto dos alimentos são simples: os consumidores sentem relutância em comprar produtos agrícolas com manchas, e os produtores sabem que podem cobrar mais por artigos perfeitamente formados e de aspecto são.

Compra de produtos de cultura biológica

Procure produtos agrícolas de cultura biológica em lojas de produtos naturais e bons supermercados. Nas épocas próprias, os mercados servidos por lavradores são muitas vezes uma boa fonte desses produtos. Mesmo que não sejam cultivados segundo as normas da cultura biológica, os frutos e os legumes provenientes dos mercados rurais têm grandes probabilidades de ser frescos e isentos de cera e fungicidas.

Perspectivas para a cultura biológica.

Os alimentos de cultura biológica representam uma pequeníssima percentagem de todos os alimentos vendidos. Entretanto, alguns lavradores começam a tomar consciência dos problemas ambientais e têm vindo a reduzir voluntariamente a aplicação de pesticidas e a utilizar outras técnicas de cultura biológica.

 

 

A Sara, que tem 17 anos, diz que bebe com moderação, mas muitos dos seus amigos não o fazem. Numa festa, um colega de aulas teve de ser levado para as urgências depois de ter bebido 20 shots de licor. Outra vez, uma amiga ficou maldisposta e a Sara deitou-a na cama e pôs-lhe um balde ao pé no chão. «Cada fim-de-semana, as pessoas só pensam é em beber», diz Sara.

 

Poucos adolescentes se preocupam com o que o álcool lhes faz ao corpo. É pouco provável que uma cirrose no fígado os atinja nas próximas décadas, e os problemas de coração parecem-lhes tão remotos como a reforma. Mas pesquisas recentes mostram que, quanto mais novo for o cérebro, maior pode ser o risco. Porque os seus cérebros ainda estão em desenvolvimento, os adolescentes que bebem excessivamente podem estar a destruir a capacidade mental e, assim, a afectar a capacidade para aprender.

Em Portugal, um inquérito recente sobre consumo de álcool, efectuado pela Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa junto de 6903 jovens do 6.º, 8.º e 10.º anos de 191 escolas do País, revelou que 71% já tinham experimentado álcool e 12% admitem ser consumidores regulares, ou seja, bebem uma vez por semana ou mais. De destacar que, dentro deste grupo de consumidores regulares, 40% tinham 15 anos, e 13,5%, apenas 13 anos.

Os adolescentes que bebem parecem ser mais susceptíveis de danificar duas das partes em desenvolvimento do cérebro: o hipocampo, que é a estrutura responsável pela aprendizagem e memória, e o córtex pré-frontal, que toma as decisões e é a voz da razão. Num estudo sobre a forma como o álcool afecta o hipocampo, o neuropsicólogo Scott Swartzwelder, da Universidade de Duke, administrou doses de álcool a cobaias adolescentes e adultas, fazendo-as depois percorrer labirintos. Resultado: as adolescentes falham completamente em comparação com as adultas.

Para ver se obtinha resultados semelhantes com humanos, Swartzwelder dividiu um pequeno grupo de voluntários em dois: dos 21 aos 24 anos e dos 25 aos 29. Depois de beberem o suficiente para que o nível de álcool ficasse ligeiramente abaixo dos 0,08%, a capacidade de aprendizagem do grupo mais novo era significativamente mais fraca do que a do grupo mais velho.

Todos os anos morrem dezenas de estudantes com intoxicações de álcool. Na Universidade do Novo México — um campo universitário onde não se podem beber bebidas alcoólicas —, um caloiro bebeu nada mais, nada menos, do que 20 shots numa festa que no ano passado decorreu fora da universidade. Passou três dias em coma antes de a família ter mandado desligar as máquinas que o mantinham vivo.

Os estudantes que bebem muito dizem por brincadeira que estão a matar algumas células cerebrais. Novas investigações sugerem que, afinal, não é piada.O Dr. Michael De Bellis, do Centro Médico da Universidade de Pittsburgh, utilizou imagens de ressonância magnética para comparar cérebros de jovens entre os 14 e os 21 anos que abusam do álcool com outros que não bebem. Quanto mais tempo o jovem tivesse tido problemas com a bebida, mais pequeno era o seu hipocampo — até cerca de 10%. O que é muito em termos de células cerebrais.

Qual o grau de vulnerabilidade que apresenta um cérebro em desenvolvimento em relação a lesões de longo prazo? Aaron White, investigador na Universidade de Duke, deu a cobaias adolescentes e adultas grandes quantidades de álcool todos os dias durante 20 dias. Vinte dias depois da última bebedeira (já as cobaias adolescentes tinham atingido o estado adulto), White fez-lhes um teste de memória com um labirinto, semelhante a uma pessoa que tenta lembrar-se onde estacionou o carro. Quando estavam sóbrias, todas as cobaias tinham passado o teste. Mas quando alcoolizadas, aquelas que tinham bebido desde adolescentes portaram-se muito pior.

Ao celebrar o seu 21.º aniversário, Carlos, ainda no quarto, bebeu num instante quatro bebidas e depois mais 16 num bar. A meio caminho de casa, sai do carro aos tropeções e vomita. «Não me lembro de nada disso», diz Carlos. Mas lembra-se da ressaca que teve durante dia e meio, enquanto o corpo se recompunha da quantidade de álcool ingerido. As cinco bebidas que constituem uma bebedeira podem ser suficientes para atirar o corpo para o fundo. E essa será, segundo estudos recentes, a ocasião em que ocorre maior lesão cerebral.

Psicólogos da Universidade da Califórnia em San Diego recrutaram jovens de 15 e 16 anos, todos eles bons bebedores, e também outros jovens com a mesma idade, educação e nível socioeconómico que não tinham problemas de álcool. Três semanas depois, todos os adolescentes tomavam a sua última bebida, e todos tiveram de fazer duas horas intensivas de testes. Os que tinham problemas de álcool tiveram dificuldades em lembrar-se de informação que tinham aprendido 20 minutos antes. Palavras como «maçã» e «futebol» escaparam-lhes. Também pontuaram abaixo nos testes visuais concebidos para relacionar leitura de mapas, geometria e ciência.

A diferença no desempenho situou-se na ordem dos 10%. «Não são lesões cerebrais sérias», diz a investigadora Susan Tapert, «mas é a diferença de um ano: uma passagem ou um chumbo.»

Uma noite, quando era ainda uma caloira na escola secundária, Leonor chegou a casa embriagada. A mãe falou com ela sobre as suas escolhas, contando-lhe histórias de parentes que arruinaram a vida por causa da bebida. Um ano depois, Leonor continua a beber, mas mantém um pacto com os seus amigos para beber moderadamente.

Segundo uma investigação levada a cabo por Bridget Grant, do Instituto Nacional do Abuso de Álcool e Alcoolismo, quanto mais cedo as pessoas começam a beber regularmente, mais probabilidades têm de se tornar alcoólicas. Mais de 40% das pessoas que começaram a beber antes dos 15 anos foram mais tarde classificadas como dependentes de álcool, comparadas com os 10% daquelas que começaram aos 21 ou 22 anos.

Por último, os danos colaterais que ocorrem em adolescentes por beberem uma bebida atrás de outra podem ser incalculáveis. «Não somos uma sociedade de idiotas, mas também não somos uma sociedade de Einsteins», diz Swartzwelder. E se cada um de nós, que na adolescência era um papa-festas, comprometeu a sua função na sociedade em 7 ou 10%? Nunca iremos perceber a diferença.

 

*Os nomes dos estudantes foram alterados para protecção da privacidade.

 

Será que o seu filho bebe muito? Adolescentes que mudam frequentemente de humor e passam a maior parte do tempo nos seus quartos. Típico, não é? Claro. Mas grandes mudanças com duração de vários dias são um sinal de que o seu filho adolescente pode estar a abusar do álcool ou de drogas. Tenha atenção se verificar: • Mudanças de humor abruptas. • Isolamento, depressão, fadiga. • Diminuição na frequência às aulas ou no desempenho escolar. • Resistência súbita à disciplina. • Irritabilidade fora do comum. • Perda de interesse em hobbies ou desportos. • Mudança nos hábitos de comer ou de dormir. • Novos amigos; grandes segredos sobre actos ou aquisições. Profissionais como o médico do seu filho, um psicólogo, um conselheiro da escola e organizações como os Alcoólicos Anónimos podem ajudá-lo a determinar qual o tipo de ajuda que o seu filho(a) precisa.

 

 

A morte próxima de alguém que amamos confronta-nos com a angústia da nossa própria morte. Como acompanhar o ser querido que de dia para dia se modifica e se degrada, perde forças, se torna mais dependente, revoltado, alheado...? Por outro lado, a proximidade da morte desencadeia muitas vezes uma profunda crise existencial.

A pessoa tem necessidade de rever a sua história, reencontrar um sentido à sua vida, resolver conflitos pessoais latentes, imaginar uma outra vida para além da que finda. Pode necessitar de apoio espiritual mais estruturado (como um sacerdote ou psicólogo), mas o mais importante é poder estar rodeado das pessoas que ama e o amam e que o acompanharam noutros momentos significativos da sua vida; mas a proximidade nestes momentos que todos sabem ser os últimos, e que pode ser algo de muito enriquecedor, pode também tornar-se num compasso de espera desgastante, rapidamente insustentável para os acompanhantes e para quem está a morrer.

O que fazer?

Antes de mais proteja-se: preste atenção aos seus sentimentos, ao seu coração e às suas necessidades. Se tomou a decisão de acompanhar o doente até ao fim, dedique-se totalmente à sua tarefa.

Todavia, acautele a sua saúde e o seu equilíbrio psicológico, evite o esgotamento (que o tornará menos disponível e empático para com o doente e o fará sentir-se culpado); conserve as suas energias, peça ajuda e não hesite em partilhar a sua angústia e os seus medos se sentir que chegou ao seu limite; reserve algum tempo para actividades de lazer e relaxamento para que possa aliviar a tensão e distrair-se temporariamente do sofrimento do doente. Naõ se sinta mal por isso- está apenas a recuperar forças, ânimo e serenidade para melhor acompanhar o doente nos próximos tempos. Mantenha-se em contacto com a equipa de saúde responsável e peça as informações e conselhos que o ajudem a melhor cuidar do doente. O médico deverá responder ás suas perguntas, informá-lo sobre a evolução da doença e assegurar-lhe que estão a ser prestadas ao doente todas as medidas de conforto possiveis.

È possível que, a partir de certa altura, prefira menos informação objectiva, priviligiando a sua intuição e os sinais dados pelo doente. Esta atitude deve ser respeitada: acompanhar alguém que está a morrer não segue qualquer protocolo; é uma experiência única e personalizada onde as condicionantes relacionais e espirituais assumem tanto significado quanto médicas.

A escolha do local para morrer deve respeitar, sempre que possível, o desejo do doente: Mas os doentes no fim da vida têm o direito de esperar alívio para o seu sofrimento e qualidade de vida em qualquer unidade de saúde onde se encontrem. Quando já não há qualquer esperança de cura, os tratamentos de intenção curativa devem ser interrompidos (com o conhecimento do doente e/ou familiares) e iniciados os cuidados apelativos. A partir desse momento, a prioridade é o alívio da dor física.

Informe-se sobre modalidades e fontes de apoio domiciliário no hospital e através da equipa médica que acompanha o doente, e também no centro de saúde da sua área residencial, junta de freguesia ou Santa Casa da Mesiricórdia.

Em casa, o doente deve ter apoio quer para os cuidados de higiene e alimentação, quer para cuidados palativos prestados por uma equipa de saúde multidisciplinar (médico, enfermeiro, psicólogo) coordenada pelo médico de família e que, pela sua presença e disponibilidade deve ajudar a família a proporcionar ao doente conforto e tranquilidade durante a última fase da vida; morrer em casa com qualidade só é possível em certs fases e tipos da doença e, sobretudo, com uma família bem informada e solidária que disponha de boas condições materiais e psicológicas e consiga uma boa articulação com o médico e a equipa de cuidados paliativos domiciliários (que deverá estar contactável para informação telefónica ou visita de urgência 24 horas por dia).

O médico de família deverá também verificar se os acompanhantes do doente precisam de ajuda material ou psicológica, pois é por vezes com grande cansaço que estes, transformados em assistentes e enfermeiros se revezam dia e noite para assegurar o bem-estar do doente até aos últimos momentos vividos em conjunto. Pode recorrer-se a ajuda permanente (equipa de cuidados paliativos domiciliários, mas também auxiliares domésticas, enfermagem, voluntários); informe-se junto dos hospitais com unidades oncológicas e na sua junta de freguesia (ou assitente social) para as ajudas ao domicílio e obetr moradas e telefones de associações de entreajuda.

As decisões no fim da vida são muitas vezes difíceis e enquandram-se sempre num campo ético. No entanto, os últimos tempos podem talvez ser menos dolorosos, e a morte, uma passagem menos angustiante se houver equipas dedicadas que prestem cuidaos paliativos e saibam escutar o sofrimento do doente. Não há resposta universal a não ser respeitar a dignidade da pessoa até ao fim.

 

 

Esta manhã, ajudei a minha filha de 8 anos a rever as palavras que tínhamos estudado ontem à noite. Mas como ela repetiu um erro três vezes seguidas, dei comigo a dizer: «Annie, pensa! Soletra a palavra! A-S-T-R-O-N-A-U-T-A.»

Ela ficou com os olhos rasos de água e um ar assustado. Embora não pretendesse dar-lhe cabo do pequeno-almoço e da auto-confiança, foi isso mesmo que fiz.
 

Porquê? Perdi a paciência, tão fácil de perder como difícil de recuperar, e no entanto tão importante quando se tem de lidar com crianças. Num estudo efectuado em 1999 pelos psicólogos Harvey Mandel e Harold Minden, da Universidade de York, a paciência encimava a lista das capacidades que os pais consideravam mais importantes. Por outro lado, a impaciência era a primeira das atitudes que não queriam transmitir aos filhos.
 

