Consultas de Especialistas

 

 

Como complemento ao nosso tema central desta semana na área de Saúde, fique a conhecer eventuais sintomas de perigo:
 

Falta de ar anormal desencadeada por esforço ligeiro ou que surge em repouso ou subitamente.
 

Angina de peito - dor, peso ou sensação de opressão no peito que surge com qualquer actividade ou com o stress emocional e pode propagar-se para os braços, pescoço, maxilar inferior, face, costas ou estômago.
 

Palpitações - consciência dos batimentos do coração ou sensação de ter batimentos cardíacos rápidos e invulgarmente fortes, especialmente se persistirem durante várias horas ou recorrerem ao longo de vários dias e/ou causarem dores no peito, falta de ar ou tonturas.
 

Desmaio - apesar de nem sempre ser um sintoma grave, o desmaio (ou síncope, para utilizar o termo médico) deve-se ao facto de chegar uma quantidade insuficiente de oxigénio ao cérebro, situação que pode ser provocada pela aterosclerose, pelo que deve informar o seu médico.
 

Tom azulado das unhas ou em redor dos lábios (conhecido medicamente como cianose) pode resultar da presença de muito pouco oxigénio no sangue.
 

Retenção de líquidos ou inchaço (edema, para utilizar o termo médico correcto) consiste numa acumulação anormal de líquidos em determinados locais - tornozelos, pernas, tórax ou abdómen. Apesar de, por exemplo, num dia quente se tratar de uma situação completamente normal, também pode ser um sinal de insuficiência cardíaca.
 

Fadiga - pode ter inúmeras outras causas, entre as quais a depressão. No entanto, é motivo para consultar um médico, sobretudo se surgir associada a outros sintomas suspeitos.
 

Atenção:
 

É muito provável que uma dor intensa, opressiva, no peito que surge em repouso e se acompanha de sudação, tonturas, náuseas e falta de ar e que persiste durante mais de 15 minutos signifique que está a ter um ataque cardíaco. Procure imediatamente assistência médica.

 

 

Maria, de 4 anos, do Porto, fazia birras por tudo e por nada. Arremessava com objectos para o ar, atirava-se para o chão e desatava a chorar aos berros. De tão exasperada que ficava, Rita, a mãe, acabava por bater na filha. Mas depois arrependia-se e dava-lhe um presente.

A birra é uma forma de expressão, pressão e manipulação de todos os seres humanos — em particular, das crianças. «A birra não é só uma forma de chantagem que as crianças usam para imporem as suas ideias e conseguirem o que querem, resulta também de uma má gestão do mal-estar», diz o pediatra Octávio Cunha, do Hospital Geral de Santo António, no Porto. Também Mário Cordeiro, pediatra de Lisboa, considera que «as crianças sentem dor na alma porque não alcançam os seus objectivos, e essa dor gera uma forma defensiva de reagir».

Quando, a partir dos seis meses de vida, o bebé começa a descobrir o mundo, quer explorá-lo sozinho e acha que tem direito a tudo. Mas para uma criança crescer de forma equilibrada, precisa de saber que há limites e que não pode ter tudo o que quer. «É durante os primeiros seis anos de vida que a criança aprende as regras sociais, comportamentais e o respeito pelas outras pessoas», diz Mário Cordeiro. «Se a deixam ser birrosa, chantagista, manipuladora e falsa, depois terá grande dificuldade em controlar-se na escola, no emprego e nas suas relações interpessoais futuras. Uma criança a quem fazem todas as vontades torna-se cada vez mais exigente, chegando a ser violenta.»

Todas as crianças fazem birras. Porém, quando se tornam constantes, os pais ficam sem saber o que fazer. Mas há formas de os pais as controlarem.

Dar mais atenção

Hoje em dia os pais trabalham cada vez mais, o que faz que tenham cada vez menos tempo para estar com os filhos. No entanto, as crianças necessitam de passar regularmente algum tempo com eles. Conversar com os filhos sobre os seus problemas, ajudá-los nos trabalhos de casa, ver filmes e passear com eles são atitudes essenciais para que eles não sintam necessidade de comportar-se mal só para se fazerem notados. À beira do desespero, Rita decidiu levar a filha à consulta de Octávio Cunha. Depois de conversarem, o pediatra chegou à conclusão de que a criança estava a receber uma forma de mau trato frequente na sociedade de hoje: a solidão. Como os pais da Maria eram muito ocupados, estavam pouco com a filha, e a única maneira que ela encontrou para lhes dizer, «Estou aqui», foi através das birras.

«O que a Maria necessita é de mais atenção», aconselhou Octávio Cunha. «A sua filha, como todas as crianças, precisa de sentir-se querida e desejada», disse-lhe então o pediatra. «Se não lhe ligar, sente-se abandonada e arranja qualquer forma para chamar a sua atenção.»

Rita começou a dar mais atenção à filha, e o comportamento de Maria melhorou substancialmente.

Explicar a razão da recusa

Se as regras de comportamento são bem explicadas às crianças, mais facilmente aprendem a ser disciplinadas. Por isso, é fundamental que haja diálogo entre os pais e os filhos, de modo a que uns e outros ouçam e discutam os seus pontos de vista.

Ricardo, de 4 anos, de Odemira, sempre que saía com os pais, e estes se recusavam a comprar-lhe o que ele pedia, fazia birras e atirava-se para o chão a chorar. Várias vezes, os pais ficaram de tal modo envergonhados com o comportamento do filho, que saíram do restaurante onde estavam com amigos e foram-se embora. A caminho de casa ralhavam com ele, e chegavam a dar-lhe uma bofetada. Mas não servia de nada.

Os pais de Ricardo falaram sobre o problema com Mário Cordeiro. «Se acham que não devem comprar uma coisa que o vosso filho pediu, dêem-lhe uma explicação para a vossa recusa, que ele a aceitará mais facilmente», aconselhou-os o pediatra. «A solução não é saírem dos sítios onde se encontram, senão essa atitude representa uma vitória para o Ricardo, que pensa que, se não conseguiu o objectivo, pelo menos conseguiu aborrecer os pais. E não batam no vosso filho, porque bater na cara é humilhante e maltratante.»

Os pais do Ricardo começaram a seguir os conselhos do pediatra e as birras do Ricardo diminuíram.

Sintonia na educação

As birras das crianças muitas vezes não só desgastam as famílias de uma forma tremenda como criam conflitos entre o pai e a mãe. Pais complexados porque não dedicam muito tempo aos filhos, que não estão em sintonia em relação à educação a dar-lhes, avós demasiado protectores, são terrenos propícios para as crianças fazerem pressão para conseguirem o que querem.

O pai de Francisco, de 3 anos, de Matosinhos, para compensar a falta de tempo que lhe dedicava, começou a comprar-lhe animais de plástico. Aos fins-de-semana, quando iam sair, o Francisco insistia em levá-los todos. A mãe ia então ao quarto dele, pegava em meia dúzia e metia-os num saco. Mas o Francisco fazia birra e dizia que só saía se os levasse todos. Gerava-se então um conflito entre os pais: a mãe não deixava que levasse mais nenhum, mas o pai insistia em fazer-lhe a vontade. O miúdo acabava sempre por ganhar e levava uma mala com todos bichos para onde quer que fosse.

A mãe de Francisco, sentindo que estava a perder autoridade e querendo saber qual a melhor forma de agir, falou com Octávio Cunha. «Nestas situações é muito importante que as crianças não se apercebam de que os pais estão em desacordo», disse-lhe o pediatra. «Elas são extremamente inteligentes e vão imediatamente verificar quem é o fraco e o forte, e quem está do lado delas. Aí, vão fazer chantagem afectiva e agravar ainda mais o conflito. Portanto, todas estas questões devem ser decididas pelos pais e mesmo que estejam em desacordo, não o devem manifestar à frente da criança e sim discutir o assunto entre ambos e planearem uma estratégia.»

Os pais do Francisco assim fizeram. Entraram em acordo e explicaram calmamente ao Francisco por que não podia ser assim. A criança compreendeu e deixou de fazer birras.

Evitar o stress

Até os bebés podem fazer birras, por não terem outra forma de exprimir o seu desconforto. Ana, de dois meses, de Santarém, chorava muitas vezes. Os pais davam-lhe leite, mudavam-lhe a fralda punham-lhe a chupeta e nada resultava. Só ao colo é que se calava. «Os pais eram muito ansiosos», diz Mário Cordeiro. «A Ana fora um filho muito esperado, e estavam sempre com medo que lhe acontecesse alguma coisa. O bebé apercebia-se do estado dos pais, até na maneira como lhe falavam e pegavam. Por outro lado, quando um bebé nasce, recebe uma sobrecarga de estímulos — excesso de luz, informação e barulho — a que não estava habituado enquanto estava na barriga da mãe. Tudo isso causa uma tensão acumulada, que pode chegar a gerar cólicas. Era o que a Ana tinha. No fundo, era uma situação de mal-estar que levava a Ana a chorar assim.».

Mário Cordeiro aconselhou os pais de Ana a agirem com serenidade, e a transmitirem carinho e afecto ao bebé. «O bebé percebe o tom de voz, a entoação e a melodia com que lhe falam. Percebe o toque, se é um toque eléctrico e tenso ou normal e afectuoso», explicou-lhes. «Se o bebé estiver a chorar com fome e lhe disserem ‘Ai, que maçada, pronto, já vou, calma!’, piora as coisas. Mas se agirem sem exaltações e lhe disserem com carinho ‘Pronto só mais um bocadinho, sei que estás com fome’, ele acalma-se.» Assim foi. Os pais mudaram de atitude e Ana foi-se acalmando gradualmente.

Conversar com os filhos Existem casos de birras que se devem ao facto de os pais terem uma atitude de certa forma prepotente e não conversarem com os filhos abertamente sobre os seus problemas. Carlos, de 9 anos, mora em Lisboa. Fazia birras terríveis porque não queria ir à natação, mas os pais achavam que ele devia fazer desporto e que a natação era o ideal, porque além do exercício, permitia-lhe conviver com outras crianças. Carlos arranjava então toda a espécie de desculpas para não ir. «Chegava ao ponto de vomitar antes de ir para a natação», conta Mário Cordeiro. «Uma vez até ficou com febre, e estou convencido de que foi causada pelo stress.» Tudo começou porque viu na televisão o filme Titanic, e tinha um medo terrível de se afogar como os malogrados passageiros do navio. A verdade é que os pais nunca se tinham dado ao trabalho de falar com o filho, para tentarem saber a razão de ele não querer ir para a natação, e explicar-lhe com calma que não haveria perigo porque era uma piscina vigiada e estariam lá outras crianças. Deviam inclusive ter-lhe perguntado que tipo de desporto é que ele gostaria de praticar. «Quando falei com o Carlos e ele me explicou os seus receios, só isso serviu para que se sentisse aliviado», conta Mário Cordeiro. «O que o assustava realmente era a morte e ele tentava fugir a isso de todas as maneiras.» Depois de uma conversa com o Carlos, ele acabou por ir para a natação sem qualquer problema. Que mais podem os pais fazer? «Não é possível evitar as birras», diz Teresa Ferreira, pedopsiquiatra no Hospital Dona Estefânia. «Há um período em que a criança não tem capacidade de exprimir verbalmente as suas frustrações, e reage desta forma porque está tensa ou aflita. A única forma de os pais atenuarem a situação é falando com ela, explicando-lhe por que não pode ter esse tipo de atitude.» Mário Cordeiro exemplifica: «Pode-se explicar educadamente ao filho, ‘Olha, agora é melhor não comeres o chocolate porque vais almoçar daqui a pouco e ficas sem fome’, ao invés de dizer, ‘Não, não te compro chocolate nenhum, que estupidez!’. Ou se a criança está a fazer uma birra porque, às oito da noite, lhe apetece ir ao jardim zoológico, em vez de dizer-lhe, ‘Deves estar mas é parvo, lá estás tu com ideias idiotas!’, o que seria injusto, melhor seria explicar-lhe, ‘Era uma óptima ideia, mas sabes, não podemos ir porque os bichos já estão todos a dormir. Vamos combinar para outro dia, de acordo?’. A criança fica bem, sente que não é uma parva cada vez que abre a boca, evita a birra, e até sente que teve uma boa ideia.» Segundo Mário Cordeiro, é preciso que os pais se mantenham calmos quando sentem que o filho os está a provocar. «Quando a criança se atirar para o chão e começar a chorar e a espernear de forma teatral, ignorem-na ou afastem-se e fiquem noutro quarto até ela se acalmar», recomenda. «Numa segunda fase, reduzam a birra à sua expressão mais simples, ou seja, quando se deitar no chão, devem dizer-lhe, ‘Olha, tem cuidado senão ainda te piso’, ou então, ‘Cantas muito bem, sim, senhor’. Podem até rir-se da situação. Não quer dizer que haja humilhação, o que é preciso é ridicularizar a situação ao máximo, de forma a que ela perceba que está a ser pateta.» Deve-se ralhar? Uma repreensão verbal, dizendo ao filho que se está muito zangado e aborrecido com o seu mau comportamento, pode surtir efeito. Mas não grite com ele, para não lhe servir de modelo. Não o trate com dureza nem o humilhe para não lhe criar um sentimento de culpa ou de inferioridade. Deve-se castigar? Por norma, a criança deve ser castigada de acordo com a idade e o grau de maldade do que fez. Quando faz uma birra, pode-se, por exemplo, obrigá-la a ficar sentada numa cadeira por um breve espaço de tempo até parar de chorar e se acalmar. Poderá também retirar-lhe certos privilégios. Não a deixe ver televisão nesse dia, por exemplo, ou não a deixe brincar com os brinquedos preferidos. «Repreender ou castigar uma criança torna-se mais eficaz quando ela acaba de portar-se mal», diz Octávio Cunha. «Isto porque, passado meia hora, já se esqueceu do que fez.» Deve-se bater na criança? Esta prática é desaconselhada. «Às vezes é necessário uma leve palmadinha no rabo para acalmar a criança e mostrar-lhe que não deve fazer uma coisa», diz Octávio Cunha. «Mas as crianças são muito sensíveis à injustiça, e quando são constantemente mal tratadas podem tornar-se potenciais pais violentos. Depois de castigada e acalmada, deve-se sempre explicar à criança a causa do castigo.» Uma boa solução para evitar as birras passa pela negociação de um acordo, desde que os pais mantenham o controle da situação. «As crianças fazem birras intermináveis de noite porque querem monopolizar a companhia dos pais, e estes acabam por ceder para não as ouvirem mais e porque não deixam dormir ninguém, chegando a metê-las na cama deles», diz Teresa Ferreira. «Mas essa cedência sai-lhes muito cara porque a criança vai usar todas as noites o mesmo truque e ficar com a noção de que é ela que controla os pais e não o contrário. Podem, em vez disso, contar-lhe uma história, e depois dizer-lhe ‘Agora vais domir, eu vou trabalhar um bocadinho e depois também vou deitar-me’. A mãe dá-lhe uma explicação e faz-lhe passar a mensagem de que os pais estão ali e nada lhe vai acontecer, o que a irá reconfortar.» Obrigar uma criança a cumprimentar as pessoas só pode piorar as coisas. «Os pais devem apenas sugerir, por exemplo, ‘A avó gostava que lhe fosses dar um beijinho’, e deixá-la decidir» acrescenta esta pedopsiquiatra. «Se a criança não for, deverão dizer-lhe, ‘Vês, a avó ficou triste porque não lhe deste um beijinho’. É um pouco diferente do ‘Vai já dar um beijinho à avó’. Deve ser a criança a decidir, até porque é importante para que ela se sinta apreciada. Quando não quer emprestar um brinquedo, também é preferível dizer, ‘Pois é, não emprestaste o teu brinquedo ao mano e quando quiseres brincar com o dele ele também não te vai emprestar’. É ensinar-lhe a reciprocidade do dar e receber.» Criar disciplina é o elemento chave para evitar birras. «Há duas coisas fundamentais em que se deve ser rigoroso: a hora das refeições e a de ir para a cama», diz Octávio Cunha. «Se a criança anda a comer a todas as horas acaba por não ter fome quando chega a hora da refeição. E é conveniente que se deite sempre a horas certas. Se não dorme o suficiente, no dia seguinte não se sente bem, e além de não ter rendimento na escola torna-se mais embirrenta.» E acrescenta: É importante que os pais não se demitam da sua autoridade e da sua vocação e obrigação de educar os filhos. Só lhes explicando claramente que há regras e limites e que não podem ter tudo o que querem, é que vão conseguir ajudá-los a lidar com as frustrações, a serem equilibrados — e a não precisarem de fazer birras para se fazerem notados. «A criança deve entender desde pequenina o significado da palavra ‘não’, porque também ela vai ter de utilizá-la durante toda a sua vida para as coisas de que não gosta», diz Octávio Cunha.

 

 

Esta perturbação, considerada crónica, provoca por vezes problemas familiares e sociais, porque o hipocondríaco desvia a sua atenção do meio ambiente para si próprio. Ele passa a viver num estado permanente de escuta, mas de si próprio e desconfia de cada sensação nova que tem no seu corpo. Um dos passos mais importantes para iniciar o processo de cura é reconhecer a verdadeira doença. Foi o que aconteceu a Rui Lopes, 27 anos, que vivia atormentado pelo medo de ter sida.

Há cinco anos, foi diagnosticada sida a um amigo de Rui Lopes*, empregado em hotelaria, de 27 anos. «Como um dia tive relações sexuais sem preservativo com uma rapariga que conheci, fiquei obcecado com a hipótese de também ter contraído esta doença», conta Rui, que se pôs então a ler tudo o que encontrou sobre a sida. «Comecei a sentir os sintomas da doença, emagreci e acabei por deixar de trabalhar por estar muito debilitado.»

Como o médico de família não lhe descobriu nada, Rui consultou um médico particular, que lhe pediu um teste de despiste do HIV. O resultado foi negativo. Não confiante, continuou a fazer mensalmente o teste do HIV I e II, durante um ano, até porque passou a ter mais sintomas: tosse e falta de apetite. «Como o resultado era sempre negativo, acabei por convencer-me de que sofria de uma doença ainda por diagnosticar, e tinha a certeza de que ia morrer.»

O mal de Rui Lopes chama-se hipocondria. Esta palavra começou a ser utilizada em finais do século XVIII, para descrever doenças cujas causas não eram perfeitamente conhecidas, mas que se pensava terem origem em problemas dos órgãos do hipocôndrio — uma zona do abdómen. «Hoje, a hipocondria descreve uma doença psiquiátrica que leva o paciente a recear ou acreditar que sofre de uma determinada doença, habitualmente grave, quando não existe qualquer doença real ao nível do órgão ou sistema em questão», explica Manuela Silva, médica interna de psiquiatria no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. «Um batimento mais acelerado do coração é logo encarado como sinal de doença cardíaca, uma dor de cabeça olhada como aviso de problema no cérebro.»

Não é possível quantificar o número exacto de hipocondríacos, mas sabe-se que é uma perturbação frequente entre os doentes que recorrem aos cuidados de clínica geral — estima-se que entre 4 % e 6 % da população. Muitas vezes a hipocondria coexiste e é mascarada por outras doenças psiquiátricas, como a depressão. Ironicamente, os hipocondríacos tendem também a apresentar mais sintomas físicos e disfunções de órgãos, desta vez reais, do que a população geral.

Para se poder afirmar que determinada pessoa é hipocondríaca, deverá apresentar esta perturbação durante pelo menos seis meses. «O hipocondríaco não é um doente imaginário, mas alguém que apresenta uma verdadeira doença crónica, uma perturbação perceptiva, cognitiva e psicológica que origina sofrimento real, disfunções psicofisiológicas, deterioração familiar e social e possibilidades de automedicação», acrescenta Manuela Silva.

João Ribeiro*, de 35 anos, desde criança que se lembra de ser doente. Como a mãe era médica e o protegia bastante, dava-lhe medicamentos sempre que tinha uma dor. «Aos 18 anos sentia muitas dores musculares», conta este professor do ensino secundário, de Coimbra. «Fui a vários especialistas e tomei várias medicações.» Um dia, ao ler numa bula sobre os efeitos secundários de um anti-inflamatório, João começou a sentir dores de estômago. Depois, deixou de comer e vieram os vómitos. As várias endoscopias que fez deram resultados negativos. «Achei que estavam a enganar-me e comecei a tomar antiácidos quando me doía o estômago e anti-inflamatórios quando me doíam os músculos.»