Mas será esta atitude demasiado tolerante face às birras das crianças pequenas ou ao desafio inato dos pré-adolescentes, ou a paciência tem mais que se lhe diga? Jon Kabat-Zinn, fundador da Clínica de Redução do Stress da Faculdade de Medicina da Universidade do Massachusetts e co-autor de Everyday Blessings: The Inner Work of Mindful Parenting (Bênçãos Diárias: O Trabalho Interior da Parentalidade Consciente), diz que para cultivar a paciência é preciso praticar a atenção, isto é, a arte de nos concentrarmos totalmente no momento que temos entre mãos. É frequente não o fazermos com crianças endiabradas de 6 anos porque já estamos com a cabeça nos papéis que vamos encontrar em cima da secretária do trabalho.

Para Freda Martin, psiquitra e directora-fundadora do Instituto Gail Appel, de Toronto, ser paciente é muitas vezes uma escolha. Decidimos prestar atenção porque sabemos que algo é importante: por exemplo, é importante esperar ao pé da porta um filho em idade pré-escolar que se debate com os cordões dos sapatos até conseguir apertá-los.
 

Dominar esta capacidade ajudará a aumentar a sua autoconfiança. Mas, diz Freda Martin, «não se deve esperar um tempo infinito». Podemos sempre agarrar no miúdo e nos sapatos, continua Martin, e dizer: «São horas de irmos embora», sem perdermos a paciência nem mostrarmo-nos zangados.

O importante é evitar perder o controle da situação e das emoções. «Perde-se a paciência, provavelmente, quando se está contrariado: esse sentimento é desagradável e há o risco de uma pessoa se deixar arrastar por ele», explica Kabat-Zinn.
 

Em vez de nos deixarmos levar, diz Martin, será melhor aprender a gerir os nossos sentimentos. Aprender a ser mais paciente é, em parte, aprender a reunir mais capacidades a que deitar mão nos momentos em que estamos prestes a perder o controle.
 

Baixe as expectativas
 

Gary Walters, professor emérito do Departamento de Psicologia da Universidade de Toronto, diz que as nossas expectativas quanto ao comportamento podem não ser adequadas ao grau de desenvolvimento das nossas crianças. Não é possível que uma criança pequena metida num fato de cerimónia que lhe faz comichão numa festa de casamento, consiga estar sentada e quieta enquanto se prolongam os discursos depois do jantar. Quem espera que ela o faça, diz Walters, «acaba por cair num círculo vicioso de mal-estar. E daí à impaciência é um passo».
 

Opte por apoiá-la: levante-se, vá dar uma volta com ela, ajude-a a vestir uma roupa confortável depois de a sessão de fotos ter acabado.
 

Lembre-se de comunicar
 

A falta de comunicação é outra forma de sabotarmos a paciência. Karen Elliott, de Stouffville, Ontário, tem duas filhas, Meghan, de 15 anos, e Lauren, de 11. Karen diz que uma das coisas que costumava pôr-lhe os nervos em franja era o aparente desinteresse das filhas pela arrumação da casa. Ficava louca, sempre a tropeçar nas mochilas espalhadas na cozinha. «Perdia a paciência porque não acreditava que elas não vissem o problema. Até que decidi pôr cabides na parede da cozinha! Comentário das minhas filhas: “Nunca nos tinhas dito onde as devíamos pôr.”» Um pormenor insignificante mas que fez a diferença.
 

Preveja as coisas

Em casa dos Bartolo, os pais, Patrick e Michelle, descobriram que estão mais calmos desde que adaptaram o seu ritmo ao de Gabriel, de 5 anos, e de William, de 1.

Michelle apercebeu-se de que Gabriel precisava de muito mais tempo para tomar o pequeno-almoço nos dias em que ia para o infantário. «Optei por começar a levantar-me mais cedo para não me enervar», diz Michelle, acrescentando: «Mais vale levar a torrada connosco a ficar iritada.»

Mantenha a calma!

A tendência para reagir a quente pode facilmente deixar um sabor amargo. É preciso aprender a reconhecer os sinais de perda iminente da paciência e acalmar, diz Walters. Quando tal acontece, nada melhor que fazer uma pausa ou uma interrupção. «Recue, respire fundo ou conte até dez, decida o que fazer e então faça-o», acrescenta Walters. Após este intervalo, pode regressar-se à situação com a cabeça fria e uma resposta racional.

Com as crianças mais velhas esta estratégia pode ser particularmente eficaz se somos confrontados com a repetição de um comportamento irritante. Chega-se à cozinha e depara-se, mais uma vez, com os despojos espalhados de um ataque aos armários. E como negociar a limpeza sem entrar em fúria? «Não será má ideia marcar uma conversa», diz Joan Bower, que, para além do trabalho como conselheira parental da Family and Children’s Services of Kings County (Serviços da Família e das Crianças do Condado de Kings), na Nova Escócia, é mãe de cinco crianças e madrasta de mais duas. «Reserve tempo para poder dizer calmamente aos seus filhos aquilo que sente.»

Veja as nuvens carregadas

O temperamento – o seu e o dos seus filhos – pode fazer da paciência um desafio ainda maior. «Sempre soube que nunca seria uma mãe muito paciente», diz Linda Davis. Ela e o marido, Jim, estão a educar três filhas, com idades dos 7 aos 15 anos, em Peterborough, Ontário. «Venho de uma família onde as pessoas se exaltavam, e quando as meninas eram mais novas estava sempre a perder a calma.»

Até que nasceu Laura, agora com 7 anos, e que desde o início mostrou ser uma criança com um carácter emocional, instável, temperamental. «Tinha crises de fúria no período pré-escolar», diz Davis, «e eu deixava-me arrastar por elas.»

Para resistir a esse impulso, Davis aprendeu a distanciar-se e a reconhecer os seus próprios sentimentos. Agora, após anos de prática, afirma: «É preciso muito para eu perder as estribeiras.»

Embora certamente exija mais esforço, os pais podem aprender a controlar-se mesmo quando o temperamento não ajuda, diz Walters. «Têm de se convencer de que a as flutuações de humor são um problema e depois tentar perceber de onde é que elas vêm.» O resultado final é compreender que para alterar o comportamento é preciso tempo e prática e as tais estratégias de momento, como sair de cena por instantes, como Davis aprendeu a fazer.

Não faça de conta

Claro que é impossível ser paciente o tempo todo, e tentar disfarçar um profundo aborrecimento com um verniz de calma não contenta os filhos. É importante prestar atenção à sua impaciência porque ela é uma bandeira vermelha, um indício de que algo que está mal precisa de ser mudado. «Sei muito bem como é estar sempre a perder a paciência sem chegar a conclusão nenhuma», diz Karen Elliott. «Passei muito por isso com o trabalho, a família e os compromissos na igreja. Perdia a paciência com as crianças, mas não a perdia com todas as pessoas que exigiam outras coisas de mim.»

Por que razão será muito mais fácil ser paciente com os colegas de trabalho e com os amigos do que com os nossos filhos? Em parte, diz Martin, porque podemos aguentar a situação. «Temos muito poder na nossa relação com os nossos filhos, poder do qual podemos abusar. Mas se a impaciência se reportar a terceiros, é mais provável que eles nos chamem a atenção para isso.»

 

 

O sexo é legal, não engorda, não obriga a pagamento de quotas e pode ser o melhor sucedâneo da receita médica.

Com efeito, cada vez há mais provas de que o sexo, sobretudo a actividade sexual regular com um parceiro afectuoso, proporciona benefícios emocionais e psicológicos à saúde. O Dr. John Bancroft, psiquiatra e director do Instituto Kinsey de Investigação do Sexo, do Género e da Reprodução, de Bloomington, Indiana, diz que não há dúvidas quanto a isso. «Ter uma relação sexual íntima, compensadora e agradável é bom para toda a gente.»
A terapeuta matrimonial e sexual Kristina Towill, de Kelowna, na Colúmbia Britânica, diz que o acto físico em si traz benefícios, mas que é o envolvimento de uma relação afectuosa que multiplica largamente esses benefícios. «O sexo no contexto de uma relação apoia a saúde mental e o bem-estar emocional, quer dos homens, quer das mulheres. Está provado que os casais sexualmente activos são mais felizes do que os que o não são», diz Towill.

 

VINTE MINUTOS DE EXERCÍCIO FÍSICO

O sexo pode corresponder muito mais a um exercício físico do que se pensava. O Dr. Jay Lee é urologista em Calgary e interessa-se especialmente pela medicina sexual para homens, mulheres e casais. «Podemos afirmar que para os homens a energia dispendida durante o acto sexual equivale a um jogo de golfe em que ele transporta os seus próprios tacos», diz ele.
E as mulheres? Algumas tabelas de perda de calorias indicam que uma mulher canadiana com um peso médio de 65 kg queima durante 20 minutos de sexo moderado cerca de 90 calorias, mais do que numa caminhada de 20 minutos ou num passeio de bicicleta e quase tanto como numa partida de ténis.
Como qualquer exercício, o sexo pode aumentar o ritmo respiratório, fortificar os músculos, facilitar a circulação e melhorar os níveis de colesterol. Também aumenta o ritmo cardíaco, e é cada vez mais forte a correlação entre a frequência sexual e as doenças cardíacas, diz o Dr. Richard Casey, urologista de Oakville, Ontário, e editor do Journal of Sexual and Reproductive Medicine (Revista de Medicina Sexual e Reprodutiva).
Um estudo escocês acompanhou 900 homens entre os 45 e os 59 anos ao longo de 10 anos. Quando comparados com os que tinham dois ou mais orgasmos por semana, os que tinham menos orgasmos apresentavam o dobro do risco de morte por doenças cardiovasculares e outras causas.

 

HOJE ESTOU COM DOR DE CABEÇA, QUERIDO

Faça sexo até uma hora depois de ter começado a sentir uma enxaqueca e talvez a dor lhe passe completamente. De 34 mulheres submetidas a um estudo no Illinois, 11 experimentaram um alívio completo ou parcial das enxaquecas depois de terem sexo com orgasmos.
Outros estudos descobriram que o sexo pode aliviar as cólicas menstruais e a dor artrítica. Supõe-se que desencadeia a libertação de uma endorfina no cérebro que vai actuar como bloqueadora da dor. Já nas enxaquecas, é a serotonina libertada durante o orgasmo que vai constringir os vasos sanguíneos do cérebro que estavam a provocá-la. «O aumento de endorfinas dura por um período calculado entre uma e três horas», diz Lee.

 

A ALEGRIA DO SEXO

Não é preciso nenhum estudo para se saber que a intimidade sexual com um parceiro que se ama faz toda a gente sentir-se muito melhor consigo própria. «Não sou a figura do mês da Playboy, mas é o meu corpo e, raios, a coisa até funciona», diz a orientadora e conselheira sexual Sue Johanson, apresentadora do programa de televisão «Sunday Night Sex Show». A terapeuta e escritora Sue McGarvie, de Otava, acrescenta que com o sexo «uma pessoa se sente mais confiante no seu corpo e tem menos probabilidades de ter problemas com a imagem corporal».
O sexo agradável alivia as tensões do dia-a-dia. Uma mulher de Montreal cujo marido está muitas vezes ausente por motivos profissionais diz: «Fico muito nervosa se ele estiver fora durante uma semana, o que me provoca irritação e ansiedade.» Desde que o marido regressa, a descompressão sexual cria uma imediata sensação de bem-estar.

 

HORMONAS SAUDÁVEIS

O nosso corpo parece gostar de rotinas, como a das horas certas para as refeições e para ir para a cama. Uma série de estudos norte-americanos descobriu que as mulheres que fazem sexo pelo menos uma vez por semana têm mais probabilidades de ter ciclos menstruais regulares, menos problemas de infertilidade e uma menopausa mais fácil do que as mulheres que praticam sexo irregularmente ou nunca.
O sexo regular durante muitos meses ou mesmo um ano antes da concepção pode levar a uma gravidez mais segura. Segundo uma investigação de 2002 de biólogos da reprodução da Universidade de Adelaide, na Austrália, este ritmo ajuda a descontrair as defesas naturais da mãe, reduzindo o risco de aborto ou de nados-mortos. Estudos precedentes efectuados sobre mais de 1000 mulheres de Guadalupe descobriram que as que tinham tido sexo com o pai do bebé durante quatro meses ou menos antes de engravidarem corriam oito vezes mais o risco de pré-eclampsia, um problema da pressão arterial que pode ser fatal, do que as que tinham tido sexo com o pai do bebé pelo menos durante um ano.

 

FONTE DE JUVENTUDE

Um vida sexual gratificante rejuvenesce de muitas formas. «A actividade sexual regular pode combater ou retardar as alterações na mulher relacionadas com a idade», diz ainda a terapeuta sexual Kristina Towill. «Aumenta o fluxo sanguíneo para os órgãos genitais e pode evitar a perda de elasticidade e a secura dos tecidos.»
Também contribui para melhorar o aspecto. Um estudo escocês relatou que as pessoas que têm sexo pelo menos três vezes por semana dentro do contexto duma relação afectiva parecem mais de 10 anos mais novas que a maior parte das que praticam sexo apenas duas vezes por semana. Uma mulher de 55 anos de Toronto, cujo parceiro lhe disse que depois do sexo ela parecia mais jovem, verificou recentemente a teoria dele olhando-se ao espelho. «Não podia acreditar no que os meus olhos viam», diz ela. «Achei-me vinte anos mais nova. Tinha os olhos mais brilhantes, a pele mais macia, toda eu estava mais resplandecente. O sentimento agradável é real.»
Um estudo de 2003 da Universidade de Calgary descobriu que a actividade sexual desencadeia o crescimento de novos neurónios no cérebro. Até ver, a experiência apenas se fez com ratos, mas as implicações para os seres humanos com danos cerebrais provocados por enfartes ou pelas doenças de Parkinson ou de Alzheimer são optimistas.

A MAIS RECENTE RELAÇÃO

«O sexo é o elo de ligação que proporciona a cumplicidade emocional única nas relações maritais», diz Towill. Os membros de um casal que deixe de praticar sexo não tardarão a sentir-se como companheiros de quarto ou irmãos e, por arrastamento, a entrar em quezílias e discussões. Um estudo britânico revelou que todos os casais que se ofereceram como voluntários para se absterem de sexo durante três meses começaram a ter problemas de relacionamento.

 

NÃO HÁ DÚVIDAS DE QUE O SEXO bom é bom para todos. O desafio, diz a Dra. Marjon Blouw, uma médica de família de Winnipeg, com interesse especial pela medicina sexual, é fazer da actividade sexual agradável uma prioridade. «E se eu começasse a prescrevê-la nas receitas?», especula ela.



 

Apesar de as causas precisas da doença do coração ainda não serem bem conhecidas, existem determinados factores que aumentam a probabilidade de a desenvolver. Estes factores têm a denominação de factores de risco.
Existem dois tipos de factores de risco: uns em que não há nada a fazer (idade, género ou grupo étnico) e outros que é possível modificar (hábitos alimentares, tabagismo e nível de exercício que praticamos).
Para conhecermos melhor o modo como a doença do coração nos pode afectar pessoalmente, é necessário avaliarmos o nosso grau de risco. De uma maneira geral, quanto mais factores de risco tivermos, maior a probabilidade de virmos a desenvolver doença do coração. Muitos factores de risco estão associados a outros factores de risco. A diabetes, por exemplo, está associada ao mesmo tempo com tensão arterial alta, níveis elevados de gordura no sangue e obesidade.
 

Há uma coisa importante sobre factores de risco que não devemos esquecer: eles não são imutáveis. Os factores de risco identificam-se através do estudo dos padrões de doença em grandes grupos de indivíduos, uma área do conhecimento científico denominada epidemiologia.
A epidemiologia não é, no entanto, uma ciência exacta, precisamente porque diz respeito a grandes grupos e não dá qualquer informação acerca de cada pessoa. Por isso, possuir um ou mais factores de risco não significa que estejamos destinados a ter doença do coração, do mesmo modo que não os ter não é garantia de que nunca teremos um ataque cardíaco.
Para além disso, conhecendo os nossos factores de risco, podemos tomar medidas para nos protegermos. Antigamente, abordavam-se os factores de risco sobretudo levando as pessoas a evitarem esse risco. No entanto, ultimamente os cientistas fizeram muitas descobertas interessantes, especialmente em relação aos alimentos e ao papel que podem assumir na protecção activa contra o desenvolvimento da doença do coração. A seguir, descreve-se uma série de medidas que podemos tomar para reduzir ou modificar os nossos factores de risco, incluindo os alimentos que podem ajudar a proteger os vasos sanguíneos.
 

IDADE
 

A maior parte dos ataques cardíacos atinge homens com mais de 45 anos e mulheres com mais de 55. Assim, o risco de um ataque cardíaco aumenta com a idade.
Como já vimos, a aterosclerose demora muito tempo a desenvolver-se, e habitualmente, quando avançou o suficiente para provocar sintomas, as pessoas já estão na meia-idade ou mais velhas. Entretanto, é natural que, devido a alterações degenerativas associadas ao envelhecimento, à medida que os anos passam, as artérias se tornem menos elásticas, originando um maior risco de tensão arterial elevada, o que por si também é um factor de risco para desenvolver doença do coração. Apesar de, como é óbvio, não podermos pôr o tempo a andar para trás, se adoptarmos uma dieta mais saudável e outras medidas para viver uma vida mais saudável, podemos atrasar o aparecimento das alterações das artérias relacionadas com a idade.
 

HOMEM OU MULHER
 

Pelo menos até à meia-idade, os homens têm maior probabilidade de desenvolver aterosclerose que as mulheres. Isto resulta do facto de os estrogénios, hormonas sexuais femininas, protegerem activamente da doença do coração através de dois processos: criando um equilíbrio mais favorável entre as gorduras do sangue e contribuindo para a elasticidade e saúde das artérias. No entanto, depois da menopausa - ou após uma histerectomia total em que se removem os ovários e o útero, privando assim o corpo de estrogénios - esta protecção natural desaparece, e o risco de as mulheres desenvolverem doença de coração aumenta, sobretudo nas que fumam, igualando o dos homens.
Os resultados de muitos estudos provaram que, depois da menopausa, a THS - terapêutica hormonal de substituição -, que tem os estrogénios como principal elemento, ajuda a proteger as mulheres da doença do coração.
 

GENES
 

Quando existe na família história de doença do coração ou de factores que predispõem para o seu desenvolvimento, como níveis elevados de colesterol ou tensão arterial alta, o risco de vir a sofrer de doença do coração é maior.
Para estimar o seu risco, desenhe uma árvore genealógica e assinale todos os familiares que têm doença do coração. Quanto maior for o número de familiares em primeiro grau - isto é, mãe, pai, irmão ou irmã - com doença do coração, particularmente se tiver surgido numa idade relativamente jovem (antes dos 55 anos no pai ou irmão e antes dos 65 na mãe ou irmã), maior é o risco.
A publicação, em Junho de 2000, do genoma humano - o «livro da vida», contendo todos os genes que constituem um ser humano - constituiu um marco no conhecimento da base genética das doenças. Actualmente, os cientistas trabalham para tentar identificar os genes envolvidos em várias doenças, entre elas a doença do coração, com o objectivo de encontrar maneiras de os modificar através de farmacoterapia ou, eventualmente, terapêutica génica que corrija os geneticamente defeituosos.
Alguns genes podem afectar a maneira como o colesterol e a gordura se comportam no sangue, predispondo assim para a ocorrência de ataques cardíacos. São estes genes que estão envolvidos numa situação conhecida pelo nome de "hipercolesterolemia familiar".
Há muito que aprender sobre os genes envolvidos nas doenças do coração. É provável contudo que, com o tempo, os cientistas venham a identificar muitos outros genes que interferem no seu desenvolvimento. Mas é importante não esquecer que os genes não regulam o nosso destino. A doença do coração é multifactorial, o que significa que para ela aparecer, para além dos genes que não podemos controlar, contribuem muitos factores ambientais, parte dos quais é possível controlar. Mesmo que os genes predisponham para doença do coração, se modificarmos alguns factores ambientais e tomarmos os medicamentos receitados pelo médico, podemos reduzir o risco.
Por outro lado, os habitos pouco saudáveis, como o fumar e fazer pouco ou nenhum exercício, e as preferências alimentares, aprendem-se no seio da família. Se os nossos pais fumarem, é mais provável que adquiramos esse hábito. Se começarmos a gostar de alimentos gordos em criança porque eles fazem parte da ementa familiar, podemos desenvolver preferência por esses alimentos. No entanto, é sempre possível adoptar hábitos alimentares mais saudáveis. São estas coisas que podem alterar-se, reduzindo assim o risco de doença do coração.
 

ANTECEDENTES ÉTNICOS
 

As pessoas oriundas do Sul da Ásia correm maior risco de doença do coração. Isto deve-se, em parte, ao maior risco de desenvolver diabetes, que por si só é um factor de risco para doença do coração. A diabetes, por sua vez, está associada a um fenómeno denominado resistência à insulina, em que o organismo, apesar de produzir insulina, não consegue utilizá-la adequadamente, fazendo com que apareçam níveis elevados de glucose no sangue.
Os indivíduos de origem africana também têm maior risco de contrair doença do coração (mas, sobretudo, acidentes vasculares cerebrais), porém aqui o mecanismo é diferente. As pessoas de origem africana têm maior probabilidade de ter tensão arterial alta, um factor de risco para doença do coração e para acidentes vasculares cerebrais.
Apesar de se desconhecerem as razões deste facto, que provavelmente incluem factores genéticos e ambientais, pensa-se que, pelo menos em parte, possa resultar de um erro de um gene que permite que o organismo controle o sal.
 

DIABETES
 

A diabetes aumenta duas a três vezes o risco de doença de coração nos homens e quatro a cinco vezes nas mulheres pre-menopáusicas. Os ataques cardíacos são duas a três vezes mais frequentes em indivíduos com diabetes e o risco de insuficiência cardíaca é cinco vezes mais elevado. A diabetes implica também um maior risco de claudicação intermitente, causada pelo estreitamento das artérias das pernas. As pessoas com diabetes têm maior probabilidade de sofrer de isquemia silenciosa, detectada através de vigilância com electrocardiograma (ECG).
O risco de desenvolver doença cardiovascular é particularmente elevado em pessoas com diabetes do tipo 2, que surge habitualmente em indivíduos de meia-idade. A obesidade e a inactividade - ambos factores de risco para doença do coração- aumentam o risco de vir a desenvolver diabetes tipo 2. Infelizmente, como nas suas fases mais precoces a diabetes pode não ter sintomatologia, muitas pessoas com esta doença permanecem sem diagnóstico, por vezes durante muitos anos. Durante todo esse tempo, as artérias dessas pessoas vão ficando cada vez mais danificadas.
A diabetes é provocada por uma falha no mecanismo que converte a glucose do sangue em energia. Este processo é regulado por uma hormona, a insulina, produzida pelo pâncreas após a ingestão de uma refeição. Na diabetes, o pâncreas não consegue produzir insulina em quantidade suficiente, ou então a insulina que produz não é bem utilizada, uma situação conhecida por resistência à insulina. Esta é mais frequente em pessoas com excesso de peso e em que esse peso a mais se acumula a meio do corpo - isto é, que tem uma forma de "maçã», em vez de forma de "pêra». Mesmo quando a pessoa não desenvolve um quadro clínico de diabetes, este padrão de distribuição da gordura está associado a um maior risco de doença do coração.
Os médicos não conhecem bem o mecanismo que faz com que a diabetes aumente o risco de doença do coração. Sabe-se, no entanto, que as pessoas com diabetes não-insulinodependentes - isto é, uma diabetes que é controlada por medicamentos e/ou outros tratamentos, mas em que não são necessárias injecções de insulina- têm tendência para ter níveis baixos de colesterol HDL protector e níveis mais elevados de colesterol LDL prejudicial, e ainda para níveis mais elevados de triglicéridos, particularmente depois de refeições ricas em gordura. A tensão arterial alta, um factor de risco para doença de coração, também é mais frequente em pessoas com diabetes, provavelmente devido aos níveis aumentados de insulina.
Como é óbvio, os principais factores de risco para doença do coração das pessoas sem diabetes - tensão arterial alta, níveis elevados de colesterol, tabagismo, obesidade e inactividade física - continuam a aplicar-se quando existe diabetes. No entanto, o risco aumentado de doença do coração na diabetes só é parcialmente explicado por estes outros factores de risco. A diabetes por si parece constituir um risco adicional, e é possível que aumente o risco dos outros factores.
 

TENSÃO ARTERIAL ELEVADA (HIPERTENSÃO)
 

É necessária uma força tremenda para bombear o sangue do coração para todo o corpo. A tensão arterial traduz a força do sangue nas artérias. A pressão do sangue que se desloca nas artérias é determinada pela força com que o coração trabalha e pela saúde dos vasos sanguíneos. É muito normal variar ao longo do dia. Aumenta temporariamente com o exercício ou o esforço, com o tempo frio, quando fumamos um cigarro ou quando estamos excitados ou zangados.É mais baixa à noite, quando estamos relaxados, a dormir ou a ouvir uma música suave.
A tensão arterial alta (hipertensão) - isto é, quando a tensão é persistentemente mais elevada do que devia ser - aumenta o risco de doença do coração, de acidentes vasculares cerebrais e de outros problemas, como, por exemplo, insuficiência cardíaca congestiva, doença vascular periférica e problemas renais.
A tensão arterial mede-se quando o coração está em repouso e quando se está a contrair e registam-se os dois valores. Como é natural, a tensão arterial é mais elevada quando o coração se contrai (a tensão sistólica, o primeiro valor da medição) - e mais baixa entre os batimentos, quando o coração está em repouso (a tensão diastólica, o segundo valor da medição). A tensão arterial é medida em unidades denominadas milímetros de mercúrio (mmHg).
A tensão média normal de uma pessoa jovem e saudável é da ordem dos 120/80 mmHg. Não existe nenhum nível rígido a partir do qual se diga que a tensão arterial está alta. No entanto, é frequente os médicos definirem hipertensão como a presença de tensões arteriais superiores a 140/85 mmHg ou, quando existe diabetes, a 140/80 mmHg.
Quando a tensão arterial é persistentemente elevada, a pressão sobre as artérias é enorme. Como consequência, o revestimento regular do interior das artérias torna-se irregular e as paredes ficam mais grossas, o que, por sua vez, faz com que as artérias estreitem e fiquem menos elásticas.
A tensão arterial alta é um problema muito traiçoeiro, pois, apesar de habitualmente não provocar sintomas, vai causando estragos nos vasos sanguíneos. É por este motivo que é importante medir regularmente a tensão arterial para, no caso de estar elevada, se tomarem medidas para a baixar.
 

NÍVEIS ELEVADOS DE GORDURAS NO SANGUE
 

Como já vimos, a presença de níveis e gorduras ou lípidos (colesterol e triglicéridos) no sangue mais elevados do que o normal constitui um importante factor de risco para doença do coração. Uma alimentação rica em gorduras saturadas, o excesso de peso e a falta de exercício são factores que predispõem para o aumento dos níveis de gordura no sangue.
As gorduras do sangue são medidas em unidades denominadas milimoles por litro (mmol/l). No Reino Unido, por exemplo, o nível médio de colesterol no sangue é de 5.8 mmol/l. Na China, o valor normal é de apenas 3.2 mmol/l. Como acontece com os valores da tensão arterial, os níveis de lípidos também podem variar extraordinariamente de um dia para o outro e em diferentes alturas do dia. Um resultado elevado isolado pode não ter qualquer significado. No entanto, níveis de colesterol persistentemente elevados, sobretudo se os níveis de LDL forem altos e os de HDL baixos, justificam medidas para os reduzir.
 