João terminou a faculdade, casou, mas os «sintomas imaginários» persistiam. Pensando que tinha um cancro, continuou a automedicar-se, o que lhe trouxe consequências graves. O casamento acabou em divórcio, amigos e familiares afastaram-se, até que foi internado. «Soube então que as dores de estômago eram provocadas pelos anti-inflamatórios e as de cabeça pela ergotamina contida nos medicamentos», conta. «Sofria também de hepatite tóxica e de disfunção eréctil, ou seja, de impotência sexual, causadas pelo excesso de fármacos. Tive de fazer uma desabituação gradual.»

A hipocondria pode surgir subitamente sem nenhum desencadeante identificado, e ser estável ao longo do tempo, ou manifestar-se em sequência de um período mais vulnerável. «A hipocondra surge muitas vezes em pessoas que sofreram uma doença orgânica durante a infância ou que contactaram durante muito tempo com familiares doentes, sobretudo, se houve um desfecho fatal», explica Ilda Vieira Murta, psiquiatra no Hospital Sobral Cid, em Coimbra. «Outros factores são os desapontamentos, as rejeições, as perdas, o stress, a ansiedade, e a própria personalidade do doente, com traços de baixa auto-estima, introversão e obstinação.»

A teoria que encontra mais apoio nas investigações já realizadas, sugere que a hipocondria resulta de um aumento das sensações corporais normais e de um desvio da atenção do indivíduo, que parece estar «desligado» do exterior e estar selectivamente atento aos seus sintomas corporais mínimos, amplificados, que são encarados como sinónimos de doença. «O hipocondríaco vive num estado de permanente escuta, desviando a sua atenção do meio ambiente para si próprio e olhando de modo alarmista e interpretando erradamente cada sensação nova no seu corpo», diz Manuela Silva.

Outra teoria defende que o indivíduo aprende o papel de doente. «As constantes atenções e cuidados que recebe quando a sua saúde está afectada levam-no a habituar-se a esse conforto e a alimentar esse tipo de situações», acrescenta. A idade de início desta doença é muito variável, ocorrendo principalmente entre os 20 e os 30 anos. «Características como o sexo, a posição social, o nível de educação, o estado civil ou outros parâmetros sócio-demográficos são pouco relevantes», diz Manuela Silva.

A evolução desta doença é crónica e desgastante, com episódios que duram meses ou mesmo alguns anos, seguindo-se períodos de acalmia, podendo surgir novos episódios na sequência de acontecimentos negativos de natureza psicológica ou social. «Nas alturas em que está activa, a doença traz sempre intensa ansiedade e sofrimento, perturbando grandemente a vida do indivíduo», acrescenta.

Inicialmente, os doentes são seguidos pelos clínicos gerais ou médicos de família. «Um médico de família compreensivo e paciente, que consiga estabelecer uma relação de confiança com o doente, pode ajudar a aliviar a ansiedade em que ele vive», diz Marina Afonso, licenciada em psicologia no ramo de terapia cognitivo comportamental, da Guarda. Caso estes médicos não obtenham resultados, logo que possível, deverão referenciar o doente a uma consulta de psiquiatria. «Os doentes hipocondríacos são resistentes em aceitar o tratamento psiquiátrico, pois sentem essa abordagem como uma desvalorização da sua doença», explica Ilda Vieira Murta. Contudo, existe hipótese de melhoria ou mesmo cura para a hipocondria se o doente reconhecer e aprender a lidar com a sua doença. Mecanismos de distracção, relaxamento e integração numa terapia de grupo, podem ser a solução.

Com a Terapia Cognitivo Comportamental, o doente aprende a reinterpretar os sintomas, substituindo os pensamentos mal adaptativos por adaptativos. «Se lhe aparece uma mancha no corpo, em vez de pensar que é um sinal de doença grave, deve pensar ‘isto é uma irritação da pele, e vai passar’», explica Marina Afonso. O Psicodrama é uma terapia de grupo, efectuada semanalmente, onde estão presentes doentes e técnicos. Cada paciente conta e representa de forma espontânea o problema que vive e, posteriormente, são feitos comentários. «O objectivo desta técnica é trazer à superfície as preocupações ocultas dos pacientes e produzir efeitos formativos e ajustamentos no seu comportamento», explica Ilda Vieira Murta.

Rui Lopes fez um programa de terapias integradas, terapia familiar e terapia cognitivo comportamental, ao mesmo tempo que fazia terapia farmacológica com antidepressivos e ansiolíticos. «Acabei por compreender que a hipocondria, embora não seja detectada em exames, é uma doença, e que a cura é possível. Hoje estou casado, tenho um filho e vou esporadicamente às consultas de psiquiatria. Agora já sei reconhecer e controlar a minha verdadeira doença.»

Os nomes foram alterados para protecção da privacidade.

 

 

Passe o Inverno de boa saúde! Este programa mostra-lhe como fazê-lo.

O nariz pinga, a voz arranha, a cabeça começa a zunir: é uma constipação que aí vem. Estamos constantemente rodeados por cerca de 200 diferentes vírus de constipação que não podemos evitar. Na estação húmida e fria, porém, estamos particularmente expostos. E, no entanto, há uma hipótese de ficarmos incólumes. Se o nosso sistema imunitário estiver a funcionar, os germes são destruídos; se estivermos debilitados, porém, eles multiplicam-se nas membranas mucosas, que ficam inflamadas, incham e emitem secreções.

Embora fatigante, espirrar e fungar é ainda relativamente inofensivo. Mas todas as constipações arrastam o risco de complicações: se a infecção alastra, pode levar à inflamação das amígdalas, do ouvido médio, dos seios nasais e frontais ou à bronquite crónica.

Segundo as estatísticas médicas, uma pessoa constipa-se duas a três vezes por ano. Isso, porém, é um número médio enganador, já que muita gente é atingida muito mais vezes. E há quem nunca se constipe. Descubra a seguir como poderá também conseguir isso, prevenindo-se da melhor forma possível.

Evite os pés frios!

Esta é uma relação espantosa que tem a ver com o sistema nervoso. Se os pés estiverem frios, as membranas mucosas do aparelho respiratório não são tão bem irrigadas de sangue e a constipação pode abrir caminho! Banhe os pés em água quente o mais depressa possível durante dez minutos, e vá mais água quente para manter a temperatura. Depois, esfregue-os com uma toalha e calce umas meias quentes.

Controle a temperatura ambiente

Se o termóstato estiver muito alto, ficamos mais susceptíveis. Motivo: quanto mais quente estiver uma divisão, menor é a humidade. As membranas mucosas do nariz, da cavidade oral e da faringe secam e ficam irritadas, tornando-se terreno ideal de cultura de vírus e bactérias. A temperatura não deve exceder 20ºC. Mantenha o ar húmido com um humidificador e uma tigela de água no radiador. O valor ideal situa-se entre 30 e 50%. Durante o dia, areje a divisão cinco minutos de hora a hora, se possível. A divisão deve estar fresca durante o sono. É melhor ter a janela ligeiramente aberta. Mas evite as correntes de ar.

Vista-se adequadamente

A pele deve poder libertar o calor e a humidade supérfluos. Não se deve suar nem ter frio. Vista-se ao estilo cebola: várias camadas de roupa que podem mudar-se de acordo com a temperatura.

Suplemento vitamínico

O otorrinolaringologista Klaus Nuezel, de Munique, põe a mão no fogo pela vitamina C das laranjas e das maçãs e pelo sumo de laranja acabado de fazer. Os quivis e os pimentos crus contêm também muita vitamina C, justamente considerada anticonstipação. Não esquecer a vitamina E (presente nos frutos secos e nos cereais integrais), que reforça o sistema imunitário.

Praticar exercício?

«É bom, sobretudo no Inverno, praticar exercício pelo menos uma vez por semana. Por exemplo, corrida lenta ou ginástica. É preciso suar», diz o Dr. Nuezel. Em seguida, deve tomar-se um banho, primeiro quente, depois frio.

Esta alternância é importante: o tecido cavernoso da membrana mucosa nasal contrai-se em resultado do chuveiro frio e é muito mais bem irrigado de sangue. A sauna (uma ou duas vezes por semana) tem o mesmo efeito. A transição extrema do quente para o frio prepara o corpo para a alternância diária entre os interiores aquecidos e o exterior e frio.

Lave as mãos!

Há uma coisa de que poucas pessoas se lembram: a enorme quantidade de germes da constipação que se acoitam nos puxadores das portas e nos corrimãos, onde sobre-vivem durante três horas. Perigo de infecção! O melhor é lavar as mãos ainda mais uma vez.

A medicina natural ajuda?

Há cada vez mais pessoas a virarem-se para os medicamentos que contêm extractos de Echinacea (rudbéquia). Os seus efeitos ainda não foram cientificamente provados, mas pensa-se que activa a chamada fagocite, que ataca os germes da doença. Experimente tomar dez gotas de um medicamento à base de rudbéquia. Tome dez gotas diariamente antes das refeições durante seis semanas. Pessoas com alergias e deficiências imunitárias devem tomar precauções e consultar primeiro o médico.

E se já está a sentir aquele pingo no nariz?

Por mais importante que possa ser, a prevenção não oferece, infelizmente, 100% de garantias contra as constipações. Mesmo assim, nunca é tarde. Ainda pode atenuar o sofrimento seguindo métodos apropriados. Em muitos casos, as seguintes medidas imediatas ajudam:

Inalação: Deite água quente numa taça com salva e tomilho (folhas, saquinhos de chá, extractos, óleos aromáticos). Aspire o vapor, com a cabeça sobre a taça e uma toalha posta por cima, durante dez minutos. Os agentes fazem libertar o catarro e evitam uma possível inflamação. Depois da inalação, seque a cabeça e o cabelo e deite-se durante meia hora.

Banho quente: Um banho de 15 minutos a 37o com semente de feno ou 15 a 20 gotas de óleo de eucalipto faz o corpo transpirar. Em seguida, agasalhe-se o mais depressa possível. Segunda parte do tratamento: adoce uma caneca de chá quente de tília ou de sabugueiro com uma colher pequena de mel e beba um pouco. Depois, só falta uma botija de água quente e cama. Transpire durante meia hora, mude a roupa e volte para a cama. Dormir é o melhor remédio.

Ao primeiro indício de constipação, deve deixar-se de ir à sauna. Isso traria um esforço desnecessário à circulação e, em princípio, pioraria a constipação. Importante: 90% de todos os tipos de gripe são causados por vírus para os quais os antibióticos são ineficazes. Diz o Dr. Nuezel: «Muitos doentes pedem medicamentos fortes para a constipação por quererem ficar em pé a qualquer preço. Mas isso não ajuda nada. Só existe um tratamento eficaz: curar a constipação primeiro!» Aqui ficam alguns truques para apressar a cura.

Para uma constipação: Enxagúe o nariz várias vezes ao dia. Dissolva uma colher de chá de sal marinho em água morna, deite um pouco na palma da mão e aspire-a pelas narinas. Se o muco espesso estiver a entupir o nariz, ingira muitos líquidos para fluidificar a secreção. Os sprays diminuem a tensão nasal, mas secam as mucosas e devem ser usados apenas numa emergência. Não assoe o nariz com muita força para não empurrar o muco com os germes para os seios nasais.

Para a tosse: Um chá de folhas de tomilho, funcho, tussilagem e cidreira tem um efeito antiespasmódico e expectorante. Beba uma chávena várias vezes ao dia. A propósito: leite quente com mel sabe bem, mas aumenta a obstrução mucosa.

Para a rouquidão: Gargareje de hora a hora com chá morno de salva. «Pastilhas para chupar e soluções para gargarejar podem destruir a flora das membranas mucosas a longo prazo. Estas tornam-se apenas mais susceptíveis», alerta o Dr. Nuezel.

 

 

Mais de metade das pessoas com um IMC de 25 ou mais precisa apenas de perder cerca de 10kg. Numa proporção de 7709 calorias por quilo (para simplificar, utilizaremos «calorias» quando, na realidade, são «quilocalorias»), 10 kg a mais equivalem ao número astronómico de 77 090 calorias, mas que, distribuídas ao longo de um ano, perfazem apenas 211 calorias por dia.

Por outras palavras, se retirar da sua alimentação diária cerca de 211 calorias e/ou as queimar com actividade física, terá perdido 10 kg ao fim de 365 dias sem recorrer a fastidiosos processos de contagem. Se fizer apenas duas das alterações aqui sugeridas, poupa ou queima cerca de 100 calorias. Escolha as suas preferidas ou utilize-as como fonte de inspiração para inventar outras.

Calcule o seu IMC: Para calcular o IMC, divida o seu peso pela sua altura ao quadrado. Por exemplo, um homem com 70 kg e 1,68 m deverá calcular a seu IMC da seguinte forma:

1- 1,68 x 1,68m = 2,82

2- 70 : 2,82 = 25 IMC

1- Coma 100 g de peito de peru (13 5 calorias) em vez de 100 g de bacon gordo (697 calorias).

2- Escalfe dois ovos grandes (184 calorias) em vez de os estrelar numa colher de sopa de margarina (258 calorias).

3- Deite 4 colheres de sopa de leite magro (38 calorias) no café do pequeno-almoço em vez de 4 colheres de sopa de natas (1 72 calorias).

4- Em vez de uma fatia grande (100 g) de bolo tipo pão-de-ló (260 calorias), coma uma panqueca de 60 g com uma colher de sopa de calda de açúcar (18 5 calorias).

5- Ao almoço, coma 90 g de fiambre (133 calorias) em vez de um hambúrguer simples (274 calorias).

6- Mate a sede com um copo de água (0 calorias) em vez de beber uma lata de coca-cola de 330 ml (201 calorias).

7- Misture 150 g de salada Waldorf (360calorias) com 150g de cenoura ralada (40 calorias) e coma metade (200calorias).

8- Em vez de uma barrinha de cereais com alperce (211 calorias), coma quatro alperces frescos (80 calorias).

9- Coma uma fatia de tarte de maçã (300 calorias) em vez de uma fatia de tarte de nozes (400 calorias).

10- Em vez de duas chávenas de arroz pilaf (400 calorias), coma meia chávena de arroz misturada com duas chávenas de legumes cozidos no vapor ou crus, à sua escolha (menos de 200 calorias).

11- Retire toda a gordura visível de um bife de 125 g (poupa cerca de 100 calorias).

12- Tem muita fome? Grelhe uma posta de salmão de 185 g (310calorias) em vez de o mesmo peso de um bife do lombo (410 calorias).

13- Jante metade de uma chávena de carne guisada (cerca de 460calorias) em vez de sete salsichas Frankfurters pequenas (875 calorias).

14- Para saltear legumes, utilize uma colher de sopa de azeite (120calorias) numa frigideira antiaderente em vez de duas colheres de sopa de óleo (240 calorias) numa frigideira normal.

15- Em vez de 100 g de batatas fritas aos palitos (210 calorias) coma uma batata grande assada no forno (120 calorias).

16- Adicione proteínas à salada sob a forma de rodelas de um ovo cozido (80 calorias) em vez de utilizar 60 g de queijo ralado ou aos cubos (200 calorias) .

17- Cubra 125 g de esparguete com meia chávena de molho de tomate (125calorias) em vez de com molho de carne (242 calorias).

18- Coma cinco bolachas de baunilha (190 calorias) em vez de dez (380 calorias).

19- Coma uma chávena de morangos (110 calorias) com uma colher de sopa de natas (43 calorias) em vez de 180 g de gelado de morango (194 calorias).

20- Prefira 2 bolas (150 g) de sorvete de fruta (150 calorias) em vez de duas bolas de gelado de nata (300 calorias).

21- Troque quatro caramelos (130calorias) por um chupa-chupa (22 calorias).

22- Beba 2 dl de vinho tinto (132 calorias) em vez de 2 dl de martini seco (234 calorias).

23- Faça compras durante 20 minutos (112 calorias).

24- Treine golfe, batendo 156 bolas (100 calorias, se fizer uma média de seis swings por minuto).

25- Dance sete músicas lentas durante 26 minutos (100 calorias).

26- Suba escadas durante cinco minutos (100 calorias).

27- Faça 10 minutos de aeróbia de baixo impacte (103 calorias).

28- Corra durante 10 minutos (109 calorias).

29- Jogue à apanhada com os seus filhos durante 15 minutos, tentando apanhá-los (116 calorias).

30- Dê um passeio com passo apressado durante1 5 minutos (100 calorias).

 

 

Quando Patrícia Nave, de 33 anos, moradora em Oeiras, decidiu casar, marcou uma consulta com uma ginecologista para fazer um check up. Os exames a que foi submetida revelaram que tinha um quisto num ovário. «Estive cerca de um ano em observação, a fazer ecografias pélvicas mensalmente», conta. «O quisto aumentava e diminuía, mas não desaparecia. Por isso, tive mesmo de ser operada para remoção do ovário e da respectiva trompa de Falópio.»

Um número cada vez maior de mulheres portuguesas já percebeu que o controle ginecológico regular é importante. No entanto, uma grande parte só vai ao ginecologista quando tem algum problema. Segundo Isabel Marques, ginecologista no Hospital do Barreiro, as mulheres vão muito à consulta de ginecologia levadas pelo medo do cancro, especialmente da mama, e porque a uma vizinha ou amiga foi diagnosticada esta patologia. Depois, aparecem as jovens à procura de contracepção, assim como as mulheres na menopausa para terapia hormonal de substituição. As hemorragias e a infertilidade seguem-se na lista. Outro grupo significativo são as doentes idosas com queixas de pruridos vulvares. «Todas as mulheres deviam visitar o seu ginecologista pelo menos uma vez por ano, para fazerem um exame citológico, o rastreio ginecológico com exame mamário, já que muitas das perturbações que afectam o aparelho reprodutor feminino só são detectadas nestas observações de rotina», diz Isabel Marques.

Na verdade, como confirma Paulo Ribas, ginecologista do Centro do Porto do Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil, «as lesões pré-malignas do cancro do colo do útero, por exemplo, não apresentam sintomas, e só os exames regulares permitem detectá-las». Bernardino Costa, médico de família no Centro de Saúde de Oeiras, também salienta a necessidade de consultas rotineiras ao ginecologista. «São médicos que estão melhor capacitados para diagnosticar e tratar as doenças em que são especialistas», diz. «E quanto mais cedo são detectadas, mais hipóteses têm de cura.» O problema é que nem sempre é fácil para as mulheres explicarem pormenores íntimos ou permitir que as examinem. Por isso, podem aconselhar-se com o médico de família ou as amigas, no sentido de encontrar um ou uma ginecologista com quem se sintam à vontade e em quem tenham confiança. Eis 10 razões por que devem ir regularmente ao ginecologista:

1. Cancros do útero e do colo do útero

Submeter-se a uma citologia vaginal anual, o chamado teste de Papanicolau, permite detectar alterações celulares que podem derivar em cancro do útero e do colo do útero. Trata-se de uma intervenção simples, que não requer anestesia: consiste em retirar uma amostra de células do colo do útero e da vagina e em analisá-las. A citologia é recomendada a todas as mulheres desde o início das relações sexuais, ou a partir dos 25 anos, mesmo que não tenham uma vida sexual activa. «A acção do ginecologista é fundamental porque uma colheita que não é feita correctamente pode conduzir a resultados erróneos», diz Paulo Ribas. «Uma das técnicas mais modernas e eficazes de citologia é o thin-prep, muito mais sensível e eficaz na detecção das pré-lesões destes tipos de cancro.»

2. Patologias mamárias

Embora a mulher possa auto-examinar os seios, é importante que o ginecologista também o faça, pelo menos uma vez por ano. O cancro da mama é o que mais afecta as mulheres. Em 1998, foi responsável por 1554 mortes no nosso país. «Quanto mais cedo for diagnosticado, mais possibilidades há de detê-lo», diz Paulo Ribas. «A Organização Mundial de Saúde aconselha mamografias anuais para mulheres sem factores de risco a partir dos 35, 40 anos, durante três anos e, no caso de não serem detectados problemas, de dois em dois anos a partir dessa altura. Se tiver antecedentes familiares com cancro da mama, impõe-se que começe a vigilância mais cedo, utilizando também por vezes outros tipos de testes existentes para detecção do cancro da mama, a ecografia mamária e a citologia aspirativa.»

3. Irregularidades menstruais

A dor durante a menstruação, o aumento na frequência dos ciclos ou a sua ausência, são perturbações que devem ser levadas ao conhecimento do ginecologista, já que podem indicar a existência de outras alterações, como uma inflamação da mucosa uterina ou uma infecção vaginal. «Hemorragias fora das mentruações podem também ser sinal de cancro do útero», esclarece Carlos Barros, ginecologista da Maternidade Doutor Alfredo da Costa, em Lisboa.

4. Desequilíbrios hormonais

As alterações hormonais que se produzem durante o período pré-menstrual, a gravidez e a menopausa podem provocar perturbações físicas e psíquicas como depressão e fragilidade óssea. O ginecologista pode ajudar a superar e a eliminar estas perturbações. «Durante a menopausa, a substituição hormonal, através da administração de estrogénio e progesterona, ajuda a suprir a falta de produção destas hormonas depois da menopausa», diz Isabel Marques. «No entanto, esta teurapêutica tem de ser vigiada pelo médico».

5. Conhecer o corpo

As consultas regulares podem ajudar a mulher a conhecer melhor o seu corpo e a esclarecer muitas dúvidas. Um ginecologista é um confidente, um amigo, que ajuda a mulher nas várias fases da sua vida. Por outro lado, permitem detectar problemas que por vezes passam despercebidos, como os fibromiomas — tumores benignos — e os quistos ováricos.
 

6. Planear a maternidade

Existem muitos métodos contraceptivos, mas cada mulher tem o seu padrão de vida sexual, as suas características físicas e preferências. O ginecologista é o melhor conselheiro no que respeita o controle da maternidade, ajustando os métodos às necessidades individuais e controlando os seus efeitos. «Embora a pílula, o método contraceptivo utilizado por 69% das mulheres portuguesas, seja de venda livre, deve haver o acompanhamento de um ginecologista», diz Carlos Barros. «Além disso, o começo da vida sexual e a mudança de parceiros sexuais são factores que têm influência no desenvolvimento de infecções. Assim, é aconselhável a primeira visita ao ginecologista na altura em que se começa a ter relações sexuais, e consultas pré-concepcionais para evitar doenças com repercussões fetais.»

7. Infecções

Ao recorrer ao ginecologista perante o menor sintoma de infecção urogenital, evitam-se complicações e incómodos. «Por exemplo, as neoplasias e as lesões intra-epiteliais do colo e da vagina, provocadas pelos papilomavírus, podem conduzir mais tarde ao cancro», diz Isabel Marques. «Muitos problemas de infertilidade podem ser evitados se as infecções insidiosas forem detectadas e tratadas precocemente.»

Carlos Barros acrescenta que «as infecções vulvo-vaginais que podem vir a complicar-se de pelviperitonite são detectadas apenas pelo ginecologista e podem perigar a saúde da doente se não forem tratadas atempadamente».

8. Infertilidade

Cerca de 90% dos problemas de infertilidade têm solução, graças às técnicas de reprodução assistida. Por isso, não há ninguém melhor do que o ginecologista, que conhece a história médica do doente, para descobrir a causa da infertilidade e encontrar uma solução.

9. Disfunções sexuais

Embora este tipo de problemas deva ser tratado por um sexólogo, é conveniente consultar previamente o ginecologista para rastrear a existência de uma causa de origem física.

10. Doenças transmitidas sexualmente

As relações sexuais com vários parceiros facilitam a transmissão de vírus e micróbios, que provocam infecções, sendo por vezes assintomáticas, como acontece no caso da sida. O ginecologista pode despistar ou confirmar a presença de uma infecção deste tipo. O não-diagnóstico de algumas doenças deste tipo pode levar a consequências graves, como a esterilidade e uma maior mortalidade neo-natal.

«Tive sorte por o meu problema ter sido detectado e controlado a tempo», diz Patrícia Nave. «Caso contrário, o quisto podia ter invadido o útero, obrigando também à sua remoção, o que me impediria de realizar um dos meus maiores desejos: ter o filho que estou agora à espera.»

 

 

Na cultura ocidental, o sexo está normalmente conotado com a juventude. Os anúncios insinuam sugestões e promessas, a comunicação social e a indústria de lazer fabricam uma imagem de divertimento de que os mais velhos foram excluídos. Tem-se direito a um ingresso no mundo do prazer desde que se seja jovem e se leve uma vida de solteiro frenética.

É um erro. Toda a gente tem direito ao sexo e oportunidades, pois a sexualidade e o instinto duram pela vida fora. «A idade não é um impedimento ao prazer», garante Tuula Emas, terapeuta sexual da Sexual Health and Couples Relationship Clinic, de Erenova, Vaasa. «As pessoas mais velhas também têm necessidades e têm direito a uma vida totalmente equilibrada, incluindo sexo com prazer.» .

Muitas pessoas só atingem o equilíbrio sexual quando chegam à terceira idade. «Muitas mulheres não se dão conta da sua sexualidade antes dos 40 anos, e muitas outras só a partir dos 50 anos», diz Maija Kajan, ginecologista do Tampere Gynecological and Urological Centre. «A obsessão do desempenho, a preocupação de ser bom e a necessidade de afirmação vão desaparecendo à medida que a idade avança», diz Kajan.

E quanto aos homens? As novas drogas que ajudam a erecção são uma solução apenas parcial, pois tanto a experiência como a autoconfiança adquiridas com a idade ajudam muitos homens a encontrar novos prazeres na sexualidade. «Um homem com mais idade liberta-se da mania do sexo “tecnicamente” perfeito ou orientado para o desempenho e vive a sua sexualidade de forma mais espiritual e emocional do que antes», diz Tuula Emas.

As mudanças trazidas pela idade tornam muitas vezes a vida sexual mais difícil. Um das desordens típicas dos homens é a disfunção eréctil causada por doença, e é nesse momento que procuram o urologista. Por sua vez, as mulheres queixam-se ao ginecologista de que têm relações sexuais dolorosas. Estes incómodos são, contudo, relativamente fáceis de tratar.
Os problemas sexuais nem sempre estão entre as pernas, mas antes entre os dois ouvidos. As nossas atitudes e preconceitos e os das pessoas que nos rodeiam reduzem muitas vezes as ocasiões durante os chamados anos de ouro. Como se isto não bastasse, muitas pessoas sentem vergonha das suas necessidades. Nestas páginas, especialistas médicos desfazem sete mitos sobre sexo adulto.

 

Mito 1:
O sexo e o desejo sexual são vergonhosos

Na nossa cultura, que vive para um ideal de juventude, a sexualidade das pessoas com mais de 50 anos é quase um tabu. O sexo pertence à juventude: os feios, os velhos e os fracos nem devem pensar nisso. Muitas pessoas sentem que não têm o direito de desfrutar da sua sexualidade. «Os baby boomers e a geração precedente cresceram numa cultura sexual totalmente negativa», diz Tuula Emas.
A maior parte dessas pessoas está preocupada com o seu corpo. As mulheres lamentam a beleza perdida e não conseguem conviver com um corpo que se modificou com o passar dos anos: «Quem é que ainda ia interessar-se por uma mulher flácida?» Da mesma maneira, os homens que sofrem de disfunção eréctil facilmente perdem a auto-estima. «Já não presto para nada.» Nos piores dos casos, as pessoas decidem que a sua vida sexual chegou ao fim porque acham que «já não têm idade».
De acordo com vários estudos, entre 20 e 50% das mulheres na idade da menopausa experimentam disfunções psicossexuais com inibição do desejo sexual. Ao envelhecerem, os homens mantêm um desejo sexual mais acentuado do que as mulheres, porque a vida sexual do homem, mesmo que bastante idoso, é mais bem aceite pela nossa cultura. As novas drogas que provocam a erecção oferecem oportunidades inesperadas na vida sexual dos «panteras grisalhos».
As mulheres têm que enfrentar pressões relativas ao seu papel na sociedade. «Por exemplo, muitas das expectativas e funções relacionadas com a maternidade poderão tornar-se num pesado fardo para a mulher», diz Emas. «Poderá uma avó ser também uma mulher ardente e sexualmente activa?» Claro que pode. A geração que tomou parte na revolução sexual dos anos 60 não pode subscrever os velhos modelos e atitudes.

 

Mito 2:
O desejo desaparece quando a actividade hormonal se altera.

Durante a menopausa, a produção de estrogénios, por outras palavras, as hormonas femininas, diminui gradualmente, até que por fim cessa. Contudo, este facto não reduz o apetite sexual, muito pelo contrário, às vezes aumenta-o.
Quando cessa a produção de hormonas femininas, os ovários continuam a produzir hormonas masculinas, ou seja, a testosterona. «O equilíbrio hormonal feminino altera-se gradualmente, até se tornar predominantemente testosterona», diz Kajan. «Nas mulheres mais idosas, esse aumento relativo pode aumentar a actividade sexual. Muitos homens surpreendem-se quando a sua companheira se torna mais activa.»
Embora o decréscimo da produção de estrogénios não diminua o apetite sexual, a menopausa pode tornar a mulher sexualmente passiva. O fenomeno é, na maior parte das vezes, psicológico. «Com o envelhecimento, a relação das mulheres com o seu próprio corpo torna-se muitas vezes problemática», diz Tuula Emas. A cultura comercial admira e usa corpos jovens de mulher, o que faz que as mulheres de idade façam de si próprias uma avaliação negativa. Independentemente da idade, é sempre importante para uma mulher sentir que ainda é bonita e desejável. Deveria aceitar o seu corpo e sentir-se bem nele. Muitas vezes, isso bastará para que o desejo sexual volte.
Também os homens passam pela andropausa, embora esta seja mais tardia do que a menopausa. A produção de testosterona começa a diminuir por volta dos 40 anos e os verdadeiros sintomas da andropausa aparecem por volta dos 60 anos. «A diminuição da testosterona pode causar no homem sintomas idênticos aos da menopausa da mulher: suores, depressão, decréscimo da produtividade no trabalho e do poder de concentração», diz o Prof. Olavi Lukkarinen, urologista do Oulu Diaconess Institute.
A alteração da actividade hormonal também tem efeitos na vida sexual. «O primeiro sintoma é a diminuição do apetite sexual», diz Lukkarinen. «Os homens podem começar a evitar as respectivas mulheres, a não tomarem a iniciativa e a ignorar as insinuações das suas parceiras. Nos piores casos, a intimidade com as esposas sofre a todos os níveis.»
Embora a diminuição da testosterona faça diminuir o desejo sexual, há grandes diferenças de caso para caso. Algumas doenças, como os problemas da próstata ou a hipertensão, podem ter um efeito maior na diminuição do desejo sexual do que o decréscimo do nível hormonal. Fumar, beber álcool em excesso, bem como a hipertensão e o stress, podem também resultar em diminuição do desejo sexual.
Nos últimos anos, as terapias de substituição das hormonas masculinas têm-se tornado comuns. «Têm um efeito positivo não só na vida sexual como no bem-estar dos homens: melhoram a produtividade no trabalho, a actividade e a mente», diz Lukkarinen. «Ultimamente, tenho recomendado aos homens um gel que devem massajar na pele de manhã. Quase não tem efeitos adversos se a dosagem for correcta.» Há quem adquira testosterona proveniente de fontes ilegais, mas Lukkarinen adverte contra esses produtos: «O uso indiscriminado destas substâncias pode produzir efeitos secundários graves, como, por exemplo, coágulos de sangue e lesões hepáticas.»

 

Mito 3:
Os problemas de erecção aparecem com a idade

Todos os homens sofrem ocasionalmente de disfunção eréctil numa altura ou outra das suas vidas. A probabilidade de estes problemas surgirem aumenta à medida que se avança na idade. «Um estudo levado a cabo recentemente em 20 países mostrou que a disfunção eréctil é comum em todo o Mundo», diz Olavi Lukkarinen. «Cerca de 35% dos homens entre os 40 e os 70 anos sofrem de problemas de potência. Quanto mais avançada é a idade, mais comum se torna a doença.»
A disfunção eréctil não é, porém, consequência da idade, mas sim de alguma doença por detrás dela. De acordo com estudos efectuados, 75% das disfunções advêm de algum problema orgânico, e 25%, de factores físicos, diz Lukkarinen. «Na grande maioria, os homens que sofrem deste problema sofrem também de diabetes, doenças das artérias coronárias ou hipertensão. As depressões de longo prazo também os predispõem a sofrer de disfunção eréctil.»
Muitas vezes, a disfunção eréctil está relacionada com um problema de nível de vida. O tabaco, o excesso de álcool, a falta de exercício, o peso excessivo e o colesterol elevado são causas directas de impotência. Um homem saudável e activo é também mais activo na cama.
Existem vários tratamentos para a disfunção eréctil. O viagra é a droga mais conhecida do Mundo, mas existem mais dois medicamentos, Cialis e Levitra. «Todos eles são medicamentos de receita médica e têm basicamente o mesmo efeito», diz Lukkarinen. «São fármacos excelentes e quase não provocam efeitos secundários, podendo, no máximo, provocar uma dor de cabeça ... e uma certa inveja.»
Mas estes comprimidos não servem para toda a gente. Por exemplo, quem esteja a fazer «nitro» para o coração deve escolher outra solução. «Muitos dos meus pacientes fazem um tratamento injectável», diz Lukkarinen. «Outros usam um fármaco chamado Muse, que é introduzido na uretra por meio de uma pipeta.» Existem outras alternativas, como a bomba de vácuo e o anel de erecção, «que são boas alternativas aos fármacos», segundo Lukkarinen. «Após obter a erecção com a bomba de vácuo, o homem pode introduzir na base do pénis um anel de erecção e assim conseguir mantê-la.»
Uma disfunção eréctil grave pode também ser tratada por meio de uma operação, pela qual é introduzido no pénis um implante ajustável. «Quando em descanso, esta prótese é invisível. Com a ajuda de uma bomba no escroto, o homem consegue ter uma erecção quando necessário. Também, neste caso, tanto a sensibilidade como a capacidade de ter um orgasmo são preservadas», diz Lukkarinen.
Mesmo que o homem não tenha problemas de impotência, à medida que avança na idade a sua erecção torna-se diferente do que era quando estava na casa dos 20 anos. Quando se é jovem, a erecção acontece «só de se pensar nisso», mas quando se envelhece são necessários mais estímulos e carícias. Com a idade o arranque é mais lento, mas muitas vezes o processo dura mais tempo, apesar de o ângulo de erecção ser mais modesto do que era na juventude.

Mito 4:
A relação sexual é difícil e dolorosa

A cópula é para muitas mulheres literalmente uma via dolorosa. O sexo, outrora agradável , tornou-se com a idade uma inconveniência, o que retira toda a satisfação e reduz o desejo da mulher. «Um dos problemas típicos é a mucosa vaginal tornar-se seca», diz Maija Kajan. «Quando a produção de estrogénios diminui, as membranas mucosas de quase todas as mulheres tornam-se frágeis. Ficam sensíveis, inflamam-se facilmente e podem muito simplesmente impedir todo o prazer.
Há uma grande variedade de preparados de estrogénio para o tratamento de membranas mucosas sensíveis, tais como os supositórios vaginais Ovestin ou o creme Pausanol, que podem comprar-se em farmácias e que não necessitam de receita médica. «Estes preparados de estrogénio para uso tópico são seguros e raramente têm efeitos secundários», diz Maija Kajan. «As cápsulas vaginais Vagifem, vendidas com receita médica, são seguras e eficientes.»
Outra alternativa é o anel vaginal Estring. «O anel é colocado na vagina e da sua superfície brota lentamente uma pequena dose de estrogénio que tem um efeito tópico. O anel é mudado quatro vezes por ano e pode ser deixado na vagina sempre, mesmo durante a cópula.»
Se a mulher não quer recorrer a preparados de estrogénio, há inúmeros cremes e óleos lubrificantes. «Muitas mulheres acham divertido usá-los porque aumentam o prazer», diz Kajan. «É por isso que muitas usam cremes, mesmo sem precisarem deles.»
Frequentemente, a explicação de uma cópula dolorosa é simplesmente um parceiro desajeitado. «Os homens preocupam-se sobretudo com o desempenho e a cópula», diz Tuula Emas. «Uma mulher mais velha precisa de mais tempo, ternura e intimidade do que antes precisava.» Se a relação do casal não é boa, a medicação para a erecção tomada pelo homem pode traduzir-se num problema para a mulher.
«Às vezes, numa relação de longa duração, acontece os cônjuges afastarem-se e não terem relações sexuais durante muito tempo. Quando, numa situação como esta, o homem tem uma ocorrência de erecção, a cópula não será necessariamente agradável para a mulher se não há intimidade para além dela», diz Tuula Emas.

 

Mito 5:
Há várias doenças que arruínam a vida sexual

A diabetes sobrevinda em idade adulta, a hipertensão, as doenças cardiovasculares, as desordens da próstata e a esclerose múltipla são doenças comuns que afectam o funcionamento do organismo e da sexualidade. Algumas dessas doenças tolhem os movimentos e forçam os casais a aprenderem novas posições para uma relação sexual agradável. Os enfartes, algumas miopatias, a esclerose múltipla e as lesões da medula espinal afectam o controle das funções orgânicas. «Se é certo que as doenças trazem limitações, elas não são sinónimo de desistir do sexo», diz Emas. «Os cônjuges têm que falar aberta e honestamente sobre as suas necessidades e desejos.»
Adoecer pode também significar uma mudança de papéis no casal. «Quando um dos cônjuges adoece, é fácil o casamento tornar-se uma relação de enfermagem», diz Kajan. A pessoa doente pode enroscar-se no casulo da sua infelicidade e deixar de sentir-se desejável. Mas também acontece que a doença de um solidifique e sane uma relação.
As desordens restringem a vida sexual menos do que geralmente se crê. «Na maior parte dos casos, uma doença não é obstáculo para a cópula, que não exige esforço físico extremo», diz Maija Kajan. Até as doenças coronárias ou as sequelas de um enfarte do miocárdio só raramente proíbem o sexo. «As mais das vezes, o problema é de atitude: a doença provoca medo, timidez e depressão em nós próprios e no nosso parceiro.»
Se a cópula representa um risco para a saúde, os parceiros podem fazer sexo através de carícias. «As doenças não têm que afectar a experiência de intimidade», diz Tuula Emas. «Se o sexo com vista à cópula é difícil, se não resulta ou muito simplesmente não é querido, há ainda muitas alternativas. O sexo da terceira idade pode ser bem mais sofisticado que o dos jovens.»

 

Mito 6:
O envelhecimento mata os orgasmos

Com a idade, a circulação sanguínea enfraquece e a sensibilidade dos órgãos sexuais decresce. Homem e mulher passam a precisar de mais carícias e preliminares para se excitar. A menor sensibilidade requer também frequentemente estímulos maiores e mais prolongados das zonas erógenas para possibilitar o orgasmo. À medida que envelhece, a capacidade da mulher de ter um orgasmo pode diminuir, bem como a intensidade e duração do mesmo. «São questões muito individualizadas», diz Maija Kajan. «A experiência de um orgasmo na velhice pode ser muito diferente de quando se era jovem e muitas vezes mais satisfatória.»
O orgasmo é mais difícil de atingir nas mulheres do que nos homens, e um número significativo nunca o experimenta durante a cópula. «O orgasmo enfraquecido ou inexistente não deve, porém, reduzir o prazer da relação sexual», diz Tuula Emas. «O sexo é mais do que um desempenho atlético dirigido ao orgasmo. Sexo é o prazer da intimidade e a partilha de uma experiência mútua.»
Com a idade, a sensibilidade do pénis e, em especial, da glande diminui. Há homens que se afligem com isso, mas para muitos é uma agradável revelação, porque podem desfrutar mais o sexo sem a necessidade compulsiva de controlar uma ejaculação precoce.
O orgasmo de um homem de idade é diferente do de um jovem. «A força da ejaculação e a quantidade de esperma diminuem com a idade», diz Olavi Lukkarinen. «O orgasmo nem sempre é tão forte como na juventude, mas até indivíduos com mais de 80 anos conseguem ainda ejacular.»

 

 

Mito 7:
Sem cópula, o sexo não presta

Embora a capacidade sexual e os requisitos para a relação sexual enfraqueçam com a idade, pode trasformar-se isso numa mais-valia. «Estamos demasiado focados no orgasmo. Terá uma pessoa de setenta e tal anos que ter a mesma vida sexual de outra com menos de vinte anos?», pergunta Kajan. «Físico e psique mudam, e quando envelhecemos, podemos dizer adeus ao sexo focado no desempenho.»
Mas cada um é o melhor perito sobre a sua própria sexualidade. Se uma vida sem sexo o satisfaz, não há nada de anormal nisso. Maija Kajan incita também as pessoas a procurarem novas formas de se divertirem. «O gosto da aventura, um espírito aberto, um estudo ou exploração entusiásticos podem ser fontes de surpreendentes descobertas de vida.» Nunca é tarde demais para desfrutar do sexo.