TABAGISMO
 

O tabagismo aumenta duas a três vezes o risco de um ataque cardíaco. Os fumadores com menos de 50 anos têm uma probabilidade enorme de morrer por doença do coração cinco vezes superior à das pessoas que não fumam. O tabagismo também constitui o principal factor de risco para morte súbita de causa cardíaca (ter um ataque cardíaco inesperado e mortal) e para doença vascular periférica.
Fumar afecta a saúde do coração e dos vasos sanguíneos de vários modos. Em primeiro lugar, a nicotina desencadeia a libertação, pelas glândulas supra-renais, da hormona do stress, a adrenalina (epinefrina). Isto aumenta a frequência cardíaca e a tensão arterial, fazendo com que o coração necessite de mais oxigénio. Em segundo lugar, o monóxido de carbono, um gás presente no fumo do tabaco, substitui o oxigénio do sangue, privando o coração do oxigénio necessário para trabalhar eficientemente. Estima-se que os grandes fumadores não satisfazem mais de 15% das necessidades em oxigénio do coração. Por último, existem outros químicos no tabaco e no fumo que, ao desencadearem a libertação de radicais livres (as moléculas prejudiciais que têm um papel importante no processo de desenvolvimento da aterosclerose), aceleram o estreitamento das artérias.
 

EXCESSO DE PESO
 

O excesso de peso aumenta o risco de doença do coração. Apesar de ninguém saber exactamente por que motivo isto acontece, não há dúvida de que uma das razões reside no facto de, quando se tem excesso de peso, ser maior a probabilidade de desenvolver diabetes que, como já vimos, está associada ao desenvolvimento de doença do coração. O excesso de peso também aumenta a probabilidade de ter níveis elevados de colesterol e tensão arterial alta, porque o peso a mais exige maior esforço do coração. O excesso de peso também não facilita a actividade física, que ajuda a proteger da doença do coração. Mesmo quando é moderado, o excesso de peso aumenta em 80% o risco de doença do coração.
Quando se tem excesso de peso, o factor mais importante que determina se se está ou não em risco de doença do coração é o modo como a gordura se distribui: é que esta acumula-se em dois locais principais.
Nas pessoas em forma de «maçã», o excesso de gordura acumula-se em redor do abdómen, dando origem ao clássico «pneu». É mais provável que este padrão de distribuição de gordura afecte os homens e as mulheres pós-menopáusicas, o chamado «aumento de peso da meia-idade». Nas pessoas em forma de «pêra», sobretudo em mulheres pré-menopáusicas, a gordura acumula-se nas coxas e nas nádegas. Este padrão de distribuição de gordura, a típica «figura em ampulheta», é mais saudável para o coração.
Na prática, isto significa que, se for homem, a medida da cintura não deve ser superior a 90% da medida da anca, ou seja, se tiver 102 cm de anca, a cintura não deve ser superior a 91 cm. Se for mulher, a medida da cintura não deve ser superior a 80% da anca. Assim, se tiver 102 cm de anca, o ideal será que a cintura não ultrapasse os 81 cm.
As pessoas em «forma de maçã» estão em maior risco de doença do coração, tensão arterial alta, níveis aumentados de gorduras no sangue, níveis de glicémia elevados e diabetes. Em todas estas situações, os níveis de insulina no sangue estão elevados devido à resistência à insulina É preciso não esquecer que, quando se verifica resistência à insulina, produz-se insulina, que não é bem utilizada pelo organismo. A tendência para uma determinada forma e a presença de resistência à insulina são, em grande parte, determinadas geneticamente; se um dos seus pais ou ambos forem «maçã», justifica-se que tenha um cuidado particular com a dieta e com o exercício para perder o excesso de gordura e manter o peso controlado.
 

INACTIVIDADE
 

A inactividade - ver demasiada televisão, andar de carro em vez de andar a pé, estar muito tempo sentado - pode prejudicar a saúde do coração. Quando se está inactivo, a circulação reduz-se, fazendo com que as células do organismo recebam menos oxigénio e nutrientes. A falta de actividade também reduz a capacidade do organismo para utilizar o oxigénio do sangue, enfraquece os ossos (conduzindo a risco de osteoporose) e os músculos e promove o aumento das gorduras do sangue.
 

NÍVEIS ELEVADOS DE HOMOCISTEÍNA
 

Já toda a gente ouviu falar do colesterol e sabe que esta substância desempenha um papel importante no desenvolvimento de doença do coração. Não há, contudo, muitas pessoas que tenham ouvido falar da homocisteína, apesar de actualmente se considerar que esta substância é o elo que faltava na história das doenças do coração.
A homocisteína é um aminoácido - um dos componentes das proteínas que o organismo utiliza para produzir os tecidos. Deriva de outro aminoácido, a metionina, que existe em alimentos que contêm proteínas animais, como a carne, o leite e os ovos.
Nos últimos anos, tornou-se evidente que a presença de níveis elevados de homocisteína aumenta o risco de doença do coração. De facto, cerca de uma em cada cinco pessoas com doença do coração tem um nível de homocisteína elevado.
Ainda não se sabe exactamente através de que processo os níveis elevados de homocisteína provocam lesões nas artérias. No entanto, demonstrou-se em laboratório que os níveis elevados de homocisteína provocam lesões no endotélio, o revestimento interior das artérias, o que, como já vimos, constitui uma etapa crucial do desenvolvimento da aterosclerose. Demonstrou-se igualmente que os níveis elevados de homocisteína são um factor-chave na oxidação do colesterol e na sua transformação em LDL prejudicial; também parecem aumentar a coagulação do sangue.
Curiosamente, a homocisteína pode ajudar a explicar o modo de acção de outros factores de risco para a doença do coração. Tanto o tabagismo como a inactividade, por exemplo, dão origem a níveis elevados de homocisteína. Por outro lado, antes da menopausa, os níveis de homocisteína da mulher são cerca de um quinto mais baixos do que os do homem, o que pode ajudar a explicar por que razão, durante os anos de vida reprodutiva, as mulheres correm menor risco. Considera-se que, para serem «saudáveis», os níveis de homocisteína devem ser iguais ou inferiores a 12 mmol/l.

 


 

Dor aguda ou dor crónica?

A dor, considerada como um simples sinal de aviso, foi durante muito tempo menosprezada pelos médicos e pela comunidade científica. Na nossa sociedade, de tradição judaico-cristã, a dor psíquica (por vezes chamada falsa dor) tem ainda, por vezes, uma conotação negativa «<="" p="">

A dor aguda, um sinal de aviso
Essencial à sobrevivência, a dor aguda é de curta duração e permite ao organismo mobilizar-se para responder à agressão e defender-se. Na maioria das vezes útil, a dor aguda é um sintoma associado a muitos problemas. Revelador de um distúrbio subjacente, este tipo de dor constitui um aviso que nos leva a interrogarmo-nos sobre a sua causa, a protegermo-nos dela e a procurar alívio. A maior parte das vezes, a dor aguda desaparece com a cura. A sua utilidade é demonstrada a contrario pela insensibilidade congénita à dor (ICD), uma doença rara e muito grave.

INSENSIBILIDADE CONGÉNITA À DOR (lCD)
As pessoas com insensibilidade congénita à dor (lCD) não sentem dor. Quer toquem num radiador a ferver, quer sofram uma fractura óssea ou um hematoma, não sentem nada. Deste modo, não podendo proteger-se de agressões de que não têm percepção, são vítimas de acidentes permanentes e sofrem repetidamente os mais diversos traumatismos (fracturas, queimaduras, hematomas profundos) e as suas sequelas. Nestas pessoas, as doenças agudas (apendicite, úlcera de estômago) não são diagnosticadas a tempo e conduzem muitas vezes à morte prematura. Isto serve para demonstrar a função de protecção da dor.

 

Quando a dor aguda se torna inútil e perigosa
Quando persiste, a dor aguda provoca uma situação de tensão física e psicológica que agrava o estado patológico inicial. Ela dá origem a reacções físicas e fisiológicas
(o doente entra em stress ou tem que ficar acamado) que geram ainda mais complicações. A dor aguda continuada leva o doente à exaustão, e a sua função útil de aviso e de protecção esgota-se. É o caso das dores do pós-operatório, por exemplo.
E qual é a utilidade da dor nas doenças cancerosas, na artrite, após um ataque de zona quando o doente está curado? E a dor do membro fantasma do amputado ou a do paraplégico a quem doem as pernas que ele já não sente?

A dor crónica, o novo inimigo a abater
Diz-se que uma dor é crónica quando se prolonga por mais de seis meses, não responde aos tratamentos normais e gera comportamentos que não permitem que o doente melhore. É uma dor inútil, física, moral e socialmente destrutiva.
É também um estado patológico onde o sintoma se torna doença e alvo de intervenção.

Como se distingue a dor aguda da dor crónica

 

Características Dor Aguda Dor Crónica
Causa Unica Múltipla
Função biológica Protecção (a maioria das vezes) Inútil
Cura Espontânea com o tratamento da causa Os antálgicos são eficazes Persiste, não cede aos tratamentos
Modificações fisiológicas Aumento da tensão arterial, do pulso, dilatação das pupilas, sudação, desmaio Adaptação do SNA, anquilose, contracturas musculares, atrofia muscular, atitudes antálgicas que se tornam permanentes
Modificações psicológicas e do comportamento Ansiedade, agitação ou inibição, procura de alívio . Depressão: distúrbios do sono, do apetite, da libido; fraqueza, cólera, impotência
. Comportamento dependente, reivindicativo; passividade
. Dependência de medicamentos
. Redução da actividade e da tolerância aos esforços
Modificações das relações
. Com a família
. Com os médicos
. Ansiedade, agitação
. Atitude maternal, conforto
. Confiança, pedido de auxílio, relação transferencial
. Cansaço ou superprotecção
. Rejeição, cansaço, frustração
. Isolamento, agressividade

 

Mil e uma formas de sofrer

A dor física resulta de uma lesão sofrida pelo corpo, e muitas vezes desaparece quando se trata a causa. Podem distinguir-se vários tipos de dor física em função do seu mecanismo.
Dor nociceptiva, ou por excesso de nocicepção (quer dizer, por excesso de percepção dolorosa): resulta de uma lesão dos tecidos (por exemplo, queimadura, ferimento, cãibra, infecção, inflamação, tumor); é a mais frequente.
Dor de desaferenciação, quer dizer, na ausência de estimulação (também designada por dor neurológica ou neuropática): resulta de uma lesão do sistema nervoso sensitivo, de causas traumáticas (compressão, distensão), tóxicas (antivirais, radioterapia, quimioterapia), infecciosas (zona, sida) ou vasculares (arterite).
Dor regional complexa: a sua origem é ao mesmo tempo muscular, nevrálgica e sintomática (por exemplo, algodistrofia).

Distingue-se também a dor em função da sua localização:
- Dor somática (cutânea, muscular) de localização precisa em relação à lesão, lancinante;
- Dor visceral, profunda, difusa, que causa angústia, podendo ser sentida numa região cutânea (a dor do enfarte do miocárdio sente-se no maxilar e no braço esquerdo);
- Dor óssea, localizada e surda;
- Dor nevrálgica, fulgurante, sentida como um choque eléctrico, seguindo um trajecto definido (o do nervo).

Um tratamento para cada dor
Aos três grandes tipos de dores correspondem três esquemas terapêuticos principais.
Dor nociceptiva: analgésicos e anti-inflamatórios.
Dor de desaferenciação (p. ex., membro fantasma): antidepressivos tricíclicos, antiepilépticos (ou anticonvulsivantes), electroestimulação.
Dor regional complexa: vasodilatadores, bloqueios anestésicos.

No entanto, ainda existem obstáculos a um melhor controle da dor:
- Conhecimento insuficiente dos seus mecanismos neurofisiológicos;
- Ausência de substâncias activas contra as dores que não são aliviadas pela morfina;
- Efeitos secundários adversos de certos antálgicos que impedem ou limitam a sua prescrição a pessoas que querem fazer uma vida normal;
- Resistências de ordem psicológica;
- Obstáculos económicos (necessidades de pessoal e de equipamento do doente versus limitações económicas.)

Diz-me como sofres, dir-te-ei o que é

 

Que Dores Como Aparecem Como Desaparecem
Inflamação (tumor, reumatismo com inflamação, abcesso dentário) . De noite, muitas vezes à mesma hora, mais frequentemente na segunda parte da noite
. O doente acorda
. Com exercício e com aplicação de frio (gelo, compressas frias)
Causa mecânica (artrose do joelho, da anca, lombalgia vulgar) . Durante o dia, quando se faz exercício físico . Com repouso
Enxaqueca . Pulsáteis (latejantes), que afectam com frequência só um lado da cabeça (hemicrania) . Com a crise, em 24 a 72 horas
Arterite dos membros inferiores . Com a marcha (cãibras nos gémeos), obrigando a parar, e de noite . Melhoram se deixar a perna pendente para fora da cama
Desaferenciação (dor do membro fantasma) . Sensação de queimadura, de picadas, de formigueiro, associada ou não a dores (agudas), aumentando de intensidade ao longo do dia.
. Afectam o território do nervo lesado (p. ex., ciática em caso de lesão do nervo ciático, membros inferiores em caso de lesão da medula, hemicorpo em caso de lesão cerebral)
. Não melhoram muito com os antálgicos habituais
. Evoluem muitas vezes para situações crónicas
Distúrbio do sistema nervoso simpático . Sensação de queimadura, dores agudas
. Podem tomar o aspecto de uma inflamação (dor pseudo-inflamatória)
. Aliviadas em parte pelo repouso
. Evoluem muitas vezes para situações crónicas e exigem abordagem pluridisciplinar

 

Quando é a alma que sofre

A dor moral decorre de uma representação mental (uma má notícia, a morte de pessoa querida), mas nem por isso está isenta de repercussões físicas. A dor psicogénica, também chamada dor idiopática, é uma dor moral cuja única expressão é corporal. Pode manifestar-se ocasionalmente por uma dor de cabeça ou uma «dor de barriga» (quando se espera um resultado importante, por exemplo), traduzindo uma simples tensão psíquica, ou diariamente (dor crónica idiopática), reflectindo uma grande dor moral ou conflitos psicológicos inconscientes. Existem diversas formas de somatização que resultam de processos psíquicos diferentes: as dores psicossomáticas, as depressões mascaradas, distúrbios histéricos e hipocondria.
A psicanálise elucida-nos em parte sobre os mecanismos psicológicos na origem dessas situações. Certos tipos de dores nos seios (mastodinia), no ânus, certas lombalgias e dores mais difusas são disso exemplo.