 

 

Luís Nunes, de 32 anos, do Porto, foi picado por uma abelha no braço e tirou o ferrão com a ajuda de uma pinça. Mas as dores aumentavam, bem como a comichão, o que o levou a coçar a zona picada e provocar um edema, isto é, um inchaço. No dia seguinte, como o inchaço e as dores não diminuíam, decidiu ir ao hospital. Por não ter logo recorrido aos cuidados médicos quando os sintomas se agravaram e por ter coçado a ferida, aquela simples picada deu origem a uma infecção local. Com um antibiótico e um creme anti-alérgico, curou-se em três dias. As picadas e mordeduras de insectos e animais marinhos, não costumam originar mais do que uma dor temporária ou prurido durante dois ou três dias. A maior parte das vezes apenas requerem um tratamento rápido e eficaz. Mas há casos em que obrigam a uma consulta médica. «As picadas ou mordeduras de insectos provocam pequenas reacções cutâneas que poderão transformar-se em infecções secundárias, devido às substâncias deixadas pelo insecto na picada», diz Mário Freitas, médico cirurgião no Hospital de Cascais. O caso torna-se mais complicado para as pessoas alérgicas ao veneno de certos insectos. «Além do efeito tóxico das picadas ou mordeduras, surgem reacções alérgicas intensas, como dores abdominais, falta de ar, edema da glote ou hipertensão», salienta Fernando Ribas dos Santos, dermatologista e chefe de serviço do Centro Regional do Norte do Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil. «Nestes casos, as vítimas devem recorrer imediatamente a cuidados médicos.»

Abelhas e vespas

Para distinguir se a picada é de abelha ou de vespa, observe a marca que deixou: a de abelha conservará o ferrão e, seguramente, parte do abdómen, enquanto que, no caso da vespa, apenas se vê um ponto na pele. Retire o ferrão da abelha, com uma agulha esterilizada e nunca com as unhas. Lave a zona afectada com água e depois aplique um creme anti-alérgico, anti-histamínico ou corticóide.

Se não tiver à mão um creme deste tipo, aplique água fria ou compressas frias sobre a picada. «Nunca se deve coçar a zona afectada, para não originar uma reacção local pior do que a provocada pelo insecto», diz Fernando Ribas dos Santos. No entanto, uma picada na boca ou na garganta pode ser grave, dado que a tumefacção pode obstruir a respiração. A vítima deverá chupar cubos de gelo e procurar de imediato auxílio médico.

Aranhas e aranhiços

«Entre os vários tipos de aranha existentes no nosso país, no Sul existem aranhas como a viúva negra e as suas várias sub-espécies, cuja picada, embora tanto quanto se sabe não seja mortal, poderá ter implicações secundárias», diz António Santos Grácio, professor associado com agregação de entomologia médica no Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa. Contudo, a picada de aranha não dói e os sintomas apenas aparecem mais tarde. «O primeiro sintoma é um inchaço central, com uma reacção irregular eritematosa envolvente, precedendo a formação de uma bolha e em seguida de uma mancha preta», explica Fernando Ribas dos Santos. «Esta infecção cicatriza lentamente e dá muita comichão. Não coçar e limpar a zona com desinfetante é a melhor forma de debelar estes sintomas.» Perante qualquer reacção preocupante ou dúvida, dirija-se a um centro médico, já que, em certos casos, uma simples picada de aranha, poderá originar reacções alérgicas como febre, falta de ar, dores musculares ou hemorragias. «Isto acontece se a aranha possuir um veneno potente, como o da viúva negra, sendo mais afectadas as pessoas com menos defesas no organismo, as crianças e os idosos, por exemplo», explica Jorge Atouguia, director da Unidade de Ensino e Investigação de Clínica das Doenças Tropicais do Instituto de Higiene e Medicina Tropical.

Melgas e mosquitos

Só as fêmeas é que nos chupam o sangue, e apenas após terem copulado, pois os seus ovos só amadurecem depois de terem feito uma refeição de sangue. O inchaço e a comichão que uma picada de mosquito provoca é uma reacção alérgica do nosso corpo ao anticoagulante que nos injecta para que o nosso sangue continue a fluir. «As picadas de melgas e mosquitos só produzem uma reacção local, pelo que não são necessários cuidados especiais», diz Mário Freitas. «Basta aplicar uma pomada anti-alérgica e tomar um analgésico contra as dores, caso surjam.» É importante não esquecer que estes insectos, sobretudo os mosquitos, podem transportar consigo outras doenças. Por isso, os repelentes de insectos assumem um papel fundamental. Se for picado, convém lavar imediatamente a zona com água e sabão.

«Até ao final dos anos 50, existiam em Portugal mosquitos vectores da malária», diz António Santos Grácio. «Actualmente, embora estes mosquitos continuem a existir, a doença apenas é importada de países onde existe malária — África, América Latina e Ásia. Porém, há espécies que podem transmitir vírus — os arbovírus.» Segundo Jorge Atouguia, o vírus west nile, transmitido pelo mosquito, provoca sintomas ligeiros como febre, vómitos, náuseas, manchas na pele e quadros graves como encefalites, que podem evoluir para coma e morte. Também na praia podemos ter encontros imediatos com uma fauna pouco disposta a ver o seu habitat invadido por seres humanos.

Alforrecas

A picada das medusas — entre elas, a comum alforreca — costuma ser perigosa, não pela irritação cutânea que provoca na pele, mas pela dor que causa, que pode dificultar a natação de quem a sofre. «As alforrecas possuem uma célula com um pequeno sensor, que faz disparar um espigão», explica Gonçalo David Nunes, biólogo marinho no Oceanário, em Lisboa. «O espigão penetra na pele das vítimas e é através dele que injectam um veneno tóxico.» Deve-se lavar a zona afetada com água corrente, sem esfregar, sobretudo não limpar com areia, por exemplo, para tirar os filamentos e remover algumas partes da alforreca que tenham ficado agarradas à pele. «Em casos extremos, como dores mais intensas ou queimadura, receitamos analgésicos, para controlar a dor, e cremes anti-histamínicos devido ao prurido», diz Mário Freitas. As alforrecas não têm poder de deslocação e, dependendo da espécie, podem lutar mais ou menos contra a ondulação. Esta espécie está presente durante todo o ano em toda a costa marítima, embora a zona da península de Tróia e o rio Tejo sejam as suas zonas preferidas. Felizmente, não existem medusas venenosas na nossa costa, mas a mais urticante é a Pelagia nocticula, usual nas costas mediterrânicas.

Ouriços-do-mar

«Ao caminharem à beira-mar, as pessoas podem ser picadas pelos ouriços-do-mar que costumam estar camuflados nas rochas, podendo estas estar ou não cobertas pela água do mar, dependendo do estado da maré», explica Gonçalo David Nunes. Os espinhos desta espécie marinha, que se encontra em toda a nossa orla costeira, ficam incrustrados na pele e é difícil extraí-los, porque são segmentados e partem-se com facilidade. Embora possam ser rejeitados pelo organismo ao fim de alguns dias ou semanas, por vezes, enquistam e produz-se uma pústula. Deve-se extraí-los com um alfinete esterilizado, quando a zona afectada ainda está molhada. No entanto, as picadas são mais perigosas nos trópicos porque os ouriços-do-mar têm espinhos maiores. «Se o espinho se encravar numa articulação ou num nervo, algo muito raro de acontecer, poderá ser necessária uma intervenção cirúrgica», refere Mário Freitas. «É possível, ainda, surgirem reacções alérgicas aos espinhos, como eritemas ou edemas.»

Peixe-aranha

No Verão passado, Sofia Sabido, de 24 anos, de Tires, estava a tomar banho na praia de Carcavelos, quando, de repente, sentiu uma forte picada no pé esquerdo. «Pensei que me tinha cortado numa concha e saí logo da água», conta. Passados uns 20 minutos, como o pé começou a inchar e a dor a aumentar e a alastrar-se por toda a perna até que ficar dormente, foi ao posto de saúde da praia. Soube então que tinha sido picada por um peixe-aranha. «Colocaram-me o pé numa recipiente com água muito quente e deram-me uma injecção contra o tétano», acrescenta. O peixe-aranha, de cor amarelada, possui um corpo cilíndrico, é ligeiramente achatado na cabeça e tem espinhos na barbatana dorsal de tonalidade negra. Este simpático animal marinho costuma habitar em zonas de grandes areais e onde o mar é mais calmo, como na linha de Cascais, na Figueira da Foz, no Algarve ou em Setúbal, e fica camuflado debaixo da areia. Em geral, os banhistas são picados durante a baixa-mar. «Quando a maré vaza, as pessoas andam até mais longe e entram na zona deles», diz José Silva, do Instituto de Socorros a Náufragos, em Paço d’ Arcos. «Quando os pisam, defendem-se picando com a barbatana dorsal que possui um veneno paralisante.» Em 1999, foram registados 50 casos destes em todo o litoral. Dores muito fortes, dormência e inchaço são as reacções provocadas por uma picada deste peixe. «A imersão imediata do pé em água quente, até que os sintomas desapareçam, é o melhor tratamento, já que o veneno deste peixe é destruído pelo calor», diz Mário Freitas. «Em certos casos faz-se o reforço da vacina do têtano. Se não houver tratamento adequado, poderá ocorrer uma infecção secundária.» Sofia sofreu durante duas semanas as consequências do seu «encontro picante». «Custava-me andar e fiquei com o pé e a perna inchados, isto porque não recorri de imediato aos cuidados médicos.» Apesar das picadas e das mordeduras, esta época do ano é maravilhosa. Por isso, com algumas precauções, podemos gozar ao máximo o contacto com a Natureza.

No campo ou na praia

• Evite usar perfumes, cosméticos e cremes solares com um odor adocicado, já que estes produtos atraem os insectos.

• Aplique um repelente de insectos à base da mistura de óleos de lavanda e de citronela antes de iniciar a excursão. Por precaução, a aplicação deve ser renovada aproximadamente de duas em duas horas, uma vez que a transpiração e o contacto com a roupa diminuem a eficácia de oito horas garantidas pelos fabricantes.

• Os vaporizadores e os difusores eléctricos podem também afastar estes insectos, mas só devem ser utilizados quando estritamente necessário, pois não são totalmente inofensivos para o ser humano. • Não faça movimentos bruscos quando uma abelha ou uma vespa se aproximarem de si. Se for picado, abandone rapidamente o local onde se encontra. É que, depois de picarem, as abelhas e as vespas libertam um cheiro que atrai as outras. • Deve-se ir ao médico se aparecer uma reacção generalizada ou algum destes sintomas: erupção cutânea exagerada e com dor, inflamação extensa, palidez e debilidade, náuseas e/ou vómitos, opressão no peito, nariz ou pescoço, febre.

 

 

«Ao princípio , senti algumas dificuldades para me equilibrar dentro de água. Era complicado manter-me com os pés assentes no chão e direita. Mas ao fim de um mês, já conseguia fazer os exercícios. »

A recuperação da sua forma ideal começou a verificar-se quase imediatamente. «Notei os músculos a reagirem ao fim de três aulas», diz. «Seis meses mais tarde , comecei a ganhar massa muscular e, depois disso, perder peso. está mesmo a funcionar.»

A hidroginástica é uma modalidade de sucesso crescente no nosso país. «A pesar de não existirem dados estatísticos, tem-se verificado um aumento de praticantes e de professores que se dedicam a esta actividade», diz Ana Varela, professora auxiliar do Núcleo de Exercício e Saúde na Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa. «Além de ser recomendada pelos médicos com fins terapêuticos, a hidroginástica é cada vez mais praticada por quem quer manter a forma ou emagrecer.»

Segundo Jorge Gonçalves, médico no Porto, especializado em Medicina Física e de Reabilitação e em Medicina Desportiva, a hidrocinesiterapia, em que parcialmente a hidroginástica se baseia, também serve para assegurar uma boa elasticidade dos músculos e dos tendões, prevenir nos problemas de articulações e no aparelho cardiorespiratório . «Embora a hidroginástica possa ser praticada pela maioria da nossa população, incluindo obesas, grávidas, idosas, crianças e jovens, é conveniente consultar previamente um médico», aconselha.

 

As Vantagens

A hidroginástica compõe-se de uma série de exercícios da ginástica feitos dentro de água e executados com ajuda de materiais próprios, como rolos de esponja, halteres e pranchas. Tem algumas particularidades que a fazem estar na moda. «Como não há espelhos e as pessoas não conseguem observar-se umas às outras porque estão com a água à altura do peito, não sentem complexos nem competição física», diz Julieta Cardoso, professora desta modalidade num health club de Lisboa. «Por outro lado, não é preciso saber nadar nem mergulhar.»

Também o impacto nas articulações é menor do que num desporto fora de água, assim como o risco de lesões. Segundo Ana Varela, na água caímos 800 vezes mais devagar. «Uma das propriedades da água, é a de nos suportar », diz. «A força de gravidade é contrariada pela força de impulsão e o resultado é uma situação de sustentação que ajuda a reduzir o peso sobre as articulações.»

Por outro lado, a água tanto pode facilitar os deslocamento do movimento realizado em direcção à superfície, como torná-lo mais intenso. «Os qu8e sofrem de excesso de peso, por exemplo, sentem-se mais leves e ágeis e conseguem fazer movimentos mais amplas, ao passo que num ginásio sentem dificuldade e desconforto quando praticam exercícios de fitness», diz. « Mas a água também pode oferecer resistência a qualquer movimento feito na direcção oposta à superfície, permitindo o aumento da força muscular e do gasto energético.»

Para além desta vantagens, há a acrescentar o facto de que podem fazer-se exercícios mais localizados, por exemplo, em zonas com mais gorduras ou celulite, como as coxas, as nádegas e a barriga. «Só para mantermos o equilíbrio dentro de água, fazemos trabalhar as nádegas, os abdominais e os músculos da coluna para manter o equilíbrio», diz a Ana Varela.

Numa aula de hidróginástica pode queimar-se um valor variável de calorias, dependendo do tipo, intensidade,, carga, frequência e duração dos exercícios. «Os programas de exercícios variam, dependendo do objectivo a alcançar», diz Jorge Gonçalves. «No entanto, todo o exercício aeróbico como este deve exceder os trinta minutos para ser eficaz em termos de desgaste calórico e perda de peso, por exemplo.»

Cuidados a Ter Para que este desporto ajude a emagrecer, tem de ser praticado regularmente. «Se a pessoa quiser obter resultados satisfatórios, no mínimo são três secções por semana», diz Julieta Cardoso. «Mas isto só resulta em conjunto com uma dite equilibrada.»

Tal como em qualquer desporto, é imprescindível que o exercício físico seja sempre precedido de um aquecimento. «Embora a água seja um meio mais seguro e menos agressivo, deve-se sempre proceder a um aquecimento prévio durante pelo menos 10 minutos», aconselha Jorge Gonçalves. «A simples marcha na água pode ser o mais indicado, pois faz movimentar todo o corpo. Se não se fizer um aquecimento prévio, há o risco de surgirem cãibras, que podem ser extremamente dolorosas e pôr a vida em perigo se a pessoa não souber nadar. Ao nível cardíaco e respiratório, pode verificar-se algum desequilíbrio e falta ar.»

Além disso, o corpo transpira - produzindo perdas, nomeadamente de electrólitos como o sódio, potássio, cloretos e magnésio -, mesmo que não se sinta por se estar dentro de água. «É necessário assegurar uma boa hidratação», recomenda Pedro Moreira, regente e professor da disciplina de Alimentação e Nutrição Humana da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto. «Uma reposição adequada de líquidos contribui para a manutenção da temperatura corporal e maximizar o desempenho físico.» Assim, é aconselhável beber água antes, durante depois do exercício físico.

No caso da hidroginástica, não é obrigatório o uso de óculos para proteger os olhos nem de tampões para os ouvidos, como na natação. No entanto, uma touca é um acessório imprescindível. Fora da piscina, devem usar-se chinelos de borracha e um roupão. Devido aos produtos desinfectantes utilizados nas piscinas, convém hidratar bem a pele a seguir ao duche.

O preço das aulas de hidroginástica varia em função da localidade e da qualidade do clube que se frequentar, assim como as vezes que pratica por semana. Geralmente, as aulas custam entre 5 e 10 euros por sessão, podendo existir descontos especiais em alguns clubes e piscinas.

Neste momento, Margarida Mendes já eliminou 15 Kg. «Depois de dois anos de hidroginástica, saliento não só a perda de peso, mas também o convívio com os colegas, a diversão e o relaxamento», diz. «Para recuperar e manter a forma dá mesmo resultado, a pessoa sente-se muito melhor consigo própria e com o seu corpo. E ainda vou emagrecer mais!»

 

 

O Factor Fibrinogénio

O fibrinogénio é um componente do sangue - uma proteína que, ao aumentar a adesividade das plaquetas (as células do sangue envolvidas na coagulação), faz que o sangue fique mais espesso e viscoso. Apesar de ainda não se conhecer o mecanismo subjacente, os resultados de vários estudos sugerem que o aumento dos níveis de fibrinogénio é um factor de risco para doença do coração e acidente vascular cerebral.

Alguns estudos demonstraram que o tabagismo desencadeia uma alteração no gene que codifica o fibrinogénio, e isso poderá constituir um eventual mecanismo. Os investigadores sugerem que os níveis elevados de fibrinogénio provocados pelo gene deficiente podem implicar coagulação e inflamação excessivas, aumentando o risco de ataque cardíaco e/ou acidente vascular cerebral.

Também se demonstrou que os níveis elevados de fibrinogénio são um potencial sinal de aviso da presença de uma forma perigosa de LDL, ou « colesterol mau », na corrente sanguínea. É normal as mulheres terem níveis mais elevados de fibrinogénio, o que poderá constituir uma das razões que faz que o fumar seja particularmente perigoso para o sexo feminino. Esta situação é um exemplo do modo como os factores de risco actuam lado a lado, aumentando o risco de doença do coração.

Excesso de Peso

O excesso de peso aumenta o risco de doença do coração. Apesar de ninguém saber exactamente por que motivo isto acontece, não há dúvida de que uma das razões reside no facto de, quando se tem excesso de peso, ser maior a probabilidade de desenvolver diabetes que, como já vimos, está associada ao desenvolvimento de doença do coração.

O excesso de peso também aumenta a probabilidade de ter níveis elevados de colesterol e tensão arterial alta, porque o peso a mais exige maior esforço do coração. O excesso de peso também não facilita a actividade física, que ajuda a proteger da doença do coração. Mesmo quando é moderado, o excesso de peso aumenta em 80% o risco de doença do coração.

Quando se tem excesso de peso, o factor mais importante que determina se se está ou não em risco de doença do coração é o modo como a gordura se distribui. A gordura acumula-se em dois locais principais.

Nas pessoas em forma de «maçã», o excesso de gordura acumula-se em redor do abdómen, dando origem ao clássico «pneu». É mais provável que este padrão de distribuição de gordura afecte os homens e as mulheres pós-menopáusicas, o chamado «aumento de peso da meia-idade».

Nas pessoas em forma de «pêra», sobretudo em mulheres pré- menopáusicas, a gordura acumula-se nas coxas e nas nádegas. Este padrão de distribuição de gordura, a típica «figura em ampulheta», é mais saudável para o coração.

Na prática, isto significa que, se for homem, a medida da cintura não deve ser superior a 90% da medida da anca. Ou seja, se tiver 102 cm de anca, a cintura não deve ser superior a 91 cm. Se for mulher, a medida da cintura não deve ser superior a 80% da anca. Assim, se tiver 102 cm de anca, o ideal será que a cintura não ultrapasse os 81 cm.

As pessoas em «forma de maçã» estão em maior risco de doença do coração, tensão arterial alta, níveis aumentados de gorduras no sangue, níveis de glicemia elevados e diabetes. Em todas estas situações, os níveis de insulina no sangue estão elevados devido à resistência à insulina.

É preciso não esquecer que, quando se verifica resistência à insulina produz-se insulina, que não é bem utilizada pelo organismo. A tendência para uma determinada forma e a presença de resistência à insulina são, em grande parte, determinadas geneticamente; se um dos seus pais ou ambos forem «maçã», justifica-se que tenha um cuidado particular com a dieta e com o exercício para perder o excesso de gordura e manter o peso controlado.

Inactividade

A inactividade - ver demasiada televisão, andar de carro em vez de andar a pé, estar muito tempo sentado - pode prejudicar a saúde do coração. Quando se está inactivo, a circulação reduz-se, fazendo que as células do organismo recebam menos oxigénio e nutrientes. A falta de actividade também reduz a capacidade do organismo para utilizar o oxigénio do sangue, enfraquece os ossos (conduzindo a risco de osteoporose) e os músculos e promove o aumento das gorduras do sangue.

Níveis de Homosisteína Elevados

Já toda a gente ouviu falar do colesterol e sabe que esta substância desempenha um papel importante no desenvolvimento de doença do coração. Não há, contudo, muitas pessoas que tenham ouvido falar da homocisteína, apesar de actualmente se considerar que esta substância é o elo que faltava na história das doenças do coração.

A homocisteína é um aminoácido - um dos componentes das proteínas que o organismo utiliza para produzir os tecidos. Deriva de outro aminoácido, a metionina, que existe em alimentos que contêm proteínas animais, como a carne, o leite e os ovos. Nos últimos anos, tornou-se evidente que a presença de níveis elevados de homocisteína aumenta o risco de doença do coração. De facto, cerca de uma em cada cinco pessoas com doença do coração tem um nível de homocisteína elevado.

Ainda não se sabe exactamente através de que processo os níveis elevados de homocisteína provocam lesões nas artérias. No entanto, demonstrou-se em laboratório que os níveis elevados de homocisteína provocam lesões no endotélio, o revestimento interior das artérias, o que, como já vimos, constitui uma etapa crucial do desenvolvimento da aterosclerose. Demonstrou-se igualmente que os níveis elevados de homocisteína são um factor-chave na oxidação do colesterol e na sua transformação em LDL prejudicial; também parecem aumentar a coagulação do sangue.

Curiosamente, a homocisteína pode ajudar a explicar o modo de acção de outros factores de risco para doença do coração. Tanto o tabagismo como a inactividade, por exemplo, dão origem a níveis elevados de homocisteína. Por outro lado, antes da menopausa, os níveis de homocisteína da mulher são cerca de um quinto mais baixos do que os do homem, o que pode ajudar a explicar por que razão, durante os anos de vida reprodutiva, as mulheres correm menor risco. Considera-se que, para serem «saudáveis», os níveis de homocisteína devem ser iguais ou inferiores a 12 mmol/l.

Causas de níveis elevados de homocisteína:

- Dieta pobre em ácido fólico.
- Dieta pobre em vitaminas 86 e 812. Idade.
- Hipotiroidismo (níveis baixos de hormonas da tiróide).
- Doença renal. Psoríase.
- Lúpus eritematoso sistémico (LES).
- Alguns fármacos como o metotrexato (utilizado no tratamento da artrite reumatóide e da psoríase), a teofilina (utilizada no tratamento da asma e da bronquite) e o ácido nicotínico (utilizado para baixar os níveis dos lípidos).
- Homocistinúria - carência, de origem genética, dos enzimas que processam a homocisteína.

 

 

Ausência de ovulação

Se a mulher não ovula (deficiência conhecida por anovulação), a concepção natural é impossível. Períodos menstruais inexistentes, escassos ou irregulares indicam que a mulher pode não ter ovulação, mas o indicador mais seguro da ausência de ovulação é uma análise hormonal ao sangue. Esta análise indica os níveis hormonais nas diferentes fases do ciclo menstrual. Se não houver progesterona na corrente sanguínea da mulher na segunda metade do ciclo menstrual, não houve ovulação.

Entre as causas desta situação, contam-se as perturbações hormonais e perturbações ou doenças dos ovários. O principal tratamento da anovulação é em geral a indução da ovulação, por exemplo com citrato de clomifeno. Este medicamento, apresentado em comprimidos, é eficaz para desencadear a ovulação. Tem alguns efeitos secundários, como afrontamentos, náuseas, depressão, ingurgitamento generalizado e possível libertação de múltiplos óvulos.

A ausência de ovulação pode também ser causada pela existência de quistos nos ovários, situação que provoca perturbações hormonais. O tratamento por meio de cirurgia ao ovário pode normalizar a ovulação.

Lesões nas trompas de Falópio

Se as trompas tiverem tecido cicatricial, obstruções ou estrangulamentos, os espermatozóides podem ficar impedidos de alcançar o óvulo, ou o óvulo fertilizado pode não conseguir chegar ao útero. Os problemas das trompas podem resultar de infecção ou cirurgia abdominal. Algumas situações são resolvidas por meio de cirurgia e a mulher pode recuperar a fertilidade. Se não for esse o caso ou a mulher não consegue engravidar entre 12 e 24 meses após a operação, o médico pode recomendar a fertilização in vitro (FIV).

Endometriose

Por vezes, encontram-se fragmentos do revestimento uterino em outros órgãos da cavidade pélvica, situação designada por endometriose. Algumas mulheres que sofrem desta doença não têm quaisquer dificuldades em engravidar, mas outras, sobretudo aquelas cujos ovários se encontram afectados, precisam de ser tratadas. O tratamento hormonal é geralmente bem sucedido, mas, em casos mais graves, poderá ser necessária cirurgia. Inversamente, em muitos casos o nascimento de um bebé pode diminuir a endometriose.

Problemas do colo do útero

Por vezes, o muco do colo do útero é hostil aos espermatozóides e produz anticorpos que os destroem ou imobilizam, impedindo-os de ascender até às trompas de Falópio. Nestes casos, a concepção torna-se impossível. Outro problema, a incompetência do colo do útero, não impede a concepção, mas provoca um aborto tardio ou um parto prematuro. Numa gravidez normal, o colo do útero fica fechado até às duas ou quatro semanas que antecedem o parto. Isto permite ao feto crescer dentro do útero com toda a segurança até estar preparado para nascer, e é nessa altura que o colo do útero começa a dilatar.

O colo incompetente abre prematuramente, em geral ao terceiro ou quarto mês. Cerca de uma em cada cinco mulheres que têm abortos espontâneos repetidos sofre de incompetência do colo do útero. Se uma mulher teve dois ou mais abortos após a 14.ªsemana de gravidez, o médico suspeitará desta anomalia, realizará uma observação ginecológica e pedirá uma ecografia com vista ao diagnóstico. Pode tratar-se o colo incompetente quando começa a abrir, suturando-o com um fio. Isto é feito com anestesia local ou epidural, a qual insensibiliza a metade inferior do corpo, ou com anestesia geral. A sutura permanece até pouco tempo antes do fim da gravidez, sendo então retirado para que o parto possa ter lugar.

 

 

O sono possui cinco fases distintas - uma REM (de rapid eye movement - é movimento rápido dos olhos) e quatro de sono profundo, ou de não-REM. As fases REM e não-REM do sono são tão diferentes entre si como do estado de vigília.

Todas as noites, passamos por quatro a seis ciclos de sono, durante os quais alternamos entre estes dois estados. O sono não-REM divide-se nas quatro fases seguintes:

Fase 1. Os olhos mal se mexem, a actividade muscular abranda e o sono é muito leve. Nesta fase, as pessoas podem ser facilmente acordadas, lembrando-se de imagens fragmentárias de um estado pré-onírico.

Fase 2. O movimento dos olhos cessa e as ondas cerebrais tornam-se mais lentas. Ocasionalmente, aparecem surtos de ondas cerebrais rápidas. Para acordar um indivíduo nesta fase, é preciso abaná-lo.

Fase 3. Esta fase de transição proporciona o sono mais profundo da noite, caracterizado pelo aparecimento de ondas cerebrais extremamente lentas, as ondas delta, misturadas com ondas cerebrais mais curtas e rápidas. É muito difícil acordar alguém nas fases 3 e 4, designadas por sono profundo.

Fase 4. Não há movimento dos olhos, os músculos estão relaxados, a tensão arterial é muito baixa e os ritmos cardíaco e respiratório muito lentos. O cérebro produz quase exclusivamente ondas delta. É nesta altura que o organismo se auto-regenera com o auxílio de uma hormona, a somatostatina, que ajuda a manter a saúde dos tecidos moles. j

O sono REM. Quando começa o sono REM (cerca de 70 a 90 minutos depois de a pessoa adormecer e de forma recorrente ao longo da noite), a respi ração torna-se mais acelerada, irregular e superficial. O ritmo cardíaco aumenta e a tensão arterial sobe. As ondas cerebrais sincronizadas, características do sono profundo, começam a desaparecer e a assemelhar-se às do estado de vigília. A hiperactividade do cérebro conjuga-se com uma ausência quase total de movimento, que dá o nome de «sono paradoxal» à fase REM. As pessoas acordadas durante o sono REM costumam descrever sonhos estranhos.

 

 

Sintomas
Tumefacção do maxilar; na maior parte das vezes por baixo (glândulas submaxilares), que pode surgir subitamente durante uma refeição e desaparecer da mesma forma, acompanhada de um corrimento de saliva (cialorreia).

Pessoas mais em risco
Certas pessoas têm tendência para estes cálculos, sem que se conheça a razão.

Porque dói?
O cálculo provoca a obstrução do canal de uma glândula salivar e a dor surge devido à compressão, aumentando durante a refeição, pois a pressão feita pela saliva nessa altura é maior.

O que pode fazer?
Aplique uma gota de limão sobre a ponta da língua: se o cálculo for muito pequeno, talvez desapareça.

Em digitopunctura, comprima com força e depois solte o ponto 4 do meridiano do intestino grosso (sobre as costas da mão, em frente da união do polegar com o indicador) para aliviar a dor. Consulte o médico sem demora

Que tratamentos?
O médico começa por pedir uma radiografia e uma cialografia. A cialografia é uma radiografia das glândulas salivares efectuada após uma injecção de um produto opaco aos raios X. Aqui, o canal não se encontra obstruído: o produto de contraste passa pelo canal e chega à glândula. Se o produto ficar bloqueado, é porque existe um cálculo, que fica assim localizado.

Medicamentos
A remoção de um cálculo pequeno (inferior a 1 mm) no canal faz-se muitas vezes durante a cialografia, ou então administrando medicamentos paras­ simpático-miméticos, que aumentam a secreção de saliva e a força das contracções dos canais das glândulas salivares.
Cirurgia
Se o cálculo no canal for maior, é retirado por via cirúrgica ou, melhor, endoscópica (v. quadro). As cialografias e as endoscopias das glândulas salivares não são dolorosas, mas desagradáveis porque estes exames são bastante demorados.

Em contrapartida, podem ter-se dores logo após a operação. Em raras ocasiões, a remoção de um cálculo localizado na glândula faz-se por endoscopia e litotrícia. Caso não resulte, é preciso retirar toda a glândula, o que não afecta a salivação.

Técnicas de remoção de cálculos salivares que evitam a cirurgia
Endoscopia das glândulas salivares: o cálculo é retirado com a ajuda de uma sonda miniatura.
Ultra-sons: podem partir um cálculo dentro da glândula e facilitam a expulsão dos resíduos.
Laser: utiliza-se para destruir cálculos de maiores dimensões.

As outras medicinas

Acupunctura
O tratamento recorre a pontos locais e a pontos distantes da glândula situados nas mãos ou nos pés.

Auriculoterapia
 Ajuda a eliminar cálculos pequenos (inferiores a 1 mm).

Fitoterapia
Jaborandi: a tintura-mãe (30 gotas de manhã e à noite durante 1 mês) é muito eficaz para as pessoas emotivas, que transpiram muito e que sofrem de salivação abundante.

Homeopatia
Com uma alimentação adequada, evita as recidivas.
- Calcarea carbonica SCR.
- Isoterapia salivar: a fazer pelo seu homeopata.

Naturoterapia
Os cálculos das glândulas salivares são mais frequentes nas pessoas que consomem muitos lacticínios e queijo: se é esse o seu caso, diminua o consumo para evitar as recidivas.

 

 

Podem manifestar-se como dor e rigidez no pescoço (região cervical), no dorso ou na região lombo-sagrada (fundo das costas; dores «nos rins»).

 

Eis a opinião de quatro especialistas sobre como tratá-las:

O fisioterapeuta
Normalmente, costas frágeis são as que têm mais dores, por isso precisa de fortalecer os músculos das costas e os abdominais. Peça ao seu médico que lhe recomende um programa que inclua alongamentos, abdominais e outros exercícios para melhorar a postura, fortalecer os músculos do tronco e diminuir às dores.
Se estas forem intermitentes, a fisioterapia pode ser recomendável, sobretudo para tratar dores agudas e episódicas.

Dr. James Dillard, Autor de A Solução para as Dores Crónicas

 

O professor de ioga
Experimente O viniioga, um tipo de ioga terapêutico fácil de aprender e bom para principiantes. Num estudo importante, esta prática revelou-se mais favorável para aliviar as dores lombares do que as recomendadas nos livros de auto-ajuda, e provavelmente mais do que as aulas de exercício físico.
Com uma prática regular, poderá sentir alívio dentro de três a seis meses.

Dr. Larry Paine, Fundador da samata.com; Director do programa terapêutico de Ioga da Universidade de Loyola Marymount

O nutricionista
A gordura abdominal é a principal causa das dores nas costas, por isso perder peso é essencial. Para reduzir a inflamação e as dores, reduza o consumo de ácidos gordos ómega-6 (óleo de milho, óleo de sésamo) e aumente o de ómega-3 (peixe, nozes). Trate de consumir cálcio e magnésio suficientes, ou peça ao médico que lhe recomende suplementos. O alívio não será imediato, mas com o tempo estas alterações ajudarão.

Dr. Dwight McKee, Aptos. Califórnia

 

O cirurgião
Exercício, osteopatia e mudanças no estilo de vida ajudam. Mas tem que envolver-se na cura. Queremos saber há quanto tempo sente as dores, quando lhe dói e o que é que as alivia. A cirurgia é normalmente a última solução, uma vez que comporta mais riscos que outras intervenções e nem sempre resolve o problema.

Dr. Paul McCormick, Director do Centro da Coluna. Hospital New York-Presbiterian

 

Mais de 64% dos portugueses - 73,3% das mulheres e 55,4% dos homens - têm excesso de gordura abdominal, uma das principais causas das dores nas costas. Mais de 94 cm de perímetro abdominal nos homens e mais de 80 cm nas mulheres são consideradas situações de risco elevado.

Fonte: Estudo W-risk, promovido pela Associação Portuguesa de Médicos de Clínica Geral.

 

 

Porquê a ligação?
As enxaquecas são provocadas pela inflamação das artérias que envolvem o cérebro. Outras artérias podem também entrar em espasmos durante um ataque de enxaqueca, cortando a circulação sanguínea, o que faz aumentar a probabilidade de uma trombose.

Riscos adicionais
Anomalias no interior das artérias podem também levar a que o sangue coagule mais rapidamente. «E em casos muito raros, as artérias que conduzem ao cérebro podem romper-se mais facilmente, provocando hemorragias», diz Gretchen Tietjen, professora de Neurologia na Universidade de Toledo. Essas lesões podem fazer que as artérias estreitem e coágulos provoquem entupimentos. A ingestão de estrogénio extra proveniente dos contraceptivos orais ou de terapias hormonais pode impulsionar os factores de coagulação para criar as condições perfeitas para uma trombose.

Como reduzir os riscos
A toma diária de doses reduzidas de aspirina reduz o risco de trombose em mulheres com mais de 45 anos e previne também as enxaquecas. O seu médico pode ajudar a reduzir o risco associado a problemas de circulação. Peça-lhe que lhe prescreva análises ao sangue, de modo a determinar se tem marcadores potenciados para coagulação. Se tiver, fale com o médico sobre a terapia com aspirina, medicação anticoagulação ou alternativas ao tratamento com hormonas.

 

 

Os remédios vão desde manter-se activo e perder peso a injecções de esteróides e até mesmo cirurgia. Mas novas pesquisas mostram que pode tomar uma alternativa mais saborosa:

Pacientes com dores nos joelhos relataram menos situações de desconforto e usaram menos medicamentos depois de ingerirem proteína de soja durante três meses, segundo uma pesquisa da Universidade Estadual do Oklahoma. A soja é rica em isoflavonas, hormonas com propriedades anti-inflamatórias. Os participantes no estudo ingeriram uma bebida de soja reforçada com 40 g de proteína, mas, segundo Bahnram H. Arjmandi, médico e autor da pesquisa, pode obter-se o mesmo benefício ingerindo leite de soja, edamame ou hambúrgueres de soja.

Numa pesquisa feita com 239 voluntários australianos, a ingestão de muita fruta reduziu o risco de desenvolverem lesões na medúla óssea – um  marcador para aferir o agravamento da osteoartrite do joelho e da dor. As frutas mais «amigas» dos joelhos parecem ser as que contêm vitamina C, tais como o quivi, laranja, manga, papaia e toranja. Os investigadores suspeitam que é a vitamina C da fruta que protege a articulação do joelho.

Muitas pesquisas descobriram que o peixe e o óleo de peixe podem aliviar as dores e a rigidez das articulações provocadas pela artrite reumatóide. Agora, um novo estudo mostra que os ácidos gordos ómega-3 encontrados nos peixes podem bloquear não apenas os produtos químicos que causam a inflamação na osteoartrite, mas também as proteínas responsáveis pelo desgaste da cartilagem do joelho. Artemis P. Simopoulos, nutricionista e autor do estudo, defende que devem comer-se duas porções de peixe gordo (como cavala ou salmão) por semana, ou tomar 1 g de ómega-3 em forma de cápsula todos os dias.

 

 

O Nepal, com os seus picos do Himalaia, templos hindus e preços baixos, foi o local escolhido por aquela família para uma viagem educativa. Em Novembro de 1997, um casal de Nantes pegou nos dois filhos pequenos e voou para Katmandou.

Pouco depois da chegada, adoeceram todos com febre, cansaço, arrepios e dores de garganta. Como os sintomas do filho mais novo piorassem, os pais procuraram um médico. Este informou-os que se tratava duma infecção pela bactéria da difteria, que ataca rapidamente o músculo cardíaco e o tecido nervoso periférico. Os antibióticos administrados pelos médicos locais não surtiram qualquer efeito. Horrorizados, os pais viram o filho de três anos sucumbir à paralisia e a uma paragem cardíaca. Por uma questão de princípios, tinham-se recusado a vacinar os filhos.

Difteria? Há anos que a maior parte dos pais europeus não tem conhecimento de nenhum caso. De facto, as doenças infecciosas que dantes faziam milhões de vítimas tornaram-se felizmente raras, graças à vacinação em massa. A varíola, que ainda em 1967 matou 2 milhões de pessoas, foi erradicada. Os casos de poliomielite sofreram uma redução de 90% em todo o mundo. As mortes causadas pelo sarampo foram reduzidas em 95% nos países industrializados. Infelizmente, os técnicos de saúde pública têm verificado que este processo está potencialmente em risco. «O enorme sucesso da vacinação produziu um falso sentimento de segurança nos pais», diz o Dr. John Clemens, da Organização Mundial de Saúde. «Se um número significativo de pessoas recusar a vacinação, todo o nosso esforço será posto em risco e as crianças ficarão expostas a novas epidemias.» O conhecimento médico básico é igualmente baixo. Uma recente sondagem Gallup, por exemplo, mostra que apenas 29% dos europeus sabem que o sarampo, que mata mais crianças em todo o mundo que qualquer outra doença infecto-contagiosa, pode ser evitado com a vacina; e uns escassos 12% sabem que a vacina pode evitar a tosse convulsa. Entretanto, demasiados pais hesitam em vacinar os filhos devido ao crescente cepticismo quanto à vacinação propagandeado por certos grupos de pressão. No entanto, as provas a favor da vacinação infantil mantêm-se esmagadoras. Eis o que todos os pais devem saber:

As Vacinas São Seguras

Em Fevereiro de 1998, um jornal médico internacional descreveu uma possível, se bem que não provada, relação entre a vacina tríplice do sarampo, papeira e rubéola e a doença de Crohn e o autismo. Esta ligação já foi desmentida. O Conselho Inglês de Investigação Médica reuniu um painel de peritos médicos que não encontrou quaisquer provas desta relação. Tanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) como os Centros Americanos Para a Prevenção e Controlo de Doenças publicaram declarações em que negavam a existência de qualquer prova científica que confirmasse essa ligação. E a Associação Nacional dos Surdos-Mudos e da Rubéola lembrou ao público aquilo que é óbvio: que a vacina tríplice já imunizara de uma forma segura milhões de crianças. Havia, porém, um receio. Os níveis de imunização da tríplice declinaram quando milhares de pais britânicos se recusaram a dá-la aos filhos. Alguns chegaram mesmo a viajar até ao continente para obter vacinas simples, uma vez esgotados as doses na Grã-Bretanha. Desde então, dois novos estudos independentes ingleses publicados em Junho de 1999, voltaram a não descobrir qualquer relação entre a vacina e aquelas doenças.