 

 

Os psicólogos conhecem um acervo de estratégias cientificamente provadas que podem ajudar os alunos a obterem boas notas se postas em prática na recta final para a época de exames. As más notícias é que não existem sucedâneos de uma boa revisão da matéria; as boas notícias são que os alunos podem ouvir a sua música preferida e divertirem-se enquanto estudam.

Mantenha-se saudável Viciados em stress, cuidado: estão a pôr-se em risco de apanhar uma constipação das más ou outra doença qualquer mesmo a meio dos exames. Noites inteiras de estudo à força de cafeína podem parecer uma óptima maneira de conseguir muito em pouco tempo, mas dão cabo do ciclo do sono, perturbam os padrões de alimentação e arruínam o sistema imunitário.
A capacidade do organismo para lutar contra infecções cai a pique na época dos exames, e precisa de toda a ajuda disponível. Um estudo da Universidade do Ohio de hemogramas de 87 estudantes liceais concluiu que o nível de anticorpos (os guardas de segurança da corrente sanguínea) baixava muito.
Além de dormir e comer com sensatez, pode pode combater o stress convivendo com a família e amigos. Um estudo da Universidade do Alabama publicado na revista Research in Nursing and Health concluiu que os alunos com um alto nível de apoio social durante a época de exames tinham níveis mais elevados de anticorpos no sangue.

Reveja a matéria melhor

Quando começar: Agora. Só existimos no eterno agora. Por isso, agora é uma óptima altura para começar.

Teste-se si próprio: Investigadores da Universidade de Washington em St. Louis defendem que testar-se a si próprio sobre a matéria que se acabou de aprender ajuda a fixá-la cérebro. No jornal Psychological Science, os cientistas relataram que tomaram dois grupos de estudantes. Aos de um grupo pediram que lessem uma vez um texto em prosa e depois fizessem três auto-testes sobre os conhecimentos obtidos. Aos do outro grupo pediram que lessem o mesmo texto três vezes. Num exame feito uma semana mais tarde, de entre os que tinham lido o texto uma vez e feito testes a si próprios, 61% lembravam-se da passagem; dos que tinham lido o texto três vezes, apenas 40% se recordavam.

Use a imaginação: Enquanto revê a matéria, tente recordar o cenário da aula em que o tópico foi ensinado. Isto envolve outras partes do cérebro – a imaginação e sentido visual – que poderão socorrê-lo no exame, quando tentar recordar alguns factos. Também acrescenta um bocadinho de divertimento. Pode até imitar os gestos do seu professor. Pode parecer loucura, mas, de acordo com um estudo publicado no Journal of Cognition and Development, feito a 49 alunos pela Universidade de Chicago, os estudantes que imitam os gestos dos seus professores enquanto estudam matemática aprendem mais depressa as novas matérias do que aqueles que não o fazem. Os movimentos ajudam a memorizar as ideias no cérebro.

Oiça música: Psicólogos da Universidade da Califórnia determinaram que ouvir música pode melhor o rendimento escolar. Num estudo, os alunos que tinham ouvido uma sonata para piano de Mozart tiveram notas mais altas do que as obtidas num teste anterior feito em silêncio. Os investigadores acreditam que a estrutura e ritmos complexos da música clássica também podem ajudar ao coordenarem as partes do cérebro que controlam o pensamento racional e criativo. Mas a música rock pode ter um efeito semelhante, acrescentam os investigadores.

Resuma a matéria: Não se limite a mergulhar sempre no mesmo monte de apontamentos. É desmoralizante. A Dr.ª Dawn Hamilton, autora de Passing Exams (Passar nos Exames), recomenda que «desbaste» o trabalho resumindo as páginas de leitura a umas poucas frases. Hamilton sugere também que ligue ideias-chave mediante uma rima ou a um acrónimo.
Qual é o seu tempo de atenção ideal? Não há duas pessoas iguais, mas, para começar, tente a regra dos 45/15. Estude durante 45 minutos e descanse 15. Duas a três horas é o máximo de tempo durante o qual alguém consegue estudar até deixar de conseguir absorver as coisas. Intervale períodos de trabalho com períodos de relaxamento, e premeie-se com pequenos prazeres pelo seu trabalho árduo.
Fazer intervalos regulares para limpar o seu quarto ou ler os seus e-mails também ajuda a defender-se do inimigo n.º1 do estudo – adiar estudar. O meu velho amigo de escola Jeremy confessa que perdia horas infindas a experimentar quanto tempo conseguia manter a cabeça debaixo do candeeiro de secretária até de o calor se tornar insuportável. Em vez de torrar o escalpe, queime parte desse stress numa sessão de ginásio ou praticando desporto – ou simplesmente dando um revigorante e destressante passeio a pé. E afaste-se dos jogos de computador: dê uma oportunidade de descanso ao seu cérebro.

Nervoso nocturno: A noite antes de um exame pode ser difícil. Não comece a rever novas matérias por completo – só lhe causará pânico. Em vez disso, limite-se aos pontos-chave e a resumos. De facto, é de longe mais importante ir para a cama a uma hora decente e dormir um bocado: o rendimento será melhor. Mantenha os nervos e a insónia longe, recordando a si próprio que sabe a matéria. Diga «Não» a quaisquer pensamentos negativos.
Quando nos sentimos ameaçados, os nossos reflexos ficam à flor da pele e o sangue é dirigido pela coluna acima até ao cérebro primitivo. A cabeça é invadida por instintos de sobrevivência e pensamento racional declina. Mas, no fim de contas, esse stress todo só existe na sua cabeça. Não há ameaças físicas, como animais selvagens à solta na sala de exame.

 

Faça uma auto-análise Os desportistas de competição também enfrentam o mesmo tipo de desafios com o stress de desempenho. Faça o relaxamento positivo que eles fazem e conseguirá controlar melhor o seu stress. Uma das técnicas mais comuns dos atletas de competição é sonhar acordado com a vitória, o caminho do pódio, a medalha; ou, no seu caso, passar pelos exames e depois ler na pauta o resultado fantástico que conseguiu. Mary Lou Retton, ginasta americana que ganhou uma medalha de ouro olímpica, diz: «Imaginem-se a atingir um objectivo. Visualizem a ocasião em pormenor. É mais fácil ter confiança naquilo que já vimos acontecer.»

Podem gravar isto a fundo no vosso cérebro recorrendo a uma técnica de auto-hipnose usada na programação neurolinguística. Construam todos os dias um filme na vossa cabeça de como são examinandos de sucesso. Façam-no mesmo antes de adormecer, pouco antes de se levantarem e sempre que estiverem a descansar. Usem os vossos cinco sentidos. O que vê em seu redor? O que é que consegue ouvir? O que é que consegue saborear ou cheirar? Imagine a escola, a sala de exame, a suprema calma que o invade. Carregue nas cores e aumente o som, amplie a imagem, experimente a sua enorme calma na obtenção de resultados de distinção. Concentre-se nessa sensação. Pressione o polegar contra o indicador sempre que se lembrar.

Depois, chegado o grande dia, quando se dirigir à sala de exame, pressione os dedos como antes fez. Recorde o sucesso que imaginou, e está pronto para começar.
Se for um estudante de notas altas que confia mais na compreensão das coisas do que na mera memorização tem mais razões do que ninguém para se manter calmo na sala de exame. Segundo estudos feitos, a tensão dos exames é mais prejudicial ao desempenho dos bons estudantes do que ao dos estudantes médios.

Investigadores das Universidades do Michigan e de Miami dizem que, sob pressão, os bons alunos podem perder a forte memória de curto prazo ou de trabalho que lhes permite o processamento de números e ideias enquanto se concentram num problema. Os alunos dotados de menos memória podem recorrer a outros métodos, como, por exemplo, à identificação de padrões (ou à adivinhação), e são menos susceptíveis de ceder sob pressão.

Calma na sala de exame

Use técnicas de relaxamento. Antes de começar o teste, feche os olhos e reflicta. Inspire devagar e expire a fim de relaxar o seu corpo e livrar-se de qualquer energia negativa.
Se não resultar, mastigue. Numa pesquisa feita numa escola secundária do Texas, Elaine Wilmore, professora da Universidade Baptista de Dallas, chegou à conclusão de que a pastilha elástica pode ajudar a reduzir a ansiedade dos alunos e a subir as notas dos exames.

E leve um amuleto: muitos alunos têm passes mágicos e superstições de exame muito suas, como usar uma peça de roupa que dá sorte, um amuleto ou sentar-se num lugar especial. Alguns alunos comem «comida de sorte», ou usam a mesma caneta que usaram para tirarem apontamentos nas aulas, porque «a caneta conhece a matéria». Os investigadores dizem que estes truques podem ter resultados por baixarem a ansiedade e manterem os estudantes num nível óptimo de rendimento. Mas faça o que fizer, não perca o amuleto, a caneta ou as cuequinhas da sorte.

 

Lição n.º1 para Pais:
Não entrem em pânico

Celia Dodd

 

Coitadinhas das crianças? Pense nos pobres dos pais. As vésperas de exames são igualmente stressantes para eles. É provavelmente a primeira vez que o filho é julgado publicamente pelo resto do Mundo, e eles também se sentem julgados: as difíceis decisões sobre escolas vão ser postas à prova. Isso – e a compreensão de que os resultados estão bem longe do seu controle – é o bastante para pôr qualquer pessoa em pânico.

Suborno É fácil achar que os outros pais é que providenciam a medida certa de encorajamento e os exercícios de revisão mais divertidos. A realidade é que estão provavelmente também reduzidos ao suborno: dar dinheiro em troca de resultados.

Explicações As explicações caseiras não se recomendam. Muitas crianças apreciam a atenção, mas brigar por causa dos compêndios pode ser contraproducente. Um amigo meu deu explicações de Inglês a um dos filhos, e só conseguiu que ele baixasse as notas.
Terri Apter, psicóloga da Universidade de Cambridge e autora do livro The Myth of Maturity (O Mito da Maturidade), diz: «Se quer dar explicações, concentre-se na tarefa que tem em mãos e seja cooperante: o seu filho adolescente dir-lhe-á se isso ajuda ou só o faz sentir-se mais ansioso e impaciente.»

Um olhar atento O problema dos pais que trabalham é que nunca sabem o trabalho que está de facto a ser feito. Mesmo que trabalhe em casa, é difícil dar-se conta daquilo que se passa atrás de uma porta fechada e, mais importante ainda, se a revisão da matéria é produtiva.
Apter diz que os pais não devem recear fazer perguntas aos filhos sobre o trabalho que fizeram durante o dia: «Se uma criança não trabalha o bastante, é virtualmente impossível não ralhar, mas o ralho pode ser estruturado. Organize um período razoável para revisões e estipule uma determinada hora do dia. E se por alguma razão a duração tem que ser alterada, então o trabalho tem que ser alterado também.» Mas é mais fácil dizer do que fazer.

Como ajudar Se a simples sugestão de revisões da matéria desencadeia irritações, há formas mais discretas de oferecer ajuda – como, por exemplo, levar ocasionalmente umas guloseimas ao estudante, oferecer-se para fazer perguntas ou explicar os assuntos e discutir os problemas.
Segundo Apter, isto também é importante para os universitários. Diz ela: «Por independentes que sejam, em termos práticos como intelectuais, os alunos universitários ainda precisam de apoio emocional, de saber que os seus pais respeitam os seus esforços e os desculparão se as coisas correrem mal.»
Acima de tudo, insiste Apter, é muito importante que os pais mantenham o sentido das proporções relativamente aos exames: «Lembrem-se, se os vossos filhos não passarem, não é tão mau como uma doença fatal ou um ferimento grave. Há mais hipóteses.»

 

 

Para evitar as palpitações deve reduzir:
+ Café, chá, chocolate e bebidas de cola, que contêm cafeína
+ Tabaco
+ Álcool

A maior parte das pessoas já sofreu um episódio ocasional de palpitações – a consciência de que o coração bate mais depressa ou de forma irregular ao fazer algum esforço físico ou quando se está particularmente zangado, ansioso ou assustado. A sensação dos batimentos no peito pode ser bastante alarmante, sendo importante tranquilizar os doentes, explicando-lhes que as palpitações são em geral inofensivas. Contudo, se ocorrem com frequência, deverá consultar-se o médico.

As contracções cardíacas rápidas ou irregulares podem ser provocadas por stress, hipertiroidismo, excesso de cafeína ou de álcool ou reacção alérgica a alimentos - algumas pessoas sentem palpitações se comem molho de soja, por exemplo. A falta de magnésio também pode causar palpitações, pelo que deve aumentar-se a ingestão deste mineral, consumindo mais legumes verdes e cereais integrais.

Como a nicotina estimula o coração, fumar também pode agravar os sintomas. Na maioria dos casos, as palpitações tratam-se reduzindo a ingestão de cafeína e o consumo de álcool e tabaco.

 

 

Má escolha
Um estudo recente demonstrou que alguns dos sumos gourmets existentes no mercado – feitos de romã, amoras, cerejas pretas ou bagas de palmeira sul-americana – têm 20% mais anti-oxidante que as laranjas, maçãs ou arandos.