«Infelizmente, alguns média exageraram a questão da segurança das vacinas, contribuindo para confundir os pais», diz o Dr. Angus Nicoll, da Unidade de Vigilãncia Pediátrica do Royal College de Pediatria e Saúde Infantil. De facto, a maior parte dos efeitos secundários duma vacina, como ligeiro inchaço do braço ou febre baixa, são insignificantes e passageiros. Os efeitos secundários graves são extremamente raros, um por vários milhares ou mesmo milhões de doses.

As Vacinas São Eficazes

Até ao início da década de 90, altura da introdução das vacinas, a gripe de tipo B (haemophilus influenzae tipo b) que provoca meningite, amigdalite grave e pneumonia, constituía um grave risco para as crianças europeias. No Reino Unido, todos os anos esta gripe provocava centenas de infecções graves em crianças jovens. Desde que a vacinação de rotina se iniciou, em 1992, os números desceram de mais de 600 casos por ano para menos de 50.

O sucesso da vacina Hib é apenas mais um dos muitos triunfos médicos deste século. Até à criação das vacinas da pólio, nos anos 50, todos os anos morriam ou ficavam aleijadas milhares de crianças. A vacina da tosse convulsa reduziu o número total de casos de dois milhões em 1980 para 137 000 em 1997. Todos os anos, a vacinação das mulheres contra o tétano, evita mais de 800 000 mortes infantis e 50 000 mortes maternas.

As vacinas não são perfeitas, mas são altamente eficazes. Em média, 95% das pessoas vacinadas contra o sarampo e a pólio, 84% vacinadas contra a difteria, e entre 70 e 80% vacinadas contra a tosse convulsa, ficam imunizadas. As probabilidades de não contrair a doença favorecem fortemente quem fez as vacinas. Uma criança que não tenha sido vacinada, exposta aos agentes patogénicos de qualquer destas doenças, corre mais riscos de contrair uma delas. As Crianças Europeias Ainda Correm Riscos

As epidemias podem ainda ocorrer nos países desenvolvidos se estes descurarem a vacinação. Nos últimos anos, assistiu-se ao regresso de doenças evitáveis pela vacinação e que se pensava serem coisa do passado, como a difteria e a poliomielite.

Um exemplo penoso ocorreu recentemente na antiga União Soviética. Em parte devido à derrocada do serviço de saúde pública, os casos de difteria aumentaram de cerca de 1500 em 1990 para perto de 48 000 e 1700 óbitos em 1994. Pelo menos 20 casos foram importados da Europa Ocidental.

A Holanda teve duas epidemias de pólio desde 1978, com mais de 180 casos e várias mortes. É significativo que os casos se tenham restringido a grupos específicos que por motivos religiosos recusam a vacinação. Comunidades de áreas com índices elevados de vacinação antipoliomielite não foram afectadas.

Um surto mais recente de pólio ocorreu na Albânia em 1996, com 138 casos e 16 mortes. Actualmente, muitos albaneses e habitantes doutras regiões com baixos níveis de vacinação estão a entrar na Europa Ocidental, alerta a Dra. Nicole Guerin. “Hoje em dia há populações clandestinas por toda a Europa. Não nos podemos certificar que foram sistematicamente vacinadas e podem trazer a doença para comunidades com uma boa cobertura de vacinação. Não haverá porém consequências se o nível de vacinação nesses países continuar a ser alto. O risco é muito maior para as pessoas não vacinadas que viajam para países infectados.» As Doenças Infantis Não São Normais

Alguns adversários da vacinação proclamam que as doenças infantis, em particular o sarampo, são uma forma de a natureza reforçar o sistema imunitário das crianças, como parte do processo de crescimento. «Só há uma imunidade», escreve o investigador australiano, de origem eslovaca, Viera Scheibner, «a imunidade natural que as crianças alcançam sofrendo as doenças infecciosas da infãncia. Elas existem para preparar e aperfeiçoar o sistema imunitário infantil e representam marcos do desenvolvimento.«

«Imunização natural pela exposição das crianças à doença?» questiona o Dr. David Salisbury, chefe do ramo de imunização e doenças contagiosas do Departamento de Saúde do Reino Unido. «Que estupidez! Expor uma criança à pólio para a imunizar contra a doença?»

O sarampo, um dos organismos mais infecciosos que o homem conhece, pode causar pneumonia, encefalite e convulsões, e provocar até um milhão de mortes infantis por ano. A tosse convulsa pode provocar tosse espasmódica durante seis meses ou mais e complicações neurológicas como epilepsia, danos cerebrais e até a morte. «O movimento anti-vacinação tornou-se num problema crescente na Europa», diz a Dra. Colette Roure, consultora regional sobre imunização no Gabinete Europeu da Organização Mundial de Saúde, em Copenhaga. «As autoridades de saúde pública estão preocupadas com este impacto.» Presentemente, os grupos anti-vacinação são sobretudo formados por um misto de ecologistas e seguidores de medicinas alternativas e têm o apoio dos média.

Uma das folhas informativas de medicinas alternativas mais expandidas na Europa é a What Doctors Don’t Tell You (O Que os Médicos Não Contam), publicada em inglês, alemão, holandês e hebraico. A sua editora, Lynne McTaggart, é uma jornalista americana radicada em Londres. «No que diz respeito á vacinação, duvidamos como S. Tomé», gosta ela de dizer.

McTaggart. que não vacinou as duas filhas, contou à Reader’s Digest: «Uma população bem nutrida não precisa disso.» Consideremos algumas das suas outras asserções: o sarampo e a papeira são «quase sempre benignos» e «a maior parte dos casos de pólio são infecções inofensivas.» Mas como acentua o Dr. John Clements, da OMS, «Embora a maior parte das pessoas infectadas tenha apenas infecções inofensivas, em relação à pólio, um caso numa centena resultará em paralisia e alguns casos em morte, o que significa que os resultados não serão inofensivos. E todos os infectados são potenciais fontes de infecção para os outros.» McTaggart, que não tem formação médica, publica na sua folha informativa artigos como «Alternativas cientificamente provadas à medicina convencional.» Curiosamente, também se pode ler na mesma folha informativa a seguinte nota da redacção: «Os editores não assumem a responsabilidade por danos causados por qualquer tratamento, conselho ou informação constantes desta publicação.»

Gini Cloke, de Gloucester, apanhou rubéola durante a gravidez do filho Ian, em 1962, ainda a vacina não estava disponível na Grã-Bretanha. Hoje Ian é cego, surdo e mudo, vive desligado do mundo e dependente dos cuidados constantes duma instituição especial de Birmingham.

«Claro que toda a gente tem direito à sua opinião pessoal sobre a vacinação», diz ela, tolerante. «Só sei é que se eu a pudesse ter feito na altura, nada disto teria acontecido a Ian. Os pais devem pensar muito, muito bem antes de rejeitarem a vacinação.»

* O apelido foi alterado a fim de manter o sigilo médico.

 

 

Bactérias perigosas e compostos plásticos potencialmente tóxicos foram detectados nas garrafas de água tipicamente reutilizadas em escolas e locais de trabalho. Uma análise efectuada a garrafas de água de miúdos numa escola básica de Calgary encontrou bactérias que levariam as autoridades sanitárias a aconselhar a fervura da água caso as amostras fossem provenientes da torneira. Os investigadores detectaram contaminação por bactérias em cerca de um terço das amostras recolhidas, e algumas continham coliformes fecais. As bactérias provinham com certeza das mãos e bocas das crianças, que iam utilizando repetidamente as mesmas garrafas sem sequer as lavarem ou secarem.
No entanto, um estudo realizado na Universidade do Idaho sugere que o tipo de lavagem capaz de matar essas bactérias pode acelerar a decomposição do plástico, potencialmente causando a migração de substâncias químicas da garrafa para o líquido no seu interior.
A Associação Canadiana da Água Engarrafada aconselha a não-reutilização das embalagens, defendendo que as mesmas são feitas para uma única utilização e apenas devem ser recicladas.

 

 

Está revestido por uma membrana mucosa do mesmo tipo que a da boca e da garganta. Os distúrbios que afectam o esófago podem referir-se à mobilidade, à permeabilidade ao bolo alimentar proveniente da boca e ao estado da mucosa.

A endoscopia digestiva alta
Exame de exploração do esófago, estômago e duodeno através de um tubo flexível que permite observar directamente ou sobre um ecrã (vídeo-endoscopia) o revestimento desses órgãos. Incómoda mas não dolorosa, a endoscopia, que dura alguns minutos e se realiza em jejum, com frequência sem anestesia geral, permite também colher amostras da mucosa para exame. Este exame fornece mais informação do que uma radiografia.

Cancro do esófago

Sintomas
Dificuldade progressiva, que se torna permanente, de engolir (disfagia), com sensação de que os alimentos, primeiro os sólidos, depois os líquidos, ficam bloqueados. Muitas vezes dolorosa, a situação causa uma diminuição na ingestão de alimentos e uma significativa perda de peso.

Pessoas mais em risco
Sobretudo os homens com mais de 40 anos. O excesso de álcool e de tabaco é um factor facilitador, tal como a ingestão de agentes cancerígenos (nitritos), as agressões repetidas da mucosa (bebidas demasiado quentes) e as lesões provoca das por produtos cáusticos (soda cáustica, potassa). Tem vindo a aumentar o número de casos em mulheres.

Porque dói?
A dor e a disfagia estão ligadas à obstrução dos alimentos numa zona esofágica diminuída pela proliferação tumoral, muitas vezes ulcerada e inflamada. Dependendo da localização do cancro (parte alta, média ou baixa do esófago), as dores diferem.

O que pode fazer?
Consulte o médico assim que tiver dificuldade em engolir. São necessários alguns exames para se fazer o diagnóstico: endoscopia digestiva alta com biopsia e/ou radiografia do esófago. Entretanto, alimente-se de preferência de alimentos líquidos e faça muitas refeições pequenas.

Que tratamentos?
A dor é aliviada pelo tratamento, que desbloqueia o esófago e combina cirurgia, radioterapia e/ou quimioterapia, com terapêuticas locais por via endoscópica (laser, prótese).

Mas estes tratamentos pesados, dolorosos e incapacitantes dão resultados muitas vezes bastante decepcionantes. Por vezes, só os tratamentos paliativos locais (laser, prótese) permitem a deglutição, associados ou não a antálgicos poderosos (morfínicos).

 


 

A aspirina é o medicamento mais conhecido em todo o Mundo, mas as suas potencialidades curativas vão muito para além da vulgar dor de cabeça. Novos estudos sugerem que a aspirina pode ajudar a combater uma vasta gama de doenças graves. «Ela parece hoje ser benéfica em muitíssimas áreas da saúde», diz a Dra. Debra Judelson, directora médica do Women’s Heart Institute, de Beverly Hills, na Califórnia. «Aconselho a maior parte dos meus pacientes, desde que não lhe sejam alérgicos e não tenham problemas de hemorragias, a tomarem aspirina em doses reduzidas.»

Eis algumas das doenças que a aspirina ou medicamentos do mesmo género podem ajudar a prevenir:

Doença de Alzheimer

«As investigações dos últimos cinco anos mostraram que as inflamações cerebrais têm um papel importante no desenvolvimento da doença de Alzheimer», diz o Dr. Richard B. Lipton, professor de psiquiatra, neurologia e epidemiologia na Faculdade de Medicina Albert Einstein, em Nova Iorque. Isto poderá explicar estudos que revelam que pessoas que tomaram regularmente medicamentos anti-inflamatórios por outras razões, como para tratamento da artrite ou prevenção de doenças cardiovasculares, têm menos possibilidades de contrair a doença de Alzheimer.

«As pessoas de idade que tomam aspirina têm um índice menor de perda de capacidades cognitivas», diz o Dr. Charles H. Hennekens, da Faculdade de Medicina da Universidade de Miami. «Assim, a aspirina pode ter impacto não só na doença de Alzheimer mas num grande número de pacientes que sofrem perdas de memória devido à idade.»

Doenças cardíacas associadas à diabetes

Os investigadores encontraram provas de que os diabéticos têm tendência a aumentar a produção de tromboxane, uma substância que favorece a aglomeração das plaquetas sanguíneas. Devido, em parte, a este efeito, as pessoas com diabetes são duas a quatro vezes mais propensas a morrer das complicações de doenças cardiovasculares.

A aspirina ajuda a prevenir as doenças cardíacas associadas à diabetes, em parte bloqueando a síntese da tromboxane. O Physicians’ Health Study, uma experiência clínica fundamental dirigida pelo Dr. Hennekens, revelou uma redução de 44% dos ataques cardíacos sofridos pelos homens sob terapia de aspirina e uma redução ainda maior entre os homens diabéticos. A Associação Americana da Diabetes recomenda que se tome uma dose fraca de aspirina para reduzir as possibilidades de doenças cardiovasculares nos adultos diabéticos.

Cancro

Na última década, o uso da aspirina como forma de prevenir o cancro despertou um vivo interesse. «Algumas experiências mostraram que os anti-inflamatórios não esteróides, entre os quais se inclui a aspirina, inibem a formação de tumores num grande número de cancros, como os do cólon, do esófago e do estômago», diz o Dr. Michael Thun, vice-presidente para epidemiologia e acompanhamento da investigação da American Cancer Society. Na Faculdade de Medicina de Harvard, o estudo de saúde de longa duração das enfermeiras (que envolve cerca de 90 000 enfermeiras), revelou uma redução de 30% na incidência de cancro colo-rectal entre as mulheres que usaram regularmente aspirina ao longo de 10 a 19 anos, e uma redução de 44% após vinte anos de uso consistente da aspirina.

Ataques cardíacos

Muitos sabem que a FDA (organismo regulador dos alimentos e medicamentos nos EUA) recomenda a aspirina como forma de prevenir ataques cardíacos naqueles que sofrem do coração, mas poucos têm conhecimento de que ela pode ajudar no início de um ataque cardíaco. Em 1998, a FDA aconselhou os indivíduos que experimentem sintomas de um ataque cardíaco a tomarem imediatamente aspirina. Um estudo a nível mundial de 17 187 pacientes, dirigido pelo Dr. Hennekens, mostrou que há uma redução de 23% do número de mortes quando a aspirina é tomada nas 24 horas que se seguem ao início dos sintomas de um ataque cardíaco.

A cardiologista Debra Judelson assistiu em primeira mão a uma situação desse tipo. Numa das suas viagens de avião, um passageiro começou a ficar pálido, com dores no peito e dificuldade em respirar. Ela deu-lhe imediatamente duas aspirinas, e pouco depois as dores do homem diminuíram, começou a respirar melhor e recuperou as cores.

Quando o passageiro foi conduzido ao hospital, os médicos descobriram que uma das suas artérias coronárias estava 95% obstruída. «Os médicos abriram o vaso e mandaram-no para casa dois dias depois», diz a Dra. Judelson. A aspirina interrompeu a formação de coágulos na artéria obstruída.

«Se achar que está a ter um ataque cardíaco, mastigue duas aspirinas», aconselha a Dra. Judelson. «Mastigadas, elas são mais rapidamente absorvidas do que se forem engolidas inteiras. E num ataque cardíaco, quanto mais se esperar, mais músculos são afectados.»

Perda de audição induzida por antibióticos

Investigações sugerem que a perda de audição associada a alguns antibióticos comuns chamados aminoglicósidos pode ser restringida tomando aspirina junto com os outros medicamentos. «Estes antibióticos estão entre os mais usados em todo o Mundo», explica Jochen Schacht, professor de Bioquímica na Faculdade de Medicina da Universidade do Michigan. «Muitas infecções bacterianas resistentes a outras drogas respondem melhor a estes antibióticos. Calculamos que 10% das pessoas admitidas no nosso hospital recebem aminoglicósidos.»

Simultaneamente, diz o Prof. Schacht, «a Organização Mundial de Saúde considera que estes medicamentos são uma causa significativa da surdez evitável». Eles têm a capacidade de combinar-se com o ferro do nosso corpo para formar radicais livres, moléculas instáveis que podem provocar danos nas células, entre as quais os milhares de minúsculas células capilares presentes no ouvido interno. Quando estas células capilares são afectadas, o ouvido interno perde a sua capacidade de detectar sons, o que leva a uma perda de audição permanente. Estudos preliminares em animais indicam que o salicilato — aquilo em que se transforma a aspirina quando é decomposta pelo nosso corpo — previne a formação de radicais livres e, por conseguinte, a perda de audição induzida pelos antibióticos.

Antes de começar a tomar diariamente aspirina, consulte o seu médico. Apesar do seu entusiasmo pela aspirina, os médicos recordam-nos que, para algumas pessoas, pode haver riscos significativos por tomá-la. Ao tornar o sangue mais líquido, a aspirina pode retardar a coagulação e provocar hemorragias. Assim, o uso regular da aspirina pode não ser apropriado para pessoas com perturbações digestivas, sangramento gastro-intestinal ou outros problemas hemorrágicos. Aqueles que estiverem a pensar submeter-se a uma operação cirúrgica, ainda que pequena, se estiverem a tomar aspirina devem dizê-lo aos médicos. Além disso, a aspirina não é recomendada para as crianças e adolescentes, devido à sua associação com a síndroma de Reye, uma doença infantil rara, mas perigosa.

Para muitos, porém, a aspirina pode ser a terapia que os ajudará a prevenir algumas das doenças mais temidas. «Acho que ela é a droga milagrosa do século XXI», diz o Dr. Hennekens.

 

 

À medida que aumenta o número de pessoas que vão eliminando a carne da sua alimentação, substituindo-a por fruta, legumes e frutos secos, que consideram alternativas mais saudáveis - e mais humanas -, torna-se necessária uma maior atenção ao equilíbrio de nutrientes dessas dietas.

Um estudo abrangendo 11 000 pessoas, publicado no British Medical Journal em 1994, revelou que os vegetarianos têm 40% menos probabilidades de vir a sofrer de cancro em idades precoces do que os consumidores de carne. Como os vegetarianos e veganos (vegetarianos puros) são em geral mais magros do que as pessoas que comem carne, consomem menos gorduras saturadas (presentes sobretudo em produtos de origem animal) e ingerem mais fibras, também têm níveis mais baixos de colesterol no sangue e por isso menor incidência de doenças cardíacas.

Além da carne, os vegetarianos também não comem aves nem peixe, mas consomem ovos e lacticínios. Os veganos comem só alimentos de origem vegetal. Essa redução ou eliminação de alimentos de origem animal pode dar origem a deficiências de minerais e vitaminas: deficiente absorção de ferro nas mulheres veganas ou vegetarianas e falta de cálcio e vitaminas B12 e D nos veganos.

Os vegetarianos, veganos e ainda um terceiro grupo que come peixe, mas exclui a carne, ingerem em geral maior quantidade de fibras e hidratos de carbono complexos do que as pessoas que comem carne, sob a forma de cereais integrais, fruros secos e leguminosas. Uma dieta com elevado teor de fibras pode proteger contra várias doenças dos intestinos e promove uma passagem mais rápida dos alimentos através do aparelho digestivo, diminuindo as probabilidades de os vegetarianos sofrerem de prisão de ventre. Os vegetarianos correm também um risco menor de desenvolver cálculos na vesícula e doença diverticular.

Tem sido sugerido que a menor incidência de cancro entre os vegetarianos se deve mais ao facto de estes comerem maior quantidade de alimentos de origem vegetal – fruta e legumes frescos, cereais, leguminosas e frutos secos – do que à exclusão da carne.

Uma dieta vegetariana equilibrada deve ser constituída basicamente por alimentos nutritivos, como pão integral, massa, batatas e arroz, acompanhados de uma grande variedade de legumes, fruta, fruros secos e sementes.

São as proteínas um problema?

Ao invés do que se pensa, os vegetarianos não têm problemas em obter as proteínas necessárias. Os alimentos básicos contêm proteínas suficientes, e mesmo uma dieta vegana pode fornecer muitas proteínas através dos cereais, batatas, fruros secos e leguminosas. A qualidade proteica de cada alimento de origem vegetal é inferior à dos alimentos de origem animal (com excepção da soja). No entanto, quando a dieta inclui diferentes fontes vegetais de proteínas, a qualidade proteica global é tão boa como a de uma dieta mista. Não há necessidade de preocupação com a qualidade das proteínas, excepto no caso de bebés, para os quais é importante combinar cereais e leguminosas numa mesma refeição.

Nutrientes importantes para os vegetarianos

Embora alguns minerais e vitaminas essenciais se obtenham mais facilmente a partir da carne ou do peixe do que de produtos de origem não-animal, uma dieta equilibrada fornecerá aos vegetarianos (mas não aos veganos) os nutrientes de que necessitam. Mas pode ser necessário garantir a ingestão de quantidades adequadas de ferro, vitamina B12, cálcio e ácido fólico.

Nutrientes
Ferro
Fontes alternativas de proteínas Feijões, farinha integral e de aveia, fruta e frutos secos, vegetais de folha verde-escura, salsa, cereais de pequeno-almoço enriquecidos e gemas.
Porque são necessários Necessário para a produção de hemoglobina nos glóbulos vermelhos; importante para as raparigas que começam a ser menstruadas.
Sintomas de deficiência Fadiga e anemia.
Como garantir uma ingestão correcta O organismo precisa da vitamina C para melhor absorver o ferro das fontes vegetais; assim, coma fruta e legumes juntamente com os vegetais ricos neste mineral.

Vitamina B12
Fontes alternativas de proteínas Lacticínios, ovos. Alimentos enriquecidos com vitamina B12 (leite de soja, cereais de pequeno-almoço e extracto de levedura). Vitaminas.
Porque são necessários Essencial para o bom funcionamento do sistema nervoso e a formação dos glóbulos vermelhos.
Sintomas de deficiência Fadiga, anemia e irritabilidade. Formigueiro nas mãos e nos pés.
Como garantir uma ingestão correcta Muitos aumentam a ingestão de lacticínios em vez da carne – prefira as variedades de baixo teor de gordura. Os veganos precisam de alimentos enriquecidos ou de suplementos.

Cálcio
Fontes alternativas de proteínas Leite e lacticínios, produtos fortificados à base de soja (leite, iogurte, queijo e tofu), frutos secos, vegetais de folha verde-escura, sementes de gergelim e girassol.
Porque são necessários Necessário para formar e manter ossos e dentes saudáveis.
Sintomas de deficiência Raquitismo nas crianças e osteomalacia nos adultos. Também osteoporose.
Como garantir uma ingestão correcta A vitamina D é essencial para a absorção do cálcio. A maioria das pessoas obtém-na através da exposição à luz solar, mas também está presente em margarinas e em cereais de pequeno-almoço enriquecidos.

Ácido fólico
Fontes alternativas de proteínas Vegetais de folha verde, feijões, ovos, fruta, amendoins, extracto de levedura e cereais integrais.
Porque são necessários Necessário à formação dos glóbulos vermelhos. Tomado antes e no início da gravidez. protege do risco de espinha bífida.
Sintomas de deficiência Anemia, fadiga e defeitos congénitos.
Como garantir uma ingestão correcta Tome suplementos de ácido fólico antes da fecundação e até à 12ª semana de gravidez. Coma cereais de pequeno-almoço e legumes ricos em ácido fólico.

Gravidez, crianças e vegetarianismo

As grávidas podem seguir uma dieta vegetariana desde que incluam alimentos que contenham ferro, cálcio, acido fólico e vitamina B12. As grávidas veganas podem precisar de suplementos de cálcio e vitamina Bl2, mas devem consultar primeiro o seu médico. A menos que as mães tenham uma deficiência de ferro na gravidez, os bebés nascem com ferro suficiente para cerca de seis meses; depois disso, é importante incluir na dieta da criança boas fontes deste mineral. A amamentação prolongada pode dar origem a anemia ferripénica do bebé, pois o leite é pobre em ferro. São boas fontes de ferro legumes de folhas verdes, cereais, puré de lentilhas e feijão.

 

 

Quais os valores mais importantes?
Se fizer esta pergunta a uma centena de médicos, obterá 100 respostas diferentes. Poderá parecer-lhe surpreendente, mas nem o Estado nem qualquer organismo de saúde relevante providenciaram ainda um guia de boas práticas que permita a qualquer pessoa monitorizar a saúde do seu coração.

No entanto, se quisermos realmente tomar conta do nosso coração e da nossa saúde, precisamos de saber quais são os valores que nos dão informações mais precisas acerca do nosso bem-estar físico.

Com a ajuda de vários especialistas, foram seleccionados os 6 valores que devem ser controlados com maior rigor para prevenir as 6 principais causas de enfarte. Estes valores, que podem obter-se muito facilmente, são indicadores da saúde cardiovascular – e todos os adultos responsáveis deveriam conhecê-los.

Destas medidas, três são facilmente mensuráveis sem ajuda. Precisa apenas de um lápis, de uma fita métrica e de um relógio com ponteiro de segundos. Para se obterem as restantes, é necessária uma requisição médica.

Reúna os resultados, assente-os e controle-os de vez em quando. Juntos revelarão imensos dados sobre a saúde do seu coração.

1. Aporte calórico diário

Determine as suas necessidades
Poucas pessoas sabem exactamente de quantas calorias necessitam, mas podem calcular o que o seu organismo requer multiplicando o seu peso por um número de 28 a 33, dependendo do seu nível de actividade.

Que quantidade de alimentos consome na realidade?

Muitos de nós passamos o dia a petiscar sem nos apercebermos de quanto estamos realmente a consumir. Na maioria das vezes, comemos mais do que necessitamos.

Num mundo perfeito, só comeríamos o suficiente para abastecermos o nosso corpo. Se tentasse emagrecer de uma forma responsável, consumiria cerca de menos 500 calorias (kcal) do que o seu corpo necessita. No entanto, comemos diariamente entre 100 e 1000 calorias a mais do que precisamos.

Para bem da sua saúde, é vital descobrir e entender as suas necessidades diárias de alimentos e se as está a exceder. A razão óbvia é que comer demais leva a um aumento de peso, e quando este se torna excessivo, é das piores coisas que pode fazer ao seu coração. A razão menos óbvia é que consumir demasiadas calorias significa comer alimentos pouco saudáveis, pois têm muito mais calorias do que a comida natural, contendo mais gorduras ou açúcares, ou ambos. Mas contar as calorias não é a melhor forma de alcançar o objectivo de fazer corresponder o consumo de comida à energia de que o seu corpo necessita. É bastante melhor alterar os seus hábitos alimentares.

É praticamente impossível consumir demasiadas calorias se der primazia à fruta e vegetais. Ter uma dieta rica em produtos frescos significa que obterá muitas vitaminas, minerais e antioxidantes e outros nutrientes essenciais à saúde do seu coração. A maioria das mulheres necessita menos de 2000 calorias para ser saudável. Os homens necessitam geralmente de 2550. Em termos gerais, isso corresponde a valores de 300 a 400 calorias para o pequeno-almoço, de 500 a 600 para o almoço, de 600 a 700 para o jantar e dois ou três lanches de cerca de 100 a 200 calorias cada um.

Mas as suas necessidades calóricas não são constantes, podem mudar de tempos a tempos. Se estiver a fazer mais exercício físico, a recuperar de uma doença ou lesão ou a atravessar um período de muito stress, o seu corpo poderá necessitar de mais alimento do que o habitual. Se tiver perdido peso, o provável é que o seu corpo não necessite de tanto alimento como antigamente. Há que ter ainda em consideração o metabolismo, pois algumas pessoas queimam calorias mais facilmente do que outras.

O importante é que todos os adultos deveriam estar cientes da quantidade que precisam de comer para alcançar o equilíbrio ideal na saúde, energia e peso. As calorias são a medida estatística mais simples, mas um bife não as tem indicadas, e quem é que quer passar o tempo a verificar cada alimento consumido numa tabela de calorias e estar continuamente a alterá-la?

A segunda melhor maneira, e a recomendável, é o treino visual. Isto implica aprender, por exemplo, o que uma «pequena» fatia de bolo realmente representa.

A contagem das calorias nas refeições e nos lanches deverá ajudá-lo a alcançar o seu objectivo. Ajuste-as apenas às suas necessidades.

+ Como controlar?
Não necessitará nem de uma calculadora nem de um guia de contagem de calorias para ter a certeza de que não está a ultrapassar os limites. Pelo contrário, a ideia é manter-se fiel às porções certas dos alimentos recomendados. Esta é uma forma mais fácil, saudável e mais fiável de avaliar a energia que consome.

+ Quantas vezes?
A princípio, controle todas as porções – controle as quantidades de alimentos utilizados em cada refeição preparada em casa. A seguir, passe a verificá-las de tempos a tempos. Uma vez por semana, procure estar consciente das porções que consome em cada refeição.

+ Porque é importante?
É fácil comer demais, e uma fatia de queijo aqui e um bocadinho mais de carne ali ou um pacote de batatas fritas (só desta vez) tornam-se numa refeição ligeira. Isto leva a aumento, e não a controle, de peso.

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Uma forma eficaz de controlar a gordura do corpo
A melhor maneira de saber se o seu peso está a afectar a saúde do seu coração é medir a cintura, sendo a proporção cintura-anca um indicador ainda mais preciso. Este valor obtém-se dividindo o perímetro abdominal medido no ponto mais estreito pelo perímetro da anca medido no ponto mais largo. Se o valor obtido for superior a 0,9 nos homens e 0,85 nas mulheres, revela obesidade central e pode indicar síndroma metabólica.

Lembre-se de que as células adiposas não são apenas receptáculos de calorias excedentes que o seu corpo não consegue queimar. Quando a gordura está concentrada no abdómen – no interior e à volta dos órgãos internos –, as células adiposas libertam substâncias químicas que provocam inflamação e hormonas reguladoras do apetite. Assim, o risco de sofrer um enfarte do miocárdio aumenta à medida que a inflamação acelera a aterosclerose.

Além disso, o risco de desenvolver resistência à insulina e síndroma metabólica aumenta à medida que as substâncias inflamatórias interferem no funcionamento dos músculos e das células hepáticas. Entretanto, o sistema natural de inibição do apetite fica desregulado, levando a um maior consumo de comida e ao aumento da gordura abdominal.

Medir a cintura com uma fita métrica é o meio mais eficaz de ficarmos a conhecer o nosso índice de gordura abdominal. No caso das mulheres, o risco para a saúde começa a aumentar quando a cintura tem mais de 80 cm; acima dos 90 cm constitui já uma séria ameaça. No caso dos homens, o risco aumenta se o perímetro abdominal for superior a 95 cm, tornando-se num grave problema quando ultrapassa os 100 cm.

+ Como controlar?
Coloque uma fita métrica à volta do abdómen, perto do umbigo. Mantenha a fita bem ajustada, mas não apertada, não encolha a barriga e determine o perímetro abdominal em expiração – não é necessário revelar as suas medidas a ninguém.

+ Quantas vezes?
De duas em duas semanas. Uma observação no caso das mulheres: tente não se medir na semana anterior à ou durante a menstruação, pois a retenção de líquidos poderá fazer inchar o estômago e adulterar o resultado.

+ Porque é importante?
Controles regulares irão ajudá-lo a monitorizar os progressos alcançados à medida que a gordura abdominal vai desaparecendo com o Plano 30-Minutos-por-Dia (ver caixa). Se falhar, também lhe servirão de incentivo para voltar ao programa.

3. Colesterol

Atenção ao HDL e LDL
Neste ponto, há vários valores importantes a vigiar, pois é importante conhecer não só o nível de colesterol total, mas também os níveis de LDL, o colesterol «mau», e de HDL, o colesterol «bom». Habitualmente, nas análises faz-se a dosagem do colesterol total. Em alguns casos, o médico pode pedir um exame mais pormenorizado que revele, além daquela, os níveis de HDL e LDL (pelo método directo) ou, por exemplo, o perfil lipídico completo. Seja qual for o caso, assente sempre os valores no diário.

O nível de colesterol total deverá ser inferior a 180 mg/dl (abaixo de 115mg/dl, se sofrer de alguma doença coronária ou de diabetes), o nível de LDL, inferior a 100 mg/dl, ou inferior a 70 mg/dl, no caso de ter história familiar de doença coronária. Um nível saudável de HDL deverá rondar os 50mg/dl.

+ Como controlar?
Deverá fazer uma análise de sangue após um jejum de 8 a 12 horas. A análise clínica, solicitada pelo médico de família no decurso de uma consulta de rotina, é muito mais fiável do que as análises do colesterol feitas em casa, que não facultam os valores de LDL e HDL.

+ Quantas vezes?
Se o seu colesterol total está constantemente acima dos 230–250 mg/dl, o médico sugerirá algumas mudanças ao nível do estilo de vida e poderá prescrever-lhe um tratamento e recomendar-lhe a realização de análises regulares.

+ Porque é importante?
Os níveis de LDL e de HDL estão entre os indicadores mais seguros de um ataque cardíaco. Os exames regulares ajudá-lo-ão a descobrir as suas tendências (estará o seu LDL em firme ascendência ou o seu HDL a baixar lentamente?), permitindo-lhe prevenir problemas.

4. Tensão arterial

Um indicador da saúde das artérias
A tensão arterial – a força que o sangue exerce contra as paredes das artérias – varia ao longo do dia, com tendência a ser mais alta de manhã, ao acordar, e mais baixa à noite. No entanto, quando permanece elevada revela hipertensão, o que significa maiores riscos de aterosclerose e, portanto, de acidente vascular cerebral (AVC) e doença cardíaca isquémica. Tensão igual ou superior a 140/90mm/Hg é considerada alta. Se tiver um valor entre 120/80 e 139/89, poderá ainda correr riscos e deverá tomar medidas para prevenir a hipertensão.

+ Como controlar?
Todos os consultórios têm um esfigmomanómetro – dispositivo que mede a tensão arterial. No entanto, existe já no mercado um vasto leque de aparelhos digitais que permitem medir a tensão arterial em casa, o que facilita o controle diário da mesma. Esta monitorização doméstica não deve, contudo, substituir as medições feitas por um médico ou outros profissionais qualificados e nunca deve ser feita com medidores de pulso.

+ Quantas vezes?
Pergunte ao seu médico assistente ou de família a regularidade com que deve medir a tensão arterial. Sempre que for ao médico, peça-lhe para ele lhe medir a tensão arterial.

+ Porque é importante?
Vigiar a tensão arterial ajuda a identificar antecipadamente situações de risco potencial, altura em que simples alterações no estilo de vida têm melhores probabilidades de resolver o problema.

5. Triglicéridos

Outro tipo de gorduras a vigiar
Os triglicéridos são constituídos por gorduras e hidratos de carbono que, ao serem consumidos, ficam armazenados nas células adiposas. Os triglicéridos também são libertados dos tecidos gordos sempre que o nosso corpo necessita de mais energia entre as refeições. É normal ter alguns triglicéridos na corrente sanguínea, mas quando estes se encontram em níveis elevados podem estar associados a doença cardíaca, especialmente no caso das mulheres.

Se tiver níveis altos de triglicéridos a par de um nível baixo de HDL, o seu risco de resistência à insulina e de síndroma metabólica pode aumentar. Uma análise normal aos triglicéridos apresentará valores inferiores ou iguais a 150 mg/dl. Acima deste valor, serão considerados elevados, e acima de 200, muito elevados.

+ Como controlar?
O controle do nível de triglicéridos é feito normalmente com a mesma amostra de sangue em jejum utilizada para a análise ao colesterol.

+ Quantas vezes?
O seu médico indicar-lhe-á com que regularidade deverá verificar o nível de triglicéridos. Poderá ser apenas uma vez por ano ou de três em três meses, se tiver valores muito altos.

+ Porque é importante?
O controle regular dos triglicéridos constitui um indicador razoavelmente preciso da sua saúde cardíaca.

6. Frequência cardíaca matinal

O seu coração está em forma?
A sua frequência cardíaca corresponde ao número de vezes que o seu coração bate num minuto. Se todas as manhãs monitorizar regularmente a sua frequência cardíaca em repouso, poderá perceber se o seu regime de exercícios está a fortalecer o coração. Por exemplo, uma frequência cardíaca normal em descanso é de 60 a 90 batimentos por minuto.

As pessoas que praticam exercício físico tendem a ter uma pulsação em repouso mais baixa, pois os músculos do coração estão em boa forma. Mas se não se exercitar com regularidade e os seus valores estiverem abaixo do normal, deve avisar o médico.

+ Como controlar?
Necessitará de um relógio com ponteiro de segundos. A frequência cardíaca é mais facilmente pesquisada no punho ou no pescoço, nos pontos onde as artérias se encontram logo abaixo da pele. Para determinar a pulsação no punho, com a palma da mão para cima, coloque o dedo indicador e o médio da outra mão do lado do polegar, logo abaixo das pregas do punho. No pescoço, poderá sentir a pulsação por baixo do ângulo do maxilar inferior. Uma vez encontrada a pulsação, conte os batimentos durante 15 segundos e multiplique por 4. O valor obtido corresponde à frequência cardíaca por minuto.

+ Quantas vezes?
Verifique a sua frequência cardíaca uma vez por mês de manhã, antes de se levantar da cama. Para ver se o seu programa de exercícios está a resultar, controle os seus batimentos cardíacos por minuto logo após ter praticado exercício e verifique quanto tempo demora a voltar à frequência cardíaca em repouso (este período deve ser cada vez mais reduzido à medida que for ficando em forma).

+ Porque é importante?
Saberá se o programa de exercícios está a fortalecer o seu coração se a sua frequência cardíaca for baixando gradualmente até se manter em níveis saudáveis.

 

Um coração de confiança

«Sempre que estudo uma doença», dizia Louis Pasteur, «a minha ideia não é encontrar uma cura, mas sim descobrir um meio para a sua prevenção.»

Esta citação do genial cientista francês que nos legou a pasteurização é a introdução ideal ao novo livro das Selecções, 30 Minutos por Dia para Um Coração Saudável.

Com efeito, as doenças cardiovasculares são um verdadeiro flagelo moderno, responsáveis por mais de 17 milhões de mortes por ano em todo o Mundo e 40 000 em Portugal – a maior causa de morte no nosso país.

A boa notícia é que a maioria das doenças cardiovasculares pode ser prevenida através de alterações simples no estilo de vida, e é essa informação que este livro se propõe levar ao leitor. Contando com o aval da Fundação Portuguesa de Cardiologia, não recorre a dietas da moda nem a programas de exercício físico irrealistas, antes apresenta em linguagem precisa e cientificamente correcta, mas acessível, o argumento convincente de que a vida saudável depende de pequenos passos graduais – simples e até agradáveis de tomar. Desde o prazer dos alimentos frescos à inclusão de actividade física nos hábitos do dia-a-dia e à importância das pausas regulares para combater o stress.

No primeiro capítulo descobrirá todo o potencial do coração, com dados interessantíssimos sobre como os hábitos alimentares e o controle do stress reduzem a ocorrência de doenças cardiovasculares. A secção sobre «Os 6 inimigos mortais do coração» ajuda a compreender facilmente os principais riscos que enfrentamos.

O Plano 30-Minutos-por-Dia em que o livro se baseia é simples e fácil de cumprir. Através de pequenos questionários, cada pessoa pode decidir quais os pontos a que tem de dedicar mais atenção conforme as suas circunstâncias individuais. Depois, uma vez assimilados na rotina diária, os princípios da vida saudável – usar as escadas em vez do elevador, lidar inteligentemente com a alimentação, minimizar os prejuízos das toxinas – não lhe tomam muito tempo.

Um dos maiores desafios a enfrentar quando se quer alterar hábitos de vida é a perda de motivação, pelo que na secção «Manter o ritmo» encontrará 22 dicas que o ajudarão a não desistir. E no capítulo «Alimentação para um coração saudável» descobrirá tudo o que precisa de saber para se alimentar saudavelmente sem necessidade de dietas impossíveis de cumprir.

«Vida activa» mostra-lhe os benefícios reais e surpreendentes que um programa da actividade física moderada (e não necessariamente exercício extenuante nem desporto de competição) traz ao nosso coração. Tudo isto, aliado aos conselhos sobre controle do stress e da depressão transmitidos em «Um coração feliz», contribui para fazer desta uma obra única, prática e encorajadora –indispensável em qualquer biblioteca.

«Quero felicitar os editores e os consultores pelos seus conselhos extremamente úteis, e apelo a todos os Portugueses para os seguirem, a fim de poderem usufruir de uma vida mais saudável, mais feliz e também mais longa.»

Prof. Doutor Manuel Oliveira Carrageta
Presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia

 

 

Pois várias pesquisas vieram dizer qual a melhor maneira: seguir a dieta mediterrânica.