Onde encontrar
Estes sumos mais exóticos encontram-se em lojas de comida saudável ou nas secções de produtos frescos dos hipermercados. Compre os que tenham rótulo que diga que são 100% sumo, desde que, como diz David Heber, director do Centro de Nutrição Humana da Universidade UCLA, não tenham adição de açúcar ou xaropes.

Como servir
Estes sumos tendem a ser mais caros e com um sabor mais intenso, por isso uma pequena quantidade chega. David Heber diz gostar do sabor do sumo da romã, parecido, segundo ele, com um vinho tinto encorpado. Se o gosto for demasiado intenso, pode transformar-se o sumo numa bebida não-alcoólica, misturando, por exemplo, gasosa.

 

 

1. Tenha um dia Perfeito

Fundamentalmente, há quatro coisas que deve monitorizar todos os dias para ter uma vida saudável: a quantidade de fruta e legumes que come (produtos frescos), se se exercita, seja no ginásio ou fora dele, a caminhar ou a correr (exercício), se tem 15 minutos de riso e diversão para si (relaxamento) e se come a quantidade suficiente de feijão, grão ou outros alimentos ricos em fibra (fibra). Se pode dizer que fez as quatro, o seu dia foi bastante saudável. (Nunca é demais dizer que isto não se aplica se tiver passado o resto do dia a beber, a fumar ou a empanturrar-se de chocolates.)

2. Observe-se a cada dois ou três meses

Com o seu parceiro (ou com um amigo chegado), faça um exame da cabeça aos pés, procurando sinais novos ou que estejam diferentes, manchas suspeitas ou erupções cutâneas. Assegure-se de que observa o escalpe, os espaços entre os dedos das mãos e dos pés e a parte de dentro dos braços. Se encontrar alguma coisa que lhe pareça preocupante, vá ao médico. Quando estiver a observar os sinais, faça o teste AICD para identificar sinais de perigo potencial.

  • Assimetria: as duas metades não coincidem.
  • Irregularidade nas bordas: as bordas do sinal são irregulares.
  • Cor: não uniforme. Podem ser notados diferentes tons de preto, castanho ou cor-de-rosa.
  • Diâmetro: maior que 6 mm.

3. Monitorize o seu sono

Há três boas maneiras de ver se anda a dormir o suficiente. Primeira: precisa de um despertador para acordar de manhã? Segunda: fica sonolento à tarde, ao ponto de isso afectar o seu trabalho? Terceira: começa a cabecear pouco tempo depois do jantar? Se a resposta a estas três questões for «sim», precisa de dormir mais. E se tiver dormido as horas suficientes (cerca de oito horas) e mesmo assim sentir que tem estes problemas, contacte o seu médico e fale-lhe da sua baixa energia.

4. Meça-se a cada ano depois dos 50

Isto é especialmente importante para as mulheres como forma de avaliar a postura e a saúde do esqueleto. A diminuição da estatura pode ser tão informativa para o acompanhamento da saúde dos seus ossos quanto uma alteração na densidade óssea. Se estiver preocupada, fale com o seu médico.

5. Mantenha uma tabela mental com a tonalidade da sua urina

Pode soar estranho, mas é um indicador de saúde muito útil. A sua urina deve ser clara e cor de palha; se está mais escura ou tem um cheiro forte, pode estar a precisar de beber mais líquidos.

Se se mantiver com uma cor escura mesmo após ter aumentado a ingestão de líquidos, marque uma consulta com o seu médico. Se tiver uma cor amarelo-brilhante, pode ser da vitamina B que consta no seu suplemento vitamínico (se o estiver a tomar).

6. Monitorize a frequência cardíaca após o exercício

Um estudo publicado no Journal of the American Medical Association revela que as mulheres com recuperação lenta da frequência cardíaca normal após o exercício físico têm duas vezes mais possibilidade de vir a sofrer um ataque cardíaco no espaço de 10 anos do que aquelas que têm uma recuperação normal. Da próxima vez que se exercitar e fizer, por exemplo, uma corrida ou uma árdua caminhada de 20 minutos, conte, logo depois de parar, os batimentos cardíacos durante 15 segundos. Em seguida, multiplique o resultado por quatro para calcular a sua frequência cardíaca. Sente-se e descanse dois minutos. Repita a contagem. Subtraia o segundo valor ao primeiro. Se o resultado for inferior a 55, a sua recuperação é mais elevada que o normal e deve falar nisso ao médico.

7. Se tiver diabetes, verifique os pés todos os dias

Vai tornar-se susceptível a danos nos pés, por isso examine-os cuidadosamente, verificando a existência de bolhas, fungos, descamações, cortes ou feridas. Porque as pessoas que sofrem de diabetes têm muitas vezes danos nas extremidades nervosas do corpo, como os pés, este exame diário vai dar-lhe pistas importantes sobre a eficácia da monitorização dos níveis de açúcar no sangue e sobre os problemas nervosos.

8. Meça a tensão arterial a cada seis meses

Em casa, numa farmácia ou no centro de saúde. Tem muita informação disponível em bpassoc.org.uk – o endereço electrónico da Associação da Tensão Arterial Britânica. Se o número mais elevado for superior a 140 (130 se tiver diabetes) e o mais baixo for maior que 90 (80 se tiver diabetes), espere um dia e repita a medição. Se continuar com tensão alta, consulte o seu médico assistente.

9. Faça um exame cardiovascular

Se tiver mais de 40 anos e não tiver um historial de doenças cardíacas ou de tensão arterial elevada, pode submeter-se a um exame cardiovascular completo (analisa o risco de eventuais ataques cardíacos ou enfartes) no SNS. Se tiver menos de 40 anos, também pode requerer este exame, desde que tenha historial de doenças cardíacas na família.

Os níveis de colesterol são um dos vários factores de risco que precisam de ser medidos e analisados, bem como o tabagismo, o nível de glicose, os resultados de electrocardiogramas (ECG) e a tensão arterial. Medir apenas o colesterol não é suficiente, já que podem escapar outros factores de risco. Um nível de colesterol normal não significa necessariamente que não corre risco cardíaco. Peça conselho ao seu médico.

10. Observe a sua escova de cabelo

Se o seu cabelo anda a cair muito, peça ao seu médico que verifique os níveis de ferritina no sangue. A ferritina é um indicador que mede a quantidade de ferro que o sangue está a armazenar. Alguns estudos indicam que baixos níveis de ferro estão relacionados com a queda de cabelo. Problemas com a tiróide também são uma causa comum para a queda do cabelo.

 

 
No mundo ocidental, as taxas de incidência na população oscilam entre 12 e 54%. Trata-se de uma doença tão comum que os seus sintomas tão diversos acabam por ser muitas vezes confundidos e minimizados. Quando estes sintomas ocorrem com frequência, podem ser sinal de uma doença crónica, ainda pouco conhecida, denominada refluxo gastroesofágico.
 
Disponibilizar mais informação sobre esta doença é o objectivo de um novo site recentemente lançado em Portugal.

Se não for devidamente tratado, o refluxo pode evoluir para estádios mais graves. Em alguns casos, evolui para inflamações que requerem uma vigilância clínica mais rigorosa e até mesmo a necessidade de intervenção cirúrgica. É por isso indispensável estar atento aos sintomas, à sua frequência e solicitar aconselhamento médico.

Por isso mesmo, foi criado um site dedicado à doença de refluxo gastroesofágico: o www.100azia.com, que pretende informar e alertar a população para esta doença crónica, ainda pouco conhecida. A iniciativa resulta de uma parceria entre a Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG), a Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva (SPED) e a AstraZeneca.
 
O que é, como acontece, quais os sintomas e complicações, como é realizado o diagnóstico, quais os tratamentos e os impactos da doença são alguns dos conteúdos do 100azia.com, que disponibiliza ainda uma área dedicada à qualidade de vida com diversos conselhos úteis, tais como refeições ligeiras, evitar determinados alimentos, não comer duas a três horas antes de deitar, não usar roupa apertada, evitar actividades que aumentem a pressão intra-abdominal logo após as refeições e elevar 15 cm a cabeceira da cama.


 

Conheça todos os factos antes de tomar uma decisão.

Fátima Lúcio, de 26 anos, residente em Paio Pires, passou uma juventude atormentada pela ideia de que o cancro do cólon, que vitimou os seus pais e um tio, poderia ser hereditário. Aos 11 anos, depois da morte dos familiares — altura em que em Portugal ainda não se ouvia falar de testes genéticos —, iniciou uma rotina de exames dolorosos. Durante um deles, quando tinha 14 anos, foram-lhe detectados pólipos nos intestinos. Antes que degenerassem em cancro, foi operada com sucesso.

Há cerca de dois anos, Fátima Lúcio decidiu fazer um teste genético. O resultado positivo veio apenas confirmar o seu receio. «Não vou poder deixar de fazer o rastreio anual à doença», diz, «mas posso reduzir o risco de contraí-la tomando medidas preventivas.» A identificação da mutação do gene facilitou os testes genéticos, que os seus dois irmãos também realizaram com receio de terem o mesmo problema. No caso deles, o resultado foi negativo — o que veio poupar-lhes angústia e sofrimento, uma vez que deixaram de submeter-se às colonoscopias que faziam anualmente.

Este não foi o único teste genético que Fátima Lúcio fez. Pouco tempo depois, descobriu que estava grávida, e como também tinha casos de deficiência mental e motora na família, quis saber se podia transmitir a deficiência ao filho, ou seja, se era portadora de mutações genéticas no gene responsável pela doença. Dessa vez, a resposta foi negativa. «Senti um enorme alívio», diz.

Os testes genéticos a que a família Lúcio se submeteu são um poderoso meio de diagnóstico que tem vindo rapidamente a ocupar um lugar privilegiado na medicina. Com uma simples amostra de sangue ou de tecido, os geneticistas podem detectar nos genes alterações capazes de causar doenças.

Com o passar dos anos, têm sido descobertas centenas de genes associados a doenças específicas. Os testes genéticos conseguem detectar, com variados graus de precisão, se a pessoa tem predisposição para adquirir a doença ou se é portadora assintomática e sem risco de desenvolver a doença, podendo apenas transmiti-la à descendência. «Temos de distinguir os testes genéticos de diagnóstico, que são usados em pessoas já doentes para confirmar um diagnóstico clínico, e os testes pré-sintomáticos ou preditivos, que se fazem em pessoas ainda em risco e que querem saber se são ou não portadoras de uma mutação genética presente na sua família», explica Jorge Sequeiros, investigador e director da Unidade de Investigação Genética (Unigene) do Instituto de Biologia Molecular e Celular da Universidade do Porto.

Segundo João Lavinha, director do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, em Lisboa, e investigador do Centro de Genética Humana deste instituto, o diagnóstico pré-natal de doenças cromossómicas é já uma rotina no seguimento das grávidas com mais de 35 anos e tem um nível de utilização que ultrapassa os 60% em certas regiões do País. «No entanto, felizmente na minha opinião, estamos distantes de certos países onde se podem fazer testes genéticos sem obedecer a critérios rigorosos de selecção», diz. «Essa má prática acarreta elevadíssimos custos económicos sem proporcionar um benefício significativo para os interessados. Um aconselhamento genético criterioso e profissional antes do teste é imprescindível.»

Em plena era dos testes genéticos, aqui estão algumas das principais perguntas a fazer antes de dar esse grande passo: Quem deve ser testado? Basicamente, aqueles que têm na história da família casos de uma doença hereditária para a qual já exista um teste genético fiável, ou «em casos que acarretam uma sugestão clínica muito forte», acrescenta João Lavinha, referindo-se a situações de sintomas que possam indiciar o surgimento da doença. Por norma, os médicos recomendam — e a legislação impõe — que só se faça este teste se houver uma intervenção disponível para prevenir, retardar ou diminuir a doença. Mas pode haver casos em que a informação é benéfica, mesmo que não exista tratamento.

De qualquer forma, antes de se submeter ao teste, assegure-se de que você — e a sua família — querem realmente obter esta informação. «A grande vantagem destes testes é evitar o stress e a angústia das pessoas que podem ter herdado a doença», afirma Alexandra Suspiro, médica da Consulta de Risco Familiar do Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil, em Lisboa, um serviço que tem por função esclarecer e apoiar quem pretende fazer os testes. «A decisão de fazer o teste genético deve partir da pessoa, mas é preciso que esteja esclarecida sobre o impacte que um resultado positivo pode ter nela e na família.»

Segundo a nossa legislação, os testes pré-sintomáticos ou preditivos só podem ser pedidos após consulta de aconselhamento genético. «As pessoas devem ir à consulta antes de fazerem os testes e para receberem os resultados», frisa Ana Medeira, geneticista do Hospital de Santa Maria, em Lisboa. «Deve ser sempre assegurado um acompanhamento psicológico antes e depois da realização do teste, especialmente após um resultado positivo no teste.»

Durante anos, Luísa Fernandes*, de 37 anos, de Vila Nova de Gaia, viveu com a dúvida se seria portadora da doença de Machado-Joseph. Esta doença, descoberta em 1972 em descendentes de açorianos nos Estados Unidos, afecta a capacidade motora e manifesta-se através de perdas frequentes de equilíbrio, dificuldades no movimento dos membros e na fala. É uma doença hereditária, com um risco de 50% de transmissão de pais para filhos. Luísa via a mãe sofrer os sintomas devastadores da doença, que já havia vitimado o avô e dois tios, e vivia angustiada a pensar que poderia ter que passar pela mesma situação. Por isso, quando o teste apareceu em Portugal, em 1995, não pensou duas vezes. «Tinha receio, mas tinha que saber», conta. «Fui a primeira pessoa a fazê-lo, ainda este teste estava em fase experimental.»

Na altura, Luísa Fernandes já estava casada há oito anos e não queria ter filhos enquanto não soubesse se era portadora ou não do gene. «Eu estava convencida de que a resposta seria positiva. Era a angústia e a indecisão da minha vida», relembra. «Felizmente, a resposta do teste foi negativa.» Hoje, Luísa Fernandes tem dois filhos.