O estudo envolveu 215 pessoas com excesso de peso e diabetes, divididas em dois grupos: um fez um regime clássico com baixo teor de gordura, tendo por base directrizes da Sociedade Americana do Coração, e o outro seguiu uma dieta de estilo mediterrânico com azeite, bem como legumes, grãos integrais, peixe e aves.

Depois de quatro anos de análise, verificou-se que ambos os grupos haviam perdido o mesmo peso, mas apenas 44% dos elementos do grupo da dieta mediterrânica necessitavam de medicamentos para diabetes, em comparação com 70% das pessoas da dieta de baixa gordura.

Os benefícios resultam do facto de a dieta mediterrânica estar cheia de alimentos saudáveis, garante Dariush Mozaffarian, médico e professor assistente de Medicina na Escola Médica de Harvard. Para ajudar o seu açúcar no sangue:

 

Coma menos destes E mais destes
Carne de boi, cordeiro Peixe, aves, feijão
Manteiga, margarina, substitutos de manteiga Óleos vegetais, como soja e canola
Aperitivos de baixo teor de gorduras, biscoitos Nozes ou outros frutos secos, sementes de girassol e de abóbora, azeitonas
Bolachas com gordura reduzida Fruta fresca
Substituto do ovo; iogurte sem gordura, queijo Cheddar sem gordura Ovos inteiros, iogurte meio gordo; queijo Feta, queijo Parmesão ou de cabra

Batatas assadas, pão, arroz

Legumes grelhados ou salteados com ervas e temperados com azeite

 

 

 

Os relacionamentos são frequentemente definidos por etapas: primeiro os encontros, definição de objectivos até ao casamento. Mas, de acordo com um recente estudo da Universidade de Denver, publicado no Jornal de Psicologia Familiar, a coabitação antes do casamento pode comprometer os relacionamentos.

O estudo, que envolveu mais de 1000 homens e mulheres casados, demonstrou que os casais que passaram a morar juntos antes de ficaram noivos tiveram uma maior propensão para o divórcio.

Cerca de 43% dos casais que viviam juntos antes de casarem relataram que a satisfação com a relação diminuiu com o casamento, em comparação com aqueles que esperaram até ficar noivos (16%) e até casar (41%).

De acordo com Galena Rhodes, investigadora, «os casais que decidem juntar-se sem um compromisso claro de casamento acabam por deslizar para o casamento, em parte porque já coabitam, não por vontade expressa.»

Um estudo posterior revelou que a maioria dos casais decidem viver juntos para poderem passar mais tempo um com o outro. A segunda razão mais comum foi a conveniência, seguida pelo teste do relacionamento. Um outro investigador, Stanley Scott, afirma que a comunicação é a chave para a coabitação. «Falar sobre compromisso e o que viver junto pode significar para o futuro da relação antes de avançar em conjunto.» Ele acrescenta que, em relação ao tempo de namoro, os rompimentos são mais difíceis se o casal já vive junto.

 

 
Essa é a conclusão de vários estudos da revista americana Arquivos de Medicina Interna, que alertou para os riscos dos inibidores da bomba de protões (IBP) (usados no tratamento de úlceras gastrintestinais), os poderosos medicamentos que desligam a produção do ácido do estômago. Eles são eficazes, mas em demasia: 113 milhões de prescrições médicas são passadas em cada ano, e isso não inclui os medicamentos que podem ser comprados sem receita.

Os investigadores descobriram que os doentes em ambiente hospitalar que tomaram IBP são mais susceptíveis de ser infectados com o Clostridium difficile, uma superbactéria perigosa. Além disso, para as mulheres mais velhas o uso prolongado de IBP aumenta as probabilidades de fracturarem ossos devido à sua fragilização. E estudos anteriores demonstraram que aumenta a probabilidade de contrair pneumonia.
 
O que deve fazer. Comece com medicamentos menos fortes: os antiácidos bloqueadores. Não se esqueça de mudanças de estilo de vida, como perder peso e comer refeições menores, que podem fazer uma diferença enorme. E considere alguns remédios caseiros que podem ser muito eficazes, afirmam Joe e Teresa Graedon, médicos responsáveis pela revista Farmácia Pessoal.

As suas dicas:
- Mascar pastilha. Produz saliva, o que pode impedir que o ácido do estômago queime o seu esófago.

- Gengibre. Chupe um pouco de gengibre cristalizado, ou beba uma chávena de chá de gengibre. Para fazer o chá, rale um pouco de raiz de gengibre e beba quente.

- Mostarda. «Vai parecer uma loucura, mas nós ouvimos os nossos leitores a dizerem que uma colher de chá de mostarda amarela alivia a azia

- Amêndoas. Mastigue duas ou três amêndoas depois de uma refeição. «Eu não tenho ideia do porquê», diz Graedon, «mas pode ajudar e não vai doer.»
 
 
Sabia que …
50% dos doentes internados tomam medicamentos fortes para a azia, não importa a causa por que foram admitidos.


 
Um recente estudo mundial sobre osteoporose em mulheres mostra que somos muito rápidos a subestimar a gravidade da doença. Segundo o estudo, apenas 33% das mulheres pós-menopáusicas com dois ou mais factores de risco – tais como histórico familiar, menopausa precoce ou doença celíaca – se apercebem da sua maior propensão para fracturas.
 
É uma preocupação, uma vez que 12 a 15% dos pacientes com fractura da anca morrem nos seis meses seguintes de complicações da fractura ou imobilidade subsequentes. O Prof. John Eisman, director de pesquisa da osteoporose no Instituto Garvan, em Sydney, Austrália, diz que ninguém pode ignorar a doença. «Como homem, tem mais probabilidades de morrer devido aos efeitos da osteoporose – efeitos colaterais e mortalidade prematura – do que de algo como o cancro da próstata. Surpreendentemente, uma mulher tem mais chances de morrer devido à osteoporose do que de cancro da mama.»

Compreendo que tem um risco, e levá-lo a sério vale a pena, acrescenta a Prof.ª Jacqueline Center, também do Instituto Garvan. «Ainda é especulação a ideia de que bisfosfonatos (medicamentos usados para tratar a perda óssea) ajudem a reduzir a mortalidade», diz Center. «Mas eles fazem diminuir o risco de fractura subsequente e, assim, pode reduzir o risco de morte.»
 
 
Vitamina D
Previna a falta de vitamina D e vai reduzir o seu risco de fracturas osteoporóticas e quedas. A Fundação Internacional de Osteoporose estima que os adultos seniores precisam de 20-25 mg de vitamina D por dia. Pessoas que são obesas, têm limitada exposição ao sol ou que já têm osteoporose podem precisar de mais, mas verifique com o seu médico primeiro. Uma nova pesquisa indica que a toma intermitente em altas doses pode até ser contraproducente e, possivelmente, aumentar o risco de fracturas.
 
 
A ter em conta ...
Um em cada cinco homens e uma em cada três mulheres com mais de 50 anos terão fracturas.


 

Além dos afrontamentos e das insónias, também pode mexer com as suas emoções. O psicólogo Mandy Deeks, autor de A Vida Começa na Menopausa, diz que pode aprender-se a dominar as oscilações de humor:

  1. As emoções da menopausa podem aparecer de surpresa? «Eu acho que as mulheres notam os sintomas emocionais antes das alterações físicas que aparecem na perimenopausa, conhecida como uma época de caos hormonal. Elas tendem a sentir-se irritadas, cansadas e tristes. Muitas vezes, não sabem o motivo por que sentem isso, até porque continuam a ter período. Mas é um sinal.»
  2. Existe um lado positivo? «A menopausa pode marcar o início de algum tempo para o “eu”. Acho que na sociedade de hoje os 50 anos são vistos como os novos 40. E as mulheres entendem que ainda têm 30-35 anos da sua vida pela frente e vêem aqui uma oportunidade. Algumas vão iniciar novas carreiras ou estudar.»
  3. Ter pensamento positivo pode ajudar? «A atitude é muito importante para a saúde física e emocional. As mulheres que têm uma atitude positiva para com a menopausa têm menos sintomas e menos intensos».

 

Na circulação sanguínea, o colesterol e outros lípidos ligam-se às proteínas sob a forma de complexos chamados lipoproteínas, que se classificam conforme as diferentes fracções de colesterol. As lipoproteínas de baixa densidade, ou LDL (do inglês low density lipoproteins), tendem a depositar colesterol nas paredes das artérias. Por isso, as LDL são frequentemente designadas por colesterol «mau». Por outro lado, as lipoproteínas de alta densidade, ou HDL (do inglês high density lipoproteins), são consideradas «boas» porque transportam o colesterol de volta ao fígado. As lipoproteínas de muito baixa densidade, ou VLDL (do inglês very low density lipoproteins), transportam sobretudo triglicéridos, mas convertem-se em LDL depois de depositarem aqueles.

O fígado produz todo o colesterol de que o organismo necessita. Não se sabe por que motivo algumas pessoas têm níveis de colesterol muito acima das suas exigências, mas conhecem-se alguns dos factores que contribuem para essa situação. Um deles é uma dieta alimentar rica em gorduras saturadas, que, parece, estimula o fígado a produzir mais colesterol.

Os alimentos ricos em colesterol, como fígado e gemas, também podem fazer subir os níveis de colesterol no sangue. Por vezes, existe uma forma hereditária e a doença, hipercolesterolemia familiar, pode surgir na infância. A diabetes, as doenças do fígado e dos rins, a obesidade, o alcoolismo, o tabaco e o stresstambém estão relacionados com níveis altos do colesterol.

Diagnóstico e exames complementares

Os níveis dos lípidos exis tentes são avaliados por meio de análises de sangue, que deve ser colhido em jejum. Um nível de colesterol total no soro inferior a 200 mg/dl é considerado um valor desejável para os adultos, com as LDL abaixo de 130 mg/dl e as HDL acima de 35 mg/dl. Os níveis de colesterol podem ser expressos como percentagem de HDL, ou seja, o quociente entre o colesterol total e o colesterol HDL. Uma relação igual ou inferior a 4,5 é considerada desejável. Se os níveis de HDL forem particularmente altos e os níveis de LDL correspondentemente baixos, um nível de colesterol total no soro acima de 200 mg/dl pode não ser prejudicial.

Tratamentos médicos

O primeiro passo no tratamento da hipercolesterolemia consiste na adopção de um estilo de vida que inclua um regime alimentar pobre em calorias, colesterol e gorduras saturadas, de modo a obter-se uma redução do peso em excesso, além de exercício físico regular. Se estas medidas não forem suficientes, podem ser necessários medicamentos:

Sequestrantes dos ácidos biliares

A colestiramina e o colestipol actuam nos intestinos e retêm os ácidos biliares, impedindo a sua absorção. Assim, o fígado vai buscar mais colesterol LDL ao sangue para produzir bílis e, neste processo, os níveis de colesterol baixam 15 a 25%. Vários destes produtos são apresentados sob a forma de pós ou grânulos que se dissolvem na água ou em sumos de fruta. Os seus efeitos secundários ficam limitados ao tracto intestinal e podem incluir istensão abdominal, gases, diarreia ou prisão de ventre.

Fibratos

Incluem o clofibrato e o gemfibrozil, geralmente tomados em cápsulas ou comprimidos duas vezes por dia. Não se sabe exactamente como actuam estes medicamentos, mas pensa-se que tornam mais lenta a produção de VLDL e, assim, levam à redução das LDL e triglicéridos do soro. Alguns também aumentam os níveis de HDL. No geral, os fibratos não são tão eficazes como outros agentes redutores dos níveis de colesterol, mas têm menos efeitos secundários.

Estatinas. São os mais recentes e mais potentes medicamentos redutores dos níveis de colesterol, conseguindo-se uma redução média de 25% por interferência na produção de colesterol pelo fígado. Incluem a lovastatina, a pravastatina e a simvastatina e requerem exames regulares para detecção de possíveis problemas no fígado ou nos rins. Estes medicamentos também podem causar fraqueza muscular.

Ácido nicotínico, ou niacina Recomendam-se frequentemente doses elevadas desta vitamina B, pouco dispendiosa e muito eficaz, quando o colesterol não é muito elevado. O ácido nicotínico reduz a produção de VLDL pelo fígado, o que, por seu turno, diminui os níveis de LDL. Infelizmente, grandes doses podem provocar rubor e calor intensos na pele, semelhantes aos afrontamentos da menopausa. Consegue-se por vezes evitar este efeito começando com uma dose baixa e aumentando-a gradualmente ou recorrendo a formas de acção retardada.

Probucol

É tomado duas vezes por dia e pensa-se que altera a formação das LDL, levando as células a removê-las mais rapidamente da corrente sanguínea. Alguns doentes com hipercolesterolemia hereditária tiveram que receber transplantes do coração e do fígado; o fígado transplantado parece processar adequadamente o metabolismo do colesterol.

Medicinas alternativas

As seguintes terapias podem ajudar a baixar os níveis de colesterol no sangue:

Fitoterapia

A capsaicina (presente na malagueta e pimenta-de-caiena), as bagas de espinheiro-alvar (pilriteiro), as groselhas-pretas, o óleo de onagra e a bodelha parecem ser úteis para ajudar a baixar o colesterol. Os benefícios do alho, cru ou em cápsulas, estão bem documentados.

Terapia pela nutrição

Todos os profissionais de saúde reconhecem o papel fundamental da dieta na redução do colesterol. Diminuir a ingestão de gorduras saturadas para 10% do total de calorias e aumentar o consumo de fibras são algumas das medidas recomendadas. O colesterol obtido da alimentação não deve exceder 300 mg por dia, e as gorduras devem ser sobretudo poliinsaturadas e monoinsaturadas.

As fibras solúveis (hortaliças, fruta, farelo de aveia) podem ajudar a baixar o colesterol. Também se recomendam o feijão, arroz integral, farinha de aveia, cevada, maçãs, brócolos, cenouras, bananas e pêssegos. Os suplementos de vitamina E têm demonstrado elevar os níveis de HDL. Há quem defenda que 1 colher de sopa de lecitina antes das refeições ajuda a baixar o colesterol.



 

A dieta "adoro comer"

 

Satisfaça o apetite sem se privar de nada. O apetite pode ser uma fera à solta dentro de nós, sempre a pedir para comer. Nem sequer fala a nossa linguagem. Nada comove a sua fome insaciável. Como domesticar então este monstro? O melhor é escolher um caminho natural e que já provou dar bom resultado: em vez de tentar vencer o apetite, contentá-lo...

Segundo Barbara Rolls, professora de Nutrição da Pennsylvania State University e co-autora de The Volumetrics Weight-Control Plan: Feel Full on Fewer Calories, a saciedade, a impressão de se ter comido tudo o que se quis no fim de uma boa refeição, é o ingrediente principal na gestão do peso. E o que leva à saciedade? Sobretudo o volume, a massa dos alimentos que se comem. Refeições "de baixa densidade energética", muitas substâncias para relativamente poucas calorias, satisfarão prontamente o apetite sem aumento de peso. Quais são então estes alimentos de elevado volume, baixas calorias e que respondem ao apetite? Eis uma lista de sete dos melhores:

Sopa. Diz Rolls: "A sopa provoca o dobro da saciedade de qualquer outro alimento." Os olhos vêem uma grande porção. O aroma fumegante gera um forte estímulo sensorial. O grande volume de líquido enche o estômago. Além disso, uma sopa rica em ingredientes leva tempo a digerir, mantendo uma pessoa saciada. Num estudo de 1999, Rolls e os seus colaboradores da Penn State controlaram o almoço de 24 mulheres uma vez por semana durante quatro semanas. Antes de cada refeição, as mulheres recebiam uma ou duas doses de "pré-carga" de 270 calorias: uma caçarola de frango com arroz; ou a mesma caçarola e um copo de água; ou uma sopa de frango e arroz com os mesmos ingredientes da caçarola mais água. Foi a sopa que teve melhores resultados, provocando uma redução de 100 calorias na quantidade ingerida pelas mulheres. E as que comeram sopa não sentiram necessidade de comer mais ao jantar para se compensarem. Mais recomendáveis, são as versões ligeiras de sopa, como de minestrone, de alho-francês, de cogumelos, o caldo verde ou o gaspacho; todas são boas para controlar o apetite e para tomar no intervalo das refeições. Atenção às sopas com natas: estão cheias de gordura e calorias.

Sumos vegetais. Noutro estudo conduzido por Rolls e pela sua equipa, os homens que beberam um copo de sumo de vegetais de 400 gr e 88 calorias antes do almoço ingeriram em média menos 136 calorias à refeição que aqueles a quem não foi dada a bebida. Outras investigações demonstraram que o teor de sal e a temperatura não eram factores a ter em conta. O que decerto funcionou, diz Rolls, foi a baixa densidade energética e a pequena dose de fibras do sumo.

Flocos de cereais. São uma importante fonte de fibra. Fornecem muito que comer com muito poucas calorias, nota Phyllis Roxland, nutricionista de Nova Iorque, e, como todos os alimentos ricos em fibra, também bloqueiam o apetite. Uma maneira fácil de ingerir fibra é tomar um bom pequeno-almoço, diz Barbara Rolls. "Um estudo mostra que uma pessoa que faça um pequeno-almoço rico em fibras, ingere menos cerca de 100 calorias no conjunto desta refeição com o almoço." Ela costuma misturar flocos de farelo com um cereal seco ou com flocos de aveia ricos em fibras.

Um inibidor do apetite muito suave. Gene Daoust, nutricionista diplomado de Reno, Nevada, e co-autor do livro 40-30-30 Nutrição Queima-Gorduras, recomenda um suave "inibidor do apetite" de fruta e proteína ao pequeno-almoço. Então, vejamos: mistura-se uma colher rasa de proteína em pó, meia banana gelada, meia chávena de morangos congelados, 3/4 de uma chávena de água e duas colheres de chá de amêndoas. Este pequeno-almoço líquido elimina a fome porque é altamente nutritivo. E também, como todas as refeições com níveis equilibrados de proteína, gordura e hidratos de carbono, ajuda a manter estáveis os níveis de açúcar.

Bagas. Muito doces e sumarentas, as bagas e outros frutos podem constituir o melhor de todos os pequenos-almoços, diz Rolls. As bagas são muito ricas em água e fibras, pelo que enchem o estômago com poucas calorias. Imagine os três seguintes petiscos: 10 grandes gomos de fruta coloridas, 18 pequenos biscoitos crocantes sem gordura, 23/4 chávenas de morangos frescos. Agora, saiba que todos têm 100 calorias, mas que só os morangos ou qualquer outro fruto satisfazem o apetite.

Molho picante. Enquanto alguns nutricionistas são defensores de alimentos de grande volume e elevado valor em fibras, os investigadores da Laval University do Quebec, no Canadá, são adeptos da capsaicina, o químico picante que se encontra na pimenta vermelha. Angelo Tremblay e os seus colegas fizeram uma série de experiências em que acrescentaram esta especiaria ao pequeno-almoço ou a aperitivos tomados ao almoço. Depois, controlaram o que cada pessoa comeu a seguir. Num teste efectuado a 13 mulheres cujo pequeno-almoço foi condimentado com pimenta vermelha, verificou-se uma diminuição do apetite entre o pequeno-almoço e o almoço e uma redução das calorias ingeridas ao meio-dia. Quando os investigadores fizeram o teste a dez homens, descobriram que um aperitivo com piripíri diminuiu a ingestão de calorias ao almoço e ao lanche. Tremblay pensa que a pimenta vermelha pode actuar como "um estimulante não-farmacológico" actuando sobre o sistema nervoso simpático. Pensa-se que, quando isso acontece, a fome diminui. Como bónus, descobriu que o picante da pimenta vermelha ajuda ligeiramente a queimar calorias (um processo fisiológico chamado termogénese). E como se pode desencadear este processo? Que tal servir omeletas com molho picante ou batatas salteadas com salsa e piripíri?

Sobremesas geladas. Pobres em gorduras. "Muitas pessoas só param de comer depois do doce", lembra Rolls. Isso não tem que ser forçosamente mau. "As sobremesas geladas são uma das melhores formas de satisfazer a gulodice sem acumular calorias", diz Phyllis Roxland. Setenta gramas de sorvete têm apenas 110 calorias. Meia chávena de iogurte de chocolate gelado apenas acrescenta 115 calorias ao jantar. É claro que pode seguir-se outro método, diz Rolls. "Coma uma quantidade satisfatória de alimentos com baixa densidade energética à refeição e como sobremesa um bom bocado do melhor chocolate que encontrar!"