Se você possui os requisitos para fazer um teste genético e quer saber como e onde fazê-lo, contacte primeiro o seu médico de família ou um especialista na doença que receia ter herdado. «A nossa legislação é adequada porque faz depender a realização dos testes de uma requisição médica», diz João Lavinha.

Apesar dos custos de cada teste rondarem os 70 mil escudos (349,16 euros) ou mais — dependendo do tipo de doença —, em Portugal as despesas ficam a cargo do Serviço Nacional de Saúde ou de outros subsistemas de saúde. «Os testes são distribuídos racionalmente por vários centros do País, consoante o tipo de doença», diz a médica Margarida Reis Lima, da Unidade de Consulta de Patologia e Aconselhamento Genético do Instituto de Genética Médica do Porto. «Outros são enviados para outros países europeus. É o caso da doença de Menkes, que afecta o sistema nervoso, que é feito na Suécia. Aqui, no Instituto de Genética Médica do Porto, fazemos sobretudo testes moleculares para as doenças neuromusculares, atraso mental e doenças metabólicas. Como no Sul há mais incidência de certas doenças de sangue que no Norte, é o Instituto Ricardo Jorge, em Lisboa, que se dedica mais a esses testes.» Os preços nas clínicas privadas são, segundo esta médica, muito semelhantes aos da tabela nacional do Estado. Seja qual for a sua escolha, assegure sempre um acompanhamento profissional médico à sua decisão e ao seu futuro resultado.

Até que ponto pode confiar-se nos testes? Os testes são mais fiáveis quando há um historial de doença genética na família e a mutação genética que provocou a doença é conhecida. Caso contrário, são de pouco ou nenhum valor. Mesmo os testes considerados altamente fiáveis não são perfeitos. Tomemos como exemplo a fibrose quística (FQ), que pode ser causada por mais de 600 mutações diferentes num determinado gene. Como é impossível testá-las todas, os laboratórios em geral testam as mais comuns. Assim, mesmo que o resultado do teste de FQ seja negativo, tal não significa necessariamente que a pessoa não seja portadora de alguma mutação não pesquisada. «A percentagem destes falsos negativos — os que são portadores de mutação, mas cujo teste não revela o problema — varia em função da origem geográfica e do grupo étnico da população a que pertencem», afirma João Lavinha. «Por exemplo, na população portuguesa autóctone, essa percentagem é, com a tecnologia actualmente disponível, de vinte por cento. Isso significa que vinte por cento dos portadores de uma mutação no gene da fibrose quística não são detectados.»

Um grande número de testes genéticos pode revelar se você corre o risco de vir a contrair uma forma familiar de cancro da mama, pele, bexiga, cólon, próstata, entre outras doenças. A predisposição genética aumenta a vulnerabilidade à doença, mas não a torna inevitável. Isto também se aplica à doença de Alzheimer. Embora esta doença possa ser provocada por diversos genes e por muitos outros factores não-genéticos, nos últimos anos vários estudos revelaram que o E4, um gene que produz uma proteína conhecida por apolipoproteína-E (APOE), está relacionado com a doença de Alzheimer. Quem herda um gene E4 do pai ou da mãe fica com um maior risco de contrair Alzheimer. Se herdar o gene de ambos, fica com 90% de probabilidades de contrair a doença antes dos 90 anos. «Há um pequeníssimo grupo de famílias em que esta doença é devida a um de três outros genes e se comporta como uma doença dominante, sendo o risco de 50% para cada filho ou filha de um doente», afirma Jorge Sequeiros. «Em algumas dessas famílias, podem ser encontradas diversas mutações num desses três genes conhecidos, que podem assim servir para um verdadeiro diagnóstico e não já para uma simples predisposição, como acontece com o E4.»

Outros estudos revelam que muitas pessoas com Alzheimer não são portadoras de nenhum gene E4 nem de mutações num dos três genes com transmissão dominante. Qualquer pessoa com qualquer estrutura genética pode ter esta doença. O teste de APOE não consegue dizer quem a terá; prevê apenas uma maior probabilidade de se vir a contraí-la. «Seja como for, não há qualquer indicação para se usar este teste de susceptibilidade para o gene APOE na população em geral», diz Jorge Sequeiros.

E se o teste for positivo? Se o resultado só apontar para uma maior probabilidade de se contrair a doença, muitas vezes essa dúvida é suficiente para deixar a pessoa bastante angustiada com uma situação que pode nunca vir a acontecer. No entanto, quanto mais cedo souber, mais fácil se torna tomar precauções e virar o jogo a seu favor. No caso do cancro da mama, por exemplo, as mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 podem ser um indicativo de propensão para a doença. «O risco de uma mulher desenvolver cancro da mama, na Europa Ocidental, parece ser da ordem de uma em cada doze», diz Jorge Sequeiros. «Mas há um pequeno grupo de famílias, cerca de cinco por cento, no seio das quais se manifestam múltiplos casos em que o risco de transmissão é muito elevado — perto de 50% para cada filha de uma mulher com cancro da mama.»

Segundo este investigador, a mutação do gene BRCA1 está ligada a 60% dos casos de cancro da mama hereditário e a 80% de todas as famílias em que o cancro da mama coexiste com o cancro do ovário. Uma mulher de uma dessas famílias que tenha herdado uma mutação do gene BRCA1 tem um risco de 80 a 90% de desenvolver cancro da mama. A mutação do gene BRCA2 está ligada a uma menor percentagem das famílias com cancro da mama. As mutações deste gene estão associadas ao risco de cancro, que aparece antes dos 70 anos em 80% dos casos. «As mutações destes dois genes — BRCA1 e BRCA2 — são encontradas em dois terços dos casos familiares», diz. «No entanto, a maioria dos cancros da mama não tem antecedentes familiares, não havendo nesse caso qualquer utilidade para estes testes preditivos.» Podem fazer-se mamografias frequentes ou mesmo mastectomias preventivas, mas não há dados muito fiáveis sobre a sua eficácia na redução do risco de cancro em mulheres com um dos genes alterados.

No entanto, para outras doenças o quadro de diagnóstico é mais preciso. Nos Estados Unidos, em 1995, depois de um teste genético pré-natal, o transplante da medula óssea fetal curou um bebé com uma mutação genética capaz de causar imunodeficiência combinada grave, uma doença geralmente fatal no primeiro ano de vida. Segundo os especialistas, essa tecnologia também pode curar vítimas pré-natais de outros distúrbios imunológicos.

Os resultados dos testes afectam o seguro de saúde? Nos Estados Unidos, a vulgarização destes testes chegou ao ponto de a própria pessoa fazer o teste com material enviado pelo correio por laboratórios privados e receber os resultados pela mesma via. «Um caso deontológico e eticamente duvidoso», diz João Lavinha. Esta vulgarização começa a preocupar alguns especialistas, nomeadamente sobre as consequências que os resultados terão nos seguros de saúde, no emprego ou no casamento.

Em 1996, dois fuzileiros navais, Joseph Vlacovsky e John Mayfield III, foram a conselho de guerra por se recusarem a fornecer amostras de sangue e tecido para efeitos de identificação do ADN. O Pentágono ordenara que se fizessem testes de ADN, justificando que seriam utilizados apenas para identificação em caso de morte na guerra. No entanto, os dois fuzileiros receavam que os resultados pudessem um dia vir a ser utilizados contra eles quando fossem procurar emprego ou fazer um seguro. (Foram acusados de desobedecer a ordens superiores, mas acabaram por ser absolvidos.)

Esta preocupação realça um aspecto problemático do teste genético: a discriminação genética. O Congresso Americano aprovou uma lei que impede as companhias de seguros de usarem informações dos testes genéticos para negar a cobertura do seguro de saúde a participantes em planos de grupo. No entanto, permite que as seguradoras aumentem a contribuição de clientes individuais cujo teste dê positivo e que, por isso, corram maior risco de contrair alguma doença.

Em Portugal, o resultado dos testes é, segundo a legislação, sigiloso e a situação ainda foge muito da americana, embora seja esse o quadro que se prevê para o futuro. «No nosso país, os testes preditivos exigem uma grande confidencialidade e os seus resultados não podem nunca ser entregues senão ao próprio, e em pessoa, durante uma consulta», diz Jorge Sequeiros. «A utilização do resultado destes testes nos empregos, por companhias de seguros ou por agências de adopção, pode levar a situações muito graves de discriminação social de pessoas ainda saudáveis apenas porque são portadoras de um dado gene mutante.»

De acordo com a Associação Portuguesa de Seguradores, no nosso país as seguradoras não estão a solicitar aos seus clientes nem aos candidatos a pessoa segura a apresentação de nenhum tipo de teste de avaliação genética, não sendo conhecidas iniciativas por parte dos seguradores no sentido de virem a exigir, para efeitos de celebração de contratos de seguro, a realização de testes desta natureza. «É possível que a questão da discriminação genética venha a pôr-se com a generalização da oferta de testes genéticos, embora não seja ainda um problema no nosso país», diz João Lavinha. «No entanto, considero a discriminação genética injusta porque todos nós temos cerca de cinco genes defeituosos que poderão dar origem a doenças. Não é justo que as companhias queiram saber os resultados relativos às dezenas de doenças que podem detectar-se através de testes genéticos, quando há cerca de dez mil outras possíveis para as quais ainda não existem testes genéticos.»

Com o passar do tempo, os especialistas prevêem que os tratamentos médicos e as medidas preventivas irão passar a basear-se nas descobertas genéticas. A perspectiva para tratamento e até cura de algumas doenças reveladas nos testes é cada vez mais promissora.

«Os benefícios dos testes genéticos são inúmeros para a saúde pública, nomeadamente no respeitante à prevenção, diagnóstico e terapia de doenças», diz Luís Archer, presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida. «Mas podem trazer vários problemas éticos, em parte por erradamente se julgar que os genes são tudo no homem. Há o perigo de as pessoas começarem a ser etiquetadas não pelo que são e fazem, mas pelos genes que têm, e que comecem a ser discriminadas pela sociedade por terem um gene que daqui a 20 ou 30 anos quase de certeza lhes trará uma doença incurável ou por predisposições que têm nos seus genes, mesmo que, pelo ambiente e estilo de vida, elas nunca venham a manifestar-se. Poderíamos então passar da democracia à genocracia.»

O teste genético tem um enorme potencial para o bem, mas também para o mal. Se estiver a pensar em submeter-se a um teste genético, informe-se primeiro junto de um médico especialista em genética que tenha consulta de aconselhamento genético, para depois poder tomar a decisão acertada.

 

 

Percussão

O médico bate ao de leve com os dedos no peito, abdómen e costas, tentando detectar algum som estranho que possa indicar qualquer distúrbio interno.

Palpação

O médico comprime o abdómen, pescoço ou peito com a palma da mão, verificando se existem massas anormais, órgãos inchados ou zonas sensíveis.

Auscultação

O médico ausculta o coração, abdómen e pulmões com o auxílio de um estetoscópio. Certas doenças produzem sons característicos.

Teste dos reflexos

O médico dá uma pancada seca com um martelo de reflexos abaixo da rótula numa perna ligeiramente flectida. Se a pancada desencadear o clássico movimento de extensão da perna, o circuito nervoso entre o sistema nervoso central e os músculos que controlam o joelho está a funcionar normalmente.

O que é que acontece durante um exame médico completo?

Antes de o examinar pela primeira vez, o médico analisará a sua história clínica pessoal e familiar e os hábitos pessoais que possam afectar a sua saúde. Em visitas posteriores, o médico poderá fazer-lhe simplesmente algumas perguntas de rotina. O exame médico, em si, começa por uma avaliação geral do seu aspecto —vivacidade, coordenação de movimentos, proporção e simetria do corpo, tónus muscular, cor e qualidade da pele. Além disso, o médico medirá a sua altura, pesá-lo-á, tomar-lhe-á a temperatura e o pulso e medirá a sua tensão arterial.

Em seguida, será examinada cada uma das partes principais do seu organismo, geralmente no sentido de cima para baixo, dando especial atenção às suas queixas e factores de risco. O médico observa os ouvidos e garganta e verifica o aspecto interior e exterior dos olhos, bem como o respectivo movimento e reacção à luz. Palpar-lhe-á o pescoço e as axilas, tentando encontrar gânglios que eventualmente tenham aumentado de volume.

Para verificar o estado do coração e pulmões, o médico observa e palpa o peito, bate levemente com as pontas dos dedos (percute) no peito e nas costas e ouve atentamente os ruídos emitidos pelo coração e pulmões, auscultando o peito e as costas com um estetoscópio. Para verificar o estado dos outros órgãos internos, o abdómen é cuidadosamente palpado. No caso de o doente ser homem, o médico examina o pénis e o escroto e insere um dedo, protegido por uma luva, no recto, a fim de palpar a próstata e verificar se esta está volumosa ou tem algum tumor.

Durante o exame pélvico feito a uma mulher, o médico verifica o aspecto exterior e interior dos órgãos genitais e palpa os órgãos pélvicos através da vagina e do recto. O médico também examinará os braços, pernas, mãos e pés e testará os seus reflexos, batendo ao de leve num tendão situado no joelho. Além do exame físico, o médico poderá pedir análises de sangue, urina e fezes e efectuar outros testes de rotina. Nas consultas seguintes, o seu médico poderá fazer-lhe um exame mais específico, omitindo alguns dos procedimentos referidos e centrando-se nasáreas em que ele pensa que poderá encontrar distúrbios.

É necessário submeter-me anualmente a um exame médico completo?

Enquanto alguns médicos ainda recomendam vivamente que as pessoas se submetam anualmente a um exame médico completo, a maioria dos especialistas actuais é de opinião que essa frequência é exagerada no caso de um adulto saudável. Em vez de um exame médico completo, os médicos recomendam uma observação mais selectiva (e menos dispendiosa), de acordo com a idade, sexo e factores de risco. Se é um adulto de idade inferior a 65 anos sem problemas de saúde aparentes, considera-se actualmente aconselhável que se submeta a um exame médico a intervalos de 2–5 anos. Depois dos 65 anos, aconselha-se habitualmente um checkup anual.

Como é óbvio, qualquer pessoa deverá ser examinada com maior frequência se tiver uma doença crónica ou correr o risco de contrair uma doença grave devido aos seus antecedentes familiares, estilo de vida ou condições de trabalho. Se houver casos de cancro do seio na sua família, por exemplo, é provável que o seu médico lhe prescreva anualmente um exame clínico aos seios depois dos 35 anos.

Se for fumador e tiver tensão arterial alta e colesterol elevado, poderá ser-lhe prescrito um exame de tantos em tantos meses para verificar se há indícios de doença cardíaca. Do mesmo modo, o médico pode querer observar regularmente o fígado de um doente que beba, os rins de alguém que tome grandes quantidades de iboprufeno (um anti-nflamatório) ou o aparelho auditivo de pessoas que trabalhem num ambiente ruidoso.

No último «checkup» que fiz, o meu médico quase não me mandou fazer análises. Terá sido suficientemente cuidadoso?

O seu médico pode ter sido bastante cuidadoso. Maior quantidade de análises e testes clínicos não significa necessariamente melhor qualidade de observação. Que testes fazer e qual a sua frequência têm sido temas de debate contínuo entre os médicos. O custo em tempo e dinheiro de determinado teste pode não se justificar devido à incerteza ainda existente acerca da sua eficácia. Mesmo que um exame detecte sinais precoces de doença, poderá não conduzir à aplicação de um tratamento melhor ou de melhores resultados a longo prazo do que quando o problema é detectado só depois de os sintomas se tornarem evidentes.

Quando é improvável que determinada análise ou teste altere o curso do tratamento, o médico poderá evitá-lo, principalmente se for dispendioso, puder provocar complicações ou for responsável por um número significativo de resultados pouco rigorosos que conduzam a procedimentos e preocupações desnecessários. O checkup mais proveitoso costuma ser aquele em que o médico faz uma selecção dos exames a prescrever, dando particular atenção aos seus hábitos pessoais e em como eles afectam a sua saúde, aconselhando-o sobre medidas preventivas e ajudando-o a introduzir na sua vida alterações que possam melhorar o seu estado de saúde.

 


 

Os factos sobre o cancro da pele são inegavelmente alarmantes: mais de 1000 novos casos serão diagnosticados este ano em Portugal. Esta forma de doença é agora responsável por 50% dos nossos novos casos de cancro. E a incidência do melanoma — a forma mais mortífera de cancro de pele — triplicou entre os indivíduos de raça branca nos últimos 20 anos.

Felizmente, já todos conhecemos os exercícios de prevenção do cancro de pele: usar protector solar e cobrir o corpo com roupa, evitar o sol do meio-dia e consultar regularmente um dermatologista. Aposto que nunca pensou que o cancro de pele o pudesse afectar a si, pois não? Encontrará aqui respostas de alguns dos melhores especialistas nesta doença sobre o tipo de cancro a que é mais vulnerável. P.: Qual é o risco real de eu vir a sofrer de cancro de pele? R.: Durante o seu tempo de vida, as probabilidades de vir a desenvolver um cancro de pele serão de uma em cinco. As boas notícias? Entre os três tipos de cancro de pele, o mais comum é o carcinoma das células basais, altamente curável. Bem mais raro é o carcinoma das células escamosas, que pode tornar-se fatal se alastrar aos nódulos linfáticos ou à corrente sanguínea. Mesmo o melanoma tem um bom prognóstico se for detectado suficientemente cedo. P.: Se tenho marcas do sol, sardas e sinais na pele, isso quer dizer que sou um alvo fácil para o cancro de pele? R.: «Se tem muitas sardas e sinais, o seu risco de desenvolver um cancro de pele é mais elevado», diz Perry Robins, presidente da Fundação para o Cancro de Pele da cidade de Nova Iorque. No entanto, as marcas do sol, que indicam uma lesão cutânea não são tão significativas quanto o número de sinais e sardas. (Lembre-se de que uma marca do sol é geralmente lisa e de um tom de bronze-claro ou castanho; uma sarda é pequena e de forma irregular ou arredondada, castanho-clara e localizada perto de outras sardas; um sinal é muitas vezes mais escuro que as outras marcas da pele e tem geralmente um contorno redondo.)

O risco de desenvolver um cancro de pele é também mais elevado para quem sofre da síndroma displástica de nevi (isto é, de uma síndroma de sinais atípicos). Quer isto dizer que se tem 100 ou mais sinais, muitos dos quais apresentam uma forma atípica e alguns dos quais têm mais de 5 mm de diâmetro. «As investigações demonstraram que as pessoas com esta síndroma têm uma probabilidade de 40 a 60% superior à média de virem a desenvolver um melanoma», diz Robins. «Se tiver este tipo de síndroma, consulte um dermatologista duas vezes por ano.» P.: Os sinais que sangram têm mais tendência a degenerar? R.: Não necessariamente. Um sinal que sobressai da pele fica mais sujeito à fricção, que acaba por o irritar e fazê-lo sangrar. O mesmo se aplica a um sinal liso, mas localizado num local menos conveniente, como debaixo da alça do soutien, por exemplo. No entanto, uma hemorragia pode ser sintoma de um cancro em rápido desenvolvimento. «Qualquer marca que sangre mais do que uma vez tem absolutamente e sem falta que ser avaliada por um dermatologista», diz o Dr. Clark Otley, da Clínica Mayo.

P.: Devo preocupar-me se um membro da minha família tiver cancro de pele? R.: A história da sua família constitui apenas um indicador de probabilidades, tal como o número de sinais, as origens étnicas, o tipo de pele e a exposição acumulada ao sol. Até agora, os cientistas apenas descobriram mutações capazes de predispor ao desenvolvimento do melanoma em dois genes. No entanto, ainda é demasiado cedo para nos podermos basear em testes genéticos para avaliar o risco individual.

Além disso, uma história familiar de ceratose actínica — lesões cutâneas escamosas que surgem após um longo período de exposição crónica ao sol — pode aumentar o risco de vir a sofrer-se de lesões similares. Alguns dermatologistas pensam que isto se traduz em risco acrescido de cancro. Certifique-se de que o seu médico tem conhecimento da história clínica da sua família. P.: Ouvi dizer que os protectores solares contêm produtos químicos que podem provocar cancro de pele. Isso é verdade? R.: «Não há absolutamente nenhuma prova de que os protectores solares provoquem cancro de pele», diz o Dr. Darrell Rigel, antigo presidente da Academia Americana de Dermatologia. «Essa confusão deve-se ao facto de alguns estudos terem concluído que as pessoas que utilizam protectores solares podem apresentar um risco de cancro de pele mais elevado. Mas isso pode acontecer por se tratar de pessoas de pele clara, que passam muito tempo ao sol sem voltarem a aplicar o protector. O uso regular de protectores solares protege do cancro.»

Quanto a escaldões antigos, a utilização de protector solar permite que a pele contrabalance esses danos. «A pele é como um elefante — tem realmente boa memória», diz Otley, da Clínica Mayo. «Grande parte dos danos causados pela exposição ao sol acontecem durante a infância. Dito isto, a pele repara-se a si própria. Portanto, uma melhor estratégia de protecção solar pode compensar os estragos feitos anteriormente.» P.: Que mais posso fazer para reparar esses estragos? R.: A arma mais prometedora em perspectiva é uma loção de enzimas (uma versão da qual se chama Dimericina), que é de facto capaz de consertar células cujo ADN foi danificado pelo sol. «Esse medicamento tem ajudado pessoas com incapacidade hereditária para reparar a pele após a exposição solar», diz Arnold Klein, professor de Dermatologia da Universidade da Califórnia em Los Angeles.

O que se pode já encontrar no mercado? Os retinóides — drogas extraídas da vitamina A — podem reparar lesões pré-cancerosas. E alguns estudos concluíram que o chá verde, ingerido ou aplicado como loção, tem algum potencial como agente contra o cancro de pele. P.: Creio que devo ir ao médico. Como decorrem esses exames? R.: O seu médico inspeccionará visualmente todos os seus sinais; depois, é possível que lhe tire fotografias de corpo inteiro para documentar as dimensões e formas desses sinais. Ou pode ir ainda mais longe, medindo os sinais e anotando as respectivas dimensões na sua ficha.

A técnica mais recente, chamada mapeamento de sinais, consiste em tirar fotografias com duas câmaras digitais e guardá-las num computador ou num CD-ROM; o médico pode depois examinar os sinais mais de perto no ecrã do computador ou utilizar o mapa para futuras comparações. Se o seu risco de cancro for elevado, pergunte ao médico se os seus sinais deverão ser avaliados segundo esta técnica muito sensível.

E não fique surpreendido: o seu médico precisa de examinar locais que geralmente não sofrem qualquer exposição solar (o cancro de pele pode surgir mesmo nos órgãos genitais). Enquanto os melanomas podem desenvolver-se em qualquer ponto do corpo dos caucasianos (a área mais vulnerável são as costas nos homens e as pernas nas mulheres), nas pessoas de pele mais escura surgem sobretudo nas solas dos pés, nas palmas das mãos e na raiz das unhas. P.: O meu médico de clínica geral disse para não me preocupar com os meus sinais, mas não me descansou. Que devo fazer? R.: Peça uma segunda opinião a um dermatologista. Um estudo realizado no Centro Médico de Veteranos de Durham, Carolina do Norte, revelou que os médicos de clínica geral só tinham diagnosticado correctamente o cancro de pele em 57% dos pacientes. Reconheceria um cancro de pele?

Eis o que deve procurar: alterações no tamanho, espessura, cor, forma (bordos irregulares, por exemplo) e palpação (revestimento com crostas, por exemplo) dos sinais. E não se esqueça de consultar o seu dermatologista sempre que um sinal novo cresce desproporcionadamente em relação aos outros, ou quando detecta qualquer mancha preocupante. Veja nestas fotografias como os cancros de pele podem ter aspectos diferentes.

Injecções para a Cura

Bill Reed, um vendedor de Kilgore, Texas, submetera-se à remoção cirúrgica de um melanoma na sola do pé direito em Agosto de 1995. Mas o melanoma não deixava de reaparecer. Durante os dois anos e meio que se seguiram, o cancro alastrou — a dois dedos dos pés, que tiveram de ser amputados, e à virilha. A quimioterapia não ajudou. Em 1998 tinha milhares de pequenos tumores na perna, e os médicos consideravam pouco provável que ainda tivesse cura.

Então, Reed soube que o Instituto Nacional de Oncologia norte-americano ia realizar um teste clínico para uma vacina contra o melanoma. Como funciona esta vacina? Ao contrário do que acontece com as vacinas da gripe, por exemplo, estas não são preventivas. Destinam-se a ser aplicadas a pessoas que já sofrem de melanoma para deter a recorrência.

Se o cancro já tiver produzido metástases, ajudam-no a regredir. As vacinas contra o melanoma contêm antigénios, ou seja, moléculas da superfície das células doentes. Estes antigénios despertam o sistema imunitário do organismo, levando-o a mobilizar o seu arsenal de primeira linha para combater e destruir as células afectadas pelo melanoma.

«Os tratamentos-padrão não são muito eficazes a partir do momento em que o melanoma produz metástases», diz Steven Rosenberg, cirurgião-chefe do Instituto de Oncologia Nacional. «Estas terapias representam de longe a abordagem mais prometedora no tratamento do melanoma.» Bill Reed concorda. Recebeu nove doses da vacina, seguidas de interleuquina 2 — uma droga que também estimula o sistema imunitário —, e está agora livre do cancro. Diz ele: «Estou outra vez a cem por cento.»

 

 

O rádon é um gás incolor e inodoro, muito mais denso que o ar, que resulta da desintegração radioactiva do urânio. É quimicamente inerte, não se fixando, portanto, no corpo humano. Os produtos radioactivos da sua desintegração é que são realmente nocivos: são partículas de bismuto, chumbo, e especialmente polónio, o mais perigoso, que se alojam nos pulmões. O rádon sai naturalmente do solo por poros e fissuras, e diluindo-se na atmosfera não cria qualquer preocupação.

O problema surge em habitações estanques e mal arejadas, nas quais o rádon pode penetrar por fissuras no chão e paredes, por juntas ou canalizações e atingir concentrações impressionantes. O risco de isto suceder é evidentemente maior nas moradias construídas directamente sobre o solo. Mas o rádon pode constituir um problema mesmo em prédios urbanos de vários andares. O risco é também maior nas zonas com subsolos ricos em urânio, e as regiões graníticas parecem ser as mais afectadas.

Para medir os níveis de rádon, existem dois tipos principais de detectores: o detector de traços e o bastão de carvão activado. Qualquer deles é colocado na divisão em que se pretende medir o nível de rádon durante um certo tempo (cerca de 1 mês no caso do detector de traços, 3 a 7 dias no caso do bastão de carvão activado) e depois é enviado para o laboratório, para ser analisado. Nos EUA, Reino Unido e países escandinavos, por exemplo, várias campanhas de informação têm alertado o público para este problema.

Existem nesses países serviços oficiais e empresas com especialistas na medição das concentrações do rádon e também nas técnicas que permitem evitar que se atinjam níveis perigosos nas casas. Essas técnicas vão desde o arejamento natural à pressurização das habitações, calafetação do chão e colocação de tubos de drenagem. Em Portugal, o rádon é um problema ainda ignorado. No entanto, se habita em zona de risco, numa moradia construída directamente sobre o solo, há algumas precauções simples que poderá tomar: mande calafetar bem o chão e selar as juntas (especialmente nas entradas das canalizações) e mantenha a casa bem ventilada. Pode ainda escrever para o Departamento de Protecção e Segurança Radiológica da Direcção-Geral do Ambiente para obter mais informações e aconselhamento.